Engenharia Civil da UEM destaca-se em ranking nacional
Investimento na qualificação dos professores fez com que curso da Universidade Estadual de Maringá ocupasse o 7.º lugar, segundo levantamento do MEC
Por: Altair Santos
O mais recente ranking sobre o desempenho das instituições de ensino superior do país, divulgado em janeiro de 2011 pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), destacou as 100 faculdades, centros universitários e universidades que têm os melhores cursos de Engenharia Civil. A lista se utiliza das notas do Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) de 2009. No Paraná, a melhor ranqueada foi a Universidade Estadual de Maringá (UEM), que obteve nota 3,89.

O Enade é aplicado a alunos ingressantes e concluintes de cursos superiores, com o objetivo de aferir a qualidade do ensino. Cada graduação recebe uma nota em uma escala de 1 a 5, sendo que 1 e 2 são considerados desempenho insatisfatório; 3, razoável; e 4 e 5, bom. Dos cursos de Engenharia Civil que se submeteram ao Enade, apenas cinco obtiveram nota acima de 4 (confira abaixo o ranking completo).
Ressalte-se que, por não ser obrigatória, algumas universidades não participaram da avaliação. Por isso, cursos superiores que reconhecidamente são bem conceituados na graduação Engenharia Civil, como os casos da USP (Universidade de São Paulo) e da Unicamp (Universidade de Campinas), além da UFPR (Universidade Federal do Paraná) e da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), não aparecem no ranking do INEP, que é ligado ao Ministério da Educação (MEC).
No Paraná, além da UEM, aparecem no ranking a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), em 15.º, com nota 3,57; Universidade Estadual de Londrina (UEL), em 26.º, com 3,18; a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), em 33.º, com 3,04; a Universidade Positivo, em 38.º, com 2,88; a Pontifícia Universidade católica do Paraná (PUC-PR), em 67.º, com 2,33; a Universidade Tuiuti do Paraná, em 79.º, com 2,19, e a Faculdade Dinâmica das Cataratas, em 96.º, com 2,01.
Para ocupar o 7.º lugar na lista, a Universidade Estadual de Maringá priorizou a qualificação dos professores. “Hoje contamos com um quadro de professores que tem 80% de doutores. Associado a isso, promovemos práticas de melhoria da nossa infraestrutura de laboratório e infraestrutura de sala de aula. Também reformulamos o projeto pedagógico. Tentamos colocar um conteúdo mais avançado para incorporar novas tecnologias e dar a ele um perfil mais prático. Hoje o curso é mais direcionado a práticas de laboratório e práticas de projetos, principalmente”, explica Jeselay Hemetério Cordeiro dos Reis, coordenador do curso de Engenharia Civil da UEM.
O curso de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Maringá vai completar 40 anos em 2012. Para comemorar a data, houve investimento na modernização dos laboratórios. “Para dar exemplo, renovamos os laboratórios de topografia, onde os teodolitos foram substituídos por equipamentos que usam GPS. Além disso, estamos melhorando os laboratórios de geoprocessamento, de materiais de construção, de mecânicas de solo e de pavimentação. Por isso, atualmente, temos 36 projetos de pesquisa em andamento”, revela o coordenador do curso, que conta atualmente com 470 alunos.
Alta empregabilidade
Para manter essa taxa de estudantes a UEM desenvolveu uma série de ações para combater esta evasão. A universidade diagnosticou que boa parte dos alunos trazia como herança formação inadequada no ensino médio e desconhecimento da profissão de engenheiro civil. “Agimos nas duas pontas, para primeiro fornecer um nivelamento básico para os nossos alunos e depois orientá-los sobre a profissão, principalmente nas séries iniciais. Isso fez com que a nossa evasão, que chegou a quase 40%, hoje esteja em torno de 5%. Abrimos anualmente 84 vagas e estamos formando 80”, diz Jeselay Hemetério Cordeiro dos Reis.
O nível de empregabilidade dos alunos formados em engenharia civil pela UEM está em 87%. A região de Maringá absorve 40% deles. Os demais obtêm vagas em outras regiões do Paraná, em Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e interior de São Paulo. Há graduados da UEM também atuando nos estados do Pará, da Paraíba, Rondônia e Acre.
Ranking dos 100 melhores cursos de Engenharia Civil, segundo o INEP
1 - PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO - PUC-RIO - 4,59
2 - INSTITUTO MILITAR DE ENGENHARIA - IME - 4,43
3 - UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA - UNB - 4,22
4 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS - UFSCAR - 4,10
5 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA - UFSC - 4,02
6 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL - UFRGS - 3,90
7 - UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ - UEM - 3,89
8 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO - UFRJ - 3,89
9 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS - UFAL - 3,87
10 - UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO- UNESP - 3,83
11 - FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA - UFV - 3,78
12 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS - UFG - 3,77
13 - UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE FLUMINENSE DARCY RIBEIRO - UENF - 3,75
14 - UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO - UNESP - 3,70
15 - UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ - UNIOESTE - 3,57
16 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE - UFRN - 3,46
17 - UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - UNIJUI - 3,39
18 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA - UFU - 3,33
19 - FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA - UDESC - 3,31
20 - UNIVERSIDADE DE PASSO FUNDO - UPF - 3,30
21 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL - UFMS - 3,30
22 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS - UFMG - 3,30
23 - UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE - UFF - 3,27
24 - UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - UERJ - 3,20
25 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA - UFSM - 3,18
26 - UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA - UEL - 3,18
27 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO - UFPE - 3,17
28 - UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL - ULBRA - 3,13
29 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO - UFES - 3,13
30 - UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS - UNISINOS - 3,07
31 - UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE - MACKENZIE - 3,06
32 - PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL - PUCRS - 3,05
33 - UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA - UEPG - 3,04
34 - CENTRO UNIVERSITÁRIO DO INSTITUTO MAUÁ DE TECNOLOGIA - CEUN-IMT - 3,01
35 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE - FURG - 2,98
36 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ - UFC - 2,94
37 - UNIVERSIDADE DO OESTE PAULISTA - UNOESTE - 2,92
38 - UNIVERSIDADE POSITIVO - UP - 2,88
39 - UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO - UNESP - 2,87
40 - UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP - 2,85
41 - UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA - UFBA - 2,80
42 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA - UFJF - 2,80
43 - UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - UNIVALI - 2,77
44 - UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP - 2,73
45 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO - UFMT - 2,72
46 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA - UFRR - 2,70
47 - UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI - UAM - 2,70
48 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE - UFAC - 2,69
49 - UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ - UNITAU - 2,69
50 - UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA DA REGIÃO DE CHAPECÓ - UNOCHAPECÓ - 2,64
51 - UNIVERSIDADE GAMA FILHO - UGF - 2,63
52 - UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU - USJT - 2,59
53 - FACULDADE ASSIS GURGACZ - FAG - 2,57
54 - CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FUNDAÇÃO EDUCACIONAL INACIANA PE SABÓIA DE MEDEIROS - FEI - 2,56
55 - UNIVERSIDADE DE FORTALEZA - UNIFOR - 2,51
56 - UNIVERSIDADE ANHANGUERA - UNIDERP - UNIDERP - 2,50
57 - UNIVERSIDADE DO OESTE DE SANTA CATARINA - UNOESC - 2,48
58 - UNIVERSIDADE REGIONAL INTEGRADA DO ALTO URUGUAI E DAS MISSÕES - URI - 2,46
59 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ - UFPI - 2,45
60 - UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ - UNESA - 2,45
61 - PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS - PUC MINAS - 2,44
62 - UNIVERSIDADE SANTA CECÍLIA - UNISANTA - 2,42
63 - UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA - UVA - 2,36
64 - CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE BARRETOS - UNIFEB - 2,36
65 - UNIVERSIDADE DE MARÍLIA - UNIMAR - 2,35
66 - UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA - UNISUL - 2,34
67 - PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ - PUCPR - 2,33
68 - UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PELOTAS - UCPEL - 2,33
69 - FACULDADE IDEAL - FACI - 2,32
70 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO - UFOP - 2,31
71 - UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP - 2,30
72 - FACULDADE DE ENGENHARIA DE SOROCABA - FACENS - 2,29
73 - UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO - UNINOVE - 2,28
74 - FACULDADE DE ENGENHARIA SÃO PAULO - FESP - 2,27
75 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS - UFAM - 2,24
76 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE - UFCG - 2,22
77 - UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL - UNICSUL - 2,19
78 - UNIVERSIDADE DE FRANCA - UNIFRAN - 2,19
79 - UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ - UTP - 2,19
80 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ - UFPA - 2,18
81 - UNIVERSIDADE DE UBERABA - UNIUBE - 2,18
82 - FACULDADE ANHAGUERA DE JUNDIAÍ - - 2,18
83 - UNIVERSIDADE SÃO FRANCISCO - USF - 2,17
84 - UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC - 2,15
85 - FACULDADE REDENTOR - FACREDENTOR - 2,13
86 - FACULDADE DE ENGENHARIA DA FUNDAÇÃO ARMANDO ALVARES PENTEADO - FEFAAP - 2,12
87 - CENTRO UNIVERSITÁRIO AUGUSTO MOTTA - UNISUAM - 2,11
88 - UNIVERSIDADE DO VALE DO PARAÍBA - UNIVAP - 2,08
89 - ESCOLA DE ENGENHARIA DE PIRACICABA - EEP/FUMEP - 2,07
90 - PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS - PUC GOIÁS - 2,07
91 - UNIVERSIDADE POTIGUAR - UNP - 2,06
92 - CENTRO UNIVERSITÁRIO LUTERANO DE PALMAS - CEULP - 2,05
93 - PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS - PUC-CAMPINAS - 2,04
94 - UNIVERSIDADE REGIONAL DE BLUMENAU - FURB - 2,03
95 - UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA - UFPB - 2,02
96 - FACULDADE DINÂMICA DAS CATARATAS - UDC - 2,01
97 - CENTRO UNIVERSITÁRIO MOURA LACERDA - CUML - 2,00
98 - UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS - UEG - 2,00
99 - FACULDADE DE ENGENHARIA SOUZA MARQUES - FESM - 2,00
100 - CENTRO UNIVERSITÁRIO NOSSA SENHORA DO PATROCÍNIO - CEUNSP - 1,99
Entrevistado
Professor Doutor Jeselay Hemetério Cordeiro dos Reis, coordenador do curso de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Maringá
Currículo
Graduado pela Escola de Engenharia de São Carlos (USP/São Carlos), com doutorado em 2006 pela mesma escola, defendendo a tese Modelo de atrito estático em interfaces de contato entre concreto e areia.
Contatos: jhcreis@uem.br / jeselay@hotmail.com
Crédito Foto: Divulgação/UEM
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Minha Casa, Minha Vida 2 esbarra em gargalos
Aprovação de Medida Provisória no Congresso, redefinição da faixa de zero a três salários mínimos e burocracia para viabilizar inovações tecnológicas atrasam programa
Por: Altair Santos
O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) se pretende mais ambicioso nos próximos quatro anos. A meta do governo federal é construir mais dois milhões de moradias na segunda etapa do plano habitacional, até 2014. Segundo a Medida Provisória (MP) 514, que detalha essa nova fase do MCMV, serão investidos R$ 16,5 bilhões no programa. A liberação destes recursos ainda depende da aprovação da MP no Congresso e a expectativa é de que apenas no segundo semestre de 2011 a Caixa Econômica Federal inicie a liberação destes recursos.

A segunda etapa do Minha Casa, Minha Vida terá como foco central as famílias com renda até R$ 1.395,00 – a chamada faixa de zero a três salários mínimos. O plano é direcionar 60% do investimento para essa camada de assalariados. O problema é que, com o reajuste do salário mínimo - hoje em R$ 545,00 -, essa faixa de zero a três precisa ser redefinida, assim como os subsídios custeados pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). No Paraná, hoje, esse valor chega a R$ 17 mil.
Segundo Waldemar Trotta Júnior, engenheiro civil e vice-presidente financeiro do SindusCon-PR, é essa questão que precisa ser resolvida. “O que não tem é uma definição do zero a três. O governo não passou preço novo, não passou projeto novo e é isso que precisa ser formalizado, pois na época eram três salários mínimos, continua se falando zero a três, mas hoje não é mais zero a três”, explica. A faixa a que se refere Trotta ainda tem preços vinculados ao salário mínimo de R$ 465,00, que prevalecia em 2009.
Os mais prejudicados por esse impasse são os chamados pequenos construtores. Em 2010, em todo o país, eles foram os responsáveis por absorver 80% dos projetos voltados à base da pirâmide do Minha Casa, Minha Vida - exatamente a que se concentra na faixa de zero a três salários mínimos. Para eles, o problema é que os valores definidos pelo governo estão congelados, mas o custo da obra, o custo dos terrenos e a demanda só fazem aumentar. “Os imóveis estão sendo avaliados acima deste valor, os imóveis estão subindo muito”, alerta Waldemar Trotta Júnior.
Mesmo assim, de acordo com o vice-presidente financeiro do SindusCon-PR, é viável atingir a meta de dois milhões de moradias até 2014, desde que, além desta questão do financiamento, sejam resolvidos gargalos estruturais. “É preciso investir em inovações tecnológicas nas novas construções, tendo em vista que a mão de obra está em situação de quase pleno emprego. Para você aumentar a produção de moradias é preciso industrializar, que é o que as empresas construtoras estão tentando fazer. Só que a aprovação dos chamados sistemas construtivos inovadores demora muito para receber a liberação de recursos da Caixa Econômica. Se esta aprovação tiver uma celeridade maior, o patamar de dois milhões será atingido e até superado”, avalia Trotta.
Mais casas no Paraná
O SindusCon-PR se mostra otimista com os recentes programas habitacionais lançados no Paraná. Em março de 2011, saiu do papel o Morar Bem Paraná, que pretende atender 100 mil famílias do Estado em quatro anos. O plano será encabeçado pela Cohapar (Companhia de Habitação do Paraná). Já a Cohab (Companhia de Habitação Popular de Curitiba) tem agido mais para a faixa de zero a três salários mínimos. Atualmente, em parceria com a Caixa Econômica Federal, a companhia viabiliza 2.858 unidades habitacionais no bairro Ganchinho, em Curitiba. Com recursos do MCMV, as obras estão estimadas em R$ 146,7 milhões. “Para zerar o déficit habitacional brasileiro o Minha Casa, Minha Vida precisa de celeridade. Caso isso não ocorra, devido ao crescimento vegetativo da população, o déficit não vai acabar nunca”, destaca o vice-presidente financeiro do SindusCon-PR.
Entrevistado
Waldemar Trotta Júnior, vice-presidente financeiro do SindusCon-PR
Currículo
Waldemar Trotta Júnior é graduado em engenharia civil e diretor-presidente da Trocon Engenharia Civil Ltda.
Contato: trocon@trocon.com.br / imprensa@sindusconpr.com.br (assessoria de imprensa)
Crédito: Divulgação/Cohab
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Febrace faz geração Z redescobrir engenharia
Promovida desde 2003 pela USP, Feira Brasileira de Ciências e Engenharia estimula jovens do ensino fundamental e médio a abraçarem a profissão
Por: Altair Santos
Em 2012, a Febrace (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia) comemora sua 10.ª edição. O evento, promovido pela Universidade de São Paulo (USP), tornou-se referência no Brasil para a captação de jovens talentos voltados para a pesquisa e a inovação tecnológica. Anualmente, ele atrai estudantes do ensino fundamental, médio e técnico de todas as regiões do país. Em 2011, a feira contou com 302 projetos desenvolvidos por 670 estudantes. O que chamou a atenção foi a quantidade de trabalhos voltados especificamente à engenharia. Foram 68, com destaque para a eletrônica, a mecânica e a civil.

Segundo a coordenadora da Febrace, Roseli de Deus Lopes, o que se percebe é que a feira tem conseguido estimular a chamada geração Z – termo que define os nascidos desde a segunda metade da década de 90 – a redescobrir a engenharia. “Eles têm potencial para a área de engenharia e a gente tem tido todos os anos uma quantidade razoável de projetos nesta área”, diz. Na edição de 2011, a engenharia eletrônica foi contemplada com 30 projetos, a mecânica com 12 e a civil com 8. “O interesse é despertado quando eles veem que estão usando o conhecimento para resolver um problema de verdade”, avalia Roseli de Deus Lopes.
Dos trabalhos voltados para a engenharia civil, um dos que mais chamou a atenção foi o que estudava escória de alto forno como matéria-prima para produzir areia artificial. “Houve também projetos que envolviam engenharia civil e elétrica, como os de residências inteligentes. Além disso, entre os estudos com materiais alternativos de baixo custo, tinha um que agregava fibras de aço como elemento estrutural no cimento”, explica a coordenadora da feira. “Eram todos projetos muito focados e interessados em apresentar soluções. Isso mostra que quando os jovens são provocados pelos educadores eles vão fundo”, completou.
Semeando o futuro
Como resultado do que é apresentado na Febrace está a qualificação dos alunos que participam da feira em boas universidades e a viabilidade de alguns projetos, quando são encampados por parceiros da Febrace. “As empresas enxergam a Febrace como um semear para colher lá na frente. Elas sabem que em pouco tempo os jovens que se apresentam na feira estarão aptos para entrar no mercado de trabalho. Então, elas investem para que eles continuem se desenvolvendo”, revela Roseli de Deus Lopes, destacando que uma das virtudes da Febrace é dar visibilidade aos jovens e identificar talentos.
A feira também abre portas para que alguns trabalhos participem de feiras internacionais, como a Intel Isef (International Science and Engineering Fair), que acontece na Califórnia (EUA) e reúne cerca de 60 países. “Tem também outras iniciativas. No ano passado (2010) a gente levou cinco estudantes para um acampamento científico na Coréia do Sul. Tem também a indicação de alunos para o Instituto Weissman, de Israel, onde os selecionados fazem uma imersão em pesquisas”, afirma a coordenadora da feira. De acordo com dados da Febrace, entre 60% e 70% das escolas participantes da feira são técnicas públicas. Há também uma boa adesão de escolas bancadas por fundações sem fins lucrativos.
Para a edição 10 da Febrace, em 2012, Roseli de Deus Lopes revela que o eixo principal será buscar parcerias mais sólidas para a feira. “Principalmente com empresas em que a gente possa investir no desenvolvimento destes talentos, pois não basta chegar lá na ponta e descobrir que ele existe. É importante fazer um acompanhamento, para que eles realmente cresçam e não fiquem com aquela sensação de que mostraram um projeto na feira, mas não conseguiram viabilizar. A meta é ajudá-los a transformar a ideia em um produto de verdade”, finaliza a coordenadora da Febrace.

Entrevistada
Roseli de Deus Lopes, coordenadora da Febrace (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia)
Currículo
- Professora Doutora Livre-Docente do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).
- Graduada em Engenheira Elétrica pela Universidade de São Paulo, mestrado e doutorado pela Escola Politécnica da USP.
- Participa ativamente em organizações técnicas e profissionais nacionais e internacionais como a SBC (Sociedade Brasileira de Computação), IEEE (The Institute of Electrical and Electronics Engineering) e ACM (Association for Computing Machinery).
- Coordena projetos de desenvolvimento de jogos colaborativos. É responsável pela concepção e viabilização da FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia) onde atua como coordenadora geral desde 2003.
- Atua, desde meados de 2005, na análise técnico-econômica e de aplicabilidade na Educação Básica do projeto Um Computador por Aluno (UCA), por meio do LSI-EPUSP com apoio do MCT e MEC.
- É membro do Grupo de Trabalho Assessor do MEC relacionado ao projeto UCA, desde janeiro de 2007.
Contatos: roseli@lsi.usp.br / roseli.lopes@lsi.usp.br / gim.arruda@hotmail.com (assessoria de imprensa) / elena@lsi.usp.br (assessoria de imprensa) / vitor@lsi.usp.br (assessoria de imprensa)
Crédito Fotos: Divulgação/USP
ornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Balanço ecológico é favorável ao setor de cimento no Brasil
Arnaldo Forti Battagin, gerente dos laboratórios da ABCP, afirma que indústria cimenteira do país é referência para o mundo em inovações ambientais
Por: Altair Santos
Um setor que tem índice de conformidade às normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) de quase 100% e que investe maciçamente em seu parque industrial, sobretudo em inovações voltadas ao meio ambiente. É assim que se comporta a indústria nacional de cimento, como revela a entrevista com o gerente dos laboratórios da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) Arnaldo Forti Battagin. Segundo ele, as cimenteiras do país são hoje referência mundial, além de tornarem-se estratégicas para o desenvolvimento econômico do Brasil. Confira:

O cimento brasileiro é um dos produtos de mais alta qualidade produzido no país. Pelo PBQP-H (Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat) atingiu índice de conformidade de 99,6%. A que se deve essa excelência do produto?
Sem dúvida esses números foram conseguidos pela cultura da qualidade estabelecida no setor de cimento há muito tempo. Quando se fala sobre conformidade, o termo se refere à conformidade às normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e é necessário esclarecer que as primeiras normas da ABNT, envolvendo todos os setores, foram sobre cimento. São as antigas EB-1 e MB-1 - Especificação de cimento e Métodos de ensaio de cimento -, respectivamente. Portanto, é tradição do cimento brasileiro primar pela qualidade.
Além do PBQP-H e das normas da ABNT, existe também o selo de qualidade da ABCP. O que esse selo exige para que uma empresa possa conquistá-lo?
Existe um procedimento que regula a concessão do selo e a ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) usa o modelo 5 da ISO. Na verdade, o selo é concedido ao produto e não à empresa, e para consegui-lo essa empresa precisa ser associada da ABCP e evidenciar conformidade de seu cimento às normas da ABNT. Em linhas gerais, isso é feito através de amostragens periódicas de cimento nas próprias fábricas, geralmente feitas por órgãos coletores, qualificados pela ABCP. Essas amostras são divididas e uma parte é analisada na fábrica e outra na ABCP ou no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). Os resultados são confrontados e não havendo diferenças significativas servem para avaliar os resultados do autocontrole. Esse autocontrole consiste na análise diária de todo cimento produzido e a cada 45 dias o conjunto desses resultados de análise - no jargão, conhecido como mapão de autocontrole. Os resultados são enviados à ABCP, para tratamento estatístico, que decide pela continuidade ou não da concessão do selo de qualidade ABCP para cimento Portland.
Hoje todas as cimenteiras do Brasil estão adequadas à ABNT, ao PBQP-H e têm o selo de qualidade da ABCP?
Os sites dessas entidades indicam quais produtos possuem esse diferencial, mas o importante para o consumidor é ter a garantia de que estão adquirindo um produto que tenha um selo ou marca de conformidade concedida por uma entidade idônea.
Em quais áreas a indústria cimenteira mais investiu recentemente: tecnologia para melhorar o produto, equipamentos para fazer o controle ambiental ou na expansão de seus pólos industriais?
Os investimentos vêm progredindo ao longo do tempo. Tanto, que hoje o setor apresenta um parque industrial moderno, que opera com 99% dos fornos pelo sistema via seca, o que garante a diminuição do uso de combustíveis em até 50%. Além disso, os altos níveis de eficiência energética são conseguidos com pré-aquecedores e pré-calcinadores que reaproveitam os gases quentes da saída do forno para pré-aquecer a matéria-prima, previamente à entrada do forno, diminuindo o consumo de combustíveis. Multiqueimadores desenvolvidos para queima simultânea de combustíveis alternativos e convencionais (coque de petróleo, óleo combustível e carvão mineral e vegetal), sistemas de filtro de alto desempenho, monitoramento on line de gases para controle ambiental e do processo fazem com que sejam praticados índices específicos de consumo térmico médio de 2730 MJ/t de cimento (653 kcal/kg ou 825 kcal/kg de clínquer). Adicionalmente, graças aos moinhos e separadores de alta eficiência, o consumo elétrico de 107 kWh/t de cimento, atingiram metas que são reconhecidas como parâmetros de referência em âmbito mundial segundo a Agência Internacional de Energia.
A indústria do cimento no Brasil, comparado com outros setores, emite bem pouco CO₂. No entanto, sempre é citada como uma das vilãs quando o assunto é agressão ao meio ambiente. Por que ela não consegue ser excluída deste grupo? Falta mais divulgação das ações, no que se refere ao controle ambiental?
Não acredito que deva ser considerada vilã, mas é necessário reconhecer que a fabricação de cimento gera impactos ambientais. Isso não é exclusividade do setor, mas de toda a cadeia da construção, como a produção de agregados, a indústria da cal, da areia, do aço, dos aditivos químicos e das tintas. Ao mesmo tempo, essa mesma indústria da construção é considerada um dos principais indicadores de desenvolvimento de uma nação, representando o crescimento real das áreas urbanas, organização e reorganização dos sistemas de infraestrutura e obras necessárias ao desenvolvimento social. O cimento, através do concreto, está presente nesse processo como o material mais produzido e utilizado nas construções brasileiras, sendo empregado em edificações, pontes, estradas, barragens e outros tipos de obras. Resumindo, seu uso crescente implica também em atividades impactantes, assim como o próprio desenvolvimento econômico de um país gera situações de impacto ao ambiente. Enfrentar esse desafio é um dever de todo o setor da construção civil. Neste sentido, a ABCP, como representante dos fabricantes de cimento, procura cumprir seu papel ao promover boas práticas e difundir o conhecimento sobre vantagens competitivas do concreto, novas tecnologias e prevenção de patologias, que visam o aumento da durabilidade e da vida útil das estruturas de concreto, com o objetivo de reduzir o consumo de matérias-primas, a geração de poluentes, o consumo energético e os custos adicionais com reparos, renovação e manutenção das construções. E assim demonstrar que o balanço ecológico é favorável para o setor de cimento.
No universo acadêmico brasileiro, o cimento é objeto de pesquisas ou são incipientes os estudos sobre o produto nos centros de pesquisa das universidades?
Para responder essa questão torna-se oportuno esclarecer que diferentemente do concreto, cuja inovação é bastante visível, com pesquisas acadêmicas que resultaram no aparecimento dos concretos de pós-reativos, concretos de elevadíssimas resistências, concretos autolimpantes, concretos autoadensáveis, o cimento Portland, como material, já atingiu um alto patamar de qualidade e competitividade e de tecnologia de fabricação. O grande desafio que ora se configura para a indústria de cimento mundial é a diminuição das emissões dos gases de efeito estufa, principalmente o CO₂, por fazer parte do processo de fabricação desse insumo. Portanto as inovações ou pesquisas têm se direcionado à mitigação das emissões de CO₂. Embora existam importantes pesquisas em várias universidades brasileiras, elas são essencialmente pontuais. A universidade não vem contribuindo efetivamente para o tema.
Em termos de inovação, o que a indústria cimenteira brasileira tem feito para melhorar os agregados do cimento e aproveitar os resíduos na fabricação do produto?
A geração de resíduos representa um dos maiores desafios para a sociedade contemporânea. Atenta a essa questão, a indústria de cimento está utilizando seus fornos para a eliminação de resíduos industriais, numa atividade conhecida como coprocessamento. Para praticar o coprocessamento vem fazendo investimentos constantes para adaptar o processo produtivo para uso dos resíduos, quer como combustível alternativo quer como substituto de matéria-prima. Além dos benefícios ao meio ambiente, a atividade contribui para a economia de combustíveis fósseis e recursos naturais não renováveis, possibilita o melhor aproveitamento das matérias-primas, gera expressiva quantidade de empregos diretos e indiretos. O coprocessamento representa uma integração ambientalmente segura dos resíduos industriais com o processo de elaboração do cimento e é regulamentada, em nível nacional, pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA). É uma alternativa economicamente competitiva com relação à disposição em aterros e incineração, e, ao contrário desses, se caracteriza pela destruição total de grandes volumes de resíduos, sem geração de novos passivos ambientais. Isso está contemplado como técnica de gestão ambiental na nova Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada pelo governo em agosto de 2010. Os principais resíduos coprocessados como combustíveis nas fábricas são: pneus, resíduos de tecidos, plásticos, misturas de resíduos sólidos das indústrias petroquímica, química, automobilística, siderúrgica, de alumínio, de embalagens e celulose, mistura de resíduos pastosos da indústria química e petroquímica, como borras de tintas; líquidos e outros. Como substituto de matéria-prima: resíduos das indústrias de alumínio e siderúrgica, solos contaminados, lamas de estação de tratamento de esgotos e similares.
Recentemente, por causa da alta demanda de consumo no Brasil, algumas grandes construtoras importaram cimento, principalmente o chinês. Além disso, algumas cimenteiras também importaram clínquer. Esse cimento vindo de fora, assim como o clínquer, tem qualidade ambiental?
Desconheço o assunto no que diz respeito à qualidade ambiental, pois a questão é inerente ao país de origem. O que a ABCP tem feito, efetivamente, é monitorar a qualidade desses cimentos importados pelas nossas associadas. Posso afirmar que eles são comparáveis aos cimentos brasileiros.
Comparado com o cimento produzido em outros países, dá para dizer que o cimento brasileiro é o mais ambientalmente correto do mundo?
Indubitavelmente a indústria do cimento no Brasil tem sido referência mundial na questão ambiental em publicações da Agência Internacional de Energia e da CSI, do WBCSD, sigla em inglês da Iniciativa de Sustentabilidade do Cimento do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável. Os números e gráficos a seguir economizam as palavras. De fato as figuras 1 e 2 apresentam a comparação dos índices de eficiência pelos vários países segundo dados referentes a 2003, compilados pelo SNIC (2009).

Figura 1 – Consumo comparativo de energia elétrica na produção de cimento (SNIC, 2009).

Figura 2 – Consumo comparativo de energia térmica na produção de cimento (SNIC, 2009).
A Figura 3 mostra que a indústria de cimento no Brasil apresenta um dos menores índices de emissão específica de CO₂: ou seja, aproximadamente 620 kg/tonelada de cimento, constituindo referência mundial do setor.
Figura 3– Comparação das taxas de emissão de CO2 no período 1990 a 2008 (WBCSD-CSI, 2009)
Entrevistado
Arnaldo Forti Battagin, gerente dos laboratórios da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland)
Currículo
- Geólogo pelo Instituto de Geociências da USP (1974)
- Gerente dos laboratórios da ABCP
- Especialista nas áreas de tecnologia básica de cimento e concreto, durabilidade do concreto, técnicas experimentais e gestão da qualidade
- Representante da ABCP nas comissões de estudos de normalização da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
- Autor e co-autor de mais de 60 trabalhos técnico-científicos publicados em revistas e congressos nacionais e internacionais
- Membro e representante da ABCP no Conselho Diretor do Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON).
Contato: arnaldo.battagin@abcp.org.br
Crédito: Divulgação/ABCP
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Arco Metropolitano muda infraestrutura do Rio de Janeiro
Obra é uma das maiores do PAC e tem previsão de consumo de mais de 90 mil m³ de concreto, apesar do pouco investimento em pavimento rígido
Por: Altair Santos
Com a conclusão prevista para dezembro de 2012, o Arco Metropolitano do Rio de Janeiro é uma das principais obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Projetado para interligar as rodovias que cortam o Estado (BR-040, BR-101, BR-116, BR-493 e BR-465) o empreendimento tem extensão de 70,9 quilômetros e abrange oito municípios - Itaboraí, Magé, Guapimirim, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Japeri, Seropédica e Itaguaí. “Ele começa no entroncamento com a BR-040 e termina no entroncamento com a BR-101 Sul. É a obra estratégica mais importante do Estado do Rio de Janeiro das últimas décadas”, revela o subsecretário de Urbanismo da Secretaria de Obras do governo do RJ, Vicente Loureiro.

Com custo estimado de R$ 965 milhões, o Arco Metropolitano do Rio irá consumir pelo menos 91 mil m³ de concreto, entre trechos em pavimento rígido e obras de arte, que incluem 54 viadutos, 18 pontes e 82 passagens inferiores - entre elas 10 zoopassagens na Floresta Nacional Mario Xavier. Por causa do volume, as construtoras envolvidas na obra optaram por produzir vigas pré-fabricadas de concreto protendido em seus canteiros centrais, em vez de concretagem in loco. Para isso, estão em uso bombas-lança de concreto de 40m³/h de capacidade, utilizadas para fabricar blocos, pilares, travessas, tabuleiros de viadutos e pontes, passagens inferiores, passagens de gado e fauna e galerias celulares bueiros.
Segundo o gerente regional da ABCP-RJ (Associação Brasileira de Cimento Portland), Eduardo D´Avila, o volume de concreto utilizado no Arco Metropolitano poderia ser maior se o governo do Rio de Janeiro, em cima da hora, não tivesse optado pelo pavimento semirrígido invertido na maioria dos trechos. “O Arco realmente tinha um bom trecho previsto para ser feito em pavimento rígido e depois ele deixou de ser em concreto. Explicar o porquê desta mudança no projeto eu não sei, já que o pavimento rígido era a alternativa mais adequada para o tráfego pesado. A ABCP prestou assessoria técnica no projeto e mostrou a viabilidade do pavimento de concreto, e ele era competitivo a custo inicial”, diz Eduardo D´Avila.

O consórcio responsável por construir o Arco Metropolitano do Rio de Janeiro engloba oito construtoras: Odebrecht, Andrade Gutierrez, Carioca, Queiroz Galvão, OAS, Camargo Corrêa, Delta e Oriente. Atualmente, 27% das obras já foram concluídas. Divididas em quatro lotes, elas envolvem terraplanagem, drenagem, obras de arte corrente e obras de arte especiais. “Será uma rodovia de grande impacto na economia fluminense. Além de desafogar o tráfego da Região Metropolitana, em especial da Avenida Brasil e da Ponte Rio-Niterói, também vai facilitar o transporte de cargas de Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo ao Porto de Itaguaí”, explica o subsecretário Vicente Loureiro.
Impacto econômico
A estimativa é que a obra reduza em até 20% os custos de transportes de mercadorias entre o Porto de Itaguaí e sete estados brasileiros, incluindo os da região Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). O impacto na economia brasileira será de R$ 1,8 bilhão, sendo 64,1% desse valor concentrados no setor de construção civil. Em longo prazo, a influência direta no Produto Interno Bruto (PIB) da região será de R$ 2 bilhões. Os dados fazem parte do estudo Avaliação dos Impactos Logísticos e Socioeconômicos da Implantação do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro, encomendado pelo Sistema Firjan e pelo Sebrae-RJ ao Centro de Estudos em Logística da Coppead/UFRJ e à Tendências Consultoria.
Ainda, de acordo com o estudo encomendado pelo Sistema Firjan e pelo Sebrae-RJ, a previsão é de que se instalem no entorno da via empreendimentos industriais e de logística capazes de criar 800 mil empregos nos próximos 15 anos.



Entrevistados
- Eduardo D´Avila, gerente regional da ABCP-RJ/ES (Associação Brasileira de Cimento Portland)
- Vicente Loureiro, subsecretário de Urbanismo da Secretaria de Obras do governo do RJ
Currículos
Eduardo Henrique D´Avila
- Engenheiro Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
- Pós-graduado em Construção Civil pela UFRGS
- Pós-graduado em Estruturas de Concreto pela Universidade Luterano do Brasil
- Gerente Regional da ABCP RJ/ES (Associação Brasileira de Cimento Portland)
- Coordenador Nacional do Programa de Desenvolvimento Empresarial de Fabricantes de Blocos de Concreto (PDE)
Vicente Paulo Loureiro
- Arquiteto e membro da Sociedade de Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro (SEAERJ)
- Ex-presidente do Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano (IPPU) de Volta redonda
Contatos
Eduardo Henrique D´Avila: eduardo.davila@abcp.org.br
Vicente Paulo Loureiro: vicente.suburbrm@obras.rj.gov.br
Créditos Fotos: Divulgação/ObrasRJ/ABCP-RJ/ES/ALERJ
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Fórum permanente pretende influir na formação de engenheiros
Instituto de Engenharia de São Paulo prepara núcleo de discussões, a fim de ajudar no aprimoramento dos profissionais e adequá-los à nova realidade do mercado
Por: Altair Santos
O Instituto de Engenharia de São Paulo (IE) prepara a fundação do núcleo de discussão dos negócios de engenharia. A ser lançado em agosto, o objetivo central será debater, entre outros assuntos, o preparo técnico e gerencial de profissionais e estudantes de engenharia, em especial os da civil, e os planos de investimentos governamentais para a melhoria da infraestrutura nacional. “Também serão envolvidos no fórum a organização da atividade econômica da engenharia, a legislação pertinente e os órgãos que regulam e fiscalizam os profissionais”, explica o presidente do IE, Aluizio de Barros Fagundes.

O espectro a ser envolvido nos debates é amplo. Através de associações classistas, serão convidados o empresariado da engenharia em geral, as escolas de engenharia, a advocacia administrativa, os tribunais de contas, o ministério público e grupos de influência nos planos de desenvolvimento econômico. “A intenção é disseminar a organização das atividades de engenharia para o correto entendimento de sua comercialização e aplicação. A engenharia é um ramo de negócios e não uma simples profissão de commodities”, resume o presidente do Instituto de Engenharia.
O núcleo de discussão dos negócios de engenharia, que será instalado pelo Instituto de Engenharia de São Paulo, terá caráter permanente e funcionará lastreado por um curso livre de gestão da engenharia, destinado à formação de executivos do setor. “Uma das metas é eliminar aquilo que chamo de paradigma da desconfiança, mediante o estabelecimento de um sólido código de ética empresarial, profissional, ambiental e legal, propiciando real fluidez na implantação de empreendimentos, hoje muito prejudicada por discussões mal fundamentadas”, afirma Aluizio de Barros Fagundes, realçando que o núcleo de discussão também quer influir na formação de engenheiros.
No entender do presidente do Instituto de Engenharia, há sérias deficiências na formação básica dos estudantes. “Eles chegam a todas as faculdades, não só as de engenharia, com baixo grau de alfabetização e sem as noções fundamentais de matemática e demais ciências exatas. Em escolas de engenharia exigentes ocorre então a evasão maciça dos alunos. Naquelas mais lenientes, acontece a formatura de pessoas incapazes de exercer a profissão”, preocupa-se Aluizio de Barros Fagundes, dizendo que entre 1980 e 2005 o Brasil jogou fora um imenso capital do conhecimento setorial.
Daí decorre, de acordo com o presidente do IE, esse déficit na disponibilidade de engenheiros no mercado. “Porém, mais grave que esse problema é a queda na qualificação dos egressos das faculdades. Não nos iludamos. O que incentivou e manteve a inquestionável excelência da engenharia brasileira foram as grandes companhias governamentais. Com o fechamento ou drástica redução dessas companhias, perderam-se e dispersaram-se os profissionais que um dia o país logrou a ter. Há que se pensar nesse grotesco erro estratégico”, alerta.
A fundação do núcleo de discussão dos negócios de engenharia é uma das prioridades na nova gestão de Aluizio de Barros Fagundes, que em março de 2011 reelegeu-se na presidência do IE. O que suscitou a ideia foi um artigo escrito por ele em fevereiro de 2011, intitulado Nova Engenharia para um novo século. Em um dos trechos estão os fundamentos do núcleo que será aberto em agosto. “Do mesmo modo que, nas décadas de 60, 70 e metade da de 80, a engenharia se mobilizou, encorpou e brilhou... Repentinamente apagaram-se as luzes, fecharam-se as portas e todos fomos atônitos para casa... Com o novo surto de progresso experimentado em 2010, teremos tudo de novo por fazer e tudo por fazer de novo. Precisamos, no entanto, estar conscientes que dessa vez não podemos abusar da improvisação e da criatividade, sob pena de apenas incharmos a força de trabalho”, escreveu.
Leia a íntegra do artigo Nova Engenharia para um novo século
Site de Lígia Fascioni.
Entrevistado
Aluizio de Barros Fagundes, presidente do Instituto de Engenharia
Currículo
- Engenheiro Civil formado pela USP-São Carlos.
- Mestre em Engenharia pela Politécnica da USP e mediador e árbitro do Instituto de Engenharia.
- Desde 1996 atua como Consultor Independente para desenvolvimento de negócios e concepções técnicas em empreendimentos de Concessões de Serviços Públicos de Água e Esgotos.
- Foi professor universitário na Cadeira de Construção Pesada, na Escola Politécnica da USP, no Instituto Mauá de Tecnologia e na Escola de Engenharia da UNIP.
- Autor de meia centena de publicações técnicas no magistério, revistas especializadas e anais de eventos acadêmicos e profissionais.
- Profissionalmente dedicado ao ramo de Engenharia Consultiva para obras pesadas e de infraestrutura socioeconômica, tendo coordenado, dirigido e participado de cerca de duzentos empreendimentos, com destaque para as Estações Sé e República do Metrô de São Paulo, Usinas Hidrelétricas Três Irmãos e Água Vermelha da CESP, entre outros.
Contato: presidência@iengenharia.org.br / fernanda@iengenharia.org.br (assessoria de imprensa)
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
ISO 26000 nasce para ser a norma das normas
Lançada no final de 2010, ela engloba conceitos e tem como meta principal ser um guia orientador sobre responsabilidade social nas empresas
Por: Altair Santos
Entre janeiro de 2005 e dezembro de 2010, 91 dos 105 países-membros da ISO (Organização Internacional para Normalização) atuaram na elaboração daquela que já é considerada a norma das normas: a ISO 26000.

Nascida para ser um guia orientador sobre responsabilidade social, ele envolveu cerca de 500 pessoas e contou também com a participação de integrantes da ONU (Organização das Nações Unidas), da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e de um grande número de Organizações Não-Governamentais, como a WWF (World Wildlife Fund). “Foi o maior Comitê da ISO em todos os tempos. Indiscutivelmente, foi a norma mais debatida mundialmente”, afirma o brasileiro Jorge Emanuel Cajazeira, que presidiu o Comitê mundial da ISO 26000.
Diferentemente da maioria das normas, a ISO 26000 foi concebida para ser uma diretriz normativa não-certificável, ou seja, ela não é uma norma de certificação. “Ela é uma norma guia, uma norma de conduta. O objetivo foi fazer dela uma norma guarda-chuva. Ela praticamente englobou conceitos de outras normas, que evoluíram para uma ISO de responsabilidade social. Então, a adesão das empresas a ela é espontânea”, explica Jorge Emanuel Cajazeira.
Logo, uma empresa que pretenda seguir a ISO 26000 terá que buscar a construção de responsabilidade social a partir de uma mobilização interna, seguindo os seguintes princípios: accountability (prestação de contas à sociedade), transparência, comportamento ético, respeito e consideração aos interesses dos stakeholders (funcionários, gestores, fornecedores, clientes, Estado e entidades de classe), cumprimento das leis e normas internacionais e universalidade dos direitos humanos.
A ISO 26000 estabelece que responsabilidade social é:
“Responsabilidade de uma organização sobre os impactos de suas decisões e atividades na sociedade e no meio ambiente, através de comportamento transparente e ético que:
- contribua para o desenvolvimento sustentável, incluindo saúde e o bem estar da sociedade;
- leve em conta a expectativa das partes interessadas;
- esteja de acordo com as leis aplicáveis e consistente com as normas internacionais de comportamento
- esteja integrada através da organização e praticada nos relacionamentos desta.”
Segundo Jorge Emanuel Cajazeira, a principal dificuldade que as empresas devem encontrar ao implantar a ISO 26000 será evitar confundir responsabilidade social com a prática da filantropia. “Diversas instituições se dizem socialmente responsáveis porque fazem doações, ajudam creches, enfim, têm uma ação filantrópica. Este conceito não é o que a ISO entende que seja definitivo para o tema responsabilidade social. Responsabilidade social para a ISO é uma relação ética perante a sociedade, que inclui respeito aos direitos humanos, respeito aos direitos das minorias, combate à discriminação, combate à corrupção e governança. São temas muito mais abrangentes do que a mera filantropia, que é uma da parte de ação social”, diz.
Definir esse novo conceito de responsabilidade social é que foi a grande dificuldade do Comitê que elaborou a ISO 26000. Por isso, ela demorou cinco anos para ser criada, quando, em média, uma norma demora no máximo três anos para ser construída. “Os debates foram calorosos, por que envolveram temas que não são muito fáceis de chegar a um consenso. Um exemplo foi o que envolveu a discriminação contra homossexuais. Isso para os países árabes é tido como ofensivo, pois eles não consideram o homossexualismo como uma coisa que faz parte da cultura deles. Então, foi preciso criar uma atmosfera de uniformidade de conceitos e quebrar resistências históricas”, revelou Cajazeira.
O que prega a ISO 26000
Governança organizacional
Trata dos processos e estruturas de tomada de decisão, delegação de poder e controle. O objetivo é fazer com que a organização incorpore em seu cotidiano os princípios de responsabilidade social.
Direitos Humanos
Inclui resolução de conflitos, direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais, além de direitos fundamentais do trabalho e combate à discriminação a grupos vulneráveis.
Práticas trabalhistas
Refere-se tanto ao emprego direto quanto ao terceirizado e ao trabalho autônomo. Inclui emprego e relações de trabalho; condições de trabalho e proteção social; diálogo social, saúde e segurança ocupacional; desenvolvimento humano dos trabalhadores.
Meio ambiente
Inclui prevenção da poluição; uso sustentável de recursos; adaptação às mudanças climáticas; proteção e restauração do ambiente natural; respeito ao ciclo de vida e responsabilidade ambiental.
Práticas operacionais justas
Compreende combate à corrupção; envolvimento político responsável; concorrência e negociação justas; promoção da responsabilidade social na esfera de influência da organização e respeito aos direitos de propriedade.
Questões dos consumidores
Inclui práticas justas de negócios; marketing e comunicação; proteção à saúde e segurança do consumidor; consumo sustentável; serviço e suporte pós-venda; privacidade e proteção de dados; acesso a serviços essenciais; educação e conscientização.
Envolvimento com a comunidade e seu desenvolvimento
Refere-se a investimento social; desenvolvimento tecnológico; criação de empregos; geração de riqueza e renda; promoção e apoio à saúde, educação e cultura.
ISO 26000 começa a se propagar no Brasil
O brasileiro Jorge Emanuel Cajazeira, que presidiu o Comitê que criou a norma de Responsabilidade Social, afirma que agora trabalha para expandir rapidamente os conceitos da nova ISO pelo país. Confira a entrevista:
As empresas brasileiras já estão se adequando à norma ou ela ainda vai levar um tempo para se propagar pelas corporações do país?
Uma boa parte delas já está parcialmente aderente à norma e o processo deve se expandir rapidamente. A norma foi lançada agora e estamos divulgando via federações de indústrias. Então, em breve, teremos um bom número de adesões à norma.
Hoje, quais as empresas brasileiras que estão trabalhando para se adequar à ISO 26000?
A Petrobras já tem trabalhos neste aspecto, assim como a Natura. Tenho informações de que a Braskem, que é ligada à Odebrecht, iniciou o processo, além da Suzano Papel e Celulose, da CPFL Energia e o Banco Santander.
O Brasil presidiu o Comitê Mundial da ISO de Responsabilidade Social, com o senhor à frente dos trabalhos. Como foi conduzir a elaboração da norma?
Não foi um trabalho fácil. Tomou um grande tempo de viagens, sobretudo para negociar com chineses e indianos, que se opunham à norma. Foi a primeira vez que um brasileiro presidiu um Comitê deste porte, do qual faziam parte quinhentas pessoas, e até pegar familiaridade com os termos e a ritualística demorou um pouco. Mas obtive muito apoio inquestionável da ABNT e da própria ISO, que não poupou recursos para que a norma saísse.
Além do senhor, quem mais do Brasil se envolveu no trabalho para a criação da norma ISO 26000?
Além de mim, o vice-secretário geral Eduardo Santiago, da ABNT, e mais seis especialistas participaram da redação da norma: o Aron Belinky, ligado ao Instituto Akatu; o José Salvador, da Fundação Vanzolini; o Rodolfo Guttilla, da Natura; a Ana Paula Grether, da Petrobras; o Reinaldo Ferraz, do Ministério de Ciência e Tecnologia, e o professor José Carlos Guarnieri, da FGV.
Especificamente sobre o setor da construção civil brasileira, ele está preparado para requerer a ISO 26000?
O setor da construção civil precisa, sobretudo, ter relações trabalhistas mais duradouras. Em determinados momentos ele emprega muito e em outros desemprega. Essas relações precisam ser mais perenes. Tem também a questão da legalidade, da saúde e da segurança. O lado positivo, é que o setor avançou muito na questão ética. Na parte de concorrência pública me parece que houve uma evolução grande e hoje ela é conduzida com mais transparência.

Responsabilidade socioambiental da Cia. de Cimento Itambé
A Cia. de Cimento Itambé conta atualmente com as certificações ISO 9001:2008 (Qualidade), 14001:2004 (Meio Ambiente) e a OHSAS 18001:2007 (Saúde e Segurança), concedidas pela SGS ICS Certificadora Ltda. Essas certificações estão consolidadas em um único sistema - Sistema Integrado de Gestão (SIG).
Para o gerente de qualidade da Itambé, Rogério Lunardon, as normas permitem que a empresa tenha um compromisso com a qualidade, que vai desde a prospecção do calcário até a entrega do produto ao consumidor. “Há uma interação, afinal não faria sentido ter qualidade sem respeito ao meio ambiente e sem padrões de trabalho seguro”, afirma.
A Itambé desenvolve também uma política de responsabilidade social, que se sustenta em três pilares básicos: a valorização do potencial humano, o desenvolvimento das comunidades onde está presente e o respeito ao meio ambiente. A empresa faz isso por meio do PIPA (Programa Itambé de Participação Social), com ênfase em obras de infraestrutura nos municípios de Balsa Nova e Campo Largo, onde estão localizadas sua fábrica e mina, respectivamente.
Segundo Cecília Chiesse Hara, coordenadora de comunicação corporativa da empresa, o PIPA, que foi criado em 2001, já recebeu da Itambé o repasse de mais de R$ 2 milhões. “Só em 2010, foram R$ 300 mil”, diz. Voltado para a educação e saúde, o programa proporciona melhor qualidade de vida aos moradores dos municípios em que a companhia atua, prioritariamente, das localidades do Jardim Serrinha, em Balsa Nova, e do Itambezinho, em Campo Largo.
Nessas comunidades, o PIPA já viabilizou as reformas das escolas e postos de saúde que atendem à comunidade local. Além disso, abre a biblioteca da Itambé para alunos das redes de ensino de Balsa Nova e Campo Largo que tem acesso a todo o acervo literário da empresa. O espaço dispõe de dois mil títulos e conta ainda com um auditório de 105 lugares, onde é realizado o projeto Sessão Cinema, e que em 2010 atendeu três mil estudantes.
Entrevistados
Jorge Emanuel Reis Cajazeira, Presidente do comitê mundial da ISO 26000
Currículo
- Doutorando e mestre pela FGV-EAESP
- Presidente mundial da ISO Responsabilidade Social
- Membro do conselho da Aberje
- Gerente Corporativo de Competitividade da Suzano Papel e Celulose
- Eleito entre o 4 executivos mais inovadores em 2005 pela Revista Exame
- Coordenador Grupo Tarefa de Responsabilidade Social Corporativa – ABNT
Contatos: jbarretto@suzano.com.br/ joiceb.je@suzano.com.br (assessoria de imprensa)
Cecília Chiesse Hara, coordenadora de comunicação corporativa da Itambé
Rogério Lunardon, gerente de qualidade da Itambé
Crédito Fotos: Divulgação/Petrobras/Suzano
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
BRICS impulsiona venda de cimento no mundo
Países do bloco, do qual o Brasil faz parte, lideram consumo, mas presidente do SNIC avalia que crescimento será moderado a partir de 2012
Por: Altair Santos
Relatório global do setor de cimento, publicado recentemente pela revista britânica International Cement Review, mostra que em 2009 e 2010 o mercado registrou crescimento acentuado em todo o mundo. O documento avalia dados de 160 países e revela que a produção saltou de 2.830 milhões de toneladas em 2008 para 3.294 milhões de toneladas em 2010. Seguindo neste ritmo, há a expectativa de que o crescimento registre recorde em 2012, atingindo 3.859 milhões de toneladas.

No Brasil, não é diferente. A indústria cimenteira do país descarta, inclusive, exportar, para investir somente no mercado interno, onde PAC, Olimpíadas, Copa do Mundo e Minha Casa, Minha Vida levam a indústria a planejar aumento de capacidade de 65% em 5 anos, segundo o relatório global da International Cement Review. No entanto, o presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), José Otávio Carneiro de Carvalho, mostra um otimismo moderado.
De acordo com ele, a expectativa de crescimento sustentável vai depender do cenário econômico do país. “O consumo de cimento é muito sensível ao comportamento das condições macroeconômicas. É extremamente sensível, diria. Então, é preciso ver como o Brasil vai combater o retorno da inflação, e quais medidas serão tomadas”, diz, mantendo-se confiante para 2011. “Neste ano, a expectativa é de crescimento na faixa de 8%. A partir daí, não tem como estimar”, avalia.
Para o presidente do SNIC, o bom andamento da indústria de cimento nos próximos anos vai depender das futuras medidas que o governo federal irá tomar em relação ao programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Segundo José Otávio Carvalho, o MCMV é mais relevante para a indústria do cimento do que eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas. “O Minha Casa, Minha Vida é um programa que já provou ser sustentável. Já Copa e Olimpíadas são apenas indutores de crescimento”, diz.
Dentro de seu otimismo moderado, José Otávio Carvalho crê que, se as medidas governamentais forem corretas, o Brasil tende, a médio prazo, a ultrapassar os Estados Unidos no consumo de cimento. Até por uma questão cultural, avalia. “No mercado brasileiro, o cimento faz parte da cultura da engenharia civil. Não só no emprego de obras de infraestrutura, como na própria construção de edificações, sejam elas habitacionais, comerciais ou industriais. O cimento, através do concreto, é culturalmente a base da construção brasileira”, afirma.
Já os Estados Unidos têm uma predileção pelas estruturas de aço, completa o presidente do SNIC. “O cimento lá é relativamente pouco usado na construção de edificações, onde prevalece o uso de estruturas metálicas. São mercados completamente diferentes. Portanto, se o Brasil tiver realmente uma grande expansão de consumo nos próximos anos, é possível que venha a ultrapassar os Estados Unidos em consumo”, conclui José Otávio Carvalho.
BRICS
O presidente do SNIC avalia que os países que compõem o bloco chamado BRICS - formado por Brasil, Rússia, Índia, China e, agora, África do Sul – é o grande responsável pelo crescimento de consumo no mundo de 2009 para cá. “A Rússia sentiu um impacto maior da crise internacional, mas China, Índia e Brasil atravessaram este período de dificuldades conjunturais do mundo mantendo taxas de crescimento consideráveis de consumo de cimento. Os três foram quase exceção diante do cenário global”, afirma.
Diante do cenário, José Otávio Carvalho acha que é zero o risco de o Brasil enfrentar problemas para abastecer o mercado interno de cimento. “Houve algumas importações pontuais, sobretudo de clínquer, mas elas não foram representativas a ponto de indicar ameaça no abastecimento. Até por que, o setor reagiu exemplarmente e já colocou em marcha a ampliação de suas fábricas e a instalação de novas unidades. É um compromisso da indústria nacional do cimento abastecer o mercado interno”, finaliza.



Entrevistado
José Otávio Carneiro de Carvalho, presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC)
Currículo
- Formou-se em Engenharia de Produção, na PUC-RJ, em 1965.
- Em 1969, concluiu Pós-Graduação em Engenharia Econômica, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
- Entre 1975 e 1978 integrou a equipe de assessoria econômica do então ministro da Fazenda, Mário Henrique Simonsen.
- Trabalha como consultor de empresas e desde 1982, atua no setor de cimento, onde prestou consultoria em diversos projetos.
- Em 2001, foi convidado para o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), onde assumiu a função de Secretário Executivo e depois se tornou vice-presidente Executivo da entidade.
- No início de 2011, assumiu o cargo de presidente do SNIC.
Contato: snic@snic.org.br / adriana.alves@fsb.com.br (assessoria de imprensa)
Créditos:
Infográficos: Snic / Relatório global do setor de cimento, da International Cement Review
Foto: Divulgação/SNIC
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
"Custo Paraná" já cobra preço alto do Estado
Economia paranaense perde competitividade por causa de gargalos da infraestrutura e, principalmente, por que tem baixa qualificação de mão de obra
Por: Altair Santos
Dezesseis das maiores empresas instaladas no Paraná decidiram cruzar seus dados para projetar o futuro da economia paranaense daqui a quatro anos. As conclusões a que chegaram é que, assim como o país carrega o chamado “custo Brasil”, o Estado convive com o “custo Paraná”. Ele se materializa em gargalos de infraestrutura, como os que afetam o porto de Paranaguá, na carga tributária alta, na burocracia e, sobretudo, na escassez de mão de obra qualificada.

O estudo, cujo relatório foi apresentado ao governo estadual no começo deste ano, esteve sob a coordenação do diretor de recursos humanos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Carlos Echeverría. Ele conclui que, se nada for feito no médio prazo, o Paraná tende a vir a sofrer do “efeito ABC”. Trata-se de um fenômeno semelhante ao que ocorreu no ABC paulista no final do século passado, quando a mão de obra excessivamente cara causou a migração de indústrias para outras regiões do país.
Segundo Echeverría, as empresas que fizeram parte da pesquisa pretendem, até 2014, gerar 18.770 novas vagas. Destas, 5.443 vão exigir formação superior, 8.072 serão para técnicos e 5.255 para trabalhadores com o ensino médio completo. O problema está na capacitação destes profissionais. Boa parte deles não terá como se candidatar às vagas ofertadas, o que vai obrigar a “importação” de mão de obra. “Isso exige que as organizações recrutem profissionais em outras regiões, como São Paulo. Ao efetuar estas contratações em centros mais caros, gera-se incremento de custo na folha de pagamento, tanto na atração quanto na retenção dos profissionais”, explica Carlos Echeverría.
A conclusão é que o Paraná está se tornando pouco competitivo. Dados recentes divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) comprovam essa tendência. Em 2010, o crescimento industrial do Paraná foi de 1,5%, enquanto a média nacional ficou em 3,4%. Já a folha de pagamento no Estado teve um aumento real de 9% em relação a 2009, enquanto a média nacional foi de 6,8%. “Percebe-se que o nível de atividade ficou na metade do nacional, mas o custo da mão de obra cresceu mais do que o nacional. O que acontece? A mão de obra aqui está mais cara. É a comprovação do efeito ABC”, destaca Echeverría.
Para estancar esse desequilíbrio entre crescimento e custo da mão de obra, o estudo baseado em dados das 16 empresas propõe que sejam criados pólos de formação de mão de obra em todo o Estado, para que essas vagas sejam preenchidas pelos jovens que estudam no Paraná. “Hoje nosso mercado se ressente muito de engenheiros civis e mecânicos, de médicos do trabalho, de profissionais de Tecnologia da Informação e de profissionais de nível gerencial”, enumera Echeverría.
O diretor de recursos humanos da PUC-PR avalia que a primeira medida do governo para enfrentar o “custo Paraná” seria diagnosticar as carências de mão de obra qualificada em todo o Estado. Esse mapeamento, sugere, poderia ser feito através da secretaria estadual de Educação. “Ela é o organismo mais preparado para identificar essas carências e preparar as escolas técnicas para executar os pólos de formação”, diz.
Ainda, segundo Echeverría, as 16 empresas que serviram para fomentar o estudo se propõem a ser parceiras de um programa de qualificação. “As empresas estão dispostas a fazer parceria para a formação de mão de obra, seja com investimentos em dinheiro ou disponibilidade de técnicos”, completa, avaliando que as medidas devem ser urgentes. “O Paraná está perdendo atratividade e é preciso correr contra o relógio”, alerta Carlos Echeverría.
Perfil das empresas
O estudo que mapeou o “custo Paraná” englobou empresas que pertencem à indústria (70%) e ao setor de serviços (30%). As 16 organizações pesquisadas são as seguintes: Boticário, Volvo, Renault, GRPcom, Bematech, GVT, Kraft Foods, Philip Morris, Correios, ALL, Case New Holland, Novozymes, AkerSolutions, HSBC, Positivo e Petrobras.




Entrevistado
Carlos Echeverría, diretor de recursos humanos da PUC-PR
Currículo
- Graduado em Matemática, Administração de Empresas e Pós-Graduação RH
- Já atuou em empresas como H.B.Fuller Company; Cia. Cervejaria Brahma; Pirelli Pneus; Bosch Divisão Diesel
Contato: carlos.echeverria@pucpr.br ou drh@pucpr.br
Crédito: João Borges/Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Itambé investe em tecnologia para construir silo de clínquer
Obra faz parte da linha 3 da Companhia e utiliza o sistema de formas deslizantes, além de um concreto diferenciado em sua estrutura
Por: Altair Santos

A demanda por cimento no Brasil tem levado o setor a investir em seus complexos industriais. Com a Cia. de Cimento Itambé não é diferente. No 1.º semestre de 2012, a empresa planeja inaugurar uma nova linha de produção de clínquer. As obras estão em pleno desenvolvimento e serão concluídas com a instalação do terceiro forno na fábrica de Balsa Nova, na região metropolitana de Curitiba.
As principais etapas da obra do novo forno são:
- Torre de pré-aquecimento (ciclones) de 125 m de altura
- Moagens de combustível e matéria prima
- Silo de armazenamento de matéria prima
- Silo de armazenamento de clínquer
- Resfriador
- Forno
- Filtros
“A principal peculiaridade deste tipo de obra é a complexidade das construções em concreto e a proximidade entre elas”, explica o engenheiro civil Paulo Vinicius Bressani, Coordenador das obras do Projeto da Linha 3 da Cia. de Cimento Itambé. Segundo ele, o pico da obra, que se dará daqui a dois meses, deverá envolver pelo menos 1.500 trabalhadores.

Uma das obras de maior vulto da nova linha de produção é o silo de clínquer, que tem 42 metros de diâmetro e 37 metros de altura, parte em concreto. Para construí-lo, foi usado o processo de forma deslizante contínua, que permitiu a concretagem da parede do silo. O equipamento se movimenta através de macacos hidráulicos, a uma velocidade de 13 centímetros por hora, e usa como base de apoio a própria parede recém construída. “Conforme o concreto ganha resistência, acionam-se os macacos hidráulicos e desliza-se a forma, num processo contínuo de concretagem”, revela Bressani.
A tecnologia de forma deslizante é uma das mais usuais no Brasil para a construção de silos, por permitir velocidade na construção. No caso da obra da Cia. de Cimento Itambé, foram 11 dias ininterruptos de concretagem, que consumiram cerca de 2,5 mil m³ de concreto na parede do silo totalizando um volume de cerca de 12,5 mil m³. Depois de concluído o silo terá capacidade para armazenar 56 mil toneladas de clínquer.

Esta é uma das etapas da construção da Linha 3, que tem outras obras sendo construídas em paralelo, outra obra que utiliza o sistema de forma deslizante é o silo de farinha que terá 63 metros de altura.
“Como são obras de grande porte em concreto, e próximas umas das outras, o planejamento criterioso para construí-las é fundamental”, relata Bressani, contando que o complexo de edificações da linha três já consumiu cerca de 25 mil m³ de concreto, transportados em mais de 3100 viagens de caminhão betoneira.

Segundo o gerente de desenvolvimento técnico da Cia. de Cimento Itambé – Divisão Concreto (Concrebras), Jorge Christófolli, - responsável pela formulação do concreto usado para erguer o silo de clínquer - só na base da construção foram lançados 3.200 m³ de concreto. O planejamento da obra envolveu duas centrais de concreto, 25 caminhões, três bombas-lança e 50 horas ininterruptas de execução.
“Precisávamos de um concreto que gerasse pouco calor durante a cura, para que ele não apresentasse fissuras”, disse Christófolli. “Por isso, optou-se pelo cimento CP IV-32, com adição pozolana, e uso de sílica ativa e aditivos estabilizantes na formulação do material”, completou.
Assista ao vídeo da etapa da Concretagem da base do silo de armazenamento de clínquer da linha 3 da Cia. de Cimento Itambé.
Leia mais sobre a Concretagem da base do silo de clínquer da linha 3
Entrevistados
Paulo Bressani
Currículo
- Graduado em Engenharia Civil pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR)
- Coordenador das obras do Projeto da Linha 3 da Cia. de Cimento Itambé
Contato: paulo.bressani@cimentoitambe.com.br
Jorge L. Christófolli
Currículo
- Engenheiro civil pela Faculdade de Engenharia de São Paulo (FESP – SP)
- Pós-graduado em patologia das construções pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)
- Mestre em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)
- Gerente de Desenvolvimento Técnico da Cia. de Cimento Itambé – Divisão Concreto – Concrebras
Contato: jorge@concrebras.com.br
Créditos: Cimento Itambé
