Setor da construção civil aguarda Minha Casa Minha Vida 3 como milagre

Governo federal promete lançar nova fase do programa habitacional em 10 de setembro. Antes, precisa colocar em dia 1,6 milhão de moradias contratadas

Por: Altair Santos

Há oito meses o setor da construção civil está em compasso de espera, aguardando a fase 3 do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). A expectativa é de que sejam contratadas mais 3 milhões de unidades até o final de 2018. Porém, para que isso se materialize, teriam que ser viabilizadas 500 mil unidades até o final de 2015 e mais 2,5 milhões nos 36 meses seguintes. O número é ousado, já que, desde a criação do MCMV, em 2009, foram contratadas aproximadamente 3,9 milhões de unidades, tendo sido efetivamente entregues 2,3 milhões de moradias. Isso dá uma média de quase 320 mil unidades construídas a cada 12 meses.

Empreendimento do MCMV2: em alguns casos, atrasos de repasses às construtoras chegam a 90 dias
Empreendimento do MCMV2: em alguns casos, atrasos de repasses às construtoras chegam a 90 dias

O lançamento do MCMV 3 já foi adiado quatro vezes este ano, com a nova promessa ficando para 10 de setembro. Enquanto isso, várias empresas sofrem com a paralisação do programa. O motivo é que muitas investiram pesadamente em tecnologia para que pudessem ter um alto volume de produção. Com a estagnação, toda a expertise adquirida corre o risco de ser sucateada. Neste ano, a construção civil prevê demitir cerca de 480 mil trabalhadores, mais que o triplo da indústria automobilística, além do volume de equipamentos ociosos.

A paralisação do programa atinge direta ou indiretamente toda a cadeia produtiva da construção civil. Assim, mesmo que venha a lançar o Minha Casa Minha Vida 3 em 10 de setembro, o governo federal não estará solucionando todos os problemas do setor. Ocorre que há um passivo de 1,6 milhão de moradias contratadas e não pagas. A estimativa de organismos como CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil) é de que a dívida com as empresas que atuam no programa ultrapasse R$ 1,5 bilhão.

No auge do MCMV, as construtoras recebiam o repasse de verba da Caixa Econômica Federal de 15 em 15 dias. Esse tempo aumentou para 30 dias, 60 dias e, atualmente, algumas reclamam de até 90 dias para serem reembolsadas. O atraso levou o governo federal a paralisar a concessão de financiamentos em 2015, para as famílias que se enquadram no perfil econômico do programa. As obras que a presidente Dilma Rousseff vem entregando recentemente fazem parte dos contratos assinados ainda na metade de seu primeiro mandato.

Pressão
Os organismos que representam a construção civil têm exercido pressão para que o governo federal regularize as contas e crie medidas que perenizem o Minha Casa Minha Vida – uma delas, transformando-o em programa de estado e não de governo. “É premente que haja mudanças nas faixas de renda, de forma a colocar mais pessoas dentro do programa, alocação de mais subsídios e reajuste nos limites dos valores máximos de contratação, que estão completamente fora da realidade na maioria do país, especialmente nas regiões metropolitanas de diversos estados", reivindica Flávio Prando, vice-presidente de Habitação Econômica do Secovi-SP.

Junto com CBIC e SindusCon-SP, o Secovi-SP tem participado de reuniões em Brasília para alertar o governo sobre a necessidade de acelerar o programa. “Estamos acompanhando as negociações atentamente e vemos interesse do governo em resolver a situação. O grupo de trabalho criado para discutir o MCMV 3 retomou suas atividades e vem discutindo o futuro do programa”, afirma o vice-presidente de Habitação Popular do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Ronaldo Cury, que, assim como todo o setor da construção civil, aguarda ansiosamente 10 de setembro chegar.

Entrevistados
- Engenheiro civil Ronaldo Cury De Capua, vice-presidente de Habitação Popular do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP)
- Engenheiro de produção Flávio Prando, vice-presidente de Habitação Econômica do Secovi-SP

Contatos
imprensa@relacionamento.secovi.com.br
sindusconsp@sindusconsp.com.br

Crédito foto: Arquivo/EBC

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Robô-pedreiro pode assentar mil tijolos por hora

Expertise do equipamento é assentar tijolos, seja em casas ou em prédios com poucos pavimentos. Invenção é da australiana Fastbrick Robotics

Por: Altair Santos

Em um ano, a australiana Fastbrick Robotics promete lançar no mercado o Hadrian. Trata-se de uma máquina inteligente, que opera de acordo com a planta em 3D (BIM ou CAD) implantada em sua memória. A expertise do equipamento é assentar tijolos, seja em casas ou em prédios com poucos pavimentos. O alcance de seu telescópio articulado é de 28 metros e, segundo o fabricante, pode assentar mil tijolos por hora, seja em paredes estruturais ou de vedação.

Hadrian tem um telescópio que alcança até 28 metros de altura.
Hadrian tem um telescópio que alcança até 28 metros de altura.

Hadrian leva esse nome em homenagem ao imperador Adriano, que governou no período em que foi erguido o Panteão de Roma. Mas, para popularizar a invenção, a própria fabricante já passou a chamar a máquina de robô-pedreiro. Na verdade, ela substitui uma equipe de operários, pois consegue trabalhar 20 vezes mais rápido do que um humano, na mesma tarefa.

Pela projeção da Fastbrick Robotics, quando chegar ao mercado o robô estará ajustado para auxiliar na construção de até 150 casas com 100 m² por ano. Por causa de seu longo telescópio, também virá programado para atender demandas em edifícios com até 8 pavimentos. “O Hadrian reduz o tempo total de construção de uma casa padrão em aproximadamente seis semanas”, diz o CEO da fabricante, Mike Pivac.

O diretor da Fastbrick Robotics também tenta minimizar a versão de que a máquina poderá causar desemprego no setor da construção civil. “No nosso entender, não tira empregos de humanos. Na Austrália, por exemplo, esse tipo de mão de obra, o de assentador de tijolos, está desaparecendo, pois é pouco qualificada. O Hadrian abrirá espaço no canteiro de obras para profissionais com mais especialidades”, avalia.

Robô opera de acordo com a planta em 3D implantada em sua memória.
Robô opera de acordo com a planta em 3D implantada em sua memória.

Maior precisão, menor desperdício

O robô não apenas ajusta o tijolo, como requer a planta, como também coloca a argamassa e verifica o nivelamento. “O sistema de navegação e de estabilização gera precisão milimétrica. Nos testes, o maior desnível que encontramos foi de 0,5 milímetros. Além disso, em uma casa-padrão, com 100 m², a máquina gerou economia de 30% no consumo de argamassa e volume de resíduos 95% menor se comparado a um humano”, observa Mike Pivac.

O CEO da Fastbrick Robotics afirma ainda que, por causa do elevado nível de precisão do robô, o acabamento fino - ou seja, a colocação do revestimento das paredes - pode ser iniciado logo que o assentamento de tijolos esteja concluído. Mike Pivac garante também que o equipamento é ajustável a qualquer tipo de tijolo, seja ele cerâmico ou bloco de concreto. “A máquina se adapta ao projeto que é gravado em sua memória e ao tipo de material por ele definido”, assegura.

Para Pivac, a chegada da robótica na construção civil é algo inevitável. “O setor, por muitas décadas, se acomodou com processos rudimentares, mas a cobrança por produtividade exige essa evolução. Comparando com a indústria automobilística, ficamos muito para trás. Acredito que o Hadrian é um passo importante para uma nova era na construção civil”, finaliza.

Confira animação que mostra o robô-pedreiro em ação

Entrevistado
Engenheiro mecânico Mike Pivac, CEO da Fastbrick Robotics
Contatos
info@cygnetcapital.com.au
www.fastbrickrobotics.net

Créditos fotos: Divulgação/Fastbrick Robotics

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Sim, relâmpagos podem causar danos em edificações

Estruturas que não estejam suficientemente protegidas por para-raios podem sofrer danos, como trincas em vigas e pilares, estimulando patologias

Por: Altair Santos

O Brasil é um dos países com maior incidência de descargas atmosféricas do mundo. Segundo o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Aeroespaciais) o território nacional é atingido anualmente por aproximadamente 50 milhões de raios. Ainda de acordo com o mesmo levantamento, 85% dos relâmpagos atingem estruturas altas, como edifícios, torres, linhas de transmissão e árvores. No caso das edificações, os danos causados pelas descargas chegam a R$ 1 bilhão por ano.

Alexandre Piantini: professor da USP alerta que é preciso seguir normas técnicas para proteger as construções.
Alexandre Piantini: professor da USP alerta que é preciso seguir normas técnicas para proteger as construções.

Portanto, não é mito que relâmpagos podem causar estragos, principalmente em prédios (mesmo os protegidos por para-raios). Os casos mais comuns são trincas profundas em vigas e pilares, abrindo espaço para a corrosão do aço e a deterioração do concreto. É muito comum edifícios serem atingidos por raios e não passarem por inspeção em seus sistemas de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA) após o fenômeno. Isso abre espaço para que uma nova descarga cause ainda mais estragos na edificação.

O alerta é do professor-doutor Alexandre Piantini, líder do Centro de Estudos em Descargas Atmosféricas e Alta Tensão (CENDAT), vinculado à Universidade de São Paulo (USP). O especialista recomenda que a construção de um prédio em uma área com forte incidência de raios preveja em seu projeto proteções reforçadas contra relâmpagos. “Quanto maior a incidência de descargas na região, maior a probabilidade de a estrutura ser atingida”, diz.

Norma revisada

Dependendo da intensidade dos relâmpagos, para-raios podem não conseguir proteger a edificação.
Dependendo da intensidade dos relâmpagos, para-raios podem não conseguir proteger a edificação.

Piantini destaca ainda que, quando uma edificação é atingida por uma descarga, o SPDA deve passar por uma inspeção para se verificar se todos os seus componentes encontram-se em bom estado, com as conexões firmes e livres de corrosão. “Nenhum sistema de proteção tem eficiência de 100%. Portanto, é possível que ocorram danos mesmo que a edificação esteja protegida. Entretanto, é certo que em uma estrutura protegida por um SPDA projetado e instalado de acordo com a norma brasileira (NBR 5419) o risco de danos é mínimo”, afirma.

A norma técnica ABNT NBR 5419:2015 - Proteção de estruturas contra descargas atmosféricas - tem uma nova versão desde o final do primeiro semestre deste ano. Publicada em 22 de maio, está em vigor desde 22 de junho. Com 380 páginas - antes tinha apenas 42 -, a NBR revisada é dividida em quatro partes e tem um capítulo que trata de estruturas de concreto armado atingidas por raios.

No caso do concreto que é alvo de descargas atmosféricas, recomenda-se ficar atento à mudança de coloração com o passar do tempo. Por causa das reações químicas desencadeadas pelos relâmpagos, o material costuma apresentar manchas avermelhadas ou castanho-avermelhadas, o que normalmente configura corrosão na armadura. Os defeitos tornam a estrutura ineficiente, podendo causar trincas, deformações ou patologias mais graves.

Entrevistado
Engenheiro elétrico, e professor-doutor da Universidade de São Paulo (USP), Alexandre Piantini. É líder do Centro de Estudos em Descargas Atmosféricas e Alta Tensão (CENDAT)
Contato: piantini@iee.usp.br

Créditos fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Georecrutamento começa a pesar mais que currículo

Endereço do candidato a uma vaga é decisivo para as empresas, a fim de que elas minimizem risco de turnover causado por problemas de mobilidade urbana

Por: Altair Santos

O turnover pode causar perdas de até 10% no faturamento anual de uma empresa, dependendo de seu ramo de atividade. Esse custo é gerado pelo impacto do contrata-demite, o que leva a mais gastos com treinamento e redução na produtividade. Entre os motivos que estimulam à rotatividade de mão de obra está a dificuldade do colaborador em se deslocar de sua casa até a empresa, por conta das carências de mobilidade urbana.

Jacob Rosenbloom: funcionário que mora distante do trabalho se atrasa mais e falta mais.
Jacob Rosenbloom: funcionário que mora distante do trabalho se atrasa mais e falta mais.

Detectado o problema, as empresas passaram a acrescentar mais um critério para a contratação, além da análise do currículo e do perfil psicológico do candidato. É o georecrutamento. A ferramenta leva em conta a proximidade entre a residência do contratado e o endereço em que irá trabalhar, e pode ser decisiva quando dois concorrentes se mostram igualmente qualificados para a vaga.

Jacob Rosenbloom, CEO da Emprego Ligado - empresa que detém no Brasil a tecnologia do georecrutamento – explica por que morar perto do trabalho passou a ser um critério de contratação. “O funcionário que mora distante do trabalho se atrasa mais e falta mais. Por causa da rotina de passar horas no transporte público, ele acaba tendo uma maior propensão a sair do trabalho”, diz.

Ao mesmo tempo, Rosenbloom mostra como a geolocalização pode minimizar ou até estancar a rotatividade na empresa. “O turnover diminui, pois o funcionário que reside perto da empresa se atrasa menos, falta menos, trabalha mais disposto e tem uma menor predisposição para deixar o emprego. Dessa forma, a empresa consegue diminuir consideravelmente sua taxa de contrata-demite”, afirma.

Qualidade de vida
Além da má qualidade do transporte público, o custo do deslocamento também tem levado o trabalhador a preferir um emprego perto de sua residência. “Quem busca emprego hoje tem muito interesse em trabalhar perto de casa. O candidato quer uma melhor qualidade de vida e morar perto do trabalho é uma excelente solução para chegar nesse resultado”, avalia o especialista, garantindo que o georecrutamento é bom tanto para a empresa quanto para o colaborador.

A ferramenta mapeia as alternativas que o candidato tem para chegar ao trabalho. Se uma linha de metrô o liga diretamente ao trabalho, é ponto positivo. Porém, se ele depende apenas de ônibus, e precisa fazer duas ou mais conexões, o pretendente fica mais distante da vaga. Idem no caso de se deslocar com veículo próprio, mas as alternativas no trânsito vivem congestionadas.

Na cidade de São Paulo, o georecrutamento já é uma realidade. “O trânsito exerce um papel limitador na mobilidade urbana, que acaba complicando o cenário das empresas. Porém, em cidades menores, a geolocalização também pode ser usada e tem o mesmo efeito de diminuição da rotatividade”, cita Jacob Rosenbloom, lembrando tratar-se de uma tendência global. “Em grandes metrópoles do mundo, as empresas já entenderam que ter um funcionário que reside próximo ajuda a melhorar a produtividade e a diminuir o turnover”, finaliza.

Entrevistado
Engenheiro de produção Jacob Rosenbloom, um dos fundadores do Emprego Ligado
Contato: bruno.soares@fticonsulting.com (assessoria de imprensa)

Crédito foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Empire State Building adota “retrofit infinito”

Desde 2009, ícone da arquitetura e da engenharia está em constante processo de atualização para se adequar aos conceitos de obra sustentável

Por: Altair Santos

Ícone da reação econômica dos Estados Unidos contra a grande depressão de 1929, o edifício Empire State Building foi inaugurado em 1931. Portanto, há 84 anos é referência para a arquitetura e a engenharia civil. Mas como uma edificação a caminho dos 100 anos consegue se manter contemporâneo e com suas estruturas muito bem conservadas? O segredo está na gestão de retrofit adotada pelo condomínio. Trata-se de um processo que, desde 2009, não para. A meta é manter o Empire State Building sempre atualizado com as mais modernas tendências arquitetônicas.

Empire State Building: reformas fazem prédio economizar US$ 2,8 milhões por ano em consumo de energia elétrica.
Empire State Building: reformas fazem prédio economizar US$ 2,8 milhões por ano em consumo de energia elétrica.

O resultado é que a edificação tem se tornado cada vez mais eficiente sob o ponto de vista de consumo de recursos como água e energia elétrica. Transformou-se em um prédio verde por excelência, e em constante evolução. Hoje, é o retrofit com a maior pontuação da certificação LEED, alcançando nível gold. Para atingir o grau de excelência, precisou de investimentos que já somam US$ 500 milhões (aproximadamente R$ 1,75 bilhão). Os recursos foram para a troca de todas as instalações elétricas e hidráulicas do edifício e à substituição das 6.514 janelas por equipamentos com desempenho térmico e acústico, além dos elevadores.

O prédio também ganhou sistemas inteligentes para controlar a ventilação. Todo esse compromisso com a sustentabilidade e com o conforto resulta em eficiência energética. Resultado: o Empire State Building fechou 2014 economizando US$ 2,8 milhões (quase R$ 10 milhões) e consumo de água e de energia. "O projeto de retrofit do edifício ultrapassou drasticamente nossas projeções de economia", diz Anthony E. Malkin, presidente da Empire State Realty Trust, que administra o condomínio do prédio de 102 andares e 381 metros de altura, incluindo a antena localizada em seu topo. O prédio foi o primeiro arranha-céu do mundo a usar estruturas mistas de aço e concreto.

Grupo C40, liderado pela Fundação Bill Clinton, é que arrecada fundos para que retrofit do prédio seja constante.
Grupo C40, liderado pela Fundação Bill Clinton, é que arrecada fundos para que retrofit do prédio seja constante.

Modelo de retrofit

O retrofit do Empire State foi proposto em 2009 pela C40 Cities Climate Leadership Group, do qual a Fundação Bill Clinton (criada pelo ex-presidente dos Estados Unidos) é um dos líderes. A C40 conseguiu uma coalizão de organismos para viabilizar um projeto que preservasse e, ao mesmo tempo, modernizasse um dos símbolos de Nova York. “O projeto de retrofit do edifício é um exemplo do que a sociedade organizada, sem precisar do poder público, pode fazer pelas cidades”, cita Mark Watts, diretor-executivo do C40. Toda a gestão do prédio é feita de forma transparente e pode ser acompanhada por qualquer cidadão pelo site www.esbsustainability.com.

Uma das preocupações do C40 é com a quantidade de energia gasta pelos prédios nos Estados Unidos. O país tem 120 milhões de edificações, que consomem 42% da eletricidade gerada e da água tratada para abastecer os norte-americanos. “É preciso acelerar a tomada de medidas que minimizem esse consumo e uma solução eficiente é promover o retrofit de edificações com mais de 20 anos. Para isso, o Empire State Building é um exemplo a ser replicado", afirma Amory Lovins, cofundador da organização Chief Scientist. Entre 1931 e 1973, o edifício nova- iorquino reinou soberano como o prédio mais alto do mundo.

Entrevistados
C40 Cities Climate Leadership Group e Empire State Realty Trust (via assessorias de imprensa)

Contatos
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www.c40.org
www.empirestaterealtytrust.com
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www.empirestatebuilding.com
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Créditos fotos: publicdomainpictures.net

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Microcimento decorativo desafia revestimentos

Produto pode substituir cerâmicas e porcelanatos em piscinas e áreas úmidas de residências, com a vantagem de oferecer desempenho térmico

Por: Altair Santos

Absolutos no mercado de revestimento, porcelanatos e cerâmicas ganharam um concorrente oriundo da Europa: o microcimento. O produto une elementos polímeros com material cimentício (cimento branco estrutural), criando uma pasta que é aplicada sobre paredes e pisos - sempre com espessura máxima de 3 milímetros. Instalada por mão de obra especializada, a fina camada adere sobre a superfície, gerando acabamento liso, brilhante e em cores que podem ir do branco a tons mais vivos, ou em sua pigmentação original: o cimento queimado.

Aplicação de microcimento em áreas úmidas: uso de polímeros garante impermeabilidade
Aplicação de microcimento em áreas úmidas: uso de polímeros garante impermeabilidade

Apresentado como produto inovador na 2ª Feira do Construtor, que aconteceu em Curitiba-PR, de 29 a 31 de julho, a palestra sobre microcimento atraiu um bom número de decoradores de interior e arquitetos. A dúvida maior era quanto à resistência e as vantagens do produto, em relação a cerâmicas e porcelanatos. “O produto tem 100% de impermeabilidade, dispensa juntas de dilatação e rejuntes, o que elimina o risco de infiltrações, além de ter como característica única o desempenho térmico. Por ter polímeros em sua composição, ele não é frio como os tradicionais revestimentos usados em áreas úmidas”, destaca Ronaldo Martins dos Santos, sócio da Fullcover - empresa do Rio de Janeiro-RJ convidada pela feira para apresentar o microcimento ao mercado paranaense.

Custo elevado

Na Europa, o revestimento já está consolidado há mais de 10 anos. Em países como Portugal e Espanha, ele predomina na área interna das piscinas de concreto armado, substituindo as pastilhas, e em paredes internas para ajudar as casas e apartamentos a terem desempenho térmico durante o inverno. “Uma parede bem recoberta com microcimento, desde que a mão de obra seja qualificada e os produtos sejam de qualidade, suporta de cinco a dez anos sem manutenção”, resume Ronaldo Martins.

Microcimento tem mercado consolidado na Europa e busca espaço no Brasil
Microcimento tem mercado consolidado na Europa e busca espaço no Brasil

O microcimento funciona bem para revestir blocos de concreto e paredes de drywall. No caso dos elementos pré-fabricados, o produto exige que as peças tenham boa qualidade e estejam bem alinhadas. “Trabalhamos na Cidade Olímpica, com paredes de blocos de concreto muito bem construídas, e o resultado foi ótimo”, diz o especialista. No caso, o microcimento substituiu o reboco, criando uma camada de 2 milímetros sobre as peças pré-fabricadas e uma estrutura mais leve.

Apesar da versatilidade e das boas soluções que oferece, o microcimento tem um obstáculo a vencer, para se tornar de fato competitivo: o preço. Como parte de seus componentes é importada, o m² varia entre R$ 170 a R$ 300, já incluindo o custo da mão de obra.

Entrevistado
Engenheiro mecânico Ronaldo Martins dos Santos,
sócio da Fullcover, empresa especializada em aplicação de microcimento

Ronaldo Martins, na Feira do Construtor: material pode substituir a argamassa, quando aplicado sobre blocos de concreto
Ronaldo Martins, na Feira do Construtor: material pode substituir a argamassa, quando aplicado sobre blocos de concreto

Contato: rms.74@bol.com.br

Crédito Foto: Divulgação/Fullcover/Cia. Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Pavimento intertravado vira “asfalto ecológico”

Peças pré-fabricadas suportam rolamento de veículos e têm a vantagem de ser permeáveis e com custo mais baixo que o derivado de petróleo

Por: Altair Santos

A evolução do paver pré-fabricado de concreto já permite que o produto deixe as calçadas e ganhe as ruas, competindo com o asfalto na forma de pavimento intertravado. Quando bem instalado, com o assentamento e as contenções feitas corretamente, o material alcança um dimensionamento semelhante ao do revestimento derivado de petróleo, ou seja, resiste a movimentos verticais, horizontais e de rotação, distribuindo as cargas uniformemente e suportando veículos leves e pesados.

Rua com pavimento intertravado: opção para estradas vicinais e urbanismo de áreas vulneráveis a enchentes
Rua com pavimento intertravado: opção para estradas vicinais e urbanismo de áreas vulneráveis a enchentes

Na 2ª Feira do Construtor, realizada de 29 a 31 de julho em Curitiba, o engenheiro civil Alexsander Maschio, gerente regional da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), expôs como o paver pré-fabricado de concreto tem conseguido competir com o asfalto, principalmente para pavimentar estradas vicinais e urbanizar áreas vulneráveis a enchentes. “Além de ter um desempenho mecânico até melhor que o asfalto, o produto tem um processo de execução mais rápido. Ele chega pronto no local da obra”, explica.

Outra vantagem do paver pré-fabricado de concreto como pavimento é que a mecanização já permite que ele avance etapas com mais rapidez do que o asfalto. “Existem máquinas que instalam blocos em uma área de sete metros de largura por cem metros de comprimento (dimensão de uma quadra) durante um dia de produção”, diz Maschio, ressaltando, porém, que o produto só consegue competir com o asfalto se sua fabricação seguir a normalização vigente, com a garantia do selo de qualidade da ABCP, e obedecer corretamente os processos de instalação.

Sustentabilidade

Peças pré-fabricadas são capazes de suportar altas cargas, como aeronaves de grande porte
Peças pré-fabricadas são capazes de suportar altas cargas, como aeronaves de grande porte

A opção pelo paver pré-fabricado de concreto traz também ganhos ambientais, quando comparado com o concreto. Seu processo de fabricação consome menos energia que o derivado de petróleo, além de a permeabilidade do material possibilitar maior rapidez no escoamento da água da chuva para o solo. Isso minimiza o risco de veículos aquaplanarem e de ocorrer acúmulo de água na pista. Mais um ponto favorável é que a capacidade de reflexão de luz do pavimento intertravado permite também que ele poupe a iluminação pública. “Sem dúvida, o produto é uma solução muito mais sustentável do que o asfalto”, avalia o gerente regional da ABCP.

O pavimento com peças pré-fabricadas de concreto ainda gera economia de recursos quando a rua ou a estrada precisam passar por manutenção ou por alguma intervenção que exija a passagem de tubulações de água ou cabos elétricos. Neste caso, o paver pode ser removido e reinstalado sem a necessidade de quebra do piso, o que evita a geração de resíduos sólidos e economiza insumos para sua recomposição. Além disso, o piso intertravado é o único que permite a liberação imediata do tráfego depois de instalado ou reinstalado.

Alex Maschio: contenção é o segredo para que pavimento intertravado tenha bom desempenho
Alex Maschio: contenção é o segredo para que pavimento intertravado tenha bom desempenho

Em sua palestra, Alex Maschio ressaltou também que o pavimento intertravado acrescenta elementos de segurança quando usado em ruas em que não se pode trafegar acima de 60 km/h. “Na Europa e nos Estados Unidos, o ruído que o piso gera, em contato com os pneus, é visto como um aspecto positivo. Quanto mais rápido o veículo estiver, mais ruído ele gera, e isso ajuda a sinalizar que a velocidade máxima permitida está no limite. Há ainda a questão da frenagem. No asfalto, um carro a 60 km/h percorre 26,5 metros para parar, enquanto no paver ele percorre 21,3 metros”, ressalta o engenheiro civil, sobre as vantagens do “asfalto ecológico”.

Entrevistado
Engenheiro civil Alexsander Maschio, gerente regional da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP)
Contato: alexsander.maschio@abcp.org.br

Créditos Fotos: Divulgação/Cia. Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Em 10 anos, arquitetura sustentável dá salto de qualidade

No Brasil, primeira obra a seguir conceitos de “prédio verde” foi construída em 2005. De lá para cá, certificações impulsionaram esse tipo de edificação

Por: Altair Santos

A arquitetura sustentável está completando 10 anos no Brasil. A primeira construção a obter a certificação LEED no país foi a agência do banco Real – instituição financeira absorvida pelo Santander, em 2008 -, na cidade paulista de Cotia. A equipe de engenheiros e arquitetos que atuou na obra projetou o prédio com base em referências internacionais, pois não havia nenhuma publicação nacional sobre o tema. O profissional que esteve à frente do empreendimento foi o arquiteto Roberto Oranje.

Agência do banco Real, construída em 2005: a primeira a obter certificação LEED no Brasil
Agência do banco Real, construída em 2005: a primeira a obter certificação LEED no Brasil

Para se chegar ao nível exigido pela certificação LEED, que foi criada em 1998 nos Estados Unidos, a obra do prédio bancário impôs uma série de retrabalhos. Isso encareceu a construção em 30%, se comparada a um procedimento convencional da época. Porém, o grande legado foram as lições que ela deixou, e que impulsionaram a arquitetura sustentável no Brasil. Atualmente, o país conta com 115 certificações e 783 projetos requerendo registro.

Nestes dez anos, a arquitetura sustentável deu um salto de qualidade. O Brasil trabalha atualmente com todas as certificações reconhecidas internacionalmente. Entre elas, a francesa HQE - adaptada para o país como AQUA -, além de BREEAM e SKA RATING – ambas do Reino Unido -, DGNB (Alemanha), CASBEE (Japão) e LEED (Estados Unidos). Há ainda os selos nacionais: FSC, PROCEL, A3P (para o setor público) e Selo Azul da Caixa Econômica Federal. A mais recente a ser implantada no Brasil foi a alemã DGNB.

Avaliação do Ciclo de Vida

Vânia Deeke, da UTFPR: manutenção eficiente do ambiente construído também faz parte da arquitetura sustentável
Vânia Deeke, da UTFPR: manutenção eficiente do ambiente construído também faz parte da arquitetura sustentável

Para a arquiteta Vânia Deeke, professora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), de todos os selos de arquitetura sustentável disponíveis no Brasil o mais interessante é o PROCEL Edificações, criado em 2014. “Toda a edificação sustentável pode requerer a certificação. É um selo semelhante ao que acompanha os eletrodomésticos, e é concedido a construções com eficiência energética, ou seja, que através de sua arquitetura sejam capazes de poupar energia elétrica. Pesam o uso da iluminação natural e da ventilação natural, assim como o desempenho térmico”, explica.

A palestrante, que é especialista na área de arquitetura sustentável, esteve na 2ª Feira do Construtor, que aconteceu em Curitiba-PR, de 29 a 31 de julho. Ela ressaltou que hoje as certificações estão dando uma importância maior aos procedimentos de manutenção dos prédios verdes, não se limitando apenas a avalizar projetos e processos nas fases de construção. Trata-se da chamada Avaliação do Ciclo de Vida. “Como disse Stewart Brand, edificação não é algo que se conclui. Uma edificação é algo que se inicia. Quer dizer, a partir do momento em que nasce o projeto de uma obra sustentável, ela deve se manter assim ao longo de todo o seu ciclo de vida”, ressalta.

Entrevistada
Arquiteta Vânia Deeke, professora de disciplinas voltadas para a construção sustentável em universidades como UTFPR, Positivo, Uniandrade e INBEC-UNIP, com credencial da GBC Brasil
Contato: vania.deeke@gmail.com

Créditos Fotos: Divulgação/Cia. Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Na crise, quem tem know-how faz a diferença

Empresas da construção civil precisam desenvolver processos que as diferenciem no mercado, eliminando desperdícios e ganhando produtividade

Por: Altair Santos

Ainda que o mercado imobiliário esteja em retração, não significa que deixem de existir oportunidades de negócios. O que muda é que o processo de seleção está mais competitivo. Tendem a prosperar as empresas que tiverem know-how. A tese é do especialista em processos corporativos, Júlio Datílio, que palestrou na 2ª Feira do Construtor, realizada de 29 a 31 de julho de 2015, em Curitiba-PR. “Know-how, neste caso, é conhecimento, experiência de mercado e capacidade de organização”, diz o especialista.

Júlio Datílio: lado bom da crise é que momento ajuda a reestruturar departamentos
Júlio Datílio: lado bom da crise é que momento ajuda a reestruturar departamentos

Datílio avalia que as empresas que tenham usado o bom momento da economia brasileira para implantar processos de gestão saem na frente. “Quem investiu em racionalização da obra, em ganho de produtividade, qualificação da mão de obra e sistemas de combate ao desperdício de materiais tem mais chance de prospectar negócios na crise”, entende.

O especialista, no entanto, descarta a hipótese de que companhias do setor que não tenham adotado tais procedimentos estejam fadadas a fracassar. Pelo contrário. Segundo Júlio Datílio, a baixa atividade econômica abre espaço para que as empresas invistam em reestruturações departamentais. “Neste momento, as corporações tiram o pé do acelerador e isso abre espaço para reestruturações. Diante deste cenário, algumas dicas podem ajudar os gestores a mapear processos que as tornem mais competitivas”, afirma.

Entre elas, Júlio Datílio elenca algumas:

1. Estar atento
Um gestor precavido não deve esperar a ocorrência de algum evento negativo em sua companhia para acender a luz vermelha e correr atrás do prejuízo. É na iminência da crise que surgem as soluções internas para alavancar o crescimento.

2. Ter estratégia
Incluir o mapeamento dos processos empresariais no planejamento estratégico e alinhá-lo com os orçamentos disponíveis. Nada de fazer dívidas. Programar-se é uma palavra de ordem.

3. Saber montar sua equipe
É extremamente importante quebrar paradigmas e contratar profissionais capacitados no mercado, com o objetivo de replicar os conceitos de processos e metodologias assertivas para a obtenção de ganhos operacionais.

4. Apresentar concentração
Manter o foco resulta no aperfeiçoamento dos processos.

5. Demonstrar união
Uma vez internalizado o conceito de processos, é necessário definir os responsáveis por manter a metodologia atualizada e, junto com a equipe, buscar por resultados satisfatórios para a empresa.

Com processos bem desenhados e políticas internas estruturadas, é possível blindar a segurança corporativa em momentos de crise e torna-se mais fácil sobreviver a cenários imprevisíveis com menor impacto nos resultados internos. É o que ensina Datílio, que finaliza com um conselho: “Com uma base bem estruturada, as organizações não apenas sobrevivem diante das crises, como também ganham uma importante vantagem competitiva no mercado. Isso, independentemente do setor em que atuem”.

Entrevistado
Julio Datílio, graduado em comércio exterior, pós-graduado em logística e coordenador da Trinus Consultoria Organizacional, empresa do Grupo Mega Sistemas Corporativos
Contatos
julio.datilio@trinusconsultoria.com.br
www.trinusconsultoria.com.br

Crédito Foto: Divulgação/Cia. Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Dissertação de Mestrado

Produção de Painéis de Cimento Portland Reforçados com Fibra de Curauá

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Produção de Painéis de Cimento Portland

Confira a dissertação de mestrado.