Construção quer empregar 6 milhões em 2018... nos EUA

Após crise desencadeada entre 2007 e 2008, país experimenta crescimento sustentável desde 2013, a taxas médias de 4%

Segmento de habitações unifamiliares (construção de casas) é o que mais cresce nos Estados Unidos
Segmento de habitações unifamiliares (construção de casas) é o que mais cresce nos Estados Unidos

Conferência realizada em Chicago, nos Estados Unidos, e que reuniu os principais players do mercado da construção civil norte-americano, fez previsões otimistas para 2018. As projeções econômicas dão conta de que o PIB do setor mantenha o viés de alta que vem experimentando desde 2013, podendo fechar o próximo ano com 3,5% de crescimento. Outra boa expectativa se refere à geração de empregos. Estima-se que em 2018 a construção empregue 6,1 milhões, atingindo quase o pleno emprego.

Cristian deRitis, diretor-sênior da Moody’s Analytics, promoveu a apresentação de um relatório que mostra um alto grau de confiança das empresas e dos consumidores norte-americanos para 2018. "A economia hoje está bastante boa. As perspectivas econômicas para 2018 são muito positivas. Tanto os consumidores quanto as empresas estão confiantes em investir na construção civil, principalmente na área habitacional", diz o economista, ao expor os dados pesquisados na Moody's Housing and Housing Finance Conference.

O relatório preparado pela Moody’s Analytics faz a seguinte análise, desde que eclodiu a crise no mercado imobiliário norte-americano, entre 2007 e 2008. “Após os tumultos da década passada, os mercados norte-americanos de habitação se estabeleceram em um novo patamar de segurança nos últimos anos. As taxas de juros extremamente baixas, a retomada das construções e a forte qualidade do crédito hipotecário mudaram completamente o ambiente de negócios, tornando-o muito confiante”, afirma.

As projeções da Moody’s Analytics são confirmadas por outro escritório especializado em análises futuras para a construção civil dos EUA: o Dodge Data & Analytics. Os dados divulgados pelo economista-chefe Robert Murray revelam que o setor cresceu em média 4%, entre 2013 e 2016. Os números devem se confirmar quando o balanço de 2017 for fechado. “Isso revela que o crescimento é sustentável, o que se comprova pelos vários tipos de projetos em construção. Desde obras unifamiliares (casas) até multifamiliares (prédios residenciais)”, cita Murray.

Mão de obra mais especializada

O estudo da Dodge Data & Analytics detecta ainda que em 2018 as obras do setor hoteleiro, de edifícios corporativos e de condomínios industriais também tendem a crescer. Por isso, as projeções para a criação de empregos coincidem com as Moody’s Analytics. “Estamos, de fato, a caminho de uma situação de praticamente pleno emprego na construção para 2018. O cenário tende a seguir em 2019 e pode melhorar se o governo Trump materializar sua promessa de campanha, que seria investir US$ 1 trilhão em obras de infraestrutura”, comenta Murray.

Dentro da avaliação da Dodge Data & Analytics, um dado relevante: a de que a mão de obra que atua na construção civil norte-americana procurou se especializar e se adequar às novas tecnologias adotadas nos canteiros de obras para se manter em atividade. “Hoje, os profissionais que atuam na área estão muito mais preparados”, confirma o estudo, que prevê que o faturamento bruto da cadeia produtiva do setor, nos Estados Unidos, deve fechar 2017 em US$ 746 bilhões.

Veja os segmentos que mais crescem na construção civil dos EUA (dados de 2016)

  • Habitação unifamiliar (casas): 9%
  • Construções multifamiliares (prédios residenciais): 6%
  • Prédios corporativos e setor hoteleiro: 2%
  • Edifícios institucionais (escolas e hospitais): 3%
  • Construções industriais: 1%
  • Obras de infraestrutura: 3%

Entrevistados
- Economistas Cristian deRitis, diretor- sênior da Moody’s Analytics, e Robert Murray, economista-chefe Robert Murray
(via assessorias de comunicação)

Contatos
dodge.events@construction.com
mediarelations@moodys.com

Crédito Foto: Fortune

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Construção espera crescimento lento e gradual para 2018

Projeções de economistas da FGV/IBRE, a pedido do SindusCon-SP, estimam que PIB do setor saia da retração e atinja 2% no próximo ano

Economistas Eduardo Zaidan e Ana Maria Castelo, entre o presidente do SindusCon-SP,  José Romeu Ferraz Neto: construção começa a sair do negativo em 2018

Economistas Eduardo Zaidan e Ana Maria Castelo, entre o presidente do SindusCon-SP, José Romeu Ferraz Neto: construção começa a sair do negativo em 2018

Após três anos de queda ininterrupta do PIB da construção civil, o setor parece retomar a confiança para 2018. A expectativa é de que o crescimento seja lento e gradual ao longo de todo o próximo ano, colocando fim aos números negativos registrados em 2015, 2016 e 2017. Segundo projeções apresentadas pela coordenadora de projetos da construção da FGV/IBRE, Ana Maria Castelo, por encomenda do SindusCon-SP, existe a possibilidade de, em 2018, o PIB da construção voltar a ser positivo, fechando o ano em 2%. O número, no entanto, não recupera as perdas dos anos anteriores.

Em 2017, o PIB do setor deve encerrar o ano com queda de 6,4%. Juntando-se aos números negativos de 2015 e 2016, a retração será de 20% em três anos. Segundo Ana Maria Castelo, o PIB da construção é o que mais impacta no PIB do país. Ela lembra que, ao final de 2016, as projeções indicavam que o setor retomaria o crescimento em 2017, crescendo 0,5% - o que não se confirmou. “Se a previsão tivesse se concretizado, o PIB nacional teria o potencial de crescer 1,2% em 2017, ou seja, o setor segurou o PIB do país”, afirma a economista, garantindo que os dados usados para projetar 2018 são mais realistas.

Uma das razões que estimulam a retomada de crescimento a partir do próximo ano está no fato de 2018 ser um período eleitoral. Ana Maria Castelo entende que o atual governo vai querer ter influência nas decisões dos eleitores, e que seu cartão de visitas será a retomada do crescimento econômico em setores importantes, como a construção civil. Por isso, investimentos públicos em infraestrutura e a liberação de recursos para o programa Minha Casa Minha Vida tendem a ser ferramentas importantes para que o governo federal consiga, sobretudo, gerar empregos.

O que impactou 2017

Em sua exposição sobre as perspectivas para 2018, a economista do FGV/IBRE lembra que, mesmo que a construção civil resgate a capacidade de absorver mão de obra em 2018, não será suficiente para que as taxas de desemprego cedam drasticamente. “Ainda deveremos ver um saldo negativo no acumulado do próximo ano, mas que deve sair da taxa de dois dígitos”, diz. Atualmente, o índice de desemprego encontra-se na faixa de 12,2%, o que equivale a 12,7 milhões de pessoas fora do mercado formal de trabalho - dos quais, 2,5 milhões estão vinculadas à construção civil.

Quanto às projeções para 2017, e que não se concretizaram, o estudo do FGV/IBRE cita que os principais pontos que impactaram o setor foram os seguintes: excesso de oferta no mercado imobiliário, que não conseguiu desovar seus estoques e solucionar distratos; as contratações do Minha Casa Minha Vida, que ficaram aquém da meta; os efeitos da operação Lava Jato, que comprometeram o desempenho das empresas; a crise fiscal, o desemprego elevado e a restrição ao crédito. “São fatores que não irão se recuperar todos ao mesmo tempo, mas que vão se ajustar com o tempo. Por isso, a nossa crença em um crescimento lento e gradual a partir de 2018”, conclui Eduardo Zaidan, vice-presidente de economia do SindusCon-SP.

Entrevistados
Economistas Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos da construção da FGV/IBRE, e Eduardo Zaidan, vice-presidente de economia do SindusCon-SP
(com base em palestras concedidas na Reunião de Conjuntura do SindusCon-SP, que ocorreu em 30 de novembro de 2017)

Contato: sindusconsp@sindusconsp.com.br

Crédito Foto: SindusCon-SP

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Pré-fabricação digital: afinal, o que é isso?

Na Holanda, pesquisas em parceria com outros países dão primeiros passos para revolucionar a construção industrializada

Robô em atuação na MX3D: máquinas poderão imprimir elementos pré-fabricados e montá-los no local da obra
Robô em atuação na MX3D: máquinas poderão imprimir elementos pré-fabricados e montá-los no local da obra

Startups holandesas, alemãs e britânicas, além de gigantes de tecnologia da informação dos Estados Unidos, estão unidas no desenvolvimento do que eles chamam de pré-fabricação digital. O que é isso, afinal? Em resumo: são robôs programados para produzir peças no local da obra, utilizando tecnologia 3D, e com capacidade de instalar os elementos na etapa de execução. Em Amsterdã, na Holanda, está a incubadora do primeiro projeto com esse perfil.

A startup MX3D vai construir uma passarela com estrutura metálica, recoberta por pavimento de concreto, imprimindo os materiais enquanto faz a montagem. A ponte é sobre um dos vários canais que cruzam a cidade holandesa, e vai medir pouco mais de dois metros de cumprimento. No entanto, terá a capacidade de mostrar até onde a robótica será capaz de levar a construção civil.

Segundo Joris Laarman, designer do MX3D, a obra irá inaugurar uma nova etapa no uso da tecnologia 3D dentro da construção civil. “Acredito firmemente no futuro da pré-fabricação digital, ou seja, máquinas que não apenas fabriquem elementos, mas executem a montagem. Esta pequena ponte mostrará como a impressão 3D finalmente pode entrar no mundo de objetos funcionais de grande escala e dos materiais sustentáveis. O simbolismo da ponte é uma bela metáfora para conectar a tecnologia do futuro com o presente”, afirma.

A máquina em desenvolvimento permite não apenas incorporar a construção industrializada à robótica, mas combinar materiais em 3D, juntando, por exemplo, concreto a estruturas de aço ou plástico. “De grandes a pequenas estruturas, a tecnologia MX3D pode imprimir estruturas fortes e complexas de materiais duráveis. A nova técnica é um passo à frente aos métodos atuais de impressão 3D e oferece soluções criativas de produção e construção”, completa Tim Geurtjens, CTO (Chief Technology Officer [(diretor-técnico]) da MX3D.

Pedra-fundamental

Por trás dos softwares que alimentam os robôs está a Autodesk - empresa que nasceu no Vale do Silício, na Califórnia-EUA, e criadora de uma das ferramentas mais usadas na construção civil: o AutoCAD. Sobre a pré-fabricação digital, o líder industrial da empresa, Dominic Thasarathar, avalia que a pedra-fundamental das novas tecnologias está relacionada com a padronização, a qualidade e a produtividade.

Para ele, a forma de construir sofrerá uma revolução. “A tecnologia de pré-fabricação em desenvolvimento permitirá alcançar um alto grau de padronização. Sem contar que haverá um desbloqueio nos níveis de produtividade e de estilo de fabricação. Como hoje se importam veículos para o mundo todo, edificações pré-fabricadas ou obras de infraestrutura poderão ser compradas em um país e montadas em outro. Isso vai implicar em uma grande mudança na competitividade da construção civil”, prevê.

Veja vídeo sobre a pré-fabricação digital

Entrevistados
Joris Laarman, designer do MX3D; Tim Geurtjens, CTO (Chief Technology Officer [(diretor-técnico]) da MX3D, e Dominic Thasarathar, líder industrial da Autodesk
(via assessorias de comunicação)

Contato: press@mx3d.com

Crédito Foto: MX3D

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Resíduo de concreto vira aliado do “pavimento verde”

Estudo desenvolvido na UTFPR mostra que transformação de RCD em agregado para estradas vicinais gera ganhos ambientais e econômicos

Uso de resíduos da construção em rodovias rurais permite que empresas da construção e prefeituras atuem em conjunto
Uso de resíduos da construção em rodovias rurais permite que empresas da construção e prefeituras atuem em conjunto

Um dos gargalos da construção civil no quesito sustentabilidade passa pela destinação do RCD (Resíduos da Construção e Demolição). Mas há soluções. Uma delas é apontada pelo engenheiro florestal Marcelo Langer, conforme pesquisa desenvolvida por ele na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). O estudo mostra as vantagens do uso do RCD na pavimentação de estradas rurais. Na entrevista a seguir, Langer explica como. Confira:

O senhor desenvolveu um estudo em 2015 sobre o uso de resíduos da construção para pavimentar estradas rurais. Houve a aplicação prática da pesquisa?
O estudo que desenvolvi entre os anos de 2014 e 2015 foi o resultado de implantações práticas que desenvolvi ao longo de mais de 20 anos como gestor florestal. Especificamente, para o trabalho desenvolvido durante curso de especialização em Construções Sustentáveis na UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), fiz a implantação e acompanhamento técnico por um ano em uma área florestal na cidade de Arapoti-PR, e em um condomínio residencial em São José dos Pinhais-PR. No primeiro, utilizei os Resíduos da Construção e Demolição (RCD) transformados em Agregados de Resíduos de Concreto (ARC) por meio de usina móvel. No segundo, utilizei os RCD transformados em Agregados de Resíduos Mistos (ARM) produzidos em usina fixa.

Em quais trechos das estradas rurais de Arapoti-PR o pavimento alternativo foi aplicado e quais ganhos foram obtidos?
Houve a aplicação em trechos de estradas florestais, estradas municipais e estaduais da zona rural. Também foi aplicado em trevos de acesso e saída de máquinas e veículos, além de levantamento da base de estradas, cabeceiras de pontes, construção de bueiros e outras estruturas de rodagem. Foi empregado ainda para a formação de base para estradas localizadas em terrenos de elevado acúmulo hídrico. No condomínio em São José dos Pinhais-PR, foi usado para a construção de estacionamentos, calçadas, quadras esportivas e áreas de lazer.

Destinação dos resíduos da construção para pavimentar estradas rurais gera ganhos ambientais e econômicos
Destinação dos resíduos da construção para pavimentar estradas rurais gera ganhos ambientais e econômicos

E quanto aos ganhos obtidos?
Os ganhos foram os seguintes:
- Reaproveitamento dos resíduos, transformando-os em ARM e ARC, aumentando o ciclo de vida e atendendo aos princípios da sustentabilidade, economia circular e a Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS)
;
- Redução da contaminação ambiental, da poluição sólida a ambientes rurais e urbanos, do uso de matéria-prima natural (cascalhos) e de custos operacionais
;
- Redução da perda de partículas sólidas dos leitos de estradas em períodos chuvosos e, como consequência, redução da contaminação dos rios e corpos hídricos
;
- Compatibilidade técnica, pois a capacidade de agregação dos materiais ARM e ARC às partículas do solo foi comprovada, gerando uma camada de cobertura resistente e adequada aos níveis de volume e carga de trafegabilidade
;
- Resistência dos ARM e ARC após um ano de fluxo intenso de veículos, tanto de passeio como de cargas pesadas, e também às intempéries climáticas.

Além da questão da sustentabilidade, quais as vantagens de se pavimentar estradas vicinais com resíduos da construção?
Normalmente, os RCD são materiais que geram custos para as empresas da construção civil, pois necessitam ser descartados corretamente em locais adequados e ambientalmente licenciados. Para isso, há taxas e custos de transporte e descarte. Utilizando o sistema de transformação dos RCD em ARM e ARC, se evitam os custos e passa-se a ter uma nova matéria-prima para um novo sistema produtivo. Em breve, os resíduos resultantes da construção e demolição deverão se tornar matéria-prima e oportunidade de negócios para muitas empresas no Paraná e no Brasil.

Os resíduos da construção são o calcanhar de Aquiles do setor, no que se refere à destinação. A aplicação dos resíduos para pavimentar estradas é a solução?
Os resíduos de qualquer setor produtivo se tornam problema quando não gerenciados e quando não é compreendido seu potencial econômico. Como exemplo, em um grande edifício residencial na cidade de São Paulo-SP, onde realizei o levantamento dos custos da gestão dos RCD para pagamento de taxas, serviços de transportes e uso de locais para a destinação final, o valor destes custos foi da ordem de 4 milhões de reais. Isso, sem considerar as perdas e desperdícios identificados no processo construtivo convencional. Por outro lado, as empresas agroflorestais têm custos anuais elevados para a aquisição de cascalhos e outros materiais de revestimento, a fim de assegurar a trafegabilidade das estradas rurais. Então, por que não promover este diálogo e integração entre o setor da construção civil, agroflorestal, governos e sociedade, por meio do uso dos RCD, ARM e ARC, que possuem custos inferiores à aquisição de outros materiais naturais com alto impacto ambiental e elevados benefícios socioambientais? O ganho é para todos.

É possível saber o quanto é necessário de resíduos para pavimentar um quilômetro de estrada vicinal?
Depende de várias condições. Entre elas, as condições do terreno, sua declividade, tipo do solo e do material a ser empregado, além de precipitação pluviométrica média no local, trafegabilidade, intensidade e volume de cargas, largura e classificação de uso do modal. Seria imprudente afirmar qualquer quantia, mas é possível fazer o seguinte exercício para um recapeamento simples, sem base e outras infraestruturas necessárias para a edificação correta e sustentável de uma estrada rural: em um modal de um quilômetro de extensão, com cinco metros de largura média, onde normalmente se emprega uma camada de 20 centímetros de material de cobertura, serão necessários mil metros cúbicos de ARM ou ARC para o recapeamento.

É possível estimar o volume de resíduos de construção e demolição (RCD) que é gerado no Brasil anualmente?
A indústria da construção civil, em seu processo produtivo, gera perdas estimadas em 150 quilos de resíduos por metro quadrado, e cerca de 75% dos resíduos gerados pela construção nos municípios provêm de descarte de reformas e demolições, geralmente realizadas pelos próprios usuários dos imóveis. A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE) informou que em
2014 foram coletados cerca de 45 milhões de toneladas de RCD, aproximadamente 55% de todo o Resíduo Sólido Urbano (RSU), apresentando aumento de 4,3% em relação aos volumes coletados em 2013. Em 2010, na cidade de Curitiba, segundo a secretaria municipal de meio ambiente, o volume de RCD foi de 2.400 t/dia (toneladas por dia). No Paraná o volume de resíduo da construção civil se aproxima a 17.000 t/dia. De acordo com o relatório de pesquisa setorial 2014/2015 da Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil (ABRECON), a produção de RCD é de aproximadamente 500 quilos por habitante/ano. Considerando a população brasileira em 2014, o volume de RCD gerado por ano no país é de cerca de 101.399.759 t/dia.

Marcelo Langer desenvolveu pesquisa sobre RCD na pavimentação de estradas rurais entre 2014 e 2015
Marcelo Langer desenvolveu pesquisa sobre RCD na pavimentação de estradas rurais entre 2014 e 2015

Entrevistado
Doutor em engenharia florestal Marcelo Langer, com experiência em gerenciamento de operações, gestão de recursos naturais, florestais e engenharia de produção. Também é especialista em certificações ambientais, sociais e econômicas (FSC, ISO, LEED, Aqua)

Contato: malanger04@yahoo.es

Crédito Fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Atraso na infraestrutura do Brasil intriga o mundo

Relatório do Banco Mundial aponta os porquês de o país não conseguir impulsionar seu desenvolvimento em ritmo semelhante ao do século 20

Mesa de debates do seminário promovido pela FGV para repercutir o relatório do Banco Mundial e debater a infraestrutura brasileira
Mesa de debates do seminário promovido pela FGV para repercutir o relatório do Banco Mundial e debater a infraestrutura brasileira

O Banco Mundial publicou recentemente o documento “Back to Planning: How to Close Brazil’s Infrastructure Gap in Times of Austerity” (De volta ao planejamento: como preencher uma lacuna de infraestrutura no Brasil em tempos de austeridade). O estudo faz questionamentos sobre as razões do país não conseguir modernizar sua infraestrutura, apesar de despender grandes volumes de recursos. O principal argumento do relatório é que o Brasil precisa melhorar sua capacidade de planejar. “A falta de um plano que ataque os principais problemas do país é uma das razões pelas quais os sucessivos programas governamentais não resultam em soluções concretas”, diz o documento do Banco Mundial.

O relatório levou a Escola Brasileira de Economia e Finanças, vinculada à Fundação Getúlio Vargas, a promover o seminário “Modernização da Infraestrutura Brasileira”. O evento foi concluído com uma conferência de Mansueto Almeida, secretário de acompanhamento econômico do ministério da Fazenda, que reconheceu que a modernização da infraestrutura do país é pré-condição para o crescimento sustentável da economia. No entanto, o representante do governo alertou que o ponto de inflexão para o Brasil conseguir retomar sua capacidade de investimento, e também atrair investimentos internacionais em infraestrutura, passa pela aprovação da reforma da Previdência.

No passado, outra realidade 

Segundo o Banco Mundial, o país pode estar perto de destravar um de seus principais gargalos. Tanto é, que faz uma análise otimista na conclusão de seu documento. “O Brasil está em excelente posição para atrair financiamento comercial para sua infraestrutura. Com mais atenção ao planejamento e governança do setor, as perdas podem ser reduzidas e os recursos efetivos disponíveis para a infraestrutura podem ser dobrados rapidamente. Isso, por sua vez, ajudaria a impulsionar o crescimento e melhorar a qualidade dos serviços públicos, sem a necessidade de muito dinheiro público adicional”, avalia. O relatório cita que infraestrutura em transporte e saneamento básico são setores que mais podem atrair investimento no curto prazo.

O Banco Mundial também faz um comparativo entre o presente do país e seu passado, revelando que o Brasil já foi um dos maiores investidores em infraestrutura do mundo. “O Brasil nem sempre foi um país que investiu pouco em infraestrutura. Entre as décadas de 1920 e 1980, as taxas de investimento em infraestrutura excederam 5% do PIB. Estes foram anos em que os rendimentos per capita do país cresceram cerca de 4% ao ano. O Brasil explorou seu vasto território interior, mudou a capital do Rio de Janeiro para Brasília e investiu fortemente em geração de energia e telecomunicações. Ao mesmo tempo, sofreu um rápido processo de urbanização”, relata o documento.

Veja a íntegra do relatório
“Back to Planning: How to Close Brazil’s Infrastructure Gap in Times of Austerity”
(De volta ao planejamento: como preencher uma lacuna de infraestrutura no Brasil em tempos de austeridade)

Veja vídeo do seminário "Modernização da Infraestrutura Brasileira"

Parte 1

Parte 2


Entrevistado
Reportagem com base no relatório do Banco Mundial e do seminário “Modernização da Infraestrutura Brasileira”, da FGV
(via assessoria de imprensa) 

Contato: speakersbureau@worldbank.org

Crédito Foto: EPGE/FGV-RJ

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Bloco imita Lego e permite construção industrializada versátil

Invenção britânica atende a uma série de obras. De muros de contenção a barreiras para rodovias, além de armazéns para estocar produtos

Paredes com blocos de concreto podem atingir até quase 9 metros de altura, sem precisar de fundações
Paredes com blocos de concreto podem atingir até quase 9 metros de altura, sem precisar de fundações

Muros de contenção, que precisam suportar grandes cargas, podem ser erguidos com blocos maciços de concreto inspirados no Lego. As estruturas, inventadas no Reino Unido, têm versatilidade para atender vários tipos de projetos: de paredes corta-fogo a galpões, passando por barreiras para isolar rodovias e ferrovias. Os blocos têm medidas que podem chegar a 1,6 m x 0,8 m x 0,8 m, e pesar 2.400 quilos. Pré-fabricados, eles permitem que a construção industrializada amplie seu raio de atuação.

Os blocos, registrados como Legioblocks, possibilitam que as construções sejam rearranjadas de acordo com a necessidade e do espaço disponível. Por exemplo, servem para criar compartimentos que armazenem materiais, construir muros e paredes de contenção, edifícios industriais ou atender obras emergenciais, com barreiras para isolar áreas de deslizamento e criar desvios para rodovias em obra. “Esses blocos são disruptivos (provocam modificações ou alterações), no sentido de que são um passo à frente na tecnologia existente”, avalia Owen Batham, diretor de marketing da Elite Precast Concrete, uma das duas empresas britânicas que produzem Legioblocks.

Blocos usados como barreira de som para proteger floresta em Eindhoven, na Holanda

Blocos usados como barreira de som para proteger floresta em Eindhoven, na Holanda

A versatilidade deste tipo de pré-fabricado amplia seu uso na Europa. Recentemente, ao sul de Eindhoven, na Holanda, foi usado como barreira de som para proteger os animais que vivem em uma pequena floresta às margens de uma das autoestradas mais movimentadas do país: a A2. Outra aplicação ocorreu na divisa entre a Inglaterra e a Escócia, em que os blocos de concreto foram usados para canalizar um rio e impedir que seu transbordamento interditasse uma das principais linhas de trem da região.   

Resistência de 50 MPa

Por dispensar argamassas ou outros materiais para fixação, os blocos de concreto inspirados no brinquedo Lego só precisam de uma equipe treinada para operar o guindaste e que saiba encaixar as peças. Por causa do peso, os blocos também dispensam fundações. O único pré-requisito é a preparação do terreno para que ocorra o assentamento das estruturas de concreto.

Versatilidade permite que blocos sejam remanejados para se adequar ao armazenamento de materiais
Versatilidade permite que blocos sejam remanejados para se adequar ao armazenamento de materiais

Os Legioblocks também foram fundamentais na modernização do porto de Porto Mulhouse-Rhin, na França, instalado à beira do rio Reno. O terminal abastece com cargas a terceira principal hidrovia do país. Nele, foi construída uma área de 18 mil m2 para o armazenamento de minerais, que é o principal produto escoado pelo porto. Um dos pré-requisitos é que as estruturas suportassem a pressão dos minerais, sem impedir o trabalho dos equipamentos de carga e descarga.

Os blocos de concreto são produzidos com 50,0 MPa de resistência. Os fabricantes garantem que podem erguer paredes com até 8,8 m de altura – há casos especiais que atingiram 13,0 m. As peças podem ser empilhadas e desempilhadas a qualquer momento, o que permite que se ajustem a qualquer capacidade de armazenamento. A solução britânica ainda é compatível com as certificações de construção sustentável. "O concreto usado para fazer os blocos usa escombros de concreto antigo como agregado em sua composição. Assim, recursos não são desperdiçados e ficam na cadeia produtiva, o que limita os efeitos ambientais negativos", completa Jan Busser, diretor-gerente da Jansen Recycling BV - outra empresa que fabrica Legioblocks na Grã-Bretanha. 

Peças maciças de concreto também foram utilizadas na canalização de um rio, entre a Escócia e a Inglaterra
Peças maciças de concreto também foram utilizadas na canalização de um rio, entre a Escócia e a Inglaterra

Entrevistados

Owen Batham, diretor de marketing da Elite Precast Concrete, e Jan Busser, diretor-gerente da Jansen Recycling BV (via assessorias de imprensa)

Contatos
sales@legioblock.com
sales@eliteprecast.co.uk

Crédito Fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Quais obras usam concreto de ultra-alto desempenho?

Também conhecido como CUAD, material tem uso limitado. Geralmente, a aplicação se limita a obras militares e projetos em laboratório

Desenvolvido nos anos 1990, em parceria entre pesquisadores franceses e canadenses, o concreto de ultra-alto desempenho (CUAD) é uma evolução do concreto de alto desempenho (CAD). Surgiu como uma encomenda especial da engenharia militar, para a construção de pontes pré-fabricadas com elementos esbeltos. Para a produção deste concreto auto adensável são utilizados Cimento Portland, sílica-ativa, pó de quartzo, agregados miúdos, aditivos superplastificantes, pequenas quantidades de água e microfibras de aço para alcançar resistências que podem atingir 800 MPa.

No Brasil, um dos tipos de concreto de ultra-alto desempenho mais usados é o concreto de pós-reativos (CPR). Sua aplicação, porém, tem sido extremamente limitada. Além do custo, o fato de outros concretos suprirem as exigências de boa parte das obras especiais faz com que o CAUD seja praticamente um concreto usado em protótipos. Até hoje, apenas quatro países aplicaram esse concreto especial em obras públicas: Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos e Canadá. O material foi usado em pré-fabricados para construir passarelas esbeltas e elementos côncavos que recobrem estações de trem.

Arco da passarela Seonyu, em Seul - Coreia do Sul: um das poucas obras públicas que usam CUAD
Arco da passarela Seonyu, em Seul - Coreia do Sul: uma das poucas obras públicas que usam CUAD

Boa parte destas obras foi erguida nos anos 1990, quando o CUAD tentou um impulso no mercado da construção civil. Fora do Brasil, o material é chamado de Ultra-high Performance Concrete (UHPC)  e a construção mais emblemática é a ponte Seonyu – uma passarela para pedestres erguida em Seul, na Coreia, cujo arco central possui 120 metros de vão. O deck da estrutura tem 4,3 metros de largura e 3 centímetros de espessura, com resistência de 500 MPa. A passarela está localizada em um parque com várias espécies nativas de bambus. Por isso, seu projeto arquitetônico busca homenagear a flexibilidade da planta.

Novas pesquisas

Atualmente, há um bom número de universidades trabalhando em pesquisas com o concreto de ultra-alto desempenho. O objetivo é torná-lo um produto tão mais resistente quanto mais acessível ao mercado. Nas universidades de Michigan e Connecticut, nos Estados Unidos, está em desenvolvimento um CUAD (ou UHPC) que permita processos menos caros. ”O alto custo do material, juntamente com procedimentos de construção complicados e dispendiosos, impediu a adoção generalizada do UHPC nos EUA”, dizem os professores Tony Naaman, da Universidade de Michigan, e Kay Wille, da Universidade de Connecticut.

Os dois trabalham em parceria no desenvolvimento do que eles chamam de um “UHPC alternativo”. “O que buscamos é um produto que possa ser comercialmente viável. Hoje há casos em que o metro cúbico do concreto de ultra-alto desempenho ultrapassa os 500 dólares. Nosso objetivo é reduzir esse custo pela metade. De que forma? Utilizando componentes que estão disponíveis no mercado, sem que o material perca suas principais características: desempenho extremamente alto, alta resistência à compressão, alta resistência à tração e alta resistência à penetração de cloretos”, completam os pesquisadores norte-americanos.

Entrevistados
- Tony Naaman, professor-emérito do departamento de engenharia civil da Universidade de Michigan
- Kay Wille, professor-assistente da Universidade de Connecticut

Contatos
naaman@umich.edu
kay.wille@uconn.edu

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Curitiba redescobre pavimento de concreto para BRT

Trecho norte da Linha Verde vai transformar capital paranaense entre as que mais têm malha urbana com piso rígido

Trecho da Linha Verde norte, em Curitiba: quando pronta, avenida terá 18 quilômetros de pavimento em concreto

Trecho da Linha Verde norte, em Curitiba: quando pronta, avenida terá 18 quilômetros de pavimento em concreto

A nova etapa da Linha Verde, em Curitiba - agora concentrada na região norte da capital paranaense - tem o pavimento de concreto como protagonista. A obra, depois de anos parada, foi retomada e a canaleta central, projetada para receber um BRT (Bus Rapid Transit) recebe piso rígido. O concreto também está presente nas várias trincheiras ao longo do percurso novo da avenida, construída para minimizar congestionamentos e aprimorar o transporte público em Curitiba.

Com o novo trecho, a Linha Verde da capital paranaense terá 18 quilômetros de pavimento em concreto, e cortando 14 bairros da cidade. Segundo o gerente da regional sul da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), o engenheiro civil Alex Maschio, trata-se da obra com pavimento em concreto mais extensa de Curitiba. “Consequentemente, é a com maior consumo de concreto. Somando todos os trechos já executados, com este que será em breve licitado, deve-se ter um total de 33.000 m³ de concreto em pavimento. Acrescentando as camadas de base cimentada (BGTC) das vias comuns, estima-se um consumo total de cimento na ordem de 15.000 toneladas”, diz.

Em relação ao trecho sul da Linha Verde, em função da geometria da pista, foi possível utilizar o asfalto existente como base para o novo pavimento de concreto (whitetopping). Já a parte norte da obra terá apenas pavimentação bruta em concreto. Isso, no entanto, não interfere na qualidade de um ou outro trecho. “O dimensionamento se mantém igual ao longo de toda a extensão”, afirma Alex Maschio, lembrando que a ABCP possui um termo de cooperação técnica com a prefeitura de Curitiba para supervisionar as obras que utilizem soluções a base de cimento.

Com a conclusão do trecho norte da Linha Verde, e outros projetos ainda não licitados, Curitiba estará entre as capitais com mais quilômetros em pavimento em concreto. “Incluindo esse trecho faltante da Linha Verde norte, a extensão total de malha com pavimento de concreto em Curitiba deve ultrapassar os 100 quilômetros. Isso a coloca entre as capitais com maior quantidade de pavimento de concreto. Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília também executaram muitos corredores em concreto por causa da Copa do Mundo 2014. Assim como São Paulo, que tem números muito mais expressivos que as demais capitais quando se trata de pavimento em concreto”, explica Maschio.

Concreto x asfalto

Com a conclusão da Linha Verde norte, Curitiba estará entre as capitais que mais utilizam pavimento em concreto em sua malha urbana
Com a conclusão da Linha Verde norte, Curitiba estará entre as capitais que mais utilizam pavimento em concreto em sua malha urbana

O gerente da regional sul da ABCP afirma que, finalmente, as prefeituras estão superando o mito de que o pavimento em concreto é mais caro que o asfalto e, por isso, acabava perdendo terreno nas cidades. “Essa resistência é bem menor hoje. Além disso, com as recentes altas no preço do asfalto, é fácil identificar situações em que o custo inicial em concreto já é mais baixo do que o pavimento flexível. Considerando no longo prazo então, não há discussão”, comenta.

Além disso, as diretrizes das agências financiadoras (Caixa, FGTS, BRDE e BID) cada vez mais exigem que as soluções implantadas tenham durabilidade maior e pouca manutenção. “Isso se encaixa perfeitamente ao pavimento de concreto. O próprio Conselho Curador do FGTS, por exemplo, já recomenda a adoção de pavimentos com durabilidade acima de 20 anos para os BRTs, o que invariavelmente torna a opção pelo pavimento de concreto muito competitiva. Em alguns casos, até mais barata que soluções em asfalto, se compararmos apenas o custo de implantação”, finaliza Maschio.

Veja as vantagens do pavimento em concreto

Leia o que diz o Conselho Curador do FGTS

Entrevistado
Engenheiro civil Alex Maschio, gerente regional sul da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland)

Contato: alexsander.maschio@abcp.org.br

Crédito Fotos: Pedro Ribas/SMCS

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

E se o prédio em que você mora virar patrimônio histórico?

Retrofit e pequenas reformas não são proibidos, mas aumenta a burocracia. Geralmente, os cuidados maiores são com a preservação da fachada 

Edifício Metropolitain: retrofit preservou a fachada do antigo Palácio Rosa, construído em 1936

Edifício Metropolitain: retrofit preservou a fachada do antigo Palácio Rosa, construído em 1936

Rio de Janeiro, Salvador, Recife e São Paulo são as cidades com o maior número de prédios tombados pelo patrimônio histórico, em uma tendência que se espalha pelo Brasil. Recentemente, passou a crescer também a quantidade de construções residenciais com essas características. Neste caso, para quem mora no edifício tombado, o que fazer? A primeira informação relevante é saber que o prédio não fica impossibilitado de receber retrofit ou de passar por pequenas reformas. O que aumenta é a burocracia.

Além de o imóvel não poder ser demolido, as obras de manutenção, restauração e reforma devem ser previamente submetidas à análise e aprovação dos respectivos organismos de preservação. Boa parte dos edifícios residenciais tombados no Brasil foi construída entre a década de 1930 e 1950. As edificações costumam entrar para o patrimônio histórico depois que completam 50 anos de vida útil. Um exemplo é o condomínio Três Irmãos, prédio construído em 1946 no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro-RJ.

O projeto de restauração da fachada do edifício, que é tombado pelo patrimônio histórico, precisou atender exigências do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH). O organismo aprovou o uso de equipamentos de pintura industrial para o retrofit de 1.700 metros lineares de fachada. “Levamos sete dias para cobrir a área, contra 30 dias se fizéssemos a pintura de forma manual, com rolo”, compara o arquiteto Diogo Caprio, responsável pela restauração. A opção por máquinas se deu por causa da precisão na pintura, o que ajudará a preservar o edifício.

Prédios tombados também precisam de uma administração diferenciada. Síndico do edifício Metropolitain, no Largo do Machado, no Rio, Levi Soares Vieira está à frente da construção que antigamente era conhecida como Palácio Rosa, de 1936, e que foi tombada em 1998. A edificação foi reconhecida pelo patrimônio histórico do Rio de Janeiro por causa de sua arquitetura art-déco carioca e a importância como marco na paisagem do bairro do Catete.

Até 1988, pouco se preservava

Levi Soares lembra que, em 2010, o prédio recebeu autorização para se transformar em um edifício comercial com 162 escritórios. Toda a infraestrutura hidráulica, elétrica e de telefonia foi refeita, mas a fachada precisou ser preservada. O retrofit teve a coordenação do Conselho de Proteção do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro. “Os condôminos também recebem orientações específicas, sobre como preservar o prédio, por causa do valor para a coletividade”, explica.

No Brasil, patrimônios tombados são relativamente novos. A preservação de edificações só se tornou lei a partir da constituição federal de 1988, que em seu artigo 216 trata “da proteção do patrimônio cultural brasileiro, constituído pelos bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”. A constituição fortaleceu o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que foi fundado em 1937, no primeiro governo de Getúlio Vargas, mas raramente cumpria sua função. A partir de 1988, os governos estaduais e municipais também passaram a criar seus organismos de preservação patrimonial.

Entrevistado
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Contato: comunicacao@iphan.gov.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Desemprego só vai cair se construção civil subir

Dados oficiais mostram que setor já chegou a empregar 8 milhões de trabalhadores; hoje, vê seu PIB decrescer mais que o do país  

Fila de trabalhadores da construção civil em frente a canteiro de obras, na Bahia: retrato do setor
Fila de trabalhadores da construção civil em frente a canteiro de obras, na Bahia: retrato do setor

A alta taxa de desemprego no Brasil - 12,4%, segundo a mais recente medição do IBGE - está diretamente relacionada ao baixo desempenho da construção civil. O setor é o único que tem capacidade de gerar vagas no curto prazo. Dos atuais 13,1 milhões de trabalhadores sem emprego no Brasil, estima-se que 2/3 atuavam no segmento. No auge da empregabilidade, entre 2009 e 2014, segundo dados da PNAD Contínua, a cadeia produtiva da construção chegou a absorver 8 milhões de trabalhadores.

Desde 2015, com o aprofundamento da crise, a construção civil viu seu PIB despencar mais que o PIB nacional. Caiu 14,3% contra 5,5% do país. Resultado: a cadeia produtiva só absorve atualmente três milhões de vagas formais. Entre setembro de 2016 e setembro de 2017, segundo o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), foram fechadas 1,5 milhão de vagas. Estudo da LCA Consultores, encomendado pelo Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon), mostra que, enquanto a construção civil não voltar a absorver mão de obra em grande volume, a taxa de desemprego no país seguirá alta.

Os números, no entanto, seguem instáveis. Em setembro de 2017, de acordo com dados do CAGED, foram criadas 380 vagas formais na construção civil em todo o país. Já em outubro de 2017, os números voltaram a ser negativos: houve o fechamento de 4.764 empregos no setor. "A economia brasileira está melhorando, mas a construção que é um setor que tem um impacto enorme não está. O PIB da construção já caiu 3 anos seguidos e continua caindo", resume Petrônio Lerche Vieira, diretor-executivo do Sinicon.

Para o Instituto Brasileiro de Economia, ligado à Fundação Getúlio Vargas, o PIB da construção civil fechará 2017 com queda de 5,7%, ante uma alta de 0,8% do PIB nacional – soma de todas as riquezas produzidas pelo Brasil. Por causa destas projeções, dirigentes de cinco das mais importantes representações sindicais no país - Central Única dos Trabalhadores (CUT); Força Sindical; União Geral dos Trabalhadores (UGT); Nova Central e a Federação Internacional dos Trabalhadores da Construção e da Madeira (ICM) - estiveram recentemente em audiência com o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins.

União de forças

O objetivo é unir forças para encontrar soluções que permitam à construção civil retomar o crescimento, principalmente reativando pelo menos 5 mil obras públicas paralisadas desde 2015.  “A indústria de construção civil e pesada encontra-se majoritariamente paralisada em todo o país”, diz Nilson Freitas, representante da ICM. Já o presidente da CBIC entende que é importante também atrair investimentos. “Essa é uma agenda comum, em que temos trabalhado intensamente. Além de retomar obras paralisadas, o reaquecimento do setor passa também pela recuperação do investimento”, afirma José Carlos Martins.

Para ressaltar a importância da cadeia produtiva da construção civil na economia, o Sinicon lembra que cada R$ 1 milhão investido no setor gera 46 novos empregos diretos e R$ 450 mil em salários ao longo de toda a cadeia. Os dados destacam ainda que os investimentos em infraestrutura têm impactos de longo prazo sobre a competitividade e a produtividade da economia. Por outro lado, destaca que homens com idade entre 30 e 40 anos, e com ensino médio incompleto, são os mais vulneráveis ao desemprego no setor.

Entrevistados
Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon) (via assessoria de imprensa)
Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) (via assessoria de imprensa)

Contatos
comunica@cbic.org.br
sinicon@sinicon.org.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330