Brasil conquista certificação sustentável nível máximo

Desde 2009, a Bayer segue o conceito de construir prédios sustentáveis em vários países. O Brasil é o 8º da lista

Brasil conquista certificação sustentável nível máximo

Brasil conquista certificação sustentável nível máximo 1024 679 Cimento Itambé

Edificação anexa ao prédio da sede da Bayer, na cidade de São Paulo, conseguiu o inédito selo LEED-NC Platinum, do U.S Green Building Council

Por: Altair Santos

Considerada de nível máximo, a certificação LEED-NC Platinum, do U.S Green Building Council, que reconhece as melhores estratégias e práticas sustentáveis, foi concedida pela primeira vez a uma edificação brasileira. O prédio EcoCommercial Building é corporativo e atende a empresa Bayer, na cidade de São Paulo. Multifuncional, a construção cumpriu exigentes quesitos de eficiência energética, utilizando modernos sistemas de automação de luz e de ar-condicionado, além de ser totalmente integrado com o paisagismo que o cerca. Assinado pelo escritório de arquitetura Loeb Capote, o prédio conta com mais de 20 tecnologias relacionadas a materiais e sistemas construtivos.

O EcoCommercial Building está anexo à sede da Bayer, em São Paulo, e cumpre 69 práticas de construção sustentável

De acordo com Felipe Faria, diretor manager do GBC Brasil, que é quem acompanha o cumprimento das certificações LEED no país, o que levou o EcoCommercial Building a atingir a categoria Platinum foi que ele maximizou o atendimento de diversas práticas referentes à certificação. “O edifício teve um ótimo desempenho relacionado à eficiência energética, através da produção de energia renovável com células fotovoltaicas. É um dos únicos empreendimentos do Brasil que produzem toda a energia que consome, tornando-se autossuficiente”, afirma. Para chegar à certificação LEED-NC Platinum, o prédio da Bayer cumpriu 69 práticas de construção sustentável.

No projeto de arquitetura assinado pelo Loeb Capote, o Eco Commercial Building seguiu o que há de mais moderno em termos de sustentabilidade, sem deixar de lado a estética e o conforto de seus ocupantes. Entre os itens avaliados pelo U.S Green Building, e que possibilitaram a certificação do prédio, destacam-se:

 

  • Redução no consumo de água potável em 94,8%, graças ao aproveitamento de água da chuva.
  • Uso de equipamentos de baixo consumo e espécies vegetais com baixa demanda de irrigação.
  • 97% de todos os resíduos gerados pela obra foram desviados de aterros sanitários e destinados à reciclagem ou ao reaproveitamento.
  • 100% dos espaços têm acesso à luz e ventilação naturais, e apenas 5% dos espaços têm ar-condicionado.
  • Amplo uso de elementos passivos que trazem alta eficiência energética, usando o clima brasileiro.
  • Isolamento térmico em tetos e paredes com poliuretano e placas translúcidas de policarbonato nas fachadas, que bloqueiam calor e permitem a entrada de luz natural, além de brises, persianas, películas para proteção solar e diversas aberturas para circulação de ar, entre outros.
  • Nenhuma árvore foi removida do terreno e 17 foram incorporadas ao prédio para contribuir com a proteção solar.
  • No prédio, a geração de energia solar e os consumos de água e de energia elétrica, assim como emissões de CO2, são medidos e controlados em tempo real para evitar desperdícios.

Desde 2009, a Bayer segue o conceito de construir prédios sustentáveis em vários países. O Brasil é o 8º da lista

Materiais cimentícios
Quanto aos elementos cimentícios usados na obra, a certificação LEED-NC Platinum exige que a matéria-prima tenha escória de alto forno entre seus agregados e que os fornecedores (cimenteira, concreteira e fabricantes de artefatos de cimento) estejam num raio máximo de 100 quilômetros da obra, a fim de que haja baixa emissão de CO2 com transporte. “A certificação não faz restrições a nenhum material, mas, com relação aos cimentícios, quanto menor taxa de emissão de CO2 eles tiverem, melhor. Agora, a nova versão do LEED, que é o LEED B4, valoriza as matérias-primas recicladas, a proximidade dos fornecedores com o local da obra e os baixos compostos orgânicos voláteis, mas tudo dentro de uma análise de ciclo de vida e de declaração ambiental dos produtos”, revela Felipe Faria.

O programa EcoCommercial Building integra o Programa Bayer de Clima no Mundo, que reúne as ações da empresa para a preservação do meio ambiente. A iniciativa foi lançada em 2009. No Brasil, o conceito chegou em 2012, junto com o projeto para construir o primeiro ECB na América Latina. Prédios semelhantes já existem na Alemanha, Bélgica, China, Estados Unidos, Índia e Tailândia. No país, o EcoCommercial Building funciona como espaço de convivência dos dois mil colaboradores da unidade de São Paulo, além de ser aberto para visitação, treinamentos e eventos em construção sustentável.

Felipe Faria: certificação não faz restrições a nenhum material

Entrevistado
Felipe Faria, advogado e diretor manager da Green Building Council Brasil
Contato: ffaria@gbcbrasil.org.br

Créditos Fotos: Divulgação/Bayer e Divulgação/GBC Brasil

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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