Sistemas prediais evoluem com IA, novas normas e soluções sustentáveis
A transformação dos sistemas prediais passa por um novo momento, impulsionado por tecnologias digitais, mudanças climáticas, industrialização da construção e novas exigências de desempenho. Esses foram alguns dos temas debatidos durante o 22º Seminário Tecnologia Sistemas Prediais, promovido pelo Comitê de Tecnologia e Qualidade (CTQ) do SindusCon-SP, que reuniu especialistas para apresentar tendências e soluções que devem impactar os próximos anos da construção civil.
Projetos mais complexos exigem novas ferramentas
A abertura da programação técnica ficou por conta de Fabiana Rewald, diretora da Rewald Engenharia, que apresentou um panorama das mudanças enfrentadas pelos projetistas de sistemas prediais.
Segundo a engenheira, o crescimento de empreendimentos de uso misto e de habitação de interesse social aumentou significativamente a complexidade dos projetos, especialmente devido ao maior número de interferências entre sistemas elétricos e hidráulicos. Ao mesmo tempo, o mercado exige um número crescente de plantas personalizadas, reduzindo as possibilidades de padronização e tornando o processo de projeto mais desafiador.
Outro cenário apontado é a redução dos prazos para desenvolvimento dos projetos, enquanto muitas obras passam a ser executadas antes mesmo da conclusão dos projetos executivos. A escassez de profissionais qualificados e a necessidade de novos modelos de gestão também fazem parte dessa realidade.
Como resposta a esse contexto, escritórios de engenharia têm ampliado o uso de plataformas digitais integradas, ferramentas colaborativas e recursos de Inteligência Artificial (IA) para automatizar tarefas, melhorar a comunicação entre equipes e reduzir o tempo de desenvolvimento dos projetos. Fabiana também destacou a importância da evolução do BIM e da atuação conjunta entre entidades como Abrasip, SindusCon-SP e Secovi-SP na atualização de normas técnicas e no relacionamento com concessionárias e órgãos públicos.
Durante o debate, o coordenador do Grupo de Projetos do CTQ, Maurício Linn Bianchi, levantou a discussão sobre as responsabilidades técnicas nos empreendimentos. Para Fabiana, é fundamental que projetistas, consultores, construtores e incorporadores tenham atribuições e escopos claramente definidos desde o início do processo.

Norma de águas pluviais será modernizada
Outro tema que chamou atenção foi a revisão da ABNT NBR 10844, responsável pelos critérios de projeto das instalações prediais de águas pluviais.
O diretor da SFGnipper Engenharia, Sérgio Frederico Gnipper, explicou que a norma atualmente em vigor foi publicada em 1989 e deriva de documentos técnicos elaborados ainda nas décadas de 1970 e 1980. Desde então, novas tecnologias, materiais e métodos construtivos transformaram o setor, tornando necessária uma atualização profunda.
A proposta prevê dividir a norma em três partes e incorporar critérios compatíveis com a realidade climática atual, marcada por eventos extremos e chuvas cada vez mais intensas. A revisão também pretende oferecer maior flexibilidade técnica aos projetistas, priorizando critérios de desempenho em vez de soluções exclusivamente prescritivas.
Entre as novidades estão novos parâmetros para dimensionamento de calhas com descarga livre ou restrita, além de requisitos voltados à salubridade das instalações, incluindo medidas para evitar odores e evitar o acúmulo de água que favoreça a proliferação de mosquitos em caixas de areia.
Gnipper informou ainda que será criada uma Comissão de Estudos da ABNT para conduzir oficialmente a revisão da norma.
Drenagem mais eficiente e reaproveitamento da água
As soluções para drenagem urbana também ganharam espaço no seminário.
André Santos do Nascimento, coordenador técnico de Resiliência Climática Urbana da Amanco Wavin, apresentou o QuickStream, sistema desenvolvido para otimizar a captação e condução das águas pluviais. Segundo ele, a tecnologia permite maior eficiência hidráulica, reduz a necessidade de infraestrutura convencional e simplifica a instalação, contribuindo para diminuir prazos de obra.
Na sequência, Vinicius Lino de Oliveira, engenheiro de Aplicação da Amanco Wavin, apresentou o AquaCell, sistema modular voltado à retenção temporária e ao reuso das águas pluviais. Além de atender às normas técnicas, a solução contribui para estratégias de sustentabilidade e pode auxiliar empreendimentos na obtenção de benefícios previstos em programas municipais, como o IPTU Verde.
Pressurização direta ganha espaço nos empreendimentos
Outra tendência apresentada foi a expansão dos sistemas de pressurização direta para abastecimento de água.
Durante sua palestra, Jerry Silva, gerente de Vendas da Wilo Brasil, mostrou como essa tecnologia vem sendo adotada como alternativa aos modelos tradicionais baseados em reservatórios superiores.
Segundo ele, a eliminação dos reservatórios libera espaço nas coberturas, reduz o consumo de alguns materiais de construção como o aço, simplifica a infraestrutura hidráulica e diminui os custos de implantação. A solução também acelera a execução das obras e proporciona maior flexibilidade arquitetônica.
A operação dos equipamentos é acompanhada por sistemas inteligentes de monitoramento, apoiados por Inteligência Artificial, que permitem manutenção preditiva e maior confiabilidade operacional. Para os usuários, os benefícios incluem pressão constante da água, redução de ruídos e maior conforto. Em situações de falta de energia, o funcionamento é mantido por geradores.
Casos de empreendimentos implantados em diferentes estados brasileiros demonstraram os ganhos de eficiência obtidos com essa tecnologia.
Segurança também depende da qualidade dos materiais
Além das inovações em sistemas prediais, o seminário abordou a importância da conformidade dos materiais utilizados nas instalações elétricas.
Ênio Rodrigues, diretor executivo do Sindicel, alertou para os riscos associados ao uso de fios e cabos elétricos irregulares e apresentou as ações desenvolvidas pela entidade para combater a fabricação e comercialização de produtos fora das especificações técnicas.
Segundo Rodrigues, a presença do selo do Inmetro não garante, isoladamente, a conformidade do produto, tornando essencial a verificação da procedência dos materiais utilizados em obras.
Como apoio ao mercado, o Sindicel mantém em seu portal uma relação atualizada de fabricantes regularizados de fios, cabos, tomadas e extensões, oferecendo uma ferramenta de consulta para construtoras, projetistas e consumidores.
Fontes
Fabiana Rewald é diretora da Rewald Engenharia.
Maurício Linn Bianchi é coordenador do Grupo de Projetos do CTQ do SindusCon-SP.
Sérgio Frederico Gnipper é diretor da SFGnipper Engenharia.
André Santos do Nascimento é coordenador técnico de Resiliência Climática Urbana da Amanco Wavin.
Vinicius Lino de Oliveira é engenheiro de Aplicação da Amanco Wavin.
Jerry Silva é gerente de Vendas da Wilo Brasil.
Ênio Rodrigues é diretor executivo do Sindicel.
Contato
Assessoria de imprensa SindusCon-SP: rmontagnini@sindusconsp.com.br
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
Vogg Experience
Argamassas de hidratação controlada ampliam a previsibilidade, a rastreabilidade dos processos e o desempenho dos revestimentos
A industrialização dos sistemas construtivos tem levado a construção civil a buscar materiais capazes de reduzir a variabilidade dos processos e oferecer maior previsibilidade de desempenho. Nesse contexto, as argamassas de hidratação controlada têm se consolidado como uma solução que alia controle tecnológico, padronização e ganhos operacionais em diferentes tipos de empreendimentos. Até 2024, esse material era conhecido no mercado como argamassa estabilizada. A mudança de nomenclatura ocorreu com a publicação da ABNT NBR 17218, primeira norma brasileira específica para o produto.
Produzidas em centrais industriais, as argamassas de hidratação controlada são formuladas com cimento, agregados miúdos, água e aditivos químicos que retardam temporariamente as reações de hidratação do cimento. Esse mecanismo permite que o material mantenha sua trabalhabilidade por períodos prolongados, favorecendo o planejamento e a execução das atividades em obra, sem comprometer o desenvolvimento de suas propriedades mecânicas.

Segundo Luiz Alberto Trevisol, gerente corporativo de desenvolvimento técnico da Concrebras, o principal diferencial desse tipo de argamassa está justamente no controle das reações de hidratação do cimento. "Esse controle permite prolongar o período de utilização da argamassa, mantendo sua trabalhabilidade por várias horas ou até dias, conforme a especificação do fabricante", explica.
Controle tecnológico começa na seleção das matérias-primas
O desempenho desse tipo de argamassa depende diretamente da qualidade das matérias-primas empregadas e da precisão da dosagem. O processo começa pela seleção dos agregados miúdos, cujas areias devem apresentar granulometria adequada e baixo teor de impurezas. Em seguida, são definidos o do tipo de cimento, o uso ou não da cal e os aditivos mais adequados com cada aplicação.
"A escolha do cimento e de aditivos adequados e compatíveis também contribui para a obtenção de um produto de alto desempenho. Essas definições, aliadas a uma dosagem racional, resultam em uma argamassa mais robusta e confiável", afirma Trevisol.
Após a formulação, o controle passa a ser permanente. No estado fresco, são monitoradas propriedades como índice de consistência, densidade, teor de ar incorporado e retenção de água. Já no estado endurecido, são avaliadas características relacionadas ao comportamento mecânico, como o módulo de elasticidade dinâmico e o potencial de aderência. Esse conjunto de ensaios reduz significativamente a variabilidade entre os lotes produzidos e aumenta a confiabilidade do desempenho dos revestimentos.
Redução da variabilidade gera resultados mais uniformes
Nas argamassas produzidas em obra, pequenas variações na quantidade de água, na granulometria da areia, no tempo de mistura ou mesmo na habilidade do operador podem provocar diferenças significativas no comportamento do material. Nas argamassas de hidratação controlada, esses fatores são previamente controlados em ambiente industrial.
A produção centralizada garante a manutenção da relação água/aglomerantes, da distribuição granulométrica dos agregados e da dosagem dos aditivos, além de assegurar um comportamento reológico mais previsível durante a aplicação. "Essa uniformidade resulta em melhor acabamento superficial, menor incidência de juntas frias e desenvolvimento mais uniforme das propriedades mecânicas e de aderência ao longo da obra", destaca o especialista.

A estabilidade dessas características também contribui para reduzir a ocorrência de fissuras, desplacamentos e problemas de aderência, diminuindo a necessidade de reparos e retrabalhos.
Rastreabilidade fortalece a gestão da qualidade
Outro diferencial do material é a rastreabilidade dos processos. Cada lote produzido pode ser identificado e acompanhado por meio de informações como a origem das matérias-primas, a formulação empregada, a data e horário de produção, os resultados dos ensaios, a identificação do transporte e o local de aplicação na obra.
Para Trevisol, a rastreabilidade é uma ferramenta importante para a gestão de não conformidades. "Em eventual investigação de não conformidades, essas informações permitem identificar rapidamente a origem do problema, restringindo sua abrangência e facilitando a implementação de ações corretivas", observa.
Além de fortalecer a gestão da qualidade, a rastreabilidade também atende aos requisitos de certificações e programas de controle adotados pelo setor da construção civil.
Desempenho final dos revestimentos é favorecido
A uniformidade proporcionada pelo processo industrial também se reflete no comportamento dos revestimentos ao longo da vida útil da edificação. Entre os principais benefícios estão a maior regularidade superficial, a redução da retração em razão do controle da relação água/aglomerante, o baixo módulo de elasticidade, menor suscetibilidade à fissuração por retração plástica e o melhor desempenho diante das deformações do sistema de revestimento.
Outro aspecto importante é a manutenção da trabalhabilidade durante todo o período de utilização da argamassa, evitando práticas inadequadas em obra, como a adição de água para recuperar a consistência do material. "Esse procedimento altera a relação água/aglomerante, reduz a resistência mecânica e compromete a aderência", alerta Trevisol.
Como resultado, os revestimentos executados com argamassas de hidratação controlada tendem a apresentar maior durabilidade, menor incidência de manifestações patológicas e desempenho mais previsível, características que têm ampliado o interesse do mercado por soluções industrializadas que oferecem maior controle tecnológico.

Entrevistado
Luiz Alberto Trevisol é engenheiro civil, mestre na área de desenvolvimento e tecnologia voltada à área de materiais de construção, mais especificamente materiais cimentícios, pós-graduado na área de Engenharia de Produção, com foco na criação e gestão de indicadores de desempenho voltados a centrais dosadoras de concreto. Sólida experiência no desenvolvimento de argamassas industrializadas, com conhecimento na área de pesquisa, desenvolvimento e produção de fibrocimento (cimento-amianto e CRFS). Atualmente, é Gerente Corporativo de Desenvolvimento Técnico da Concrebras.
Contato
luiz.trevisol@concrebras.com.br
Jornalista responsável
Ana Carvalho
Vogg Experience
Cimento com propriedades magnéticas amplia possibilidades de uso das superfícies na construção civil
A busca por soluções que tornem os ambientes mais versáteis tem impulsionado o desenvolvimento de novos materiais para a construção civil. Entre eles, está o cimento com propriedades magnéticas, tecnologia que propõe transformar paredes convencionais em superfícies capazes de receber objetos por meio de ímãs, reduzindo a necessidade de furos e sistemas permanentes de fixação.
Ainda em fase de estudos e validação industrial, o material foi desenvolvido pelo inventor argentino Marco Agustín Secchi, criador do sistema IronPlac. A proposta surgiu a partir de pesquisas iniciadas em 2023 e evoluiu para uma série de testes voltados à adaptação da tecnologia aos processos construtivos já utilizados pelo mercado. "Os primeiros estudos e pesquisas sobre cimento magnetizável começaram em 2023, com base em uma série de testes exploratórios em minha oficina particular em Salta, Argentina. O desenvolvimento ativo começou em 2024, com mais de 30 formulações desenvolvidas e mais de 50 testes realizados até o momento", afirma Secchi.

Parede passa a desempenhar novas funções
Diferentemente das tintas magnéticas disponíveis comercialmente, o cimento com propriedades magnéticas faz parte do próprio sistema construtivo. O IronPlac apresenta uma argamassa cimentícia magnetizável que é aplicada como reboco sobre superfícies existentes, como paredes de cimento, gesso e outros substratos, transformando-as em plataformas funcionais capazes de atrair ímãs sem perfuração ou instalações complexas.
O sistema também possui uma versão destinada às construções em drywall, composta por placas de gesso magnetizáveis que substituem as placas convencionais sem alterar o processo de instalação.
Na prática, a parede também se torna uma superfície dinâmica. Quadros, organizadores, utensílios, suportes e elementos decorativos podem ser reposicionados diversas vezes utilizando ímãs de neodímio, sem causar danos ao revestimento. Segundo o desenvolvedor, cada ponto de fixação suporta até dois quilos.
Diferenças em relação às tintas magnéticas
Segundo o pesquisador, embora o princípio de funcionamento seja semelhante ao das tintas magnéticas, os dois sistemas apresentam diferenças conceituais. As tintas normalmente utilizam partículas metálicas dispersas em sua composição, oferecendo capacidade limitada de atração e exigindo diversas demãos para alcançar resultados satisfatórios. No caso do IronPlac, o sistema inclui duas variantes: uma base cimentícia para construção úmida e uma placa de gesso magnetizável para sistemas de construção a seco, como estruturas metálicas. “Isso lhe confere força magnética significativamente superior, maior durabilidade estrutural e compatibilidade com os padrões da indústria da construção", explica Secchi.
Outro diferencial proposto pelo sistema é a possibilidade de aplicação tanto em obras novas quanto em reformas, sem exigir equipamentos especiais ou alterações estruturais.
Aplicação acompanha diferentes métodos construtivos

O cimento com propriedades magnéticas pode ser incorporado em diferentes etapas da execução da obra. Em construções convencionais, ele é aplicado como camada de revestimento antes do acabamento. Já nos sistemas industrializados, como o drywall, a proposta é utilizar placas magnetizáveis instaladas de forma semelhante às placas de gesso convencionais.
Essa flexibilidade amplia as possibilidades de uso em residências, escritórios, escolas, hospitais, ambientes corporativos, laboratórios e espaços colaborativos, onde a reorganização frequente de painéis, equipamentos ou materiais faz parte da rotina. Além da praticidade, a tecnologia pode contribuir para reduzir intervenções na parede ao longo da vida útil da edificação, diminuindo reparos decorrentes de sucessivas perfurações.
Próxima etapa é buscar escala industrial
De acordo com o inventor, o projeto encontra-se atualmente na fase de validação industrial e os ensaios de caracterização do material estão sendo conduzidos na Universidade Nacional de Salta, enquanto negociações com empresas de diferentes países buscam viabilizar sua fabricação em escala. "O projeto está atualmente na fase de validação industrial. Estamos realizando a caracterização técnica do material na Universidade Nacional de Salta e em negociações ativas com potenciais parceiros de fabricação e distribuição nos Estados Unidos, Europa e Ásia Central", destaca Secchi.
A expectativa do desenvolvedor é iniciar a produção em larga escala no segundo semestre de 2026 por meio de um modelo de licenciamento com parceiros industriais internacionais. Embora ainda esteja em processo de consolidação comercial, o projeto representa uma iniciativa alinhada à tendência de incorporar novas funcionalidades aos materiais de construção. A tendência acompanha o crescimento de soluções que unem desempenho técnico, flexibilidade de uso e adaptação dos ambientes às necessidades dos usuários.
Entrevistado
Marco Agustín Secchi é inventor e estudante de Design Industrial em Salta, Argentina. Com formação técnica e experiência em metalurgia, ele desenvolveu o IronPlac combinando conhecimentos de química, física e engenharia de materiais por meio de estudo autodidata, em colaboração com instituições acadêmicas e parceiros industriais.
Contato
Jornalista responsável
Ana Carvalho
Vogg Experience
Nova NR-10 amplia exigências e integra o gerenciamento dos riscos elétricos ao GRO/PGR
Um novo texto da NR-10, norma que estabelece requisitos de segurança para instalações e serviços elétricos, entra em vigor em 1º de junho de 2027. Para as edificações não residenciais existentes, entretanto, foi estabelecido um prazo adicional até 1º de junho de 2028 para a adequação às exigências relacionadas à instalação de dispositivos diferenciais residuais (DDR) em áreas molhadas.
David Fratel, vice-presidente da Política de Relações Trabalhistas (CPRT) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), aponta que “para o setor da construção, qualquer iniciativa que coloque a segurança em primeiro lugar é sempre muito bem-vinda. Proteger vidas e garantir a integridade física dos trabalhadores é o que realmente importa. Esse é o posicionamento da CBIC ao longo de sua trajetória. Esse olhar está alinhado ao espírito da nova NR-10 (Portaria MTE nº 737/2026), que traz o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO/PGR) para o centro das atenções”.
Haruo Hishikawa, vice-presidente de Relações Capital-Trabalho e Responsabilidade Social do SindusCon-SP, acredita que a atualização da NR-10 era necessária porque o setor evoluiu muito nos últimos anos. “Hoje temos novas tecnologias, como sistemas fotovoltaicos e carregadores para veículos elétricos, que não estavam contemplados quando a norma foi elaborada”, comenta.
Maiores mudanças na NR-10

Segundo David, essa atualização traz mudanças que terão impacto significativo no dia a dia do setor. “Entre os principais pontos estão a integração do risco elétrico ao GRO/PGR previsto na NR-1, a exigência de estudos de energia para avaliação do risco de arco elétrico, o reforço de que o desligamento do circuito deve ser sempre a primeira medida para eliminação do perigo e a obrigatoriedade do uso de dispositivos diferenciais-residuais (DDR) em áreas específicas das edificações”, afirma David.
A norma também consolida um ambiente de trabalho mais previsível ao exigir projetos elétricos mais rigorosos, sob a responsabilidade de Profissionais Legalmente Habilitados (PLHs), consolidando uma diretriz que já existia, além de estabelecer critérios de capacitação e treinamentos práticos presenciais. “Isso reflete obrigações técnicas diretas nos projetos, que passam a priorizar estudos de energia incidente, detalhamento dos sistemas de aterramento, esquemas de equipotencialização e o correto dimensionamento dos dispositivos de proteção e seccionamento”, explica David.
“A norma passa a exigir mais atenção aos equipamentos de proteção, aos procedimentos de bloqueio e etiquetagem (LOTO), à documentação das instalações elétricas e à capacitação dos trabalhadores, que passa a considerar também os riscos das novas tecnologias e fontes de energia”, complementa Haruo.
Impactos da NR-10
De acordo com David, a adoção das novas exigências poderá demandar investimentos na atualização de projetos, na adequação de infraestruturas existentes e na capacitação das equipes.
“Durante o período de transição até a entrada em vigor da norma, também será necessário revisar procedimentos internos e planejar treinamentos, o que poderá exigir ajustes nos cronogramas de implantação das instalações e, em alguns casos, na execução das obras. Na nossa avaliação, as pequenas e médias empresas tendem a sentir esses impactos de forma mais intensa. A exigência de cargas horárias específicas e de aulas práticas presenciais cria um desafio logístico para liberar os profissionais sem comprometer a produtividade, além dos investimentos necessários para atualizar infraestruturas antigas, como a instalação de dispositivos DDR”, destaca David.
Haruo acredita que ainda é cedo para medir esse impacto. “O que deve acontecer é que as empresas precisarão revisar procedimentos, atualizar treinamentos, documentação e, em alguns casos, adequar equipamentos e processos para atender às novas exigências. Quando falamos de segurança, esses investimentos devem ser vistos como uma medida para proteger os trabalhadores e reduzir riscos, e não apenas como um custo”, justifica.
Preparação
Para se anteciparem à vigência integral da norma, as empresas, entre projetistas, instaladoras e construtoras, precisam se planejar desde já. “É o momento de revisar os projetos e o Prontuário das Instalações Elétricas (PIE), alinhar os inventários de riscos, adequar os procedimentos operacionais e organizar os treinamentos. Voltamos ao nosso princípio fundamental: enxergar a qualificação como o primeiro grande pilar para industrializar o setor, ganhar produtividade e, ao mesmo tempo, alcançar ganhos reais de segurança e qualidade nas entregas”, pontua David.
Haruo recomenda revisar a documentação das instalações elétricas, os programas de treinamento, os equipamentos de proteção e os procedimentos de segurança para verificar se estão alinhados às novas exigências.
Fontes
Haruo Hishikawa é vice-presidente de Relações Capital-Trabalho e Responsabilidade Social do SindusCon-SP.
David Fratel é vice-presidente da Política de Relações Trabalhistas (CPRT) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Contatos
Asssessoria de imprensa SindusCon-SP- rmontagnini@sindusconsp.com.br
Assessoria de imprensa CBIC - imprensa@cbic.org.br
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
Vogg Experience
PODCAST - Edifícios altos: desafios, evolução da tecnologia de materiais e processos

Entrevista com Cesar Zanchi Daher, engenheiro civil com experiência de 42 anos de atuação na área técnica de Gestão Tecnológica de Solos, Concreto , Argamassas, Materiais, Pavimentações, Monitoramentos e Ensaio Especiais, tanto em Edificações quanto Obras de Vulto. Foi professor por 22 anos do Curso de Engenharia Civil da PUC PR e diretor do curso na mesma faculdade. Dos dez edifícios mais altos do Brasil, seis têm a presença da Daher Consultoria e Tecnologia, da qual é sócio-fundador.
No episódio, ele aborda a construção dos edifícios altos, os desafios, a evolução da tecnologia de materiais e os processos.
► Clique no player abaixo e ouça a entrevista na íntegra

PODCAST - Pavimento urbano de concreto: durabilidade, cultura e oportunidade

Entrevista com Diego Jaramillo Porto, engenheiro e diretor de Pavimentos e Infraestrutura na Federação Ibero-Americana de Concreto Pronto (FIHP), gerente técnico da PROCEMCO e presidente do Conselho Nacional de Construção e Infraestrutura da Colômbia. Na conversa, analisa o estágio do pavimento de concreto no Brasil e na América Latina, destacando o entrave cultural frente ao asfalto, além de abordar durabilidade, custo ao longo do ciclo de vida, sustentabilidade e soluções como o white topping para ampliar sua aplicação nas cidades.
► Clique no player abaixo e ouça a entrevista na íntegra

PODCAST - Ruas sustentáveis: planejamento, drenagem e o futuro das cidades

Entrevista com Alex Maschio, engenheiro civil, mestre em planejamento urbano, especialista em gestão pública, CEO do Instituto Ruas e autor de Rua Sustentável: repensando as vias urbanas para o século XXI. Ao longo da conversa, aborda os desafios do crescimento desordenado das cidades, o conceito de ruas sustentáveis e soluções como drenagem urbana eficiente e uso de pavimentos de concreto para melhorar a durabilidade, a mobilidade e a qualidade de vida nos centros urbanos.
► Clique no player abaixo e ouça a entrevista na íntegra

PODCAST - Participação feminina na construção civil

Entrevista com Maria Eugenia Fornea, economista e engenheira civil, que atua há mais de 15 anos no mercado imobiliário. É fundadora e atual CEO da incorporadora curitibana Weefor. Eleita presidente da ADEMI PR (Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná) na gestão 2026-2027.
► Clique no player abaixo e ouça a entrevista na íntegra

PODCAST - Participação feminina na construção civil

Entrevista com Maria Eugenia Fornea, economista e engenheira civil, que atua há mais de 15 anos no mercado imobiliário. É fundadora e atual CEO da incorporadora curitibana Weefor. Eleita presidente da ADEMI PR (Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná) na gestão 2026-2027.
► Clique no player abaixo e ouça a entrevista na íntegra

PODCAST - Inovação, transformação digital e materiais na construção industrializada

Entrevista com Íria Lícia Oliva Doniak, engenheira civil, presidente executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC) e presidente da fib - International Federation of Structural Concrete (2025-2026).
► Clique no player abaixo e ouça a entrevista na íntegra





