Construtoras buscam soluções para minimizar escassez de mão de obra
Estudo da CNI revela que empresas investem em “canteiros-escolas”, na migração de trabalhadores e na valorização salarial para reter os profissionais qualificados
Por: Altair Santos
Recente estudo divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) confirma que o setor da economia que mais encontra dificuldades com a falta de qualificação da mão de obra é a construção civil. Divulgada no final de abril de 2011, a Sondagem Especial da Construção Civil revela que 89% das construtoras instaladas no país enfrentam problemas para contratar trabalhadores, principalmente para os canteiros de obras, como pedreiros e serventes. “Isso é reflexo da baixa qualidade da educação básica, o que gera dificuldade em aprender um ofício e de se adaptar às novas tecnologias. Essa é a origem desse descompasso”, diz o gerente de pesquisa da CNI, Renato da Fonseca.

Para suprir esse déficit, algumas empresas passaram a instalar “canteiros-escolas” para qualificar os colaboradores. É o que constatou o estudo da Confederação Nacional da Indústria. “As empresas estão contratando pessoas não totalmente qualificadas e ensinando o ofício no próprio canteiro de obras. Outra opção é a migração de trabalhadores, indo principalmente das regiões norte e nordeste para sul e sudeste”, afirmou Renato da Fonseca, alertando que essa é uma tendência constatada nas grandes companhias da construção civil. “As grandes empresas têm unidades em outros lugares e é mais fácil para elas trazerem pessoas de outras regiões”, completa.
Outra constatação feita pelo estudo da CNI é o aumento dos salários e dos benefícios ofertados para segurar os profissionais qualificados. “Grande parte das empresas está aumentando salários e benefícios. Outras pesquisas confirmam isso, como a PME (Pesquisa Mensal de Emprego) do IBGE e a da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios). Então, percebe-se um aumento significativo de salários dos profissionais da construção civil. E faz todo o sentido, pois com a escassez de profissionais qualificados há uma valorização maior dos já qualificados”, analisa o gerente de pesquisa da confederação.
A busca incessante por profissionais com experiência para atuar na construção civil tem causado problemas para as pequenas empresas do setor, que não conseguem oferecer salários para competir com as corporações maiores. “Algumas estão enfrentando uma queda de produção significativa, porque, quando perde um trabalhador ou precisa contratar, a pequena empresa tem que encontrar o trabalhador já qualificado. Ela não tem condições de ficar qualificando a mão de obra que vai usar”, observa Renato da Fonseca. “Isso se reflete na obra, com o atraso do cronograma ou a queda na qualidade do empreendimento”, complementa.
A Sondagem Especial da Construção Civil revela que, por conta do gargalo da falta de mão de obra, 64% das empresas do setor estão qualificando o trabalhador no próprio canteiro. A pesquisa mostra ainda que 45% das construtoras adotaram a política de reter os profissionais através de aumento salarial e oferta de benefícios. Outro detalhe do estudo demonstra que 43% das empresas têm recorrido à terceirização em algumas etapas das obras para suprir a falta de mão de obra. A sondagem da CNI ouviu 385 empresas que empregam acima de 20 trabalhadores. Do total, 191 eram pequenas, 145 médias e 49 grandes corporações.
Mais empregos
Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, o Brasil tem atualmente 147 mil empresas atuando na construção civil. Para 2011, de acordo com recente boletim do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) o setor deve abrir mais 168.340 novos postos de trabalho. Hoje, o país tem 2.964.163 trabalhadores atuando na construção civil. Destes, 171.458 estão no Paraná, 159.331 no Rio Grande do Sul e 108.142 em Santa Catarina.
Para 2011, na região Sul, o Paraná também é o que deve abrir mais vagas: 13.685, diante de 10.950 no Rio Grande do Sul e 5.392 em Santa Catarina. Trata-se do 4.º estado com a melhor projeção de empregos para este ano, ficando atrás de Minas Gerais (24.418), Pernambuco (22.624) e São Paulo (20.660).

Entrevistado
Renato da Fonseca, economista e gerente-executivo da Unidade de Pesquisa, Avaliação e Desenvolvimento da CNI (Confederação Nacional da Indústria)
Contato: rfonseca@cni.org.br
Créditos Fotos: Rose Brasil Rose Brasil/ABr/Carlos Rudney/CNI
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Novas tecnologias modernizam norma-chave da construção civil
NBR 6122, que trata de projetos e execuções de fundações, sofreu importantes alterações em relação à edição anterior, de 1996, trazendo mais segurança para as obras
Por: Altair Santos
Desde outubro de 2010, as equipes de estrutura e de fundação estão atuando em conformidade com a versão atualizada da norma ABNT NBR 6122 - Projeto e execução de fundações. Influenciada pelas novas tecnologias que desembarcaram na construção civil, a norma sofreu profundas modificações em relação à original, de 1996. Além de trazer novo conceito aos projetos, ela agrega também maior segurança às obras.

É o que revela o engenheiro civil e professor da Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) Jaime Domingos Marzionna, que coordenou a comissão revisora da NBR 6122. Por sete anos, uma das normas-chave da construção civil passou por criteriosa avaliação até que o texto final fosse colocado em vigor pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Na entrevista a seguir, Marzionna revela o que há de novo na nova NBR 6122. Confira:
As novas tecnologias construtivas é que levaram à revisão da NBR 6122?
As novas tecnologias construtivas de fundações realmente levaram à revisão da norma NBR 6122, mas não apenas elas. As novas metodologias e conceitos introduzidos no projeto das fundações também conduziram à necessidade de revisão da NBR 6122. Portanto, a versão de 1996 da NBR 6122 estava desatualizada, tanto no que se refere ao projeto quanto ao de execução das fundações.
Em relação à versão anterior, de 1996, o que mudou?
A NBR 6122:2010 é uma norma totalmente nova, a começar pela sua estruturação. A norma atual está dividida em projeto e execução dos vários tipos de fundação. Foram também introduzidas mudanças importantes na parte de projeto, com a introdução da possibilidade de cálculo das fundações com coeficiente de segurança global ou com coeficientes de segurança parciais. Outra novidade foi a introdução do conceito de região representativa do terreno. Isso permite um projeto mais otimizado das fundações, em determinadas situações em que se tenha um melhor conhecimento do subsolo local. Merece destaque também a fixação das situações onde é obrigatório o acompanhamento do comportamento das estruturas com, no mínimo, monitoramento de recalques e a fixação de critérios claros para a verificação do desempenho das fundações em estacas, através da realização de provas de carga estáticas ou de ensaios de carregamento dinâmico.
A NBR 6122 vale para todo tipo de construção, incluindo obras em pré-moldado?
Sim, a norma NBR 6122 contempla o projeto e execução de fundações para qualquer tipo de edificação, não importando de qual material é constituída a superestrutura.
Em termos de prova de carga, a norma muda a forma de avaliação?
A norma NBR 6122:2010 fixa, claramente, as condições em que é obrigatória a realização de provas de carga estáticas ou de ensaios de carregamento dinâmico de estacas para comprovação do desempenho destes elementos de fundação. Estabelece também a possibilidade de se executar provas de carga antes do desenvolvimento do projeto ou no início da execução da obra, com a vantagem de redução do coeficiente de segurança.
Para revisar a norma, quanto tempo levou e quantas pessoas integraram a equipe?
A revisão da norma NBR 6122 teve início no dia 26 de maio de 2003, com a realização de um evento público no SindusCon de São Paulo, onde foi escolhida uma comissão revisora. Essa comissão era formada por um coordenador, um secretário, representantes da cadeia produtiva (projeto e execução), um representante dos consumidores (construtoras) e um membro neutro que era o representante da sociedade. Essa comissão tinha a função de elaborar o novo texto da norma, colocá-lo em discussão, atender e responder a todos os questionamentos levantados por toda a sociedade. O trabalho de desenvolvimento do novo texto da NBR 6122 não ficou restrito aos membros da comissão. Outras subcomissões foram formadas e vários outros colegas colaboraram com o desenvolvimento e aprimoramento do texto atual através de sugestões. Os trabalhos da comissão revisora encerraram-se em 15 de dezembro de 2009, quando foi realizada a última reunião da comissão, com a finalização do texto, que foi então encaminhado a consulta pública pela ABNT, o que ocorreu em março de 2010. Ao todo foram realizadas 143 reuniões da comissão revisora, o que resultou em pelo menos 215 horas de reunião.
A revisão da NBR 6122 se baseou em alguma norma internacional?
A norma NBR 6122 não seguiu nenhuma norma internacional específica. No entanto, vale registrar que a comissão revisora estudou com detalhes a norma europeia (EUROCODE) e em alguns pontos a NBR 6122 utilizou conceitos ali empregados.
Entrevistado
Jaime Domingos Marzionna, coordenador da comissão revisora da NBR 6122
Currículo
- Engenheiro Civil pela Politécnica da Universidade de São Paulo – 1974
- Mestre em Engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo -1979
- Professor Assistente da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo desde 1975
- Foi Secretário Executivo, Vice-Presidente e Presidente do Núcleo São Paulo da ABMS
(Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica)
- Foi Vice-Presidente da ABEG (Associação Brasileira de Empresas de Projeto e Consultoria em Engenharia Geotécnica)
- Iniciou sua carreira profissional atuando na área de projeto de obras civis de grandes projetistas, como Promon e Themag, desenvolvendo projetos de grande porte tais como metrôs e barragens.
- Em 1988 criou a Engeos Engenharia, onde até hoje atua na área de projetos geotécnicos e de consultoria.
- Foi o Coordenador da Comissão Revisora da Norma Brasileira NBR-6122 – “Projeto e Execução de Fundações”.
Contato: jaime@engeos.com.br
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Paraná repotencializa setor de pequenas hidrelétricas
Estado estimula parcerias entre Copel e iniciativa privada para ampliar capacidade de geração de energia sem precisar construir grandes usinas
Por: Altair Santos
Considerado o estado com a maior capacidade hidrelétrica do país, o Paraná perdeu espaço na geração de energia através das chamadas PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas). Hoje, Minas Gerais, Goiás, Santa Catarina e Rio Grande do Sul exploram com mais eficiência esse tipo de usina, que, de acordo com a resolução nº 394 da Aneel, pode gerar de 1 megawatt (MW) a 30 megawatts (MW). Porém, para se reposicionar neste mercado, recentes ações governamentais prometem repotencializar as PCHs no Paraná.

Há pouco tempo, o estado criou um Grupo Especial de Trabalho (GET) para atuar no licenciamento ambiental de empreendimentos estratégicos para o desenvolvimento econômico e sustentável. Entre as metas do grupo, está o incentivo às Pequenas Centrais Hidrelétricas. Para isso, desde abril de 2011, a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) vêm capacitando técnicos para agilizar o licenciamento das PCHs.
Além dos entraves ambientais, os investidores em PCHs avaliam que é preciso desburocratizar as linhas de crédito ofertadas por bancos de fomento como o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). “Existem empresas pensando em não produzir mais, porque não têm retorno. É preciso ter sinergia do banco de fomento e do marco regulatório”, diz Alceu Grade, da Grameyer, uma das empresas da iniciativa privada que investem em Pequenas Centrais Hidrelétricas no país.
Sem essa sinergia, o setor voltado para as PCHs avalia que o Proinfa (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica), lançado em 2002, não conseguirá atingir uma de suas metas até 2022, que é ter 10% da energia produzida no Brasil a partir das Pequenas Centrais Hidrelétricas. “É preciso estimular o empreendedor”, afirma Alceu Grade, dizendo que o Paraná está fazendo isso. “O novo governo que está aí tem uma visão mais empreendedora, voltada a incentivar a Copel (Companhia Paranaense de Energia Elétrica) a promover parcerias com a iniciativa privada”, completa.
Demanda reprimida
Segundo dados de 2010 da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) o Brasil tem potencial para ter 2.200 unidades de PCHs instaladas, porém apenas 375 estão em operação, representando 2,9% de toda a energia gerada no país. Juntas, elas produzem atualmente 3.270.874 kW. Hoje, por causa dos entraves, uma Pequena Central Hidrelétrica, desde a concepção do projeto até a construção, não fica pronta antes de dois anos.
De acordo com Alceu Grade, esse tempo poderia ser reduzido, haja vista que o sistema de construção das PCHs evoluiu, assim como as instalações elétricas. “A parte elétrica e de controle, hoje, ficam prontos em cinco meses e cabem num container. Já a obra civil tem maior demanda na construção da barragem, mas ela gera baixo impacto ambiental, pois as novas tecnologias de construção substituíram os reservatórios pelo escavamento na beira do rio. A área alagada é pequena, pois o reservatório é ao longo do curso do rio”, lembra Alceu Grade.
Se o empenho paranaense der certo, até 2014 o estado deverá acrescer ao seu potencial gerador mais 1.381 MW, através de novas PCHs. Atualmente o governo tem 137 projetos de Pequenas Centrais Hidrelétricas para avaliar. O número é quatro vezes superior ao total de PCHs operando no estado, que são 30 e que geram 181 MW de energia. No momento, há mais duas em construção no território paranaense, com capacidade de 29 MW, e 23 já foram outorgadas para, juntas, produzirem 370 MW.
Entrevistado
Alceu Grade, presidente da Grameyer Equipamentos Eletrônicos Ltda., empresa do setor privado especializada em PCHs
Currículo
- Presidente da Grameyer Equipamentos Eletrônicos Ltda.
- Conselheiro da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC)
- Presidente da ACIAS (Associação Comercial Industrial e Agrícola de Schroeder-SC)
- Membro do Conselho Regional de Desenvolvimento de Jaraguá do Sul-SC
Contato: alceu@grameyer.com.br
Crédito Foto: Divulgação/Grameyera
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Até 2014, Brasil quer 75 mil bolsas de estudo no exterior
Governo estabelece parcerias com países de tecnologia avançada e estudantes de engenharia terão prioridade no programa federal recentemente criado
Por: Altair Santos
A excelência em pesquisa e tecnologia que o Brasil detém nos setores da agricultura, da aviação civil e da produção de petróleo servirá de modelo para que outros segmentos da economia atinjam o mesmo nível. Entre eles, está o da construção civil, para quem o governo federal elabora um Programa Nacional para as Engenharias. O objetivo, além de estimular a formação de novos engenheiros, é permitir que parte destes futuros profissionais possam se especializar fora do país.

A meta, recentemente exposta no 6.º Encontro de Lideranças, promovido pelo Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), é que nos próximos três anos pelo menos 75 mil estudantes possam ser estimulados a cursar mestrado ou doutorado no exterior, através de bolsas de estudo. O número foi exposto pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, que sustentou a necessidade de intensificar o processo de formação de engenheiros para inserir o Brasil no atual contexto de competitividade internacional.
O governo federal trabalha na criação de um portal na internet para detalhar como será feita a oferta de bolsas de estudo no exterior. A perspectiva é que o recrutamento comece ainda em 2011. “Há interesse, há disposição. Nós vamos eleger quais são as áreas estratégicas que queremos motivar e vamos oferecer bolsas para que esses pesquisadores agreguem conhecimento ao Brasil”, disse Mercadante. O ministério da Ciência e Tecnologia pretende estimular a chamada “bolsa sanduíche”, em que o formando vai para o exterior, passa dois anos e retorna ao país.
O modelo é semelhante ao adotado na China, que, apenas nos Estados Unidos, possui atualmente 80 mil estudantes cursando doutorado. Para seguir o mesmo caminho, na recente visita do presidente dos EUA Barack Obama, ao Brasil, um dos acordos diplomáticos firmados tratou deste tema: cooperação prevendo o intercâmbio de alunos e professores entre os dois países. Também foi firmado convênio semelhante com a Alemanha, em maio de 2011, quando o presidente alemão Christian Wulff esteve em Brasília.
Segundo o ministro de Ciência e Tecnologia, serão 10 mil bolsas só para a Alemanha, com prioridade para as áreas de Ciências Exatas e Engenharia. “Isso significa que eles têm que dar suporte para o aprendizado do alemão, além de abrir espaços nas universidades alemãs. O governo brasileiro vai se responsabilizar pela passagem, estada e seguro desses jovens que vão estudar”, explicou Mercadante.
Os acordos diplomáticos que o Brasil vem alinhavando também pretendem incentivar a volta de cientistas brasileiros que estão no exterior, além de estimular a formação de redes fora do Brasil, articuladas com as instituições de pesquisa nacionais. Atualmente, somente nas universidades norte-americanas, existem aproximadamente três mil professores brasileiros lecionando e interessados em participar de forma ativa do esforço nacional em ciência, tecnologia e inovação.
Fundo para a construção civil
Outra medida de estímulo ao conhecimento pode nascer da sugestão apresentada pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que propõe a criação de um fundo específico para o setor, como ocorre com os fundos setoriais em áreas estratégicas, administrados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). “Isso merece muita atenção. A economia do futuro é voltada para informação e conhecimento. É a economia da inteligência, que precisa ganhar espaço no debate político do país”, disse o ministro.
O fundo a ser criado pode gerar centros de pesquisa voltados para a engenharia, como os que existem hoje na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), na Embraer e na Petrobras. No caso da estatal do petróleo, por exemplo, nos próximos quatro anos serão investidos R$ 1,4 bilhão em pesquisas, cujos recursos serão destinados a 19 laboratórios espalhados pelo litoral do país e 60 institutos de pesquisa direcionados para a cadeia de gás e petróleo. No centro deste maciço investimento está o Pré-Sal, que, segundo o ministério de Ciência e Tecnologia, deve absorver 200 mil engenheiros nos próximos 15 anos.
Entrevistado
Aloizio Mercadante, ministro da Ciência e Tecnologia
Currículo
- Graduado em Economia pela Universidade de São Paulo (USP), com mestrado em Ciência Econômica (1989) e doutorado em Teoria Econômica (2010), pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
- É professor licenciado de Economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e da Unicamp.
- Foi deputado federal, senador e atualmente exerce o cargo de ministro de Estado da Ciência e Tecnologia.
- Dentre as obras publicadas destacam-se: "Brasil: A Construção Retomada, 2010"; "Observatório: Coletânea de artigos sobre a evolução do Brasil nos últimos anos, 2009"; "Brasil: Primeiro Tempo - Análise comparativa do governo Lula, 2006"; "O Brasil pós-real: a política econômica em debate, 1998".
Contato: pautamct@mct.gov.br (assessoria de imprensa)
Crédito Foto: Divulgação/MCT
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Seguro no formato transferência de risco cresce entre construtoras
Aquecimento do mercado imobiliário e venda de vários empreendimentos ainda na planta, leva construtores e empresas incorporadoras a buscarem proteção diferenciada
Por: Altair Santos
A plenitude produtiva do mercado imobiliário e da indústria da construção civil trouxe embutida a responsabilidade crescente de empresas e profissionais vinculados ao setor. Por isso, há investimento cada vez maior em ferramentas que tragam proteção às inúmeras variáveis que podem alterar o sucesso em uma obra. Atentas, as seguradoras criaram o chamado seguro no formato transferência de risco, que consiste em fazer uma avaliação do dano máximo provável, valorá-lo e contratar um seguro nesse montante.

Com isso, segundo o consultor Adriano Valente Rocha, a empresa e o profissional responsáveis pelo empreendimento têm lastro para calçar eventuais prejuízos. Lastros esses que costumam ser divididos em três partes: risco de colapso da própria obra, risco de danos de terceiros à obra e risco de dano profissional – este, o chamado erro técnico. “Estas três esferas de risco podem ser mitigadas pelo gerenciador de risco destas empresas, podem ser anuladas por algum programa de gerenciamento também ou podem ser transferidas para uma seguradora”, explica.
O recomendável é que o seguro de transferência de risco seja feito ainda na etapa de tratativas de elaboração do projeto, já que os riscos envolvidos numa obra de engenharia estão relacionados com a produção de projeto, com a execução, com os materiais e com os profissionais elencados para atuar no empreendimento. “É errado buscar esta ferramenta quando a obra já começou ou quando eventualmente já aconteceu um sinistro. O ideal é, na fase de organização para a execução ou nas fases preliminares de projeto, já iniciar o estudo do risco do negócio”, alerta Adriano Valente Rocha.
A legislação atual enquadra as falhas nas obras na peça jurídica denominada responsabilidade civil profissional, a qual não hierarquiza se houve imperícia, imprudência ou negligência ou se foi a empresa ou o profissional quem errou. “A verdade é que hoje existem vários diplomas jurídicos, como o código de defesa do consumidor e as normas regulatórias, que dão livre trânsito ao consumidor a reclamar pela solidez da obra, pela solidez do produto que adquire. Isso, sem dúvida nenhuma, até que se o prove o contrário, acaba recaindo na responsabilidade profissional”, diz Valente Rocha.
O direito brasileiro também tem usado o conceito chamado solidariedade para julgar casos de obras com falhas. Neste caso, o construtor não fica isento se tentar imputar a culpa ao material usado. “O executor é responsável plenamente pelos bens, pelos recursos materiais que usa e pelos recursos humanos que são utilizados na execução do projeto. Não há como dissociar se o construtor usar um mau material e se isso tiver um reflexo lá na frente. Se isso causar prejuízos para terceiros, certamente este construtor vai ser arrolado como corresponsável”, completa o consultor.
Por causa da legislação, as chances de um construtor falir por conta de erros em uma obra são maiores hoje. O motivo envolve as margens operacionais, as margens de lucro e as margens financeiras de um empreendimento – atualmente mais apertadas. “Fazer um desembolso adicional para reparar algo que acidentalmente foi acometido, compromete as margens de retorno do projeto”, diz Adriano Valente Rocha. “É por isso que todo o bom construtor segue regras, segue normas, acompanha projetos, instala programas de gerenciamento de riscos, de gerenciamentos de obras e contratação de seguros”, finaliza.
Outro lado
A modalidade de seguro de transferência de risco existe também para ser acionado no caso de o comprador não concluir a quitação do empreendimento. Se, por um lado, a incorporadora ou a construtora podem não entregar por uma quebra contratual, o comprador ou o investidor também podem sofrer uma falência pessoal, um desequilíbrio financeiro ou vir a deixar de quitar o imóvel por morte ou invalidez. Neste caso, existem seguros que podem garantir o incorporador.
Quem faz e quanto custa
O boom imobiliário no Brasil fez recentemente com que boa parte das seguradoras criasse carteiras para seguros de obras ou seguros de responsabilidade civil de obras. O recomendável, no entanto, é agir com prudência na hora de contratar um seguro e procurar sempre seguradoras especializadas em riscos especiais. Quanto ao custo, é universal que um seguro custe muito menos que o pagamento da indenização que o responsável tenha de fazer. Em geral, o seguro custa o equivalente a 1% do valor global do empreendimento. O valor da apólice, porém, varia de caso a caso.
Entrevistado
- Adriano Valente Rocha, diretor da ValenteRocha Consultora e Corretora de Seguros
Currículo
- Engenheiro civil formado pela UFPR (Universidade Federal do Paraná).
- Corretor formado pela Funenseg (Escola Nacional de Seguros) e que há 10 anos atua como especialista em riscos especiais, dentre os quais figuram as soluções para riscos de responsabilidade civil, riscos para engenharia e seguros garantia.
Contato: adriano@valenterocha.com.br / www.valenterocha.com.br
Crédito foto: Divulgação/ValenteRocha
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Crédito imobiliário precisa criar fontes alternativas
Mercado cresce mais do que os recursos gerados pela caderneta de poupança para financiar imóveis e Abecip prevê escassez em três anos
Por: Altair Santos
A Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) iniciou em 2011 uma cruzada para alertar o governo brasileiro de que o modelo de financiamento imobiliário no país precisa ser revisto. Atualmente, apenas duas fontes geram recursos para quem precisa emprestar dinheiro para comprar a casa própria. Uma é o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e a outra é a caderneta de poupança.

Em 2010, de 1,052 milhão de imóveis residenciais financiados, 631 mil utilizaram dinheiro do FGTS e 421 mil do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). O comprometimento dos recursos do fundo de garantia e da poupança chegou a 57% do estoque. Por lei, o limite de financiamento destas duas fontes não pode extrapolar o teto de 65%. Segundo a Abecip, no ritmo atual de crescimento, isso deve ocorrer em três anos.
O problema é que, enquanto a demanda por financiamento imobiliário cresce a taxas de 50% ao ano no Brasil, o FGTS e a poupança só conseguem expansão média anual de 20%. “A escassez dessa fonte de recursos está prevista para dentro de dois a três anos. Aí está uma preocupação: temos de buscar fontes alternativas de financiamento”, alerta Luiz Antonio Nogueira de França, presidente da Abecip.
Segundo o dirigente, o governo brasileiro já está atento a esse descompasso, assim como o sistema financeiro. "Estamos trabalhando muito com a Secretaria de Política Econômica, do Ministério da Fazenda. Felizmente, o governo se sensibilizou sobre o assunto", afirma Luiz França. Segundo ele, uma das propostas é que o governo estimule os bancos privados a entrar no mercado de crédito imobiliário. Hoje, 85% desta modalidade de financiamento é gerenciado pela Caixa Econômica Federal.
A Abecip defende que o incentivo às instituições financeiras privadas poderia vir na forma de uma autorização para que elas emitissem títulos para captar recursos específicos para o financiamento imobiliário e também na redução dos impostos cobrados dos bancos para operar esse tipo de crédito.
A associação defende alternativas como a securitização e os covered bonds – espécie de título de investimento que já tem ampla aceitação na Europa, por exemplo. “São papéis de longo prazo, adequados ao financiamento imobiliário. No caso dos covered bonds, será necessária uma grande discussão envolvendo todas as entidades e o governo, para que venhamos a ter uma estrutura em que as prestações, com as novas fontes de funding (dívida de longo prazo) sejam semelhantes às atuais”, destaca o presidente da Abecip.
A busca de novas alternativas de financiamento também é vista como estratégica para fomentar o crédito imobiliário, que hoje representa apenas 4% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. “Acreditamos que, em 2014, esse número deve atingir 11% do PIB, com uma carteira da ordem de R$ 500 bilhões”, estima Luiz Antonio França, que apesar dos gargalos se mostra otimista. Ele compartilha da ideia de que o mercado imobiliário tem garantido crescimento sustentado para os próximos 20 anos.
Serviço
Quer saber mais sobre o assunto?
Dia 2 de junho de 2011, em São Paulo, a Abecip promove o seminário “Ampliando o funding para o mercado imobiliário”.
Mais informações no www.abecip.org.br
Entrevistado
Luiz Antonio França, presidente da Abecip (Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança)
Currículo
- Graduado em Engenharia Civil, formado pela Universidade Mackenzie
- Diretor Gerente do Banco Itaú, desde 1995
- Diretor do Credit Lyonnais Securities Corporate Finance (Nova York - USA)
- Conselheiro da CNF (Confederação Nacional das Instituições Financeiras)
- Diretor do Comitê Executivo de Negócios da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos)
- Membro do Fórum de Competitividade da Cadeia Produtiva da Construção Civil - MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior)
- Membro do Conselho Estadual de Habitação de São Paulo
Contato: abecip@abecip.org.br / imprensa@abecip.org.br (assessoria de imprensa)
Crédito foto: Divulgação/Abecip
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Caos no trânsito faz surgir o engenheiro de mobilidade
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) é a única a oferecer o curso no Brasil, que conta atualmente com 695 estudantes
Por: Altair Santos
Os gargalos que o Brasil enfrenta nas infraestruturas rodoviária, aérea e portuária fizeram surgir na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) o curso de Engenharia de Mobilidade. Único no Brasil, ele existe desde 2009 e já conta com 695 estudantes. A 1.ª turma cursa o 4.º período e as aulas são ministradas provisoriamente nas instalações da Universidade da Região de Joinville (Univille). É onde funciona o Centro de Engenharia da Mobilidade (CEM), que em breve ganhará um campus próprio, às margens dos quilômetros 51 e 52 da BR-101, também em Joinville.

Pela demanda atual, a direção do curso de graduação em Engenharia de Mobilidade estima que até 2014 mil alunos estejam matriculados. O que os estudantes buscam é uma formação especializada em projetos de construção e duplicação de estradas, gestão e planejamento do transporte urbano de passageiros e uma visão holística do que significa atuar no campo da mobilidade, para planejar e gerenciar o deslocamento de pessoas e produtos. “O foco está no estudo de cenários e projetos para resolver problemas de infraestrutura”, explica o diretor acadêmico da UFSC, Álvaro Lezana.
O curso tem uma peculiaridade. Seu organograma de disciplinas permite uma saída intermediária no final do terceiro ano, com diplomação em Bacharel em Tecnologia Veicular ou Bacharel em Tecnologia de Transportes. Já quem continuar a formação, com mais dois anos de curso, terá sete opções para se especializar em Engenharia de Mobilidade: automobilística, aeroespacial, ferroviária, naval, mecatrônica, infraestrutura de transportes e tráfego e logística. “Todas as disciplinas do curso são divididas em aulas práticas e teóricas”, diz Álvaro Lezana.
Quando totalmente instalado, o CEM, além de laboratórios básicos, terá seis grandes laboratórios industriais, um centro de pesquisas, uma pista de testes (já em construção), um tanque para experiências navais e um túnel de vento. O Centro de Engenharia da Mobilidade vai priorizar duas áreas: infraestrutura de transporte, que trata das grandes obras civis associadas ao transporte, como portos e aeroportos, e tráfego e logística, para cuidar do dimensionamento e operação destes sistemas. O CEM está sendo construído com recursos do Reuni (Reestruturação e Expansão das Universidades Federais).
Segundo o diretor acadêmico da UFSC, Álvaro Lezana, além da preocupação com infraestrutura, o curso de Engenharia de Mobilidade tem em seu quadro docente, professores-doutores com especialidade nas diversas áreas de mobilidade. “O conceito de engenharia de mobilidade é novo e, portanto, nossos docentes têm formação nas diversas áreas que compõem este conceito”, diz Lezana.
A projeção da direção da UFSC é que a primeira turma a ser formada terá absorção imediata pelo mercado. “Recentemente, a prefeitura de Joinville publicou um edital oferecendo as primeiras duas vagas para estagiários da Engenharia de Mobilidade. Também temos recebido demandas de diversas empresas locais”, revela o diretor acadêmico da universidade.
No caso do setor privado, os futuros profissionais tendem a ser absorvidos para solucionar problemas de logística e de transporte. Já o poder público, principalmente os municipais, investe na Engenharia de Mobilidade para resolver um dos principais dilemas das cidades com população acima de 200 mil habitantes: o congestionamento urbano.
Para exemplificar, a mais recente pesquisa da Associação Nacional de Transporte Público (ANTP) apontou que a economia da cidade de São Paulo, que tem um dos trânsitos mais caóticos do país, perde R$ 450 milhões por ano nos congestionamentos. É por isso que o pioneirismo da UFSC já começa a ser seguido em outros estados. Em Minas Gerais, com incentivo da mineradora Vale do Rio Doce, a Universidade Federal de Itajubá (MG), em seu campus em Itabira (MG), também está implantando o curso. É a Engenharia de Mobilidade crescendo na adversidade do trânsito brasileiro.

Entrevistado
Álvaro Lezana, diretor acadêmico da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Currículo
- Graduação em Ingeniero Civil Químico, formado pela Universidad Catolica de Valparaiso Chile (1979)
- Mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (1982)
- Doutorado em Escuela Téc.Superior de Ingenieros Industriales, na Universidad Politécnica de Madrid (1995)
Contato: lezana@deps.ufsc.br
Crédito fotos: Divulgação/ UFSC / Arquivo Pessoal
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Pré-moldado desponta como solução ao Haiti
Projeto Casa Fácil, desenvolvido pelo Instituto de Engenharia do Paraná, é a opção mais barata para resolver caos habitacional no país destruído por terremoto
Por: Altair Santos
Há mais de um ano sofrendo os impactos do terremoto que atingiu o país em 12 de janeiro de 2010, o Haiti só conseguirá se reerguer se houver um mutirão mundial para ajudá-lo. Há projetos em andamento, e um deles vem do Banco de Ideias do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), que apresentou o estudo denominado “Casa Fácil”. Consiste na construção de casas sociais com peças pré-moldadas de concreto. No Brasil, o custo de uma habitação deste tipo está avaliado em R$ 8.500,00. Com ajuda governamental e isenções fiscais, ela pode ser exportada ao Haiti por até R$ 5 mil.

O projeto “Casa Fácil” é uma adaptação do plano elaborado em 1985, pelo engenheiro e arquiteto Ayrton Lolo Cornelsen, denominado Projeto Esperança. Segundo o planejado pelo IEP, as casas pré-moldadas poderiam ser montadas pelo exército brasileiro, que já atua na reestruturação do Haiti, e inicialmente poderiam abranger 200 famílias. “A ideia é criar, em torno desta comunidade, módulos de auxílio à população, como unidades hospitalares, de segurança, esportiva, de ensino, além de colmeias rurais para que o povo haitiano possa se reerguer”, diz Raul Munhoz Neto, vice-presidente técnico do IEP.
O projeto do Instituto de Engenharia do Paraná foi apresentado ao CONFEA (Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura), que criou um grupo de trabalho para a reconstrução do Haiti. Também foi mostrado no I Seminário Internacional Pró-renascimento Solidário do Haiti, realizado entre 28 e 31 de março de 2011, em Foz do Iguaçu. Na sequência do seminário, o IEP recebeu a visita de quatro membros do CNIAH (Collège National des Ingénieurs et Architectes Haitiens) quando foi apresentado o plano “Casa Fácil”.
Segundo o vice-presidente técnico do IEP, o projeto encantou a comitiva haitiana, sobretudo pelo custo das moradias e pela rapidez com que podem ser montadas. “No que se refere às moradias, seria a utilização de sistema construtivo de casas pré-fabricadas, cujos projetos foram disponibilizados para os visitantes haitianos. Trata-se de moradias com grande facilidade de montagem, que não possuem pregos para construção e são erguidas de maneira rápida e simples, a partir de blocos prontos”, explica Raul Munhoz Neto.
Atualmente, projetos similares ao da “Casa Fácil” do IEP são desenvolvidos no Brasil. Kits de casa social têm sido vistos em favelas de Minas Gerais e em palafitas da região Norte do país. São habitações de 30, 40 ou 54 m². O kit inclui paredes, colunas, vigamento e laje pré-moldada. Com custo baixíssimo, é apontado pelo Banco de Ideias do IEP como a construção ideal para suprir a demanda por habitações no Haiti, que após o terremoto ficou com 1,3 milhão de desabrigados. “Há solução para o problema, desde que sejam aplicados recursos internacionais a fundo perdido e devidamente acompanhados por entidades humanitárias e técnicas”, avalia Raul Munhoz Neto, vice-presidente técnico da IEP.




Entrevistado
Raul Munhoz Neto, vice-presidente técnico do Instituto de Engenharia do Paraná
Currículo
- Graduado em Engenharia Mecânica (1966) pela Universidade Federal do Paraná.
- Ingressou na Copel em 1982 e atuou em diversas áreas e funções.
- Em 1994, assumiu a Diretoria de Engenharia e Construção, tendo atuado também no antigo LAC (Laboratório Central de Pesquisa e Desenvolvimento), precursor do Lactec, entre 1995 e 1999.
- Atualmente é vice-presidente técnico do Instituto de Engenharia do Paraná.
Contato: iep@iep.org.br / adriana@iep.org.br (assessoria de imprensa)
Créditos fotos: Altaneira Materiais de Construção
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Arena Pernambuco terá minicidade no entorno
Um dos estádios para a Copa do Mundo de 2014 terá mais de 129 mil m² de área construída e vai se valer do pré-moldado para acelerar obras
Por: Altair Santos
A Copa do Mundo fará nascer uma minicidade no município de São Lourenço da Mata, a 19 quilômetros de Recife. Em uma área de 240 hectares (equivalente a 300 campos oficiais de futebol) doada pelo governo pernambucano, será erguida não apenas a Arena Pernambuco, como um complexo que inclui as instalações de um campus universitário, uma arena indoor, hotéis, centro de convenções, shopping center, unidades comerciais e empresariais, além de uma área residencial, com 7.200 casas.

O projeto terá um conceito de uso integral e contemplará opções de moradia, trabalho, estudo e lazer. A nova localidade, que os pernambucanos estão chamando de “Cidade da Copa”, será preparada para receber até 100 mil pessoas, variando de acordo com os eventos sediados, e garantir segurança, mobilidade e infraestrutura diferenciadas. Toda a área foi planejada para ser percorrida, de sua região central aos diversos setores, em menos de 10 minutos a pé.
O complexo também priorizará a tecnologia e a inovação. Concebido para ser a primeira smart city (cidade inteligente, em inglês) do Brasil, o espaço terá como principais pilares o uso de tecnologias avançadas no monitoramento da segurança, no gerenciamento de energia e na adoção de sistemas integrados, o que tornará todos os serviços mais eficientes. O planejamento arquitetônico do projeto pernambucano se inspira na revitalização da região do vale Lower Lea, em Londres, para os Jogos Olímpicos de 2012.
A grande obra deste complexo urbano a ser erguido no entorno de Recife, e avaliado em R$ 1,6 bilhão, é a Arena Pernambuco. O estádio terá 129.581 m² de área construída e capacidade para 46.154 lugares. O estacionamento contará com seis mil vagas, sendo 800 delas subterrâneas. A cargo da Construtora Norberto Odebrecht, a expectativa é de que a arena esteja concluída até o segundo semestre de 2013, enquanto a minicidade ficará 100% pronta em 2022.
O consórcio responsável por construir o estádio vai explorar comercialmente o local por 30 anos. Em 2043, o estádio será repassado ao poder público de Pernambuco. A construção da Arena Pernambuco está estimada em R$ 532 milhões, incluindo o financiamento de R$ 280 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). “O cronograma de execução das obras do estádio está desvinculado ao dos projetos imobiliários, que também serão explorados pelos vencedores da licitação”, explica Marcos Lessa Mendes, executivo da Odebrecht e diretor-presidente do consórcio da Cidade da Copa.
Até maio de 2011, 85% da terraplanagem para a construção da Arena Pernambuco estava concluída. As fundações foram iniciadas em março, assim como a fase de concretagem. Estima-se que o estádio consuma cerca de 65 mil m³ de concreto. Para acelerar o cronograma da obra, uma usina para produzir estruturas em pré-moldado será montada no local de empreendimento. Hoje, cerca de 600 funcionários trabalham na construção e a expectativa é de que até o fim do ano o número chegue a 1.800.
Outras obras
Além do estádio e da minicidade, há investimentos do governo federal para a duplicação da BR-408, da BR-101 e da BR-232, que cruzam a região metropolitana de Recife. Também está em construção a ampliação do metrô da capital pernambucana, além de projetos para a criação de um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) e um VLP (Veículo Leve sobre Pneus), que ligará a “Cidade da Copa” a Recife.



Entrevistado
Construtora Norberto Odebrecht
Contato: palves@duxi.com.br (assessoria de imprensa)
Créditos fotos: Divulgação/ Odebrecht
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Porto Alegre prepara megaobra no Cais Mauá
Projeto vai revitalizar área de 181 mil m² e está estimado em R$ 500 milhões. Com desafios à engenharia, empreendimento estará pronto até 2014
Por: Altair Santos
Um antigo sonho de Porto Alegre está prestes a sair do papel. Trata-se da revitalização do Porto Cais Mauá – um projeto que desde 1991 é debatido pela cidade. Ele avançou, a partir do momento em que o governo do Rio Grande do Sul decidiu encampá-lo, e também por causa do evento Copa do Mundo de 2014. Atualmente, o empreendimento está em processo de desafetação da área da União, o que depende de decreto da Presidência da República. A expectativa é de que no início do segundo semestre de 2011 ocorra a liberação para a construção. "É possível que ainda neste ano comecem as obras de revitalização", ressalta o chefe da Casa Civil, Carlos Pestana.
O consórcio que vai viabilizar a revitalização do Porto Cais Mauá é liderado pelo grupo Bertin e conta com projeto do escritório de arquitetura catalão B720, de Fermin Vasques, e com urbanismo do arquiteto Jaime Lerner. A concepção é uma fusão das revitalizações já empreendidas em Barcelona, na Espanha, e no Puerto Madero, em Buenos Aires, na Argentina, respeitando conceitos regionais. “A utilização de portos não operacionais em áreas de lazer já acontece no mundo todo há muito tempo. Aqui no Brasil ainda estamos atrasados. Aproveitamos várias ideias e criamos um conceito próprio para a revitalização do Cais Mauá. O gaúcho tem seu jeito de ser, que foi muito respeitado”, revela Edemar Tutikian, assessor da prefeitura de Porto Alegre para grandes projetos.
Para a capital gaúcha, o empreendimento é visto como um impacto positivo na reurbanização do centro histórico da cidade, fortalecendo os setores do turismo e do comércio porto-alegrense. O trecho a ser revitalizado vai da Usina do Gasômetro até as proximidades da estação rodoviária. Trata-se de uma área linear de 3.300m, com 181.000m². “A proposta vencedora apresentou projeto lastreado na sustentabilidade: parte comercial nas pontas, com shopping, terminal hidroviário, prédios de escritórios, hotel e gastronomia. Já o lado cultural, com lazer e entretenimento, ocupa a parte central, onde estão os armazéns tombados pelo patrimônio histórico”, explica Tutikian.
O investimento para a revitalização do Porto Cais Mauá está estimado em R$ 500 milhões. O modelo é de concessão de 25 anos, com possibilidade de renovação por mais 25 anos. A expectativa é de que sejam gerados 8 mil empregos (3 mil diretos e 5 mil indiretos). O Consórcio Porto Cais Mauá pagará ao Estado R$ 2,5 milhões por ano pelo arrendamento e se responsabilizará pela manutenção das obras sociais e de eventos, como Feira do Livro, Museu de Arte Contemporânea e Bienal do Mercosul, além de sustentar os investimentos na área ao longo do período do arrendamento. A estimativa é que o empreendimento atraia um milhão de pessoas por mês ao Porto Cais Mauá.
Pelo projeto vencedor, as paredes de alvenaria dos armazéns tendem a ser removidas e substituídas por vidros. As principais construções, no entanto, ficariam nos dois extremos. Perto da rodoviária, seriam erguidas duas torres comerciais para escritório, uma com 20 e outra com 14 andares, além de estacionamento para 3.500 vagas. Na outra ponta, perto da Usina do Gasômetro, está previsto um hotel com 20 andares, um shopping center de 13 mil m² e um centro de convenções.
Ainda de acordo com a proposta, os nove armazéns que serão mantidos abrigariam bares, restaurantes, lojas e espaços culturais. Para manter o fluxo noturno, uma possibilidade é instalar uma faculdade na área. O consórcio que viabilizará a obra ainda não tem estimado o volume de concreto a ser usado na revitalização, mas estima que o sistema construtivo com pré-moldados desponta como a primeira opção. Até porque, com o cronograma apertado, agilizaria a conclusão do empreendimento até 2014. O complexo é a principal obra da cidade para a Copa do Mundo.



Entrevistados
- Edemar Tutikian, assessor da prefeitura de Porto Alegre para grandes projetos
- Prefeitura de Porto Alegre
- Secretária municipal da Copa para Porto Alegre (SeCopa)
- Superintendência de Portos e Hidrovias do Governo do Estado do Rio Grande do Sul
Currículo
Edemar Morel Tutikian é advogado e já atuou em vários organismos de governo no Rio Grande do Sul.
Contatos: Edemar Tutikian: etutikian@terra.com.br / Prefeitura de Porto Alegre: giuliano@gp.prefpoa.com.br / paulaaguiar@gp.prefpoa.com.br / tatianehf@gp.prefpoa.com.br / ivogoncalves@gp.prefpoa.com.br / SeCopa: bibiana@secopa.prefpoa.com.br
Créditos fotos: Divulgação