Guaratuba terá praça-modelo com pavimento permeável

Projeto vai recobrir 10 mil m2 e segue os conceitos de “rua completa”, do Sinaenco, e Soluções para Cidades, da ABCP

Projeção mostra toda a área que será revitalizada em Guaratuba-PR

Projeção mostra toda a área que será revitalizada em Guaratuba-PR

A cidade de Guaratuba, no litoral do Paraná, terá a primeira praça-modelo, seguindo todos os parâmetros do CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo) e do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil). A escolha do projeto passou por um concurso público nacional, que envolveu 40 escritórios. O vencedor foi um consórcio de arquitetos de Florianópolis-SC (Desterro Arquitetos + Bloco B Arquitetura + Giz de Terra). “O projeto em si resgata a história da formação urbana de Guaratuba, quando praça e igreja formavam um largo voltado para a baía. A visita ao local e a conversa com moradores foram determinantes para o desenvolvimento de um desenho marcante e linhas simples”, explica o arquiteto Arthur Lins.

Conhecida como Praça Central, a praça Coronel Alexandre Mafra é uma das mais antigas do Paraná. Ela é o marco-zero da cidade de Guaratuba, que foi fundada em 1771. A revitalização envolverá uma área de 10 mil m2, recebendo pavimento intertravado permeável. CAU e IAB avaliam que o projeto pode servir de modelo para futuras revitalizações de praças em cidades com população até 50 mil habitantes. “O paisagismo desenvolvido projeta uma praça viva e conectada aos espaços verdes pré-existentes. Além de uma praça de qualidade para a população local, também será um espaço de qualidade para o turismo de Guaratuba”, completa Arthur Lins.

Pavimento permeável irá recobrir boa parte dos 10 mil m2 da Praça Central de Guaratuba-PR

Pavimento permeável irá recobrir boa parte dos 10 mil m2 da Praça Central de Guaratuba-PR

Segundo Carolina Huergo, arquiteta da secretaria municipal do urbanismo da prefeitura de Guaratuba, uma das prioridades era que o projeto vencedor contemplasse elementos que garantissem sustentabilidade à praça. “Por isso, a pavimentação com blocos de concreto era uma das exigências no edital do concurso”, diz. A expectativa da prefeitura é de que as obras possam iniciar em 2018. Antes, será feita uma nova licitação para a contratação das empresas que irão executar o projeto. “A proposta é iniciar a licitação em 2018. Itens quanto à execução e aos fornecedores serão definidos dentro do processo licitatório, para que sejam seguidas as legislações vigentes”, afirma Carolina Huergo.

Inspiração

Além da revitalização da praça, o projeto se estenderá ao entorno do local, que envolve prédios históricos de Guaratuba. “Essa integração resulta em um desenho que prioriza o pedestre, a acessibilidade universal e a restrição ao automóvel. O objetivo é estimular o uso da bicicleta através de ciclofaixas e vias compartilhadas, sem alterar o fluxo de veículos. As vias serão delimitadas por balizadores e a velocidade máxima reduzida, garantindo assim o trânsito seguro de pedestres e ciclistas, já que todo o entorno da praça estará no mesmo nível”, explicam os arquitetos, que se inspiraram em dois conceitos: o “rua completa”, apoiado pelo Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), em parceria com a Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), e a plataforma Soluções para Cidades, da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland).

Além do pavimento permeável, o projeto arquitetônico da praça prevê áreas verdes

Além do pavimento permeável, o projeto arquitetônico da praça prevê áreas verdes

Entrevistados
Arquiteto e urbanista Arthur Lins, da Desterro Arquitetos, e Carolina Huergo, arquiteta da secretaria municipal do urbanismo da prefeitura de Guaratuba-PR

Contatos
arthur@desterro.arq.br

urbanismo@guaratuba.pr.gov.br

Crédito Fotos: Desterro Arquitetos + Bloco B Arquitetura + Giz de Terra

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Prédio verde já tem a preferência em vendas e locações

Empreendimentos corporativos com certificação sustentável começam a se tornar tendência na cidade de São Paulo e se espalham pelo país

Até 2020, prédios verdes serão maioria entre os empreendimentos corporativos na cidade de São Paulo
Até 2020, prédios verdes serão maioria entre os empreendimentos corporativos na cidade de São Paulo

As empresas que compram e alugam lajes em edifícios corporativos estão optando por prédios verdes. As edificações com certificação de sustentabilidade registraram taxa de vacância de 20,6% no terceiro trimestre de 2017 (julho, agosto e setembro) contra 32% dos edifícios convencionais. Em quatro anos, a curva sofreu uma drástica inversão. Até 2013, os prédios de escritórios A e A+ (alto e altíssimo padrão) mas que não possuíam selos verdes, registravam vacância de 11,4%.

A razão desta guinada a favor dos edifícios sustentáveis é a economia. Não está relacionada apenas com o impacto da crise econômica, mas com o desejo das corporações em gerar economia com a logística que envolve seus negócios. Um exemplo: prédios verdes têm taxas de condomínio que custam entre 15% e 25% a menos que os valores cobrados por edifícios convencionais. Os dados foram apurados pela Engebanc Real Estate, com base em dados levantados em uma pesquisa condominial na cidade de São Paulo-SP.

Apesar de abranger lajes corporativas na capital paulista, o levantamento reflete uma tendência nacional: a de que os projetos para prédios corporativos estão preferindo buscar os selos de sustentabilidade para ganhar mercado. O motivo é que as empresas multinacionais, que são as que mais compram ou alugam lajes, estão preferindo os empreendimentos com certificação. É uma tendência que cresceu sobremaneira nesta década. Conectadas com essa preferência dos locatários, as construtoras estão optando por erguer prédios verdes.

Segundo o levantamento da Engebanc Real Estate, atualmente na cidade de São Paulo 72% dos edifícios construídos a partir de 2012, ou em construção, têm certificação de sustentabilidade. Quando todos os empreendimentos forem concluídos, o que deve ocorrer até 2020, a capital paulista terá mais prédios verdes do que edifícios convencionais nas novas regiões corporativas da cidade, que englobam Pinheiros, Faria Lima, Avenida Paulista, Jardins, Jardim Paulistano, Itaim Bibi, Vila Olímpia, Berrini, Roque Petroni, Santo Amaro, Chácara Santo Antônio e Morumbi.

Sustentabilidade ainda é mito

Nestas localidades há 138 imóveis comerciais, dos quais 63 já possuem certificação sustentável. Para 2018, o estudo da Engebanc Real Estate estima que a oferta de lajes novas em prédios verdes crescerá mais 11%. Nas regiões pesquisadas, há mais seis edifícios em fase final de construção, e que possuem selos de sustentabilidade, o que vai acrescentar mais 150 mil m2 a favor dos empreendimentos certificados. “Essa movimentação aconteceu por uma tendência mundial e, principalmente, pela necessidade das empresas estrangeiras que, ao vir para o Brasil, trazem a premissa de ocupar prédios com essas características, por um posicionamento já consolidado lá fora”, destaca Leandro Angelino, gerente de inteligência de mercado e marketing da Engebanc Real Estate.

A projeção é que em dez anos o m2 dos edifícios sustentáveis esteja igual ou até mais barato que dos edifícios convencionais. Hoje, as construções com certificação têm custo 10% maior. Para Angelino, o encarecimento ainda se deve ao fato de que a sustentabilidade ainda é muito subjetiva na hora de precificar uma obra. “Conforme ela (a sustentabilidade) for deixada de ser tratada como mito, e incorporada ao dia a dia das pessoas, os custos tendem a diminuir”, avalia. 

Entrevistado
Engebanc Real Estate
(via assessoria de imprensa)

Contato: escritorios@engebanc.com.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Materiais de construção antifogo são desafio à indústria

Grupos de engenheiros defende que certificações sustentáveis só sejam concedidas a edifícios que forem resistentes a incêndio

A indústria de materiais de construção da Europa está à frente de pesquisas que buscam criar produtos que sejam imunes ao fogo. Os avanços foram debatidos em vários simpósios e conferências realizadas no continente, entre maio e setembro de 2017. Quem lidera o movimento é a Fire Safe Europe (FSEU), para quem a denominação de construção sustentável só será 100% verdadeira quando as edificações, e os materiais empregados nas obras, conseguirem ser “imunes” ao fogo.

Em um dos eventos promovidos pela FSEU o palestrante foi Karl Downey, gerente de construção sustentável da European Cement Association (CEMBUREAU). Ele também integra o Concrete Initiative - movimento que apoia construções de prédios com a tecnologia de paredes de concreto. Seus integrantes defendem que o concreto é o material com a melhor eficiência quando o assunto é resistência ao fogo. “Infelizmente, quando se trata de construir sobre os preceitos de sustentabilidade, o fogo não é levado em consideração”, diz Karl Downey.

O representante da CEMBUREAU critica os certificadores de construções sustentáveis, alegando que eles ignoram as normas de resistência ao fogo. "Geralmente, o fogo não é apresentado como um problema de sustentabilidade. Talvez, por que seja tratado em um contexto diferente, ou inserido em questões como eficiência energética. Mas nosso entender é de que um edifício sustentável só pode realmente receber essa denominação se for resistente a incêndios", afirma. 

O movimento Concrete Initiative atua para que normas técnicas europeias sejam revistas, a fim de que abranjam a resistência ao fogo nos pontos em que se referem a construções sustentáveis. “Temos novas propostas para que sejam definidos quesitos como desempenho energético. Acreditamos que a sustentabilidade deve ser resiliente a condições climáticas extremas e condições de incêndio", afirma Karl Downey, revelando a razão pela qual apoia construções com paredes de concreto. “O concreto não gera combustão, não derrete, não emite gases tóxicos e atua como um escudo na proteção de pessoas, quando elas escapam de um incêndio”, completa.

Dados alarmantes

As discussões sobre incêndios em edificações aumentaram na Europa após a tragédia que atingiu o prédio Grenfell Tower, em Londres-Inglaterra, em junho de 2017. O uso de revestimento inadequado transformou um incêndio de pequenas proporções, que começou a partir do curto-circuito em uma geladeira, em uma tragédia com 79 mortes. Esse caso engrossou as estatísticas europeias. Dados da Fire Safe Europe revelam que ocorrem 5 mil incidentes de incêndio por dia no continente. 

Anualmente, 70 mil pessoas são hospitalizadas devido a ferimentos graves causados ​​por fogo em edificações e 4 mil são mortas. Os gastos e os prejuízos causados por incêndios envolvem 126 bilhões de euros por ano na Europa, o que equivale a 1% do PIB do continente. “Projetar e fabricar materiais pensando em combater incêndios deve ser prioridade na indústria da construção. Caso contrário, continuaremos a conviver com histórias tristes causadas pelo fogo, e que poderiam ser evitadas", finaliza Karl Downey.

Entrevistados
- Engenheiro civil Karl Downey, gerente de construção sustentável da European Cement Association (CEMBUREAU) e integrante do movimento Concrete Initiative
- Fire Safe Europe (FSEU)
(via assessoria de imprensa)

Contatos
info@eupave.eu
secretariat@firesafeeurope.eu

Crédito Foto: European Pressphoto Agency

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Venda de máquinas para concretagem tende a reagir em 2018

Estudo da Sobratema, ancorado por dados de outros organismos ligados à construção civil, sinaliza que fim da recessão está próximo

Brian Nicholson, consultor da Sobratema: expectativa de crescimento gradual a partir de 2017
Brian Nicholson, consultor da Sobratema: expectativa de crescimento gradual a partir de 2017

Em 2017, as projeções da ABIMAQ (Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos), da ANFIR (Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários) e da ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) apontavam expectativa de venda de 400 novos caminhões betoneira em todo o Brasil. Até setembro deste ano, foram comercializados 165 equipamentos. O volume atual permite dizer que a queda, em relação ao que foi projetado, deve ser de 56% em 2017. Já para 2018, os números são mais animadores. Espera-se que 235 caminhões betoneira sejam vendidos em todo o país no próximo ano.

A estatística faz parte do anuário da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração), intitulado “Estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos para Construção”. De acordo com o levantamento, divulgado dia 9 de novembro de 2017, na cidade de São Paulo-SP, a queda no volume de vendas de máquinas para concretagem está diretamente relacionada ao consumo de cimento no Brasil, que até setembro de 2017 havia sido 7,4% menor que em relação ao mesmo período de 2016. “É um impacto em toda a cadeia”, diz o economista e consultor da Sobratema, Brian Nicholson. 

Outro segmento afetado foi o de centrais de concreto comercializadas no país. No começo de 2017, a expectativa era de que 30 novos equipamentos fossem vendidos em todo o território nacional. No entanto, até setembro deste ano apenas 15 tinham sido comercializados. Para 2018, o estudo da Sobratema aponta que 23 novas centrais de concreto tendem a ser vendidas. “Apesar da retração, entendemos que o setor está no fim de um forte ciclo de recessão”, prevê Afonso Mamede, presidente da associação. O segmento de máquinas para a construção experimenta o terceiro ano de forte queda nas vendas.   

Em seu levantamento, a Sobratema alerta que o mercado de construção e de infraestrutura ainda não foi impactado de forma significativa pelo início da recuperação econômica, mas alguns dados já apontam para um viés de alta. Segundo Eurimilson Daniel, vice-presidente da associação, um desses sinais vem do setor de máquinas seminovas e usadas. “Muitas empresas colocaram suas frotas à venda para pagar dívidas e outras, com mais saúde financeira, estão comprando. Com a previsão de reaquecimento, a tendência é que mais empresas voltem às compras, incluindo equipamentos novos. O que precisa é que as obras voltem. Sem obras, não há compra de máquinas”, comenta.

Otimismo gradual

Mercado de caminhões betoneira ficou abaixo da expectativa em 2017, mas tende a se recuperar em 2018
Mercado de caminhões betoneira ficou abaixo da expectativa em 2017, mas tende a se recuperar em 2018

Atualmente, não é apenas o setor de máquinas para concretagem que está afetado. De acordo com o estudo da Sobratema, a queda é generalizada desde 2015. Neste ano, as vendas devem totalizar 12,1 mil unidades contra 14,4 mil em 2016. Só a linha amarela (máquinas para movimentação de terra) vai fechar o ano com queda de 9%. Para 2018, o levantamento projeta retomada nas vendas. “A linha amarela deverá apresentar crescimento de 8%. As demais categorias de equipamentos tendem a ter um aumento de 7,3%, incluindo o setor de máquinas para concretagem”, diz o relatório da associação.

Entrevistado
Reportagem com base no “Estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos para Construção”
(via assessoria de imprensa)

Contato: sobratema@sobratema.org.br

Crédito Fotos: Sobratema

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Tecnologia 3D já permite “imprimir” pontes de concreto

Pequena cidade holandesa incorpora estrutura desenvolvida pela Universidade Tecnológica de Eindhoven em seu plano de mobilidade urbana

Ponte instalada em Gemert, na Holanda, é a primeira a usar concreto protendido em impressão 3D

Ponte instalada em Gemert, na Holanda, é a primeira a usar concreto protendido em impressão 3D

Na Holanda, a tecnologia que permite imprimir estruturas de concreto em 3D deu mais um passo. Desta vez, viabilizou a construção de uma ponte. A estrutura serve a uma ciclovia e possui 8 metros de comprimento e 3,5 metros de largura. Com capacidade para suportar 5 toneladas, a obra de arte foi projetada para durar 30 anos, pelo menos. Desenvolvida por engenheiros da Universidade Tecnológica de Eindhoven, junto com a empresa de construção BAM Infra, a ponte é a primeira impressa em 3D a usar concreto protendido na concepção de suas peças.

A estrutura foi dividida em seis partes e montada in loco na região rural de Gemert, no norte da Holanda, no dia 17 de outubro de 2017. O processo de impressão foi inédito porque os pesquisadores da Universidade Tecnológica de Eindhoven conseguiram aprimorar a tecnologia de impressão em 3D ao incorporar cabos de aço, tornando o concreto protendido. O material melhora os esforços de tração da ponte, aumentando a resistência e a durabilidade. Apesar de ter sido projetada para receber bicicletas e pedestres, a estrutura pode perfeitamente suportar veículos leves sobre quatro rodas.

Projetada para uma ciclovia, estrutura suporta até 5 toneladas

Projetada para uma ciclovia, estrutura suporta até 5 toneladas

Como as peças foram impressas em laboratório, a emissão de CO2 foi controlada, o que diminuiu a pegada de carbono das estruturas. Outra característica da impressão é que ela permite produzir peças a uma velocidade muito maior em relação ao método convencional. Segundo os pesquisadores da universidade, quando a tecnologia estiver amplamente dominada, a impressão de estruturas de concreto poderá ser até três vezes mais veloz que os métodos convencionais. “Só o fato de dispensar o uso de fôrmas já acelera todo o processo”, afirmam.

Preferência à inovação

Tecnologia de impressão das estruturas da ponte foi desenvolvida na Universidade Tecnológica de Eindhoven
Tecnologia de impressão das estruturas da ponte foi desenvolvida na Universidade Tecnológica de Eindhoven

Outra vantagem da impressão em 3D, de acordo com os envolvidos no desenvolvimento da tecnologia, é que ela possibilita criar estruturas de qualquer tamanho e formato. “Com a incorporação do concreto protendido à impressora, em breve será mais vantajoso economicamente substituir pontes do que tentar consertá-las”, garantem os pesquisadores, afirmando que o próximo passo da Universidade Tecnológica de Eindhoven é conseguir imprimir elementos maiores. Para isso, eles terão que desenvolver uma impressora com mais estrutura. 

A ponte instalada em Gemert faz parte de um projeto de mobilidade urbana para a pequena cidade holandesa de pouco mais de 16 mil habitantes. Além da estrutura em 3D, o complexo viário também ganhou uma rotatória pré-fabricada em concreto e aço, pesando 1,2 milhão de toneladas e que foi instalada em seis horas. A opção por projetos inovadores é estimulada pela prefeitura de Gemert. “Desafiamos os players do mercado a inovar, desenvolver novas tecnologias sustentáveis ​​e reutilizar materiais tanto quanto possível. Ao avaliar cotações e convites para nossos projetos, as empresas que vêm com um plano inovador e sustentável têm sempre a nossa preferência”, diz o representante de Gemert, Christophe van der Maat. A cidade também está financiando um projeto para a construção de casas com impressão em 3D

Veja vídeos sobre a construção da ponte

 

Entrevistados
Universidade Tecnológica de Eindhoven e BAM Infra
(via assessorias de comunicação)

Contato
info@tue.nl
info.infra@bam.com

Crédito Fotos: BAM Infra

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Intenção de abrir mercado da construção gera polêmica

Governo quer desburocratizar entrada de empresas e profissionais estrangeiros no país, a fim de retomar obras de infraestrutura

No entender do governo federal, grandes projetos nacionais vão precisar de construtoras estrangeiras para tocá-los
No entender do governo federal, grandes projetos nacionais vão precisar de construtoras estrangeiras para tocá-los

O governo federal prepara um projeto de lei que busca destravar a burocracia e acabar com a reserva de mercado na construção civil brasileira. O objetivo é permitir que construtoras estrangeiras operem no Brasil, e que engenheiros de outras nacionalidades possam trabalhar no país. Atualmente, engenheiros civis estrangeiros que vêm atuar no Brasil precisam esperar mais de um ano para obter licença do CONFEA-CREA. Com o projeto de lei, assim que uma construtora vencer uma licitação pública, a emissão do registro deve ser automática para os engenheiros estrangeiros que ela contratar para a obra.

A medida é polêmica e gera mobilização dos engenheiros brasileiros. Recentemente, a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) alegou que o projeto de lei pode agravar o desemprego entre engenheiros brasileiros. O organismo estima que existam atualmente 50 mil profissionais fora do mercado de trabalho no país. "Isso significa que, mesmo diante de um trágico cenário de desemprego na engenharia brasileira, o governo irá privilegiar profissionais de outros países. É uma medida que aprofunda a desnacionalização da economia e o desmonte da engenharia nacional", protesta o presidente da Fisenge, Clóvis Nascimento.

Dentro do governo, a visão é de que o projeto de lei possa criar um ambiente de novos investimentos na infraestrutura do país, já que as grandes empreiteiras brasileiras - em função das descobertas reveladas pela operação Lava Jato - ficaram com sérias restrições (financeiras e jurídicas) de atuar em licitações e concessões públicas. Além disso, setores estratégicos entendem que, com a retomada da atividade econômica, construtoras nacionais médias e pequenas não terão como dar conta de todos os projetos que tendem a surgir, em função da demanda reprimida no setor da construção civil.

Confiança e barreiras

No mais recente boletim da Sondagem da Indústria da Construção, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a ociosidade no setor chega a 42%. Significa que a cadeia produtiva está operando com apenas 58% de sua capacidade máxima. No mesmo levantamento, a CNI detecta que o Índice de Confiança do Empresário da Construção está em alta. Em outubro, atingiu 53,8 pontos. O resultado está acima da média histórica, de 52,6 pontos. Na avaliação da CNI, o indicador demonstra otimismo do empresariado com as condições da economia e das empresas nos próximos seis meses.

Em nota, a economista da confederação, Flávia Ferraz, avalia que a confiança cresceu em função da redução dos juros e da recuperação gradual da economia. "A construção depende muito de financiamentos e, com a queda dos juros, caem os custos dos empréstimos para os compradores de imóveis e para as empresas que precisam de recursos", afirma. No entanto, há barreiras que ainda precisam ser vencidas, segundo revelou a recente Sondagem Indústria da Construção. As mais mencionadas foram carga tributária, demanda interna insuficiente e falta de capital de giro. A CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), que apoia o projeto de lei gestado pelo governo, entende que essas barreiras podem ser superadas com o ingresso de construtoras estrangeiras no país.

Entrevistado
- Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão
(via assessoria de imprensa)
- Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
(via assessoria de imprensa)
- Confederação Nacional da Indústria (CNI)
(via assessoria de imprensa)
- Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge)
(via assessoria de imprensa) 

Contatos
imprensa@planejamento.gov.br
ascom@cbic.org.br
imprensa@cni.org.br
comunicacao@fisenge.org.br

Crédito Foto: CBIC

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Caixa elege melhor faixa do MCMV e libera R$ 8,7 bi

Contratos para famílias com renda entre R$ 1,5 mil e R$ 4 mil são os que trazem os melhores retornos ao banco, pois são pagos religiosamente

Minha Casa Minha Vida retoma contratos na faixa que dá menos problemas à Caixa
Minha Casa Minha Vida retoma contratos na faixa que dá menos problemas à Caixa

Sem dinheiro para contemplar todas as faixas de financiamento imobiliário, a Caixa Econômica Federal decidiu priorizar aquela que é considerada a que melhor cumpre os contratos dentro do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). A eleita foi a faixa que inclui famílias com renda mensal entre R$ 1,5 mil e R$ 4mil, as quais terão disponíveis uma linha de crédito suplementar de R$ 8,7 bilhões. O banco vai remanejar para a área de habitação popular o dinheiro que iria para outras linhas que também se beneficiam dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

A decisão da Caixa de priorizar essa faixa de renda do Minha Casa Minha Vida tem a ver também com o fato de que ela corresponde a 86% dos financiamentos feitos com recursos do FGTS. Assim, o banco acredita que poderá normalizar boa parte dos créditos voltados ao MCMV, e que vinham enfrentando atrasos por falta de recursos dentro do banco. Os R$ 8,7 bilhões que foram redirecionados estavam reservados para linhas de crédito oferecidas pelo banco a empresas pequenas e médias e também a financiamentos imobiliários destinados à classe média alta.

Outra razão que levou a Caixa a remanejar esses recursos é que havia queixas de que os contratos de crédito habitacional, mesmo com carta de financiamento já aprovada, estavam parados devido à falta de recursos. Em nota, o banco confirma sua decisão. “As avaliações dos imóveis em garantia ao crédito de pessoa física que tiveram sua validade expirada durante o período de transição serão renovadas automaticamente até o final do ano (2017), garantindo a continuidade dos financiamentos”, diz. Essa linha de crédito da Caixa vai contemplar cotas de financiamento de até 80% do valor do imóvel.

Na nota divulgada pelo banco, ele explica que a medida tem o objetivo claro de “manter aquecida a indústria da construção civil do país, responsável por gerar emprego e renda”. A Caixa afirma ainda que a contratação do crédito imobiliário neste ano está cerca de 20% superior em relação ao mesmo período do ano passado. Até outubro de 2017, a instituição financeira diz ter emprestado R$ 72,4 bilhões em todas as suas modalidades de crédito imobiliário.

Faixa 1

Segundo o vice-presidente de habitação da Caixa, Nelson Antonio de Souza, a opção de liberar R$ 8,7 bilhões à faixa do MCMV que contempla família com renda mensal de até R$ 4 mil se deve ao baixo risco das operações. O banco explica que boa parte destas famílias pode usar o FGTS para dar entrada no imóvel, o que faz com que o aporte de capital da instituição financeira seja de melhor qualidade. “Dado o cenário atual de escassez de capital, o banco público busca empréstimos seguros”, afirma Nelson Antonio de Souza.

A Caixa tem sido muito prudente para liberar recursos às outras faixas do MCMV. O ministério das Cidades tomou a frente em muitas destas ações, principalmente no que se refere à faixa 1 (famílias com renda mensal de até R$ 1,8 mil) onde a meta é fechar 2017 com 100 mil unidades contratadas, das quais 92.304 já foram celebradas. Os recursos vêm diretamente do ministério e a Caixa apenas faz o repasse. Neste ano, o ministério das Cidades já celebrou convênios com 337 municípios, movimentando 192 empresas da construção civil - todas contratadas para viabilizar as obras dos projetos relacionados à faixa 1 do Minha Casa Minha Vida.

Entrevistado:
Caixa Econômica Federal
(via assessoria de imprensa)

Contato: imprensa@caixa.gov.br

Crédito Foto: ministério das Cidades

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Pesquisas sobre “cimento verde” avançam e miram 2050

Na Alemanha, está em processo de implantação a primeira planta-piloto para produzir o material sem a utilização de clínquer

Pesquisadores do KIT receberam o prêmio de tecnologia ambiental, concedido pelo governo alemão

Pesquisadores do KIT receberam o prêmio de tecnologia ambiental, concedido pelo governo alemão

O Instituto de Tecnologia de Karlsruhe (KIT), na Alemanha, é um dos principais centros de pesquisa sobre consumo de energia da Europa. Desde 2009, entre seus estudos prioritários está o desenvolvimento de “cimentos verdes”. O objetivo é chegar a um material que gere menor emissão de CO2 e consuma menos quantidade de energia para ser produzido. Os avanços não param. No recente simpósio “O Futuro do Cimento”, que aconteceu em Paris (França), o KIT apresentou seus estudos mais recentes sobre a produção de cimentos que substituem o clínquer pelos hidrosilicatos de cálcio (Celitement®).

A descoberta permitirá produzir cimento com 50% menos consumo de energia, pois a mistura é atingida a 500 °C em vez dos 1.450 °C tradicionalmente necessários para a produção do material. Para o engenheiro químico-chefe do instituto, Peter Stemmermann, as pesquisas estão em evolução e o próximo passo é a construção de uma planta-piloto que permita produzir 100 quilos por dia do novo aglutinante. “Essa produção vai possibilitar realizar a aplicação do cimento em vários tipos de sistemas construtivos, a fim de que o material possa ser produzido em larga escala”, diz o pesquisador.

De acordo com Stemmermann, o “cimento verde” será realidade a partir de 2050. “Atualmente, são produzidas cerca de dois bilhões de toneladas de Cimento Portland por ano, em todo o mundo. Se todas as fábricas do planeta vierem a adotar a tecnologia que estamos desenvolvendo, meio bilhão de toneladas de dióxido de carbono deixaria de ser emitido na atmosfera a cada ano. Isso contribuiria enormemente para a preservação do clima. Mas, obviamente, não estamos falando de uma transformação a curto prazo. Imaginamos que podemos atingir esse cenário a partir de 2050 ", diz.

Laboratório montado no campus do KIT para o desenvolvimento do Celitement®
Laboratório montado no campus do KIT para o desenvolvimento do Celitement®

Além do desenvolvimento tecnológico, o centro de pesquisa da Alemanha também precisa viabilizar economicamente o “cimento verde”. “O caminho para uma implementação de produção em massa é longo. Certamente, exigirá vários anos de desenvolvimento extensivo. As etapas passam por testes exaustivos e pelos processos de certificação, de regulamentação e de normalização. Nossa previsão é de que, no curto prazo, o cimento à base de Celitement® só deverá ser usado para aplicações especiais e totalmente inovadoras. Superadas todas as barreiras, e com a produção em grande escala, o material tende a se tornar viável economicamente para a aplicação na maioria das obras”, prevê o engenheiro químico-chefe do KIT.

No Brasil

No Brasil, no começo desta década, pesquisadores da Escola Politécnica da USP, liderados pelos professores Vanderlei John e Rafael Pileggi, conseguiram produzir um tipo de “cimento verde”, usando uma tecnologia menos complexa que a em desenvolvimento na Alemanha. O que os especialistas brasileiros fizeram foi substituir parte do clínquer por pó de calcário cru superfino. O rearranjo na fórmula do cimento produzido na USP permitiu reduzir a emissão de CO2 em 50%. Atualmente, a tecnologia embrionária ainda encontra-se limitada a estudos acadêmicos.

Entrevistado
Peter Stemmermann, engenheiro químico-chefe do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe (KIT)
(via assessoria de imprensa)

Contato: presse@kit.edu

Crédito Fotos: Markus Breig

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Universidade cria grupo para “fiscalizar” normas técnicas

Quando documentos entram em consulta pública, estudantes da UNIVALI debatem texto, promovem ensaios e até propõem alterações aos comitês da ABNT

Na UNIVALI (Universidade do Vale do Itajaí), em Santa Catarina, o professor Rafael Zapelini Possobon formou um grupo de acadêmicos de engenharia civil para “fiscalizar” as normas técnicas em processo de elaboração ou revisão. O objetivo é testá-las antes que sejam publicadas. O grupo costuma entrar em ação quando as 
normas vão para consulta pública. Eles analisam, criticam, debatem, tiram dúvidas com professores e especialistas, testam em laboratório os dados da consulta e assim participam do processo normativo.

Estudante a partir do 4º período podem integrar o grupo de normas técnicas da UNIVALI
Estudante a partir do 4º período podem integrar o grupo de normas técnicas da UNIVALI

Possobon afirma que o objetivo é disseminar a prática da observância das normas publicadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Desde a criação, o grupo já analisou cerca de uma centena de normas técnicas. Boa parte delas relacionadas aos comitês técnicos CB-002 – Construção Civil, e CB-018 – Cimento, Concreto e Agregados. O professor da UNIVALI revela como surgiu a ideia e o tipo de conhecimento que a análise de normas técnicas agrega aos estudantes. Confira:

O senhor coordena um grupo de acadêmicos na UNIVALI para “fiscalizar” normas técnicas. Como surgiu a ideia?
Trabalho também como consultor dos sindicatos ligados à construção civil e quando comecei a dar aula percebi que a universidade também poderia acompanhar o desenvolvimento das normas, pois é interessante para os alunos, e para o setor também. Quanto mais pessoas monitorando o processo, melhor ele vai ficar.
O grupo tem integrantes fixos ou a cada norma são chamados novos acadêmicos?
O grupo tem integrantes fixos, que se reúnem toda a semana para discutir quais normas vão ser analisadas, e como está a situação. Sempre que existem itens muito específicos, e que necessitam de algum especialista, nós envolvemos essa pessoa, para que ela possa trocar informações, às vezes até com outros professores de outras disciplinas.
Normalmente, participam do grupo acadêmicos de qual período?
O grupo é aberto, mas na prática envolve alunos a partir do quarto
e quinto períodos, que já têm condições de analisar as normas.
Qual a importância para os acadêmicos fazerem parte de grupos como esse?
O processo normativo por si só deve ser o mais democrático possível. Quanto mais pessoas participarem, melhor as normas vão ficar. Então, o fato de os acadêmicos estarem participando, desde a sua formação, do processo normativo faz com que eles se tornem profissionais mais atualizados.
A ABNT enxerga com que olhos a análise do grupo da UNIVALI?
A princípio, não tive nenhuma documentação oficial da ABNT em relação a isso, mas tivemos uma publicação no site deles e acredito que vejam com bons olhos.
Quantas normas já foram analisadas pelo grupo e qual causou mais impacto no texto final?
Já chegamos na centena. Cada norma é marcante para cada aluno. Nós atuamos em uma nova para revestimento cerâmico externo que teve bastante repercussão. Cada um tem a sua experiência e as normas acabam marcando de maneira diferente cada acadêmico.
Do CB-002 – Construção Civil, e do CB-018 – Cimento, Concreto e Agregados, quantas normas já foram analisadas?
Estes
são os comitês que mais o grupo analisa normas, pois eles são os mais relevantes para a construção civil. Há outros importantes, como o CB-024, que é de segurança contra incêndios, que também analisamos bastante. Mas 60% das normas analisadas pelo grupo englobam o CB-002 e CB-018.
Esse grupo da UNIVALI é o único que fez esse tipo de trabalho ou a iniciativa existe em outras universidades?
Não conheço outro grupo que faça trabalho semelhante. É possível que estejamos sendo inovadores dentro das universidades.

Entrevistado
Engenheiro civil Rafael Zapelini Possobon, professor da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI) na disciplina de teoria das estruturas II e engenheiro-administrador da Zapelini Construtora e Incorporadora Ltda

Contato: rafael.possobon@gmail.com

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

IBRACON debate ensino de engenharia e aponta soluções

Um dos pontos centrais está na formação dos professores mais novos, que possuem muita base teórica e pouco conhecimento prático

Cesar Henrique Sato Daher: é preciso um “meio termo” entre a qualidade da universidade pública e a infraestrutura da universidade privada

Cesar Henrique Sato Daher: é preciso um “meio termo” entre a qualidade da universidade pública e a infraestrutura da universidade privada

Um dos eventos paralelos à 59ª edição do Congresso Brasileiro do Concreto, que aconteceu de 31 de outubro a 3 de novembro, em Bento Gonçalves-RS, debateu o ensino de engenharia civil no país. O objetivo foi avaliar a qualidade, a capacidade de atualização das disciplinas e a legislação que rege as grades curriculares - principalmente, de graduação. O seminário, promovido pelo IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto) reuniu professores, alunos e gestores de instituições de ensino, além de representantes de organismos de classe ligados ao setor.

Segundo o professor Cesar Henrique Sato Daher, do Grupo IDD - promotor do encontro -, um dos temas debatidos foi o seguinte: profissionais experientes ministrando aulas versus profissionais recém-formados com pós stricto-sensu (mestrado e doutorado), mas que não possuem nenhuma experiência profissional. “Não somos contra os mestres e doutores nas universidades, muito pelo contrário, mas acho que eles devem focar mais na pesquisa científica aplicada ao mercado, ao desenvolvimento de novas técnicas e produtos. O que somos contra é recém-formados virem a dar aula sem terem, antes, alguma experiência de mercado. Não seria melhor termos professores com cancha, dividindo a sala de aula?”, afirma o especialista.

Comparativamente, Daher abordou a questão do ensino de engenharia civil nas universidades públicas e privadas. “As instituições públicas possuem professores excelentes, mas com metodologias mais tradicionais e uma exigência maior por parte dos estudantes. Não há relação de consumo especificamente, mas apenas de ensino. Por outro lado, não há grandes investimentos em infraestrutura e na avaliação dos professores. Já as maiores instituições de ensino privado investem em novas metodologias de ensino e em infraestrutura, mas têm professores nem sempre tão qualificados e principalmente, em geral, alunos com uma menor formação básica”, diz.

De acordo com Daher, são dois os desafios: melhorar o ensino médio, para que os estudantes cheguem com uma melhor formação à faculdade, e atingir um meio termo entre a forma de ensinar dos cursos de engenharia civil das universidades públicas e das privadas. Até por que, frisa o professor, atualmente a maioria dos novos engenheiros formados vem do ensino privado. Ele cita o mercado de Curitiba como exemplo. “Eu me formei no final da década de 1990, quando tínhamos engenharia civil praticamente em três instituições de ensino: UFPR, CEFET - hoje UTFPR - e PUC. Hoje, contabilizam-se 16 cursos de engenharia civil em Curitiba e região metropolitana”, relata.

Força-tarefa

No encontro ocorrido em Bento Gonçalves-RS, Cesar Henrique Sato Daher defendeu que as entidades de classe dos engenheiros (CONFEA, CREAs, Institutos e Clubes de Engenharia e SINDUSCONs) se unam em uma força-tarefa e se manifestem junto ao MEC (Ministério da Educação) para que ocorra uma reforma curricular na graduação de engenharia civil. Para ele, há dois problemas que precisam ser tratados como prioridade: a diminuição drástica da carga horária dos cursos e a metodologia antiga de ensino. “O conteúdo dos currículos diminuiu consideravelmente. Além disso, existem novas tecnologias no mercado, as quais as universidades em geral não acompanham”, destaca.

Por isso, a importância de seminários como o promovido pelo IBRACON, revela Daher. “A exigência do MEC por professores com mestrado e doutorado tem colocado nas escolas de engenharia professores que não tem nenhuma experiência de mercado, e que acabam ensinando apenas teoria. Isso gera uma grande defasagem entre a universidade e o mercado. Seminários como este são para movimentar a comunidade, e também gerar manifestos junto ao CONFEA e aos CREAs, para que eles levem isso ao MEC. Acreditamos que a comunicação tem que ser de baixo para cima, e não o inverso”, finaliza.

Entrevistado
Engenheiro civil Cesar Henrique Sato Daher, diretor do IBRACON-PR, vice-presidente da ALCONPAT Brasil, coordenador da câmara de materiais do IEP e diretor de planejamento do Grupo IDD

Contato: daher@idd.edu.br

Foto
Cesar Henrique Sato Daher: é preciso um “meio termo” entre a qualidade da universidade púb
lica e a infraestrutura da universidade privada
Crédito: Grupo IDD

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330