Trinta anos depois, Exército volta a construir ferrovias

Crédito: Agência Brasil
A entrada do Exército brasileiro em um trecho da FIOL (Ferrovia de Integração Oeste-Leste) marca o reencontro da engenharia militar com obras para o tráfego de trens, após 30 anos. Desde 1990, quando participou da construção da Ferroeste, no Paraná, o Exército não atuava em projetos ferroviários. “A mesma competência que tivemos com a participação do Exército nas obras da BR-163 estamos trazendo para a Ferrovia Oeste-Leste”, comemora o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas.
A participação da engenharia militar será no trecho entre Bom Jesus da Lapa e São Desidério, ambos municípios baianos. O comando das obras estará a cargo do 4º Batalhão de Engenharia de Construção (4º BEC), de Barreiras-BA, e do 2º Batalhão Ferroviário, de Araguari-MG. Segundo o ministro, a entrada do Exército busca dar agilidade à obra, a fim de que seu cronograma seja cumprido. “Planejamos trazer o Exército para dar impulso à FIOL e poder finalizá-la até 2022”, afirma.
A FIOL está dividida em 3 trechos. O 1º será concedido à iniciativa privada, através de concessão a ser definida até o final de 2020; o 2º está em construção e percorrerá 485,4 quilômetros, com execução liderada pela Valec e investimento de 3 bilhões de reais, e o 3º ligará a FIOL à ferrovia Norte-Sul, no Tocantins. O corredor ferroviário, que está com 39% de suas obras concluídas, é estratégico para escoar a produção agrícola, alcooleira e mineral das regiões nordeste e norte do país para os portos de Ilhéus, na Bahia, e Itaqui, no Maranhão.
O projeto da FIOL prevê 1.527 quilômetros de extensão. Seu traçado passará por 64 municípios, dos quais 46 somente na Bahia. A construção da ferrovia exigiu que fosse montada em São Desidério-BA uma fábrica para a produção de dormentes de concreto protendido. Por se tratar de uma ferrovia exclusivamente para o transporte de carga, exige-se que o espaçamento entre os dormentes seja de 62,5 centímetros, ou seja, a cada quilômetro a ferrovia consome 1.600 dormentes.
Plano do governo federal é investir 30 bilhões de reais em ferrovias
De acordo com o ministério da Infraestrutura, o plano é investir 30 bilhões de reais em ferrovias, atraindo principalmente o setor privado. O primeiro contrato de concessão foi assinado em 2019, e envolve a Ferrovia Norte-Sul, no trecho entre Porto Nacional-TO e Estrela D'Oeste-SP. Em 2020, além da FIOL, está prevista também a concessão da Ferrogrão, projeto com origem em Cuiabá-MT e término em Santarém-PA. O objetivo é aumentar a malha ferroviária, que segundo estudo da Fundação Dom Cabral, responde por apenas 5,4% do escoamento da produção do país.
Independentemente dos trechos a serem colocados para concessão, a engenharia militar tende a ser parceira em várias das obras futuras. Recentemente, o governo do Paraná e o Exército abriram negociações para atuar na construção do ramal ferroviário entre Cascavel-PR e Foz do Iguaçu-PR, que vai unir a Ferroeste à futura Nova Ferrovia - obra com 1.370 quilômetros, entre o porto de Paranaguá e Maracaju, no Mato Grosso do Sul. Esse projeto também tem o interesse do grupo RZD International, que opera no sistema ferroviário da Rússia.
Confira o mapa ferroviário do Brasil (amplie imagem para ver detalhadamente)

Assista ao vídeo das obras da FIOL
Entrevistado
Ministério da Infraestrutura (via assessoria de imprensa)
Contato
aescom@infraestrutura.gov.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Pandemia é janela de oportunidades para engenheiros civis

Crédito: Banco de Imagens
Em webinar promovido pelo Instituto de Engenharia, a psicóloga Cynthia Mastropacha sinaliza caminhos para que os profissionais da engenharia civil enxerguem na pandemia de COVID-19 “janelas de oportunidades”, a fim de abrirem novos caminhos profissionais e se reinventarem dentro da atividade. Na palestra, intitulada “Como se preparar para um novo normal profissional”, a especialista, que também exerce a função de coach de carreira, cita que o primeiro passo é se relacionar de forma diferente com a tecnologia.
“O mundo está online e todos os setores precisam diminuir a resistência e se adaptar às mudanças que se impõem. Um exemplo: antes da pandemia, as empresas tinham resistência ao home office. Hoje, todos já percebem que esse modo de trabalho remoto veio para ficar. Ou seja, paradigmas estão se renovando, tanto para as empresas como para os colaboradores e a sociedade em geral. Tudo mudou. De hábitos de consumo, a negócios, estudos, trabalho, saúde, higiene, religião, lazer, relacionamentos e ações de solidariedade”, diz.
Sobre a engenharia e suas ramificações, a coach avalia que a pós-pandemia deve gerar alternativas novas de atuação dentro da carreira. “É importante mapear oportunidades profissionais, pois novos modelos de atuação devem surgir dentro da carreira com a pós-pandemia. Por isso, é necessário buscar a inovação, pois a imprevisibilidade do momento requer repensar os formatos atualmente em prática. Consequentemente, o novo normal profissional vai mudar o comportamento do mundo corporativo”, avalia.
Empresas também serão desafiadas a oferecer oportunidades a jovens engenheiros
Dentro da palestra, Cynthia Mastropacha realça qual o perfil dos que podem aproveitar as janelas de oportunidade. “Vai se destacar o profissional que sabe se autogerenciar. Por outro lado, estará ainda mais valorizado o trabalho em equipe”, afirma. A psicóloga ressalta também que os desafios estão colocados e que, nesse ambiente, os engenheiros civis e os demais profissionais de engenharia são peças importantes no mercado de trabalho para encontrar novas soluções.
A especialista vê mais um ponto a favor dos engenheiros com as mudanças causadas pela COVID-19. “Nas empresas, o foco será em resultados e não em controle de tarefas. Enfim, novas regras, novas formas de trabalhar e um novo mundo corporativo vão surgir a partir dessa pandemia. Por isso, os engenheiros terão papel importante. O profissional da engenharia tem um olhar mais flexível, mais resiliente e mais adaptativo, além de uma mentalidade de solução que o momento atual exige”, comenta.
Perguntada se os jovens profissionais que estão entrando no mercado de trabalho encontrarão mais ou menos oportunidades na nova realidade, Cynthia Mastropacha entende que isso vai depender das empresas conseguirem desenvolver departamentos de RH mais estratégicos. “Já vejo isso em startups e nas corporações que atuam em novos negócios. A empresa é um ecossistema e a oferta de novas oportunidades gera um círculo virtuoso para a própria companhia”, conclui.
Assista ao webinar “Como se preparar para um novo normal profissional”
Entrevistado
Reportagem com base no webinar “Como se preparar para um novo normal profissional”, concedido pela coach Cynthia Mastropacha ao Instituto de Engenharia
Contato
atendimento@iengenharia.org.br
www.cynthiamcoach.com.br
www.youtube.com/channel/UCso5RlWuTdPJ1M7JYKUUaUA/videos
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
COVID-19 levará construção sustentável a novo patamar

Crédito: Banco de Imagens
Já é certo que a pandemia de COVID-19 afetou o dia a dia, os hábitos da sociedade e as relações sociais e profissionais. Da mesma forma, as construções sustentáveis também vão sentir as mudanças. Especialistas do setor avaliam que as certificações ficarão mais rigorosas e ganharão novos critérios. Aspectos como qualidade interna do ar, conforto, biofilia (equilíbrio entre área construída e área verde), ventilação e iluminação natural, entre outras práticas que promovem a saúde e a qualidade de vida de quem ocupa uma edificação, sairão valorizados na pós-pandemia.
Deverá ocorrer também um novo olhar para as certificações. Para Maíra Macedo, gerente de projetos e certificações do Green Building Council Brasil, os selos que abrangem residências tendem a se valorizar. Entre eles, o GBC CASA & Condomínio, que tem como objetivo questões de conforto, saúde e bem-estar dos moradores. "A casa agora monopoliza todas as atividades do indivíduo e de sua família, ou seja, trabalho, refeições, lazer e descanso. Mais do que nunca, a residência passou a ter uma importância vital em nosso dia a dia", destaca.
É previsto que o mercado de green buildings ganhará um novo patamar. Também é esperado que as exigências para que os prédios verdes mantenham seus certificados sejam revistas, preveem os especialistas. Para Marcos Bensoussan, diretor da divisão latino-americana da NSF International - organização norte-americana de teste, inspeção e certificação de produtos -, o rigor será maior para evitar a proliferação da síndrome dos edifícios doentes. “Os prédios estão vazios ou com atividades reduzidas, mas os sistemas hídricos e de ar-condicionado continuam lá, com águas paradas em seus encanamentos e acumulando poeira, podendo proliferar vírus e bactérias”, alerta.
Projetos residenciais, corporativos e de mobilidade urbana também terão um “novo normal”
Os especialistas em construções sustentáveis entendem que as escolas serão igualmente atingidas pelas mudanças que virão na pós-pandemia. As análises fazem parte do relatório do World Green Building Council (WorldGBC). Segundo o documento, a partir da nova realidade imposta pelo Coronavírus os edifícios escolares deverão buscar a excelência em itens como qualidade do ar, iluminação, temperatura e acústica. “São melhorias sustentáveis que não só ajudam a preservar a saúde como auxiliam alunos a alcançarem todo o seu potencial”, diz trecho do documento.
Da mesma forma, engenheiros civis e arquitetos que atuam no segmento da construção sustentável avaliam que as cidades também serão impactadas pelo “novo normal”. Além dos projetos residenciais e corporativos, os processos construtivos e a mobilidade urbana serão revistos em uma série de pontos. Para os analistas, o momento é de reinvenção e duas palavras devem balizar o ambiente construído a partir de agora: saúde e bem-estar.
Acesse a série de palestras no canal do Green Building Council Brasil
Entrevistado
Reportagem com base na série de palestras concedidas ao Green Building Council Brasil, sobre o impacto da pandemia na construção sustentável.
Contato
contato@gbcbrasil.org.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
ABNT se abre às reuniões digitais para normas técnicas

Crédito: ABNT
O distanciamento social não paralisou a produção e a revisão de normas técnicas. Pelo contrário, os efeitos da COVID-19 aceleraram processos dentro dos comitês e das comissões de estudo da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) graças às reuniões digitais. Tanto o novo presidente da ABNT, o engenheiro civil Mario William Esper, como a nova superintendente do Comitê Brasileiro da Construção Civil (CB-002), a engenheira civil Lilian Sarrouf, passaram a apoiar o uso da tecnologia online. Para eles, os debates via web “agilizam os processos de normalização”.
Um dos comitês da ABNT que primeiro aderiram às reuniões via web foi o CB-018 (Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados). Durante o início da pandemia de Coronavírus no Brasil, o grupo que atua na revisão da ABNT NBR 7212 (Concreto dosado em central) se encontrou virtualmente para dar prosseguimento aos trabalhos. A própria superintendente do comitê, a engenheira civil Inês Battagin, é incentivadora do uso da tecnologia. Trata-se de uma forma para dar celeridade aos 40 projetos de normas técnicas que aguardam para serem revisadas, publicadas e criadas, e que estão sob a guarda do CB-018.
Em junho de 2020, o Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados vai se encontrar 4 vezes através de reuniões à distância, para tratar das seguintes normas técnicas: ABNT NBR 7212 (Execução de concreto dosado em central - Procedimento); ABNT NBR NM 124 (Cimento e Clínquer - Análise química - Determinação dos óxidos de Ti, P e Mn) e ABNT NBR NM 14 (Cimento Portland - Análise química - Método de arbitragem para determinação de dióxido de silício, óxido férrico, óxido de alumínio, óxido de cálcio e óxido de magnésio); ABNT NBR 15498 (Placa de fibrocimento sem amianto - Requisitos e métodos de ensaio); ABNT NBR 16886 (Concreto - Amostragem de concreto fresco); ABNT NBR 16887 (Concreto - Determinação do teor de ar em concreto fresco - Método pressométrico), e ABNT NBR 16889 (Concreto - Determinação da consistência pelo abatimento do tronco de cone).
Web é ferramenta para atualizar normalização defasada da construção civil
Recentemente, em webinar promovido pelo SindusCon-PR, o líder do Gant (Grupo de Acompanhamento de Normas Técnicas), Roberto Matozinhos, afirmou que a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) também tem incentivado as reuniões online, inclusive auxiliando os comitês para que tenham acesso às tecnologias disponíveis na web. “Os encontros online tendem a ser o ‘novo normal’ na pós-pandemia. Por duas razões: dão agilidade às decisões e tornam os processos mais democráticos, haja vista que amplia a participação de interessados de todo o país e não apenas dos grandes centros urbanos”, resume.
No webinar, que debateu também os principais pontos da revisão da ABNT NBR 15575 (Norma de Desempenho), os participantes foram unânimes em afirmar que as reuniões digitais serão fundamentais para que o grande volume de normas técnicas que carecem de revisão seja atualizado. Matozinhos relatou que, atualmente, 40% das normas vinculadas ao CB-002 não são revisadas há 15 anos. “O procedimento será uma ferramenta útil para encaminhar esses projetos”, diz. O líder do Gant também destaca que os encontros online servirão para atender grupos de normas que estão defasados.
Roberto Matozinhos explica que atualmente, dentro das normas técnicas relacionadas com a construção civil, existem 484 que especificam materiais e sistemas construtivos, 421 de controles tecnológicos e 70 de execução de serviços. No entender do engenheiro civil, os comitês devem se concentrar em publicar mais normas sobre execução de serviços. “A meu ver é um número baixo o que existe hoje”, avalia. Para o líder do Gant, as reuniões via web vão auxiliar no enfrentamento dessa defasagem.
Assista ao webinar “Normas Técnicas - Os principais pontos em revisão na Norma de Desempenho”
Entrevistado
- ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) (via assessoria de imprensa)
- Gant (Grupo de Acompanhamento de Normas Técnicas da CBIC) (via assessoria de imprensa)
- Webinar “Normas Técnicas - Os principais pontos em revisão na Norma de Desempenho”, promovido pelo SindusCon-PR
Contato
imprensa@abnt.org.br
ascom@cbic.org.br
imprensa@sindusconpr.com.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Para evitar aglomerações, será o fim dos prédios superaltos?

Crédito: Fu Xing
Por causa da pandemia de Coronavírus, projetos de prédios superaltos enfrentam empecilhos governamentais nas principais economias do mundo. A começar pela China, que lidera o ranking desse tipo de construção. Em 2019, os chineses entregaram 57 edificações com mais de 200 metros de altura. No entanto, o risco de aglomerações e contágios fez a China rever sua legislação para esse tipo de empreendimento. Coincidentemente, o país foi o primeiro a ser alvo da COVID-19.
Em decisão tomada em maio de 2020, o governo chinês simplesmente proibiu construções que superem os 500 metros e restringiu severamente as que ultrapassarem 250 metros. O comunicado partiu do ministério da Habitação e Desenvolvimento Urbano-Rural, que também definiu uma política restritiva à atuação de grandes escritórios internacionais de arquitetura no país. A medida, alinhada com opiniões expressas do presidente Xi Jinping, busca valorizar a arquitetura chinesa e pôr fim ao período de construções suntuosas.
Já nos Estados Unidos - berço dos arranha-céus -, novos projetos de edifícios superaltos também estão passando por um pente-fino governamental. Um exemplo é o Tribune East Tower, cujas obras devem começar em 2022. O prédio, que deve alcançar 433 metros de altura, precisou se submeter a uma série de exigências da prefeitura de Chicago, nos Estados Unidos, para ser aprovado. Após 2 anos de negociações, sua construção foi liberada mediante a garantia de que o empreendimento empregará 5.500 pessoas no canteiro de obras.
Edificações de grande porte podem oferecer dificuldades para medidas sanitárias
Outro obstáculo para esse tipo de construção está no quadro recessivo que as principais economias devem enfrentar na pós-pandemia. Uma série de projetos de arranha-céus foi simplesmente adiada no Canadá, na França, no Japão, no Reino Unido e até nos países árabes, outro pólo de grandes arranha-céus. Organismos como OMC (Organização Mundial do Comércio) e FMI (Fundo Monetário Internacional) estimam que a recessão global em 2020 deve ser negativa de 3%, podendo chegar a -10% em algumas economias do G20.
Outra razão para que os projetos de prédios superaltos sofram retração está no fato de que essas edificações oferecem dificuldades para medidas sanitárias. Durante a epidemia de COVID-19 na China, uma construção habitacional localizada em Hong Kong, e com mais de 30 pavimentos, teve que ser totalmente colocada em quarentena depois que verificaram que as tubulações de água e esgoto do edifício estavam contaminadas pelo Coronavírus. No prédio foram confirmados 23 casos da COVID-19.
No entender de um grupo de especialistas em mobilidade urbana, urbanismo e arquitetura, ouvido recentemente pelo Fórum Mundial do Ambiente Construído (do inglês, World Built Environment Forum), apesar das novas barreiras, os prédios superaltos não tendem a ser extintos, mas seguirão um novo protocolo de sustentabilidade. Para os analistas, as virtudes dessas edificações devem ser absorvidas por projetos de edifícios menores e até casas. Entre elas, as janelas hermeticamente fechadas e sistemas sofisticados de ar-condicionado e purificação do ar.
Entrevistado
Fórum Mundial do Ambiente Construído (World Built Environment Forum) (via assessoria de imprensa)
Conselho de Edifícios Altos e Habitat Urbano Council on Tall Buildings and Urban Habitat) (via assessoria de imprensa)
Contato
ricschina@rics.org
press@ctbuh.org
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Para FMI, construção civil retoma crescimento em 2021

Crédito: Via Assessoria
Estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a construção civil vai cair 5,2% no continente latino-americano em 2020, com boa perspectiva de retomada em 2021, podendo crescer 3,4%. O levantamento usa dados da Federação Interamericana da Indústria da Construção (FIIC) e se aproxima de levantamentos divulgados pela consultoria GlobalData, que estima retração de 5,5% do setor em 2020.
Antes da pandemia de Coronavírus, a projeção era que a construção na América Latina cresceria, em média, 2,3% neste ano. Porém, independentemente da queda prevista para 2020, o presidente da Federação Interamericana da Indústria da Construção (FIIC), Sergio Toretti, confia na retomada do crescimento em 2021. Por um simples motivo: o setor é fundamental para que a economia do continente supere a crise na pós-pandemia.
“Não há qualquer dúvida de que a construção será o vetor para superar a crise. Por várias razões. Primeiro, é um grande gerador de empregos; segundo, é um motor de reativação econômica muito importante e de efeito imediato, por causa do tamanho da cadeia produtiva que envolve. Vai desde grandes construtoras até microempresas prestadoras de serviço, passando por fabricantes de materiais e de equipamentos”, diz.
No continente latino-americano, o maior declínio esperado é para a já combalida Venezuela, com expectativa de queda de 15%. Em seguida, virá a Argentina, cuja construção civil deve cair 10%, acompanhada de México e Brasil, que poderão retroceder entre 6% e 8%. Já os países onde o impacto será menor são Chile, Peru e Uruguai. Guatemala, El Salvador, Honduras e Paraguai também sentirão com menos força os danos da crise, estima a FIIC.
Infraestrutura pode ser promissora ferramenta para que governos gerem emprego
No continente latino-americano, o FMI avalia que o segmento voltado à construção habitacional deverá ter queda de até 50% nas vendas. No plano da infraestrutura, também se projeta um recuo equivalente a 45%. Porém, o Fundo Monetário Internacional considera que a infraestrutura pode ser uma promissora ferramenta para que os governos contratem mão de obra e alavanquem as economias de seus respectivos países.
“A crise vai aumentar o déficit de infraestrutura em nosso continente. Isso obrigará ações conjuntas do setor público e do setor privado. É a única maneira de conseguir viabilizar obras, pois sozinho o poder público não terá recursos. Tampouco o setor privado. Será a oportunidade para produzir eficazes parcerias público-privadas em nossos países”, cita o presidente da Federação Interamericana da Indústria da Construção.
Apesar do otimismo emitido pela FIIC, a economista Dariana Tani, da GlobalData, acredita que os desafios não serão pequenos para a América Latina. "A demanda global mais lenta deve derrubar os preços das commodities e desvalorizar moedas. Também haverá queda significativa nos níveis de turismo e de serviços, aumentando o desemprego. São fatores que devem impactar a indústria da construção civil no curto prazo após a pandemia", analisa a consultoria, em seu mais recente boletim.
Entrevistado
Federação Interamericana da Indústria da Construção (FIIC) (via assessoria de imprensa)
GlobalData consultoria (via assessoria de imprensa)
Fundo Monetário Internacional (via assessoria de imprensa)
Contato
fiic@fiic.la
pr@globaldata.com
RR-BRA@imf.org
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Blocos de concreto ganham a primeira biblioteca BIM

Crédito: Pinterest
Parceria entre ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), BlocoBrasil (Associação Brasileira da Indústria de Blocos de Concreto) e SENAI permitiu a criação da primeira biblioteca brasileira de blocos de concreto dentro da plataforma BIM (Building Information Modelling, na sigla em inglês). O lançamento ocorreu em maio de 2020 e possui várias interfaces para as fases de planejamento, projeto e construção de empreendimentos com sistemas construtivos que utilizam blocos de concreto. A biblioteca desenvolvida está adequada à ABNT NBR 6136:2016 (Blocos Vazados de Concreto para Alvenaria - Requisitos).
A plataforma contempla todas as famílias de blocos de concreto de vedação e estrutural produzidas no Brasil. Segundo o supervisor de projetos e tecnologia do Instituto SENAI, Rogério da Silva Moreira, que coordenou o desenvolvimento da ferramenta, a biblioteca BIM teve a preocupação de ser a mais abrangente possível. “Ela envolve a totalidade das famílias de blocos de concreto atualmente disponível no mercado brasileiro, e validada pelos fabricantes. Isso garante critérios de segurança, confiabilidade e qualidade aos projetistas, construtoras, arquitetos e engenheiros de cálculo. Também dá mais agilidade a todo o processo construtivo”, diz.
Rogério da Silva Moreira destaca ainda a importância da ferramenta. “É um marco do uso do BIM no setor da construção civil. É o primeiro case de uma biblioteca completa sobre um produto. O setor de blocos de concreto também é o primeiro segmento da indústria da construção a desenvolver uma ferramenta que abrange a totalidade de seu uso em alvenaria estrutural”, ressalta. Para reforçar, o presidente da BlocoBrasil, Lúcio Silva, vê a ferramenta como uma inovação importante para o setor. “Destaco dois aspectos estratégicos da biblioteca BIM: redução dos custos da obra e a chamada do setor para a inovação”, completa.
Ferramenta desenvolvida pelo SENAI prioriza edificações residenciais com 4 pavimentos
A edificação modelada no BIM para blocos de concreto é do padrão residencial multifamiliar, composto por 4 apartamentos por andar, com 43 m² cada. O prédio possui 4 pavimentos e a circulação vertical conta com escadas e guarda-corpo na parte interna das paredes. Para o supervisor de projetos e tecnologia do Instituto SENAI, a ferramenta atende 3 desafios para que a tecnologia BIM ganhe cada vez mais espaço na construção civil brasileira. “Esses desafios são os seguintes: disponibilidade de bibliotecas, profissionais conhecedores da tecnologia e normalização. Para disseminar o conhecimento, o SENAI oferece cursos de treinamento”, revela.
Além disso, a BlocoBrasil disponibiliza o download gratuito do manual para operar a biblioteca BIM para blocos de concreto. O trabalho de montagem da ferramenta começou em setembro de 2019. “A principal característica dessa biblioteca BIM em relação a outras bibliotecas é que ela contempla toda a família de blocos de concreto. Além disso, as informações estão parametrizadas para que o projetista, de maneira prática e simplificada, possa cruzar todas as informações relevantes para o seu projeto”, resume Rogério da Silva Moreira.
Se inscreva e faça o download diretamente no site da BlocoBrasil.
Veja vídeo sobre como funciona a biblioteca BIM para blocos de concreto
Entrevistado
Reportagem com base no webinar “Biblioteca BIM da Indústria de Blocos de Concreto”
Contato
todospelaconstrucao@ethos.solutions
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
“Novo normal” impulsiona conceito de Construção Enxuta

Crédito: Banco de Imagens
Lean Construction, ou Construção Enxuta, é um conjunto de procedimentos que busca melhorar processos, reduzir desperdícios e criar novas formas de projetar e construir. Segundo os que seguem o conceito, a metodologia funciona como uma lupa para detectar atividades que não agregam valor à obra. Dentro do quadro de “novo normal” imposto pela pandemia de Coronavírus, a Construção Enxuta tende a potencializar futuros projetos das construtoras.
Porém, alertam os especialistas, Lean Construction não é uma caixa de ferramentas, mas uma filosofia de produção. Eles também avisam que a implantação se dá a médio e longo prazo - normalmente, de seis meses a um ano. “Quando os resultados são obtidos, geram dados interessantes na gestão da produção, no cumprimento de prazos, na eliminação de restrições. É possível reduzir o desperdício no canteiro de obras em até 10%”, assegura o engenheiro civil André Quinderé.
No webinar “Lean Construction na prática”, do qual participou, Quinderé afirma que não há restrição para aplicar os procedimentos em pequenas construtoras. “A Lean Construction se adapta à realidade da empresa”, assegura. Também foi comentado que o maior desafio para o sucesso da metodologia está nos serviços terceirizados dentro do canteiro de obras. Dados mostram que movimentos errados da mão de obra geram aumento de 16% nos gastos e no atraso do cronograma da construção.
Inspirada em conceitos japoneses, metodologia tem 11 pontos primordiais
A terceirização é vista como a vilã da Construção Enxuta por que ocorrem muitas mudanças de time de uma obra para outra. Com isso, fica difícil fazer a mão de obra absorver os conceitos e adequar a metodologia à cultura da empresa. Os especialistas que participaram do webinar disseram que, quando isso ocorre, a Lean Construction pode gerar mais ônus que bônus, além de não conseguir cumprir seus 11 pontos primordiais, que são:
1. Reduzir atividades que não agregam valores ao produto.
2. Aumentar o valor do produto, de acordo com as necessidades do cliente.
3. Redução da variabilidade dos produtos e das entregas.
4. Redução no tempo de ciclo de produção.
5. Simplificar através da diminuição do número de passos ou partes de um processo.
6. Aumentar a flexibilidade do produto, tornando-o mais customizável.
7. Aumentar a transparência do processo.
8. Controlar o processo global, e não somente suas partes.
9. Introduzir a melhoria contínua no processo.
10. Balancear as melhorias entre o fluxo e as conversões.
11. Aplicar o benchmarking para estar sempre acompanhando as melhores práticas do setor.
Criados em 1992, os conceitos de Lean Construction chegaram recentemente ao Brasil. Em 2016, o Sebrae lançou uma cartilha para orientar os primeiros passos da metodologia. Apesar de ter sido idealizado pelo finlandês Lauri Koskela, a Construção Enxuta segue muitos conceitos surgidos no Japão, como o próprio sistema Toyota de produção. Baseia-se também em ferramentas como Kaizen (melhoria contínua), 5S (senso de utilização, senso de organização, sendo de limpeza, senso de saúde e senso de autodisciplina) e Kanban (controle de fluxo de produção).
Veja a cartilha do Sebrae sobre Lean Construction
Assista ao webinar “Lean Construction na prática”
Entrevistado
Reportagem com base nas informações expostas no webinar “Lean Construction na prática”
Contato
ascom@softplan.com.br
lean@lean.org.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Na pandemia, imóveis diferenciados mantêm mercado

Crédito: Cushman & Wakefield/Divulgação
O distanciamento social por causa do Coronavírus trouxe uma nova realidade para o mercado imobiliário. Segundo a Buildings, especializada em pesquisa imobiliária corporativa, 80% das empresas brasileiras estimam ter escritórios menores na pós-pandemia. O motivo está relacionado ao fato de que boa parte de seus colaboradores passará a trabalhar em home office, efetivamente. Por outro lado, esses profissionais que serão deslocados para atuar em casa se movimentam para dar um upgrade em suas residências, ou seja, buscam unidades maiores, mais confortáveis e que sejam diferenciadas.
Entre as características que se destacam, estão espaço para home office e garden. “Veremos a busca por escritórios menores e casas maiores”, diz Fernando Didziakas, sócio da Buildings. A análise é confirmada por Marcos Kahtalian, sócio da BRAIN e vice-presidente de banco de dados do SindusCon-PR. Segundo ele, imóveis diferenciados que oferecem qualidade de vida estão mantendo o mercado, mesmo na crise. O especialista aponta ainda que casas e sobrados tendem a ter maior demanda que apartamentos, por causa do distanciamento social. Porém, ressalta que apartamentos de alto padrão seguem em alta, seja para morar ou investir.

Crédito: MW Architects
Quem destaca o investimento em imóveis é Fernando Razuk, vice-presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO). “Em um momento de taxas de juros baixa, é comum os investidores buscarem investimentos de maior risco, em busca de mais rentabilidade. Porém, ações de empresas listadas na Bolsa de Valores, fundos multimercados e títulos públicos, entre outros, costumam sofrer grandes oscilações em momentos de crise, podendo gerar perdas aos investidores. O mesmo não ocorre com o valor dos imóveis, que têm oscilações de valores muito menores que ativos financeiros”, diz.
Pesquisa mostra números do mercado imobiliário, após impacto da COVID-19
No entanto, os analistas de mercado compartilham da tese de que o “novo normal” vai exigir espaços diferenciados nos imóveis, a fim de que eles se diferenciem. Segundo opiniões, os conceitos de antes da pandemia vão mudar. “Vínhamos de uma tendência muito forte dos apartamentos compactos, grandes escritórios e espaços de trabalho compartilhado. A pandemia fez refletir sobre esse modelo imposto e nos levou a focar na qualidade de vida. Agora, a prioridade é por soluções direcionadas à melhoria da nossa moradia”, afirma Thomaz Assumpção, CEO da Urban Systems.

Crédito: MW Architects
A fim de entender o impacto da COVID-19 no mercado imobiliário, a Brain Inteligência Estratégica realizou duas pesquisas (com empresários do setor da construção civil e consumidores) e obteve os seguintes números: 78% dos empresários vão manter os lançamentos, mas atrasá-los, enquanto 13% pretendem lançar sem atrasos e apenas 2% vão cancelar o lançamento. Quanto aos clientes, 55% mantiveram a intenção de comprar após a pandemia, mas apenas 16% efetivaram o negócio. Entre os que ainda vão comprar, 42% prorrogarão por tempo indefinido o prazo para decidir a aquisição. A pesquisa intitula-se “Coronavírus: impactos e desafios no mercado imobiliário”.
Assista ao vídeo “Coronavírus: impactos e desafios no mercado imobiliário” - parte 1
Assista ao vídeo “Coronavírus: impactos e desafios no mercado imobiliário” - parte 2
Acompanhe a vídeo-aula “Vendas imobiliárias no momento atual”
Entrevistado
Buildings Pesquisas Imobiliárias (via assessoria de imprensa)
Marcos Kahtalian, sócio da BRAIN e vice-presidente de banco de dados do SindusCon-PR
Contato
contato@buildings.com.br
e-brain@brain.srv.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Indústria do cimento perto da alforria do coque de petróleo

Crédito: ASCOM SEDEME
Ao participar de webinar promovido pela Concrete Show, o presidente da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) e do SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento), Paulo Camillo Penna, anunciou que o setor está cada vez mais próximo de se libertar da dependência do coque do petróleo como principal combustível para os fornos das cimenteiras. Segundo Penna, a pandemia de Coronavírus tende a acelerar a “alforria”, através de investimento maior no coprocessamento de combustíveis alternativos e resíduos industriais.
“O coque é dolarizado e isso encarece o processo industrial. Com maior investimento no coprocessamento, reduzimos o custo e criamos alternativas para enfrentar a crise, como sempre fizemos. Somos um setor irrequieto e inovador e estamos próximos de substituir mais de 50% do coque por resíduos. Esse percentual tende a aumentar, conforme parcerias com as prefeituras permitam que utilizemos também resíduos sólidos urbanos”, destaca o dirigente, frisando que a indústria de cimento no Brasil é a mais sustentável do mundo.
Paulo Camillo Penna cita que a indústria de cimento brasileira alcançou esse estágio de sustentabilidade alicerçada em 4 pilares: adições, combustíveis alternativos, eficiência energética e tecnologia de captura e estocagem de carbono, o que explica os baixos percentuais de emissão de CO2 do setor. “No mundo, a indústria de cimento é uma das que mais emite CO2, responsável por cerca de 7% do total de emissões. Mas no Brasil, o setor emite menos da metade disso, ou seja, um percentual inferior a 3,5%”, explica.
Para sustentar o compromisso com o coprocessamento de resíduos, a indústria de cimento não para de se reinventar. Ela mapeia cada vez mais os combustíveis alternativos nas várias regiões do país. “Hoje, usamos casca de babaçu e caroço de açaí nas indústrias localizadas na região norte; no sul, palha de arroz; no centro-oeste, cavaco de madeira, e em Minas Gerais, moinha de carvão. Ao agregar esses resíduos na produção de cimento, o que estamos fazendo é gestão de risco”, afirma Camillo Penna.
Ele compara o movimento constante da indústria de cimento, na busca de soluções que mitiguem os impactos por ela causados, ao que a pós-pandemia de Coronavírus vai impor ao planeta. “A pandemia vai exigir uma nova indústria, um novo país e um novo mundo. Ao se adaptar constantemente às mudanças que a economia e a sociedade impõem, a indústria cimenteira está habilitada aos desafios desse momento”, completa o presidente da ABCP e do SNIC.
Pavimento de concreto e coprocessamento ajudam a reduzir impacto do Custo Brasil

Crédito: Marcos Corrêa/PR
Com a visão estratégica peculiar do setor, a indústria de cimento se aliou ao estudo coordenado pelo Movimento Brasil Competitivo e pelo Boston Consulting Group, o qual busca avaliar a performance do país em 12 itens que são inerentes à atividade industrial. Entre eles, tributo, mão de obra, infraestrutura, crédito etc. Os números levantados foram comparados à média das nações que integram a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). O resultado é que o chamado Custo Brasil drena anualmente 1,5 trilhão de reais - equivalente a 22% do PIB nacional -, o que demonstra o quanto o país perde em competitividade na comparação com o grupo da OCDE - organismo do qual o Brasil pleiteia ser país-membro.
Para melhorar a performance nacional, a indústria de cimento apresentou dois projetos relacionados com a infraestrutura: investimento em pavimento rígido e em coprocessamento. “O custo de uma rodovia em concreto é mais vantajoso que o asfalto em qualquer circunstância. Isso vale também para o pavimento urbano. Quando ao coprocessamento, ele também ataca diretamente o Custo Brasil, já que mitiga impactos ambientais e enfrenta o consumo do coque do petróleo, reduzindo nosso custo de produção”, finaliza Paulo Camillo Penna.
Assista ao vídeo completo do webinar “Como o setor cimenteiro está se preparando para a retomada pós-crise”
Conheça os programas de Responsabilidade Socioambiental da Itambé
Entrevistado
Reportagem com base no webinar “Como o setor cimenteiro está se preparando para a retomada pós-crise”, promovido pela Concrete Show, e que entrevistou Paulo Camillo Penna, presidente da ABCP e do SNIC
Contato
dcc@abcp.org.br
snic@snic.org.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330









