Construção civil ganha mais um aliado: o engenheiro acústico
Profissão tem curso de graduação na Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e uma de suas missões é a busca do conforto acústico em edificações e equipamentos
Por: Altair Santos
Pesquisas realizadas na infraestrutura laboratorial do curso de Engenharia Acústica da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, mostram que o concreto tem conseguido atingir cada vez mais níveis elogiáveis de desempenho acústico. Isso ocorre, sobretudo, em construções que utilizam as lajes de entrepiso, em vez do contrapiso zero, e já adequadas à Norma Técnica de Desempenho para edificações habitacionais de até cinco pavimentos – ABNT NBR 15575, que trata primordialmente do desempenho construtivo de edificações de até cinco pavimentos, mas com requisitos que podem ser aplicados em edifícios maiores – entre eles, o conforto acústico.

Esse tipo de estudo acadêmico está entre as atribuições do único curso de graduação em Engenharia Acústica existente no Brasil. Criado em 2008, após aprovação do Conselho Universitário da UFSM e registro no MEC (Ministério da Educação), o curso vai constituir em agosto de 2011 sua terceira turma, cada uma com 40 alunos. Durante cinco anos, os estudantes seguem um programa pedagógico que permite ênfases em acústica, áudio e vibrações. Idealizado pela professora Dinara Paixão, que é engenheira civil, o curso contou com a experiência do professor Felipe Vergara - engenheiro acústico formado no Chile - para a montagem da grade curricular.
Atualmente, além dos dois professores citados, foram concursados outros cinco doutores em diferentes áreas da acústica para atuar no curso. São eles, Marco Antônio Pinheiro, Stephan Paul, Andrey da Silva, Leonardo Ferreira Lopes e Éric Brandão. Brevemente, a UFSM planeja realizar dois novos concursos para a contratação de mais professores. “A ideia começou a ser formatada em 2000, quando o Setor de Acústica do Centro de Tecnologia da UFSM, ligado ao Departamento de Estruturas e Construção Civil da universidade, criou o Grupo de Pesquisa multidisciplinar Acústica, registrado no CNPq”, explica Dinara Paixão, que é quem coordena o curso.
Além de poder atuar em pesquisas que busquem o conforto acústico na construção civil, o profissional da Engenharia Acústica encontra mercado de trabalho também na área industrial, atuando na montagem de máquinas e equipamentos, bem como em projetos de dutos de ventilação e transporte de fluxos que geram vibração estrutural e ruído. O especialista ainda pode trabalhar na busca da melhoria da qualidade vibroacústica em veículos de transporte e em outros produtos como secadores de cabelo, geladeiras, lava-louças, máquinas de lavar, embalagens de alimentos, instrumentos musicais e aparelhos de informática e eletroeletrônicos.
Na construção civil, o Engenheiro Acústico pode atuar como consultor na definição de sistemas construtivos adequados com o ambiente em que o empreendimento será edificado e influenciar também no projeto de execução. “Conseguir o isolamento acústico dos ambientes não é apenas uma questão da escolha dos materiais, mas especialmente da execução. Um piso flutuante, por exemplo, mesmo contando com o melhor material resiliente, pode ter um péssimo desempenho se for mal executado. Paredes bem construídas podem perder o conforto acústico se a escolha das janelas for inadequada. É importante, por isso, que haja um cuidado desde a elaboração do zoneamento do projeto, passando pela integração dos projetos arquitetônico e complementares da edificação, chegando à avaliação específica do desempenho acústico”, explica a professora Dinara Paixão.

Poluição sonora
O curso da UFSM também trabalha com o tema transversal “A responsabilidade socioambiental do Engenheiro Acústico”. Para isso, os alunos estudam questões como o impacto acústico ambiental e aprendem a elaborar projetos de barreiras acústicas e mapas de ruído. “Atualmente, verifica-se que há uma grande dificuldade no controle da poluição sonora no Brasil” diz a coordenadora do curso, que também preside a Sociedade Brasileira de Acústica (SOBRAC). “Estamos atuando junto ao Congresso Nacional na busca da formulação de uma Política Nacional de Educação, Controle e Gestão da Poluição Sonora”, complementa Dinara Paixão.
Entrevistada
Dinara Xavier da Paixão, coordenadora do curso de Engenharia Acústica da Universidade Federal de Santa Maria
Currículo
- Engenheira Civil, Mestre em Educação e Doutora em Engenharia Acústica
- Presidente da Sociedade Brasileira de Acústica (SOBRAC)
- Conselheira da Federação Iberoamericana de Acústica (FIA)
- Coordenadora do Curso de Engenharia Acústica da UFSM
- Professora Associada da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
Contato: dinaraxp@yahoo.com.br / http://www.ufsm.br/acustica
Créditos Fotos: Divulgação/UFSM
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Pré-fabricado abre espaço no setor de prédios residenciais
Atualmente, 10% das empresas ligadas à ABCIC já contam com produtos especialmente desenvolvidos para o segmento habitacional
Por: Altair Santos
O setor de construções industrializadas de concreto (pré-fabricado) estima que em 2011 crescerá 20%, em comparação aos 15% alcançados em 2010. Esse percentual refere-se ao crescimento global, que abrange obras comerciais, industriais, de infraestrutura e, sobretudo, residenciais. É neste segmento que o pré-fabricado tem se tornado competitivo. Em 2009, em média, cada uma das empresas ligadas ao setor havia empreendido 10 mil m² em projetos habitacionais. No ano passado, esse número subiu para 30 mil m². A estimativa é de que em 2011 (os números só devem ser fechados no final do ano) o volume seja ainda mais relevante.

Atualmente, 10% das empresas ligadas à Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC) já contam com produtos especialmente desenvolvidos para o segmento habitacional – todas elas credenciadas com o “selo de excelência ABCIC”, que integra qualidade, segurança e respeito ao meio ambiente. Agora, com o recente lançamento da segunda etapa do Minha Casa, Minha Vida, a expectativa é de que o pré-fabricado se consolide como um dos sistemas construtivos capazes de dar agilidade ao programa. “Como entidade entendemos que seguramente temos muito a contribuir com a demanda gerada pelo governo nos programas habitacionais”, avalia Iria Lícia Oliva Doniak, presidente-executiva ABCIC.
Segundo ela, o que precisa é que o governo federal retire barreiras que atrapalham o setor. “Diferentemente do que ocorre nos países desenvolvidos, no Brasil a carga tributária que incide sobre as construções com pré-fabricados de concreto é maior do que sobre os sistemas convencionais, o que, em alguns casos, inviabiliza a adoção do sistema”, aponta Iria Doniak. Por isso, para induzir a construção industrializada, a ABCIC, desde 2009, possui o Comitê Habitacional e o Subcomitê de Habitação de Interesse Social. O primeiro, para tratar das questões habitacionais, independentemente do tipo de empreendimento; o segundo, com foco nas habitações populares.
A presidente-executiva da ABCIC cita que recentemente esteve na Finlândia, participando de evento da Federação Internacional do Concreto (FIB), e que naquele país europeu a pré-fabricação em concreto para estruturas abrange 50% do mercado, enquanto a aplicação em empreendimentos habitacionais atinge 80%. “Poderíamos dizer que andar em Helsinki é como estar numa “Precast land” (terra dos pré-fabricados)”, diz, completando que no Brasil um case foi a reconstrução de moradias no Morro do Bumba, em Niterói – região atingida por deslizamentos em 2010 -, usando o pré-fabricado.
Porém, além das aplicações de cunho social, o pré-fabricado comporta atualmente desde edifícios de alto padrão até prédios comerciais de múltiplos pavimentos. “Como estamos falando de estrutura, embora haja variações de dimensionamento de elementos estruturais em função do número de andares e outras características, é importante ressaltar que a qualidade dos materiais empregados é a mesma, independentemente da aplicação”, afirma Iria.
Segundo a presidente-executiva da ABCIC, as vantagens de se adotar o sistema em pré-fabricados de concreto são as seguintes:
- Construções com menores prazos para entrega, unindo maior velocidade à redução dos custos fixos, proporcionando a garantia de retorno financeiro rápido.
- Busca de maior qualidade, produtividade e redução de desperdícios.
- Sustentabilidade.
- Mão de obra qualificada.
- Resistência ao fogo.
“Quando produzimos as peças em pré-moldado na indústria, o processo de canteiro de obras diz respeito somente à montagem, ou seja, é seco. Não há necessidade de produção de concreto ou concretagem no local. Na indústria, em ambiente controlado, é mais fácil racionalizar o processo, reaproveitar água e produzir baixo percentual de resíduos sólidos em canteiro”, garante.
Além de avançar no segmento habitacional, as estruturas de concreto pré-fabricado são aplicáveis em obras industriais, comerciais, habitacionais, shopping centers, escolas, hipermercados, centros de distribuição e logística e estádios de futebol. “Para as obras da Copa de 2014, boa parte dos estádios em construção ou em reforma usarão o pré-fabricado. Estas aplicações se dão sem tolher a liberdade arquitetônica. Foi-se o tempo em que a imagem do pré-fabricado era associada somente a galpões industriais, embora este segmento ainda seja um dos consumidores do produto”, finaliza Iria Lícia Oliva Doniak.

O que é o selo ABCIC
A ABCIC possui um programa denominado “selo de excelência ABCIC”, que integra qualidade, segurança e meio ambiente. Trata-se de um programa evolutivo, no qual as empresas podem ingressar no nível I e gradativamente atingir o nível II ou ingressar diretamente nos níveis II e III. Os níveis possuem enfoques distintos e contemplam em seus requisitos a ABNT NBR 9062 - Projeto e Execução de Estruturas Pré-moldadas, norma técnica aplicável ao setor, NR-18 Norma Regulamentar de Segurança para a Construção Civil, ISO 9001, ISO 14001 e Responsabilidade Social.
No nível I o enfoque é de controle, no nível II garantia e, por fim, no nível III gestão. Este programa é gerenciado pelo CTE Centro de Tecnologia em edificações o qual é responsável pelas avaliações iniciais e semestrais de manutenção das empresas. Há uma Comissão de Credenciamento que é voluntária e composta por representantes de entidades afins (Projetistas Estruturais, Arquitetura, Normas Técnicas, Sindicato da Indústria da Construção Civil entre outras) que detêm a autoridade de validar os processos e promover alterações nas normas estabelecidas,assegurando desta forma a confiabilidade do processo.
A norma de requisitos para obtenção do Selo de Excelo de Excelência bem como todos os regimentos encontram-se disponíveis no site www.abcic.org.br em certificação.
Sugestão
A ABCIC está reeditando o livro “Pré-fabricados de Coletânea de Obras Brasileiras”, uma importante referência de aplicações nos diversos segmentos, lançado em 2008 pela associação e que pode ser obtido através do site www.abcic.org.br.
Entrevistada
Iria Doniak, Presidente Executiva da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto)
Currículo
- Engenheira civil graduada pela PUC-PR em 1988
- Atua no setor concreto desde 1986, tendo iniciado suas atividades em Laboratório de Controle Tecnológico, posteriormente atuou em central de concreto, abrangendo gerência operacional e técnica
- De 1997 a 2008 foi consultora da D.O. Engenharia e Projetos, cujo foco principal de atuação foi a construção pré-fabricada
- Membro do Comitê de Revisão da NBR 9062 - Projeto e Execução de Estruturas de Concreto Pré-moldado
- Membro do Comitê de Revisão da NBR 14861 - Lajes alveolares, no âmbito ABNT entre outras comissões (entre 1998 e 2007)
- Auditora BVQI (Bureau Veritas Quality International) para os programas ISO 9001 e PBQP-h
- Diretora de Qualidade ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto) de 2003 a 2007
- Diretora Executiva da ABCIC de 2008 a 2010
- Presidente Executiva da ABCIC a partir de outubro de 2010
- Representante da ABCIC na FIB (Federation Internationale du Beton) onde é membro da Comission 6: Prefabrication FIB
- Membro do Conselho Diretor IBRACON (atual gestão), como representante da ABCIC e do Conselho Editorial revista Concreto e Construções/IBRACON
Contato: iria@abcic.org.br
Créditos fotos: Divulgação/Governo do RJ/ABCIC
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Antiga reivindicação, BR-101 pode sair do papel no Paraná
Construção da rodovia no Estado retornou à pauta depois das chuvas de março de 2011, que destruíram trechos das BRs 277 e 376, no litoral paranaense
Por: Altair Santos
As chuvas que atingiram o litoral do Paraná em março de 2011, causando colapso nas rodovias BR-277 e BR-376, também serviram para destravar um dos mais antigos projetos rodoviários do Estado: a construção do trecho paranaense da BR-101. A implantação da estrada é reivindicada há 20 anos pelo setor de transportes e em abril o Departamento de Estradas e Rodagem (DER) finalizou o projeto básico para a implantação da rodovia.

A proposta do DER prevê a construção de uma estrada que partiria da região de Garuva, na divisa entre Paraná e Santa Catarina, contornando a baía de Guaratuba até alcançar a PR-508 - também conhecida como Alexandra-Matinhos. A partir desse trecho, ela faria conexão com a BR-277, desembocando no Porto de Paranaguá. A segunda etapa, ainda em discussão, ligaria a BR-277, a partir de Antonina, e partiria em direção à BR-116, passando por Cacatu, no sentido São Paulo.
Segundo o diretor geral do DER, Amauri Medeiros Cavalcanti, a obra torna-se cada vez mais relevante ao Paraná. “Além de abrir um novo acesso aos portos de Paranaguá e Antonina, ela facilitará a circulação de mercadorias entre os terminais marítimos paranaenses, dinamizando a economia. Outro beneficio é a retirada da região metropolitana de Curitiba de milhares de caminhões por dia, que se utilizam das BRs 116 e 376, passando pelo Contorno Leste”, avalia.
Pelos estudos, o trecho paranaense da BR-101 pode atingir 170 quilômetros. O custo da obra da primeira etapa, entre Garuva e a estrada Alexandra-Matinhos, tem um orçamento estimado de R$ 400 milhões, mas Amauri Medeiros Cavalcanti prefere não citar números definitivos. Até porque, a escolha do tipo de pavimento e as obras de arte que vão compor a rodovia é que irão definir seu custo final. Uma hipótese é que, por se tratar de uma estrada para o escoamento de carga, ela tenha chances de ser construída em pavimento rígido (concreto). “O uso do pavimento de concreto dependerá dos projetos e da avaliação de custos. O importante é construir uma rodovia segura para os usuários e para o meio ambiente”, diz o diretor geral do DER.
O próximo passo para que o trecho paranaense saia do papel é a elaboração da viabilidade técnica, econômica e ambiental do projeto concebido pelo DER. O plano seguirá para o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), a fim de que a obra entre no orçamento do governo. O maior impasse para a construção do trecho paranaense da BR-101 está na questão ambiental, já que a estrada invade áreas de Mata Atlântica, onde as normas de proteção são muito rígidas.
A BR-101 é uma das maiores rodovias federais do Brasil. Ela une 12 estados, apesar de ser interrompida no Paraná, onde é substituída pelo trecho sul da BR-376. A estrada parte da cidade de Touros, no Rio Grande do Norte, e atinge o município de São José do Norte, no Rio Grande do Sul, passando também por Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.
Oficialmente denominada Rodovia Mário Covas, ela atualmente encontra-se em duplicação nos trechos que ligam Florianópolis a Porto Alegre, entre Palhoça (SC) e Osório (RS), com 350 quilômetros, e Natal, no Rio Grande do Norte, a Palmares, em Pernambuco, com 404 quilômetros. Nestas obras, há predominância de pavimento rígido.

Entrevistado
Amauri Medeiros Cavalcanti, diretor geral do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) no Paraná
Currículo
- Engenheiro civil formado pela Escola Politécnica de Campina Grande, da Universidade Federal da Paraíba (EPUFPB)
- Tem pós-graduação na FAESP (Faculdade Anchieta de Ensino Superior do Paraná), com especialização em Gestão Pública e Educacional
- Fiscalizou a execução de mais de 2.300 quilômetros de rodovias no Paraná, tem exercido diversos cargos dentro do DER
Contato: amaurimc@der.pr.gov.br
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Minha Casa, Minha Vida 2 tende a estimular tecnologias construtivas
Segunda etapa do programa habitacional revê normas para agilizar obras, mas setor imobiliário espera que regulamentação técnica priorize a construção industrial
Por: Altair Santos
Desde 16 de junho de 2011, o programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida entrou na segunda fase. Lançado pela presidente Dilma Rousseff, ele tem o objetivo de, até 2014, ter dois milhões de habitações contratadas – boa parte delas para a população de baixa renda. Por isso, algumas normas que impediam um maior volume de construções foram revistas. Entre elas, a que limitava os prédios residenciais a cinco andares. “Agora, a altura da edificação será de acordo com as regras do governo local, o que tende a desburocratizar os projetos ”, explica a secretária nacional de habitação do ministério das Cidades, Inês da Silva Magalhães.

Essa decisão, segundo o ministério, tende a atrair mais construtoras e incorporadoras para o programa, principalmente nas capitais e regiões metropolitanas, onde os terrenos são mais caros. Outra medida nova acoplada ao Minha Casa, Minha Vida 2 (MCMV 2) é a que autoriza a exploração comercial dos andares térreos dos prédios, com reversão do aluguel para o condomínio. Essa é uma das formas de subsídios que o governo criou para custear os empreendimentos à baixa renda. Ao todo, o MCMV 2 vai dispor de R$ 125,7 bilhões, dos quais R$ 72,6 bilhões são para subsídio e R$ 53,1 bilhões para financiamento.
A regulamentação técnica da segunda fase do Programa Minha Casa, Minha Vida deve ser anunciada até a segunda quinzena de julho de 2011. A regulamentação já foi discutida internamente pela Caixa Econômica Federal (CEF) e seguiu para análise dos ministérios das Cidades e do Planejamento. Para o setor imobiliário, uma das expectativas gira em torno das novas tecnologias construtivas que o MCMV2 irá contemplar. Caso contrário, estima-se que não será possível concluir dois milhões de moradias em menos de três anos.
É o que avalia Flávio Prando, vice-presidente de Habitação do Secovi-SP. “A meta é possível de ser alcançada, mas a aprovação de novos processos e novas tecnologias construtivas precisa ganhar agilidade. Não é possível imaginar construir mais de um milhão de habitações por ano com sistemas antigos como há 50 anos. O Brasil precisa de mais laboratórios e técnicos capacitados para atuar em pesquisa no setor da construção civil. Para isso, dependemos de incentivos do governo”, conclui.

Para o dirigente, além de estímulos à construção industrial, sobretudo aos edifícios em pré-moldado, três fatores também devem ser considerados para o sucesso do Minha Casa, Minha Vida 2: 1) Aumento dos custos da terra; 2) Aumento dos custos de produção, e 3) Modificações no memorial descritivo das unidades que resultaram em acréscimo de área, pois nessa segunda fase do programa os apartamentos terão de atender as determinações legais de acessibilidade universal, com aumento da área útil, do tamanho das portas e janelas e uso de azulejos e pisos cerâmicos nas áreas frias, dentre outras exigências.
Para suprir essas demandas, o MCMV 2 alterou os limites das faixas de renda das famílias atendidas: Faixa 1 (até R$ 1.600,00); Faixa 2 (de R$ 1.601,00 até R$ 3.100,00) e Faixa 3 (de R$ 3.101,00 até R$ 5.000,00). “É consenso no setor que o estímulo às operações enquadradas nas faixas 2 e 3 são um grande gerador de receitas fiscais ao governo, e que poderão alavancar a faixa 1, predominantemente baseada em subsídios, tornando assim o programa fiscalmente sustentável”, elogiou Flávio Prando.
Prioridade
A prioridade do Minha Casa, Minha Vida 2, segundo o governo federal, será atender as famílias que ganham até R$ 1.600,00 por mês nas áreas urbanas e até R$ 15 mil anuais na área rural. Assim, 1,2 milhão de moradias será destinada a essas famílias. Para aquelas com renda de até R$ 3.100,00 na área urbana e R$ 30 mil na área rural, serão 600 mil habitações (30%). E para as que possuem renda até R$ 5.000,00 mensais na área urbana e até R$ 60 mil anuais na área rural, serão 200 mil moradias (10 %).

O valor médio das moradias para famílias de baixa renda passou de R$ 42.000,00 para R$ 55.188,00 e a área construída das casas foi ampliada de 35m² para 39m², melhorando a acessibilidade para idosos e pessoas com dificuldades de locomoção. As casas e apartamentos, obrigatoriamente, deverão contar com azulejos em todas as paredes da cozinha e banheiro, piso cerâmico em todos os cômodos e portas e janelas maiores. Todas as casas contarão ainda com energia solar para aquecimento de água, colaborando para a diminuição dos gastos com energia.
Veja apresentação em power point do MCMV2.
Entrevistados
Inês da Silva Magalhães, secretária nacional de habitação do ministério das Cidades
Flávio Prando, vice-presidente de Habitação do Secovi-SP
Currículos
Inês da Silva Magalhães
- Socióloga especialista em planejamento de gestão
- Entre as funções já exercidas, estão a de diretora de urbanização de assentamentos precários na Secretaria Nacional de Habitação
- Atuou também na Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) do Estado de São Paulo e nas administrações municipais de São Paulo e São Vicente
Flávio Prando
- Graduado em Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo
- Tem especialização nas áreas de Estatística e Pesquisa Operacional, em nível de pós-graduação, e em Direito Imobiliário
- É sócio-diretor da Nova Investimentos Imobiliário Ltda
Contatos: Inês da Silva Magalhães: snh@cidades.gov.br / Flávio Prando: andressa.ferrer@secovi.com.br (assessoria de imprensa)
Créditos Fotos: Divulgação / Secovi-SP / Agência Brasil
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Maracanã encolhe, mas ganha inovações e sustentabilidade
Construído há 61 anos, estádio passa por reformas para a Copa do Mundo de 2014, que vão consumir 31 mil m³ de concreto e 250 mil sacos de cimento
Por: Altair Santos
Entre 2 de agosto de 1948 e 16 de junho de 1950, período que levou para ser construído, o Maracanã consumiu 550 mil sacos de cimento e 80 mil m³ de concreto. Passados 61 anos, o estádio está em obras novamente – desta vez, para sediar jogos da Copa do Mundo de 2014. A nova reforma, segundo a Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop), vai consumir números mais modestos de cimento e concreto. Mesmo assim, não deixam de ser impressionantes: 31 mil m³ de concreto e 250 mil sacos de cimento.

Todo esse volume de material será aplicado para transformar o Maracanã em um dos estádios brasileiros com o maior número de inovações. Além das mudanças preceituadas pela Fifa, o palco da final do mundial de 2014 terá mudanças em sua estrutura. A marquise de concreto, por exemplo, será substituída por um sistema de lona tensionada. “A nova cobertura terá condições de luz mais uniforme e flexibilidade plena para a instalação de equipamentos, além de contemplar a totalidade dos assentos”, explica o presidente da Emop, Ícaro Moreno.
Quando totalmente reformado, o Maracanã terá capacidade para receber 78.639 torcedores. Vai comportar cerca de 100 mil pessoas a menos do que o recorde de público oficial do estádio, registrado no jogo Brasil 1 x 0 Paraguai, dia 31 de agosto de 1969, pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1970. Na época, 183.341 superlotaram o Maracanã. “A prioridade será o conforto. A nova arquibancada garantirá maior visibilidade para todos e os assentos retráteis permitirão uma melhor circulação dos torcedores”, justifica Ícaro Moreno.
O Maracanã também ganhará arquibancadas que deixarão o público mais próximo do campo de jogo. O projeto da reforma prioriza visibilidade, mobilidade e acessibilidade nas dependências internas e no entorno do estádio. A distância do gramado, por exemplo, passará dos antigos 56 metros para 12 metros. “Todas as mudanças propostas no projeto foram aprovadas pelo Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional)”, revela o presidente da Emop. Por se tratar de um monumento tombado, a reforma do estádio precisou preservar a arquitetura do Maracanã.

A troca da marquise do estádio pelo sistema de lona tensionada só foi aprovada pelo Iphan depois da apresentação de laudos que mostraram que a estrutura antiga não suportaria o impacto das obras. “A marquise foi condenada por laudos de órgãos nacionais e internacionais. A estrutura que irá substituí-la terá durabilidade de 50 anos e garantia de 15 anos. Além disso, terá um sistema de captação de água da chuva para irrigar o gramado”, explica Ícaro Moreno. Por conta dessas inovações, as reformas do Maracanã estão adequadas à certificação LEED (sigla em inglês para liderança em energia e design ambiental) protocolo concedido às edificações sustentáveis.
Para ser concedida, a certificação LEED exige que, quando concluída, a reforma do Maracanã gere 30% de economia em energia, 50% de água, 60% de resíduos e 30% nas emissões de gases de efeito estufa. Por isso, o estádio ganhará um sistema de aquecimento solar para equipamentos como as duchas dos vestiários. Além do estádio do Rio de Janeiro, outras cinco subsedes da Copa buscam o selo verde de construção sustentável: Manaus, Brasília, Cuiabá, Belo Horizonte e Salvador.
A previsão é de que o novo Maracanã esteja concluído até o início de 2013. Atualmente, 1.107 operários trabalham em dois turnos (um de 7h às 17h, outro de 19h às 5h). No pico da reforma, o que deve ocorrer em 2012, serão cerca de 3 mil homens se revezando na obra. Há mais de 50 anos, o estádio chegou a ter 11 mil trabalhadores em sua construção. A readequação do Maracanã para a Copa de 2014 está orçada em R$ 931.885.382,19.

Você sabia?
O projeto original do Maracanã foi concebido pelos arquitetos Miguel Feldman e Antônio D. Carneiro, em 1947. O formato do estádio é oval, medindo 317 metros no eixo maior e 279 metros no menor. Sua altura é de 32 metros.

Entrevistado
Ícaro Moreno Júnior, presidente da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop)
Currículo
- Ícaro Moreno Júnior é Engenheiro Civil formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em 1980
- Pós-graduado em Engenharia Sanitária e Ambiental, pela UERJ, completou também o curso de extensão em Engenharia Ambiental, na UFRJ
- Em 2006, defendeu tese de Mestrado sobre a Gestão de Recursos Hídricos de Empresa Pública, na área de Planejamento Energético e Ambiental da COPPE, da UFRJ
Contato: ascom@emop.rj.gov.br /www.emop.rj.gov.br
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Universidade Secovi aprimora setor imobiliário
Fundada há 10 anos, instituição funciona em parceria com outros Órgãos, como o SindusCon-SP, e atrai também engenheiros civis e arquitetos
Por: Altair Santos
Em maio de 2011, a Universidade Secovi - primeira do gênero no país voltada exclusivamente para o setor imobiliário - completou dez anos. Neste período, ela formou 14.130 profissionais, promoveu 406 turmas e ministrou 9.664 horas de aulas. Já foram mais de 300 cursos aplicados pela universidade, cujo objetivo é aprimorar profissionais e empresários ligados aos mais diversos segmentos da cadeia imobiliária. “Identificamos que faltava um núcleo que respondesse pela produção e disseminação de conhecimentos específicos e estratégicos do setor. Para preencher essa lacuna, criou-se a universidade corporativa do Secovi”, responde o pró-reitor Cláudio Bernardes.

Sustentada pelo Sindicato da Habitação de São Paulo, a Universidade Secovi funciona com aulas presenciais, em sua sede na capital paulista, ou em transmissões simultâneas em suas sedes regionais, localizadas nas regiões da Baixada Santista, Bauru, Campinas, Grande ABC, Jundiaí, São José do Rio Preto, Sorocaba e Vale do Paraíba. “Nossos cursos variam de 6 horas a 115 horas. Somos uma universidade corporativa, que oferece cursos de aperfeiçoamento e treinamento. Não temos o reconhecimento do MEC (Ministério da Educação) por esse motivo não podemos considerar a Universidade Secovi como uma universidade tradicional”, explica Cláudio Bernardes.
Dos cursos, um está entre os mais procurados por engenheiros civis e arquitetos. É o que trata de Desenvolvimento e Aprovação de Projetos de Parcelamento do Solo Urbano. A Universidade do Secovi também já ministrou outros cursos voltados para a construção civil, mas neste caso o fez em parceria com o SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo). Na maioria das vezes, as disciplinas da Universidade Secovi são voltadas aos profissionais das áreas representadas pelo Secovi-SP: administração de condomínios, compra, venda, locação, administração de imóveis residenciais e comerciais, incorporação e loteamento.
Além de promover cursos, a Universidade Secovi atua no desenvolvimento de pesquisas científicas imobiliárias e fomenta as publicações de artigos, livros, manuais e estudos direcionados ao setor. Recentemente, a universidade lançou também um MBA (sigla em inglês, para Mestre em Administração de Negócios). O curso sobre Financiamento e Negócios Imobiliários funciona em parceria com a Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) e a UBS (União Business School). Também há uma pós-graduação em Gestão de Negócios Imobiliários, elaborada em conjunto com a ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing).
Serviço
A sede da Universidade Secovi fica na Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, 2.344 - 9º andar – São Paulo-SP. A estrutura conta com um auditório e quatro salas de aulas.
Entrevistado
Cláudio Bernardes, pró-reitor da Universidade Secovi
Currículo
- Cláudio Bernardes é graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia Mauá (IMT)
- Possui o título de “master of Engineering”, pela University of Sheffield (Inglaterra)
- Tem especialização em Engenharia de Produção para Construção Civil (Fundação Vanzollini - USP)
- É professor do curso de pós-graduação em Negócios Imobiliários, da Fundação Armando Alvarez Penteado (FAAP)
- Professor da Fundação Getúlio Vargas
- Presidente do Conselho Brasileiro do ULI (Urban Land Institute - EUA)
- Vice-presidente do Secovi-SP
- Pró-Reitor da Universidade Corporativa Secovi
- Diretor Presidente da Ingaí Incorporadora S/A
Contato: aspress@secovi.com.br / www.secovi.com.br / www.universidadesecovi.com.br
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Bom ensino começa pela arquitetura de uma escola
Em livro, professora da Unicamp Doris Kowaltowski alerta que conforto ambiental está ausente em boa parte das construções planejadas para servir à educação
Por: Altair Santos
O conforto ambiental, em todos os seus aspectos - térmicos, lumínicos, acústicos e funcionais -, é ignorado em boa parte dos projetos arquitetônicos das escolas brasileiras. Pode não parecer, mas isso influencia no desempenho dos estudantes. Salas de aula sem iluminação natural e ventilação adequada podem gerar cansaço nos alunos. Ambientes com problema de acústica também dificultam o aprendizado. É o que constatou a professora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Doris Kowaltowski, que recentemente lançou o livro Arquitetura escolar: o projeto do ambiente de ensino.

Em sua obra, ela defende a tese de que a formação do aluno depende não apenas do professor e do material didático, mas também do espaço que ele frequenta. “Meu objetivo foi discutir o ambiente escolar e como ele deve ser projetado para acomodar adequadamente todas as atividades que uma boa educação necessita desenvolver”, disse Doris Kowaltowski, avaliando que um projeto arquitetônico mal concebido prejudica todo o tipo de estudante, seja criança ou adulto. “A carga que o ambiente gera se reflete no desempenho de qualquer pessoa”, afirma.
Segundo a pesquisadora, no estudo que realizou para elaborar seu livro, ela percebeu que escolas com construções inadequadas chegam a gerar insegurança nos alunos, principalmente os da educação básica. “Há crianças que não conseguem escutar o professor na sala de aula e aprendem mal ou aprendem errado. Outras passam calor ou frio no ambiente de ensino. Tudo isso vai influenciar o aprendizado e aí se prejudica a educação daquela criança”, diz a professora de arquitetura da Unicamp, completando que o mobiliário também é importante para compor um bom espaço de ensino.
Doris Kowaltowski avalia que há avanços, no sentido de melhorar o ambiente escolar. Um deles é que atualmente boa parte dos governos abandonou a ideia de um projeto arquitetônico padrão para os colégios públicos. “Era muito complicado, porque não levava em consideração o tipo do terreno. Foi uma tentativa governamental de se fazer economia na compra dos materiais e no treinamento das equipes de construção, mas chegou-se à conclusão de que não dá para fazer escolas iguais em ambientes diferentes,” relata.
Atualmente, o projeto de uma escola pública se dá da seguinte maneira: o arquiteto ganha uma lista de ambientes que precisam ser contemplados, como número de salas de aula, banheiros e outras estruturas, assim como os componentes construtivos do qual ele poderá usufruir. A partir disso, o profissional está livre para conceber o projeto da escola à sua maneira. Atualmente, um sistema construtivo muito usado nas novas escolas é o que utiliza estruturas em pré-moldado. “Em São Paulo, por exemplo, o pré-fabricado em concreto está em quase todas as novas escolas concebidas”, diz Doris Kowaltowski.
No entanto, a especialista avalia que os projetos das escolas poderiam ser mais participativos, ou seja, deveriam ouvir a comunidade ao qual aquele espaço educacional irá atender. “Por exemplo, o projeto que parte de um número fixo de salas de aula, uma quadra, um refeitório e um pátio é muito pobre. Há espaços que deveriam ser melhor pensados. Entendo que a atividade da leitura e a atividade de comer são coisas que as crianças vão levar para a vida toda. Portanto, devem ser praticadas em ambientes gostosos, bonitos e agradáveis, mas, ao mesmo tempo, a arquitetura escolar também precisa ser robusta para aguentar atividades diárias em três turnos. O uso é muito intenso e concordo que não é fácil produzir uma arquitetura forte e bonita ao mesmo tempo”, diz.
Em seu livro Arquitetura escolar: o projeto do ambiente de ensino, Doris Kowaltowski defende que a construção de uma escola só é bem sucedida se atender a três requisitos básicos:
1) Localização: a escola precisa suprir a maior demanda possível de estudantes em seu entorno, de preferência sem que eles necessitem usar meios de transporte para se locomover até ela.
2) Terreno: ele precisa ser afastado de grandes avenidas, para preservar o conforto acústico das salas de aula e trazer segurança na locomoção dos estudantes. Também é interessante que a escola esteja longe de rotas de aviões.
3) Projeto: quanto mais plano for o projeto, melhor. O desenho de uma escola deve privilegiar a acessibilidade. Por isso, rampas são sempre muito mais bem vindas do que escadas.
Neste ponto, a pesquisadora critica algumas escolas particulares – principalmente as voltadas para o ensino pré-infantil. “Muitas delas são casas adaptadas ou coisas do tipo. Então, a construção não foi concebida para a sua função atual. Isso pode criar problemas, como o quarto de uma casa não ser adequado para servir de sala de aula, principalmente em termos de densidade de crianças que ele vai abrigar”, afirma Doris Kowaltowski, definindo que uma escola deve refletir o clima social que ela representa, favorecendo a comunicação e as atividades a serem desenvolvidas naquele ambiente.
O que é conforto ambiental?
Conforto Ambiental é a interação entre conforto térmico, conforto lumínico e conforto acústico. No caso de uma sala de aula, veja no que eles podem influenciar no ensino e na aprendizagem:
Conforto térmico
Um ambiente bem climatizado possibilita aumento considerável da produtividade e melhora a fluidez das tarefas realizadas em ambientes de trabalho e de estudo.
Conforto lumínico
A iluminação é o fator determinante para o conforto visual. Uma inadequação luminosa pode acarretar em danos à saúde visual de professores e alunos. Sendo a leitura a atividade predominante nas salas de aulas, o ambiente deve proporcionar conforto lumínico para que possa ser realizada a contento.
Conforto Acústico
A exposição ao ruído por períodos prolongados em salas de aula pode prejudicar a saúde auditiva de todos os presentes e provocar doenças nas cordas vocais dos professores, interferindo, assim, no rendimento das atividades de ensino e aprendizagem.

Entrevistada
Doris Catharine Cornelie Knatz Kowaltowski, professora da Unicamp e autora do livro Arquitetura escolar: o projeto do ambiente de ensino
Currículo
- Doris Catharine Cornelie Knatz Kowaltowski é professora titular pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), desde 2009
- Obteve doutorado (Ph.D) em Arquitetura, pela Universidade da Califórnia, em Berkeley (EUA), em 1980
- É mestre em Arquitetura pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, em 1970
- Em 1969 formou-se em Arquiteta (com honours) pela Universidade de Melbourne (Austrália) com o diploma revalidado no Brasil em 1985
- Atualmente é docente do Departamento de Arquitetura e Construção da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC) da Unicamp
- Foi coordenadora do curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo da FEC da Unicamp, entre 1997 e 2002 e em 2006
- É líder de grupo de pesquisa (Metodologia de Projeto em Arquitetura) do CNPq e do grupo de trabalho da ANTAC de Avaliação Pós-Ocupação APO
Contato: doris@fec.unicamp.br
Crédito Fotos: Divulgação/Unicamp
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Sob a ótica da produtividade, Brasil tem mão de obra cara
É o que aponta estudo realizado dentro da Universidade Federal Fluminense, que comparou o desempenho da construção civil nacional com a de outros países
Por: Altair Santos
Estudo da Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro, mostra que a produção média de um trabalhador da construção civil brasileira chega a ser sete vezes menor que o da construção civil dos Estados Unidos, por exemplo. Isso destrói o mito de que a mão de obra no país é barata, quando observada sob a ótica da produtividade. Além disso, nos países desenvolvidos, constata a pesquisa, cresce a atividade da construção industrializada, com o pré-moldado de concreto ocupando mais etapas da construção.

Essa análise está no trabalho do professor Sérgio Roberto Leusin de Amorim, de 2008, intitulado “Sistemas de indicadores de desempenho na construção civil: o caso das pequenas e médias empresas do setor”. No estudo, ele avalia que a pouca produtividade vem de diversos fatores, entre eles a baixa escolaridade do operário da construção civil. “Eles têm dificuldades de um aprendizado técnico e por conta disto acabam tendo baixa produtividade”, diz, citando que para formar um bom trabalhador no setor leva anos. “O tempo de formação de um pedreiro é longo. O operário da indústria têxtil é formado muito mais rapidamente”, compara.
Isso, segundo Sérgio Roberto Leusin de Amorim, leva a construção civil brasileira a depender muito ainda de técnicas manuais. O professor alerta, porém, que não é só isso que causa a falta de industrialização no setor. “Há gargalos burocráticos e tributários que atrapalham, por exemplo, a certificação para produtos inovadores. Então, a construção civil do país vive um paradoxo. Tem a necessidade de aumentar a produtividade, mas os sistemas construtivos inovadores são bloqueados por uma série de exigências burocráticas e tributárias” reafirma.
Por conta desses entraves, o setor vive um círculo vicioso: se industrializa pouco e, por trabalhar com tecnologias arcaicas, não requalifica os operários. No entender de Sérgio Roberto Leusin de Amorim, isso gera entraves que precisam ser vencidos. Para o professor, o Brasil deveria seguir modelos que já deram certo em outros países. “No exterior existe todo um arcabouço que garante o alto desempenho da construção civil. Aqui, o Sinat (Sistema Nacional de Aprovações Técnicas) exige uma cadeia de certificações que inviabiliza o processo de inovações. Este é o primeiro gargalo. O segundo gargalo é a questão tributária. Por último, colocaria a questão da necessidade de requalificação da mão de obra”, analisa.
Déficit habitacional
Sérgio Roberto Leusin de Amorim alerta que se o Brasil não partir para a industrialização da construção civil jamais conseguirá zerar o déficit habitacional no país. “Não existe possibilidade de atendermos a demanda habitacional sem uma construção industrializada. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas demonstra que para a gente ter o atendimento da demanda habitacional seria preciso que 16,5% da força de trabalho do país fosse alocada na construção civil. Esse é um índice que não existe em nenhum país no mundo. Então, se não acontece em lugar nenhum do mundo, é porque os processos construtivos aqui estão atrasados, equivocados”, critica.
O que resulta deste problema é que, segundo dados apresentados no estudo “Sistemas de indicadores de desempenho na construção civil: o caso das pequenas e médias empresas do setor”, a autoconstrução predomina em 85% das habitações com famílias que ganham até três salários mínimos. “Isso gera uma construção informal de péssima qualidade, que pode resultar em patologias graves. Na Universidade Federal Fluminense, um levantamento feito em Niterói mostra que nos loteamentos irregulares 70% das construções têm patologias que comprometem a segurança do morador”, relata.
Um dos problemas causados por esses gargalos tem sido uma inflação de custos no setor da construção civil. “O INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) tem tido um aumento muito acima dos outros indicadores de desvalorização da moeda, como o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) por exemplo”, afirma Sérgio Roberto Leusin de Amorim, que atribui isso ao alto custo da mão de obra comparada com a produtividade. “O aumento de custo da mão de obra está elevado, mas não ocorreu o aumento da produtividade”, completa.
Segundo o autor do estudo, para o Brasil favorecer a industrialização nos canteiros de obras uma das medidas a serem tomadas seria a desoneração do setor de pré-fabricados. “Existem dificuldades de se oferecer o produto no mercado. Esse sistema construtivo não consegue financiamento para se inserir em um programa habitacional tão facilmente como os sistemas mais manuais. Então, só há possibilidade de a gente ter uma indústria de construção efetivamente produtiva se estes gargalos forem eliminados. Há esforços governamentais neste sentido, mas também há resistências internas dentro da estrutura burocrática do governo”, finaliza Sérgio Roberto Leusin de Amorim.
Entrevistado
Sérgio Roberto Leusin de Amorim, professor titular da Universidade Federal Fluminense
Currículo
- Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1974)
- Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1981)
- Doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1995)
- Atualmente é professor titular da Universidade Federal Fluminense, onde exerce o cargo de vice-coordenador do Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo.
Contato: sergio.leusin@gmail.com
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Fundações por hélice-contínua invadem grandes centros urbanos
Sistema ganha competitividade em regiões com alta densidade de edifícios, por causar menos poluição sonora e oferecer menor risco à estrutura de prédios vizinhos
Por: Altair Santos
A estaca helicoidal, que perfura o solo como um “saca-rolhas gigante”, é cada vez mais usada para as fundações de edifícios nos grandes centros urbanos. Sua competitividade se deve ao fato de produzir menos poluição sonora e também por oferecer baixo risco às estruturas de prédios vizinhos. Não significa dizer, porém, que o tradicional método que utiliza o bate-estacas esteja condenado. É o que o coordenador do curso de Engenharia Civil da Universidade de Goiás, Rodrigo Gustavo Delalibera, explica na entrevista a seguir. Confira:

A execução de fundações de edifícios utilizando o sistema hélice-contínua já é predominante neste tipo de construção no Brasil?
O uso de estacas do tipo hélice-contínua monitorada foi desenvolvida nos Estados Unidos. No Brasil, esse tipo de estaca é usado desde 1987 e sua aplicação vem demonstrando grande crescimento principalmente em regiões metropolitanas, onde as vibrações provocadas pelos bate-estacas podem gerar patologias nas edificações limítrofes. É muito difícil afirmar que o sistema “hélice-contínua monitorada” seja predominante na construção de edifícios no país, pois a escolha de um sistema de fundações depende de muitas variáveis envolvidas, como: a intensidade dos esforços solicitantes nas fundações; a existência de edifícios limítrofes; a topografia do terreno; a disponibilidade de sistemas de fundações na região onde será construído o edifício; o custo das fundações, o perfil geotécnico do terreno, entre outros. Cabe ao engenheiro civil, fazer uma análise técnica e orçamentária e, assim, definir qual o tipo de fundação indicado para o edifício em análise. Contudo, pode-se afirmar que nas regiões metropolitanas, onde há grande densidade de construções e, para edifícios altos, o sistema de fundação hélice-contínua monitorada é competitivo.
A poluição sonora e o risco que a fundação pelo modelo bate-estaca pode trazer às edificações vizinhas são os principais motivos que têm estimulado a opção pelo sistema helicoidal?
Esse, sem dúvida, é o principal motivo da utilização desse sistema construtivo de fundações em regiões centrais das cidades. A vibração provocada pelo equipamento bate-estaca, ou até mesmo pelo equipamento utilizado para a construção de uma estaca tipo Franki, causa muita vibração. Essa vibração, geralmente afeta as construções vizinhas e, por muitas vezes, ocorrem o aparecimento de fissuras. Aconselha-se que a utilização de sistemas de fundações que geram vibrações no terreno, seja utilizada em regiões onde há poucas edificações.
As denominadas construções verdes substituíram definitivamente a fundação bate-estaca pela helicoidal?
Em situações onde não possam ser gerados vibrações e excesso de poluição sonora, a fundação tipo hélice-contínua monitorada é a mais indicada para edifícios altos. Contudo, para edifícios de médio porte, podem-se utilizar as estacas escadas com trado mecânico e as estacas tipo Strauss.
Isso não significa, no entanto, que a fundação bate-estaca esteja condenada a desaparecer.
Como disse anteriormente, para cada caso de construção, uma análise técnica e orçamentária deve ser feita. A utilização de fundações em estacas pré-moldadas de concreto (ou estacas de perfis metálicos ou até mesmo de madeira) tem seu espaço garantido no mercado. Em situações onde os esforços nas fundações têm valores considerados elevados e o nível de água impede a construção de outro tipo de fundação, uma alternativa é a utilização de estacas pré-moldadas.
Antes de fazer a opção por um ou outro sistema de fundação é preciso, então, observar as características geotécnicas do solo?
É de fundamental importância ter um prévio conhecimento do solo do local onde será construído o futuro edifício. Cito Pedro Donizete Zacarin: sem sondagem não existe fundação. No mínimo um ensaio a percussão simples com circulação de água (SPT, do inglês Standard Penetration Test) deve ser feito. O número de furos de sondagem é função da área projetada da edificação em planta sobre o terreno. O ensaio de SPT dará condições técnicas para que o engenheiro civil possa projetar uma fundação com segurança e economia. Atualmente, um ensaio denominado SPTT tem sido utilizado com maior frequência, pois por meio deste ensaio é possível ter parâmetros de maior precisão sobre o atrito lateral exercido pela estaca junto ao solo.
Quais fatores que determinam a escolha do tipo de fundação?
- O perfil geotécnico do terreno onde será construída a edificação.
- A intensidade das ações transmitidas pelos pilares às fundações.
- A profundidade do nível de água no terreno.
- A topografia do terreno.
- A existência de construções ao redor da futura edificação.
- A disponibilidade de fundações disponível no mercado.
- O custo da fundação.
Utilizar fundação feita pelo sistema hélice-contínua ou pelo sistema bate-estaca traz alguma alteração na estrutura do edifício em construção? Por exemplo, edifícios com andares altos carecem de um tipo de fundação diferentemente de outros?
A utilização de estacas hélice-contínua monitorada ou pré-moldada não acarreta mudança na superestrutura. Entende-se por superestrutura, os pilares, as vigas e lajes do edifício. O que muda é o projeto da infraestrutura. Dependendo do tipo de fundação a ser utilizada, o número de estacas por pilar poderá ser diferente. Desta forma, o elemento de ligação entre os pilares e as estacas, chamado bloco de coroamento ou bloco sobre estacas poderá ser diferente em ambos os casos.
Quais as vantagens e desvantagens de cada tipo de fundação?
Cada sistema de fundação tem suas vantagens e desvantagens. Neste texto vou me ater às fundações do tipo hélice-contínua monitorada e pré-moldada de concreto.
- Vantagens da hélice-contínua monitorada: alta produtividade; elevado grau de qualidade; possibilidade de execução muito próxima a divisa do terreno, evitando excentricidades entre as ações atuantes nos pilares e o centro das estacas; pode ser executada abaixo do nível de água; pode ser utilizada em qualquer tipo de solo; provoca pouca ou nenhuma vibração; apresenta baixa intensidade de barulho para sua execução.
- Desvantagens da hélice-contínua monitorada: necessidade de locais planos para locomoção dos equipamentos de execução; grande acumulo de solo retirado, exigindo remoção constante; número grande de estacas para ser competitiva com os demais sistemas disponíveis no mercado.
- Vantagens das estacas pré-moldadas de concreto: podem ser construída abaixo do nível de água; apresentam excelente resistência mecânica e geotécnica; podem ser construídas em qualquer tipo de solo, onde o SPT seja inferior a 25 golpes para diâmetros menores que 30 cm e 35 golpes para diâmetros maiores ou iguais a 30 cm; ótimo controle tecnológico dos materiais concreto e aço.
- Desvantagens das estacas pré-moldadas de concreto: produzem excessiva vibração e alta intensidade de barulho durante sua cravação; Dificuldade de transporte para estacas com comprimento maior que 12 m; Faz-se necessária emendar estacas quando o comprimento do fuste for maior que o comprimento de produção das estacas.
Quais normas regem a execução de fundações?
A norma para projeto e execução de fundações vigente no país é a “NBR 6122:2010 – Projeto e execução de fundações”. Porém, é necessária a utilização de outras normas como: NBR 6118; NBR 6484; NBR 6489; NBR 6502; NBR 7190; NBR 8681; NBR 8800; NBR 9061; NBR 9062; NBR 9603; NBR 9604; NBR 9820; NBR 10905; NBR 12069; NBR 12131; NBR 13208.
Os sistemas para executar fundações influenciam no tipo de concreto que se deve usar nas fundações?
Para cada tipo de sistema de fundação a ser utilizada faz-se necessário especificar a resistência característica à compressão do concreto (fck) mínima, a plasticidade do concreto (ensaio do tronco de cone – Slump Test), o consumo mínimo de cimento por metro cúbico e o módulo de elasticidade longitudinal do concreto aos 28 dias de idade.
Por exemplo, para a execução de uma fundação do tipo hélice-contínua monitorada é necessário que o concreto resistência característica à compressão igual ou superior a 20 MPa, slump igual a 22 cm ± 2 cm, fator água-cimento entre 0,53 e 0,56, consumo mínimo de cimento igual a 400 kg/m3, exsudação ≤ 1,0%, teor de ar incorporado ≤ 1,5 % e início de pega ≥ 3,0 horas.
No que hoje tecnologias como CAD e BIM determinam o tipo de fundação que deve ser usado numa edificação?
O advento de ferramentas computacionais tem permitido aos engenheiros uma melhor qualidade nos projetos civis de engenharia. Isso ocorre também nos projetos estruturais e de fundações. As modelagens computacionais permitem ao engenheiro analisar inúmeras possibilidade de esquemas estáticos e, assim, optar por um que apresente bom desempenho estrutural e economia na construção.
Fontes citadas pelo entrevistado
Manual de especificações de produtos e procedimentos ABEF, Ed. ABEF.
Fundações, teoria e prática, Ed. Pini.
Fundações por estacas, Cinta e Aoki, Ed. Oficina de textos;
Fundações, vol. 02, Velloso & Lopes, Ed. Oficina de textos.


Entrevistado
Rodrigo Gustavo Delalibera, coordenador do curso de Engenharia Civil do Campus Catalão da Universidade Federal de Goiás
Currículo
- Graduado em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia de São José do Rio Preto
- Mestre em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia de São Carlos-USP
- Doutor em Engenharia de estruturas pela Escola de Engenharia de São Carlos-USP
- Atualmente é professor-adjunto II da Universidade Federal de Goiás e coordenador do curso de Engenharia Civil do campus Catalão
Contato: dellacivil@gmail.com / dellacivl@yahoo.com.br
Crédito fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Engenheiros sem Fronteiras leva obras às comunidades carentes
Versão brasileira do Engineer Without Borders atrai estudantes em busca de experiência profissional e intercâmbio com outros países
Por: Altair Santos
Fundada em 2002, a organização Engineer Without Borders já atua em 47 países. No Brasil, ela é representada desde 2009 pelo grupo Engenheiros Sem Fronteiras (ESF). O projeto é voltado para atender comunidades carentes ou atingidas por catástrofes. Obras de saneamento, construções de pontes e estradas e viabilização de infraestrutura para levar iluminação e eletricidade às localidades mais necessitadas estão entre as missões do ESF. “O objetivo principal é desenvolver projetos em comunidades socialmente frágeis. A perspectiva do grupo é o de transcender a proposta assistencialista ou de assessoria técnica, transferindo conhecimento da área técnica para as comunidades. Assim, elas podem reproduzir e ampliar as ações desenvolvidas”, explica Idamar Sidnei Cobianchi Nigro, coordenador do Engenheiros Sem Fronteiras no Brasil.

Depois de uma tentativa frustrada de se criar um núcleo do ESF na Universidade de São Paulo (USP), em 2007, o grupo se consolidou em Viçosa, em Minas Gerais, com o apoio da universidade local e do Sindicato de Engenheiros no Estado de Minas Gerais (SENGE-MG). Hoje, o Engenheiros Sem Fronteiras trabalha para implantar núcleos por todo o país. Para isso, conta com a participação de organizações já consolidadas em outros países. Em agosto de 2011, integrantes da Engineer Without Borders de Maryland, nos Estados Unidos, estarão no Brasil para uma ação na Ilha das Peças, no litoral paranaense. Além de prestar ajuda à comunidade local, o plano é dar os primeiros passos para que o ESF se consolide também no Paraná. “Esse intercâmbio é importante para a organização ganhar corpo no Brasil”, diz Idamar Sidnei Cobianchi Nigro.
O ESF conta com engenheiros graduados, que atuam voluntariamente como orientadores, e têm atraído muitos estudantes de engenharia. A maioria pertence aos cursos de Engenharia Civil, de Produção, Agrícola, Ambiental e Elétrica. “Esta característica de voluntariado é muito nova no Brasil e demanda uma mudança cultural, mas estamos conseguindo expandir o projeto”, comemora o coordenador da ESF. Segundo Idamar Nigro, os estudantes que aderem ao projeto têm a oportunidade de colocar em prática o conhecimento aprendido durante o curso. “Além disso, há a valorização da profissão de engenharia, o crescimento pessoal através do trabalho em equipe, do contato com realidades diferentes e do convívio pela igualdade dentro da organização, já que todos os membros têm voz e participação na entidade e nos projetos”, completa.
Atualmente, o ESF, por meio do Núcleo Viçosa, já finalizou dois projetos na cidade mineira. Um de análise do setor de emergência de um hospital público e outro de implantação da metodologia do 5S (leia texto complementar abaixo) numa casa de caridade a idosos. Além disso, o grupo desenvolve projetos de aquecedores solares de baixo custo. O Engenheiros Sem Fronteiras também se encarrega da construção de um abrigo para crianças em risco de morte, que buscam tratamento no hospital público de Viçosa. Por conta dessas ações, a organização recebe o apoio de uma incubadora formada por empresas de base tecnológica, que oferece cursos e treinamento aos engenheiros e estudantes do ESF.
Os profissionais e estudantes envolvidos se dedicam ao Engenheiros Sem Fronteiras em horários alternativos. Não há remuneração e a ESF opera como uma organização não-governamental. A captação de recursos para as atividades do grupo vem de uma política de parcerias, como a que atualmente existe com a Universidade Federal de Viçosa, além de entidades de classe, CREAs, empresas privadas e outras ONGs.
Texto complementar
O que é o 5S
O 5S é uma ferramenta de trabalho que permite melhorar a eficiência e a produtividade através de organização e limpeza. Por isso, o 5S é considerado o primórdio dos programas de qualidade. Criado no Japão, o método se baseia em cinco palavras japonesas:
- Seiri (Senso de utilização): refere-se à prática de verificar todas as ferramentas, materiais, etc. na área de trabalho e manter somente os itens essenciais para o trabalho que está sendo realizado.
- Seiton (Senso de ordenação): enfoca a necessidade de um espaço organizado. A organização, neste sentido, refere-se à disposição das ferramentas e equipamentos em uma ordem que permita o fluxo do trabalho.
- Seisō (Senso de limpeza): designa a necessidade de manter o mais limpo possível o espaço de trabalho. A limpeza, nas empresas japonesas, é uma atividade diária. Ao fim de cada dia de trabalho, o ambiente é limpo e tudo é recolocado em seus lugares, tornando fácil saber o que vai aonde, e saber onde está aquilo o que é essencial.
- Seiketsu (Senso de higiene): em Japonês, Seiketsu traduz-se por higiene, no sentido filosófico de "higienismo", ou seja, no sentido do cuidar da higiene própria em todos os niveis, diferenciando-se, assim, de Seiso.
- Shitsuke (Senso de autodisciplina): refere-se à manutenção e revisão dos padrões. Uma vez que os 4S’s anteriores tenham sido estabelecidos, transformam-se numa nova maneira de trabalhar, não permitindo um regresso às antigas práticas.
Entrevistado
Idamar Sidnei Cobianchi Nigro, coordenador do Engenheiros Sem Fronteiras no Brasil
Currículo
- Graduado em Engenharia de Produção pela União Educacional Minas Gerais (Uniminas)
- Atualmente é professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV)
Contato: idamar.nigro@ufv.br / http://www.esf-brasil.org/index.php / http://www.ewb-international.org/members.htm
Crédito Foto: Divulgação/ESF
