Japão faz concreto substituindo areia por cinza vulcânica

Crédito: Jérémie Souteyrat
Com o auxílio de pesquisadores da Universidade de Tóquio, uma construtora japonesa especializada em projetos residenciais passou a substituir o concreto armado convencional por um concreto alternativo. O material usa cinzas vulcânicas da ilha de Kyushu, no sul do Japão - um recurso natural disponível em grandes volumes na região -, em vez de areia como agregado fino.
Antes de testar o concreto em obras, os pesquisadores realizaram vários ensaios em laboratório, durante 1 ano. O que inspirou o estudo foram as experiências romanas de 2.000 anos atrás. “Os construtores do Império Romano usaram cinzas de fluxos piroclásticos em estruturas de concreto como o Panteão, há 2.000 anos, o que nos inspirou a criar uma versão japonesa”, diz Yasuhiro Yamashita, arquiteto-chefe da construtora Atelier Tekuto.
Na ilha de Kyushu, as erupções têm um fenômeno chamado de fluxo piroclástico, que mistura gás quente, matéria vulcânica, cinzas e fragmentos de rocha. Isso gera um agregado mais consistente que a areia, dizem os pesquisadores. “Conseguimos um concreto de alta densidade, além de grande capacidade de absorção e reação pozolânica natural. Isso o torna particularmente forte e durável”, explica o engenheiro.
Outra razão para o uso do concreto alternativo é que a areia de rio está cada vez mais escassa no Japão e a importação também é restrita. Além disso, o país estuda banir o uso de areia de origem marítima nas construções. Por isso, tanto a construtora que incentivou a pesquisa quanto a Universidade de Tóquio retiraram o sigilo do estudo para que outros construtores possam utilizar o concreto alternativo.
Casal de médicos estimulou a reativação da pesquisa e o uso prático do concreto inovador

Crédito: Jérémie Souteyrat
Os dados estão na plataforma digital Rede Regional de Utilização de Material (RMUN). “Estamos convictos de que o concreto Shirasu (nome com que o material foi batizado no Japão) pode trazer grandes benefícios econômicos para a região", avalia Yasuhiro Yamashita, que ao procurar a Universidade de Tóquio desengavetou uma pesquisa que havia iniciado nos anos 1990, mas não avançou. Na época, o principal objetivo do estudo era encontrar um substituto para o uso de areia do mar em obras.
Em 2006, a prefeitura de Kagoshima lançou o “Manual para projeto e construção do concreto Shirasu com agregado fino vulcânico”. Porém, não houve avanços. A pesquisa foi reativada em 2016, quando um casal de médicos bioquímicos procurou a construtora Atelier Tekuto e propôs um projeto de casa em concreto aparente, mas com baixa emissão de CO2. “Eles queriam uma peça desafiadora de arquitetura que não agredisse o meio ambiente. Com a ajuda de engenheiros e arquitetos recuperamos o estudo e conseguimos viabilizá-lo”, responde Yasuhiro Yamashita.
Ao mostrar a viabilidade de um concreto mais sustentável, o arquiteto e sua equipe ganharam três prêmios internacionais: o WAN Concrete, concedido pelo Japan Concrete Institute; o excelência em construção, do American Concrete Institute, e o concretos especiais, da fib (Federação Internacional do Concreto). Por causa de sua resistência (em torno de 20 MPa) o concreto desenvolvido no Japão tem sido usado apenas na construção de casas com até dois pavimentos. Desde a sua aplicação prática, o material já foi usado em mais de 20 projetos de residências em Tóquio e região.
Entrevistado
Construtora Atelier Tekuto (via área de comunicação)
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Como está a durabilidade das estruturas de concreto?

Crédito: Itaipu Binacional
Quatro reconhecidos acadêmicos e pesquisadores participaram recentemente de uma live promovida pelo IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto) para debater o estágio atual da durabilidade das estruturas de concreto em obras no Brasil. Cesar Daher, José Marques Filho, Daniel Véras Ribeiro e Edna Possan entendem que houve um avanço significativo nos métodos de projetar e na concepção de materiais, mas avaliam que a engenharia civil tem esbarrado na execução e na manutenção, o que compromete a durabilidade.
Para José Marques Filho, professor-doutor da UFPR, o concreto é uma cadeia produtiva baseada em ciência e tecnologia e, para dominá-la, é preciso ter conhecimento. Porém, segundo ele, melhoraram as ferramentas, mas pioraram os engenheiros, o que também afeta a durabilidade. “Durabilidade tem uma grande complexidade. Para que obras sejam duráveis é necessário conhecer esses processos. Será que alguém que projeta hoje sabe o que deixa uma estrutura mais ou menos porosa, sabe o que significa tamanho do cobrimento, domina as regras para que o concreto passe entre as armaduras?”, questiona.
O professor-doutor da UFPR aproveitou para alertar sobre a qualidade do ensino da engenharia civil no Brasil. “Melhoramos as ferramentas de projeto, mas pioramos os engenheiros que usam as ferramentas. Por quê? Porque o estudo de engenharia civil no país está inadequado. Engenharia deve ser baseada em resolução de problemas e na interligação de conceitos. Porém, veja só o que acontece atualmente: o estudo das patologias do concreto passou a ser disciplina optativa em alguns cursos de graduação. Isso numa época em que durabilidade é um dos eixos da sustentabilidade. Então, o Brasil, que já foi campeão mundial do concreto armado, precisa se reencontrar com sua melhor engenharia”, diz.
Construção industrializada do concreto é caminho para viabilizar obras duráveis
Cesar Daher, sócio-fundador do grupo IDD e diretor do IBRACON, salienta que seguir a normalização é fundamental para projetar concreto pensando na longa durabilidade. Já Daniel Véras, que é professor da UFBA e diretor-regional da ALCONPAT Brasil e do IBRACON, cita que recentemente houve um avanço fantástico de cálculos estruturais, criando estruturas cada vez mais esbeltas, mas que passaram a ficar muito próximas dos limites. “Isso acaba colocando a durabilidade em risco. À medida que a estrutura é mais esbelta, cresce a preocupação do projetista com os materiais e com a execução”, alerta.
Por fim, a professora-doutora Edna Possan, da Universidade Federal da Integração Latino Americana (UNILA), acredita que a construção industrializada do concreto possa ser um caminho para aumentar a durabilidade das estruturas. “Resistência, durabilidade, desempenho, vida útil, ciclo de vida e sustentabilidade são variáveis com as quais a construção industrializada se preocupa bastante”, afirma. A engenheira civil lembra ainda que a qualidade do cimento também pesa na durabilidade do concreto. Para concluir, ela frisa que a hidrelétrica de Itaipu, que recentemente completou 46 anos, é o grande exemplo de que a engenharia brasileira sabe construir com durabilidade. “Todas as virtudes da boa construção estão naquele monumento da engenharia”, finaliza.
Assista ao vídeo “Durabilidade das Estruturas de Concreto - Mitos e Verdades”
Entrevistado
Reportagem com base em live promovida pelo IBRACON, intitulada “Durabilidade das Estruturas de Concreto - Mitos e Verdades”
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Setor imobiliário segue imune a distratos e inadimplência
A pandemia de Coronavírus não fez crescer o volume de distratos de contratos imobiliários nem aumentou o volume de inadimplência entre os que financiam imóveis. A constatação está na pesquisa nacional realizada pela consultoria KPMG, com as principais construtoras e incorporadoras do país. Os dados apresentados revelam que 57% das empresas não sofreram impactos relevantes com distratos e que 43% disseram não ter registrado aumento de inadimplência. Porém, 57% admitiram renegociações com clientes.
Outra informação relevante trazida na pesquisa é que 67% das que responderam não enfrentam nenhum risco de liquidez. Da mesma forma, 76% não estimam alguma quebra de covenants financeiros, ou seja, não possuem indicadores que possam influenciar negativamente em seus balanços. Para Alan Riddell, sócio da KPMG Corporate Finance São Paulo, construtoras e incorporadoras estão tomando as decisões certas ao capitalizar com venda de ativos não-estratégicos, diversificar fundings, prolongar dívidas e analisar oportunidades de crescimento.
A pesquisa também revelou que a maior preocupação dos CEOs e CFOs das empresas é com a pós-pandemia. Grande parte dos entrevistados revelou que fará mudanças relevantes nos projetos a serem lançados. Por isso, 57% das respondentes disseram que postergarão novos empreendimentos até que exista um cenário mais claro. Segundo Eduardo Tomazelli, sócio do departamento de auditoria e membro de Financial Services da KPMG, essa já era uma situação esperada no setor da construção civil.
Com dados obtidos através da pesquisa, o especialista avalia que as empresas saíram da zona de impacto com a pandemia e estão, no momento, atravessando as etapas de resiliência e reação, que envolvem preocupação com a gestão de caixa, manutenção de liquidez, adesão a medidas governamentais, estabilização operacional, bem-estar de funcionários e manutenção do trabalho remoto. Quanto à posição de reavaliar projetos, Eduardo Tomazelli disse que essa é uma tendência mundial no mercado imobiliário.
Cenário internacional de real estate é de adaptação ao “novo normal”
De acordo com os coordenadores da pesquisa no Brasil, os entrevistados nos Estados Unidos percebem a busca por apartamentos maiores, a fim de adequar uma área de home office ou de casas mais espaçosas em regiões suburbanas dos grandes centros urbanos. Já na Europa observa-se um movimento contrário, ou seja, investidores e demais interessados em comprar imóveis estão sinalizando que preferem novas unidades nas regiões mais centrais das cidades para facilitar os deslocamentos. Percebeu-se isso mais intensamente em Portugal, Espanha e França.
Na Ásia e na Austrália, há cenários diferentes. Países como Japão e China, por exemplo, acreditam que o período de resiliência será maior. No mercado japonês existe ainda um fator que tem pesado no mercado imobiliário: o adiamento dos jogos olímpicos para 2021. Houve grande investimento em construção de hotéis e unidades residenciais na região de Tóquio, os quais agora não encontram consumidores. Quanto à China, onde o mercado imobiliário representa 25% do PIB do país, existe a expectativa de que uma fatia maior de chineses invista suas economias em imóveis no pós-pandemia. Antes da COVID-19, 80% da riqueza dos chineses já era alocada em imóveis. Com relação à Austrália, o país vive sua primeira recessão em 40 anos e a KPMG detectou que o mercado imobiliário precisará de um período maior para reagir ao impacto da crise.
Assista à apresentação detalhada da pesquisa
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Reportagem com base na pesquisa “Cenários e perspectivas do mercado imobiliário residencial”, realizada pela KPMG
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Construção civil será modelo na volta ao trabalho

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, juntamente com outros ministérios do governo federal, está definindo protocolos para que todos os setores produtivos do país possam voltar às atividades normais quando a curva de contaminação por Coronavírus decrescer. Segundo ele, o modelo a ser seguido será o da construção civil, considerada essencial para a economia do país e que não paralisou durante a pandemia.
A construção civil soube se proteger, diz Guedes, citando que o setor opera com 93% da capacidade produtiva. Atualmente, segundo levantamento da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), os estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste estão com todas as obras em andamento, assim como Amapá e Amazonas, na região norte. Já no nordeste, as construtoras de Pernambuco estão apenas com obras públicas em andamento.
Ainda na região nordeste, a Paraíba está dividida. Em João Pessoa e na região metropolitana, as obras estão paralisadas, mas no interior operam normalmente. Os únicos estados em que as obras estão totalmente paradas são Piauí e Sergipe. Por outro lado, Alagoas, Rio Grande do Norte e Maranhão operam com 100% na construção civil, enquanto Bahia e Ceará retomaram as atividades no começo de junho.
Segundo o ministro da Economia, ao saber controlar o ritmo de operação dos canteiros de obras, a construção civil teve uma taxa de contaminação baixíssima na comparação ao volume de trabalhadores envolvidos. “O setor soube proteger, testar, monitorar e tratar, reduzindo drasticamente os contágios”, afirma. Desde o início da epidemia no Brasil, 10 trabalhadores da construção morreram em função da COVID-19, em um universo de 2 milhões de pessoas que atuam com carteira assinada, e diretamente no segmento.
Segurança no trabalho é lei dentro da construção civil bem antes da COVID-19
Sobre os protocolos que estão em análise no governo federal, o ministro Paulo Guedes defende que o retorno seguro ao trabalho seja segmentado. “Não vai ser todo mundo ao mesmo tempo. Será por unidades geográficas. Nas regiões com maior densidade demográfica, o risco de contágio é maior. Então tudo isso vai ser examinado, com base em relatórios. Quando a saúde permitir, e der o sinal de que está na hora de avançar, avançaremos”, diz.
A presidente da comissão de responsabilidade social da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Ana Cláudia Gomes, revela porque o setor serve de modelo para que o governo federal defina protocolos. “As entidades de classe da construção civil e as empresas estão indo além das medidas protetivas e sanitárias estabelecidas. Elas se preocupam também com o trabalhador no trajeto de volta ao lar e com ele no contato com sua família”, revela.
Vale lembrar que bem antes da pandemia se instalar no Brasil, a segurança no trabalho é lei dentro da construção civil. A presença de trabalhadores no canteiro só é permitida mediante o uso adequado de equipamentos individuais de proteção (EPIs). Por isso, objetos como máscara, luvas, óculos de segurança e capacete não são novidades para quem atua em obras. É o que permite ao trabalhador do setor sair na frente no que se refere à proteção contra a COVID-19.
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Ministério da Economia (via assessoria de imprensa)
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Trinta anos depois, Exército volta a construir ferrovias

Crédito: Agência Brasil
A entrada do Exército brasileiro em um trecho da FIOL (Ferrovia de Integração Oeste-Leste) marca o reencontro da engenharia militar com obras para o tráfego de trens, após 30 anos. Desde 1990, quando participou da construção da Ferroeste, no Paraná, o Exército não atuava em projetos ferroviários. “A mesma competência que tivemos com a participação do Exército nas obras da BR-163 estamos trazendo para a Ferrovia Oeste-Leste”, comemora o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas.
A participação da engenharia militar será no trecho entre Bom Jesus da Lapa e São Desidério, ambos municípios baianos. O comando das obras estará a cargo do 4º Batalhão de Engenharia de Construção (4º BEC), de Barreiras-BA, e do 2º Batalhão Ferroviário, de Araguari-MG. Segundo o ministro, a entrada do Exército busca dar agilidade à obra, a fim de que seu cronograma seja cumprido. “Planejamos trazer o Exército para dar impulso à FIOL e poder finalizá-la até 2022”, afirma.
A FIOL está dividida em 3 trechos. O 1º será concedido à iniciativa privada, através de concessão a ser definida até o final de 2020; o 2º está em construção e percorrerá 485,4 quilômetros, com execução liderada pela Valec e investimento de 3 bilhões de reais, e o 3º ligará a FIOL à ferrovia Norte-Sul, no Tocantins. O corredor ferroviário, que está com 39% de suas obras concluídas, é estratégico para escoar a produção agrícola, alcooleira e mineral das regiões nordeste e norte do país para os portos de Ilhéus, na Bahia, e Itaqui, no Maranhão.
O projeto da FIOL prevê 1.527 quilômetros de extensão. Seu traçado passará por 64 municípios, dos quais 46 somente na Bahia. A construção da ferrovia exigiu que fosse montada em São Desidério-BA uma fábrica para a produção de dormentes de concreto protendido. Por se tratar de uma ferrovia exclusivamente para o transporte de carga, exige-se que o espaçamento entre os dormentes seja de 62,5 centímetros, ou seja, a cada quilômetro a ferrovia consome 1.600 dormentes.
Plano do governo federal é investir 30 bilhões de reais em ferrovias
De acordo com o ministério da Infraestrutura, o plano é investir 30 bilhões de reais em ferrovias, atraindo principalmente o setor privado. O primeiro contrato de concessão foi assinado em 2019, e envolve a Ferrovia Norte-Sul, no trecho entre Porto Nacional-TO e Estrela D'Oeste-SP. Em 2020, além da FIOL, está prevista também a concessão da Ferrogrão, projeto com origem em Cuiabá-MT e término em Santarém-PA. O objetivo é aumentar a malha ferroviária, que segundo estudo da Fundação Dom Cabral, responde por apenas 5,4% do escoamento da produção do país.
Independentemente dos trechos a serem colocados para concessão, a engenharia militar tende a ser parceira em várias das obras futuras. Recentemente, o governo do Paraná e o Exército abriram negociações para atuar na construção do ramal ferroviário entre Cascavel-PR e Foz do Iguaçu-PR, que vai unir a Ferroeste à futura Nova Ferrovia - obra com 1.370 quilômetros, entre o porto de Paranaguá e Maracaju, no Mato Grosso do Sul. Esse projeto também tem o interesse do grupo RZD International, que opera no sistema ferroviário da Rússia.
Confira o mapa ferroviário do Brasil (amplie imagem para ver detalhadamente)

Assista ao vídeo das obras da FIOL
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Pandemia é janela de oportunidades para engenheiros civis

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Em webinar promovido pelo Instituto de Engenharia, a psicóloga Cynthia Mastropacha sinaliza caminhos para que os profissionais da engenharia civil enxerguem na pandemia de COVID-19 “janelas de oportunidades”, a fim de abrirem novos caminhos profissionais e se reinventarem dentro da atividade. Na palestra, intitulada “Como se preparar para um novo normal profissional”, a especialista, que também exerce a função de coach de carreira, cita que o primeiro passo é se relacionar de forma diferente com a tecnologia.
“O mundo está online e todos os setores precisam diminuir a resistência e se adaptar às mudanças que se impõem. Um exemplo: antes da pandemia, as empresas tinham resistência ao home office. Hoje, todos já percebem que esse modo de trabalho remoto veio para ficar. Ou seja, paradigmas estão se renovando, tanto para as empresas como para os colaboradores e a sociedade em geral. Tudo mudou. De hábitos de consumo, a negócios, estudos, trabalho, saúde, higiene, religião, lazer, relacionamentos e ações de solidariedade”, diz.
Sobre a engenharia e suas ramificações, a coach avalia que a pós-pandemia deve gerar alternativas novas de atuação dentro da carreira. “É importante mapear oportunidades profissionais, pois novos modelos de atuação devem surgir dentro da carreira com a pós-pandemia. Por isso, é necessário buscar a inovação, pois a imprevisibilidade do momento requer repensar os formatos atualmente em prática. Consequentemente, o novo normal profissional vai mudar o comportamento do mundo corporativo”, avalia.
Empresas também serão desafiadas a oferecer oportunidades a jovens engenheiros
Dentro da palestra, Cynthia Mastropacha realça qual o perfil dos que podem aproveitar as janelas de oportunidade. “Vai se destacar o profissional que sabe se autogerenciar. Por outro lado, estará ainda mais valorizado o trabalho em equipe”, afirma. A psicóloga ressalta também que os desafios estão colocados e que, nesse ambiente, os engenheiros civis e os demais profissionais de engenharia são peças importantes no mercado de trabalho para encontrar novas soluções.
A especialista vê mais um ponto a favor dos engenheiros com as mudanças causadas pela COVID-19. “Nas empresas, o foco será em resultados e não em controle de tarefas. Enfim, novas regras, novas formas de trabalhar e um novo mundo corporativo vão surgir a partir dessa pandemia. Por isso, os engenheiros terão papel importante. O profissional da engenharia tem um olhar mais flexível, mais resiliente e mais adaptativo, além de uma mentalidade de solução que o momento atual exige”, comenta.
Perguntada se os jovens profissionais que estão entrando no mercado de trabalho encontrarão mais ou menos oportunidades na nova realidade, Cynthia Mastropacha entende que isso vai depender das empresas conseguirem desenvolver departamentos de RH mais estratégicos. “Já vejo isso em startups e nas corporações que atuam em novos negócios. A empresa é um ecossistema e a oferta de novas oportunidades gera um círculo virtuoso para a própria companhia”, conclui.
Assista ao webinar “Como se preparar para um novo normal profissional”
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Reportagem com base no webinar “Como se preparar para um novo normal profissional”, concedido pela coach Cynthia Mastropacha ao Instituto de Engenharia
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COVID-19 levará construção sustentável a novo patamar

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Já é certo que a pandemia de COVID-19 afetou o dia a dia, os hábitos da sociedade e as relações sociais e profissionais. Da mesma forma, as construções sustentáveis também vão sentir as mudanças. Especialistas do setor avaliam que as certificações ficarão mais rigorosas e ganharão novos critérios. Aspectos como qualidade interna do ar, conforto, biofilia (equilíbrio entre área construída e área verde), ventilação e iluminação natural, entre outras práticas que promovem a saúde e a qualidade de vida de quem ocupa uma edificação, sairão valorizados na pós-pandemia.
Deverá ocorrer também um novo olhar para as certificações. Para Maíra Macedo, gerente de projetos e certificações do Green Building Council Brasil, os selos que abrangem residências tendem a se valorizar. Entre eles, o GBC CASA & Condomínio, que tem como objetivo questões de conforto, saúde e bem-estar dos moradores. "A casa agora monopoliza todas as atividades do indivíduo e de sua família, ou seja, trabalho, refeições, lazer e descanso. Mais do que nunca, a residência passou a ter uma importância vital em nosso dia a dia", destaca.
É previsto que o mercado de green buildings ganhará um novo patamar. Também é esperado que as exigências para que os prédios verdes mantenham seus certificados sejam revistas, preveem os especialistas. Para Marcos Bensoussan, diretor da divisão latino-americana da NSF International - organização norte-americana de teste, inspeção e certificação de produtos -, o rigor será maior para evitar a proliferação da síndrome dos edifícios doentes. “Os prédios estão vazios ou com atividades reduzidas, mas os sistemas hídricos e de ar-condicionado continuam lá, com águas paradas em seus encanamentos e acumulando poeira, podendo proliferar vírus e bactérias”, alerta.
Projetos residenciais, corporativos e de mobilidade urbana também terão um “novo normal”
Os especialistas em construções sustentáveis entendem que as escolas serão igualmente atingidas pelas mudanças que virão na pós-pandemia. As análises fazem parte do relatório do World Green Building Council (WorldGBC). Segundo o documento, a partir da nova realidade imposta pelo Coronavírus os edifícios escolares deverão buscar a excelência em itens como qualidade do ar, iluminação, temperatura e acústica. “São melhorias sustentáveis que não só ajudam a preservar a saúde como auxiliam alunos a alcançarem todo o seu potencial”, diz trecho do documento.
Da mesma forma, engenheiros civis e arquitetos que atuam no segmento da construção sustentável avaliam que as cidades também serão impactadas pelo “novo normal”. Além dos projetos residenciais e corporativos, os processos construtivos e a mobilidade urbana serão revistos em uma série de pontos. Para os analistas, o momento é de reinvenção e duas palavras devem balizar o ambiente construído a partir de agora: saúde e bem-estar.
Acesse a série de palestras no canal do Green Building Council Brasil
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Reportagem com base na série de palestras concedidas ao Green Building Council Brasil, sobre o impacto da pandemia na construção sustentável.
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ABNT se abre às reuniões digitais para normas técnicas

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O distanciamento social não paralisou a produção e a revisão de normas técnicas. Pelo contrário, os efeitos da COVID-19 aceleraram processos dentro dos comitês e das comissões de estudo da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) graças às reuniões digitais. Tanto o novo presidente da ABNT, o engenheiro civil Mario William Esper, como a nova superintendente do Comitê Brasileiro da Construção Civil (CB-002), a engenheira civil Lilian Sarrouf, passaram a apoiar o uso da tecnologia online. Para eles, os debates via web “agilizam os processos de normalização”.
Um dos comitês da ABNT que primeiro aderiram às reuniões via web foi o CB-018 (Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados). Durante o início da pandemia de Coronavírus no Brasil, o grupo que atua na revisão da ABNT NBR 7212 (Concreto dosado em central) se encontrou virtualmente para dar prosseguimento aos trabalhos. A própria superintendente do comitê, a engenheira civil Inês Battagin, é incentivadora do uso da tecnologia. Trata-se de uma forma para dar celeridade aos 40 projetos de normas técnicas que aguardam para serem revisadas, publicadas e criadas, e que estão sob a guarda do CB-018.
Em junho de 2020, o Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados vai se encontrar 4 vezes através de reuniões à distância, para tratar das seguintes normas técnicas: ABNT NBR 7212 (Execução de concreto dosado em central - Procedimento); ABNT NBR NM 124 (Cimento e Clínquer - Análise química - Determinação dos óxidos de Ti, P e Mn) e ABNT NBR NM 14 (Cimento Portland - Análise química - Método de arbitragem para determinação de dióxido de silício, óxido férrico, óxido de alumínio, óxido de cálcio e óxido de magnésio); ABNT NBR 15498 (Placa de fibrocimento sem amianto - Requisitos e métodos de ensaio); ABNT NBR 16886 (Concreto - Amostragem de concreto fresco); ABNT NBR 16887 (Concreto - Determinação do teor de ar em concreto fresco - Método pressométrico), e ABNT NBR 16889 (Concreto - Determinação da consistência pelo abatimento do tronco de cone).
Web é ferramenta para atualizar normalização defasada da construção civil
Recentemente, em webinar promovido pelo SindusCon-PR, o líder do Gant (Grupo de Acompanhamento de Normas Técnicas), Roberto Matozinhos, afirmou que a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) também tem incentivado as reuniões online, inclusive auxiliando os comitês para que tenham acesso às tecnologias disponíveis na web. “Os encontros online tendem a ser o ‘novo normal’ na pós-pandemia. Por duas razões: dão agilidade às decisões e tornam os processos mais democráticos, haja vista que amplia a participação de interessados de todo o país e não apenas dos grandes centros urbanos”, resume.
No webinar, que debateu também os principais pontos da revisão da ABNT NBR 15575 (Norma de Desempenho), os participantes foram unânimes em afirmar que as reuniões digitais serão fundamentais para que o grande volume de normas técnicas que carecem de revisão seja atualizado. Matozinhos relatou que, atualmente, 40% das normas vinculadas ao CB-002 não são revisadas há 15 anos. “O procedimento será uma ferramenta útil para encaminhar esses projetos”, diz. O líder do Gant também destaca que os encontros online servirão para atender grupos de normas que estão defasados.
Roberto Matozinhos explica que atualmente, dentro das normas técnicas relacionadas com a construção civil, existem 484 que especificam materiais e sistemas construtivos, 421 de controles tecnológicos e 70 de execução de serviços. No entender do engenheiro civil, os comitês devem se concentrar em publicar mais normas sobre execução de serviços. “A meu ver é um número baixo o que existe hoje”, avalia. Para o líder do Gant, as reuniões via web vão auxiliar no enfrentamento dessa defasagem.
Assista ao webinar “Normas Técnicas - Os principais pontos em revisão na Norma de Desempenho”
Entrevistado
- ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) (via assessoria de imprensa)
- Gant (Grupo de Acompanhamento de Normas Técnicas da CBIC) (via assessoria de imprensa)
- Webinar “Normas Técnicas - Os principais pontos em revisão na Norma de Desempenho”, promovido pelo SindusCon-PR
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Para evitar aglomerações, será o fim dos prédios superaltos?

Crédito: Fu Xing
Por causa da pandemia de Coronavírus, projetos de prédios superaltos enfrentam empecilhos governamentais nas principais economias do mundo. A começar pela China, que lidera o ranking desse tipo de construção. Em 2019, os chineses entregaram 57 edificações com mais de 200 metros de altura. No entanto, o risco de aglomerações e contágios fez a China rever sua legislação para esse tipo de empreendimento. Coincidentemente, o país foi o primeiro a ser alvo da COVID-19.
Em decisão tomada em maio de 2020, o governo chinês simplesmente proibiu construções que superem os 500 metros e restringiu severamente as que ultrapassarem 250 metros. O comunicado partiu do ministério da Habitação e Desenvolvimento Urbano-Rural, que também definiu uma política restritiva à atuação de grandes escritórios internacionais de arquitetura no país. A medida, alinhada com opiniões expressas do presidente Xi Jinping, busca valorizar a arquitetura chinesa e pôr fim ao período de construções suntuosas.
Já nos Estados Unidos - berço dos arranha-céus -, novos projetos de edifícios superaltos também estão passando por um pente-fino governamental. Um exemplo é o Tribune East Tower, cujas obras devem começar em 2022. O prédio, que deve alcançar 433 metros de altura, precisou se submeter a uma série de exigências da prefeitura de Chicago, nos Estados Unidos, para ser aprovado. Após 2 anos de negociações, sua construção foi liberada mediante a garantia de que o empreendimento empregará 5.500 pessoas no canteiro de obras.
Edificações de grande porte podem oferecer dificuldades para medidas sanitárias
Outro obstáculo para esse tipo de construção está no quadro recessivo que as principais economias devem enfrentar na pós-pandemia. Uma série de projetos de arranha-céus foi simplesmente adiada no Canadá, na França, no Japão, no Reino Unido e até nos países árabes, outro pólo de grandes arranha-céus. Organismos como OMC (Organização Mundial do Comércio) e FMI (Fundo Monetário Internacional) estimam que a recessão global em 2020 deve ser negativa de 3%, podendo chegar a -10% em algumas economias do G20.
Outra razão para que os projetos de prédios superaltos sofram retração está no fato de que essas edificações oferecem dificuldades para medidas sanitárias. Durante a epidemia de COVID-19 na China, uma construção habitacional localizada em Hong Kong, e com mais de 30 pavimentos, teve que ser totalmente colocada em quarentena depois que verificaram que as tubulações de água e esgoto do edifício estavam contaminadas pelo Coronavírus. No prédio foram confirmados 23 casos da COVID-19.
No entender de um grupo de especialistas em mobilidade urbana, urbanismo e arquitetura, ouvido recentemente pelo Fórum Mundial do Ambiente Construído (do inglês, World Built Environment Forum), apesar das novas barreiras, os prédios superaltos não tendem a ser extintos, mas seguirão um novo protocolo de sustentabilidade. Para os analistas, as virtudes dessas edificações devem ser absorvidas por projetos de edifícios menores e até casas. Entre elas, as janelas hermeticamente fechadas e sistemas sofisticados de ar-condicionado e purificação do ar.
Entrevistado
Fórum Mundial do Ambiente Construído (World Built Environment Forum) (via assessoria de imprensa)
Conselho de Edifícios Altos e Habitat Urbano Council on Tall Buildings and Urban Habitat) (via assessoria de imprensa)
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Para FMI, construção civil retoma crescimento em 2021

Crédito: Via Assessoria
Estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a construção civil vai cair 5,2% no continente latino-americano em 2020, com boa perspectiva de retomada em 2021, podendo crescer 3,4%. O levantamento usa dados da Federação Interamericana da Indústria da Construção (FIIC) e se aproxima de levantamentos divulgados pela consultoria GlobalData, que estima retração de 5,5% do setor em 2020.
Antes da pandemia de Coronavírus, a projeção era que a construção na América Latina cresceria, em média, 2,3% neste ano. Porém, independentemente da queda prevista para 2020, o presidente da Federação Interamericana da Indústria da Construção (FIIC), Sergio Toretti, confia na retomada do crescimento em 2021. Por um simples motivo: o setor é fundamental para que a economia do continente supere a crise na pós-pandemia.
“Não há qualquer dúvida de que a construção será o vetor para superar a crise. Por várias razões. Primeiro, é um grande gerador de empregos; segundo, é um motor de reativação econômica muito importante e de efeito imediato, por causa do tamanho da cadeia produtiva que envolve. Vai desde grandes construtoras até microempresas prestadoras de serviço, passando por fabricantes de materiais e de equipamentos”, diz.
No continente latino-americano, o maior declínio esperado é para a já combalida Venezuela, com expectativa de queda de 15%. Em seguida, virá a Argentina, cuja construção civil deve cair 10%, acompanhada de México e Brasil, que poderão retroceder entre 6% e 8%. Já os países onde o impacto será menor são Chile, Peru e Uruguai. Guatemala, El Salvador, Honduras e Paraguai também sentirão com menos força os danos da crise, estima a FIIC.
Infraestrutura pode ser promissora ferramenta para que governos gerem emprego
No continente latino-americano, o FMI avalia que o segmento voltado à construção habitacional deverá ter queda de até 50% nas vendas. No plano da infraestrutura, também se projeta um recuo equivalente a 45%. Porém, o Fundo Monetário Internacional considera que a infraestrutura pode ser uma promissora ferramenta para que os governos contratem mão de obra e alavanquem as economias de seus respectivos países.
“A crise vai aumentar o déficit de infraestrutura em nosso continente. Isso obrigará ações conjuntas do setor público e do setor privado. É a única maneira de conseguir viabilizar obras, pois sozinho o poder público não terá recursos. Tampouco o setor privado. Será a oportunidade para produzir eficazes parcerias público-privadas em nossos países”, cita o presidente da Federação Interamericana da Indústria da Construção.
Apesar do otimismo emitido pela FIIC, a economista Dariana Tani, da GlobalData, acredita que os desafios não serão pequenos para a América Latina. "A demanda global mais lenta deve derrubar os preços das commodities e desvalorizar moedas. Também haverá queda significativa nos níveis de turismo e de serviços, aumentando o desemprego. São fatores que devem impactar a indústria da construção civil no curto prazo após a pandemia", analisa a consultoria, em seu mais recente boletim.
Entrevistado
Federação Interamericana da Indústria da Construção (FIIC) (via assessoria de imprensa)
GlobalData consultoria (via assessoria de imprensa)
Fundo Monetário Internacional (via assessoria de imprensa)
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330









