Números indicam retorno da confiança na construção civil

Construção civil foi um dos setores que menos demitiram nos primeiros 3 meses de pandemia
Crédito: Arnaldo Alves/AEN
Construção civil foi um dos setores que menos demitiram nos primeiros 3 meses de pandemia
. Crédito: Arnaldo Alves/AEN

Em maio, a Caixa Econômica Federal fechou o maior número de contratos de financiamento imobiliário em 2020. No mesmo mês, o ICEI-Construção (Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção), medido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), cresceu 5 pontos em relação a abril. Além disso, dos 18 setores relevantes da economia brasileira, segundo dados da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) a construção civil foi um dos que menos demitiram nos primeiros 3 meses de pandemia - março, abril e maio -, perdendo apenas para o agronegócio. Foram fechadas cerca de 1% de vagas, em um universo de 2 milhões de trabalhadores.

Outro fator que desperta otimismo é que maio registrou aumento no volume de venda de cimento. Foram 4,8 milhões de toneladas - 3% a mais que em maio de 2019, segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). Há ainda mais estatísticas positivas, que sinalizam que junho também deverá manter o viés de alta. Os novos números devem ser divulgados até 10 de julho, mas alguns dados já estão disponíveis. Entre eles, um relevante: o Índice de Confiança da Construção (ICST) medido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre).

De acordo com o levantamento, a confiança no setor subiu 9,1 pontos em junho, alcançando 77,1 pontos. O indicador marca a recuperação de 43% das perdas desde o início da pandemia. Já o Indicador de Situação Atual (ISA-CST) também subiu 4,7 pontos e chegou à marca de 71,5 pontos, após três meses consecutivos de baixa, enquanto o Índice de Expectativas (IE-CST) subiu 13,5 pontos e chegou em 83,2 pontos. Outros dados que subiram foram Indicador de Demanda (cresceu 13,5) e Tendência dos Negócios (subiu 13,6). Isso significa que o cenário para a construção civil em junho se tornou menos desolador, de acordo com a coordenadora de Projetos da Construção da FGV Ibre, Ana Maria Castelo.

Pior pode ter ficado para trás, destaca economista da CBIC

No entanto, a economista destaca que o cenário ainda é muito difícil. “A insuficiência de demanda é a maior limitação à melhoria dos negócios em todos os segmentos do setor. Apesar da abertura de empresas e estandes de venda na maioria das cidades, a deterioração do quadro fiscal, do emprego e da renda não favorece a demanda”, observa. A especialista do FGV Ibre também destaca que, entre os meses de abril e maio, a queda no Índice de Nível de Atividade foi de 28,1 pontos, enquanto a recuperação de junho é de somente 3,4 pontos.

Tanto os dados apurados pelo ICEI-Construção da Confederação Nacional da Indústria (CNI) quanto os do FGV Ibre mostram reação do setor, confirma a economista do Banco de Dados da CBIC, Ieda Vasconcelos. Porém, ela destaca que resultados abaixo da linha divisória de 50 pontos ainda geram incertezas, mas sinalizam que a atividade da construção civil tende a ganhar mais força no segundo semestre de 2020. “O indicador de confiança do empresário saiu de 34,8 em abril para 37,6 pontos em maio e alcançou 42,6 pontos em junho. O resultado está mais próximo da linha divisória de 50 pontos, que separa confiança da falta de confiança. Esses dados mostram que o pior pode ter ficado para trás”, finaliza.

Entrevistado
Confederação Nacional da Indústria (CNI), Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre) (via assessoria de imprensa)

Contato
imprensa@cni.com.br
ascom@cbic.org.br
assessoria.fgv@insightnet.com.br
secretaria@snic.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Projeto reduz em 50% valor cobrado pela emissão de ART

É na ART que se estabelecem os limites da responsabilidade do engenheiro civil sobre a obra
Crédito: Banco de Imagens
É na ART que se estabelecem os limites da responsabilidade do engenheiro civil sobre a obra. Crédito: Banco de Imagens

Projeto que tramita na Câmara dos Deputados pretende reduzir em 50% os valores relativos à taxa de emissão da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). O documento é essencial para a execução de obras. O custo menor da taxa, proposta no projeto, também se estende ao Registro de Responsabilidade Técnica (RRT) e ao Termo de Responsabilidade Técnica (TRT). Esses registros são emitidos respectivamente pelo sistema Confea/CREA, Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) e Conselho Federal dos Técnicos Industriais (CFT).

Atualmente, os valores da ART e da RRT são cobrados por m² e estão atrelados ao custo do serviço e ao tamanho do projeto. No caso da ART, existe uma tabela nacional, que pode ser consultada nos sites de cada SindusCon regional. Em 2020, o sistema Confea/CREA autorizou o reajuste de 3,28% para a emissão do documento, que caracteriza legalmente os direitos e obrigações sobre os serviços a serem contratados, além de determinar a responsabilidade profissional por eventuais defeitos ou erros técnicos. É na ART que se estabelecem os limites da responsabilidade sobre a obra.

As leis que definem os procedimentos de ART são as 6.496/1977 e 12.514/2011, além das resoluções 1.025/2009 e 1.067/2015. Conforme o Sistema Confea/CREA, o documento é importante, pois garante os direitos autorais, comprova a existência de um contrato - até mesmo nos casos em que tenha sido realizado de forma verbal - e garante o direito à remuneração, na medida em que se torna um comprovante da prestação de um serviço.

Além de propor reduzir em 50% os valores relativos à taxa de emissão da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), o texto do projeto de lei 3331/2020 também sugere reduzir a zero o valor das anuidades de 2020 cobradas pelos conselhos profissionais, e em 50% em 2021. As anuidades são cobradas dos profissionais da engenharia civil e das empresas construtoras.

Medida tenta atenuar impacto da COVID-19 sobre engenheiros civis e arquitetos

Autor da proposta, o deputado Julian Lemos (PSL-PB) afirma que as restrições de circulação de pessoas e de atividades econômicas por conta da pandemia de Coronavírus têm afetado de forma significativa os profissionais liberais e em especial os associados à matriz da construção civil. “O objetivo é colaborar para que esses profissionais se restabeleçam financeiramente”, justifica. O parlamentar diz haver jurisprudência no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça para o congelamento de contribuições em situações de calamidade pública.

Apresentado em 16 de junho de 2020, o projeto de lei está em regime de tramitação e aguarda despacho do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para ser encaminhado às respectivas comissões. Na enquete promovida pela Câmara para ver se o projeto tem apoio popular, o PL 3331/2020 mostra não ter sido bem recebido. Ele tem a discordância de 75% dos que votaram, enquanto 25% concordam. Por estar em início de tramitação, Confea/CREA e CAU preferiram aguardar o avanço do projeto de lei para emitir opinião.

Recentemente, os conselhos de engenheiros civis, agrônomos e arquitetos adiaram as cobranças de taxas de profissionais e empresas para o segundo semestre de 2020. A decisão foi tomada logo que a pandemia de COVID-19 chegou ao Brasil e levou em consideração a paralisação causada na economia, em decorrência do alastramento da doença e da obrigatoriedade do distanciamento social.

Entrevistado
Deputado Federal Julian Lemos (PSL-PB) e assessoria de imprensa da Câmara dos Deputados

Contato
imprensa@camara.leg.br
dep.julianlemos@camara.leg.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


COVID-19 acelera futuro nos canteiros de obras

Software mapeia se trabalhadores da construção civil estão mantendo o distanciamento social no local da obra
. Crédito: Smartvid.io
Software mapeia se trabalhadores da construção civil estão mantendo o distanciamento social no local da obra
.
Crédito: Smartvid.io

Inteligência Artificial (IA) e Internet das Coisas (IoT) se tornam soluções para as construtoras que viabilizam grandes obras e não podem ver a produtividade afetada pela COVID-19. As duas tecnologias cognitivas passaram a ter uso crescente para reforçar a segurança sanitária dos trabalhadores e para ajudar na higienização dos equipamentos nesta época de pandemia.

Com base na IA, software recentemente desenvolvido em Cambridge, Massachusetts-EUA, permite, por exemplo, verificar se o distanciamento social é respeitado no canteiro de obras. A ferramenta é acoplada à IoT, para controlar o risco do vírus se propagar através dos equipamentos que entram e saem do local da construção ou são manuseados por mais de um trabalhador.

Ligadas a sensores de rastreamento, as máquinas indicam a necessidade de higienização. No caso dos caminhões-betoneira, eles sinalizam, via GPS, se passaram por alguma região mais afetada pela epidemia ao longo do percurso entre a concreteira e a obra. Quando isso ocorre, os veículos também são higienizados antes de entrarem no canteiro de obras.

A Inteligência Artificial usa a tecnologia de reconhecimento facial e de reconhecimento de objetos para detectar quem está se protegendo contra a COVID-19. A doença forçou uma adaptação da IA ao “novo normal”. Antes, dentro do canteiro de obras, esse monitoramento tinha um foco específico na segurança. Agora existe também a preocupação sanitária.

Nos Estados Unidos, obras com mais de 50 colaboradores estão instalando câmeras termais nos locais de trabalho. Junto com a IA, os equipamentos permitem saber se o trabalhador está febril ou não. Essa triagem eletrônica impede que um eventual infectado se transforme em um vetor da doença no canteiro de obras. Além de câmeras termais, veículos robotizados autônomos e drones também ajudam a fazer o rastreamento.

Mercado em alta para novas tecnologias de uso específico na construção civil

Também nos EUA, desenvolvedores como Smartvid.io, Triax Technologies e Hexagon são os que mais têm fornecido novas tecnologias para uso específico no canteiro de obras. E a procura tem sido surpreendente, como revela pesquisa encomendada pela Microsoft à consultoria DuckerFrontier. Antes da pandemia, apenas 28% das construtoras norte-americanas tinham preocupação com estratégias digitais. Agora, o volume aumentou para 36%. Até 2023, esse mercado deve movimentar 2 bilhões de dólares nos Estados Unidos, estima o estudo.

No Brasil, os números são menos impressionantes, mas crescentes. Tanto a Inteligência Artificial quanto a Internet das Coisas são utilizadas para o controle de áreas de risco das obras e para monitorar se os trabalhadores estão com os laudos médicos e os treinamentos em dia, e se estão utilizando os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) adequadamente. O sistema desenvolvido pela Mobuss Construção funciona através de catracas virtuais e por chips instalados nos EPIs. A tecnologia já é utilizada por mais de 100 construtoras em todo o país - desde alto padrão até as
que atuam no programa Minha Casa Minha Vida.

Para Tim O’Brien, diretor-geral de programas de IA da Microsoft, a Inteligência Artificial tem potencial para ajudar não só a construção civil como a humanidade diante do desafio enfrentado atualmente, que é a pandemia de COVID-19. “As ciências da computação e social devem caminhar lado a lado neste momento, para que a tecnologia seja parceira na busca por soluções para a nova sociedade que está surgindo”, avalia.

Entrevistados
Associação para o Avanço da Inteligência Artificial e Microsoft Media Relations (via assessoria de Imprensa)

Contato
info20@aaai.org
rrt@we-worldwide.com

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Do Maracanã aos estádios de 2020: o que mudou em 70 anos?

Maracanã foi construído entre 1948 e 1950 e consumiu 80 mil m³ de concreto. Em 2014, passou por uma ampla reforma
 Crédito: Governo do Rio de Janeiro
Maracanã foi construído entre 1948 e 1950 e consumiu 80 mil m³ de concreto. Em 2014, passou por uma ampla reforma

Crédito: Governo do Rio de Janeiro

O Maracanã está comemorando 70 anos. Seu projeto arquitetônico e sua construção foram um marco para a engenharia mundial do final dos anos 1940. Erguido com 80 mil m3 de concreto armado, o estádio passou por uma completa reconstrução para a Copa de 2014. Ganhou cobertura mais leve e até um sistema de amortecimento nas arquibancadas. A tecnologia está presente no novo Maracanã e tem sido utilizada cada vez com mais intensidade na construção de novos estádios.

É o que fica evidente nos projetos em andamento para a Copa de 2022, no Catar. Coincidentemente, em 17 de junho de 2020 - data em que o Maracanã completou 70 anos de sua inauguração -, Doha anunciou a conclusão do Diamante do Deserto. Com 45.350 lugares, o estádio é um dos oito que sediarão partidas do mundial, dos quais 3 já tiveram os projetos de execução finalizados. Repletas de soluções tecnológicas, as arenas do século 21 não podem mais ser definidas como “gigantes de concreto armado”.  Melhor chamá-las de “palcos da engenharia inovadora”.

Hoje, em suas construções, predominam os pré-moldados de concreto, estruturas mistas de concreto e aço e até materiais alternativos, como madeira e contêineres, além de novos tipos de concreto, que vão dos autoadensáveis aos de alta resistência. Sem contar que suas coberturas utilizam elementos levíssimos, como policarbonato, vidro e membranas de tecidos impermeáveis, que repelem a água e os raios ultravioletas. O Diamante do Deserto é um exemplo. A fachada do estádio tem revestimento de tecido metálico com figuras geométricas em forma de losangos e triângulos. As placas mudam de cor conforme o movimento do sol e à noite emitem luz.

O estádio também atende requisitos de sustentabilidade. Ganhou avaliação 5 estrelas do Global Sustainability Assessment System (GSAS) (Sistema Global de Avaliação de Sustentabilidade) tornando-se o primeiro estádio do mundo a obter esse reconhecimento. Pelo menos 55% dos materiais utilizados no projeto são provenientes de fontes sustentáveis ​​e 28% dos materiais de construção são recicláveis. Localizado no campus da Cidade da Educação do Catar, a arena terá sua capacidade reduzida para 20 mil depois da Copa. O projeto arquitetônico é do escritório espanhol Fenwick Iribarren e do britânico Arup A. Pattern. A execução ficou a cargo da Buro Happold Engineering.

Os outros dois estádios concluídos para a Copa do Catar são o Khalifa International Stadium, que foi reformado e ampliado para receber 48 mil pessoas, e o Al Janoub, projetado pelos arquitetos Zaha Hadid e Patrik Schumacher. Assim como o Diamante do Deserto e o Khalifa, o Al Janoub também conta com sistema de ar-condicionado nas arquibancadas, para o público suportar as altas temperaturas da região.

Multifuncionalidade é característica marcante dos estádios modernos do Catar

Popularmente chamada de Diamante do Deserto, o Education City Stadium é considerada a arena mais sustentável do mundo Crédito: Qatar 2022
Popularmente chamada de Diamante do Deserto, o Education City Stadium é considerada a arena mais sustentável do mundo
Crédito: Qatar 2022

Em 1º de julho de 2020 está prevista a conclusão do 4º estádio: o Al Bayt. O design lembra o de uma tenda árabe e a cobertura também utiliza tecidos de alta resistência. Seu projeto prevê uma redesignação após a Copa do Mundo. A estrutura será transformada em um hotel 5 estrelas e em um shopping center.  A multifuncionalidade, aliás, é característica dos estádios modernos do Catar. Boa parte das edificações não vai operar como arenas esportivas depois do mundial. O Al Rayyan, por exemplo, será transformado em um parque aberto ao público.

Mas o caso mais peculiar será do Ras Abu Aboud. O estádio em construção à beira da West Bay, em Doha - a Mônaco dos Emirados - está reutilizando contêineres, transformando-os em peças de aço modular para erguer a estrutura externa e a fachada. Por dentro, nas arquibancadas, predomina o concreto pré-moldado. Trata-se do 1º estádio 100% “descartável” do mundo. Depois da Copa do Mundo, será inteiramente desmontado. No local nascerá um parque à beira-mar. Destino semelhante terá o Al Thumama. O estádio será desmontado após o mundial e doado a outro país árabe que se candidate a recebê-lo.

A Copa de 2022 terá como estádio da abertura e da final o Losail, com 80 mil lugares. A arena é parte de uma cidade-inteligente, a Lusail City. A obra inclui em seu projeto um sistema de reciclagem que promete economizar 40% da água utilizada no estádio, se comparada às arenas convencionais. Depois do mundial, as instalações do Losail serão transformadas em um centro comunitário, com escolas, lojas e clínicas de saúde. Do Maracanã aos estádios do Catar para 2022, cada um no seu tempo, todos podem ser considerados marcos da engenharia e da arquitetura.

Veja os 8 estádios da Copa do Mundo de 2022, no Catar

Khalifa International Stadium

Education City Stadium (Diamante do Deserto)

Al Bayt Stadium

Al Rayyan Stadium

Al Thumama Stadium

Lusail Stadium

Al Janoub Stadium

Ras Abu Aboud Stadium

Entrevistado
Comitê organizador da Copa do Mundo de 2022 e Superintendência de Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro (Suderj) (via assessoria de imprensa)

Contato
imprensa@suderj.rj.gov.br
media@sc.qa

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


No século 19, Paraíba teve protótipo de fábrica de Cimento Portland

Fachada externa do forno da fábrica de Cimento Portland construída na região perto de João Pessoa-PB 
Crédito: José Alysson Dehon Moraes Medeiros
Fachada externa do forno da fábrica de Cimento Portland construída na região perto de João Pessoa-PB

Crédito: José Alysson Dehon Moraes Medeiros

Tese de doutorado do Programa de Pós-graduação em Ciência e Engenharia de Materiais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), coordenada pelo engenheiro civil José Alysson Dehon Moraes Medeiros, revela que em 1892 operou na Ilha de Tiriri, perto de João Pessoa-PB, o protótipo de uma fábrica de Cimento Portland no Brasil. A unidade funcionou por 6 meses e faliu por causa de falhas na gestão e pela dificuldade na logística e na manutenção dos equipamentos, apesar de a região ser rica em calcário e argila - matéria-prima para a produção do material.

Documentalmente comprovada a existência da fábrica, ela coloca o país como pioneiro na América Latina em produção de Cimento Portland. No mundo, fica atrás apenas de países europeus e dos Estados Unidos. No entanto, a ABCP e o SNIC, por causa da longevidade na produção, reconhecem como a 1ª fábrica no Brasil a Companhia de Cimento Portland de Perus, em São Paulo-SP. A unidade iniciou as operações em 1926 e foi completamente desativada em 1987, conforme tese de doutorado apresentada na UNESP, em 2001.

A pesquisa coordenada por José Alysson Dehon Moraes Medeiros contou com uma força-tarefa formada por equipes do Laboratório de Tecnologia de Novos Materiais (Tecnom) da UFPB e especialistas em ciência forense. Descobriu-se que a fábrica da Ilha de Tiriri usou tecnologia alemã em seus fornos e foram coletados vestígios de cimento na área de 9 mil m2 que eram ocupadas pela fábrica. A investigação contou com recursos de fotogrametria aérea em 3D. As análises permitiram confirmar a fabricação de Cimento Portland no local.

Prédio da fábrica que muda o curso da história sobre a produção de Cimento Portland na América Latina
 Crédito: José Alysson Dehon Moraes Medeiros
Prédio da fábrica que muda o curso da história sobre a produção de Cimento Portland na América Latina

Crédito: José Alysson Dehon Moraes Medeiros

Para José Alysson Dehon Moraes Medeiros, independentemente de a fábrica ter prosperado ou não, como a de Perus, não há como negar que a unidade de Tiriri foi a primeira a produzir Cimento Portland no Brasil, e na América Latina. “Apesar do termo ‘protótipo’, não foi isso que revelei na pesquisa. Para mim a fábrica não foi idealizada como um teste ou modelo para a construção de outras. Ela foi idealizada e construída para operar normalmente em escala industrial, ainda que pequena para a época”, afirma.

O estudo também serve de ponto de partida para outras pesquisas. Entre elas, sobre o envelhecimento do Cimento Portland e a evolução do material até os tempos atuais. “Isso é fantástico na ciência e torna as ruínas de Tiriri ainda mais especiais para este tipo de estudo”, diz o coordenador da descoberta. A pesquisa despertou o interesse de pesquisadores de países como Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Irlanda, Canadá, China, Austrália, China (Hong Kong) e Panamá. O orientador da tese é o professor Sandro Marden, chefe do Tecnom.

Investigações para comprovar a existência da fábrica na Ilha de Tiriri duraram 4 anos

As investigações para comprovar a existência da fábrica na Paraíba duraram 4 anos e a conclusão da tese muda o curso da história sobre a produção de Cimento Portland na América Latina. Antes, creditava-se a uma fábrica cubana de 1895 o pioneirismo dessa atividade no continente. Porém, ela entrou em operação depois da unidade paraibana, que produzia o “Cimento Portland Brazileiro”. O material foi usado em obras como a construção da cadeia pública de João Pessoa, reservatórios de água e na conclusão do teatro Santa Rosa.

Os pesquisadores defendem que a descoberta na Ilha de Tiriri seja reconhecida como sítio de arqueologia industrial e aceito no conjunto de patrimônios culturais do Estado da Paraíba. “É um bem que atende plenamente aos requisitos necessários para se constituir como parte integrante do patrimônio cultural, devendo, assim, receber o reconhecimento e proteção legais, visando sua preservação”, alerta José Alysson Dehon Moraes Medeiros.

Leia a tese sobre a descoberta da fábrica de cimento na Ilha de Tiriri

Veja a tese sobre a Companhia de Cimento Portland de Perus

Entrevistado
Reportagem com base na tese de doutorado “Cimento Portland na Ilha de Tiriri: História, Vestígios e Caracterização dos Materiais”

Contato
alysson.jadmm@gmail.com

 

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Nos EUA, pré-fabricados e pré-moldados têm uso ilimitado

Museu da Estátua da Liberdade: estrutura tem 347 elementos e é capaz de suportar furacões e inundações 
Crédito: PCI
Museu da Estátua da Liberdade: estrutura tem 347 elementos e é capaz de suportar furacões e inundações

Crédito: PCI

O Precast/Prestressed Concrete Institute (PCI), equivalente norte-americano à Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada do Concreto), elegeu recentemente as 25 melhores obras do biênio 2019/2020 em pré-fabricado e pré-moldado dos Estados Unidos, além de 5 menções honrosas. Para o presidente do organismo, Bob Risser, a premiação mostra que a versatilidade da construção industrializada nos EUA já está ao alcance de todos os tipos de projetos. “O concreto pré-moldado não é apenas uma solução prática para muitos desafios de construção, mas também uma solução estética”, diz.

Entre os premiados pelo PCI estão o museu da Estátua da Liberdade, em Nova York, e o monumento às vítimas do voo 93, de 11 de setembro de 2001, que caiu na Pensilvânia após os passageiros entrarem em confronto com terroristas dentro da aeronave. Uma ponte, um hospital, um edifício-garagem, prédios residenciais e outras obras completam o amplo espectro de atuação da construção industrializada nos Estados Unidos. O segmento, aliás, está cada vez mais vinculado a projetos que utilizam a modelagem BIM e conceitos de obra sustentável.

Entre as construções eleitas pelo PCI, duas se destacam: o museu da Estátua da Liberdade e a ponte Marc Basnight, na Carolina do Norte. No caso do museu de 4.650 m2, o concreto pré-fabricado atendeu os requisitos de conforto térmico solicitados no projeto e também viabilizou a instalação de um telhado verde sobre a edificação. Outro fator que influenciou é que instalar um canteiro de obras na ilha onde se encontra a estátua seria muito desafiador e caro. Optou-se, então, por transportar as peças pré-moldadas através de embarcações e montá-las na área em que seria construído o museu.

Estruturas capazes de suportar furacões e fortes correntes marítimas

Ponte Marc Basnight: com 1.459 elementos, obra é a terceira maior superestrutura de concreto industrializado da América do Norte
 Crédito: PCI
Ponte Marc Basnight: com 1.459 elementos, obra é a terceira maior superestrutura de concreto industrializado da América do Norte

Crédito: PCI

Foram 347 elementos, montados em 6 meses. A estrutura da edificação foi projetada para suportar furacões e inundações na ilha. No subsolo do museu há 84 compartimentos retangulares de concreto para receber águas de enchentes e expeli-las por bombeamento. "Após o furacão Sandy [que atingiu a costa leste dos EUA em 2012] calculamos as estruturas para suportar os mais rigorosos fenômenos climáticos em 500 anos”, explica o projetista Dan Piselli, que complementa sobre o sucesso da obra: “Só uma solução com pré-fabricados de concreto permitiu viabilizar esse projeto.”

Quanto à ponte Marc Basnight, ela corta o canal Oregon Inlet, conhecido por suas correntes marítimas que mudam constantemente e pelos ventos fortes. Por isso, suas 669 estacas de concreto pré-moldado estão a 40 metros abaixo do fundo do mar. A obra foi projetada para ter vida útil mínima de 100 anos e sua construção envolveu o uso de 1.459 elementos, com comprimentos que variam de 25 metros a 106 metros. Com 4,5 quilômetros de extensão, a ponte é considerada a terceira maior superestrutura de concreto industrializado da América do Norte. Seu custo foi de 252 milhões de dólares.

Principais projetos vencedores do PCI Design Awards 2020

  • Museu da Estátua da Liberdade, em Nova York
  • Ponte Marc Basnight, na Carolina do Norte
  • Teatro da Murphysboro High School, em Illinois
  • Centro médico Mount Sinai, em Miami-Flórida
  • Edifício-garagem St. Armands, em Sarasota-Flórida
  • Memorial ao Voo 93, na Pensilvânia
  • Biblioteca pública de Wichita-Kansas
  • Hotel Indigo, em Madison-Wisconsin
  • Edifício residencial 1323 Morse Avenue, em Chicago
  • Edifício corporativo Millwright Building, em Minneapolis
  • Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, em Tucson-Arizona
  • Estádios de beisebol SunTrust Park, em Atlanta
  • Prédio do Júri de Nashville, no Tennessee

 

Entrevistado

Precast/Prestressed Concrete Institute (PCI) (via assessorial de imprensa)


Contato

tbagsarian@pci.org

 

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Japão faz concreto substituindo areia por cinza vulcânica

Por causa de sua resistência (em torno de 20 MPa) o concreto desenvolvido no Japão tem sido usado apenas na construção de casas com até dois pavimentos Crédito: Jérémie Souteyrat
Por causa de sua resistência (em torno de 20 MPa) o concreto desenvolvido no Japão tem sido usado apenas na construção de casas com até dois pavimentos
Crédito: Jérémie Souteyrat

Com o auxílio de pesquisadores da Universidade de Tóquio, uma construtora japonesa especializada em projetos residenciais passou a substituir o concreto armado convencional por um concreto alternativo. O material usa cinzas vulcânicas da ilha de Kyushu, no sul do Japão - um recurso natural disponível em grandes volumes na região -, em vez de areia como agregado fino. 

Antes de testar o concreto em obras, os pesquisadores realizaram vários ensaios em laboratório, durante 1 ano. O que inspirou o estudo foram as experiências romanas de 2.000 anos atrás. “Os construtores do Império Romano usaram cinzas de fluxos piroclásticos em estruturas de concreto como o Panteão, há 2.000 anos, o que nos inspirou a criar uma versão japonesa”, diz Yasuhiro Yamashita, arquiteto-chefe da construtora Atelier Tekuto. 

Na ilha de Kyushu, as erupções têm um fenômeno chamado de fluxo piroclástico, que mistura gás quente, matéria vulcânica, cinzas e fragmentos de rocha. Isso gera um agregado mais consistente que a areia, dizem os pesquisadores. “Conseguimos um concreto de alta densidade, além de grande capacidade de absorção e reação pozolânica natural. Isso o torna particularmente forte e durável”, explica o engenheiro.

Outra razão para o uso do concreto alternativo é que a areia de rio está cada vez mais escassa no Japão e a importação também é restrita. Além disso, o país estuda banir o uso de areia de origem marítima nas construções. Por isso, tanto a construtora que incentivou a pesquisa quanto a Universidade de Tóquio retiraram o sigilo do estudo para que outros construtores possam utilizar o concreto alternativo. 

Casal de médicos estimulou a reativação da pesquisa e o uso prático do concreto inovador

Tanto a construtora que incentivou a pesquisa quanto a Universidade de Tóquio retiraram o sigilo do estudo para que outros construtores possam utilizar o concreto alternativo Crédito: Jérémie Souteyrat
Tanto a construtora que incentivou a pesquisa quanto a Universidade de Tóquio retiraram o sigilo do estudo para que outros construtores possam utilizar o concreto alternativo
Crédito: Jérémie Souteyrat

Os dados estão na plataforma digital Rede Regional de Utilização de Material (RMUN). “Estamos convictos de que o concreto Shirasu (nome com que o material foi batizado no Japão) pode trazer grandes benefícios econômicos para a região", avalia Yasuhiro Yamashita, que ao procurar a Universidade de Tóquio desengavetou uma pesquisa que havia iniciado nos anos 1990, mas não avançou. Na época, o principal objetivo do estudo era encontrar um substituto para o uso de areia do mar em obras.

Em 2006, a prefeitura de Kagoshima lançou o “Manual para projeto e construção do concreto Shirasu com agregado fino vulcânico”. Porém, não houve avanços. A pesquisa foi reativada em 2016, quando um casal de médicos bioquímicos procurou a construtora Atelier Tekuto e propôs um projeto de casa em concreto aparente, mas com baixa emissão de CO2. “Eles queriam uma peça desafiadora de arquitetura que não agredisse o meio ambiente. Com a ajuda de engenheiros e arquitetos recuperamos o estudo e conseguimos viabilizá-lo”, responde Yasuhiro Yamashita.

Ao mostrar a viabilidade de um concreto mais sustentável, o arquiteto e sua equipe ganharam três prêmios internacionais: o WAN Concrete, concedido pelo Japan Concrete Institute; o excelência em construção, do American Concrete Institute, e o concretos especiais, da fib (Federação Internacional do Concreto). Por causa de sua resistência (em torno de 20 MPa) o concreto desenvolvido no Japão tem sido usado apenas na construção de casas com até dois pavimentos. Desde a sua aplicação prática, o material já foi usado em mais de 20 projetos de residências em Tóquio e região.

Entrevistado
Construtora Atelier Tekuto (via área de comunicação)

Contato
info@tekuto.com

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Como está a durabilidade das estruturas de concreto?

Vertedouro da barragem de Itaipu: hidrelétrica de 46 anos é exemplo de que a engenharia brasileira sabe construir com durabilidade Crédito: Itaipu Binacional
Vertedouro da barragem de Itaipu: hidrelétrica de 46 anos é exemplo de que a engenharia brasileira sabe construir com durabilidade
Crédito: Itaipu Binacional

Quatro reconhecidos acadêmicos e pesquisadores participaram recentemente de uma live promovida pelo IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto) para debater o estágio atual da durabilidade das estruturas de concreto em obras no Brasil. Cesar Daher, José Marques Filho, Daniel Véras Ribeiro e Edna Possan entendem que houve um avanço significativo nos métodos de projetar e na concepção de materiais, mas avaliam que a engenharia civil tem esbarrado na execução e na manutenção, o que compromete a durabilidade. 

Para José Marques Filho, professor-doutor da UFPR, o concreto é uma cadeia produtiva baseada em ciência e tecnologia e, para dominá-la, é preciso ter conhecimento. Porém, segundo ele, melhoraram as ferramentas, mas pioraram os engenheiros, o que também afeta a durabilidade. “Durabilidade tem uma grande complexidade. Para que obras sejam duráveis é necessário conhecer esses processos. Será que alguém que projeta hoje sabe o que deixa uma estrutura mais ou menos porosa, sabe o que significa tamanho do cobrimento, domina as regras para que o concreto passe entre as armaduras?”, questiona.

O professor-doutor da UFPR aproveitou para alertar sobre a qualidade do ensino da engenharia civil no Brasil. “Melhoramos as ferramentas de projeto, mas pioramos os engenheiros que usam as ferramentas. Por quê? Porque o estudo de engenharia civil no país está inadequado. Engenharia deve ser baseada em resolução de problemas e na interligação de conceitos. Porém, veja só o que acontece atualmente: o estudo das patologias do concreto passou a ser disciplina optativa em alguns cursos de graduação. Isso numa época em que durabilidade é um dos eixos da sustentabilidade. Então, o Brasil, que já foi campeão mundial do concreto armado, precisa se reencontrar com sua melhor engenharia”, diz.

Construção industrializada do concreto é caminho para viabilizar obras duráveis

Cesar Daher, sócio-fundador do grupo IDD e diretor do IBRACON, salienta que seguir a normalização é fundamental para projetar concreto pensando na longa durabilidade. Já Daniel Véras, que é professor da UFBA e diretor-regional da ALCONPAT Brasil e do IBRACON, cita que recentemente houve um avanço fantástico de cálculos estruturais, criando estruturas cada vez mais esbeltas, mas que passaram a ficar muito próximas dos limites. “Isso acaba colocando a durabilidade em risco. À medida que a estrutura é mais esbelta, cresce a preocupação do projetista com os materiais e com a execução”, alerta.

Por fim, a professora-doutora Edna Possan, da Universidade Federal da Integração Latino Americana (UNILA), acredita que a construção industrializada do concreto possa ser um caminho para aumentar a durabilidade das estruturas. “Resistência, durabilidade, desempenho, vida útil, ciclo de vida e sustentabilidade são variáveis com as quais a construção industrializada se preocupa bastante”, afirma. A engenheira civil lembra ainda que a qualidade do cimento também pesa na durabilidade do concreto. Para concluir, ela frisa que a hidrelétrica de Itaipu, que recentemente completou 46 anos, é o grande exemplo de que a engenharia brasileira sabe construir com durabilidade. “Todas as virtudes da boa construção estão naquele monumento da engenharia”, finaliza.

Assista ao vídeo “Durabilidade das Estruturas de Concreto - Mitos e Verdades”

 

Entrevistado
Reportagem com base em live promovida pelo IBRACON, intitulada “Durabilidade das Estruturas de Concreto - Mitos e Verdades”

Contato
office@ibracon.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Setor imobiliário segue imune a distratos e inadimplência

A pandemia de Coronavírus não fez crescer o volume de distratos de contratos imobiliários nem aumentou o volume de inadimplência entre os que financiam imóveis. A constatação está na pesquisa nacional realizada pela consultoria KPMG, com as principais construtoras e incorporadoras do país. Os dados apresentados revelam que 57% das empresas não sofreram impactos relevantes com distratos e que 43% disseram não ter registrado aumento de inadimplência. Porém, 57% admitiram renegociações com clientes.

Outra informação relevante trazida na pesquisa é que 67% das que responderam não enfrentam nenhum risco de liquidez. Da mesma forma, 76% não estimam alguma quebra de covenants financeiros, ou seja, não possuem indicadores que possam influenciar negativamente em seus balanços. Para Alan Riddell, sócio da KPMG Corporate Finance São Paulo, construtoras e incorporadoras estão tomando as decisões certas ao capitalizar com venda de ativos não-estratégicos, diversificar fundings, prolongar dívidas e analisar oportunidades de crescimento.

A pesquisa também revelou que a maior preocupação dos CEOs e CFOs das empresas é com a pós-pandemia. Grande parte dos entrevistados revelou que fará mudanças relevantes nos projetos a serem lançados. Por isso, 57% das respondentes disseram que postergarão novos empreendimentos até que exista um cenário mais claro. Segundo Eduardo Tomazelli, sócio do departamento de auditoria e membro de Financial Services da KPMG, essa já era uma situação esperada no setor da construção civil.

Com dados obtidos através da pesquisa, o especialista avalia que as empresas saíram da zona de impacto com a pandemia e estão, no momento, atravessando as etapas de resiliência e reação, que envolvem preocupação com a gestão de caixa, manutenção de liquidez, adesão a medidas governamentais, estabilização operacional, bem-estar de funcionários e manutenção do trabalho remoto. Quanto à posição de reavaliar projetos, Eduardo Tomazelli disse que essa é uma tendência mundial no mercado imobiliário.

Cenário internacional de real estate é de adaptação ao “novo normal”

De acordo com os coordenadores da pesquisa no Brasil, os entrevistados nos Estados Unidos percebem a busca por apartamentos maiores, a fim de adequar uma área de home office ou de casas mais espaçosas em regiões suburbanas dos grandes centros urbanos. Já na Europa observa-se um movimento contrário, ou seja, investidores e demais interessados em comprar imóveis estão sinalizando que preferem novas unidades nas regiões mais centrais das cidades para facilitar os deslocamentos. Percebeu-se isso mais intensamente em Portugal, Espanha e França. 

Na Ásia e na Austrália, há cenários diferentes. Países como Japão e China, por exemplo, acreditam que o período de resiliência será maior. No mercado japonês existe ainda um fator que tem pesado no mercado imobiliário: o adiamento dos jogos olímpicos para 2021. Houve grande investimento em construção de hotéis e unidades residenciais na região de Tóquio, os quais agora não encontram consumidores. Quanto à China, onde o mercado imobiliário representa 25% do PIB do país, existe a expectativa de que uma fatia maior de chineses invista suas economias em imóveis no pós-pandemia. Antes da COVID-19, 80% da riqueza dos chineses já era alocada em imóveis. Com relação à Austrália, o país vive sua primeira recessão em 40 anos e a KPMG detectou que o mercado imobiliário precisará de um período maior para reagir ao impacto da crise.  

Assista à apresentação detalhada da pesquisa

Entrevistado
Reportagem com base na pesquisa “Cenários e perspectivas do mercado imobiliário residencial”, realizada pela KPMG

Contato
csertorio@kpmg.com.br
eremedi@kpmg.com.br
daviwu@kpmg.com.br
ariddell@kpmg.com.br
csefrin@kpmg.com.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Construção civil será modelo na volta ao trabalho

Considerada atividade essencial, construção civil tem seguido todos os protocolos estabelecidos para a prevenção contra o Coronavírus nos canteiros de obras Crédito: Banco de Imagem
Considerada atividade essencial, construção civil tem seguido todos os protocolos estabelecidos para a prevenção contra o Coronavírus nos canteiros de obras
Crédito: Banco de Imagem

 

O ministro da Economia, Paulo Guedes, juntamente com outros ministérios do governo federal, está definindo protocolos para que todos os setores produtivos do país possam voltar às atividades normais quando a curva de contaminação por Coronavírus decrescer. Segundo ele, o modelo a ser seguido será o da construção civil, considerada essencial para a economia do país e que não paralisou durante a pandemia. 

A construção civil soube se proteger, diz Guedes, citando que o setor opera com 93% da capacidade produtiva. Atualmente, segundo levantamento da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), os estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste estão com todas as obras em andamento, assim como Amapá e Amazonas, na região norte. Já no nordeste, as construtoras de Pernambuco estão apenas com obras públicas em andamento. 

Ainda na região nordeste, a Paraíba está dividida. Em João Pessoa e na região metropolitana, as obras estão paralisadas, mas no interior operam normalmente. Os únicos estados em que as obras estão totalmente paradas são Piauí e Sergipe. Por outro lado, Alagoas, Rio Grande do Norte e Maranhão operam com 100% na construção civil, enquanto Bahia e Ceará retomaram as atividades no começo de junho.    

Segundo o ministro da Economia, ao saber controlar o ritmo de operação dos canteiros de obras, a construção civil teve uma taxa de contaminação baixíssima na comparação ao volume de trabalhadores envolvidos. “O setor soube proteger, testar, monitorar e tratar, reduzindo drasticamente os contágios”, afirma. Desde o início da epidemia no Brasil, 10 trabalhadores da construção morreram em função da COVID-19, em um universo de 2 milhões de pessoas que atuam com carteira assinada, e diretamente no segmento.

Segurança no trabalho é lei dentro da construção civil bem antes da COVID-19

Sobre os protocolos que estão em análise no governo federal, o ministro Paulo Guedes defende que o retorno seguro ao trabalho seja segmentado. “Não vai ser todo mundo ao mesmo tempo. Será por unidades geográficas. Nas regiões com maior densidade demográfica, o risco de contágio é maior. Então tudo isso vai ser examinado, com base em relatórios. Quando a saúde permitir, e der o sinal de que está na hora de avançar, avançaremos”, diz.

A presidente da comissão de responsabilidade social da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Ana Cláudia Gomes, revela porque o setor serve de modelo para que o governo federal defina protocolos. “As entidades de classe da construção civil e as empresas estão indo além das medidas protetivas e sanitárias estabelecidas. Elas se preocupam também com o trabalhador no trajeto de volta ao lar e com ele no contato com sua família”, revela.

Vale lembrar que bem antes da pandemia se instalar no Brasil, a segurança no trabalho é lei dentro da construção civil. A presença de trabalhadores no canteiro só é permitida mediante o uso adequado de equipamentos individuais de proteção (EPIs). Por isso, objetos como máscara, luvas, óculos de segurança e capacete não são novidades para quem atua em obras. É o que permite ao trabalhador do setor sair na frente no que se refere à proteção contra a COVID-19.

Entrevistado
Ministério da Economia (via assessoria de imprensa)

Contato
imprensa@economia.gov.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330