Quais obras usam concreto de ultra-alto desempenho?

Também conhecido como CUAD, material tem uso limitado. Geralmente, a aplicação se limita a obras militares e projetos em laboratório

Também conhecido como CUAD, material tem uso limitado. Geralmente, a aplicação se limita a obras militares e projetos em laboratório

Desenvolvido nos anos 1990, em parceria entre pesquisadores franceses e canadenses, o concreto de ultra-alto desempenho (CUAD) é uma evolução do concreto de alto desempenho (CAD). Surgiu como uma encomenda especial da engenharia militar, para a construção de pontes pré-fabricadas com elementos esbeltos. Para a produção deste concreto auto adensável são utilizados Cimento Portland, sílica-ativa, pó de quartzo, agregados miúdos, aditivos superplastificantes, pequenas quantidades de água e microfibras de aço para alcançar resistências que podem atingir 800 MPa.

No Brasil, um dos tipos de concreto de ultra-alto desempenho mais usados é o concreto de pós-reativos (CPR). Sua aplicação, porém, tem sido extremamente limitada. Além do custo, o fato de outros concretos suprirem as exigências de boa parte das obras especiais faz com que o CAUD seja praticamente um concreto usado em protótipos. Até hoje, apenas quatro países aplicaram esse concreto especial em obras públicas: Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos e Canadá. O material foi usado em pré-fabricados para construir passarelas esbeltas e elementos côncavos que recobrem estações de trem.

Arco da passarela Seonyu, em Seul - Coreia do Sul: um das poucas obras públicas que usam CUAD
Arco da passarela Seonyu, em Seul – Coreia do Sul: uma das poucas obras públicas que usam CUAD

Boa parte destas obras foi erguida nos anos 1990, quando o CUAD tentou um impulso no mercado da construção civil. Fora do Brasil, o material é chamado de Ultra-high Performance Concrete (UHPC)  e a construção mais emblemática é a ponte Seonyu – uma passarela para pedestres erguida em Seul, na Coreia, cujo arco central possui 120 metros de vão. O deck da estrutura tem 4,3 metros de largura e 3 centímetros de espessura, com resistência de 500 MPa. A passarela está localizada em um parque com várias espécies nativas de bambus. Por isso, seu projeto arquitetônico busca homenagear a flexibilidade da planta.

Novas pesquisas

Atualmente, há um bom número de universidades trabalhando em pesquisas com o concreto de ultra-alto desempenho. O objetivo é torná-lo um produto tão mais resistente quanto mais acessível ao mercado. Nas universidades de Michigan e Connecticut, nos Estados Unidos, está em desenvolvimento um CUAD (ou UHPC) que permita processos menos caros. ”O alto custo do material, juntamente com procedimentos de construção complicados e dispendiosos, impediu a adoção generalizada do UHPC nos EUA”, dizem os professores Tony Naaman, da Universidade de Michigan, e Kay Wille, da Universidade de Connecticut.

Os dois trabalham em parceria no desenvolvimento do que eles chamam de um “UHPC alternativo”. “O que buscamos é um produto que possa ser comercialmente viável. Hoje há casos em que o metro cúbico do concreto de ultra-alto desempenho ultrapassa os 500 dólares. Nosso objetivo é reduzir esse custo pela metade. De que forma? Utilizando componentes que estão disponíveis no mercado, sem que o material perca suas principais características: desempenho extremamente alto, alta resistência à compressão, alta resistência à tração e alta resistência à penetração de cloretos”, completam os pesquisadores norte-americanos.

Entrevistados
– Tony Naaman, professor-emérito do departamento de engenharia civil da Universidade de Michigan
– Kay Wille, professor-assistente da Universidade de Connecticut

Contatos
naaman@umich.edu
kay.wille@uconn.edu

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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