Vendas de material de construção: novos desafios se impõem

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Em março de 2020, cerca de 140 mil pequenos comércios de material de construção tiveram que fechar as portas por causa da chegada da pandemia de Coronavírus ao Brasil. Com a reabertura do varejo, o setor se viu diante de mudanças rápidas de cenário. Uma delas foi se confrontar com o novo comportamento do consumidor, que passou a buscar intensamente a compra online. Porém, ainda são poucos os microempresários do segmento que estão preparados para a digitalização de seu comércio.
Diante desse quadro, especialistas no varejo da construção civil se reuniram em webnar para debater o futuro do setor. O que eles constataram foi que, emergencialmente, o WhatsApp se transformou na principal ferramenta de venda dos pequenos comerciantes. “O WhatsApp surgiu como solução para as lojas físicas que, inicialmente, tiveram que ficar fechadas. Isso serviu para apresentar ao pequeno varejista o mundo do e-commerce”, diz Lilian Esteves Lessa, que integra o G8 - grupo de relações construtivas no varejo.
A partir de agora, avaliam os debatedores do webnar, caberá à indústria e aos distribuidores encorajar as lojas de bairro de material de construção a darem o próximo passo, que é entrar definitivamente no universo da venda online. “O papel do representante comercial será fundamental nesse elo de transformação do pequeno varejo”, sugere José Antonio de Góes Vieira. “Passada a primeira onda da crise, que foi assimilar o susto, a próxima fase é investir em uma nova relação construtiva envolvendo indústria, distribuidor e pequeno varejo”, completa Guilherme Tiezzi, cofundador do G8.
Boa parte dos participantes de webnar compartilha da ideia de que o e-commerce irá se fortalecer para produtos em que o frete tem pouco impacto. Eles também veem que o omnichannel tende a crescer para materiais como insumos (cimento, areia, brita, etc) e de acabamento. Por outro lado, é consenso de que a indústria e a distribuição terão de agir no marketplace colaborativo e “pegar pela mão” o pequeno lojista, a fim de ensiná-lo a entrar no mundo digital. “A prioridade é ajudar o pequeno varejo a ocupar o espaço da internet”, destaca Fernando Alvarez, da e-Construmarket.
Rede colaborativa surge para ajudar pequeno comércio na transição do mundo físico para o digital
No Brasil, são as grandes redes de varejo de material de construção que estão na vanguarda do Varejo 4.0. Para essa cadeia de lojas, o conceito de omnichannel já está integrado ao seu modelo de negócio. Trata-se de unificar todos os canais de venda (e-commerce, assistentes virtuais, aplicativos e lojas físicas) em uma só experiência. No modelo, o cliente usa o e-commerce ou app para comprar e a loja física para fazer a retirada dos produtos. O processo inverso também é possível, ou seja, pesquisa na loja física e finaliza a compra na internet, recebendo a mercadoria em casa.
É como explica Fabíola Paes, especialista em omnichannel. “Dentro do chamado Varejo 4.0, as soluções tecnológicas vieram para facilitar tanto a vida do cliente como a do varejista, que pode integrar seus estoques, transformando-os em minicentros de distribuição, diminuindo custos, ampliando a conversão das vendas e melhorando o seu diálogo com o consumidor”, ressalta. Para que o pequeno varejo possa usufruir destas vantagens, os participantes do webnar propõem que surja uma rede colaborativa entre os pequenos comércios dos bairros para facilitar a transição do mundo físico para o digital. “O ‘click & collect’, que permite ao cliente comprar no e-commerce e retirar o produto na loja física, surge como uma viabilidade interessante para esse mercado”, finaliza Guilherme Tiezzi.
Assista ao webnar “Vendas na construção: desafios da digitalização de lojistas e fabricantes” (cadastre-se para acessar)
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Reportagem com base no webnar “Vendas na construção: desafios da digitalização de lojistas e fabricantes”, promovido pela AECweb
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Veja qual será o impacto da COVID-19 na vida urbana

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Para a engenheira civil e Ph.D em sustentabilidade Daniella Abreu, a pandemia de COVID-19 está mostrando as fragilidades da maioria das cidades brasileiras no que diz respeito a saneamento básico, acesso à energia, água limpa e moradia. Para ela, essas serão prioridades que farão com que a administração pública seja fortemente cobrada a partir de agora. No entender da especialista, a pandemia também vai exigir que as metrópoles se adaptem para permitir que as pessoas possam circular com menor risco de infecção. “Espero transformações bruscas nas cidades depois dessa pandemia. Uma tendência é que a digitalização substitua o excesso de contatos físicos”, avalia.
Daniella Abreu também vê mudanças que devem atingir a mobilidade urbana. “Deverão vir novas formas de se pensar o transporte coletivo, assim como os projetos residenciais e corporativos. Antes, predominavam os conceitos de coworking e coliving. No meu entender, isso deve desacelerar e quem investe nesses projetos terá que revisá-los. A busca do espaço privado voltou a ser prioridade”, diz. Quanto ao transporte coletivo, ela responde com uma constatação o que se verifica na China depois de o país ter sido o primeiro a ser atingido pela pandemia. “O país aumentou volume de venda de veículos, por conta do receio de aglomerações em transporte coletivo. É de se pensar que mudanças virão”, completa.
A engenheira civil, que recentemente participou de webnar promovido pela GBC Brasil, avalia que o pós-pandemia tende a acelerar processos construtivos. “Os hospitais de campanha mostram que é possível viabilizar obras com mais rapidez”, comenta. Daniella Abreu também entende que projetos compromissados com certificações sustentáveis poderão predominar de agora em diante. “A busca do Zero Energy, do bem-estar através de desempenho térmico e acústico, entre outras qualificações, são tendências que vão se consolidar nessa nova realidade, reforçando o tripé cidades inteligentes, construções sustentáveis e energias renováveis”, afirma.
Construtechs terão papel importante no desenvolvimento de novas soluções para as cidades
Outra percepção da especialista é que as construtechs - startups da construção civil - terão papel importante no desenvolvimento de novas soluções para o setor. O Brasil fechou 2019 com mais de 500 construtechs em atividade no país. A proliferação se deve por que elas têm foco em um dos pontos nevrálgicos da construção civil: a produtividade. Atualmente, essas empresas atuam em parceria com as construtoras tradicionais e se concentram em 12 áreas: gestão de canteiros de obra, aluguel de equipamentos, contratação de mão de obra, compra e venda de imóveis, orçamento de obras, compra e gestão de suprimentos, gestão do canteiro, gerenciamento de resíduos, segurança do trabalho, maquetes interativas e modelos 3D imersivos, reformas e decoração de interiores e prospecção de terrenos e lotes. “O momento é de reinvenção e as construtechs podem ajudar muito nesse processo”, finaliza Daniella Abreu.
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Reportagem com base no webnar “Cidades após o Coronavírus”, com a engenheira civil e Ph.D em sustentabilidade Daniella Abreu
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Como fica o Minha Casa Minha Vida em tempos de Coronavírus?

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A análise de incorporadoras, construtoras e organismos de classe da construção civil é que a habitação de interesse social sairá fortalecida no pós-pandemia, o que provocará alterações no Minha Casa Minha Vida. O programa, que até então se mostrou virtuoso para as faixas 2 e 3, atendendo principalmente a classe C, deverá se voltar mais fortemente para as faixas 1 e 1,5 (renda familiar entre 1,8 mil reais e 2,6 mil reais). A avaliação conta com o aval de Carlos Henrique de Oliveira Passos, presidente da comissão de habitação de interesse social da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção).
Em webnar promovido pelo SindusCon-PR, o dirigente avalia como ficará o mercado imobiliário a partir de agora. “O mercado sairá mais pobre e menor após essa crise. Isso vai impulsionar quem trabalhar com habitação de interesse social. Afinal, a constatação é que a infraestrutura de moradia protege de doenças e de epidemias. Então, o desafio será buscar produtos que, cada vez mais, possam caber no bolso das pessoas. Isso vai requerer investimento em tecnologia e industrialização”, diz.
Para Carlos Henrique de Oliveira Passos, também será importante baratear o processo de venda, com a assinatura eletrônica dos contratos. “São soluções que diminuem a burocracia e o custo”, afirma. O representante da CBIC também expôs estudos que estão tramitando no governo federal para mudanças no MCMV, mas que, em função da decretação do estado de calamidade pública, estão represados no ministério de Desenvolvimento Social. Algumas dessas propostas são da própria CBIC.
Até que a pandemia seja superada, prevalecem as regras estabelecidas em 2009
De acordo com Carlos Henrique de Oliveira Passos, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção sugeriu que houvesse um programa exclusivo para a habitação de interesse social. “O nome pouco importa, mas propusemos que poderia se chamar Moradia Digna. O que ficou claro é que o ministério de Desenvolvimento Social, a partir da gestão do ministro Rogério Marinho, pode atender essas reivindicações. Por dois motivos: a necessidade de tirar a população de baixa renda das áreas de risco ou degradadas e também por que a construção civil pode gerar empregos rapidamente”, afirma Passos.
Outra solução em estudo pelo governo federal seria reformar o Minha Casa Minha Vida, sem criar um programa paralelo de habitação. Porém, a pandemia adiou esses planos. Antes das consequências causadas pela chegada do Coronavírus ao Brasil, o ministério do Desenvolvimento Regional traçava um plano bem diferente para o MCMV. Agora, as regras estabelecidas na criação do programa, em 2009, seguem mantidas. Ou seja, para famílias com renda de R$ 1,8 mil (faixa 1), o subsídio é correspondente a quase 100% do valor do imóvel e é bancado pela União. Para outras faixas (1,5; 2 e 3), é oferecido financiamento com um desconto menor e o desconto é pago pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e pela União.
Assista ao webnar completo do SindusCon-PR
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Reportagem com base no webnar “O programa Minha Casa Minha Vida em tempos de pandemia”
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QR Code: nunca a construção civil precisou tanto dele

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O QR Code (Quick Response Code), ou código de resposta rápida, surge como o novo parceiro da construção civil em tempos de Coronavírus. A tecnologia se torna essencial, principalmente nos canteiros de obras. Com ela, é possível verificar quando o colaborador precisa de treinamento e se ele está seguindo os protocolos de segurança e de saúde no local de trabalho.
“Esta é realmente uma solução inovadora para garantir que a equipe seja treinada e certificada adequadamente para as funções que desempenha em um canteiro. Basta escanear a etiqueta de QR Code no capacete ou na roupa do trabalhador para saber qual função ele executa na obra, se está apto e se seus testes de saúde estão em dia”, diz a desenvolvedora de sistemas Sarah Persad.
A especialista britânica fala de uma tecnologia que recentemente tornou-se imprescindível em outros países, por causa da pandemia de Coronavírus. Com o distanciamento social, a ferramenta possibilita fazer uma série de checagens dos trabalhadores sem que haja contato físico. Além do Reino Unido, China, União Europeia, Índia, países árabes, Austrália, Estados Unidos e Canadá também intensificaram seu uso na construção civil.
Um exemplo australiano mostra bem a eficácia do QR Code. A Master Builders Association of Victoria (Associação de construtores-mestres de Vitória) fez parceria com as construtoras locais e espalhou etiquetas inteligentes nos canteiros de obras. Quando o trabalhador decifra o código com seu smartphone tem acesso a vídeos educativos sobre como se proteger da Covid-19.
Ferramenta também é útil para compartilhar projetos no canteiro de obras
Mas não é apenas pela questão sanitária e de segurança que o QR Code prolifera nos canteiros de obras. A ferramenta também é útil para compartilhar projetos. Através dos códigos espalhados pela construção, todos os que atuam no empreendimento podem saber se houve alterações nas plantas. Isso repele eventuais erros e evita o retrabalho, o que dá ganho de produtividade para a obra.
Além disso, o QR Code revela-se igualmente útil para disseminar manuais de instrução, para controlar o uso de equipamentos e para delimitar áreas de atuação dos operários. A aplicação da ferramenta se mostra tão positiva que desde 2011 o código de construção da cidade de Nova York-EUA só libera licenças para a execução de projetos se houver QR Code nos canteiros de obras e nos EPIs dos trabalhadores.
No Brasil, a construtech ConstruCODE desenvolveu app que realiza a conversão automática de projetos em QR Code. O CEO da startup, o engenheiro civil Diego Mendes, explica que, entre as vantagens do aplicativo, está a de mitigar dúvidas construtivas e comunicar alterações de projeto de forma dinâmica. “Quando a obra é concebida dentro da ferramenta BIM, as alterações são transmitidas ao canteiro em tempo real”, diz.
Outra aplicação do QR Code é que ele permite que o comprador de um imóvel na planta tenha acesso ao andamento da obra. A construtora disponibiliza um código que abre imagens filmadas por drones no smartphone ou no computador do cliente. A ferramenta ainda possibilita ações de marketing do empreendimento.
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Reportagem com base em levantamento do site britânico The Construction Index e do desenvolvedor ConstruCODE
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Construção civil será a alavanca do país no pós-pandemia

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O presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), José Carlos Martins, entende que a construção civil será a principal alavanca para que o país consiga retomar o ritmo econômico de antes da pandemia de Coronavírus. O dirigente declarou em webnar que o enfrentamento da crise é similar ao que se faz quando se encerra uma guerra. “Após uma guerra, se sai reconstruindo”, diz.
Martins também destaca que a construção civil é o único setor com capilaridade para movimentar os outros segmentos da economia brasileira no pós-pandemia. “A construção civil impacta diretamente 62 setores das áreas industrial e comercial e mais 35 setores de serviço. São 97 torneiras que são abastecidas quando se enche essa caixa d’água. Não há como irrigar a economia sem a construção civil”, compara.
Em sua análise, o presidente da CBIC avalia que a falta de crédito é o único gargalo que pode impedir a construção civil de se tornar o principal agente da retomada econômica. “A maior parte das construtoras está encontrando dificuldades para obter crédito. A situação mais complicada envolve as médias construtoras, já que o governo abriu linha de crédito para as pequenas empresas (lucro anual até 10 milhões de reais) e as grandes captaram na bolsa e estão capitalizadas. Então, é nesse segmento das médias que o financiamento está complicado”, afirma.
Para amenizar esse impacto, CBIC e ABRAINC (Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias) lançaram a campanha Vem Morar, onde construtoras e incorporadoras de todos os portes darão desconto mínimo de 3 mil reais sobre o valor de suas unidades. A iniciativa terá duração inicial de 60 dias e será de alcance nacional. Ao comprador que adquirir imóvel de uma empresa que aderir à campanha, ele ainda terá a condição especial de 180 dias para pagar a primeira parcela. “Não tem forma de sair dessa crise que não seja via investimento”, destaca José Carlos Martins.
Com crédito, instabilidade no setor imobiliário será de curto prazo
Para o economista Luís Artur Nogueira, desde que se resolva a situação do crédito, a instabilidade para o segmento imobiliário da construção civil deverá ser de curta duração. “De fato, a incerteza paralisa novos investimentos e atrasa as obras. Haverá uma reavaliação por parte das construtoras e incorporadoras sobre novos lançamentos, mas acredito que a vida volta ao normal a partir do segundo semestre”, estima.
O analista entende, porém, que o grande impulso para a retomada do crescimento econômico do país virá das obras de infraestrutura. Para isso, ressalta, é preciso fortalecer os investimentos públicos e superar desafios, como a oscilação cambial, que gera incerteza tanto para os investimentos estrangeiros como para a cadeia produtiva. “O investimento em infraestrutura é uma das saídas, pois já existe a percepção do governo de que se não houver o aporte público não terá o do privado”, avalia.
De acordo com o economista, a velocidade de recuperação também dependerá da capacidade do governo em salvar empresas e trabalhos. “Não haverá recuperação econômica se quebrar o setor produtivo ou os consumidores”, ressalta. Nogueira finaliza com estimativas para a economia brasileira em 2020. A previsão é de encolhimento entre 2% e 6% no Produto Interno Bruto (PIB), inflação de 2,5% e taxa básica de juros na ordem de 3% ao ano. O desemprego saltaria dos atuais 11% para 15%. Já a balança comercial ficaria positiva, com um superávit entre 30 bilhões e 50 bilhões de reais.
Assista ao webnar “Covid-19 interrompe voo da construção civil?”
Assista ao webnar “Impactos e perspectivas pós-Coronavírus”
Entrevistado
Reportagem com base nos web seminários “Covid-19 interrompe voo da construção civil?”, com participação do presidente da CBIC, José Carlos Martins, e “Impactos e perspectivas pós-Coronavírus”, com o economista Luís Artur Nogueira.
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Mesmo na pandemia, normas técnicas seguem atualizadas

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Apesar das consequências da pandemia de Coronavírus - entre elas, o isolamento social -, os comitês da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) não param. Através de reuniões online, as normas técnicas seguem em processo de atualização e publicadas após os trâmites legais. Neste período, um dos mais atuantes tem sido o CB-018 - Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados. No final de março de 2020, o comitê publicou a nova versão da ABNT NBR 8451, dividida em 6 partes, e que trata da padronização de postes de concreto armado e protendido para redes de distribuição de energia elétrica.
Mais recentemente, o CB-018 publicou também a ABNT NBR 16846:2020 (Cimento Portland e outros materiais em pó - Determinação da cor e da diferença de cor por medida instrumental). Estão em fase de consulta as ABNT NBR 16886 (Concreto - Amostragem de concreto fresco) e ABNT NBR 16889 (Concreto - Determinação da consistência pelo abatimento do tronco de cone). Também no fim de abril aconteceu reunião online do comitê para dar prosseguimento à revisão da ABNT NBR 7212 (Concreto dosado em central), que em 2020 é uma das mais aguardadas pelo setor.
O presidente da ABESC (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem), Jairo Abud, que integra o grupo que revisa a ABNT 7212, comenta o motivo da nova revisão da norma técnica. “A norma técnica tem que se modernizar. Por exemplo, já existem equipamentos que durante o transporte do concreto permitem medir o slump (consistência) do material. Isso dá maior produtividade, e é preciso prever essa modernidade dentro da norma. Por outro lado, o novo texto da NBR ABNT 7212 precisa ter o consenso entre construtores, fabricantes de aditivos e concreteiros. Todos os agentes precisam estar em comum acordo para que tenhamos as melhores práticas possíveis. Por isso, esse processo de revisão é demorado”, explica.
Oitenta normas técnicas estão no CB-018 para serem revisadas, publicadas e criadas
Além da ABNT NBR 7212, outras normas não diretamente ligadas ao CB-018, mas vinculadas à construção civil, estão em processo de revisão ou consulta pública. Entre elas, Norma de Desempenho (ABNT NBR 15575); ABNT NBR 16868-1 Alvenaria estrutural - Parte 1: Projeto; ABNT NBR 16868-2 Alvenaria estrutural - Execução de controle de obras; ABNT NBR 16868-3 Alvenaria estrutural - Métodos de ensaio; ABNT NBR 8545 - Execução de Alvenaria sem Função Estrutural de Tijolos e Blocos Cerâmicos - Procedimento; ABNT NBR 10151 - Acústica - Medição e avaliação de níveis de pressão sonora em áreas habitadas - Aplicação de uso geral; ABNT NBR 10152:2017 - Acústica - Níveis de pressão sonora em ambientes internos a edificações (Errata); ABNT NBR 13752 - Perícias de Engenharia na Construção Civil, e ABNT NBR 14931 - Execução de Estruturas de Concreto.
No escopo do CB-018, em maio serão analisadas outras 3 normas que estão em processo de consulta: ABNT NBR 16886 - Amostragem de concreto fresco; ABNT NBR 16889 - Determinação da consistência pelo abatimento do tronco de cone, e ABNT NBR 16887 - Determinação do teor de ar em concreto fresco - Método pressométrico. Em agosto de 2019, a superintendente do comitê, a engenheira civil Inês Battagin, fez um resumo do volume de normas técnicas que estavam na fila para serem confirmadas, revisadas, publicadas e criadas. Tratava-se de 80 ao todo.
Veja as normas que estão a cargo do CB-018 (Cimento, Concreto e Agregados)
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Baixíssimo índice de contaminação nos canteiros de obras

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Segurança no trabalho é lei dentro da construção civil. A presença de trabalhadores no canteiro só é permitida mediante o uso adequado de equipamentos individuais de proteção (EPIs). Objetos como máscara, luvas, óculos de segurança e capacete não são novidades para quem atua em obras. Por isso, em tempos de quarentena por causa da pandemia de Coronavírus, o trabalhador da construção sai na frente no que se refere à proteção contra a COVID-19.
Uma série de regras ainda mais rigorosas tem possibilitado um baixíssimo índice de contaminação no setor. Estima-se que esteja inferior a 0,01% entre todos os que operam em canteiros de obras no país. O percentual está bem abaixo da taxa de contaminação da população brasileira registrada pelo ministério da Saúde, que é de 0,03% em um universo de 211 milhões de habitantes.
É esse centesimal risco de contágio que permite que os canteiros de obras continuem operando no país, com raras exceções. Além disso, atualmente todos os organismos de classe ligados à construção civil reforçaram seus protocolos de segurança e emitiram cartilhas para orientar o trabalho nos locais de obra. “Segurança do trabalho virou algo que o construtor dá muito valor. Introduzir as exigências que a pandemia trouxe foi fácil para o setor”, diz Odair Senra, presidente do SindusCon-SP.
“Nossa atividade já ajuda muito na proteção contra a contaminação. É um tipo de trabalho em ambiente arejado e com os colaboradores atuando sem aglomeração, o que dá vantagens de combate à pandemia”, completa José Carlos Martins, presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção).
Construção civil concentra esforços em campanhas de conscientização, palestras e treinamento
Para reforçar a proteção aos trabalhadores, os organismos de segurança e saúde no trabalho têm realizado blitze em canteiros de obras. Um exemplo ocorre na Bahia, onde o SindusCon local e o SESI inspecionaram 25 construções em execução em Salvador-BA e região metropolitana no dia 24 de abril. Até o final do mês, mais 66 canteiros serão visitados em todo o estado baiano.
O procedimento de inspeção também é seguido pelas construtoras, que, além do investimento em equipamentos de higienização e de proteção, também têm concentrado esforços em campanhas de conscientização, palestras e treinamento. “A palavra de ordem é treinamento para o pessoal do canteiro de obras. O trabalhador tem que estar consciente de que não deve se expor”, comenta o presidente da CPRT (comissão de política e relações do trabalho) do SindusCon-PR, Rodrigo Fernandes.
Já o advogado Fernando Guedes, presidente da comissão de política de relações trabalhistas da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CPRT/CBIC), reforça a importância das normas de proteção à saúde no canteiro de obras. “Diria para os donos de construtoras: adotem as medidas. É a forma de sua empresa continuar operando. Não basta apenas dizer que comprou máscara para os trabalhadores, e que está tudo resolvido. A prioridade é preservar a saúde, sem prejudicar o trabalho”, complementa.
Informe-se com a cartilha da CBIC sobre proteção no canteiro de obras
Veja como proteger a saúde do trabalhador da construção civil
Assista ao webnar “COVID-19: Saúde, Segurança do Trabalho e Aspectos Trabalhistas”
Entrevistado
Reportagem com base nas informações apresentadas no webnar “COVID-19: Saúde, Segurança do Trabalho e Aspectos Trabalhistas”, do SindusCon-PR
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Depois da COVID-19, quais projetos terão prioridade?

Crédito: Agência Andina
O Banco Mundial destacou um grupo de engenheiros civis e arquitetos para mapear projetos que terão prioridade no mundo após o fim da pandemia de Coronavírus. O objetivo é criar linhas de crédito que reaqueçam a atividade econômica através de obras públicas. O estudo ainda está em fase de elaboração, mas já é possível detectar que as construções sustentáveis terão prioridade para a liberação de recursos. Entre elas, destacam-se as que propiciam eficiência energética às edificações, as que geram energia renovável, as que preservam áreas naturais, as que recuperam áreas poluídas, as voltadas para tratamento de água e saneamento básico e as que criam infraestrutura para transporte público.
O grupo de estudo do Banco Mundial tem à frente dois economistas: Stéphane Hallegatte, economista-líder da instituição, e Stephen Hammer, assessor para parcerias globais e de estratégia. “Agora é hora de identificar o melhor pacote de estímulo, desenvolvendo projetos prontos para serem implementados, dentro de políticas possíveis”, afirma Hallegate, que completa: “Podemos financiar projetos já prontos e maduros para saírem do papel, e que os governos só estejam precisando de um impulso financeiro para viabilizá-los. Como exemplos, cito corredores de ônibus, ciclovias e expansão dos serviços de distribuição de água e esgoto, além de sistemas de transmissão e distribuição de eletricidade.”
Brasil se antecipa e cria programa Pró-Brasil para destravar obras de execução rápida
O Banco Mundial defende que o estímulo deve ser dado aos projetos que aproveitem a mão de obra local, gerando emprego aos que ficaram sem trabalho durante a pandemia. Para Stephen Hammer, grandes projetos de infraestrutura não entrariam no rol do Banco Mundial na primeira etapa do plano de obras pós-COVID -19. “Projetos de infraestrutura ambiciosos em energia, transporte, água ou desenvolvimento urbano geralmente são difíceis de incluir em um estímulo rápido, porque levam muito tempo para serem preparados. Mas a natureza única dessa crise pode dar tempo para construir um pipeline de infraestrutura sustentável para quando a crise passar”, diz.
Com o objetivo de poder captar parte dos recursos que o Banco Mundial irá disponibilizar em suas linhas de crédito para obras, o governo federal lançou recentemente o programa Pró-Brasil. O plano ainda está em gestação e deve ser lançado integralmente em outubro de 2020. No entanto, uma das metas é reativar obras paralisadas, que, segundo a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), chegam a 4,7 mil em todo o país. Boa parte delas tem execução rápida, como creches, pré-escolas, escolas, unidades de saúde e saneamento básico. O custo dessas obras está estimado em 30 bilhões de reais. Já os grandes projetos de infraestrutura, como portos, ferrovias, rodovias, aeroportos e hidrovias, envolveriam 250 bilhões de reais, mas dependeriam do programa de concessões que deve ser anunciado em 2021, com duração até 2030.
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Banco Mundial e ministério do Desenvolvimento Regional (via assessoria de imprensa)
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Sobrevivência de pequenos e médios negócios: como fazer?

Crédito: Banco de Imagens
Esforço financeiro, planejamento e negociação estão entre as diretrizes recomendadas aos donos de pequenos e médios negócios da construção civil em tempos de Covid-19 e isolamento social. Preocupados com o segmento que envolve o varejo de materiais de construção, fabricantes de artefatos de concreto e pequenas construtoras, Sebrae, ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) e SNIC (Sindicato nacional da Indústria do Cimento) reuniram um grupo de consultores para aconselhar os empreendedores a buscarem saídas e manter seus negócios ativos, além de prepará-los para o período pós-pandemia.
Uma das propostas é que os donos dos negócios procurem rever suas projeções para o ano de 2020, enquadrando-se dentro de uma nova realidade. “O primeiro passo é olhar para as finanças da empresa. Como fazer isso? Elencar todas as contas e fazer as projeções até o final do ano. Em seguida, cortar todas as despesas possíveis. Onde puder cortar, corte. Faça um replanejamento financeiro. Identifique o custo mínimo para manter a empresa operando neste momento”, recomenda o analista-técnico do Sebrae-MG, Jefferson Dias Santos.
Após saber o que cortar, a recomendação do consultor é que o pequeno e médio empresário abra negociação com credores e fornecedores. “A questão é manter a liquidez. Um exemplo: renegociar valor do aluguel com o dono do imóvel onde está a empresa. Projete o fluxo de caixa dentro da nova realidade e verifique qual o capital de giro para operar, dentro de uma realidade mínima para manter a empresa ativa. Para chegar a esse valor, será necessário negociar taxas, prazos e carências”, reforça Jefferson Santos.
Linhas de crédito em instituições financeiras: veja dicas do Sebrae
1. Muitos bancos já tomaram a iniciativa de prorrogar automaticamente por 60 ou 90 dias os contratos vigentes dos clientes. Outros estão entrando em contato para negociar novos prazos das dívidas. Converse com o seu banco e analise a situação.
2. Avalie bem se estiver pensando em demitir, pois demissão inclui custos na rescisão e, quando a economia voltar à normalidade, provavelmente terá um novo custo para contratar. Verifique as condições da linha de crédito exclusiva para folha de pagamento anunciada pelo governo federal.
3. Se fizer um comparativo entre duas linhas de crédito semelhantes e ficar na dúvida, avalie cada parâmetro (prazo, carência, garantias exigidas) e, caso as condições sejam semelhantes, escolha a com menores juros.
4. Não deixe de levar em consideração o momento pós-Coronavírus. Dependendo do seu ramo de atividade, poderá levar um pouco mais de tempo para retomar o seu negócio ao patamar anterior. Então, o prazo de carência oferecido pelas instituições financeiras deve ser muito bem avaliado na hora de escolher entre uma ou outra oferta.
Também é recomendado que os empresários procurem o apoio de organismos associativos para se informar sobre questões trabalhistas, tributárias e esclarecer dúvidas. Outra importante sugestão é que o empreendedor mantenha foco no futuro e planeje o retorno das operações quando os negócios voltarem ao ritmo normal. “É preciso pensar no pós-crise. Por isso, mantenha-se conectado com os clientes”, finaliza o consultor do Sebrae.
Assista ao webinar “Construção civil em tempos de Coronavírus: como a sua empresa deve agir?”
Assista ao vídeo do Sebrae “Como reduzir os impactos da crise nos pequenos negócios: finanças, crédito e legislação trabalhista”
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Reportagem com base no webinar “Construção civil em tempos de Coronavírus: como a sua empresa deve agir?” e no vídeo do Sebrae “Como reduzir os impactos da crise nos pequenos negócios: finanças, crédito e legislação trabalhista”
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Construção civil retrai fortemente no 1º mês da pandemia
Associações como Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção) e Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção ) começam a revelar os impactos que o primeiro mês da pandemia de Coronavírus causou na indústria e no varejo de materiais da construção. No Brasil, o mês de março foi de forte retração. Como consequência da crise, 8% das indústrias do setor interromperam a produção em sua totalidade, enquanto 17% suspenderam em mais de 50%. Outros 25% reduziram entre 31% e 50% a produção e 50% operaram no modo "slow down" (redução de até 30%).
No varejo, as lojas de materiais de construção acusaram queda de 54% nas vendas, em março. Por outro lado, os estabelecimentos que já operavam com venda online (e-commerce) registraram queda de “apenas” 8% no volume de vendas, na comparação com fevereiro. Parte da queda acentuada no volume de negócios se deve às reações de prefeituras e governos estaduais, que, primeiramente, determinaram o fechamento do comércio de materiais de construção. Em abril, a reabertura foi concedida pela maioria das cidades e a expectativa é que o mês feche com resultados menos negativos.
Dados do Sebrae mostram que 70% das lojas que compõem o varejo de material de construção no país são de pequeno porte. Por isso, na média, elas possuem capital de giro para operar no máximo 27 dias, o que explica o fato de que muitas iniciaram o mês de abril já em situação crítica. Números da Fecomercio e do Sincomavi (Sindicato do Comércio Varejista de Material de Construção) reforçam a queda detectada pelo Sebrae. “Ainda estamos avaliando o tamanho do problema. Em março, houve redução de 60% no faturamento nominal do varejo sobre fevereiro”, diz Jaime Vasconcelos, economista da Fecomércio-SP e assessor econômico do Sincomavi-SP.
Momento é de cooperação e ação entre os vários setores da economia
No lado industrial do setor, a Abramat aponta que 66% de seus associados detectaram que o resultado das vendas de março foi pior que o esperado. Para 17% ficou acima e para outros 17% em linha. Segundo Rodrigo Navarro, presidente-executivo da Abramat, o momento é de cooperação e ação. "Outros setores da economia vêm apresentando propostas em sinergia com o que a construção civil também está precisando. É hora de trabalharmos em conjunto para, de forma criativa e proativa, chegarmos a respostas efetivas para esse momento e, na sequência, à retomada pós-crise", avalia.
Projetando o impacto da pandemia no faturamento das empresas, Abramat e Anamaco estimam que 58% delas terão redução entre 20% e 40% no segundo trimestre de 2020 (abril, maio e junho). Para o ano, 8% seguem otimistas, acreditando que seus números serão melhores que os de 2019. Já 42% têm a expectativa de obter resultados similares aos do ano passado, enquanto 50% avaliam que terão um decréscimo que pode variar de 11% a 30% na comparação com 2019. Antes da crise desencadeada pela Covid-19, os números de janeiro e fevereiro sinalizavam que 2020 poderia resgatar percentuais de crescimento semelhantes aos de 2013, quando o varejo da construção civil elevou suas vendas em 6,9%, de acordo com o IBGE.
Entrevistado
Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção) e Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção) (via assessorias de imprensa)
Contato
abramat@abramat.org.br
press@anamaco.com.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330









