Obras de infraestrutura vão puxar economia em 2014
Ao analisar riscos e tendências para a construção civil, economista Fernando Sampaio projeta que eleições farão grandes obras saírem do papel
Por: Altair Santos
Qual será o carro-chefe da economia brasileira em 2014? No entender do economista Fernando Sampaio, diretor da LCA Consultoria, o investimento em obras de infraestrutura irá puxar o país no ano que vem. O especialista, que recentemente palestrou no Enece 2013 (Encontro Nacional de Engenharia e Consultoria Estrutural) afirma haver sinais claros de que megaempreendimentos começarão a sair do papel nos próximos meses.

Um dos indícios é a quantidade de recursos já liberados pelo governo federal; o outro, é a proximidade das eleições, que em 2014 irão abranger cargos como presidência da República e governadores. "Dos 26 estados da União, mais o Distrito Federal, 23 já tomaram dinheiro para investir em infraestrutura. São obras de saneamento básico, mobilidade urbana e trechos rodoviários, que, finalmente, tendem a sair do papel. Além disso, crescem os incentivos às PPPs (Parcerias Público-Privadas) e o programa de concessões do governo Dilma, mesmo que atabalhoado, acabará gerando mais obras em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos", avalia Sampaio.
O economista também aposta que o governo federal deverá dar mais injeção ao programa Minha Casa Minha Vida, principalmente para obras destinadas à faixa 1 (até 3 salários mínimos). "Tratam-se de imóveis de baixo padrão, que exigem mais músculo do que tecnologia e, portanto, geram mais emprego à mão de obra com baixa qualificação. Para o governo, o que interessa é que o setor crie cada vez mais vagas formais e o Minha Casa Minha Vida tem sido um bom instrumento para isso. Além disso, o programa estimula o financiamento imobiliário, haja vista que no ano passado o crédito habitacional cresceu 35% e este ano (2013) deve se manter neste patamar", projeta.
Para a cadeia da construção civil, Fernando Sampaio calcula que 2014 tende a ser de crescimento acima do PIB (Produto Interno Bruto), mas estima que, a partir de 2015, possa ocorrer uma "freada" no setor. "Começo de governo, independentemente de quem ganhar, é sempre de ajustes. Por isso, as obras ligadas a gastos públicos deverão ser mais contidas", afirma o economista, para quem o PIB brasileiro poderá crescer 4% em 2014 e talvez ter uma queda em 2015 - ficar em 3% -, para voltar a crescer em 2016. "Daqui a três anos, a expectativa é de que a crise internacional dê um alívio. Mas não veremos mais a euforia de antes de 2009. O mundo seguirá com aversão ao risco e o Brasil terá que ter projetos sólidos para atrair o capital estrangeiro. Por isso, confio que as obras de infraestrutura deverão liderar esse movimento", completa.
Fernando Sampaio finaliza apontando que se o Brasil quiser ter parceiros internacionais fortes deve mirar a China e os Estados Unidos. O primeiro, porque, segundo o economista, "salvou" o mundo de 2009 a 2012, e seguirá calibrando a economia mundial; o segundo, porque dá sinais de recuperação. "Os Estados Unidos demonstram retomada da economia, e isso é bom para os exportadores brasileiros, inclusive os fabricantes da cadeia produtiva da construção civil. Na minha avaliação, apenas a zona do euro vai demorar mais para crescer, provavelmente só após 2016", conclui.
Entrevistado
Economista Fernando Sampaio, graduado pela USP e pós-graduado pela Unicamp e diretor da LCA Consultoria
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Crédito foto: Divulgação/Abece
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
CREA-PR teme que "Mais Médicos" inspire "Mais Engenheiros"
Conselho está em alerta, após entrada em vigor do polêmico programa que importa profissionais de medicina e os admite no mercado sem validar diplomas
Por: Altair Santos
Lançado no começo do segundo semestre de 2013, o programa “Mais Médicos” tornou-se uma das ações mais polêmicas do governo federal. Por conta da quebra de regras, criou-se uma disputa entre os conselhos da categoria e o ministério da Saúde, que passou a se responsabilizar pela validação dos profissionais vindos do exterior. Numa primeira leva, vieram 1.232 médicos. A partir de outubro, outros 2.167 desembarcaram no Brasil. O objetivo é, até 2014, importar 7,5 mil estrangeiros - dos quais, 80% serão cubanos. A medida acendeu a luz de alerta entre outras categorias, principalmente a dos engenheiros. Isso ficou claro no 20º Fórum de Docentes, promovido recentemente pelo CREA-PR. O temor é que o “Mais Médicos” inspire um "Mais Engenheiros".

Para o presidente do CREA-PR, Joel Krüger, o principal risco é a ruptura do regramento estabelecido na lei 5.194, de 1966, que regula o exercício das profissões de engenheiro, arquiteto e engenheiro agrônomo no país e exige que estrangeiros sejam submetidos a exames em uma universidade pública para validar seus diplomas. "Atualmente, o CREA-PR, dentro do que a lei exige, autoriza cerca de 30 engenheiros estrangeiros por ano a trabalhar no Paraná. Agora, se há a predisposição para flexibilizar isso, precisamos saber o limite. No nosso entender, a validação automática pode ser bastante perigosa", diz Krüger, convicto de que esse será um problema que a categoria terá de enfrentar no curto prazo. "Já estamos trabalhando em um grupo de trabalho, cuja prioridade é defender o regramento. Não podemos esquecer que em 2015 o acordo do Mercosul estabelece o livre trânsito de serviços", completa.
Para Joel Krüger, na questão do Mercosul, uma solução é estimular a passagem dos estrangeiros pela Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana) com sede em Foz do Iguaçu-PR. "Quem estuda na Unila não terá problema nenhum, já que o registro do diploma de quem se forma na universidade é aceito pelo CREA. Neste caso, o que precisamos é que a graduação na Unila seja reconhecida pelos outros países do bloco (Argentina, Uruguai, Venezuela e Paraguai). É necessário que haja a reciprocidade que se dá aqui, pois pode ser que haja problema em relação ao brasileiro formado na Unila, quando ele for trabalhar em outro país", afirma o presidente do Crea-PR. A Unila possui os cursos de graduação em engenharia civil de estruturas, engenharia de energias renováveis e arquitetura e urbanismo.

Segundo o presidente do Conselho Estadual de Educação do Paraná, Oscar Alves, os indícios são de que um "Mais Engenheiros" está a caminho. "Sabemos que há estudos no MEC (ministério da Educação) para que haja a abertura para engenheiros estrangeiros, como houve no "Mais Médicos". Mas o problema não é abrir o mercado. O problema é contratar profissionais sem que seus diplomas sejam validados. Já recebemos denúncias de que empresas têm contratado engenheiros como assistentes técnicos ou tecnólogos, para que eles não passem pela inspeção do CREA", revela Alves. Outra preocupação da categoria é com relação à normalização da construção civil no Brasil. "Os engenheiros estrangeiros não conhecem nossas normas, principalmente as relacionadas às estruturas", alerta o engenheiro civil Alexandre L. Vasconcellos, diretor-geral da Método Estruturas, em recente palestra no Enece 2013 (Encontro Nacional de Engenharia e Consultoria Estrutural).
Entrevistados
- Engenheiro civil Joel Krüger, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (CREA-PR)
- Oscar Alves, graduado em medicina e presidente do Conselho Estadual de Educação do Paraná
- Engenheiro civil Alexandre L. Vasconcellos, diretor-geral da Método Estruturas
Contatos:
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Créditos fotos: Leandro Taques/CREA-PR
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Preço de material de construção não pauta mais a relação fornecedor-cliente
Pesquisa da Anamaco mostra que atendimento, variedade de produtos e logística passaram a definir as boas vendas no setor de material de construção
Por: Altair Santos
Os dados mais recentes divulgados pela Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção) revelam que o Brasil tem atualmente 129 mil lojas de material de construção e 10 mil atacadistas espalhados por seus 5.564 municípios. Dependendo do local do país, de um ano para o outro os pontos de venda crescem entre 5% e 11%. "Isso significa concorrência. É mais comum do que se imagina ter duas ou três lojas na mesma rua. Às vezes, uma em frente da outra. Diante deste cenário, a pergunta que se faz é: como ter lucro?", questiona o presidente, Cláudio Elias Conz.

O empresário, que no começo de outubro esteve palestrando na Intercon 2013 (Feira e Congresso da Construção Civil) realizada em Joinville-SC, afirmou que uma loja só pode pensar em ter lucro se priorizar atendimento, variedade e logística. "Os insumos que as lojas de materiais de construção vendem hoje estão com uma inflação praticamente congelada, se comparados com serviços e custos administrativos e operacionais. Isso significa que os produtos, cada vez mais, são commodities. Então, o preço não pauta mais a relação fornecedor-cliente. Ao mesmo tempo, não sobrevive quem não obtiver margem de lucro entre 45% e 50%. Como atingir esse percentual? Só consegue quem investir em atendimento, variedade e logística", afirma o presidente da Anamaco.
Cláudio Elias Conz apresentou pesquisa encomendada pela associação, na qual o preço aparece em quarto lugar entre os atrativos que levam o consumidor a procurar uma loja de material de construção. À frente, estão qualidade no atendimento, variedade de produtos e capacidade da loja em entregar dentro do prazo prometido (logística). "O cliente não entra mais na loja para comprar tinta. Ele quer ver como a casa dele vai ficar com aquela tinta. Ele não entra mais para comprar cerâmica. Ele quer ver como a casa dele vai ficar. Então, tem de haver essa conexão entre produto e consumidor, e quem faz é o lojista. De que forma? Oferecendo treinamento, treinamento e treinamento aos seus atendentes", diz.
Falando para um público formado em sua maioria por donos de lojas de material de construção da região de Joinville, o presidente da Anamaco foi explícito: "Hoje, loja estática não vende. Ela precisa conversar com o consumidor. Está comprovado que quem faz isso melhora as vendas em até 40%". Cláudio Elias Conz relatou que já há comerciantes utilizando a logística reversa como diferencial. "Conheço lojas que recolhem as latas de tinta, e dão destinação. Fazem o mesmo com as embalagens de cimento e de cal. Outras têm parcerias com empresas que reciclam entulhos da construção civil e orientam o consumidor a dar destino aos resíduos, após uma reforma. Essa é a nova loja da material de construção. É nesse ambiente que se cresce", concluiu.
Entrevistado
Cláudio Elias Conz, presidente da Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção)
Contato: presidencia@anamaco.com.br
Crédito foto: Divulgação/CIENTEC
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Governo eleva teto para uso do FGTS e divide mercado
Organismos ligados à construção civil enxergam aquecimento moderado nas vendas, enquanto especialistas em real estate veem alta nos preços
Por: Altair Santos
No final de setembro de 2013, o governo federal anunciou uma medida que há algum tempo o mercado imobiliário esperava: a elevação do valor máximo de compra de imóveis com o uso de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Para os estados de Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, além do Distrito Federal, o teto passou para R$ 750 mil. Nos demais estados, ficou em R$ 650 mil. Significa que o comprador pode utilizar sua conta de FGTS para amortizar o preço de imóveis com valor acima de R$ 500 mil - o teto anterior. Um exemplo: se o mutuário tem R$ 50 mil no FGTS e quer comprar um imóvel que vale R$ 650 mil, ele irá financiar apenas R$ 600 mil.

De imediato, a pergunta que se fez foi: essa decisão pode resultar em aumento do metro quadrado? Foi o suficiente para dividir o setor. Organizações de classe, como o Secovi, entendem que não. Já os analistas de real estate avaliam que o novo teto pode estimular reajustes. "Pode influenciar, mas não de forma geral. A influência maior ocorrerá nos imóveis que estavam com valores próximos ao limite anterior (R$ 500 mil). Eles se mantinham nesta faixa de preços porque eram produtos direcionados para clientes com perfil que utilizam o FGTS", alerta Fernanda Maria Ferreira, do Núcleo de Real Estate da Escola Politécnica da USP.
A especialista destaca ainda que o preço de um imóvel é estabelecido por uma série de variáveis, e o limite do FGTS é apenas uma delas. "Depende do produto, do público alvo, da localização, do padrão, e uma das variáveis que pode ou não influenciar a flutuação do preço do imóvel é o limite para a utilização do FGTS. Mas para ocorrer essa influência o produto deve estar direcionado para um público que anseia por utilizar o FGTS. Com certeza, onde houver essa margem, que possibilite aumento, ele ocorrerá", ressalta Fernanda Maria Ferreira.

Outra análise feita pela pesquisadora da USP é a de que, embora a medida do governo tenha sido para estimular o consumo de imóveis, o mercado imobiliário passa por uma fase de reassentamento, depois de um período de cinco anos de euforia. "De 2008 para cá, houve um descolamento entre o valor dos imóveise o poder de compra da população. Isso foi gerado, basicamente, por demanda reprimida, aumento nos custos de produção, aumento de custos de terrenos, escassez de mão de obra e aumento da oferta de crédito. Houve também um componente especulativo, o que gerou teses sobre o risco de bolha. Mas o Brasil tem regras muito conservadoras para o crédito imobiliário e a tendência atual é a de que o mercado se reorganize dentro da lei da oferta e da procura", diz.
Fernanda Maria Ferreira entende que as novas regras para financiamento imobiliário com recursos do FGTS atendem ao consumidor interessado em adquirir a casa própria ou trocar de imóvel para morar. Já o cenário não é propício a investidores. "A medida beneficia o comprador, que pode ter acesso a uma variedade maior de imóveis, e ao construtor e ao incorporador, que podem aumentar suas vendas. Já o investidor deve ter cautela. Os imóveis deixaram de se valorizar tanto e a velocidade das vendas caiu. Talvez seja o momento de buscar investimentos lastreados em imóveis e não especificamente os imóveis", recomenda.
Entrevistada
Fernanda Maria Ferreira, engenheira civil, pós-graduada em finanças pelo Insper e mestre em real estate pela Poli-USP. Faz parte da equipe do Núcleo de Real Estate da Universidade de São Paulo
Contatos:
fefemaria10@yahoo.com.br
Créditos fotos: Divulgação autorizada
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Concretagem em tempo quente
Altas temperaturas provocam efeitos indesejáveis em algumas características do concreto
Por: Jorge Aoki, Gerente de Assessoria Técnica na Cia. de Cimento Itambé
Com a chegada do verão e das altas temperaturas, são necessários determinados cuidados com o concreto. As características básicas do material, quando fresco, são as mais afetadas, embora o concreto endurecido também necessite de atenção especial, principalmente na questão da cura das primeiras idades.

A perda rápida de água da massa de concreto e das argamassas provoca a chamada retração hidráulica, que por sua vez causa o aparecimento das indesejáveis trincas e fissuras. Esse efeito fica acentuado com o aumento da velocidade dos ventos e da baixa umidade relativa do ar. No momento da aplicação do concreto é provável a ocorrência de uma dificuldade a mais com a perda da plasticidade.
Nos concretos convencionais, a maior parte da água de amassamento determinada no momento da dosagem tem apenas a função de permitir a correta aplicação com o total preenchimento das fôrmas. A retirada do ar da massa, com o uso de vibradores, fica bem facilitada quando a plasticidade é adequada. Porém, esta mesma água adicional, que depois vai sair por evaporação (exudação) é a que sofre a ação das altas temperaturas. Uma das funções fundamentais do processo de cura é exatamente impedir a saída rápida desta água, evitando a retração.
Define a ABNT NBR-7212 ( Execução de concreto dosado em central) em seu item 4.5.4: "A temperatura ambiente para lançamento do concreto deve estar entre 5° C e 30° C, conforme a ABNT NBR 14931 (Execução de Estruturas de Concreto - Procedimento). Fora desses limites devem ser tomados cuidados especiais acordado entre as partes. A temperatura do concreto por ocasião de seu lançamento deve ser fixada de modo a evitar a ocorrência de fissuração de origem térmica.
Portanto, algumas precauções são necessárias:
1. No caso de o concreto ser dosado em central, programar o intervalo entre caminhões-betoneira de modo a evitar a espera dos mesmos na obra. Desta forma, ganha-se tempo de aplicação.
2. Verificar com atenção o horário de mistura dos materiais componentes do concreto - anotado, obrigatoriamente, na nota fiscal -, pois a partir deste começa a contar o tempo de início de pega do concreto.
3. Nos bombeamentos, evitar paradas prolongadas, pois a tubulação exposta ao sol aumenta o efeito do início de pega e provoca entupimentos frequentes.
4. Dimensionar bem o pessoal da obra envolvido no transporte vertical/horizontal do concreto e adensamento (vibração) agilizando a descarga e ganhando tempo.
5. Manter as fôrmas bem molhadas para que não absorvam a água do concreto, aumentando o efeito da retração e provocando o aparecimento de fissuras.
6. Observar atentamente os procedimentos da cura do concreto, evitando a perda de água e a ocorrência de fissuração térmica.
Os métodos mais comuns de cura são:
- Irrigação ou molhagem contínua da superfície do concreto logo após o término da concretagem e por um período de pelo menos 7 dias, inclusive nos horários noturnos.
- Utilização de lonas plásticas para cobrir a superfície do concreto, evitando a perda de água.
- Recobrimento das superfícies com areia, serragem, sacos de aniagem ou papel, sempre mantidos bem úmidos.
- Emprego de películas de cura que evitam a evaporação rápida de água.
Crédito foto: Cia. de Cimento Itambé
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Manaus tem maior conjunto do Minha Casa Minha Vida
Das 8.895 unidades previstas, 3.511 já foram entregues. Sistema de paredes de concreto armado viabiliza megaconstrução do programa habitacional
Por: Altair Santos
Balanço do Minha Casa Minha Vida, divulgado em julho de 2013 pela ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, revela que, desde o lançamento do programa, em 2009, 340.774 unidades da faixa 1 (três salários mínimos) foram entregues. Entre essas moradias, 8.895 estão concentradas no Residencial Viver Melhor, em Manaus-AM, que detém o título de maior conjunto habitacional do MCMV.

Localizado na zona norte da capital amazonense, o complexo habitacional foi concebido sob o conceito de bairro planejado. "Paralelamente, foram construídas uma estação de tratamento de esgoto, ruas asfaltadas, creches, posto de saúde, escolas e uma linha de transporte público para o conjunto. É o primeiro bairro planejado popular do país", afirma Regina Lúcia Ferreira Gomes, diretora-técnica da Superintendência de Habitação do governo do Amazonas (Suhab).
Na primeira etapa do Viver Melhor, foram entregues 3.511 unidades habitacionais em setembro de 2012. Em dezembro de 2013, outras 5.384 serão concluídas. Para cumprir o cronograma, a Direcional Engenharia - construtora que ganhou a licitação da obra -, optou pelo sistema de paredes de concreto armado.
Segundo Ismar Fernandes, engenheiro que gerencia o empreendimento, o modelo traz um elevado ganho de produtividade. "A montagem das fôrmas e a concretagem permite construir 32 estruturas de apartamentos por dia. Em processos convencionais, a construção de 32 unidades, incluindo acabamento, leva em média seis meses. Com esse método, o tempo diminui para 60 dias. A primeira etapa da construção das moradias durou dois anos", revela. "A mão de obra foi treinada para montar e desmontar as fôrmas com grande agilidade, o que também dá rapidez ao processo", completa
O planejamento prevê que as 8.895 unidades do conjunto consumirão 149 mil m³ de concreto. Para viabilizar o bairro do Minha Casa Minha Vida, o investimento é de 463,1 milhões, num formato de financiamento que envolve a Caixa Econômica Federal e o governo amazonense. O empreendimento gera 2.500 empregos diretos e 8.500 indiretos. Entre os operários, 150 mulheres foram contratadas para atuar especificamente nos trabalhos de acabamento.
Cada casa e apartamento mede 33 m², com sala, cozinha, dois quartos, banheiro e área de serviço. "O residencial atende as famílias, segundo critérios estabelecidos pelo ministério das Cidades: famílias chefiadas por mulheres; famílias residentes em áreas de risco; famílias com filhos com residência fixa em Manaus há, no mínimo, três anos; famílias que residem na condição de cedidos ou alugados, que não foram contempladas com programas habitacionais de esfera federal, estadual, municipal, bem como assentamentos, e famílias com membros que possuam doenças crônicas degenerativas. Some-se a esses critérios, a renda familiar, que não pode ultrapassar R$ 1.600,00 reais por mês", finaliza Amilca Pontes Negrão, diretora de habitação da Suhab.
Veja vídeo sobre o maior conjunto do MCMV
Entrevistado
Superintendência de Habitação do governo do Amazonas (Suhab) (via assessoria de imprensa)
Contatos:
assessoriadecomunicacao@suhab.am.gov.br
dehab@suhab.am.gov.br
Crédito foto: Divulgação/Suhab
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Custo torna quase inviável a construção de metrôs
Luís Afonso dos Santos Senna, professor da UFRGS e especialista em mobilidade urbana, defende que cidades priorizem projetos de BRT e VLT
Por: Altair Santos
O professor de engenharia de produção e transportes da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) Luís Afonso dos Santos Senna, defende que as grandes cidades brasileiras pensem em soluções alternativas para o transporte público, que não seja o metrô. Segundo ele, o sistema, que é o sonho de consumo de 10 entre 10 prefeitos de capitais, tornou-se economicamente inviável de construir. Dados apresentados pelo especialista, no Congresso Brasileiro de Construção Sustentável 2013, mostram que, no Brasil, o quilômetro construído do metrô não sai por menos de R$ 100 milhões, podendo chegar a R$ 500 milhões em metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro. "O custo e a escassez de terras para desapropriar, associada às tecnologias cada vez mais sofisticadas para escavar túneis, encareceram por demais esse modelo de transporte", alerta Santos Senna.

Indiretamente, a cidade de São Paulo começa a valorizar outros modais. A prefeitura espera criar 150 quilômetros de BRT (Bus Rapid Transit) até o final de 2016, ao custo de R$ 6 bilhões. Com o mesmo volume de recursos, seria possível fazer apenas 12 quilômetros de metrô na capital paulista. O governo federal também se convenceu de que deve deixar de ver o metrô como a alternativa número um para a mobilidade urbana. Desde as manifestações populares de junho de 2013, linhas de crédito incentivando a criação de BRTs e VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos) nas principais cidades brasileiras já somam R$ 50 bilhões para projetos que prometem ser viabilizados nos próximos quatro anos.
O professor da UFRGS lembra que o metrô foi um modal importado para o Brasil, mas que hoje não é mais prioridade nem na Europa nem nos Estados Unidos. "Nos países europeus e nas cidades norte-americanas, os metrôs existentes foram consolidados no século passado. Hoje, esse sistema de transporte tornou-se muito caro até para eles", afirma Luís Afonso dos Santos Senna, citando que o que se busca atualmente nos países desenvolvidos é o network da mobilidade urbana. "Se o metrô já está construído, perfeito. Então, que se conecte a cada estação um terminal de ônibus e uma faixa de ciclovia. Los Angeles é quem melhor faz isso. A cidade decidiu trocar o metrô pelo investimento em ônibus. Primeiro, partiu para a compra de veículos sofisticados, com ar-condicionado e som ambiente, mas esqueceu de dar mobilidade a eles. Foi aí que a prefeitura se deu conta de que era necessário menos luxo e mais praticidade. Los Angeles hoje tem corredores exclusivos próximos das estações de metrô, conectando os sistemas", conta.

Para Luís Afonso dos Santos Senna, o Brasil precisa caminhar neste sentido e ter uma política séria de transporte público e mobilidade urbana para as grandes cidades. "A estratégia nacional de desenvolvimento do país tem seus fundamentos na produção de automóveis. O Brasil precisa mudar isso, caso contrário só irá piorar o quadro atual. Para se ter uma ideia, a velocidade do fluxo de veículos hoje nas metrópoles brasileiras é semelhante ao da Inglaterra na revolução industrial. Pior: a inclusão social agravou o problema de mobilidade nos grandes centros, pois quem não tinha carro, agora tem", alerta. Para o especialista, é hora de o Brasil pensar em políticas que subsidiem a não utilização de automóveis, que controlem a oferta de estacionamentos e que restrinjam a circulação de automóveis nos centros das metrópoles. "Não temos mais tempo para sermos amadores em termos de mobilidade", completa.
Entrevistado
Luís Afonso dos Santos Senna, engenheiro civil, ex-secretário municipal de transporte na cidade de Porto Alegre e professor-doutor de engenharia de produção e transportes da UFRGS
Contato: lsenna@producao.ufrgs.br
Crédito foto: Divulgação/Cia. de Cimento Itambé/ Consórcio Via Quatro
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Inmetro dá mais atenção à cesta básica da construção
Portaria que regulamenta fabricação e comercialização de blocos de concreto para alvenaria é uma das ações do Instituto voltadas ao setor
Por: Altair Santos
Atualmente mais de 350 mil produtos fabricados no Brasil ou importados contam com o selo do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia). Eles estão distribuídos em 197 famílias, das quais 160 são submetidas a avaliações compulsórias e 37 a inspeções voluntárias. Em um destes grupos encontra-se a cesta básica da construção civil. Atualmente, barras e fios de aço, plugues e tomadas, cabos e fios elétricos, além de disjuntores e produtos do segmento sanitário, como torneiras, misturadores, registros e sifões, já são obrigados a estar em conformidade com o Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, que baliza as ações do Inmetro. A partir do ano que vem, será a vez dos artefatos de concreto.

A exemplo do que já ocorre com telhas cerâmicas, os blocos de concreto para alvenaria e as telhas de concreto também passarão a ter inspeções compulsórias. O primeiro passo nesta direção foi a publicação da portaria que regulamenta a fabricação e a comercialização destes produtos, publicada em abril de 2013. A partir daí, os fabricantes terão até outubro de 2014 para se adequar. "Demos esse prazo para que as indústrias e o comércio do setor se adaptem, tanto para comprar equipamentos e aprimorar a linha de produção quanto para esgotar o estoque de produtos fabricados antes da implementação do programa", explica Alfredo Lobo, diretor de avaliação de conformidade do Inmetro, que durante o Concrete Show 2013 explicou como se darão as mudanças.
Segundo Alfredo Lobo, futuramente outros produtos vinculados à construção civil também serão submetidos a programas de certificação do Inmetro. "Argamassas colantes, cal hidratada, piso de madeira maciça, tintas e porcelanatos, além de dispositivos hidráulicos prediais e metais sanitários também passarão a ter inspeções compulsórias. Isso já foi aprovado pelo conselho curador do FGTS, para que haja um controle mais rigoroso na produção destes materiais", diz. Ainda de acordo com o diretor, quando um produto passa a receber certificação, o Inmetro tem condições de promover fiscalização técnica, recolhendo exemplares no varejo para que suas especificações sejam testadas em laboratórios. "Outra vantagem é que nossas certificações são reconhecidas internacionalmente, o que facilita o exportador brasileiro", completa.
No caso dos blocos de concreto para alvenaria e das telhas de concreto, para que eles obtenham a certificação do Inmetro terão de cumprir requisitos técnicos mínimos relacionados à dimensão, composição, absorção de água e resistência. "Nossos programas priorizam sempre a concorrência justa", afirma Alfredo Lobo. Uma das razões de o instituto dar mais atenção à cesta básica da construção civil se deve a dois motivos: a entrada em vigor da norma de desempenho (ABNT NBR 15575) e o volume crescente de denúncias relacionadas a habitações do Minha Casa, Minha Vida construídas com produtos sem conformidade. "Apesar de não poder intervir quando o produto já está de posse do usuário, o Inmetro tem a missão de acompanhar a conformidade dos produtos da fábrica ao ponto de venda", revela Alfredo Lobo.
Entrevistado
Alfredo Carlos Orphão Lobo, engenheiro mecânico e diretor de avaliação de conformidade do Inmetro
Contato: dconf@inmetro.gov.br
Crédito foto: Divulgação/Inmetro
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Reter alunos de engenharia é mais difícil do que captar
Fernando Micali, professor doutor da USP, explica por que evasão é grande nos cursos de engenharia. Segundo ele, é preciso falar a linguagem das novas gerações
Por: Altair Santos
Os mais recentes dados do MEC (Ministério da Educação) sobre evasão de alunos dos cursos de engenharia mostram que de 227 mil matriculados apenas 45 mil finalizaram a graduação em 2011 - 62,32% pertenciam às instituições públicas e 43,41% às particulares. Destes números, 24% estavam vinculados à engenharia civil. A estatística vai de encontro à tese do professor Fernando Micali - mestre e doutor em engenharia civil pela Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo) - de que hoje o grande desafio da escola não é captar o aluno, mas retê-lo. A prova é que, segundo o MEC, pelo menos meio milhão de estudantes prestam vestibular todo o ano para os cursos de engenharia. "Se há demanda, onde está o problema: no aluno ou na escola?", questiona Fernando Micali, que recentemente palestrou no 20º Fórum de Docentes, promovido pelo Crea-PR.

Segundo o especialista, que atualmente se dedica ao desenvolvimento de softwares para ajudar na retenção dos alunos por parte das escolas, o primeiro passo é entender para quem se está ensinando. "A geração atual tem o seguinte perfil: não utiliza manual, prefere a tentativa e erro; tem dificuldade em planejar, prefere o improviso; é multiprocessada e totalmente familiarizada com a tecnologia; tem necessidade de ter voz ativa e repudia o autoritarismo. Quem não perceber isso, não obtém o diálogo. Então, o grande desafio, hoje, é estabelecer uma comunicação para essas inteligências múltiplas. Caso contrário, como escreveu Rubem Alves, em seu livro Histórias de quem gosta de ensinar, o professor estará agindo como um Gepetto ao contrário: transformando gente em boneco de madeira", diz Fernando Micali.
Em um mundo onde a informação está disponível a todos, Micali defende que o novo professor deve agir como um mediador desta informação, motivando e inspirando o aluno. "Ele deve transmitir conhecimento, mas também desenvolver no aluno habilidades e atitudes. Veja o que ocorre hoje nas escolas de engenharia, sejam públicas ou privadas. O estudante passa dois anos aprendendo ferramentas para calcular estruturas e fundações, mas o professor não ensina ele a usar aquilo interdisciplinarmente, que é o que exige a engenharia atual", afirma o professor doutor, que é defensor de métodos de ensino baseados no conceito "problem based learning" (aprendizagem baseada em problema). "Isso desenvolve no aluno o interesse pelo estudo prévio, pelo feedback constante e pela interação intensa", completa.
Para Fernando Micali, o papel das escolas de engenharia deve ser o de dar habilidade para os alunos continuarem aprendendo, comportando-se como eternos aprendizes. “A formatura, como era conhecida no passado, não existe mais. Ninguém mais pode se considerar formado", alerta o especialista, lembrando que a taxa de conhecimento por indivíduo é cada vez menor. Dados apresentados por ele mostram que um jovem médio, na faixa de 20 anos, detém atualmente apenas 0,004% de tudo o que é produzido de conhecimento no mundo. "Por que isso ocorre? Porque o novo conhecimento não se faz mais de forma evolucionária, mas revolucionária, ou seja, quando surge um novo conhecimento o anterior pode ser jogado fora", explica.
Micali usou o seguinte exemplo para explicar sua tese: "Há 600 a.C., Aristóteles detinha 90% do conhecimento da humanidade, que ia de medicina a astronomia. Em 1700, Leonardo da Vinci detinha 60%. Já Isaac Newton, detinha 30%; Einstein, menos de 10%. Isso chama-se volatilidade do conhecimento. Há cada três anos todo o conhecimento da humanidade dobra. Diante deste desafio, o que o professor precisa é transmitir fundamentos sólidos ao aluno, para que ele aprenda a desenvolver a habilidade de continuar aprendendo sempre." Em sua análise, são esses profissionais que as empresas buscam hoje. "As corporações modernas se projetam como visionárias e querem colaboradores capazes de prospectar o futuro, para antever o que vai acontecer", finaliza.
Entrevistado
José Fernando Montovani Micali, engenheiro civil, professor doutor da USP e presidente da TNT Technology, especializada em soluções de TI para educação
Contato: fernando.micali@tntedu.com.br
Créditos fotos: Leandro Taques/Crea-PR
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Olimpíadas vão gerar bairro mais sustentável do Brasil
Ilha Pura abrigará 50 mil moradores depois dos jogos de 2016. Complexo sustentável terá 31 edifícios de 17 andares cada um e consumirá 350 mil m³ de concreto
Por: Altair Santos
O evento dos jogos olímpicos, que acontece daqui a três anos no Rio de Janeiro, tem entre seus projetos essenciais a construção da vila olímpica - local que tradicionalmente abriga os atletas que disputam as competições. No caso da Vila dos Atletas, a Construtora Odebrecht planeja transformá-la no bairro mais sustentável do Brasil.

Depois de agosto de 2016, o local será rebatizado de Ilha Pura e deverá abrigar 50 mil moradores. As obras estão 15% concluídas e devem ser finalizadas no final de 2015, com prazo-limite até maio de 2016. Segundo Maurício Cruz Lopes, diretor de projetos da Odebrecht, desde o início da construção da Vila dos Atletas tem sido tomadas medidas que garantam a sustentabilidade do empreendimento. Uma delas é que 100% da água cinza produzida dentro do canteiro de obras é coletada, tratada e reusada no vestiário que serve os 2,5 mil operários contratados. "Há preocupação também com a pegada de carbono. Por isso, selecionamos fornecedores que fazem esse controle desde a extração da matéria-prima até a entrega do produto no local da obra", explica Maurício Cruz Lopes.
O empreendimento também se preocupa com a emissão de gás carbônico (CO₂) na produção de concreto. Por isso, foram instaladas duas centrais na obra, com capacidade de produzir, por ano, 100 mil m³ de material. "Faremos uma economia de 1,5 milhão de quilômetros, poupando o transporte de concreto por betoneiras, e, com isso, haverá a redução anual de 1.200 toneladas de gás carbônico", revela o diretor de projetos da Odebrecht. Com 31 edifícios de 17 andares cada, espalhados em uma área de 632 mil m² da Barra da Tijuca, o Ilha Pura irá consumir um total de 350 mil m³ de concreto.

Construídos de acordo com as normas da certificação AQUA, os prédios do Ilha Pura terão os seguintes equipamentos voltados para a sustentabilidade do bairro planejado: aquecimento solar, telhado verde, painéis fotovoltaicos, tomadas para veículos elétricos, paisagismo com espécies nativas, central de tratamento de água, iluminação eficiente em led e elevadores capazes de gerar 60% da energia que irão consumir. "Acreditamos que o uso de tecnologia verde permita reduzir o consumo de energia em 30%, se comparado a uma obra convencional. Isso nos primeiros dez anos", avalia Maurício Cruz Lopes, que expôs o projeto no Congresso Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS 2013).
No mesmo evento foi apresentado o projeto do Jardim das Perdizes, que a Construtora Tecnisa está empreendendo na região da Barra Funda, em São Paulo. Trata-se de um outro bairro sustentável, com 28 torres distribuídas em uma área de 250 mil m². Os apartamentos terão de 80 m² a 197 m², para atender famílias com renda mensal entre 6 e 20 salários mínimos. "A principal característica deste empreendimento é a possibilidade de inclusão social", destaca Fábio Villas Bôas, diretor-técnico da Tecnisa. Além do Jardim das Perdizes e do Ilha Pura, existem no Brasil outros dois bairros sustentáveis em fase de construção: o Pedra Branca, em Palhoça, na região metropolitana de Florianópolis, e o Noroeste, no Distrito Federal.

Entrevistados
Engenheiros civis Maurício Cruz Lopes, diretor de projetos da Construtora Odebrecht, e Fábio Villas Bôas, diretor-técnico da Construtora Tecnisa
Contato: secretaria@cbcs.org.br
Créditos fotos: Divulgação/COB/SCHWING-Stetter/CBCS 20013