Brasil tem centenas de patologias em fundações. Por quê?

Ausência de investigação do subsolo e ensaios inadequados são os fatores que mais desencadeiam esse problema na construção civil

Por: Altair Santos

O professor-doutor do departamento de engenharia civil da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Fernando Schnaid, começou sua palestra no Simpósio Paranaense de Patologia das Construções com a seguinte pergunta: existem problemas de patologias em fundações no Brasil? Ele mesmo deu a resposta: “Sim, às centenas”. E por quê? Segundo o especialista, por causa de falhas na investigação do subsolo para obras da construção civil e, em alguns casos, por ausência de qualquer tipo de ensaio.

Fernando Schnaid: qualidade das fundações está diretamente relacionada com os ensaios do subsolo
Fernando Schnaid: qualidade das fundações está diretamente relacionada com os ensaios do subsolo

No evento realizado no centro politécnico da UFPR, que aconteceu de 29 de maio a 2 de junho, Schnaid revelou que 6% das patologias que afetam as construções no país estão associadas a fundações. “Só 6%? Parece pouco, mas não é. A razão é que as consequências econômicas e de risco destes problemas são extraordinários frente a outras patologias, que geralmente são localizadas e cujas soluções são relativamente fáceis. Já os problemas com fundações podem gerar custos quase do tamanho da edificação a que elas dão suporte”, destaca.

O professor Fernando Schnaid lembrou que a qualidade das fundações está diretamente relacionada com os ensaios do subsolo. Mesmo assim, a ausência de investigação ainda ocorre no Brasil. “É uma prática inaceitável, mas há quem ainda faça isso. Quando? Normalmente, em edifícios de pequeno porte”, revela. Há casos em que ocorre a investigação, mas a interpretação dos resultados é errada. Segundo o especialista, este tipo de falha aumentou com a crise econômica no país.

Crise afeta geotecnia
Para Schnaid, os problemas pelos quais passa o Brasil, afetando diretamente o mercado da construção civil, têm causado degradação no serviço de análise geotécnica. “Isso se deve a uma cadeia de terceirização deste tipo de serviço, a fim de baratear custos. O que pode ocorrer, e ocorre, é que uma ponta faz boa investigação, mas a outra não sabe interpretar. E em geotecnia, as interpretações precisam passar confiança para que se possa praticar uma boa engenharia”, afirma.

Em sua palestra, o professor da UFRGS voltou a ressaltar que aspectos relacionados com a investigação das características do subsolo são a causa mais frequente de problemas com fundações. “Quem diz isso? O código europeu (EuroCode) diz, a norma francesa diz, enfim, a prática internacional diz isso. Na maioria das vezes em que ocorrem patologias em fundações, o problema não está no projeto, mas nas falhas de investigação das características do solo”, frisa Schnaid.

O especialista reforça ainda que não é por falta de tecnologia em geotecnia que esses erros ocorrem no país. “Existe uma variedade extraordinária de ensaios de subsolo no Brasil. Mas um grande número de projetos concentra-se na sondagem de simples reconhecimento (spt). Mesmo o DNIT e a Petrobras exigem apenas spt em grande parte de seus projetos. Então, é preciso ter em mente que investigações consolidadas ajudam a economizar milhões de reais, os quais, às vezes, são desperdiçados porque se queria economizar alguns milhares de reais”, finaliza.

Entrevistado
Engenheiro civil Fernando Schnaid, professor-doutor do programa de pós-graduação do departamento de engenharia civil da UFRGS, com especialidade em geotecnia e engenharia de fundações

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ppgec@ppgec.ufrgs.br

Crédito Fotos: Fifa

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

A um ano da Copa, Rússia está bem melhor que o Brasil

Apenas três dos doze estádios estão com cronogramas atrasados. Cinco serão concluídos até o final deste ano e quatro já estão prontos

Por: Altair Santos

Arena Kazan: estádio já existia e foi reformado para a Copa 2018
Arena Kazan: estádio já existia e foi reformado para a Copa 2018

Entre 17 de junho e 2 de julho, a Rússia vai sediar a Copa das Confederações. Trata-se de evento-teste para a Copa do Mundo 2018. Os quatro estádios que vão receber os jogos já estão prontos. Os russos terão que entregar mais 8 arenas até o final de 2017. Apenas 3 estão com os cronogramas atrasados e podem ser que fiquem prontas até o final do primeiro trimestre de 2018. Comparativamente ao Brasil, em 2014, a situação russa é melhor no que se refere ao calendário de obras. Porém, o país-sede do próximo mundial enfrenta um adversário natural: o inverno. Entre dezembro e fevereiro, as temperaturas podem chegar a 20 °C negativos, o que inviabiliza boa parte dos trabalhos.

Segundo o chefe do comitê organizador da Copa 2018, Alexei Sorokin, a meta é que, para o próximo inverno russo, fiquem pendentes apenas obras de acabamento interno nos estádios que não estiverem concluídos, o que a neve e o frio não atrapalhariam. Durante a primavera e o verão, as frentes de trabalho se esforçam para liberar a área dos campos e iniciar o plantio da grama, a fim de que os gramados estejam consolidados antes que o inverno chegue. A corrida contra o tempo é maior para concluir os estádios em Kaliningrado, Ekaterimburgo e o histórico Luzhniki, em Moscou. Esta obra está para a Rússia como o Maracanã para o Brasil. É um estádio da era stalinista, construído em 1956, e cujo projeto de retrofit preservou a fachada externa, mas obrigou a construção de uma nova arena na área interna.

Estádio olímpico de Sochi, construído para os jogos de inverno de 2014: pronto para a Copa
Estádio olímpico de Sochi, construído para os jogos de inverno de 2014: pronto para a Copa

Não é à toa que o Luzhniki tem o maior canteiro de obras e dois mil operários trabalhando para deixá-lo pronto até novembro. Atualmente, boa parte dos estádios inacabados na Rússia está na etapa da instalação das estruturas de aço para receber as coberturas. "Nossos preparativos estão indo muito bem. Muito melhor do que em alguns outros países que já receberam a Copa do Mundo", diz Alexei Sorokin, numa referência indireta ao Brasil. Além do Luzhniki, e dos estádios em Kaliningrado e Ekaterimburgo, também estão em obras as arenas nas seguintes cidades: Volgogrado, Rostov-on-Don, Saransk, Nizhny Novgorod e Samara. Confira como está o cronograma de obras dos 8 estádios ainda em construção, segundo o relatório de maio da Fifa:

Luzhniki: equipes de trabalho concentram-se no retrofit da área externa.
Ekaterinburgo: cobertura está na fase final e gramado será plantado em julho. Calçamento no entorno vai envolver área de 5.500 m².
Volgogrado: estrutura de aço que vai receber a cobertura está na fase final. As 21 torres de iluminação começaram a ser instaladas.
Rostov-on-Don: cobertura está 80% concluída e começaram as obras para colocação de escadas rolantes e elevadores, assim como as instalações hidrossanitárias.

Arena Spartak: após a Copa, será o estádio de um dos principais times da Rússia
Arena Spartak: após a Copa, será o estádio de um dos principais times da Rússia

Saransk: na reta final para a instalação das estruturas que receberão a cobertura.
Nizhny Novgorod: vai começar a instalação da cobertura, da colocação de cadeiras e do gramado, além das obras de mobilidade no entorno.
Samara: finalizada a parte de concretagem, começa a receber a cobertura e obras de acabamento.
Kaliningrado: instalação da cobertura está em curso e fachada externa está em construção.

Entrevistado
Alexei Sorokin, chefe do comitê organizador da Copa Fifa 2018 (via assessoria de imprensa)

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info@rfs.ru

 

 

Crédito Fotos: Fifa

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Doca de concreto flutuante substitui estrutura de aço

Peça tem longa durabilidade e custo menor, além de versatilidade. Primeiro estaleiro a usar estrutura inovadora está no Havaí

Por: Altair Santos

No Havaí, docas de concreto flutuante estão substituindo estruturas de aço nos estaleiros. Antes, essa solução era aplicada apenas para pequenos atracadouros. Porém, uma construtora da Cingapura - a GL Engineering & Construction Pte Ltd (GL E & C) - conseguiu desenvolver grandes peças para navios de até 9.500 toneladas. “Tivemos de explorar perspectivas de engenharia além dos conceitos convencionais de aplicação do concreto. Também foi preciso treinar mão de obra para atender as especificações de design e requisitos do projeto”, diz Lim Sing Tian, diretor-geral da GL Engineering & Construction Pte Ltd.

Rebocador transporta peça para o Havaí e chega no começo de junho ao destino
Rebocador transporta peça para o Havaí e chega no começo de junho ao destino

As megaestruturas podem receber três grandes embarcações de uma só vez. Possuem 15 metros de altura, 138 metros de comprimento e 46 metros de largura, com vão de 36 metros entre as paredes. Cada uma pesa 15 mil toneladas. Foram fabricadas com graute 85 (concreto de alta plasticidade) e consumiram 320 mil m³ de concreto cada uma. Segundo o construtor, as docas podem durar até 200 anos. “Temos a intenção de apresentar a funcionalidade destas estruturas aos estaleiros dos Estados Unidos e estamos convictos de que atrairão não apenas o mercado norte-americano como mundial”, afirma Lim Sing Tian.

A confiança de que as docas de concreto flutuante substituirão as de aço em um futuro breve tem a durabilidade como alicerce. No entender dos projetistas das grandes estruturas, trata-se de elementos com longa vida útil e menor volume de manutenção, o que torna seu custo mais barato - US$ 12 milhões cada uma. Comparativamente, as estruturas de aço são normalmente concebidas para uma vida útil de 20 anos e requerem manutenção regular e dispendiosa. Além da competitividade, as docas em concreto sustentável são versáteis. Podem ser usadas para a construção e a manutenção de navios.

Equipe de especialistas

Estrutura de concreto flutuante pode receber navios de até 9.500 toneladas
Estrutura de concreto flutuante pode receber navios de até 9.500 toneladas

A construção das imensas docas de concreto flutuante envolveu 500 pessoas, entre operários, designers, projetistas, laboratoristas, consultores em concreto e engenheiros civis. A primeira estrutura levou 13 meses para ficar pronta - começou a ser fabricada em março de 2016. O processo de construção se estendeu desde a montagem da fôrma do concreto, pensada para ter o desenho interno de favos de mel, até o revestimento. Após a conclusão da primeira doca, 120 air bags foram inflados para colocá-la ao mar. Essa estrutura está atualmente no caminho para o Havaí e a perspectiva é de que chegue ao estaleiro que a encomendou no começo de junho de 2017.

O sistema que usa concreto flutuante para a construção de docas não é novo. Porém, o material - até a inovação desenvolvida em Cingapura - era utilizado apenas em atracadouros para pequenas embarcações. Por outro lado, há pelo menos uma década vinha se tentando construir grandes estruturas de concreto flutuante, mas esbarrava-se em soluções como cofragem, a estrutura para sustentar as peças e especificação do concreto. Até que a GL Engineering & Construction encontrou as respostas que prometem revolucionar a engenharia naval.

Entrevistado
Lim Sing Tian, diretor-geral da GL Engineering & Construction Pte Ltd. (via assessoria de imprensa)

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enquiry@glec.com.sg

Crédito Fotos: GL E & C

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

China confirma US$ 100 bi para nova “Rota da Seda”

Conjunto de obras, envolvendo construção de rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e linhas de transmissão, passará por 60 países

Por: Altair Santos

No dia 14 de maio de 2017, o presidente chinês, Xi Jinping, fez o anúncio oficial da construção da nova “Rota da Seda”. O caminho histórico, criado em 200 a.C, foi a primeira ligação entre ocidente e oriente, e agora servirá de base para o ambicioso projeto liderado pela China e batizado de “One Belt, One Road” (um cinturão, uma rota). Com investimento assegurado de US$ 100 bilhões, os chineses vão financiar obras em 60 países. É a maior injeção de recursos em infraestrutura já feita no mundo e envolverá construção de rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e linhas de transmissão de energia, dados e combustíveis.

Monumento inaugurado em maio de 2017, em Pequim, que simboliza a reconstrução da nova “Rota da Seda”
Monumento inaugurado em maio de 2017, em Pequim, que simboliza a reconstrução da nova “Rota da Seda”

Para o economista Kevin Sneader, da consultoria McKinsey, não há nenhum gesto de generosidade da China em liderar esse megaprojeto. “Os chineses estão olhando um volume de obras que vai atingir 65% da população mundial, cerca de 1/3 do PIB do planeta (perto de US$ 21 trilhões) e 1/4 de todos os bens e serviços que movimentam o mundo”, diz o especialista. “É um mercado com potencial para alavancar os negócios chineses em até US$ 3 trilhões por ano”, completa Kevin Sneader. Para se ter ideia do potencial econômico do empreendimento, o PIB do Brasil em 2016 foi de 1,473 trilhão, ou seja, menos da metade do que o “One Belt, One Road” pode gerar.

Na prática, a nova “Rota da Seda” vem se materializando desde 2013, quando a China assinou os primeiros acordos de cooperação bilateral com Hungria, Mongólia, Rússia, Tajiquistão e Turquia. Há também projetos em curso, incluindo a ligação ferroviária entre o leste da China e o Irã, a qual poderá ser expandida para a Europa. Existem também novas ferrovias em construção na direção do Laos e da Tailândia, além da implantação de um TAV (Trem de Alta Velocidade) entre a China e a Indonésia. Outra consequência é que as relações marítimas entre China e países do Oriente Médio - principalmente no transporte de contêineres - praticamente triplicaram nos quatro anos recentes.

Seis grandes eixos
A concepção do “One Belt, One Road” parte de seis grandes eixos: Eurásia, China-Mongólia-Rússia, China-Ásia Central-Oeste da Ásia, Península Índia-China, China-Paquistão e Bangladesh-China-Índia-Mianmar. A partir destes corredores partirão ramais que se estenderão ao longo de 60 países, não apenas por rodovias e ferrovias, mas também conectando essas economias pelo mar, por rios e por transporte aéreo. Ao longo desses eixos serão construídas linhas de transmissão de energia, de transmissão de dados e oleodutos. Estima-se que US$ 40 bilhões dos US$ 100 bilhões que a China promete injetar no projeto já estejam investidos em obras.

Segundo analistas, é a maior liberação de recursos de um só país em outras nações desde o Plano Marshall - lançado após a Segunda Guerra Mundial, quando os Estados Unidos financiaram a reconstrução da Europa. Para Joe Ngai, a China precisa do “One Belt, One Road” para se consolidar como potência mundial. “Apesar da população com mais de um bilhão de habitantes (1,371 bilhão), a economia chinesa já não sobrevive mais se alimentando apenas do mercado interno. A indústria da construção civil chinesa, por exemplo, cresceu muito e precisa desses países emergentes contemplados no One Belt, One Road para continuar se expandindo”, diz o também analista econômico da McKinsey. Todos os recursos disponíveis para o projeto virão do China Development Bank (Banco de Desenvolvimento da China).

Saiba mais sobre o One Belt, One Road.

Entrevistados
Economistas Kevin Sneader e Joe Ngai, da McKinsey&Company (via assessoria de mídias)

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asia_media_enquiries@mckinsey.com

Crédito Foto: Governo da China

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Sete mandamentos na hora de comprar apartamento

Organismos ligados a construtoras, arquitetos e defesa do consumidor se unem para criar cartilha útil na hora de adquirir um imóvel

Por: Altair Santos

Adquirir um apartamento não passa apenas por ter recursos para comprá-lo. A escolha do imóvel é uma operação tão complicada quanto juntar o dinheiro ou obter financiamento para a aquisição. Por isso, um grupo de construtores, arquitetos e corretores imobiliários, junto com organismos de defesa do consumidor, listou o que pode ser chamado de os “sete mandamentos” na hora de comprar apartamento. Eles indicam o que é melhor para o consumidor: apartamento usado, novo ou na planta? Dão dicas sobre a localidade, sobre o andar ideal e também sugerem como inspecionar, e o que inspecionar. Por fim, são unânimes em aconselhar: nunca visite sozinho o apartamento que pretende comprar. Sempre leve alguém, mesmo que não seja especialista.

Entre as recomendações está a de não se deixar levar pelo apartamento decorado e verificar as plantas
Entre as recomendações está a de não se deixar levar pelo apartamento decorado e verificar as plantas

Ainda que a cartilha tenha como público-alvo os moradores da cidade de São Paulo, as dicas se estendem facilmente a qualquer região do país, sobretudo as que envolvem as principais capitais brasileiras. O primeiro dos mandamentos é definir a localidade. Veja o que diz a dica: escolha o bairro conforme as suas necessidades. O ponto principal é que o local possa colaborar com a qualidade de vida. Morar perto do trabalho, do colégio dos filhos, de supermercados, parques e shoppings, por exemplo, pode ser mais importante do que estar em bairros mais nobres. O objetivo deve ser ficar menos tempo no trânsito e mais tempo em casa.

O segundo mandamento refere-se ao tipo de apartamento: usado, novo ou na planta? Para os usados, faça uma boa vistoria. Os autores da cartilha recomendam que se verifique o valor do condomínio e as atas recentes de reunião de condomínio para não ser surpreendido por taxas de rateios, que podem encarecer o imóvel. Lembre-se de tirar ou exigir as certidões que garantem segurança ao negócio. Para quem não tem tempo ou experiência, o recomendável é solicitar apoio jurídico. No caso de unidades novas ou na planta, dois fatores podem influenciar a decisão: o tempo de espera e o valor que poderá ser investido. Quando um apartamento é comprado na planta, há mais tempo para se planejar financeiramente. Já quando se tem dinheiro para uma boa entrada, e a certeza de que conseguirá financiar o restante, um empreendimento pronto é o mais adequado.

Andar alto ou baixo? Eis o terceiro mandamento. Segundo os especialistas, recentemente os primeiros andares se tornaram mais procurados, por questões econômicas - costumam ter preço menor - e por que o envelhecimento da população fez crescer a demanda, principalmente em prédios sem elevador. A desvantagem é estar mais próximo da rua e também do barulho da área de lazer, por exemplo. Nos andares mais altos, a vista costuma ser privilegiada, mas o ponto contrário é o fato destes apartamentos estarem mais suscetíveis ao aparecimento de trincas, ainda que as técnicas construtivas estejam minimizando esse problema.

Na cartilha, o quarto mandamento é uma recomendação importante, para o caso de apartamentos novos: cuidado ao visitar o decorado. É preciso lembrar que ele é feito para encantar. A sugestão é que o comprador solicite a planta do imóvel e procure seu arquiteto para saber se os ambientes lhe atenderão plenamente. Também é preciso estar atento ao acabamento. Nos apartamentos novos, o acabamento do decorado pode ser diferente do que será entregue. Por isso, é importante ler o material descritivo, que fica disponível no cartório de registros e pode ser solicitado ao corretor.

O quinto mandamento é estritamente técnico. Dê atenção especial aos tipos de pedras (bancadas), metais, instalações de ar condicionado (drenos e rede frigorígena), tipo do piso (fabricante) e pé direito (altura do apartamento). Atenção: solicite a altura livre, ou seja, do piso acabado ao forro de gesso e o tipo de cobertura (massa corrida ou gesso rebaixado), além de esquadrias (tente identificar os fabricantes e a robustez das peças).

A Norma de Desempenho se faz presente no sexto mandamento. Os especialistas recomendam que pelo menos uma visita ao apartamento seja acompanhada de um arquiteto ou de um engenheiro civil. O profissional ajudará a verificar se a construção cumpre requisitos da ABNT NBR 15575, no que se refere ao desempenho térmico e acústico das paredes estruturais e de vedação, além das esquadrias.

O sétimo mandamento é uma recomendação do Procon. Antes de concretizar qualquer negócio, consulte o cadastro de reclamações do Procon de sua cidade, a fim de se inteirar da existência ou não de reclamações contra a incorporadora, construtora ou imobiliária. Realize também uma pesquisa no site do Tribunal de Justiça de seu estado para verificar se há algum processo contra a empresa e qual é o problema de que ele trata.

Entrevistado
Com base em cartilha elaborada conjuntamente por organismos como Secretaria Nacional do Consumidor, Fundação Procon-SP, Secovi-SP, SindusCon-SP e AsBEA (Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura)

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senacon@mj.gov.br
central@secovi.com.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Brasil tem mais de 20 mil obras públicas inacabadas

Entre os casos mais emblemáticos estão a ferrovia Transnordestina, a refinaria Abreu e Lima e a transposição do rio São Francisco

Por: Altair Santos

Refinaria Abreu e Lima: era para ter investimento do Brasil e da Venezuela, mas só o Brasil gastou R$ 20 bilhões na obra
Refinaria Abreu e Lima: era para ter investimento do Brasil e da Venezuela, mas só o Brasil gastou R$ 20 bilhões na obra

Instalada em novembro de 2016, a comissão de obras inacabadas do Senado Federal finalizou recentemente o mapeamento de projetos financiados com recursos federais, e que não foram concluídos desde a criação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em 2007.

Os números impressionam. São 22 mil obras inconclusas. Destas, o governo federal se comprometeu em retomar 1.600, com valores que vão de R$ 10 mil a R$ 1 bilhão. A comissão, que é provisória, irá concluir seus trabalhos no final deste ano.

Até lá, irá produzir um relatório de viabilidade técnica para cada uma das obras listadas. É possível que alguns projetos sejam declarados inviáveis e acabem definitivamente abandonados.

Para o senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), que preside a comissão, boa parte das obras inacabadas está relacionada à má gestão. “Embora se reconheça que, em alguns casos, a paralisação da obra ocorre devido a restrições orçamentárias imprevisíveis, a causa maior do problema é a falta de profissionalismo dos gestores públicos”, reconhece.

Ferrovia Transnordestina: era para ter 1.700 quilômetros, mas 600 ficaram prontos
Ferrovia Transnordestina: era para ter 1.700 quilômetros, mas 600 ficaram prontos

O trabalho dos senadores é facilitado pela comissão mista do orçamento do Senado, que recebe relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre obras irregulares e repassa os dados. O coordenador do comitê, senador Telmário Mota (PDT-RR) disse que há indícios de irregularidades em centenas de obras em vários estados brasileiros. “São sobrepreços, aditivos em excesso, licitações irregulares. A recomendação é que sejam feitas auditorias em todas as obras irregulares”, afirma.

O Canal do Sertão, em Alagoas, é um exemplo de obra irregular, segundo o auditor do TCU, Rafael Esteves. “Esta era uma obra com recursos repassados pelo Ministério da Integração Nacional ao estado de Alagoas e o contratante é a Secretaria de Infraestrutura de Alagoas. A obra teve um sobrepreço de 74 milhões de reais, com o valor atualizado do contrato em torno de 680 milhões”, diz.

 

Abandono e descaso

Transposição do rio São Francisco: era para custar R$ 6,6 bilhões, mas vai sair por quase R$ 11 bilhões
Transposição do rio São Francisco: era para custar R$ 6,6 bilhões, mas vai sair por quase R$ 11 bilhões

Outro exemplo clássico é a Transposição do rio São Francisco. A obra foi iniciada em 2007 e deveria ficar pronta em três anos, ao custo de R$ 6,6 bilhões. Dez anos depois, já consumiu R$ 9,5 bilhões e demandará mais R$ 1,1 bilhão para a conclusão - provavelmente em 2018. Consórcios envolvendo construtoras investigadas pela operação Lava Jato, como OAS, Mendes Júnior e Galvão Engenharia, eram responsáveis pela obra. Porém, em 2013 foram substituídas sem que tivessem concluído o projeto.

Outra obra emblemática lançada no período do PAC, e que segue paralisada, é a Ferrovia Transnordestina. O objetivo do projeto é que houvesse a ligação entre os portos de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco, entrando pelo extremo leste do Piauí. Dos 1.700 quilômetros, apenas 600 foram concluídos, a um custo de R$ 6,2 bilhões. O orçamento original era de R$ 4 bilhões. Estima-se que a obra precisará de mais R$ 5,5 bilhões para ser finalizada.

Pior é a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, que estava orçada em R$ 2,4 bilhões, com investimento binacional do Brasil e da Venezuela, e que se encontra abandonada após consumir R$ 20 bilhões apenas do lado brasileiro.

Entrevistado
Comissão Especial de Obras Inacabadas do Senado Federal (via assessoria de imprensa)

Contato
imprensasenado@senado.leg.br

Crédito Fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Faltam normas técnicas e processos são muito lentos

Paulo Rewald, diretor de normalização da Abrasip, e Salvador Benevides, superintendente do ABNT/CB-002, relatam dificuldades do setor no Brasil

Por: Altair Santos

Palestrantes no Congresso Brasileiro da Construção (ConstruBR 2017), realizado em abril de 2017 na cidade de São Paulo, Paulo Rewald e Salvador Benevides abordaram as dificuldades para criar normas técnicas e revisar as já existentes, no âmbito da construção civil. Rewald, que é diretor de normalização do Secovi-SP e conselheiro da Abrasip (Associação Brasileira de Engenharia de Sistemas Prediais), e Benevides, que é superintendente do ABNT/CB-002 - Comitê Brasileiro da Construção Civil, relataram que a criação ou a revisão de normas no Brasil não conseguem ser feitas em menos de quatro anos. “Assim, o país não acompanha o ritmo e nem faz a equalização com relação aos avanços tecnológicos alcançados lá fora”, dizem.

Paulo Rewald: normas brasileiras não conseguem acompanhar avanços tecnológicos
Paulo Rewald: normas brasileiras não conseguem acompanhar avanços tecnológicos

Paulo Rewald alerta que o descompasso na atualização de normas tem trazido problemas jurídicos aos construtores. “A Norma de Desempenho descreve uma relação de normas que devem ser seguidas. Isso gerou um problema, pois quase todas estão desatualizadas e com defasagens em seus textos. Então, é importante ter cuidado com isso, pois sabemos que hoje somos muito mais advogados que engenheiros, por causa de peritagens e fiscalizações, que levam em conta a Norma de Desempenho, mas não consideram as normas desatualizadas. Para se ter ideia, só na área de sistemas prediais existem cerca de três mil normas a serem seguidas, e a maioria está sem revisão há muito tempo”, revela.

De quem é a culpa?
Para evitar que os construtores caiam em armadilhas judiciais, a Abrasip gerou recomendações técnicas (RTs) sobre a Norma de Desempenho, que podem ser baixadas no site da organização.

Complementando o alerta de Paulo Rewald, o vice-presidente de tecnologia e qualidade do SindusCon-SP, Paulo Sanchez, entrou no debate para convocar a cadeia produtiva da construção civil a estar mais atenta às solicitações para que normas técnicas sejam revisadas. “Não é admissível que um setor veja que normas estão desatualizadas e não faça solicitações ao superintendente do CB-002, por via de cada uma de suas entidades, a fim de que possam entrar em processo de revisão. Quando se fala que as normas estão muito defasadas, o problema é nosso”, destaca.

Salvador Benevides: criar e revisar normas no Brasil leva até quatro anos
Salvador Benevides: criar e revisar normas no Brasil leva até quatro anos

Salvador Benevides comenta que no Brasil acostumou-se a fazer apenas “normas reativas”. “Se uma criança morre em uma piscina, por causa de falha no projeto do ralo, daí se reage para atualizar ou criar uma norma técnica. Se um prédio cai por causa de uma reforma mal feita, como aconteceu no Rio de Janeiro, se vai lá e é feita uma norma de reforma. Se acontece uma tragédia como a que ocorreu na boate Kiss, lá em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, se cria uma norma para saída de emergência. Só para reforçar o que digo, vale lembrar que nos últimos três anos apenas sete normas foram publicadas”, revela. Por isso, o superintendente do ABNT/CB-002 faz um apelo. “A participação em revisões e elaborações de normas técnicas no Brasil é pífia e o setor não se movimenta. Precisamos mudar esse cenário”, finaliza.

 

Entrevistados
- Engenheiro civil Paulo Rewald, diretor de normalização do Secovi-SP, conselheiro da Abrasip (Associação Brasileira de Engenharia de Sistemas Prediais) e sócio-diretor da Rewald Engenharia
- Arquiteto Salvador Benevides, superintendente do ABNT/CB-002 - Comitê Brasileiro da Construção Civil

Contatos
cb002@sindusconsp.com.br
rewald@rewald.com.br

Crédito Fotos: ConstruBR

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Malha que molda o concreto pode decretar fim das fôrmas

Pesquisadores desenvolveram tecnologia na Escola Politécnica de Zurique e garantem que será tão revolucionária quanto a impressão em 3D

Por: Altair Santos

A Escola Politécnica de Zurique (ETH Zurich) ganhou a mais recente edição de uma das principais premiações europeias voltada para inovações na área da construção civil: a Conferência de Inovações em Concreto. Equipe multidisciplinar da universidade desenvolveu uma malha de aço que retém o concreto e dá forma ao material, descartando o uso de fôrmas.

Robô fabrica a malha de aço que recebe o concreto e dispensa fôrmas
Robô fabrica a malha de aço que recebe o concreto e dispensa fôrmas

O segredo da invenção está na estrutura da malha de aço e nas especificações do concreto usado para preenchê-la. Os pesquisadores desenvolveram um concreto com características entre o autoadensável e o convencional. Para a trama da malha, foi usado um robô que prepara as armaduras de acordo com o projeto.

Dois professores estão à frente do trabalho: Fabio Gramazio e Matthias Kohler, que iniciaram o projeto no Future Cities Lab, em Cingapura, mas se transferiram para a ETH Zurich para finalizar a pesquisa. Na escola suíça, eles se juntaram a Norman Hack, gerente de projeto da equipe multidisciplinar. “A malha Mold (nome que os pesquisadores deram à nova estrutura) tende a mudar o futuro da construção”, afirma Hack.

Os pesquisadores asseguram ainda que a malha vai revolucionar a arquitetura das edificações, pois elas não precisarão mais ficar limitadas às fôrmas, que impõem desenhos retangulares aos prédios. “Na construção convencional, a armadura de aço é confinada a uma fôrma de madeira ou alumínio, que limita os edifícios a formatos retangulares. A malha Mold vai permitir formas inusitadas, praticamente sem limites", enfatiza Norman Hack.

Economia de 40% no tempo da obra

Concreto tem especificações peculiares para preencher a malha e não vazar
Concreto tem especificações peculiares para preencher a malha e não vazar

Outra vantagem da nova tecnologia é a agilidade na construção. “Hoje, cada edifício que utiliza concreto é construído duas vezes. Primeiro é preciso montar as fôrmas e depois o preenchimento com concreto. Imaginamos que a malha Mold possa reduzir o tempo de uma obra em até 40%”, explica Hack.

Os pesquisadores asseguram que a nova tecnologia desenvolvida na Suíça é tão revolucionária quanto a impressão 3D em concreto. A justificativa é que a malha Mold permite construir edifícios altos, enquanto as impressoras 3D estão se limitando, no momento, a edificações térreas ou, no máximo, com três pavimentos.

A pesquisa foi desenvolvida dentro do núcleo da ETH Zurich que estuda a aplicação da robótica na construção civil. Criado em 2014, o departamento tem como objetivo revolucionar a arquitetura através da combinação de tecnologias digitais e sistemas de construção civil. O núcleo envolve 60 pesquisadores de seis diferentes disciplinas acadêmicas, entre elas engenharia civil e arquitetura.

Em 2017, a Conferência de Inovações em Concreto aconteceu em Oslo, na Noruega. No evento, os pesquisadores disseram que a aplicação da tecnologia está prevista para o projeto de um novo prédio que será construído dentro do campus da ETH Zurich, cujas obras devem começar no segundo semestre deste ano. Já está em desenvolvimento mais um robô para agilizar a produção da armadura, além de parcerias com concreteiras suíças para que produzam em grande volume o concreto com as características necessárias para preencher a malha.

Entrevistado
Arquiteto Norman Hack, PhD em fabricação digital pela Future Cities Laboratory of the Singapore-ETH Centre e pelo NCCR Digital Fabrication da ETH Zurich

Contatos
hack@arch.ethz.ch
info@dfab.ch

Crédito Fotos: NFS Digitale Fabrikation

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Conheça as 12 construções mais relevantes de 2017

Museu do Amanhã está na lista por causa das inovações na busca pela sustentabilidade, enquanto a Bélgica é o país com mais obras premiadas

Por: Altair Santos

Varsóvia ganhou o maior complexo corporativo da Polônia e ajudou a revitalizar parte da cidade
Varsóvia ganhou o maior complexo corporativo da Polônia e ajudou a revitalizar parte da cidade

O MIPIM Awards está para a arquitetura e a engenharia como o Festival de Cannes para o cinema. Coincidentemente, o evento anual acontece em Cannes, na França, e premia as melhores construções em 12 categorias: saúde, hotelaria, logística, prédio verde, prédio corporativo, retrofit, prédio residencial, centro comercial, reurbanização, obra futurista, cidade inteligente e prédio público. A premiação de 2017 ocorreu em março, escolhendo obras que foram concluídas em 2016. O Museu do Amanhã, construído na cidade do Rio de Janeiro, ganhou na categoria prédio verde.

O empreendimento concorreu com a sede da Siemens, em Munique; o edifício residencial 119 Ebury Street, em Londres; e a fábrica da Värtan Bioenergy, em Estocolmo. Ganhou por causa das inovações na busca pela sustentabilidade, como os painéis solares que se movem para rastrear o movimento do sol e maximizar a absorção de energia. A coleta de água da chuva para reutilização e a canalização de água da Baía da Guanabara para abastecer o sistema de ar-condicionado do prédio também foram decisivos para a conquista do prêmio. O Museu do Amanhã economiza anualmente 9,6 milhões de litros de água e 2.400 megawatts (MW) de eletricidade - o suficiente para alimentar mais de 1.200 residências -, além de ser o primeiro museu brasileiro a receber a certificação LEED Gold.

Centro de logística na Bélgica tem fachada verde que serpenteia o prédio e ajuda a equalizar a temperatura
Centro de logística na Bélgica tem fachada verde que serpenteia o prédio e ajuda a equalizar a temperatura

Nas categorias saúde, hotel e logística venceram o hospital psiquiátrico de Slagelse, na Dinamarca; o Maison Albar Hotel Paris Céline, que preservou uma casa de 1866, e o centro de logística da Nike, na Bélgica, cuja principal característica é uma fachada verde com comprimento de 1.300 metros, e que serpenteia a frente do prédio. Por dentro da estrutura passam os dutos do sistema de ar-condicionado do prédio, permitindo que a água irrigue as plantas e, ao mesmo tempo, mantenha equalizada a temperatura do edifício.

Revitalização de áreas abandonadas
A Polônia também foi contemplada com o MIPIM Awards, por causa do Varsóvia Spire, maior complexo de edificações corporativas do país. A obra foi premiada pela arquitetura - são três torres, uma com 220 metros e outras duas com 55 metros cada uma - e pela transformação que causou no centro de Varsóvia. Uma praça entre os três edifícios, com bares, restaurantes e lojas, modernizou a região. Impacto semelhante causou a revitalização de um conjunto de prédios no chamado centro velho de Bruxelas, na Bélgica. Os prédios dos anos 1960 eram repartições públicas do governo belga e foram transformadas em 134 modernos escritórios.

Museu do Amanhã: prédio economiza 9,6 milhões de litros de água e 2.400 megawatts (MW) anualmente
Museu do Amanhã: prédio economiza 9,6 milhões de litros de água e 2.400 megawatts (MW) anualmente

A Bélgica foi o país mais premiado. Ganhou três MIPIM Awards, incluindo o de reurbanização. A obra ocorreu em um espaço de 100 mil m² na região de Flandres, antes ocupado por uma mina de carvão, e que foi transformado em um complexo de edifícios residenciais e centro comercial. Já o prêmio de prédio residencial ficou com a SmartHoming GmbH. Trata-se de seis edifícios na região metropolitana de Berlim, que se aproveitam de várias tecnologias de sustentabilidade. Além disso, carros são proibidos de circular no condomínio. Completam a série de 12 premiações, o centro comercial Victoria Gate, em Leeds, na Inglaterra; o projeto futurista do World Trade Center chinês, em Pequim, e a Biblioteca Estadual de Beyazit, na Turquia.

 

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Entrevistado
Comitê organizador do MIPIM Awards (via assessoria de comunicação)

Contato
mipim@ing-media.com

Crédito Fotos: Divulgação

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Tecnologia 3D permite construir casa em 24 horas

Obra foi projetada para suportar baixíssimas temperaturas. Por isso, utiliza várias tecnologias voltadas à obtenção de desempenho térmico

Por: Altair Santos

Impressora 3D precisou ser coberta por uma estufa para operar sob baixíssimas temperaturas
Impressora 3D precisou ser coberta por uma estufa para operar sob baixíssimas temperaturas

A tecnologia de impressão em 3D permitiu construir uma casa com paredes 100% de concreto, cuja estrutura foi projetada para ter vida útil de 175 anos. Com área útil de 40 m², a residência está em uma das regiões mais frias da Rússia, para que o desempenho de suas paredes seja testado ao máximo. O projeto é da Apis Cor, uma startup da construção civil localizada em São Francisco, nos Estados Unidos. O custo da estrutura em concreto não ultrapassou US$ 10 mil (cerca de R$ 33 mil), garante a empresa.

Os projetistas optaram por “imprimir” as paredes durante o inverno russo para testar componentes da impressora e as características da argamassa de cimento usada na construção das paredes. Concluíram que só é possível a impressão com temperaturas acima de 5 °C. Por isso, foi preciso cobrir o canteiro de obras com uma estufa para permitir que o maquinário operasse em temperatura ambiente de 15 °C. Segundo os engenheiros da Apis Cor, o próximo passo será desenvolver uma argamassa de cimento que possa ser usada em baixas temperaturas.

 

Casa usou as mais avançadas tecnologias de desempenho térmico em seus revestimentos
Casa usou as mais avançadas tecnologias de desempenho térmico em seus revestimentos

Depois da impressão, que durou 24 horas, uma equipe de sete operários atuou nas instalações de revestimentos, janelas, portas, telhado e acabamento da casa. O custo final chegou a US$ 45 mil (perto de R$ 150 mil). A casa tem um projeto arquitetônico que lembra o desenho de uma rosa-dos-ventos. Para imprimi-la, o equipamento foi projetado em formato de grua, a fim de que pudesse operar em um raio de 360°. O formato também ajudou na remoção da impressora, que foi retirada com um guincho, antes da instalação do telhado.

A cobertura da casa é plana e foi projetada com o propósito de testar a eficácia da estrutura para suportar grandes cargas de neve. Também não foram poupadas tecnologias para o acabamento interno da casa. No contrapiso, houve o uso de membranas de polímero, por causa do alto potencial de isolamento térmico. Sobre ele, um piso vinílico reforça a capacidade de resistência às baixas temperaturas.

Protótipo

Interior da casa mantém microclima, independentemente da temperatura externa
Interior da casa mantém microclima, independentemente da temperatura externa

A impressora 3D construiu paredes ocas para que elas pudessem ser preenchidas com poliuretano líquido. A tecnologia completa todos os vazios e ajuda a criar um microclima confortável na casa. No futuro, os projetistas avaliam que a evolução da impressora permitirá que esse preenchimento seja realizado simultaneamente com a construção das paredes. Por fim, foi usado reboco de alta aderência e permeabilidade, com o objetivo de evitar fungos e penetração de umidade.

Para revestir as paredes internas foi utilizado um tipo de argamassa composta por gesso, cimento branco e pó de mármore. O material potencializa o isolamento térmico do interior da casa. Além disso, houve a aplicação de uma tinta especial, resistente a severas condições meteorológicas. O mesmo critério foi usado na escolha das esquadrias e vidros das janelas. Os equipamentos têm painéis duplos para atingir altos níveis de isolamento e permeabilidade à luz, sem, porém, permitir a incidência de raios ultravioleta. Os idealizadores do projeto lembram que a casa é um protótipo, mas que, com os avanços tecnológicos, poderá ter condições de ser oferecida no mercado em um prazo máximo de cinco anos.

Veja como foi construída a casa:

Entrevistado
Apis Cor, startup norte-americana da construção civil (via assessoria de imprensa)

Contatos
press@apis-cor.com
www.apis-cor.com

Crédito Fotos: Apis Cor

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