Gestão das rodovias privatizadas vai além do pedágio

Manutenção de milhares de quilômetros exige planejamento e obediência às normas e parâmetros já consolidados para esse tipo de trabalho

Por: Altair Santos

Diretor de engenharia da Engelog - empresa do grupo CCR -, o engenheiro civil Luiz Felipe Alves palestrou, em recente web seminário, sobre como uma concessionária de rodovias no Brasil opera para fazer a logística das estradas. No caso da CCR, o monitoramento e a manutenção de rodovias envolvem 52,5 milhões de m2 de pavimento, 1.596 estruturas de concreto e 9.275 obras de arte. “O controle é feito com base em normas, parâmetros e estudos já consolidados para esse tipo de trabalho, e que engloba um grande número de profissionais”, diz Luiz Felipe Alves.

Obras em rodovias dependem de logística criteriosa para que o tráfego de veículos não seja interrompido
Obras em rodovias dependem de logística criteriosa para que o tráfego de veículos não seja interrompido

Atualmente, a CCR detém a concessão de 2.904 quilômetros de rodovias. Segundo Luiz Felipe Alvez, dependendo do tamanho da intervenção que uma estrada irá sofrer - instalação de uma ponte, de um viaduto ou a duplicação de um trecho -, o trabalho de logística e de planejamento pode começar até cinco anos antes. “O prazo longo permite fazer toda a gestão perante as agências reguladoras, assim como a gestão de processos de licença ambiental, para que o projeto não sofra interferência quando for dado o start da obra. A ação tem que ser altamente precisa, para não impactar no tráfego diário de veículos”, explica.

Além do trabalho de manutenção e de melhoria das estradas, a concessionária é responsável também por licenciar todos os serviços terceirizados que queiram se instalar às margens de uma rodovia. Isso envolve desde a definição do local para determinado serviço até o apoio de engenharia para o empreendimento, como a definição de acessos e saídas que se conectem com a estrada. A gestão também ocorre quando a rodovia faz parte do trajeto de alguma carga especial. “Neste caso, é feito um estudo prévio sobre o impacto da carga na rodovia e qual o melhor horário para ela trafegar, a fim de que não prejudique o fluxo dos outros veículos”, diz Luiz Felipe Alvez.

Pesquisa de pavimentos
O engenheiro civil relata ainda que é uma preocupação constante de sua área de atuação estar atento a sinistros que acontecem nas rodovias, como desmoronamentos de encostas, deterioração da pista por causa de enchentes ou enxurradas, assim como danos a obras de arte, seja por causa de acidentes ou por fenômenos da natureza. Por isso, relata Luiz Felipe Alvez, a Engelog está envolvida também com a pesquisa na área de pavimentos e tipos de concreto que ajudem a melhorar a resistência das estradas que estão sob seus cuidados. “A busca por soluções otimizadas de engenharia é uma constante em nosso trabalho. Por isso, temos um acervo técnico bem constituído, para que ele abasteça as pesquisas que desenvolvemos”, afirma.

Para fazer o monitoramento das rodovias, assim como a elaboração de projetos e o desenvolvimento tecnológico de pavimentos e obras de arte, a concessionária envolve 217 engenheiros e 232 profissionais de nível técnico. Toda essa operação já consumiu R$ 191,7 milhões, desde que a CCR passou a fazer a gestão de rodovias. O gasto maior - seja de recursos quanto de tempo -, revela Luiz Felipe Alvez, se dá na fase de concepção e detalhamento do projeto, o que levou a concessionária a adotar a ferramenta BIM. “É a etapa em que a competência e o conhecimento podem influenciar nas mudanças. A partir do momento em que se entra na fase de licitação, contratação e construção, as dificuldades para implantar mudanças são maiores”, conclui.

Clique aqui e assista ao web seminário Gestão de projetos na engenharia rodoviária

Entrevistado
Engenheiro civil Luiz Felipe Alvez, diretor de engenharia da Engelog, empresa do grupo CCR (com base no web seminário “Gestão de projetos na engenharia rodoviária”)

Contato
contato.imprensa@grupoccr.com.br

Crédito Foto: CCR

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Segundo pesquisa, mulher qualifica indústria do concreto

Por outro lado, estudo apresentado nos Estados Unidos mostra também que a mão de obra feminina encontra dificuldades para atuar no setor

Por: Altair Santos

Mulheres que atuam na indústria norte-americana do concreto criaram em 2005 a Aliança das Mulheres que trabalham com Concreto (WICA – Women in Concrete Alliance). Há 12 anos, elas vêm realizando ações para aumentar o espaço do sexo feminino no setor. O grupo, fundado pelas engenheiras civis Kimberly Kayler e Kari Moosmann, ganhou o apoio do Instituto Americano de Concreto (ACI) e também vem marcando presença em vários eventos que ocorrem em outros países, a fim de disseminar seus conceitos.

Diretoria da Women in Concrete Alliance (WICA): elas se unem para ganhar mercado nos EUA
Diretoria da Women in Concrete Alliance (WICA): elas se unem para ganhar mercado nos EUA

No entanto, apesar dos esforços, recente pesquisa revelada pela WICA mostra que a resistência à mulher ainda persiste. O estudo mostra que, mesmo mais qualificadas, as mulheres que se candidatam a vagas na indústria do concreto perdem a disputa para homens que têm até 80% menos especialização. O levantamento revela ainda que os salários das mulheres que trabalham neste setor são, em média, 20% menores, mesmo com elas ocupando a mesma função que homens.

Por outro lado, a mão de obra feminina que consegue superar as barreiras se mantém por mais tempo no mesmo trabalho. A média dos homens é de cinco anos por empresa, enquanto as mulheres ficam até quinze anos na mesma companhia. Segundo Kimberly Kayler, o cenário tende a mudar nos próximos anos, por um único motivo: o volume de mulheres que estão nas universidades norte-americanas cursando engenharia civil já supera o de homens. “Estimo que em dez anos a indústria do concreto será obrigada a contratar mulheres. Mas por que não fazer isso agora?”, questiona.

O estudo teve a coordenação de Sefla Fuhrman, doutora em engenharia civil pela Universidade de Nova Orleans, e foi divulgada pela WICA e pela ACI. “Me especializei na aplicação do concreto na paisagem urbana. O material agregou muita tecnologia, mas a indústria ainda resiste a contratar mulheres. Acho que poderíamos ajudar na questão da sustentabilidade do concreto”, avalia a autora da pesquisa.

Diante dos resultados do estudo, Mike Schneider, presidente da ACI, propôs que o Instituto Americano de Concreto se empenhe em criar um programa que incentive a contratação da mão de obra feminina na indústria norte-americana do concreto. "Compete ao setor ter mais diversidade e inclusão em nossa força de trabalho. Ao fazer isso, teremos um suprimento adequado de profissionais e comerciantes para apoiar a demanda da indústria. Atrair mais mulheres para a indústria é uma solução possível", afirmou.

No Brasil

Mulheres que atuam na indústria do concreto ganham 20% a menos nos EUA, mesmo ocupando a mesma função que os homens
Mulheres que atuam na indústria do concreto ganham 20% a menos nos EUA, mesmo ocupando a mesma função que os homens

No Brasil, não existe estudo que abranja o tema mulher na indústria do concreto. O que há são programas que procuram qualificar a mão de obra feminina para atuar na construção civil. Um deles é desenvolvido por alunos da USP, no campus de São Carlos-SP, e que promove a ação empreendedora de mulheres para atuarem em serviços elétricos, hidráulicos, civis e de marcenaria.

A USP integra o programa Enactus, que fomenta o empreendedorismo social dentro das universidades e está presente em 36 países e em mais de 1.700 instituições de ensino. No Brasil, atua desde 1998 e engloba 84 universidades. Nestes quase 20 anos, já foram impactadas mais de dez mil mulheres. O programa, atualmente, envolve mais de dois mil estudantes e cem professores.

 

 

 

Entrevistado
Women in Concrete Alliance (WICA) (via assessorial de imprensa da ACI)

Contatos
kkayler@constructivecommunication.com
kmoosmann@constructivecommunication.com
www.womeninconcretealliance.org

Crédito Fotos: ACI e Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Concreto substitui o aço em grandes vãos de cobertura

Utilização de elementos protendidos, que seguem rigorosos critérios de fabricação, permite que a BPM Pré-Moldados cresça neste mercado

Por: Altair Santos

Vigas de concreto protendido para coberturas industriais: tecnologia permite que substituam o aço para atender grandes vãos
Vigas de concreto protendido para coberturas industriais: tecnologia permite que substituam o aço para atender grandes vãos

O emprego da tecnologia do concreto na construção industrializada já permite produzir elementos estruturais, como vigas de cobertura, capazes de atender vãos de até 30 metros. Para o engenheiro civil Nivaldo de Loyola Richter, da BPM Pré-Moldados, isso se deve à evolução das características de resistência e às novas possibilidades de moldagem do concreto de alto desempenho. “O desenvolvimento do concreto permite que o material seja matéria-prima para elementos estruturais que até pouco tempo estavam restritos a peças em aço”, destaca.

A aplicação de elementos protendidos como solução para sistemas de cobertura de grandes áreas tem se revelado também uma vantagem técnica e econômica, principalmente para layouts de prédios industriais e comerciais. “A possibilidade de dispor de áreas com modulação de 25x20 m, com utilização de vigas de transição de 20 metros, podendo chegar até uma modulação de 30x24 m, torna possível o atendimento da maioria das necessidades exigidas para edificações industriais e comerciais, ou seja, é possível cobrir áreas com até 720 m2 com a presença de apenas um pilar”, assegura Nivaldo de Loyola Richter.

Além de mais econômica que as estruturas metálicas, o uso de peças de concreto pré-moldado para a cobertura de grandes vãos também torna as construções mais resistentes a meios agressivos. A razão, segundo explica o sócio-fundador da BPM Pré-Moldados, está na tecnologia empregada na fabricação dos elementos. “Como são todos protendidos, não existe risco de fissuração, pois estão sempre comprimidos”, relata Nivaldo Richter.

Custo-benefício

Elementos fabricados pela BPM Pré-Moldados passam por rigorosos processos de controle antes de irem para o mercado
Elementos fabricados pela BPM Pré-Moldados passam por rigorosos processos de controle antes de irem para o mercado

Entre esses elementos, destacam-se as terças tubulares protendidas, com seção simétrica nos dois eixos transversais, as quais passam por rigoroso controle das características e de deformação do concreto. “A constante busca de melhoria em novas tecnologias, tanto de projetos quanto de processos de industrialização, possibilita à BPM dispor destes produtos diferenciados no mercado”, destaca o engenheiro civil.

Nivaldo Richter reforça ainda que, além do emprego da tecnologia, é preciso manter o foco na segurança, na durabilidade e no respeito às normas técnicas. “Optar por soluções que não sigam esses três pilares pode até aparentar vantagem inicial, porém a análise de custo-benefício, quando realizada com critério, mostra que essa é uma escolha errada, pois o custo-benefício precisa avaliar a economia e as vantagens geradas ao longo do tempo”, frisa o engenheiro, que costuma transmitir seus mais de 30 anos de experiência em palestras onde aborda a evolução das estruturas de concreto.

 

Nivaldo Richter: seus mais de 30 anos de conhecimento costumam ser transmitidos em palestras
Nivaldo Richter: seus mais de 30 anos de conhecimento costumam ser transmitidos em palestras

Entrevistado
Engenheiro civil Nivaldo de Loyola Richter, sócio-fundador da BPM Pré-Moldados, integrante da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada do Concreto) e membro da IPHA (International Prestressed Hollowcore Association)

Contato
bpm@bpm.com.br

Crédito Fotos: BPM Pré-Moldados

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Competitividade internacional do Brasil virá de trem

Para melhorar principalmente o escoamento da produção de grãos, país precisou investir R$ 25 bilhões na reestruturação de sua malha ferroviária

Por: Altair Santos

Professora-doutora da Escola Politécnica da USP, Liedi Legi Bariani Bernucci é especialista em infraestrutura de transportes e aponta que o Brasil só conseguirá ter competitividade internacional se consolidar sua malha ferroviária. Ela lembra que a opção pelo modal rodoviário foi um erro estratégico, com o qual o país convive desde os anos 1950. “Parar de investir em ferrovias prejudicou também o sistema rodoviário nacional”, diz a especialista.

Nos anos 1950, Brasil tinha quase 7 mil quilômetros a mais de ferrovias do que existem atualmente
Nos anos 1950, Brasil tinha quase 7 mil quilômetros a mais de ferrovias do que existem atualmente

Para ela, os investimentos devem priorizar o escoamento de grãos dos estados com grande produção agrícola para os portos. Liedi Legi Bariani Bernucci destaca quatro ferrovias que precisam não apenas ser finalizadas, mas interligadas. São a Norte-Sul, a transnordestina, a FICO (Ferrovia de Integração do Centro-Oeste) e a FerroGrão, entre Sinop-MT e Marituba-PA. Na avaliação da professora da USP, a conclusão dessas obras só se viabiliza se houver investimento privado.

A especialista entende que, apesar do grande aporte de investimento em obras, os recursos destinados para a reestruturação da malha ferroviária nacional vão gerar economia ao país. “São investimentos de bilhões de reais, mas que também trarão economia de bilhões de reais”, diz. De acordo com Liedi Legi Bariani Bernucci, a economia virá através da redução da perda de grãos e na conservação das rodovias, já que o impacto dos veículos pesados sobre as estradas irá diminuir.

De acordo com dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT), a má qualidade do pavimento das rodovias brasileiras impõe perda anual de R$ 3,8 bilhões ao transporte de cargas no Brasil. “É preciso atacar isso, pois não adianta ter eficiência na produção agrícola se não existe uma forma de transporte que seja eficiente e minimize perdas”, alerta a professora da Escola Politécnica da USP.

Mais capacidade de transporte
Levantamento da Associação Nacional dos Transportes Ferroviários (ANTT) revela que a extensão e a modernização da malha ferroviária nacional precisam de investimentos na ordem de R$ 25 bilhões. São recursos que vão aumentar o potencial de transporte do país e permitir que o volume de cargas cresça 32% em dez anos. O estudo da ANTT avalia que o Brasil irá aumentar em 430 bilhões a capacidade de toneladas transportadas por quilômetro útil (TKU) com o aprimoramento e a ampliação de suas ferrovias.

Segundo Liedi Legi Bariani Bernucci, o aumento da competitividade e o retorno financeiro que as ferrovias podem trazer aos investidores dificilmente deixarão de atrair capital estrangeiro. “O montante de dinheiro é expressivo e é necessário atrair investidores privados, pois até as ferrovias que estão prontas precisam se modernizar. Carajás, por exemplo, carece de duplicação”, diz.

A professora da USP alerta ainda que o país deveria priorizar o transporte ferroviário de grãos, para depois investir em ferrovias que atendam a produção de minérios, petróleo e cana de açúcar. “A produção de grãos é o grande mercado brasileiro hoje. E ela só tende a crescer se puder escoar por trilhos, em vez de estradas”, conclui. O país tem atualmente 29.817 quilômetros de ferrovias, contra 36 mil que existiam na década de 1950. Os Estados Unidos são líderes mundiais neste modal, com 226.427 quilômetros.

Clique aqui e ouça a entrevista da professora-doutora Liedi Legi Bariani Bernucci

Entrevistados
- Engenheira civil e professora-doutora da Escola Politécnica da USP, Liedi Legi Bariani Bernucci (base em entrevista à rádio USP)
- Associação Nacional dos Transportes Ferroviários (ANTT) (via assessoria de imprensa)

Contatos
liedi.bernucci@gmail.com
ascom@antt.gov.br

Crédito Foto: Flickr

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Perto dos 160 anos, torre do Big Ben passa por retrofit

Elizabeth Tower precisa sofrer reparos em sua estrutura, a fim de que possa suportar as 14 toneladas do relógio mais famoso do mundo

Por: Altair Santos

Big Ben: torre que abriga o relógio mais famoso do mundo ficará três anos em reforma
Big Ben: torre que abriga o relógio mais famoso do mundo ficará três anos em reforma

Inaugurado em 1858, a torre que abriga o relógio mais famoso do mundo – o Big Ben – ficará três anos sem receber visitas. Oficialmente chamada de Elizabeth Tower, a edificação passará por reformas em sua estrutura e na fachada, além de ganhar elementos que vão melhorar a mobilidade para receber os milhares de turistas que a visitam anualmente, e também dos que trabalham na manutenção do relógio. Uma das novidades será a implantação de um elevador. O retrofit tem custo estimado em 150 milhões de reais e todo o projeto está a cargo de empresas de arquitetura e de engenharia britânicas.

Um dos reparos mais urgentes está relacionado ao reforço da estrutura de aço que sustenta o relógio. O equipamento pesa quase 14 toneladas e inspeções detectaram rachaduras e até uma pequena inclinação, o que compromete uma das qualidades do Big Ben: a precisão. Por isso, projetistas avaliam envolver o relógio em uma armadura de concreto. Para que isso ocorra, primeiro é necessário tratar das patologias que afetam a torre. Entre elas, rachaduras e fissuras, além do prédio carecer de reforços em seus pilares.

Antes das obras começarem, um aparato de andaimes foi instalado em volta da torre para escorá-la e também para permitir o acesso dos operários aos vários pontos que terão de ser reformados. Outra preocupação é com os sinos que compõem o Big Ben. Estudo da Universidade de Leicester, cujo departamento de engenharia civil presta assessoria técnica para a reforma, aconselhou que os sinos não sejam retirados, sob o risco de que eles possam não emitir mais o mesmo som de antes.

Instalação de andaimes marca início das obras na Elizabeth Tower
Instalação de andaimes marca início das obras na Elizabeth Tower

Martin Cockrill, técnico do departamento de engenharia da Universidade de Leicester, que lidera a equipe que assessora a reforma da Elizabeth Tower, também orienta sobre a recuperação do campanário do prédio, a fim de que não seja afetada a sonoridade do sino. Segundo ele, haverá a colocação de sensores nas paredes, a fim de que o espaço mantenha o mesmo desempenho acústico. “O objetivo é fazer tudo para preservar o som do conjunto de sinos”, diz.

Símbolo mundial
As reformas na Elizabeth Tower começaram em 2 de março de 2017. Além das obras estruturais, a torre ganhará equipamentos para prevenção de incêndio. Com o objetivo de poupar a escadaria em espiral de 334 degraus, também será instalado um elevador de serviço para atender as equipes de manutenção do relógio, que diariamente precisavam subir e descer a escada. No entanto, os turistas terão que continuar encarando os 334 degraus, já que é uma espécie de ritual para quem visita o Big Ben, em Londres.

Estrutura de aço que suporta o relógio apresenta problemas e alvenaria do prédio também vai precisa tratar patologias
Estrutura de aço que suporta o relógio apresenta problemas e alvenaria do prédio também vai precisa tratar patologias

A última grande reforma pela qual passou a Elizabeth Tower foi entre 1983 e 1985. “As propostas atuais abordarão uma manutenção mais minuciosa, pois teremos a tecnologia da construção a serviço da obra”, afirma Martin Cockrill. Já Tom Brake, porta-voz da comissão da Câmara dos Comuns, que autorizou o orçamento para a reforma, justifica o gasto, garantindo que é uma obrigação governamental assegurar que as “futuras gerações tenham a Elizabeth Tower preservada”. “Não estamos falando apenas de um símbolo britânico, mas mundial”, reitera. A Elizabeth Tower faz parte do complexo do Palácio de Westminster, que abriga o parlamento do Reino Unido.

Entrevistado
Assessoria de comunicação do parlamento do Reino Unido

Contato
HOCMediaCorporate@parliament.uk

Crédito Fotos: UK Parliament

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Para indústria química do concreto não existe crise

Em 2016, setor cresceu 1,4% e movimentou R$ 350 bilhões, puxado por produtos voltados para melhorar a produtividade na construção civil

Por: Altair Santos

A química está cada vez mais presente nos canteiros de obra. Em destaque, os hiperplastificantes utilizados na produção de concreto, e que melhoram a hidratação, aceleram a cura, ajudam o material a emitir menos CO2 e reduzem o consumo de água em até 40%, em relação aos processos convencionais. Esses produtos lideram o segmento da indústria química voltado para a construção civil, o qual fez o setor crescer 1,4% em 2016, com faturamento de US$ 113,5 bilhões (perto de R$ 350 bilhões) segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

Outra prova da relevância da construção civil para a indústria química é o crescimento da participação de grandes players do segmento no setor de obras. “A indústria química desempenha papel importante na formulação e na produção de matéria-prima utilizada na construção civil. Os produtos agregam qualidade e ganho de tempo na execução de obras, gerando alternativas mais sustentáveis”, afirma o diretor do portfólio de Infraestrutura da UBM Brazil, Renan Joel.

Além da participação das indústrias, o universo acadêmico no Brasil tem sido pró-ativo em pesquisas de produtos que ajudem a construção civil a produzir obras menos agressivas ao meio ambiente. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), Aldo Zarbin, as universidades brasileiras produzem 2% de todos os estudos envolvendo ciência química no mundo, o que coloca o Brasil em 15º no ranking das nações que mais publicam artigos acadêmicos. “No país, o número de publicações na área química cresce mais que a média mundial. Temos a oitava maior indústria química do mundo e a construção civil é um dos setores que mais atrai pesquisas”, diz Zarbin.

Espaço para crescer mais
O aprimoramento da indústria química voltada para a cadeia produtiva da construção torna cada vez mais crescente o uso de argamassas industrializadas, assim como estimula a construção industrializada do concreto. A ponto de as principais marcas internacionais da indústria química apontarem o Brasil como um dos mais promissores mercados mundiais nos próximos dez anos. “Observamos uma grande transformação no mercado de químicos para a construção, sobretudo nos segmentos de argamassa, pré-moldados de concreto e gesso. Hoje, os fabricantes oferecem produtos com valor agregado muito maior que anos atrás e o número de empresas aumentou exponencialmente”, destaca Leonardo Dias, gerente-geral de um dos players do setor.

O engenheiro químico Danilo Silva, especialista em sistemas construtivos, avalia que há mais espaço para crescer, pois a construção residencial ainda usa pouco o concreto usinado. “No setor habitacional, ainda existe um déficit habitacional significativo e uma infraestrutura precária, que precisa ser desenvolvida. O percentual de consumo de concreto dosado em central utilizado nas construções residenciais ainda é muito baixo. Predomina a cultura da autoconstrução, com o concreto produzido em obra e sem uso de aditivos. Porém, essa tendência começa a ser revertida aos poucos”, diz.

Entrevistado
Reportagem com base no estudo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) (via assessoria de imprensa)

Contato
abiquim@abiquim.org.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Concretos das cidades servem de filtro contra poluentes

Estudo desenvolvido nos Estados Unidos e Cingapura mostra que material presente nas construções das metrópoles absorve dióxido de enxofre

Por: Altair Santos

Pesquisadores da Stony Brook University, nos Estados Unidos, e da Universidade Nacional de Cingapura descobriram que o concreto presente nas cidades, seja em prédios, pavimentos, viadutos, pontes e outras obras, funciona como esponja, absorvendo um dos poluentes mais nocivos à vida: o dióxido de enxofre (SO2). O gás é expelido desde erupções vulcânicas até fermentações alcoólicas. Nas metrópoles, a queima de combustíveis pelos veículos automotores também despeja um grande volume de SO2 na atmosfera. Além disso, o dióxido de enxofre é um dos causadores da chuva ácida.

Concreto das edificações funciona como esponja para aprisionar poluentes, revela pesquisa
Concreto das edificações funciona como esponja para aprisionar poluentes, revela pesquisa

Segundo os pesquisadores, a descoberta de que o concreto pode absorver o gás poluente tende a mudar o preconceito ambiental contra resíduos do material, permitindo que os descartes de obras deixem de ser vistos como vilões, desde que bem aproveitados. “Nossas descobertas abrem a possibilidade para que os resíduos de concreto provenientes de demolições da construção possam ampliar esse efeito-esponja”, diz Alex Orlov, professor-associado de ciência de materiais e engenharia química na Faculdade de Engenharia e Ciências Aplicadas na Stony Brook University, e um dos coordenadores da pesquisa.

O estudo detectou que quanto mais novo o concreto mais ele tem capacidade de absorver poluentes, principalmente o SO2. “Isso reforça a necessidade de reciclagem do material. Mas o mais importante é que descobrimos soluções ambientais em um produto antes apenas tachado de poluidor”, ressalta Orlov. “Isso pode levar a um novo pensamento dentro das cidades”, completa. Na pesquisa desenvolvida pelas universidades dos EUA e da Cingapura foram testados vários tipos de concreto para ver qual conseguiria os maiores níveis de absorção do dióxido de enxofre. A conclusão foi que todos mantiveram desempenhos semelhantes.

Organização Mundial de Saúde
O resultado do estudo foi publicado no Journal of Chemical Engineering, com o seguinte título original: “Reactions of SO2 on hydrated cement particle system for atmospheric pollution reduction: A DRIFTS and XANES study”. A Stony Brook University e a Universidade Nacional de Cingapura polarizaram a pesquisa por possuírem laboratórios de luz síncrotron. As instituições acadêmicas também integram programas da Organização Mundial de Saúde com foco na busca de soluções para o combate à poluição nos centros urbanos. Segundo a OMS, sete milhões de mortes prematuras em todo o mundo podem estar ligadas à má qualidade do ar nas cidades.

A pesquisa concluiu ainda que concretos aparentes desempenham melhor a função esponja do que concretos cobertos por algum tipo de revestimento. Diante desta observação, o coordenador do estudo avalia que vias com pavimento rígido e edifícios com fachadas brutalistas são mais eficazes. “O concreto revestido também cumpre essa função de absorver poluentes, mas em menor grau”, adverte Alex Orlov. Os resultados do estudo ainda podem ser aprofundados, pois as primeiras impressões foram publicadas na edição de 1º de julho de 2017 no Journal of Chemical Engineering.

Clique aqui e saiba mais sobre a pesquisa.

Entrevistado
Alex Orlov, professor-associado de ciência de materiais e engenharia química na Faculdade de Engenharia e Ciências Aplicadas na Stony Brook University

Contato
alexander.orlov@stonybrook.edu

Crédito Foto: Wikipedia

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Construsul realiza fórum sobre inovações na construção

Temas que envolvem impressão 3D, realidade aumentada e produção de concreto cicatrizante 100% nacional foram mostrados na feira

Por: Altair Santos

Experiência com concreto cicatrizante no itt Performance, da Unisinos: inovação 100% nacional
Experiência com concreto cicatrizante no itt Performance, da Unisinos: inovação 100% nacional

O 5º Seminário de Inovação e Tecnologia da Construção (ITCon) foi um dos destaques da feira Construsul, que acontece anualmente em Novo Hamburgo-RS. Pesquisadores do itt Performance, da Unisinos, e da Feevale, selecionaram para o evento temas que envolvem inovações na construção civil, como impressão 3D, aplicação da realidade aumentada na arquitetura e na engenharia e novas tecnologias aplicadas ao concreto, como o desenvolvimento do primeiro material cicatrizante 100% nacional, em pesquisa no itt.

O ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) já desenvolve estudo semelhante, mas empresta metodologia aplicada fora do país, principalmente nas universidades de Delft, na Holanda, e Gante, na Bélgica. Recentemente, outros grupos de estudo passaram a pesquisar a aplicabilidade do concreto cicatrizante no Brasil. Entre eles, pesquisadores da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e da USP (Universidade de São Paulo). No itt Performance, quem está à frente dos trabalhos é a engenheira civil Fernanda Pacheco. Na entrevista a seguir, ela revela em que nível encontra-se a pesquisa:

 

Seminários apresentados na 20ª edição da Construsul mostraram avanços tecnológicos da construção civil
Seminários apresentados na 20ª edição da Construsul mostraram avanços tecnológicos da construção civil

Recentemente, dentro do 5º Seminário de Tecnologia e Inovação na Construção Civil, realizado na feira Construsul, a senhora palestrou sobre a pesquisa de concreto cicatrizante dentro do itt Performance. Como estão os estudos?
O itt Performance está lançando uma linha de pesquisa que abordará a confiabilidade dos mecanismos de autoregeneração do concreto. A pesquisa, com duração de pelo menos três anos, busca avaliar quais mecanismos têm maior propensão a resistir às agressividades nas estruturas de concreto armado.

Desde quando o itt Performance pesquisa concreto cicatrizante, e em que nível se encontra a pesquisa?
Está iniciando, e ela se encontra na fase de estruturação do plano de pesquisa.

As primeiras aplicações práticas devem ocorrer quando?
Esperamos que em seis meses possamos aplicar e avaliar a confiabilidade do produto.

No ITA, o engenheiro civil Emilio Minoru Takagi também desenvolve concreto cicatrizante. Há alguma diferença entre as duas pesquisas?
O engenheiro civil Emilio Takagi avalia o uso de aditivos cristalizantes. Também temos este objetivo, porém envolvendo ainda outros métodos e o nível de confiabilidade de todos eles.

Pesquisadora Fernanda Pacheco: concretos cicatrizantes são recomendados para ambientes agressivos
Pesquisadora Fernanda Pacheco: concretos cicatrizantes são recomendados para ambientes agressivos

No Brasil, os estudos sobre concreto cicatrizante estão em que estágio, comparativamente ao que é pesquisado fora do país?
No Brasil, existem núcleos de pesquisa avaliando as técnicas de reparo com os materiais nacionais. Em países como a Holanda, essas pesquisas são realizadas há mais de 10 anos. Assim, já foram identificadas lacunas como o elevado custo do nutriente das bactérias, por exemplo, o que tem sido contornado. Além disso, na Holanda a linha de pesquisa não envolve apenas materiais cimentícios, mas também polímeros.

Em que tipo de obra é mais recomendado o uso de concreto cicatrizante?
Todas as obras são sujeitas à fissuração, uma vez que tal dano tem inúmeras causas. Assim, é interessante utilizar a técnica em locais onde o ambiente é mais agressivo, como em grandes centros urbanos, áreas industriais ou zonas litorâneas.

Comparativamente ao concreto convencional, o metro cúbico do concreto cicatrizante pode ser quanto mais caro?
Não é necessariamente mais caro, pois o próprio cimento ou até mesmo pozolanas podem exercer a função de autocicatrização. Tais materiais já são empregados nos concretos. Por outro lado, se forem utilizados aditivos químicos ou soluções bacteriais, aí sim estaremos aumentando o valor do material.

Na Linha 4 do metrô da cidade do Rio de Janeiro foi usado concreto autocicatrizante (CAC). Autocicatrizante e cicatrizante são o mesmo material?
Na realidade, cicatrizante é o nome dado ao material que consegue reparar um dano em um elemento. Já a autocicatrização é quando o próprio material tem o poder de reparar seu dano, seja por meio de compostos adicionados ao concreto, para cumprir essa finalidade, ou através de materiais inerentes à composição do concreto, mas que também possuem tal capacidade.

Saiba mais sobre concretos cicatrizantes e autocicatrizantes:
http://www.cimentoitambe.com.br/concreto-de-pos-reativos-unisinos/
http://www.cimentoitambe.com.br/brasil-concreto-cicatrizante/

Entrevistada
Engenheira civil Fernanda Pacheco, graduada pela Unisinos e que atualmente é analista de projetos do itt Performance (Instituto tecnológico em desempenho e construção civil da UNISINOS [Universidade do Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul]).

Contato
imprensa@unisinos.br

Crédito Fotos: Aline Spassini/Unisinos, Construsul e itt Performance

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Fumaça das termelétricas ajuda a produzir cimento

Tecnologia em teste na Califórnia se inspira na natureza para captar dióxido de carbono e transformá-lo em carbonato de cálcio

Por: Altair Santos

O coprocessamento de resíduos pela indústria do cimento está dando mais um passo no combate à emissão de CO2 na atmosfera. Nos Estados Unidos, onde existem 2.775 usinas termelétricas a gás e a carvão em atividade, uma experiência na Califórnia pode ajudar a diminuir sensivelmente a liberação de dióxido de carbono - considerado o principal causador do efeito estufa.

Concreto pode se tornar aliado do meio ambiente, ao usar carbonato de cálcio a partir do CO2
Concreto pode se tornar aliado do meio ambiente, ao usar carbonato de cálcio a partir do CO2

A Calera - empresa californiana que pesquisa tecnologias para o reúso do carbono - assegura que está conseguindo retirar até 90% do CO2 da fumaça emitida pela usina Moss Landing, transformando-o em ácido carbônico e depois em carbonato de cálcio (CaCO3). O mineral é matéria-prima para a produção de Cimento Portland. Além da Calera, a Carbon Sciences, também com sede na Califórnia, faz pesquisa semelhante.

O pioneiro é o especialista em biomineralização Brent Constantz, da Universidade de Stanford. “Tudo o que precisamos é de água e poluição", diz. O processo consiste em transformar o CO2 em ácido carbônico H2CO3, utilizando o próprio calor da fumaça para gerar água (H2O). “Da mistura de água com o gás poluente resulta uma lama de carbonato (CO3), que depois é transformada em carbonato de cálcio”, explica Constantz.

O que inspirou a pesquisa foram os corais e as ostras, que produzem recifes e conchas a partir do carbonato de cálcio, retirando o CO2 do mar e ajudando a equilibrar o pH dos oceanos. Brent Constantz chama isso de “biomimética”, ou seja, mimetizar processos químicos que ocorrem na natureza. O pesquisador lembra que a lama de carbonato é misturada à água do mar, rica em cálcio, para que seja extraído o carbonato de cálcio.

Aliança com o meio ambiente
Brent Constantz assegura que sua invenção trará um ganho ambiental significativo para a indústria cimenteira. “Em vez de minerar calcário para extrair a calcita, a fim de produzir Cimento Portland, esse processo pode ser substituído pela retirada de carbonato de cálcio da poluição”, afirma. “Estamos falando da reutilização do carbono de forma produtiva e economicamente sustentável”, completa.

Ainda segundo o pesquisador, sua invenção pode mudar completamente o ambiente construído nas cidades. “Hoje, os arquitetos pensam: como posso minimizar a quantidade de concreto que estou usando no meu projeto? A preocupação deles é reduzir a pegada de carbono tanto quanto possível. Em vez disso, podemos ver o ambiente construído como um lugar para sequestrar dióxido de carbono. O concreto pode se tornar um aliado do meio ambiente”, assegura.

Para Brent Constantz, um dos maiores beneficiados pela sua invenção pode ser o pavimento de concreto. “Em vez do asfalto, que é um grande emissor de CO2, o concreto que utiliza o carbonato de cálcio extraído das usinas retém o dióxido de carbono. Além disso, o custo da produção de concreto também tende a reduzir”, avalia. As pesquisas da Calera começaram em 2008. Já a Carbon Science, que também iniciou seus estudos em 2008, partiu para outra linha de pesquisa. O objetivo é extrair hidrocarbonetos do CO2, para transformá-los em combustível.

Saiba mais sobre a pesquisa de Brent Constantz:

Entrevistado
Brent Constantz, Ph.D em biomineralização, professor-doutor da Universidade de Stanford e CEO da Blue Planet

Contatos
info@blueplanet-ltd.com
www.blueplanet-ltd.com
www.carbonsciences.com

Crédito Foto: Blue Planet

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Construção civil começa a ganhar novos protagonistas

Saem as megaobras e entram projetos como usinas eólicas e fazendas fotovoltaicas, além de investimento em saneamento e aterros sanitários

Por: Altair Santos

Analistas de tendências da construção civil avaliam que, a partir de 2018, o setor terá novos protagonistas. São obras que tendem a atrair maiores volumes de investimentos, e que possuem um perfil bem diferente do que se viu recentemente no Brasil. Saem as refinarias de petróleo e gás, as grandes hidrelétricas, as linhas de metrô, os estádios e os canais de irrigação e entram programas de acesso à água e esgoto, usinas eólicas e fotovoltaicas, aterros sanitários, projetos municipais de mobilidade urbana e ferrovias.

Usina solar Nova Olinda, no Piauí: primeiros painéis fotovoltaicos começam a ser instalados
Usina solar Nova Olinda, no Piauí: primeiros painéis fotovoltaicos começam a ser instalados

Esses investimentos tendem a vir em forma de concessões e PPPs (Parcerias Público-Privadas), o que, na opinião dos especialistas, evitará que as obras corram o risco de serem abandonadas na fase de projeto ou durante a execução. Para o vice-presidente da Sobratema, Mário Humberto Marques, as oportunidades de negócio na área de infraestrutura vão se concentrar mais na esfera municipal. “Além das oportunidades, a vantagem adicional é que existem recursos disponíveis, como é o caso do segmento de saneamento básico, cujo orçamento prevê financiamento até 2030 para que seja zerado o déficit que atinge mais da metade da população do país”, afirma.

O dirigente salienta também que outra área promissora é a de energia eólica, que em 2017 deve fechar com crescimento de 70% em relação a 2016. “A energia fotovoltaica não fica para trás, ou seja, as oportunidades estarão fora do mercado que estamos acostumados a olhar”, ressalta. A prova está no investimento que a italiana Enel está fazendo em Ribeira do Piauí, no Piauí, onde constrói a maior usina de energia solar da América Latina, com capacidade para 292 megawatts/dia e investimento de quase um bilhão de reais.

A usina Nova Olinda fica a 380 quilômetros de Teresina e vai ocupar uma área de 690 hectares. Por ano, poderá gerar mais de 600 GWh - o suficiente para atender 300 mil residências. As obras já estão em andamento e a usina deverá entrar em pleno funcionamento em 2019. Será uma das maiores usinas solares do mundo, com mais de um milhão de painéis fotovoltaicos. "Nova Olinda é um grande desafio que, acreditamos, abrirá caminho para projetos igualmente importantes na América Latina", explica o gerente da usina, Tommaso Quadrini.

Incentivo aos municípios
Outro incentivo recente a novos projetos na construção civil foi dado na primeira quinzena de julho de 2017, quando foi lançado o Programa de Apoio às Concessões Municipais. Trata-se de uma linha de crédito de 11,7 bilhões de reais para que as prefeituras viabilizem, através de PPPs, obras de infraestrutura, como iluminação pública, saneamento e gestão de resíduos sólidos. Apesar do contingenciamento de recursos para cumprir a meta fiscal de 2017, o governo federal garante que esse programa será mantido, com aporte inicial de 180 milhões de reais.

Uma das regiões beneficiadas será liderada pela cidade de Ponta Grossa, no Paraná. Um consórcio de 13 municípios, em parceria com a indústria de papel e celulose Klabin, está construindo um aterro sanitário que deve beneficiar 180 mil pessoas. A obra deve ser inaugurada em 2018, ao custo de 10,5 milhões de reais.

Entrevistados
- Engenheiro mecânico Mário Humberto Marques, vice-presidente da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração) (via assessoria de imprensa)
- Frente Nacional de Prefeitos (via assessoria de imprensa)
- Grupo Enel (via assessoria de imprensa)

Contatos
sobratema@sobratema.org.br
secretaria@fnp.org.br
ufficiostampa@enel.com

Crédito Foto: Enel

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330