“Esqueleto de concreto” preserva torre medieval
Obra construída no século XIV desafiou a engenharia moderna para que parte de sua estrutura, que desabou em 2006, fosse recuperada
Por: Altair Santos

A Tour des Pucelles (Torre das Donzelas) foi umas das principais masmorras europeias no período da Idade Média. Construída na Bélgica, há mais de 550 anos, a obra histórica já sobreviveu a grandes catástrofes. Desde ataques espanhóis em 1578, durante as Cruzadas, passando por um devastador terremoto em 1580 e um grande incêndio que atingiu a cidade de Zichem, em 1599. Mas foi em 2006 que o monumento realmente correu o risco de desabar. Parte de sua estrutura de pedra ruiu, o que desencadeou a mobilização da engenharia belga para salvá-la. A solução foi criar um “esqueleto de concreto” em seu interior, a fim de sustentar o que restou da torre.
Em 1962, a Tour des Pucelles foi declarada patrimônio da Bélgica, mas nunca passou por manutenção. Originalmente, a construção tinha 26 metros de altura, 15 metros de diâmetro e paredes com 4,2 metros de espessura. O concreto usado na obra é o terceiro na escala de evolução do material: o concreto medieval, usado entre 1200 d.C e 1800 d.C. Ele sucede o concreto antigo (5000 a.C e 100 d.C) e o concreto romano (100 a.C e 400 d.C). Em seu estudo “Evolução histórica da utilização do concreto como material de construção”, de 2002, o professor Paulo Helene escreve que o concreto medieval marcou a volta do uso do material depois de mais de 800 anos.
Prossegue Paulo Helene: “Depois da queda do Império Romano, as construções de concreto na Europa tiveram um grande declínio. Somente 800 anos mais tarde, por volta do ano 1200 d.C. os construtores reabilitaram o concreto como material de construção, utilizando-o em fundações e estruturas”. Vale lembrar que o concreto medieval hoje se aproximaria mais de um tipo de argamassa do que do material atualmente usado para moldar estruturas. Na Idade Média, ele era composto por uma mistura de gipsita, calcário, areia e água e usado para assentar as pedras. Assim foi construída a Tour des Pucelles, que em 2006 apresentava total degradação do material que dava sustentação às paredes.
Concreto autoadensável

Para recuperar o que restou da torre, a equipe de restauradores - liderada pelos arquitetos Marc Vanderauwera, Henk De Smet e Paul Vermeulen - contratou a empresa belga de engenharia Norbert Provoost. O primeiro passo foi restaurar a argamassa que unia os tijolos das paredes da torre, injetando concreto ultrafino nas partes que tinham vãos, e que chegavam a 40% da área construída. A etapa seguinte consistiu na reconstrução da parede que havia desabado. A solução encontrada pelos projetistas foi recriar a estrutura apoiada em uma escada interna, e a partir dela partiram as demais peças de concreto que passaram a sustentar a torre.
Para o reforço, usou-se 1.440 m³ de concreto autoadensável. Na nova parede da torre, foram colocados tijolos de vidro translúcido para melhorar a iluminação interna do monumento. No topo da Tour des Pucelles foi construído um mirante com estrutura metálica, o qual sustenta um telhado que protege a construção medieval. O objetivo é preservá-la melhor da chuva e, principalmente, do acúmulo de neve no inverno belga. A expectativa dos restauradores é de que, com manutenções periódicas, a estrutura se mantenha em pé por mais alguns séculos. A recuperação começou em 2008 e foi concluída em 2014.
Entrevistados
- Studio Roma, do arquiteto Marc Vanderauwera (via assessoria de imprensa)
- HDSPV Architects, dos arquitetos Henk De Smet e Paul Vermeulen (via assessoria de imprensa)
Contatos
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info@hdspv.be
Crédito Fotos: Agentschap Onroerend Erfgoed/ Norbert Provoost/ Febelcem
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Construção 4.0 segue longe do mercado brasileiro
Empresas que perseguem conceitos inovadores ainda são minoria no país. Destas, a maioria já pratica gestão de projetos através de softwares
Por: Altair Santos
Convencionou-se chamar de Construção 4.0 tudo o que abrange automação no canteiro de obras, gestão de projetos através de softwares e emprego de novas tecnologias construtivas, como a impressão 3D. Os conceitos desta nova tendência seguem os da Indústria 4.0, já consolidada principalmente no setor automobilístico. Neste segmento, os ganhos de produtividade, redução de custos e de economia de recursos naturais são notórios. É isso o que a construção civil passou a perseguir.

A partir da Bauma 2016 – maior feira internacional de máquinas, veículos, materiais e equipamentos para obras e construções - ficou claro que a Construção 4.0 é um caminho sem volta. Já existe uma lista de países que avança celeremente na adoção de procedimentos embutidos nesta nova tendência. Entre eles, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Espanha, Portugal, Canadá, África do Sul, Angola, Austrália e China. Na América Latina, Argentina, Chile e México já estão na frente do Brasil, o que especialistas definem como um problema para o país.
Os entraves econômicos impostos à construção civil desde 2014 inviabilizam o Brasil de acompanhar esses avanços. O receio de analistas é que o país não consiga acompanhar as evoluções e perca competitividade. “Na Bauma 2016, percebemos que o Brasil precisa saltar etapas se quiser seguir na competição, rumo à quarta revolução industrial”, disse Uirá Falseti, diretor da UpSoul, em palestra na IT Forum Expo 365.
O consultor disse que também viu na Bauma 2016, em Munique, na Alemanha, inovações tecnológicas para a produção de agregados e de concreto, todas focadas na produtividade, na sustentabilidade e eficácia. Entre os equipamentos, havia betoneiras inteligentes, que controlam todas as especificações do material desde que ele sai da concreteira até o local da obra, além de equipamentos que transformam concreto de demolição em agregados para a produção de artefatos pré-fabricados não-estruturais.
Santa Catarina lidera
É importante ressaltar, porém, que a Construção 4.0 não prioriza apenas a manufatura de produtos, mas dá relevante importância aos cuidados que se deve ter com os projetos e às exigências do mercado. “No mundo todo, a demanda por materiais de construção flutua de acordo com as exigências do mercado e confronta fabricantes a fatores como redução de custos de produção, legislação ambiental e consumidores cada vez mais exigentes. Por isso, a importância da Construção 4.0, a fim de que o setor atinja essas metas”, completou Uirá Falseti.
No Brasil, segundo dados do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE) aproximadamente 800 empresas ligadas à cadeia produtiva da construção civil já adotam algum modelo de gestão dentro do conceito Construção 4.0 ou estão viabilizando a implantação. Boa parte destas companhias está ligada à área de revestimentos, porcelanatos, tubos e conexões, o que faz de Santa Catarina o estado com o maior número de indústrias entrando no universo da Construção 4.0. “Acompanhamos a construção civil catarinense e sabemos que ela está empenhada na melhoria da produtividade e na busca de inovação. O setor está alinhado às tendências mundiais em automação de processos, novos materiais e sustentabilidade”, afirmou o presidente da FIESC, Glauco José Côrte, em recente seminário sobre inovação e novas tecnologias na construção civil.
Entrevistados
- Uirá Falseti, diretor da consultoria UpSoul
- Centro de Tecnologia de Edificações (CTE) (via assessoria de imprensa)
- FIESC (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (via assessoria de imprensa)
Contatos
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Crédito Foto: Bauma
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Casa com painéis cimentícios é alternativa às favelas
Protótipo foi montado em Pequim, na China, e ganhou prêmio internacional como projeto voltado para a acupuntura urbana
Por: Altair Santos

Na China, arquitetos criaram uma casa com placas cimentícias que pode ser montada em um dia. Batizado de Plugin House, o projeto permite que as peças sejam encaixadas e parafusadas, poupando a instalação de canteiro de obras. As paredes pré-fabricadas têm o formato de “sanduíche” e recebem placas de EPS (poliestireno expandido) no interior, para aprimorar o desempenho termoacústico da casa.
A Plugin House ganhou o Archimarathon Award na categoria acupuntura urbana. O prêmio, concedido em Milão, na Itália, venceu outros 42 projetos voltados para a melhoria da qualidade de vida em ambientes urbanos. “É uma construção que faz refletir sobre as responsabilidades sociais dos arquitetos, principalmente em países com grande concentração populacional como a China”, diz o arquiteto Zhang Ke, que liderou o projeto.

O protótipo foi montado em um hutong de Pequim. Hutongs são equivalentes às favelas no Brasil. Geralmente são formados por aglomerados de casebres, sem nenhuma urbanização, e cercados de vielas onde não trafegam carros. Para se adaptar a esse ambiente, a Plugin House foi projetada para explorar ao máximo a luminosidade natural. As instalações hidrossanitárias da obra também exigiram soluções inovadoras.
Na China, os hutongs geralmente não têm captação de esgoto. As pessoas costumam compartilhar sanitários públicos. No entanto, na Plugin House o banheiro está ligado a uma fossa séptica, com um sistema de compostagem. Também há uma instalação de reúso da água do chuveiro e das pias da cozinha e do lavabo. “São sistemas simples que utilizam o que aquele ambiente urbano oferece como alternativas”, afirma Zhang Ke.
Acupuntura urbana
A oportunidade de construir a Plugin House veio de uma senhora chinesa que herdou uma moradia de sua mãe em um hutong em Pequim. Por isso, o protótipo foi batizado de “Mrs Fan Plugin House”. A construção antiga foi demolida para dar lugar à casa alternativa. A concepção do projeto durou um ano e a montagem da casa aconteceu no verão chinês de 2016.
Segundo o arquiteto, o projeto pode ser uma solução para urbanizar favelas em países emergentes, como China, Índia e Brasil, adaptando-o às particularidades de cada região. O custo para projetar a Plugin House foi US$ 10 mil (cerca de R$ 32 mil) mas os criadores avaliam que a produção em massa pode reduzir pela metade o valor da casa pré-fabricada.
Zhang Ke é defensor da acupuntura urbana. O conceito, criado pelo arquiteto e teórico social finlandês Marco Casagrande, combina desenho urbano com a tradicional medicina chinesa. Trata-se de um conjunto de ações pontuais e de revitalização que podem mudar progressivamente a vida nas cidades. Na maioria das vezes, essas intervenções estão relacionadas ao urbanismo e à sustentabilidade.
Veja vídeo da construção “Plugin House”:
Entrevistado
Arquiteto Zhang Ke, do escritório People's Architecture Office
Contato
office@peoples-architecture.com
Crédito Fotos: People's Architecture Office
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Centenário de formatura da 1ª engenheira do Brasil
Edwiges Maria Becker Hom'meil estudou na antiga Escola Polythecnica do Rio e abriu o caminho para milhares de mulheres na profissão
Por: Altair Santos
Em março de 1917 formava-se na Escola Polythecnica do antigo Distrito Federal – hoje Escola Politécnica da UFRJ – a primeira mulher engenheira civil do Brasil. Foi Edwiges Maria Becker Hom’meil, cujo centenário do pioneirismo é comemorado neste ano. Não há registro exato do dia em que teria ocorrido a formatura, mas o mês que boa parte das citações indica é março. Isso faz com que haja coincidência entre a graduação de Edwiges e a declaração do Dia Internacional da Mulher (8 de março) sem, no entanto, haver relação entre os fatos. O que dá para afirmar é que Edwiges Maria Becker Hom’meil abriu o caminho para um número cada vez maior de mulheres que buscam a engenharia civil.

Segundo dados da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), existem atualmente quase 60 mil graduadas em engenharia civil no país. De acordo com o mais recente censo da educação superior, divulgado pelo MEC (Ministério da Educação), as mulheres nos cursos de engenharia civil saltaram de 19% em 2000 para 30% em 2013. Há casos em que algumas universidades já registram mais mulheres que homens. Um exemplo está na UniChapecó, em Santa Catarina, onde a turma que concluiu o curso em 2015 tinha 63% de engenheiras - 14 entre 22 formandos. O curso da universidade, inaugurado em 1997, tinha apenas 30% de mulheres em sua primeira turma.
Em 2016, os Estados Unidos comemoraram a primeira turma de engenharia civil com mais formandos mulheres que homens. Ocorreu na Universidade de Dartmouth, onde 54% eram engenheiras. Trata-se de uma exceção, já que os EUA são considerados um dos países mais machistas na engenharia civil. Em média, só 19% dos diplomas da área vão para mulheres. Para Carol Folt, reitora da Universidade de Dartmouth, o crescimento de mulheres no curso de engenharia civil se deve à estratégia de contratar professoras. “Com mulheres ensinando na área, as alunas se sentiram estimuladas a entrar no curso”, diz. O procedimento fez com que o número de mulheres graduadas em engenharia pela universidade duplicasse em 10 anos.
Pioneiras

Além de Edwiges Maria Becker Hom’meil, existem outras pioneiras na engenharia civil brasileira. Entre elas, Enedina Alves Marques, a primeira engenheira negra do país, formada em 1945 pela UFPR (Universidade Federal do Paraná). A profissional tinha 32 anos quando se graduou. Profissionalmente, atuou no Departamento Estadual de Águas e Energia Elétrica do Paraná e fez parte da equipe de engenheiros que trabalhou na construção da usina hidrelétrica Governador Pedro Viriato Parigot de Souza (Capivari-Cachoeira), na região metropolitana de Curitiba. Em 1962, reconhecendo o pioneirismo de Enedina Alves Marques, o ex-governador Ney Braga a aposentou por decreto, com salário equivalente ao de um juiz de direito.
Outro caso relevante é o de Evelyna Bloem Souto, a primeira engenheira civil formada pela USP de São Carlos. No final dos anos 1950, como bolsista na França, ela precisou se vestir de homem e até desenhar bigode e barba no rosto para conseguir visitar um canteiro de obras em um túnel na fronteira entre a França e a Itália. Já formada, Evelyna atuou no Departamento de Geologia e Mecânica dos Solos do Estado de São Paulo, mas precisou ser contratada como bibliotecária. Só meses depois, quebrando preconceitos, é que foi promovida ao cargo de engenheira.
Entrevistados
-Escola Politécnica da UFRJ
-Escola de Engenharia de São Carlos
-University of Daetmouth
-Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UFPR
Contatos
comunicacao@eesc.usp.br
contact@dartmouth.edu
redacao@poli.ufrj.br
neabufpr@gmail.com
Crédito Fotos: Divulgação/ Reprodução
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Em vez de lajes, prédio britânico terá pistas de skate
Construção será o primeiro skatepark vertical do mundo e pretende se transformar em um centro de treinamento para Tóquio 2020
Por: Altair Santos
Financiado por um dos homens mais ricos do Reino Unido – o britânico Roger De Haan – o arquiteto Guy Hollaway está prestes a viabilizar o primeiro prédio sem lajes planas. Pistas de skate, com suas conhecidas ondulações, irão substituir as estruturas que dividem os pavimentos. O skatepark vertical será construído na cidade litorânea de Folkestone, na Inglaterra, ao custo de 7 milhões de libras (cerca de R$ 28 milhões).

O edifício terá seis andares. Visionário, Roger De Haan foi motivado a financiar a ousada obra depois que o skate foi aprovado como esporte olímpico e passará a integrar os jogos a partir de Tóquio 2020. Outra razão é o clima britânico, onde, mesmo em uma cidade litorânea, usar skate a céu aberto é raro ao longo do ano. Por isso, intuiu que construindo um skatepark vertical viabilizaria um negócio lucrativo para ele e de utilidade pública para os skatistas.
Antes de ter a ideia, Roger De Haan planejava construir um estacionamento vertical no terreno. Após a decisão de erguer o skatepark vertical, o empreendedor contratou a consultoria da construtora Maverick Skatepark, uma das poucas do mundo especializadas em projetos que envolvem pistas de skate. A empresa assumiu a responsabilidade de desenhar as lajes para o edifício.
Como esperado, o piso terá várias alturas em relação ao teto. A mínima será de 2,4 metros e a máxima de 5 metros. “Será como andar em uma paisagem lunar”, diz Guy Hollaway, afirmando que um dos principais desafios será isolar o piso térreo, que será como o de um edifício normal, dos demais pavimentos ondulados. O que também exigirá criatividade será a definição do projeto elétrico e do projeto hidráulico do edifício. “Talvez a solução seja evitar passar as tubulações hidráulicas pelas lajes onduladas, ainda que o projeto preveja banheiros em todos os pavimentos”, diz o arquiteto.
Obras começam no verão britânico

A expectativa é de que a construção do edifício comece no verão deste ano, entre julho e agosto. Resolvidos os desafios arquitetônicos, Guy Hollaway avalia que o tempo da obra será relativamente rápido. O plano é que no verão de 2018 o skatepark vertical já esteja operando. Comercialmente, Roger De Haan espera atrair competições internacionais da modalidade, transformando o prédio em uma espécie de centro de treinamento para skatistas europeus que queiram se preparar para Tóquio 2020.
Para a economia de Folkestone, o skatepark vertical também é visto como a oportunidade de manter a cidade ativa mesmo em períodos fora da temporada de verão. "Vemos isso como uma oportunidade para colocar a cidade no mapa", avalia Guy Hollaway, reconhecendo que se envolveu em um projeto inédito. "Até aonde sabemos, isto nunca foi feito em nenhum outro lugar do mundo. É realmente o primeiro", finaliza.
Entrevistado
Arquiteto Guy Hollaway, da Guy Hollaway Architects
Contato
london@guyhollaway.co.uk
Crédito Fotos: Guy Hollaway Architects
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Bélgica constrói estrada mais silenciosa do mundo
Tecnologia desenvolvida ao longo de 20 anos chegou a um modelo de pavimento rígido que reduz poluição sonora gerada pelos veículos
Por: Altair Santos
Desde 2002, a União Europeia vem tomando medidas para reduzir a poluição sonora nas rodovias com tráfego intenso. As barreiras acústicas têm sido a melhor solução, até que a Bélgica passou a estudar a origem dos ruídos mais intensos. A investigação detectou que os altos níveis de decibéis não vêm dos motores ou do atrito das carrocerias dos veículos com o ar, mas da rolagem dos pneus no pavimento. Isso desencadeou outra pesquisa: a busca por um tipo de revestimento que gerasse o menor ruído no contato com os compostos de borracha.

Antes de iniciar o estudo para encontrar o pavimento mais silencioso, os pesquisadores da FEBELCEM (Federação das Indústrias de Cimento da Bélgica) se aprofundaram na investigação dos ruídos gerados pelos veículos. Descobriram que a partir dos 40 km/h um automóvel pequeno gera 1 decibel a mais de ruído cada vez que sua velocidade aumenta 5 km/h. No caso dos veículos pesados, o mesmo ganho de velocidade gera 3 decibéis de ruído. Para o ouvido humano, um aumento de 10 decibéis faz com que o som dobre de amplitude.
Exemplificando: quando um carro de pequeno porte sai de 40 km/h para 90 km/h, ele duplica a emissão de ruído captado pelo ouvido humano. No caso de um veículo de grande porte, isso acontece quando ele parte de 40 km/h para 70 km/h. A pesquisa descobriu ainda que a calibragem e o desenho dos sulcos dos pneus também influenciam na emissão de ruído. Esses dados foram repassados para as indústrias de pneumáticos, enquanto as outras informações, utilizadas para desenvolver um pavimento de concreto que ajudasse a reduzir os ruídos em até 5 decibéis.
A primeira conclusão da pesquisa é que as estrias transversais (grooving), apesar de darem ao pavimento de concreto um gripping melhor que o do asfalto, proporcionam altos níveis de ruídos. Os laboratoristas da FEBELCEM concluíram que o nivelamento excelente do piso, combinado com a distribuição homogênea de agregados miúdos (até 10 milímetros) na superfície, substituindo as estrias transversais, trariam melhores resultados para a pista.
Custo ainda é alto

Nas autopistas belgas – a maioria com pavimento de concreto – o nível médio de ruído chega a 103 decibéis. Boa parte foi construída no final dos anos 1970 e foram usados agregados com dimensões de 32 mm a 40 mm. Na estrada silenciosa, os técnicos da FEBELCEM optaram por fazer um pavimento em duas camadas. Na inferior, usaram agregados graúdos com dimensão entre 20 mm e 31 mm. Na superior, foram aplicados os agregados uniformes de 10 milímetros, o que gerou um concreto mais flexível e, consequentemente, capaz de gerar menos ruídos.
Os estudos são de longo prazo. Começaram em 1996. Em 2002, foram feitos os primeiros testes em um trecho de 1.250 metros na estrada N511, ligando as cidades belgas de Estaimpuis a Dottignies – distantes 6 quilômetros uma da outra. Os resultados conseguiram diminuir o volume de ruídos em 2 decibéis. Em 2007, os avanços chegaram à redução de 3,5 decibéis, o que estimulou a troca de pavimento nos 6 quilômetros da estrada. O próximo passo era alcançar um trecho de autopista, o que ocorreu em 2016.

A escolhida foi a E313, que liga o interior da Bélgica à Antuérpia. Em um traçado de quase 150 quilômetros foi aplicado o novo pavimento. O resultado, com os veículos trafegando a 90 km/h, foi que a redução de ruídos chegou a 5 decibéis, baixando de 203 dB para 198 dB. Agora, a Bélgica planeja estender a qualidade do pavimento para as rodovias que ligam o país com a França, a Holanda e a Alemanha, atraindo parcerias com esses países. O objetivo é dividir custos, já que o quilômetro do pavimento silencioso não sai por menos de 500 mil euros (aproximadamente R$ 2 milhões).
Confira aqui o estudo completo da FEBELCEM.
Entrevistado
Reportagem com base no estudo “Estrada silenciosa”, da FEBELCEM (Federação das Indústrias de Cimento da Bélgica)
Contato
info@febelcem.be
Crédito Fotos: FEBELCEM
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Megaprojetos que vão desafiar a engenharia até 2030
Canal da Nicarágua, cidade de Songdo, Khazar islands e ITER. Além de milhões de m³ de concreto, obras envolvem bilhões de dólares
Por: Altair Santos

O que vem pela frente em termos de megaobras? Alguns projetos já começam a ser viabilizados e podem se transformar em ícones da engenharia até 2030. Entre eles, o Grande Canal da Nicarágua, com o propósito de concorrer com o centenário Canal do Panamá. O empreendimento era para ter começado em 2014, com financiamento da China, mas houve um recuo, por causa do impacto ambiental. Até agora, foi instituída apenas a empresa que fará a gestão da obra: a HKND Group (Hong Kong Nicaragua Canal Development).
Os números previstos para o Grande Canal da Nicarágua são superlativos. O orçamento estimado é de US$ 50 bilhões - 4 vezes mais que o PIB do país. Entre empregos diretos e indiretos, deve gerar 200 mil vagas, dos quais 50 mil dentro do canteiro. O cronograma estima a construção em 10 anos. A obra terá 278 quilômetros de extensão (quase 4 vezes mais que o Canal do Panamá) e movimentará também a economia da Costa Rica, pois uma fábrica de cimento será instalada no país exclusivamente para fornecer material ao canal. Estima-se consumo anual de 1,1 milhão de toneladas de cimento.

Outra megaobra desafiadora está na Coreia do Sul. É a cidade inteligente de Songdo, que começou a ser construída em 2004 e só deve estar 100% concluída em 2025. O empreendimento ocupará área de 9,3 km² - 2/3 localizados sobre um aterro no Mar Amarelo. O projeto está orçado em US$ 35 bilhões. Songdo quer ser “um laboratório vivo para a construção verde”, como diz Stan Gale, CEO da obra. A cidade terá 45 mil habitantes, 22 milhões de m² de edificações com certificações LEED e sistemas inovadores. Entre eles, reúso de 40% da água e reciclagem de 76% dos resíduos, além de controle inteligente do tráfego de veículos e 100% de cobertura wireless.
Prédio mais alto do mundo e “mini Sol”
Se comparada à Khazar Islands, Songdo é um projeto modesto. A proposta de construir um arquipélago artificial no Azerbaijão nasceu em 2010. Com investimento de US$ 100 bilhões, terá 41 ilhas conectadas por 150 pontes e vai abrigar aeroporto, prédios residenciais, comerciais, shopping centers, hospitais, hotéis, escolas, universidades e outros serviços que possam atender um milhão de habitantes. Construída no Mar Cáspio, Khazar Islands ocupará área equivalente a 3 mil hectares. No centro do arquipélago estará o prédio mais alto do mundo: o Azerbaijan Tower, com 1.050 metros de altura e 189 pavimentos. A megaobra já está em construção e o cronograma prevê que seja concluída em 2030. Atualmente, 1/3 da produção anual de cimento do Azerbaijão, que em 2015 foi de 1,62 milhão de toneladas, é destinada para a Khazar Islands.

Mais econômico em termos de consumo de concreto – serão 250 mil m³ até o final da obra, em 2030 – o ITER é igualmente um megaprojeto. Com o canteiro instalado a 70 quilômetros de Marselha, na França, o empreendimento científico pretende recriar, para fins industriais, uma usina de fornecimento inesgotável de energia. O ITER (International Thermonuclear Experimental Reactor) busca gerar energia baseada nos mesmos conceitos do sol, ou seja, através da fusão nuclear do hidrogênio a 100 milhões de graus Celsius. O objetivo é que o “mini Sol” gere 500 MW de energia superlimpa por dia. O desafio da obra passa pelas especificações do concreto. A parede do fosso onde ficará o reator (batizado de tokamak) terá 1,5 metro de espessura e a resistência à compressão deve ser de 3 mil toneladas por metro quadrado. Por isso, o concreto deverá atingir pelo menos 250 MPa. Até que o ITER fique pronto, terá consumido 18 bilhões de euros. O projeto conta com investimento de 35 países. Por ter a maior reserva mundial de Nióbio, o Brasil foi convidado, mas não aceitou.
Entrevistados
- HKND Group (Hong Kong Nicaragua Canal Development) (via assessoria de imprensa)
- Songdo IBD (via assessoria de imprensa)
- Avesta Concern (via assessoria de imprensa)
- Departamento de comunicação do ITER
Contatos
contractor_admin@nicaraguacanal.com
mldinardo@tkprpublic.com
office@avestaconcern.com
itercommunications@iter.org
Crédito Fotos: nicaraguacanal.com/ Songdo IBD/ Avesta Concern/ ITER
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Rodoviárias também têm arquiteturas surpreendentes
Conceitos inovadores, agregados a projetos que não abrem mão da versatilidade do concreto, revitalizam terminais de ônibus em vários países
Por: Altair Santos

Não são apenas os terminais aéreos que ganham projetos ousados de arquitetura. A valorização da mobilidade urbana passou a atrair também conceitos inovadores para rodoviárias e terminais de ônibus. Em concreto ou estruturas mistas, as edificações para embarque e desembarque de passageiros agora se destacam no ambiente urbano, principalmente em países europeus. Portugal, Alemanha e Turquia saem na frente neste quesito.
Na pequenina Rio Maior, a 80 quilômetros de Lisboa, a prefeitura local encomendou o projeto do terminal rodoviário para que fosse um marco a quem visita a cidade portuguesa. Resultado: o prédio com estrutura única de concreto branco, e amplas janelas, tornou-se uma das edificações mais premiadas do país na década passada. A obra é de 2005. Além da arquitetura arrojada, a edificação surpreende também pela funcionalidade. Com dois pavimentos, atende o setor de passagens na parte superior e o embarque e desembarque no térreo.

Outra rodoviária premiada em Portugal foi construída na também pequenina Mogadouro, no norte do país, a 470 quilômetros de Lisboa. O projeto é das arquitetas Fátima Fernandes e Michele Cannatà e explora as estruturas pré-moldadas. A planta lembra um bunker, que se mistura à paisagem urbana através de uma praça. O setor de serviços, embarque e desembarque fica em uma área subterrânea. “A busca foi pela dinâmica do espaço público, unindo a estação a uma praça”, explicam as arquitetas.
Seja em Trujillo, distrito de Cáceres, na Espanha, ou em Nevsehir, na Turquia, o concreto é elemento predominante nas rodoviárias europeias que se destacam pela arquitetura. Em Trujillo, o projeto propunha praticidade e pouco requinte. A região é eminentemente agrícola e o concreto armado aparente foi o material escolhido para se adequar ao ambiente. O mesmo ocorreu em Nevsehir, mas por outro motivo: o concreto com elementos vazados nas paredes, e o vidro, permitem a ventilação da rodoviária, localizada em uma das regiões mais quentes da Turquia.
Também em território turco, a rodoviária de Kayseri complementa o rol de terminais com arquitetura exuberante. O projeto, neste caso, contempla estruturas mistas de concreto e aço, combinadas com o vidro. O mesmo conceito inspirou o escritório Studio Twenty Seven Architecture para projetar o novo terminal de ônibus interestaduais de Washington, nos Estados Unidos. Concreto, aço e vidro ganharam mais um componente arquitetônico: a madeira.

Brasil
No Brasil, há terminais novos chamando a atenção pelo design, como o da Água Branca, na cidade de São Paulo, o qual explora vários elementos arquitetônicos sem deixar de priorizar o concreto. Mas nada se compara aos projetos que Vilanova Artigas fez para as rodoviárias de Jaú-SP e o antigo terminal de Londrina-PR – cidade que depois substituiu a edificação por uma mais moderna, desenhada por Oscar Niemeyer. Há ícones também em Fortaleza-CE, projetado por um dos principais nomes da arquitetura do nordeste: Marrocos Aragão. Em comum, todos eles exploram o concreto armado aparente.
Boa parte das exuberantes rodoviárias brasileiras foi construída entre a metade dos anos 1960 e a década de 1970. Neste portfólio, também dá para incluir a obra de Ribeirão Preto, projetada por Oswaldo Bratke (1907-1997) junto com seu filho, Carlos Bratke, que morreu no começo de janeiro de 2017. A estação de Ribeirão Preto é considerada um clássico da arquitetura, pois foi a primeira rodoviária do país a usar concreto armado em 100% de seu projeto.
Entrevistados*
Núcleo de Arquitetura
Bahadir Kul Architects
Studio Twenty Seven Architecture
Ismo Arquitectura
Canattà & Fernandes
Domitianus Arquitecto
Fundação Vilanova Artigas
Carlos Bratke Arquitetos
*Via assessorias de imprensa
Contatos
nucleo@nucleoarquitetura.com.br
media@bahadirkul.com
info@studio27arch.com
info@ismoarquitectura.es
cf@cannatafernandes.com
arquitectura@domitianus.com
centenarioartigas@gmail.com
cbratke@uol.com.br
Crédito Fotos: FG+SG/ Luis Ferreira Alves/ Ket Kolektif/ Fernando Alda/ Anice Hoachlander/ FAU-Mackenzie/ Ana Carolina Gleria Lima
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Norma de Desempenho fecha o cerco às construtoras
Novo regimento do SiAC estabelece como prioridade o enquadramento das construtoras aos requisitos da ABNT NBR 15575, e ao seu cumprimento
Por: Altair Santos
O ano de 2017 começou com a entrada em vigor do novo regimento do SiAC (Sistema de Avaliação da Conformidade de Empresas de Serviços e Obras da Construção Civil) do PBQP-H (Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat). As mudanças ocorreram em 9 de janeiro, e passam a vigorar no prazo de 6 meses, respeitando o período de transição, ou seja, serão exigidas a partir de 9 de julho. Na prática, obrigam incorporadoras e construtoras a adequarem seus projetos à Norma de Desempenho (ABNT NBR 15575).

Antes, o SiNAT se limitava a fazer avaliação por desempenho apenas de produtos e sistemas inovadores. Agora, os sistemas convencionais de construção também passarão por análise. Segundo o arquiteto Marcos Galindo, presidente da Comissão Nacional do SiAC e membro da Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Comat/CBIC), o novo regimento do SiAC busca repercutir a Norma de Desempenho em seus requisitos, para contribuir com os sistemas de gestão da qualidade das empresas.
O novo regimento abrange também as construtoras que atuam no Minha Casa Minha Vida. De acordo com Marcos Galindo, para as empresas que praticam a gestão da qualidade no seu dia a dia, a tendência é que seus procedimentos sejam ajustados de forma natural às novas determinações do SiAC. Já para quem ainda não se adequou à Norma de Desempenho, não há como adiar. Confira a entrevista do presidente da Comissão Nacional do SiAC:
Com o novo regimento do Sistema de Avaliação da Conformidade de Empresas de Serviços e Obras da Construção Civil (SiAC), daria para dizer que a Norma de Desempenho fecha o cerco às construtoras?
O objetivo do SiAC é avaliar a conformidade dos sistemas de gestão da qualidade de empresas do setor de serviços e obras que atuam na construção civil, através de um processo de certificação conduzido por Organismo de Avaliação da Conformidade – OAC – acreditado pelo INMETRO. O novo regimento do SiAC buscou repercutir a Norma de Desempenho em seus requisitos, visando contribuir para a adequação dos sistemas de gestão da qualidade das empresas às demandas da ABNT NBR 15575. Para as empresas que praticam a gestão da qualidade no seu dia a dia, a tendência é que seus procedimentos sejam ajustados de forma natural, organizando os processos que possibilitarão o atendimento da Norma de Desempenho.
A Norma de Desempenho vai completar quatro anos em julho. Ela ainda enfrenta resistência das construtoras?
O setor da construção participou de forma muito ampla e colaborativa durante a elaboração da atual Norma de Desempenho, publicada em fevereiro de 2013. Portanto, não existe essa questão de resistência das construtoras. O que existe é o imenso desafio de transformar a construção habitacional brasileira, para incluir a dimensão desempenho na qualidade da obra construída. Esse desafio envolve incorporadores, órgãos responsáveis por empreendimentos habitacionais, agentes financeiros, projetistas, fabricantes e fornecedores de produtos e sistemas, prestadores de serviços, construtores e usuários. Não é mais suficiente construir de acordo com as normas prescritivas. Não basta utilizar materiais compatíveis com suas normas de fabricação e executar os serviços de acordo com os procedimentos previstos nas respectivas normas ou boas práticas. Agora, é tudo isso mais o atendimento aos requisitos e critérios estabelecidos na Norma de Desempenho. É uma mudança estrutural no ciclo de realização de um empreendimento habitacional, que atinge a definição dos atributos do empreendimento pelo seu responsável, a elaboração dos projetos e especificações de acordo com as normas e requisitos aplicáveis, o planejamento e a construção da obra rigorosamente de acordo com aqueles projetos e especificações, a correta entrega do empreendimento e, na sequência, a manutenção adequada da edificação pelos usuários.
As mudanças no SiAC abrangem também o Minha Casa Minha Vida?
As construtoras que atuam nos programas de habitação de interesse social vinculados ao ministério das Cidades devem ser certificadas pelo SiAC, ou no nível A ou no nível B. Respeitadas as disposições transitórias, não é mais possível atuar nestes programas mediante uma simples Declaração de Adesão.
O novo regimento não pode encarecer as obras e, consequentemente, o preço das unidades?
O novo regimento do SiAC não criou procedimentos que encarecem as obras. O SiAC trata dos aspectos de gestão dos processos e certificação. No caso das edificações habitacionais, por exemplo, as novas demandas decorrem da Norma de Desempenho e foram incluídas no regimento para esclarecer à empresa construtora os pontos‐chaves para adequação dos seus processos.
As mudanças no SiAC impactam também no SINAT? De que forma?
Há um alinhamento entre o SiAC e o SiNAT (Sistema Nacional de Avaliações Técnicas de Produtos Inovadores e Sistemas Convencionais), mas não existe um impacto do SiAC sobre o SiNAT. Existe, sim, uma sinergia em sentido contrário. As empresas podem se valer de sistemas inovadores ou convencionais validados pelo SiNAT para comprovar o atendimento de requisitos de desempenho.
Antes, a avaliação por desempenho era apenas para produtos e sistemas inovadores. Agora, os sistemas convencionais de construção também passarão por auditoria?
O SiNAT passou a incluir a avaliação de sistemas convencionais com o objetivo de avaliar aqueles sistemas cujos desempenhos já foram testados e que podem ser utilizados em projetos e obras habitacionais, sem necessidade de comprovações adicionais de atendimento à Norma de Desempenho, desde que sejam executados rigorosamente conforme previsto. O regimento do SiAC prevê que “no caso de utilização de sistemas convencionais em edificações habitacionais, o fornecedor deverá comprovar atendimento à Ficha de Avaliação de Desempenho ‐ FAD - existente no Catálogo de Desempenho de Sistemas Convencionais do SiNAT do PBQP‐H ou deverá comprovar o atendimento do sistema convencional à ABNT NBR 15575 por meio de relatórios de ensaios e avaliações técnicas”.
Essas novidades podem tornar mais difícil o acesso das construtoras aos financiamentos da Caixa Econômica Federal para viabilizar projetos habitacionais?
O processo de certificação do SiAC é essencialmente o mesmo. Os ajustes feitos no novo regimento objetivaram essencialmente apoiar as empresas no atendimento à Norma de Desempenho e promover melhorias operacionais no funcionamento do SiAC. Não há impacto quanto ao acesso das construtoras aos financiamentos da Caixa Econômica Federal para viabilizar projetos habitacionais.
As ITAs (Instituições Técnicas Avaliadoras) terão que se adequar às mudanças?
Os parâmetros para o funcionamento das ITAs estão definidos no regimento do SiNAT.
Quando essas mudanças vão entrar em vigor?
O novo regimento do SiAC entrou em vigor no dia 9 de janeiro de 2017. Há um período de transição de 180 dias, cujos detalhes devem ser consultados no próprio regimento, que está disponível na página do SiAC, no site do PBQP‐H.
Sistemas industrializados de construção tendem a ganhar espaço em projetos habitacionais com essas mudanças?
Como uma tendência geral, sim. Mas não em função do novo regimento do SiAC.
Confira aqui o novo regimento do SiAC.
Entrevistado
Arquiteto Marcos Galindo, presidente da Comissão Nacional do SiAC e membro da Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Comat/CBIC)
Contato
galindo.lopes@gmail.com
Crédito Foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
BIM torna-se aliado no combate à corrupção em obras
Projetos governamentais concebidos sobre a plataforma tecnológica ganham em produtividade e em economia no custo real da execução
Por: Altair Santos
O Brasil vive um processo inverso do que se observa em boa parte dos países sul-americanos, e também na América do Norte, na Europa e na Ásia. Em outras nações, o governo está à frente de programas que estimulam a criação de projetos através do BIM (Modelagem da Informação da Construção). Um exemplo é o Chile. “No Chile, o fenômeno é o contrário do que acontece no Brasil. Lá existe uma força muito grande para implementar o BIM, pois o governo e a Câmara Chilena da Construção estão articulados. Diferentemente do Brasil, em que as construtoras estão usando bastante a plataforma e o governo está começando agora a se mobilizar”, diz Paulo Sanchez, líder do projeto BIM, da Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (COMAT/CBIC).

Por enquanto, houve apenas tentativas do governo brasileiro de exigir a plataforma tecnológica nos projetos que se candidatam a obras públicas. Em 2013, o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) chegou a esboçar pedir projetos em BIM em suas licitações, mas não foi adiante. Depois, somente em 2016, quando o país já estava no epicentro das denúncias levantadas pela operação Lava Jato, é que surgiram novos movimentos. Em agosto do ano passado, por exemplo, o ministério do Planejamento promoveu pela primeira vez um seminário para tratar do assunto - o Seminário BIM para Obras Públicas. O evento foi concluído com o reconhecimento de que o Brasil está atrasado na adoção da tecnologia. “É inegável o papel dos governos na indução do processo de desenvolvimento e aplicação da tecnologia BIM em obras públicas, conforme demonstrado pela experiência internacional”, disse documento elaborado pelo ministério.
Quem está na nossa frente?
Apenas para comparação, os Estados Unidos, desde 2007, por meio do General Services Administration, incorporaram totalmente a tecnologia BIM na gestão de todos os prédios federais. Na Inglaterra, o governo reconheceu o papel crucial da tecnologia, estabelecendo a obrigatoriedade de elaboração de todos os projetos públicos em metodologia BIM a partir de 2016. Na Finlândia, o Senates Properties (organização governamental responsável pela gestão de bens de propriedade do Estado) exige a utilização do BIM em seus projetos desde outubro de 2007. Na Noruega, há obrigatoriedade em utilizar o BIM em todos os projetos públicos desde 2010. Aqui no Brasil, a iniciativa de estímulo a esse tipo de procedimento parte mais das próprias construtoras e de organismos ligados à construção civil, como CBIC e SindusCons, que do próprio governo.
Na América do Sul, o país que está mais à frente na implantação de um plano de governo que torne a tecnologia BIM ferramenta obrigatória em obras públicas é o Chile. Em 2016, o governo chileno lançou o Plano BIM. Ele estabelece que todos os projetos públicos a partir de 2020 precisam estar inseridos na plataforma tecnológica. Paralelamente, a Universidade do Chile implantou a Pesquisa Nacional BIM, que no final do ano passado já havia detectado que 22% das construtoras do país estavam usando a ferramenta. Estimulados pela iniciativa chilena, Peru, México, Colômbia e Argentina estão criando grupos de trabalho para também ter o BIM como elemento de eficácia na gestão e na execução de obras públicas, minimizando o risco de desvio de recursos.
Entrevistado
Engenheiro civil Paulo Sanchez, líder do projeto BIM, da Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (COMAT/CBIC) (via assessoria de imprensa)
Contato
comunica@cbic.org.br
Crédito Foto: SindusCon-SP

























