Engenharia do futuro passa por sustentabilidade e inovação

Seminário na FAAP procurou quebrar o paradigma de que a sustentabilidade é cara e, portanto, voltada apenas para empreendimentos de alto padrão

Seminário na FAAP reuniu várias visões da construção civil sobre sustentabilidade, tecnologia e Inovação
. Crédito: FAAP
Seminário na FAAP reuniu várias visões da construção civil sobre sustentabilidade, tecnologia e Inovação
. Crédito: FAAP

Dia 19 de fevereiro, a Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) realizou em São Paulo-SP um amplo debate sobre os caminhos que a engenharia civil deverá tomar no futuro, com foco na sustentabilidade, na tecnologia e na inovação. O seminário "A Engenharia em sintonia com o futuro: sustentabilidade, tecnologia e Inovação" reuniu várias visões do setor, cujas opiniões foram mediadas por professores da graduação de engenharia civil e da pós-graduação em construção sustentável da FAAP. “O foco do debate foi instigar reflexões que irão contribuir para a formação dos profissionais envolvidos com projeto e construção, a fim de quebrar o paradigma de que a sustentabilidade é cara e, portanto, voltada apenas para empreendimentos de alto padrão”, explica a professora-doutora Ana Rocha Melhado.

A mediadora do debate lembrou que é possível que obras sejam reconhecidas como sustentáveis sem terem certificações de sustentabilidade. “O que se faz necessário é projetar e construir acima dos padrões normativos brasileiros, já que a construção sustentável é uma forte ferramenta de gestão que garante, por meio de padrões internacionais, o incremento do desempenho das edificações. Então, o conceito de construção sustentável deve ser aplicado a todos os padrões construtivos, visto que o objetivo é proporcionar desempenho, conforto, qualidade, independentemente do padrão, gerando resultados financeiros para todos aqueles que participam do processo”, destaca Ana Rocha Melhado.

A expectativa dos debatedores é de que, no médio prazo, a construção sustentável deixe de ser um ramo da construção civil para estar totalmente integrada ao setor. “Tenho uma visão positiva acerca dessa questão. Acredito que o setor caminha sempre em busca do desenvolvimento sustentável. Além disso, dados do GBC Brasil indicam que, dentre as razões da ascensão das construções sustentáveis, está o desejo das corporações de gerar economia. Prédios verdes, por exemplo, possuem taxas de condomínio menores, bem como garantem aos consumidores que a edificação em que moram ou trabalham, isto é, onde passam a maior parte do tempo de suas vidas, apresente desempenho acima de todas as normas técnicas que disciplinam os diversos sistemas de uma edificação”, reafirma a professora-doutora da FAAP.

Próximo passo é o avanço da Indústria 4.0 na construção civil

A Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) é pioneira em incluir na grade curricular da engenharia civil a disciplina construção sustentável. A matéria está integrada ao curso há oito anos. “Além disso, as demais disciplinas da graduação da engenharia civil são transversais, ou seja, se complementam nessa busca constante de incentivar o empreendedorismo sustentável e responsável”, destaca Ana Rocha Melhado, lembrando que agora a universidade começa a integrar a construção sustentável ao emprego de tecnologias vinculadas à indústria 4.0. No debate realizado no dia 19 de fevereiro, foram abordados pontos relevantes associados ao tema, apesar dos debatedores reconhecerem que a construção civil está muito atrasada no que se refere ao emprego à Indústria 4.0, tanto no Brasil quanto no exterior.

Os debates sobre a aplicação da indústria 4.0 na construção civil foram mediados pelo professor Regis Pasini. “As pesquisas e iniciativas de aplicar os conceitos da Indústria 4.0 estão mais concentradas no canteiro de obras, que também está sendo chamado de canteiro 4.0. Elas se concentram, principalmente, em utilizar a tecnologia RFID para fazer o sensoriamento de materiais nos canteiros de obras, aproveitando as possibilidades que o BIM oferece”, revela Pasini, frisando que a indústria 4.0 tende a levar as construtoras a priorizar o uso de pré-moldados nas construções. “Desta forma, o sensoriamento dos elementos seria enormemente facilitado”, completa.

Pasini reforça ainda que o canteiro 4.0 está muito ligado ao avanços tecnológicas das máquinas. Segundo ele, quando houver caminhões-betoneiras autônomos, por exemplo, a eficiência dos processos de entrega do concreto no canteiro de obras será otimizada. Ele lembra que os primeiros passos foram promissores. “O uso de robôs em demolição já garante uma maior precisão no processo, com ganhos também para a segurança. Outro exemplo da Indústria 4.0 é a fabricação de paredes de casas por impressão 3D. Os principais exemplos vêm da China, apesar de que o acabamento ainda seja ruim”, enfatiza.

Entrevistados
- Engenheira civil Ana Rocha Melhado, coordenadora da pós-graduação em construções sustentáveis da FAAP
- Engenheiro mecânico Régis Pasini, professor da Faculdade de Engenharia da FAAP

Contatos
rpasini@faap.br
pos@faap.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Depois de hotel, vem as casas em tubo de concreto

Arquiteto James Law desenvolveu o que ele batizou de casa Opod. São microapartamentos que podem reurbanizar o centro de Hong Kong

Opod: manilhas de concreto transformadas em moradia, que pode custar mais de R$ 50 mil a unidade
. Crédito: JamesLaw Cybertecture
Opod: manilhas de concreto transformadas em moradia, que pode custar mais de R$ 50 mil a unidade
. Crédito: JamesLaw Cybertecture

Tubos de concreto, normalmente usados em tubulações de saneamento básico, estão se transformando em residências na cidade de Hong Kong, na China. A metrópole é conhecida pela escassez de terrenos e pelos altos preços para se adquirir um imóvel ou até alugar. Para se ter ideia, o metro quadrado pode chegar a 184 mil dólares. Por isso, o escritório de arquitetura de James Law desenvolveu a casa Opod. O espaço tem 9,2 m2 e vem mobiliado sob medida. O microapartamento pode ser empilhado, formando blocos de unidades. Além disso, possibilita conectar-se à Internet das Coisas (IoT). Cada unidade custa cerca de 15,5 mil dólares (aproximadamente 50 mil reais).

Para James Law, o Opod pode ocupar áreas que hoje estão abandonadas no centro de Hong Kong, estimulando uma habitação mais digna para quem não tem onde morar ou mais confortável para quem aluga quartos na cidade, principalmente jovens trabalhadores solteiros, com idade entre 19 anos e 25 anos - o público-alvo do projeto. “Os jovens que moram em Hong Kong não têm como pagar por moradias. O Opod é uma unidade de habitação experimental, de baixo custo, e que pode aliviar os problemas de habitação a preços acessíveis de Hong Kong", afirma o arquiteto, assegurando que a maior vantagem é que as estruturas podem ser empilhadas, formando conjuntos habitacionais.

James Law afirma ainda que sua invenção é uma alternativa às casas-contêineres, que transformaram em caos urbano a periferia de Hong Kong. “O Opod pode ajudar a reurbanizar a cidade. No centro da metrópole há muitos terrenos mal aproveitados, servindo de refúgio para o acúmulo de lixo, e que servem para as habitações com Opod”, diz o arquiteto, que no final de 2017 foi convidado para integrar o projeto da Smart City Consortium, que será construída em Hong Kong, e que pretende atacar os problemas de moradia da metrópole chinesa. Esse problema se agrava na cidade desde 1º de julho de 1997, quando Hong Kong foi devolvida pela Grã-Bretanha à China. Nestes 20 anos, a metrópole experimentou um desordenado crescimento populacional.

A edição 2017 do relatório sobre o Impacto Demográfico na Habitação, desenvolvido por uma organização não-governamental (Ong) britânica mostra que Hong Kong é a cidade onde o mercado imobiliário é o menos acessível no mundo. Por isso, James Law se inspirou nos hotéis criados na Áustria e no México, entre 2009 e 2012, e que depois se espalharam por outras regiões do mundo, onde manilhas de concreto foram transformadas em quartos. O Daspark Hotel, localizado em Linz, na Áustria, foi o primeiro a transformar tubos em habitação. Os “quartos” estão lá até hoje e são muito requisitados por mochileiros que viajam pelos alpes austríacos, já que o hotel adota a política de preço “pague quanto puder”. A adaptação de ideia pode ser uma solução para cidades densamente povoadas.

Veja vídeo sobre o Opod em Hong Kong

Entrevistado
Arquiteto e design James Law, da JamesLaw Cybertecture (
via assessoria de imprensa)

Contato: enquiries@jameslawcybertecture.com

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Construção de estádios completa 10 anos de crescimento

Além dos países-sede de eventos esportivos, como Copa do Mundo e jogos olímpicos, Estados Unidos lideram em investimento para esse tipo de obra

NRG Stadium, em Houston-Texas: inaugurado em 2016, é considerado atualmente o mais moderno estádio do mundo. 
Crédito: Populous
NRG Stadium, em Houston-Texas: inaugurado em 2016, é considerado atualmente o mais moderno estádio do mundo. 
Crédito: Populous

Desde 2008, a construção de estádios tem sido um importante indutor da construção civil pelo mundo. Começou com as obras para a Copa de 2010, na África do Sul, quando a Fifa impôs regras novas que dificultavam a reforma de antigas estruturas e estimulavam a construção de novas praças esportivas, e seguirá em ritmo intenso até mesmo após a Copa 2018, na Rússia.

Além das obras nos países-sede de mundiais de futebol e olimpíadas, a indústria da construção tornou-se ativa também em apresentar soluções para construir e reformar estádios de clubes, assim como ginásios e autódromos. Só nos Estados Unidos, por exemplo, estão programados investimentos na ordem de US$ 15,5 bilhões entre 2018 e 2021.

A onda de reformas nos EUA começou em 2015. Crescendo em 2016 e aumentando ainda mais em 2017. Nestes três anos, foram investidos US$ 17 bilhões em novas instalações esportivas no país. Além de projetos para clubes da Major League Beiseboll (MLB) e da National Football League (NFL [futebol americano]), cresce também o investimento em estádios para clubes da MLS (Major League Soccer) – como é chamado o futebol nos Estados Unidos. 

Segundo Bruce Miller, arquiteto do escritório Populous, especializado em projetos para estádios, “o mercado de instalações para futebol nos Estados Unidos está em paralelo com a tendência global de equipes que fazem investimentos significativos em estádios melhores”. 

Estruturas esportivas tendem a ficar cada vez mais baratas

Outra razão para esse crescimento, segundo o arquiteto, é por que os estádios de futebol tendem a custar menos para construir do que os estádios da MLB ou da NFL, que requerem projetos arquitetônicos mais elaborados e voltados a um público diferenciado.

Um exemplo é o estádio do Los Angeles FC, com construção avaliada em US$ 350 milhões contra US$ 1,1 bilhão do estádio do Texas Globe Life Field - um dos times mais tradicionais do beisebol norte-americano - e US$ 2,6 bilhões do Los Angeles Rams and Chargers, da NFL.

Curiosamente, os Estados Unidos investem mais em estádios que os países-sede de Copas do Mundo e jogos olímpicos. Para a Copa de 2006, a Alemanha investiu US$ 6 bilhões. Em 2010, a África do Sul gastou US$ 8 bilhões. O Brasil, em 2014, gastou US$ 3,5 bilhões. Já para os jogos olímpicos de 2016 foram gastos US$ 3,06 bilhões só com as instalações esportivas. Na Rússia, os investimentos em estádios devem chegar a US$ 11 bilhões.

Para o arquiteto Bruce Miller, que atuou no projeto da Arena das Dunas, em Natal-RN, a tecnologia agregada à construção civil tende a reduzir os custos dos estádios a cada novo projeto. “A construção industrializada, as estruturas mistas e as certificações para construções sustentáveis estão transformando a maneira de se construir estádios, e para melhor”, avalia o especialista, assegurando que hoje já é possível ser menos oneroso erguer uma nova estrutura esportiva do que reformá-la.

Essa tese se confirma em números. Até 2021, serão inaugurados 11 estádios nos Estados Unidos e 9 na Europa.

Entrevistado
Bruce Miller, arquiteto-sênior do escritório Populous, com especialidade em construção de estádios (via assessoria de imprensa)
Contato: media@populous.com

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Crea-PR apoia exame para engenheiros

Modelo adotado pela Ordem dos Advogados do Brasil, e em estudo pelo Conselho Federal de Medicina, agrada presidente Ricardo Rocha de Oliveira

Dia 22 de janeiro de 2018 assumiu a presidência do Crea-PR o engenheiro civil Ricardo Rocha de Oliveira. Ele comandará o organismo pelos próximos três anos, substituindo Joel Krüger, que agora é o presidente do Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia). Em sua gestão, Rocha de Oliveira defende o aumento da fiscalização e a maior valorização do exercício profissional da engenharia. Por isso, perguntado se apoiaria a ideia de que engenheiros sejam submetidos a exames como os promovidos pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), ele disse que a proposta é “interessante”.

Ricardo Rocha de Oliveira: busca de interação maior entre o Crea-PR e as universidades paranaenses. Crédito: Crea-PR
Ricardo Rocha de Oliveira: busca de interação maior entre o Crea-PR e as universidades paranaenses. Crédito: Crea-PR

Na entrevista a seguir, Ricardo Rocha de Oliveira também fala do impacto da crise na construção civil no Crea-PR, e de como o organismo pretende se aproximar ainda mais das escolas de engenharia do Paraná, para ajudar a elevar a qualificação dos novos engenheiros. O presidente também explicou como a tecnologia tem sido fundamental para intensificar a fiscalização do exercício irregular da profissão e de obras executadas sem a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). Confira:

Em sua posse, o senhor disse que irá investir em inovação tecnológica para potencializar a ação fiscalizadora do Crea-PR. Como se dará isso?

O objetivo do Crea-PR, ao fiscalizar as obras e os serviços técnicos vinculados às diversas profissões que representa, é salvaguardar a sociedade de possíveis danos que possam vir a ocorrer na execução do objeto fiscalizado. A legislação determina que somente os profissionais habilitados possam executar obras e serviços de engenharia e agronomia, pois estão aptos a oferecer à sociedade um acompanhamento idôneo e tecnicamente eficaz. Para isso, o Crea-PR possui uma estrutura tecnológica já consolidada, mas que nessa nova gestão terá ainda mais foco, com a construção de novos produtos para cruzamento de informações, aumentando a eficiência e a eficácia de nossa fiscalização.

Dentro desta estrutura tecnológica existente, o que se destaca?
Um exemplo é o aplicativo do Crea-PR (disponível para Android e IOS) através do qual é possível fazer denúncias de forma ágil de obras e serviços, para a averiguação de nossas equipes. O usuário pode anexar imagens feitas com o próprio celular, cadastrar a coordenada GPS e, após o preenchimento, ele recebe um número de protocolo para acompanhar o processo. O app disponibiliza também a consulta da situação cadastral de profissionais e empresas registrados por nome ou número de registro, da situação de protocolos ou a localização de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), permitindo que cada cidadão possa contribuir com a segurança da sociedade.

Em termos de inovação, o que esperar dentro desta plataforma tecnológica?
Na nossa rotina, teremos uma plataforma SIG ainda mais integrada e amigável, para que os dados sejam plotados nas telas dos equipamentos de fiscalização, permitindo aos agentes fiscais a assertividade na aplicação de nossos recursos e esforços no combate ao exercício ilegal. Cabe ressaltar que o aplicativo utilizado pelas equipes de fiscalização – desenvolvido totalmente pela TI (Tecnologia da Informação) do Crea-PR – está em constante desenvolvimento, e passará por uma evolução significativa a partir da implantação de novos sistemas, como o progresso de nosso sistema de ARTs. Assim, ampliaremos o investimento em inovação tecnológica para potencializar a ação fiscalizadora e a detecção de atividades realizadas sem a efetiva participação dos nossos profissionais, atuando em conjunto com as diretrizes das câmaras especializadas e o apoio de nossos Inspetores espalhados por todo o estado.

“Sabemos que nem todas as instituições de ensino do país realmente formam profissionais qualificados para o exercício da profissão.”

Outra fala de seu discurso também abordou a aproximação do Crea-PR com as instituições de ensino de todo o estado. Qual sua ideia para isso ocorrer?
Como professor universitário e ex-reitor da Unioeste tenho o dever de aproximar ainda mais o Crea-PR das nossas instituições de ensino. Afinal, são as universidades que formam os novos profissionais e elas têm o dever de orientar seus alunos sobre a importância do registro profissional. Para isso, temos uma série de produtos e serviços oferecidos às instituições de ensino. Um exemplo é a revista Técnico Científica do Crea-PR, uma publicação multidisciplinar que proporciona a disseminação do conhecimento técnico e científico produzidos nas áreas de engenharias, agronomia e geociências. Desde o lançamento da revista, em 2013, já publicamos seis edições com mais de 100 mil acessos ao periódico. Também temos o Portal da Educação, que reúne informações relevantes sobre o nosso sistema profissional, com uma série de serviços voltados para as instituições de ensino. Por isso, tenho o compromisso de ampliar o portfólio de produtos e serviços já ofertados aos docentes. Temos também um grande desafio, que é estruturar os processos de acompanhamento, avaliação e análise de concessão de atribuições no novo formato, a partir da Resolução 1073 do Confea. 

O engenheiro recém-formado ou iniciante na carreira tem consciência da importância de se filiar ao Crea-PR?
Para exercer a profissão de engenheiro, agrônomo ou profissional das geociências são necessárias duas habilitações: a acadêmica, obtida pela diplomação por uma instituição de ensino devidamente registrada no ministério da Educação, e a habilitação legal, obtida pelo registro profissional junto ao Crea. Temos um programa específico para aproximar os estudantes do sistema profissional, o Programa CreaJr-PR, aberto a todas as instituições de ensino paranaenses, tanto as de nível superior quanto as de nível tecnológico e técnico. Mas nosso objetivo é ampliar ainda mais a participação dos estudantes. Para isso, criamos a assessoria de inserção profissional, que pretende fomentar, apoiar e debater com nossas instituições de ensino ações relacionadas à inserção profissional como, por exemplo, a criação de dispositivos de residência-técnica como processo de inserção dos egressos no exercício profissional.

Os conselhos de medicina estudam exames com médicos recém-formados para lhes conceder o direito de exercer a profissão, assim como já faz a OAB. Os Creas já cogitaram essa hipótese?

Na verdade, esse assunto não é uma atribuição dos conselhos regionais, mas sim do nosso conselho federal, o Confea, que é responsável por todos os normativos que os 27 Creas devem cumprir. Porém, acredito que a ideia é interessante, já que sabemos que nem todas as instituições de ensino do país realmente formam profissionais qualificados para o exercício da profissão. Também nos preocupa a formação de profissões ligadas ao nosso sistema através do EAD (Ensino a Distância).

“Quando o profissional fica desempregado obviamente ele pode pedir a suspensão de seu registro junto ao Crea.”

Atualmente, o Crea-PR tem quantos filiados, entre engenheiros civis e agrônomos?
O Crea-PR tem sob sua jurisdição mais de  90 mil profissionais e 18 mil empresas registradas. Mas não são apenas os engenheiros civis e agrônomos que fazem parte do nosso sistema. Além de todos os títulos de engenharia, nosso sistema engloba também os profissionais ligados às geociências, como geólogos e geógrafos, tecnólogos, técnicos industriais e agrícolas. Mas a modalidade civil possui mais de 30 mil profissionais, entre engenheiros civis, ambientais e técnicos em edificações. Já na área de agronomia são mais de 20 mil, entre engenheiros agrônomos, agrícolas, florestais e técnicos da modalidade.

A crise, e seus efeitos na construção civil, levaram os profissionais a se aproximar mais do Crea-PR ou a se afastarem?
A crise econômica afeta o mercado de trabalho, e quando o profissional fica desempregado obviamente ele pode pedir a suspensão de seu registro junto ao Crea. Obviamente que, a partir de 2014, tivemos uma redução do número de Anotações de Responsabilidade Técnica (ART), especialmente na área de construção civil.

O senhor avalia que a crise passou e que a construção civil conseguirá sair dos números negativos em 2018?
Não podemos falar em fim da crise, mas podemos perceber certo otimismo. A indústria da construção civil depende dos investimentos públicos e privados em construção pesada e infraestrutura e dificilmente retomaremos em 2018 os patamares de antes do início da crise. Acredito que teremos uma recuperação, mas de forma lenta e gradual.

Entrevistado
Doutor em engenharia civil Ricardo Rocha de Oliveira, professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná e presidente do Crea-PR.

Contato: presidencia@crea-pr.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

EUA revisam código de ética dos engenheiros. E no Brasil?

Documento reafirma fundamentos básicos da profissão e pode balizar futura atualização no Brasil, que fica a cargo do Confea/CREA

Código de ética: EUA atualizaram documento abordando temas que estão em pauta no Brasil. Crédito: Divulgação
Código de ética: EUA atualizaram documento abordando temas que estão em pauta no Brasil. Crédito: Divulgação

A sociedade nacional de profissionais da engenharia (NSPE, da sigla em inglês), que fiscaliza a profissão nos Estados Unidos, decidiu revisar o código de ética dos engenheiros. O novo documento inclui questões como delação premiada, comprometimento público com a transparência e define sanções profissionais a quem se envolver em atos como corrupção.
Não fossem nos EUA, pareceria se tratar de outro país. Porém, no Brasil, apesar dos escândalos revelados pela operação Lava Jato, os quais também envolveram engenheiros, o código de ética segue inalterado. No país, tal documento é de responsabilidade do Confea/CREA, cuja mais recente atualização ocorreu em 2002.

Em seu preâmbulo, o código de ética revisado para engenheiros norte-americanos define como a NSPE entende a profissão. “Engenharia é uma profissão importante. Como membros desta profissão, os engenheiros devem exibir os mais altos padrões de honestidade e integridade. A engenharia tem um impacto direto e vital sobre a qualidade de vida de todas as pessoas. Assim, os serviços prestados pelos engenheiros exigem honestidade, imparcialidade e equidade, e devem ser dedicados à proteção da saúde pública, segurança e bem-estar. Os engenheiros devem atuar sob um padrão de comportamento profissional que exige a adesão aos princípios mais elevados de conduta ética”, diz.

O código que baliza o comportamento ético dos engenheiros nos Estados Unidos tem seis fundamentos básicos:
1. Preserv
ar a máxima segurança, saúde e bem-estar do público.
2. Realizar serviços apenas em áreas de sua competência.
3. Emitir declarações públicas apenas de forma objetiva e verdadeira.
4. Agir para cada empregador ou cliente como um curador, no sentido de zelar pela obra.
5. Evitar atos enganosos.
6. Conduzir-se honrosamente, de forma responsável, ética e legalmente, de modo a aumentar a honra, reputação e utilidade da profissão.

Confea/CREA atualizou código de ética em 2002

Desde 1947, o código de ética dos engenheiros norte-americanos tem sofrido constantes atualizações pela NSPE. A mais recente foi publicada em abri de 2017. No Brasil, a mais nova atualização é de 2002, com entrada em vigor em 2003. O documento revisou itens da primeira edição, publicada em 1971, com o objetivo de orientar os engenheiros que entravam no mercado de trabalho no início do século 21. “O mundo do século XXI precisa estar presente em nosso aparato ético, e a atualização proporcionada pela Resolução nº 1002/2002 revigora um estatuto cuja essência permanece um símbolo da capacidade de nossos profissionais autorregularem suas demandas, em convergência com os anseios do público externo”, disse o Confea/CREA, quando da publicação do código de ética.

Em dezembro de 2014, para estar mais presente junto aos engenheiros, o organismo lançou uma versão de bolso do código de ética. O documento também passou por reforma quando houve a saída dos arquitetos da guarda do Confea/CREA, com a criação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) no final de 2010. Hoje, o código de ética abrange engenheiros, agrônomos, geólogos, geógrafos e meteorologistas. Mais recentemente, em função da operação Lava Jato, que arrolou vários engenheiros em seus processos e condenações, o Confea/CREA criou um grupo de trabalho, denominado GT Ética Profissional, para preparar uma nova atualização. Um dos pontos relevantes é o artigo 75, que trata do “cancelamento de registro” em casos de “má conduta e escândalos praticados pelo profissional ou sua condenação definitiva por crime considerado infamante”. Foi concluída uma minuta que agora tramita pelos vários conselhos do Confea/CREA, mas ainda sem prazo para a atualização no código de ética.

Veja o código de ética atualizado pela NSPE

Veja o código de ética do Confea/CREA

Entrevistados
• National Society of Professional Engineers (NSPE) (
via assessoria de imprensa)
• Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) (
via assessoria de imprensa)

Contatos
pr@nspe.org
gco@confea.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Revestimento a base de concreto resiste a terremotos

Composto cimentício foi desenvolvido em parceria entre Canadá e Índia e as primeiras aplicações ocorrem em escolas indianas

Revestimento é pulverizado sobre uma parede de vedação convencional e transmite alta resistência aos blocos de concreto. Crédito: IS-IMPACTS/UCB
Revestimento é pulverizado sobre uma parede de vedação convencional e transmite alta resistência aos blocos de concreto. Crédito: IS-IMPACTS/UCB

A Universidade da Columbia Britânica (UCB), em Vancouver, no Canadá, desenvolveu um revestimento a base de concreto capaz de criar camadas ultrarresistentes sobre paredes de vedação. O material torna-as suficientemente fortes para suportar terremotos de até 9 graus na escala Richter. 

O concreto foi batizado de Eco-friendly Ductile Cementitious Composite (EDCC) [composto de cimento dúctil eco-amigável]. Projetado em escala molecular, e reforçado com fibras, o material tem alta maleabilidade em estado pastoso e ductibilidade comparável à do aço quando endurece. Isso permite que ele seja pulverizado sobre as paredes, facilitando sua aplicação. No entanto, a aplicação do EDCC requer que o material que irá recebê-lo possua elementos cimentícios.

Um dos pesquisadores, Salman Soleimani-Dashtaki, que faz doutorado no departamento de engenharia civil da UCB, explica que uma camada de 10 milímetros de espessura é suficiente para reforçar a maioria das paredes de vedação contra abalos. “Nos testes que realizamos, aplicamos o EDCC sobre uma parede de blocos de concreto e depois simulamos tremores. Não conseguimos quebrar o revestimento", explica.

EDCC combina Cimento Portland com fibras à base de polímeros, fly ash (cinza volante resultante da queima do carvão de termelétricas) e aditivos. "O concreto resistente ao terremoto é um ótimo exemplo de como a pesquisa aplicada em nossas universidades públicas está desenvolvendo uma geração voltada para a inovação e o empreendedorismo", avalia Melanie Mark, professora da disciplina voltada para a inovação na construção do departamento de engenharia civil da UBC.

EDCC tem múltiplas aplicações

Nemy Banthia acompanha teste sismológico aplicado sobre parede revestida com EDCC
. Crédito: IS-IMPACTS/UCB
Nemy Banthia acompanha teste sismológico aplicado sobre parede revestida com EDCC
. Crédito: IS-IMPACTS/UCB

A pesquisa foi coordenada por Nemy Banthia, também do departamento de engenharia civil da Universidade da Columbia Britânica, e financiada pelo Centro de Excelência de Pesquisa Canadá-Índia (IC-IMPACTS) hospedado pela UBC, e que funciona em parceria entre os governos do Canadá e da Índia. O valor do investimento é de US$ 60 milhões (cerca de R$ 100 milhões).

A aplicação prática do EDCC pelo IC-IMPACTS ocorreu em novembro de 2017, em uma escola na cidade indiana de Roorkee, no norte do país asiático, e que é altamente vulnerável a abalos sísmicos. O revestimento também foi aplicado em uma creche pública em Vancouver. Neste caso, para testar o desempenho acústico-térmico das paredes.

Outras obras em que o EDCC pode ser aplicado são casas em áreas sujeitas a tremores, além de oleodutos, pavimentos, plataformas offshore, estruturas resistentes a explosões e pisos industriais. "Esta tecnologia está ganhando atenção significativa na Índia e proporcionará às nossas empresas canadenses uma forte vantagem competitiva no crescente mercado global de infraestrutura", acrescenta Banthia, que também atua como diretor-científico da IC-IMPACTS.

Veja aplicação do EDCC no laboratório da UCB

Entrevistado
Engenheiro civil Nemkumar (Nemy) Banthia, Ph.D em materiais e estruturas de concreto e diretor-técnico do Centro de Excelência de Pesquisa Canadá-Índia (IC-IMPACTS)
Contato: info@apsc.ubc.ca

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Novo aeroporto de Floripa prevê execução recorde

Privatizado, e sob a gestão da Zurich Airport AG, cronograma projeta que novas estruturas estejam construídas até maio de 2019

Projeto investe maciçamente em estruturas pré-fabricadas de concreto e em elemento em aço para dar agilidade à obra. Crédito: Youtube/ Zurich Airport AG
Projeto investe maciçamente em estruturas pré-fabricadas de concreto e em elemento em aço para dar agilidade à obra. Crédito: Youtube/ Zurich Airport AG

Na mais recente pesquisa de satisfação dos passageiros, que o ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil realiza mensalmente nos 20 principais terminais aéreos do país, o Hercílio Luz, em Florianópolis-SC, recebeu a pior avaliação: 3,51. O cenário, no entanto, tende a mudar. A Zurich Airport AG, que em 2017 ganhou a licitação para administrar o aeroporto de Floripa, iniciou dia 15 de janeiro de 2018 a construção de um novo terminal, e tem pressa. O cronograma prevê que a obra estará concluída em tempo recorde, ou seja, até maio de 2019, para que possa entrar em operação até outubro de 2019.

A operadora do aeroporto da capital catarinense agora se chama Floripa Airport. Com a conclusão do projeto executivo, as obras prioritárias são: readequação da via de acesso, finalização do pátio de aeronaves, estacionamento térreo descoberto para 2.580 vagas, novo terminal de passageiros com 10 pontes de embarque (fingers), um viaduto de acesso e o aumento de acostamento em pista de pouso. As obras estão a cargo da Racional Engenharia e o projeto investe maciçamente em estruturas pré-fabricadas de concreto e elementos de aço para conseguir dar agilidade à reforma.

Dos quatro aeroportos leiloados em 2017 (Porto Alegre, Fortaleza, Salvador e Florianópolis), o de Floripa é o primeiro a entrar em obras. “Já temos os projetos executivos validados pelo cliente e seremos os primeiros entre os aeroportos concedidos no leilão a dar início às obras. Não teríamos conseguido essa antecipação se não fosse o modelo de contrato Design & Build”, ressalta Erika Matsumoto, vice-presidente da Racional Engenharia, que apostou em muita Tecnologia da Informação para cumprir o cronograma. O empreendimento está utilizando os conceitos de VDC (Virtual Design and Construction), a partir do modelo BIM (Building Information Modeling) desenvolvido exclusivamente para o projeto.

Floripa Airport confia em conclusão dentro do cronograma

Obras começaram em 1º de fevereiro de 2018 e construtora será bonificada se terminar no prazo ou antes da data definida. Crédito: Youtube/ Zurich Airport AG
Obras começaram em 15 de janeiro de 2018 e construtora será bonificada se terminar no prazo ou antes da data definida. Crédito: Youtube/ Zurich Airport AG

A construtora encampou a obra 100% e assumiu todos os projetos básicos e executivos do empreendimento, como arquitetura, fundações, estrutura, MEP (Mechanical, Electrical, and Plumbing [Mecânica, Elétrica e Hidráulica]), infraestrutura, paisagismo, mobiliário operacional, iluminação, Wayfinding (sinalização), BMS (Building Management System) e sistemas eletrônicos aeroportuários. “Estamos otimistas de que a fase de execução do projeto também será bem-sucedida e o projeto será entregue em tempo e dentro do orçamento", diz Tobias Markert, CEO da Floripa Airport.

O valor integral da obra é de R$ 500 milhões, mas o contrato de remuneração entre a Floripa Airport e a Racional Engenharia é no modelo PMG (Preço Máximo Garantido), em que a construtora recebe bônus se finalizar a construção no prazo ou antes, mas assume o ônus se ocorrer atraso. A obra envolve as seguintes áreas:
• Terminal de passageiros: 49.900,04 m²
• Central de utilidades técnicas: 656,94 m²
• Edifício Corpo de Bombeiros: 1.396,13 m²
• Área de acesso: 148,60 m²
• Viaduto: 4.589,76 m²
• Estacionamento e sistema viário interno: 105.908,46 m²
• Pátio e pistas de aeronaves: 312.795,00 m².

Veja vídeo de como ficará o aeroporto de Floripa após a reforma

Entrevistados
Racional Engenharia e Floripa Airport (
via assessorias de imprensa)

Contato: imprensa@floripa-airport.com

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Muda status do concreto compactado a rolo no pavimento

Testes realizados nos Estados Unidos permitem que CCR saia da condição de base ou sub-base para a de leito em estradas e avenidas

Aditivado, pavimento com concreto compacto a rolo mostrou ter alta flexão e resistência à compressão. Crédito: Wm. Winkler Co
Aditivado, pavimento com concreto compactado a rolo mostrou ter alta flexão e resistência à compressão. Crédito: Wm. Winkler Co

Com a ajuda de novos aditivos criados pela indústria química norte-americana, está em desenvolvimento uma nova geração de concreto compactado a rolo (CCR) para pavimentos. O objetivo é que o CCR, costumeiramente usado como base ou sub-base para receber a camada definitiva para o tráfego de veículos, possa, ele mesmo, servir de acabamento final para avenidas e estradas em que o pavimento é de concreto.

O primeiro trecho em teste tem cinco quilômetros e está localizado na cidade de Walla Walla, no estado de Washington-EUA. Na região há uma empresa que faz locação de máquinas pesadas, e que a cada seis meses precisava restaurar o pavimento asfáltico entre a sede e a rodovia mais próxima para permitir o tráfego de seus veículos. Como a manutenção tornou-se muito cara, a empresa encomendou uma solução à indústria de concreto local.

Coincidiu que a indústria química vinha trabalhando em dois produtos para dar um novo status ao CCR, transformando-o em pavimento de concreto compactado (CCP, da sigla em inglês). Um dos aditivos é o ACEiT Plus, um pó adicionado ao Cimento Portland a ser usado na produção do concreto. O outro é o ACEiT Blue, um líquido pulverizado sobre a superfície do CCR logo que ele sai da máquina pavimentadora.

O pó estabiliza a umidade, reduz a viscosidade e administra a hidratação do concreto para que ele possa passar pela pavimentadora com mais fluidez. Assim que sai da máquina e recebe o ACEiT Blue em sua superfície, o concreto pode ser compactado pelo rolo imediatamente. Os aditivos testados permitem que as características de concreto seco do CCR se adaptem para receber acabamento final, sem comprometer a durabilidade do material.

Pavimento de concreto compactado dispensa camada de acabamento. Crédito: Wm. Winkler Co
Pavimento de concreto compactado dispensa camada de acabamento. Crédito: Wm. Winkler Co

Pavimento dispensa juntas de dilatação

O pavimento de concreto compactado que foi aplicado no trecho de cinco quilômetros tinha uma camada de 18 centímetros de espessura. As resistências à compressão registradas variaram de 4600 psi (31,7 MPa) nos primeiros quatro dias a 6340 psi (43,7 MPa) em 28 dias. “Talvez estejamos mudando o conceito de pavimento em concreto, criando um pavimento mais barato e mais fácil de ser aplicado”, diz Pete Reed, porta-voz da Wm. Winkler Co., empresa responsável pela obra no traçado experimental.

A pavimentação ocorreu em junho de 2017 e tem sido monitorada mensalmente. Uma das preocupações era com a chegada do inverno, já que o CCP dispensa juntas de dilatação e os projetistas não sabiam qual seria o comportamento do piso. “O resultado é um pavimento de concreto que mostrou ter alta flexão e resistência à compressão, além de excelente resistência ao congelamento-descongelamento, com boa permeabilidade”, completa Pete Reed.

Concluído em junho de 2017, trecho de cinco quilômetros recebe monitoramento mensal. Crédito: Wm. Winkler Co
Concluído em junho de 2017, trecho de cinco quilômetros recebe monitoramento mensal. Crédito: Wm. Winkler Co

Veja vídeo com a aplicação do pavimento de concreto compactado

Entrevistado
Pete Reed, porta-voz da Wm. Winkler Co

Contato: pete@wmwinkler.com

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Norma define “preço justo” para engenharia consultiva

Com a ABNT NBR 16633, empresas que prestam serviço ainda na etapa do projeto da obra terão parâmetros melhores para compor seus custos

A ABNT NBR 16633 é dividida em 4 partes: Terminologia, Procedimentos Gerais, Elaboração de Projetos e Gestão de Obras e Execução de Obras de Infraestrutura. Crédito: Divulgação
A ABNT NBR 16633 é dividida em 4 partes: Terminologia, Procedimentos Gerais, Elaboração de Projetos e Gestão de Obras e Execução de Obras de Infraestrutura. Crédito: Divulgação

A Comissão de Estudo Especial (CEE-162) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) colocou recentemente em consulta pública o texto da ABNT NBR 16633 - Elaboração de Orçamento e Formação de Preço para Obras de Infraestrutura.  A norma técnica é uma das mais aguardadas pela engenharia consultiva, assim como pela arquitetura consultiva. Ela define critérios e procedimentos para que as empresas possam formar preços justos para a remuneração dos serviços que prestam.

Dividida em quatro partes, a ABNT NBR 16633 vai abranger “Terminologia”, “Procedimentos Gerais”, “Elaboração de Projetos e Gestão de Obras” e “Execução de Obras de Infraestrutura”. O presidente nacional do Sinaenco (Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva), Carlos Roberto Soares Mingione, foi o relator da parte 3, que trata de projetos e gestão de obras. “Esta é a parte referente ao projeto, ao gerenciamento, à supervisão e à fiscalização de obra”, explica.

Carlos Roberto Soares Mingione: meta da ABNT NBR 16633 é ensinar o profissional e as empresas que prestam serviços a comporem melhor seus preços. Crédito: Sinaenco
Carlos Roberto Soares Mingione: meta da ABNT NBR 16633 é ensinar o profissional e as empresas que prestam serviços a comporem melhor seus preços. Crédito: Sinaenco

Mingione destaca ainda que o objetivo da norma técnica é definir parâmetros para a composição do preço de um projeto. Como? “Tem o custo do profissional, que não é só o salário. Existem os encargos sociais, os benefícios fechados em convenção coletiva, enfim, os custos diretos e indiretos envolvendo o profissional. Além disso, há também as despesas indiretas, como aluguel da sede, a administração e a contabilidade, que não fazem parte do projeto, mas são necessárias para a empresa funcionar. Todos esses custos precisam ser incluídos na composição do preço de um projeto”, explica.

A expectativa é de que a ABNT NBR 16633 reeduque o contratante, principalmente o contratante público, que costuma vir com o valor de licitação fechado. “O importante é que este valor leve em conta todos os custos que estão envolvidos na elaboração do projeto e os custos que estão relacionados com o gerenciamento e a supervisão. Isso já é um benefício para o setor. Por outro lado, as empresas que prestam serviços precisam saber como apurar o seu custo efetivo. Isso vai ensinar o profissional e as empresas que prestam serviços a comporem melhor seus preços. Este é o objetivo da norma”, complementa Carlos Roberto Soares Mingione.

Elaboração da ABNT NBR 16633 já dura 6 anos

A primeira reunião para debater a ABNT NBR 16633 - Elaboração de Orçamento e Formação de Preço para Obras de Infraestrutura - começou em março de 2012, ou seja, levou seis anos para que estivesse a caminho de sua publicação. Além do Sinaenco, as seguintes associações estão envolvidas na definição de seu texto: ABCE (Associação Brasileira de Consultores de Engenharia), APECS (Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente) e AsBEA (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura). Entre os organismos de controle, participaram CGU (Controladoria Geral da União), TCE-PR (Tribunal de Contas do Estado do Paraná), TCU (Tribunal de Contas da União) e PF (Polícia Federal). Também estiveram envolvidos engenheiros do Exército Brasileiro, IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil), Infraero e Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

Entrevistado
Engenheiro civil Carlos Roberto Soares Mingione, presidente do Sinaenco (Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva) e sócio-diretor da AGM Projetos de Engenharia.

Contato: sinaenco@sinaenco.com.br

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Edifícios altos consumiram 15 milhões de m³ de concreto em 2017

Volume envolve a construção de 144 prédios com mais de 200 metros de altura, muitos deles em áreas geologicamente instáveis

Levantamento anual do Council on Tall Buildings and Urban Habitat (CBTUH) [Conselho de Edifícios Altos e Habitat Urbano] revela que em 2017 foram concluídas as obras de 144 edifícios altos em todo o mundo. A estatística contabiliza apenas prédios com mais de 200 metros de altura – limite mínimo para entrar no catálogo do CBTUH. Para erguer as estruturas, foram movimentados quase 15 milhões de m3 de concreto – média superior a 100 mil m3 por edificação. 

O valor aproximado de consumo de concreto é do próprio CBTUH. O volume é superior à média usada em edifícios altos no Brasil porque muitos dos 144 prédios entregues em 2017 estão localizados em áreas vulneráveis a terremotos, o que exige maior reforço estrutural e, consequentemente, mais concreto. Comparativamente, o Yachthouse Residence Club, em construção em Balneário Camboriú-SC, terá consumido 82 mil m3 de concreto quando 100% concluído.

Com 599 metros e 115 pavimentos, o Ping An International Financial Centre, em Shenzen, na China, foi o maior prédio construído em 2017. 
Crédito: KPF
Com 599 metros e 115 pavimentos, o Ping An International Financial Centre, em Shenzen, na China, foi o maior prédio construído em 2017. 
Crédito: KPF

Desde 2013, o número de edifícios altos vem crescendo exponencialmente no mundo. Atualmente, a CBTUH contabiliza 1.319 prédios com essas características. No ano 2000, havia apenas 263. Dentro desta categoria de edificação também se destacam as superaltas. São aquelas que rompem a barreira dos 300 metros e passam a perseguir recordes continentais - quando não, mundiais. De todos os superedifícios inaugurados em 2017, o mais alto foi o Ping An International Financial Centre, na cidade de Shenzhen, na China, com 115 pavimentos e 599 metros. O empreendimento passa a ser o 5º maior do mundo.

Há 10 anos a China vem se destacando no ranking do CBTUH. No entanto, entre 2016 e 2017, o país se superou. No ano retrasado, concluiu 83 edifícios que superaram os 200 metros de altura. Já no ano passado foram 76, ou seja, 53% de todas as edificações com essas características finalizadas no mundo em 2017.  Os Estados Unidos ocuparam o segundo lugar no ranking do ano passado, com dez prédios altos, seguidos da Coreia do Sul, com sete, e Canadá e Indonésia, com cinco cada um. Malásia, Coreia do Norte, Turquia e Emirados Árabes Unidos empataram no quinto lugar, com a conclusão de quatro edifícios altos em 2017.

Brasil só entrará no ranking oficial do CBTUH em 2019

Segundo relatório do CBTUH, outros países que também vêm se destacando neste tipo de construção são Austrália, Israel, Japão, Panamá, Arábia Saudita, Cingapura, Tailândia, Colômbia, Quênia, México, Catar e Sri Lanka. O Brasil só vai começar a entrar na lista oficial do Council on Tall Buildings and Urban Habitat quando forem concluídos os oito edifícios com mais de 200 metros de altura que estão em construção em Balneário Camboriú, e que devem ser finalizados entre 2019 e 2022. 

Veja vídeo do estágio das obras de alguns deles: 

No mundo, o edifício mais alto continua sendo o Burj Khalifa, concluído em 2010, com 160 andares, 828 metros de altura e 330 mil m3 de volume de concreto. Construído em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, o Burj Khalifa já tem data para perder o posto de número 1. Será provavelmente em 2020, quando ficará pronta a Jeddah Tower – também conhecida como Kingdom Tower -, em construção na cidade de Gidá, na Arábia Saudita. O edifício alcançará 1.008 metros de altura, com 168 andares. 

Saiba mais sobre edifícios altos e superaltos
skyscrapercenter.com

ctbuh.org

Entrevistado
Reportagem com base no relatório anual do Council on Tall Buildings and Urban Habitat (CBTUH) (
via assessoria de imprensa)

Contatos
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info@ctbuh.org

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