Perto dos 160 anos, torre do Big Ben passa por retrofit

Elizabeth Tower precisa sofrer reparos em sua estrutura, a fim de que possa suportar as 14 toneladas do relógio mais famoso do mundo

Por: Altair Santos

Big Ben: torre que abriga o relógio mais famoso do mundo ficará três anos em reforma
Big Ben: torre que abriga o relógio mais famoso do mundo ficará três anos em reforma

Inaugurado em 1858, a torre que abriga o relógio mais famoso do mundo – o Big Ben – ficará três anos sem receber visitas. Oficialmente chamada de Elizabeth Tower, a edificação passará por reformas em sua estrutura e na fachada, além de ganhar elementos que vão melhorar a mobilidade para receber os milhares de turistas que a visitam anualmente, e também dos que trabalham na manutenção do relógio. Uma das novidades será a implantação de um elevador. O retrofit tem custo estimado em 150 milhões de reais e todo o projeto está a cargo de empresas de arquitetura e de engenharia britânicas.

Um dos reparos mais urgentes está relacionado ao reforço da estrutura de aço que sustenta o relógio. O equipamento pesa quase 14 toneladas e inspeções detectaram rachaduras e até uma pequena inclinação, o que compromete uma das qualidades do Big Ben: a precisão. Por isso, projetistas avaliam envolver o relógio em uma armadura de concreto. Para que isso ocorra, primeiro é necessário tratar das patologias que afetam a torre. Entre elas, rachaduras e fissuras, além do prédio carecer de reforços em seus pilares.

Antes das obras começarem, um aparato de andaimes foi instalado em volta da torre para escorá-la e também para permitir o acesso dos operários aos vários pontos que terão de ser reformados. Outra preocupação é com os sinos que compõem o Big Ben. Estudo da Universidade de Leicester, cujo departamento de engenharia civil presta assessoria técnica para a reforma, aconselhou que os sinos não sejam retirados, sob o risco de que eles possam não emitir mais o mesmo som de antes.

Instalação de andaimes marca início das obras na Elizabeth Tower
Instalação de andaimes marca início das obras na Elizabeth Tower

Martin Cockrill, técnico do departamento de engenharia da Universidade de Leicester, que lidera a equipe que assessora a reforma da Elizabeth Tower, também orienta sobre a recuperação do campanário do prédio, a fim de que não seja afetada a sonoridade do sino. Segundo ele, haverá a colocação de sensores nas paredes, a fim de que o espaço mantenha o mesmo desempenho acústico. “O objetivo é fazer tudo para preservar o som do conjunto de sinos”, diz.

Símbolo mundial
As reformas na Elizabeth Tower começaram em 2 de março de 2017. Além das obras estruturais, a torre ganhará equipamentos para prevenção de incêndio. Com o objetivo de poupar a escadaria em espiral de 334 degraus, também será instalado um elevador de serviço para atender as equipes de manutenção do relógio, que diariamente precisavam subir e descer a escada. No entanto, os turistas terão que continuar encarando os 334 degraus, já que é uma espécie de ritual para quem visita o Big Ben, em Londres.

Estrutura de aço que suporta o relógio apresenta problemas e alvenaria do prédio também vai precisa tratar patologias
Estrutura de aço que suporta o relógio apresenta problemas e alvenaria do prédio também vai precisa tratar patologias

A última grande reforma pela qual passou a Elizabeth Tower foi entre 1983 e 1985. “As propostas atuais abordarão uma manutenção mais minuciosa, pois teremos a tecnologia da construção a serviço da obra”, afirma Martin Cockrill. Já Tom Brake, porta-voz da comissão da Câmara dos Comuns, que autorizou o orçamento para a reforma, justifica o gasto, garantindo que é uma obrigação governamental assegurar que as “futuras gerações tenham a Elizabeth Tower preservada”. “Não estamos falando apenas de um símbolo britânico, mas mundial”, reitera. A Elizabeth Tower faz parte do complexo do Palácio de Westminster, que abriga o parlamento do Reino Unido.

Entrevistado
Assessoria de comunicação do parlamento do Reino Unido

Contato
HOCMediaCorporate@parliament.uk

Crédito Fotos: UK Parliament

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Para indústria química do concreto não existe crise

Em 2016, setor cresceu 1,4% e movimentou R$ 350 bilhões, puxado por produtos voltados para melhorar a produtividade na construção civil

Por: Altair Santos

A química está cada vez mais presente nos canteiros de obra. Em destaque, os hiperplastificantes utilizados na produção de concreto, e que melhoram a hidratação, aceleram a cura, ajudam o material a emitir menos CO2 e reduzem o consumo de água em até 40%, em relação aos processos convencionais. Esses produtos lideram o segmento da indústria química voltado para a construção civil, o qual fez o setor crescer 1,4% em 2016, com faturamento de US$ 113,5 bilhões (perto de R$ 350 bilhões) segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

Outra prova da relevância da construção civil para a indústria química é o crescimento da participação de grandes players do segmento no setor de obras. “A indústria química desempenha papel importante na formulação e na produção de matéria-prima utilizada na construção civil. Os produtos agregam qualidade e ganho de tempo na execução de obras, gerando alternativas mais sustentáveis”, afirma o diretor do portfólio de Infraestrutura da UBM Brazil, Renan Joel.

Além da participação das indústrias, o universo acadêmico no Brasil tem sido pró-ativo em pesquisas de produtos que ajudem a construção civil a produzir obras menos agressivas ao meio ambiente. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), Aldo Zarbin, as universidades brasileiras produzem 2% de todos os estudos envolvendo ciência química no mundo, o que coloca o Brasil em 15º no ranking das nações que mais publicam artigos acadêmicos. “No país, o número de publicações na área química cresce mais que a média mundial. Temos a oitava maior indústria química do mundo e a construção civil é um dos setores que mais atrai pesquisas”, diz Zarbin.

Espaço para crescer mais
O aprimoramento da indústria química voltada para a cadeia produtiva da construção torna cada vez mais crescente o uso de argamassas industrializadas, assim como estimula a construção industrializada do concreto. A ponto de as principais marcas internacionais da indústria química apontarem o Brasil como um dos mais promissores mercados mundiais nos próximos dez anos. “Observamos uma grande transformação no mercado de químicos para a construção, sobretudo nos segmentos de argamassa, pré-moldados de concreto e gesso. Hoje, os fabricantes oferecem produtos com valor agregado muito maior que anos atrás e o número de empresas aumentou exponencialmente”, destaca Leonardo Dias, gerente-geral de um dos players do setor.

O engenheiro químico Danilo Silva, especialista em sistemas construtivos, avalia que há mais espaço para crescer, pois a construção residencial ainda usa pouco o concreto usinado. “No setor habitacional, ainda existe um déficit habitacional significativo e uma infraestrutura precária, que precisa ser desenvolvida. O percentual de consumo de concreto dosado em central utilizado nas construções residenciais ainda é muito baixo. Predomina a cultura da autoconstrução, com o concreto produzido em obra e sem uso de aditivos. Porém, essa tendência começa a ser revertida aos poucos”, diz.

Entrevistado
Reportagem com base no estudo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) (via assessoria de imprensa)

Contato
abiquim@abiquim.org.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Concretos das cidades servem de filtro contra poluentes

Estudo desenvolvido nos Estados Unidos e Cingapura mostra que material presente nas construções das metrópoles absorve dióxido de enxofre

Por: Altair Santos

Pesquisadores da Stony Brook University, nos Estados Unidos, e da Universidade Nacional de Cingapura descobriram que o concreto presente nas cidades, seja em prédios, pavimentos, viadutos, pontes e outras obras, funciona como esponja, absorvendo um dos poluentes mais nocivos à vida: o dióxido de enxofre (SO2). O gás é expelido desde erupções vulcânicas até fermentações alcoólicas. Nas metrópoles, a queima de combustíveis pelos veículos automotores também despeja um grande volume de SO2 na atmosfera. Além disso, o dióxido de enxofre é um dos causadores da chuva ácida.

Concreto das edificações funciona como esponja para aprisionar poluentes, revela pesquisa
Concreto das edificações funciona como esponja para aprisionar poluentes, revela pesquisa

Segundo os pesquisadores, a descoberta de que o concreto pode absorver o gás poluente tende a mudar o preconceito ambiental contra resíduos do material, permitindo que os descartes de obras deixem de ser vistos como vilões, desde que bem aproveitados. “Nossas descobertas abrem a possibilidade para que os resíduos de concreto provenientes de demolições da construção possam ampliar esse efeito-esponja”, diz Alex Orlov, professor-associado de ciência de materiais e engenharia química na Faculdade de Engenharia e Ciências Aplicadas na Stony Brook University, e um dos coordenadores da pesquisa.

O estudo detectou que quanto mais novo o concreto mais ele tem capacidade de absorver poluentes, principalmente o SO2. “Isso reforça a necessidade de reciclagem do material. Mas o mais importante é que descobrimos soluções ambientais em um produto antes apenas tachado de poluidor”, ressalta Orlov. “Isso pode levar a um novo pensamento dentro das cidades”, completa. Na pesquisa desenvolvida pelas universidades dos EUA e da Cingapura foram testados vários tipos de concreto para ver qual conseguiria os maiores níveis de absorção do dióxido de enxofre. A conclusão foi que todos mantiveram desempenhos semelhantes.

Organização Mundial de Saúde
O resultado do estudo foi publicado no Journal of Chemical Engineering, com o seguinte título original: “Reactions of SO2 on hydrated cement particle system for atmospheric pollution reduction: A DRIFTS and XANES study”. A Stony Brook University e a Universidade Nacional de Cingapura polarizaram a pesquisa por possuírem laboratórios de luz síncrotron. As instituições acadêmicas também integram programas da Organização Mundial de Saúde com foco na busca de soluções para o combate à poluição nos centros urbanos. Segundo a OMS, sete milhões de mortes prematuras em todo o mundo podem estar ligadas à má qualidade do ar nas cidades.

A pesquisa concluiu ainda que concretos aparentes desempenham melhor a função esponja do que concretos cobertos por algum tipo de revestimento. Diante desta observação, o coordenador do estudo avalia que vias com pavimento rígido e edifícios com fachadas brutalistas são mais eficazes. “O concreto revestido também cumpre essa função de absorver poluentes, mas em menor grau”, adverte Alex Orlov. Os resultados do estudo ainda podem ser aprofundados, pois as primeiras impressões foram publicadas na edição de 1º de julho de 2017 no Journal of Chemical Engineering.

Clique aqui e saiba mais sobre a pesquisa.

Entrevistado
Alex Orlov, professor-associado de ciência de materiais e engenharia química na Faculdade de Engenharia e Ciências Aplicadas na Stony Brook University

Contato
alexander.orlov@stonybrook.edu

Crédito Foto: Wikipedia

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Construsul realiza fórum sobre inovações na construção

Temas que envolvem impressão 3D, realidade aumentada e produção de concreto cicatrizante 100% nacional foram mostrados na feira

Por: Altair Santos

Experiência com concreto cicatrizante no itt Performance, da Unisinos: inovação 100% nacional
Experiência com concreto cicatrizante no itt Performance, da Unisinos: inovação 100% nacional

O 5º Seminário de Inovação e Tecnologia da Construção (ITCon) foi um dos destaques da feira Construsul, que acontece anualmente em Novo Hamburgo-RS. Pesquisadores do itt Performance, da Unisinos, e da Feevale, selecionaram para o evento temas que envolvem inovações na construção civil, como impressão 3D, aplicação da realidade aumentada na arquitetura e na engenharia e novas tecnologias aplicadas ao concreto, como o desenvolvimento do primeiro material cicatrizante 100% nacional, em pesquisa no itt.

O ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) já desenvolve estudo semelhante, mas empresta metodologia aplicada fora do país, principalmente nas universidades de Delft, na Holanda, e Gante, na Bélgica. Recentemente, outros grupos de estudo passaram a pesquisar a aplicabilidade do concreto cicatrizante no Brasil. Entre eles, pesquisadores da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e da USP (Universidade de São Paulo). No itt Performance, quem está à frente dos trabalhos é a engenheira civil Fernanda Pacheco. Na entrevista a seguir, ela revela em que nível encontra-se a pesquisa:

 

Seminários apresentados na 20ª edição da Construsul mostraram avanços tecnológicos da construção civil
Seminários apresentados na 20ª edição da Construsul mostraram avanços tecnológicos da construção civil

Recentemente, dentro do 5º Seminário de Tecnologia e Inovação na Construção Civil, realizado na feira Construsul, a senhora palestrou sobre a pesquisa de concreto cicatrizante dentro do itt Performance. Como estão os estudos?
O itt Performance está lançando uma linha de pesquisa que abordará a confiabilidade dos mecanismos de autoregeneração do concreto. A pesquisa, com duração de pelo menos três anos, busca avaliar quais mecanismos têm maior propensão a resistir às agressividades nas estruturas de concreto armado.

Desde quando o itt Performance pesquisa concreto cicatrizante, e em que nível se encontra a pesquisa?
Está iniciando, e ela se encontra na fase de estruturação do plano de pesquisa.

As primeiras aplicações práticas devem ocorrer quando?
Esperamos que em seis meses possamos aplicar e avaliar a confiabilidade do produto.

No ITA, o engenheiro civil Emilio Minoru Takagi também desenvolve concreto cicatrizante. Há alguma diferença entre as duas pesquisas?
O engenheiro civil Emilio Takagi avalia o uso de aditivos cristalizantes. Também temos este objetivo, porém envolvendo ainda outros métodos e o nível de confiabilidade de todos eles.

Pesquisadora Fernanda Pacheco: concretos cicatrizantes são recomendados para ambientes agressivos
Pesquisadora Fernanda Pacheco: concretos cicatrizantes são recomendados para ambientes agressivos

No Brasil, os estudos sobre concreto cicatrizante estão em que estágio, comparativamente ao que é pesquisado fora do país?
No Brasil, existem núcleos de pesquisa avaliando as técnicas de reparo com os materiais nacionais. Em países como a Holanda, essas pesquisas são realizadas há mais de 10 anos. Assim, já foram identificadas lacunas como o elevado custo do nutriente das bactérias, por exemplo, o que tem sido contornado. Além disso, na Holanda a linha de pesquisa não envolve apenas materiais cimentícios, mas também polímeros.

Em que tipo de obra é mais recomendado o uso de concreto cicatrizante?
Todas as obras são sujeitas à fissuração, uma vez que tal dano tem inúmeras causas. Assim, é interessante utilizar a técnica em locais onde o ambiente é mais agressivo, como em grandes centros urbanos, áreas industriais ou zonas litorâneas.

Comparativamente ao concreto convencional, o metro cúbico do concreto cicatrizante pode ser quanto mais caro?
Não é necessariamente mais caro, pois o próprio cimento ou até mesmo pozolanas podem exercer a função de autocicatrização. Tais materiais já são empregados nos concretos. Por outro lado, se forem utilizados aditivos químicos ou soluções bacteriais, aí sim estaremos aumentando o valor do material.

Na Linha 4 do metrô da cidade do Rio de Janeiro foi usado concreto autocicatrizante (CAC). Autocicatrizante e cicatrizante são o mesmo material?
Na realidade, cicatrizante é o nome dado ao material que consegue reparar um dano em um elemento. Já a autocicatrização é quando o próprio material tem o poder de reparar seu dano, seja por meio de compostos adicionados ao concreto, para cumprir essa finalidade, ou através de materiais inerentes à composição do concreto, mas que também possuem tal capacidade.

Saiba mais sobre concretos cicatrizantes e autocicatrizantes:
http://www.cimentoitambe.com.br/concreto-de-pos-reativos-unisinos/
http://www.cimentoitambe.com.br/brasil-concreto-cicatrizante/

Entrevistada
Engenheira civil Fernanda Pacheco, graduada pela Unisinos e que atualmente é analista de projetos do itt Performance (Instituto tecnológico em desempenho e construção civil da UNISINOS [Universidade do Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul]).

Contato
imprensa@unisinos.br

Crédito Fotos: Aline Spassini/Unisinos, Construsul e itt Performance

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Fumaça das termelétricas ajuda a produzir cimento

Tecnologia em teste na Califórnia se inspira na natureza para captar dióxido de carbono e transformá-lo em carbonato de cálcio

Por: Altair Santos

O coprocessamento de resíduos pela indústria do cimento está dando mais um passo no combate à emissão de CO2 na atmosfera. Nos Estados Unidos, onde existem 2.775 usinas termelétricas a gás e a carvão em atividade, uma experiência na Califórnia pode ajudar a diminuir sensivelmente a liberação de dióxido de carbono - considerado o principal causador do efeito estufa.

Concreto pode se tornar aliado do meio ambiente, ao usar carbonato de cálcio a partir do CO2
Concreto pode se tornar aliado do meio ambiente, ao usar carbonato de cálcio a partir do CO2

A Calera - empresa californiana que pesquisa tecnologias para o reúso do carbono - assegura que está conseguindo retirar até 90% do CO2 da fumaça emitida pela usina Moss Landing, transformando-o em ácido carbônico e depois em carbonato de cálcio (CaCO3). O mineral é matéria-prima para a produção de Cimento Portland. Além da Calera, a Carbon Sciences, também com sede na Califórnia, faz pesquisa semelhante.

O pioneiro é o especialista em biomineralização Brent Constantz, da Universidade de Stanford. “Tudo o que precisamos é de água e poluição", diz. O processo consiste em transformar o CO2 em ácido carbônico H2CO3, utilizando o próprio calor da fumaça para gerar água (H2O). “Da mistura de água com o gás poluente resulta uma lama de carbonato (CO3), que depois é transformada em carbonato de cálcio”, explica Constantz.

O que inspirou a pesquisa foram os corais e as ostras, que produzem recifes e conchas a partir do carbonato de cálcio, retirando o CO2 do mar e ajudando a equilibrar o pH dos oceanos. Brent Constantz chama isso de “biomimética”, ou seja, mimetizar processos químicos que ocorrem na natureza. O pesquisador lembra que a lama de carbonato é misturada à água do mar, rica em cálcio, para que seja extraído o carbonato de cálcio.

Aliança com o meio ambiente
Brent Constantz assegura que sua invenção trará um ganho ambiental significativo para a indústria cimenteira. “Em vez de minerar calcário para extrair a calcita, a fim de produzir Cimento Portland, esse processo pode ser substituído pela retirada de carbonato de cálcio da poluição”, afirma. “Estamos falando da reutilização do carbono de forma produtiva e economicamente sustentável”, completa.

Ainda segundo o pesquisador, sua invenção pode mudar completamente o ambiente construído nas cidades. “Hoje, os arquitetos pensam: como posso minimizar a quantidade de concreto que estou usando no meu projeto? A preocupação deles é reduzir a pegada de carbono tanto quanto possível. Em vez disso, podemos ver o ambiente construído como um lugar para sequestrar dióxido de carbono. O concreto pode se tornar um aliado do meio ambiente”, assegura.

Para Brent Constantz, um dos maiores beneficiados pela sua invenção pode ser o pavimento de concreto. “Em vez do asfalto, que é um grande emissor de CO2, o concreto que utiliza o carbonato de cálcio extraído das usinas retém o dióxido de carbono. Além disso, o custo da produção de concreto também tende a reduzir”, avalia. As pesquisas da Calera começaram em 2008. Já a Carbon Science, que também iniciou seus estudos em 2008, partiu para outra linha de pesquisa. O objetivo é extrair hidrocarbonetos do CO2, para transformá-los em combustível.

Saiba mais sobre a pesquisa de Brent Constantz:

Entrevistado
Brent Constantz, Ph.D em biomineralização, professor-doutor da Universidade de Stanford e CEO da Blue Planet

Contatos
info@blueplanet-ltd.com
www.blueplanet-ltd.com
www.carbonsciences.com

Crédito Foto: Blue Planet

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Construção civil começa a ganhar novos protagonistas

Saem as megaobras e entram projetos como usinas eólicas e fazendas fotovoltaicas, além de investimento em saneamento e aterros sanitários

Por: Altair Santos

Analistas de tendências da construção civil avaliam que, a partir de 2018, o setor terá novos protagonistas. São obras que tendem a atrair maiores volumes de investimentos, e que possuem um perfil bem diferente do que se viu recentemente no Brasil. Saem as refinarias de petróleo e gás, as grandes hidrelétricas, as linhas de metrô, os estádios e os canais de irrigação e entram programas de acesso à água e esgoto, usinas eólicas e fotovoltaicas, aterros sanitários, projetos municipais de mobilidade urbana e ferrovias.

Usina solar Nova Olinda, no Piauí: primeiros painéis fotovoltaicos começam a ser instalados
Usina solar Nova Olinda, no Piauí: primeiros painéis fotovoltaicos começam a ser instalados

Esses investimentos tendem a vir em forma de concessões e PPPs (Parcerias Público-Privadas), o que, na opinião dos especialistas, evitará que as obras corram o risco de serem abandonadas na fase de projeto ou durante a execução. Para o vice-presidente da Sobratema, Mário Humberto Marques, as oportunidades de negócio na área de infraestrutura vão se concentrar mais na esfera municipal. “Além das oportunidades, a vantagem adicional é que existem recursos disponíveis, como é o caso do segmento de saneamento básico, cujo orçamento prevê financiamento até 2030 para que seja zerado o déficit que atinge mais da metade da população do país”, afirma.

O dirigente salienta também que outra área promissora é a de energia eólica, que em 2017 deve fechar com crescimento de 70% em relação a 2016. “A energia fotovoltaica não fica para trás, ou seja, as oportunidades estarão fora do mercado que estamos acostumados a olhar”, ressalta. A prova está no investimento que a italiana Enel está fazendo em Ribeira do Piauí, no Piauí, onde constrói a maior usina de energia solar da América Latina, com capacidade para 292 megawatts/dia e investimento de quase um bilhão de reais.

A usina Nova Olinda fica a 380 quilômetros de Teresina e vai ocupar uma área de 690 hectares. Por ano, poderá gerar mais de 600 GWh - o suficiente para atender 300 mil residências. As obras já estão em andamento e a usina deverá entrar em pleno funcionamento em 2019. Será uma das maiores usinas solares do mundo, com mais de um milhão de painéis fotovoltaicos. "Nova Olinda é um grande desafio que, acreditamos, abrirá caminho para projetos igualmente importantes na América Latina", explica o gerente da usina, Tommaso Quadrini.

Incentivo aos municípios
Outro incentivo recente a novos projetos na construção civil foi dado na primeira quinzena de julho de 2017, quando foi lançado o Programa de Apoio às Concessões Municipais. Trata-se de uma linha de crédito de 11,7 bilhões de reais para que as prefeituras viabilizem, através de PPPs, obras de infraestrutura, como iluminação pública, saneamento e gestão de resíduos sólidos. Apesar do contingenciamento de recursos para cumprir a meta fiscal de 2017, o governo federal garante que esse programa será mantido, com aporte inicial de 180 milhões de reais.

Uma das regiões beneficiadas será liderada pela cidade de Ponta Grossa, no Paraná. Um consórcio de 13 municípios, em parceria com a indústria de papel e celulose Klabin, está construindo um aterro sanitário que deve beneficiar 180 mil pessoas. A obra deve ser inaugurada em 2018, ao custo de 10,5 milhões de reais.

Entrevistados
- Engenheiro mecânico Mário Humberto Marques, vice-presidente da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração) (via assessoria de imprensa)
- Frente Nacional de Prefeitos (via assessoria de imprensa)
- Grupo Enel (via assessoria de imprensa)

Contatos
sobratema@sobratema.org.br
secretaria@fnp.org.br
ufficiostampa@enel.com

Crédito Foto: Enel

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Reflexo da crise: uso da tecnologia BIM para de crescer

Após uma década de expansão, ferramenta é deixada de lado por escritórios de engenharia e arquitetura, que buscam reduzir custos

Por: Altair Santos

Desde que chegou ao Brasil, em 2004, a plataforma BIM experimentou crescimento até 2014. Com o aprofundamento da crise econômica, os escritórios de engenharia e arquitetura pararam de investir na tecnologia. Motivo: preço elevado do software, necessidade de investimento em computadores mais potentes, pessoal especializado e tempo maior para desenvolver os projetos estão entre as razões que fazem a ferramenta perder força.

Tecnologia BIM é pouco incentivada por organismos públicos que contratam obras de infraestrutura no Brasil
Tecnologia BIM é pouco incentivada por organismos públicos que contratam obras de infraestrutura no Brasil

Para minimizar custos, os escritórios estão preferindo retornar ao uso do CAD, cujos downloads em 2017 têm sido de 15 mil por mês, em média, contra 5 mil do BIM no primeiro semestre do ano. Outro obstáculo é a dificuldade de encontrar bibliotecas com produtos para atualizar a ferramenta, o que não acontece com o CAD. O tema foi debatido recentemente na mesa-redonda “BIM – Desafios e Oportunidades: Acelerando o BIM no Brasil”.

Segundo Wilton Silva Catelani, coordenador da comissão especial de estudos da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) encarregada de padronizar o uso do BIM no Brasil, a utilização da ferramenta exige trabalho. “Tem que fazer todos os profissionais envolvidos nas obras, além dos fornecedores, interagirem. Isso é um processo complicado”, admite.

Sobre os estudos desenvolvidos na ABNT, Wilton Silva Catelani afirma que o objetivo é oferecer diretrizes sobre os diferentes aspectos da tecnologia, como geometria, parâmetros, caracteres e aquisições, para orientar fabricantes e desenvolvedores na criação de componentes BIM.

Ferramenta ajuda a combater corrupção
Além da entrada da ABNT para regulamentar o uso da ferramenta, em junho de 2017 o governo federal, no âmbito do ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, criou um comitê estratégico de implementação do Building Information Modeling (CE-BIM). “O comitê precisa identificar os atores envolvidos no processo e rever a legislação que trata da contratação de projetos e obras, pois as regras atuais são extremamente ruins. Também é importante definir como tais agentes poderão migrar para essa nova sistemática de contratação de serviços”, avalia Eduardo Sampaio Nardelli, coordenador de educação continuada da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

No âmbito de obras públicas, o BIM é também um instrumento de combate à corrupção. “Ele permite projetos mais bem desenvolvidos, com envolvimento de toda a cadeia produtiva, e previsão de custos bem definida, o que impede atos ilícitos, comuns em cenários em que os processos estão soltos e sem metodologias de controle”, completa Nardelli.

Apesar dos efeitos da crise, é consenso de que o BIM influencia positivamente na qualidade e no ciclo de vida das construções. Isso porque, a ferramenta permite análises criteriosas da obra. “Para isso, é preciso que todos tenham consciência e repassem todas as informações, e de forma correta. Não adianta fazer como hoje, em que o incorporador esconde detalhes do arquiteto, que acaba tendo surpresas na hora de aplicar o projeto”, afirma Henrique Cambiaghi, diretor da CFA Cambiaghi Arquitetura, que também participou da mesa-redonda sobre o futuro do BIM no Brasil.

Confira outros conteúdos sobre BIM publicados no Massa Cinzenta!
http://www.cimentoitambe.com.br/retrabalho-e-patologia-do-processo-de-construcao/
http://www.cimentoitambe.com.br/bim-usado-no-brasil/
http://www.cimentoitambe.com.br/principal-materia-prima-de-obra-e-informacao/
http://www.cimentoitambe.com.br/bim-combate-corrupcao/
http://www.cimentoitambe.com.br/brasil-entra-na-era-bim-para-obra-de-infraestrutura/

Entrevistados
Engenheiro civil Wilton Silva Catelani, arquiteto Henrique Cambiaghi e arquiteto Eduardo Sampaio Nardelli (com base em palestras na mesa-redonda “BIM – Desafios e Oportunidades: Acelerando o BIM no Brasil”).

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sobratema@sobratema.org.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Poupança capta mais recursos e anima setor imobiliário

Queda na taxa Selic torna investimento atrativo e, consequentemente, canaliza mais recursos para a construção de novas habitações

Por: Altair Santos

Desde junho de 2017, a caderneta de poupança passou a captar mais recursos em relação ao volume de saques. A tendência recente reverte um quadro que se repetia desde o segundo semestre de 2013, quando os depósitos eram inferiores às retiradas. Além de se tornar um investimento pouco atrativo, por causa dos baixos rendimentos em relação às altas taxas de juros, a crise econômica aprofundada desde 2014 fez com que as famílias mais retirassem do que colocassem recursos em contas de cadernetas de poupança.

Recursos da caderneta de poupança são os que mais financiam imóveis para a classe média
Recursos da caderneta de poupança são os que mais financiam imóveis para a classe média

Só no ano passado, R$ 40,702 bilhões líquidos (captações menos saques) saíram do modelo de investimento mais popular do Brasil. Porém, com os depósitos aumentando, por conta da taxa Selic ter chegado a um dígito (9,25% ao ano) e os rendimentos se tornarem mais atraentes, o viés de alta da poupança tende a influenciar positivamente o mercado imobiliário. Por força de lei, o investimento, junto com o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), é o que mais financia o crédito imobiliário.

A legislação determina que 65% do que é captado pela poupança deve ser destinado ao financiamento de novas habitações. Por isso, a retomada do investimento é vista com otimismo por representantes do setor da construção civil. Entre eles, Sergio Luiz Crema, presidente do SindusCon-PR. “Os números que acompanhamos mostram que a queda na taxa Selic fez com que os recursos investidos na poupança crescessem 40% este ano. Para nós, da construção civil, é muito importante esse viés de alta”, diz.

Em recente palestra no SindusCon-RS, o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, também destacou a importância da retomada da poupança como investimento. “A maior atratividade da caderneta de poupança deslocará aplicações de outras áreas do mercado financeiro, disponibilizando mais recursos que serão canalizados para o financiamento imobiliário”, projeta. Para Martins, a expectativa é de que a queda da taxa de juros básicos (Selic) deverá chegar a 7,5% até o final de 2017.

Só em 2018
Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), os reflexos positivos do crescimento das aplicações na poupança só deverão ser sentidos entre o final de 2017 e o primeiro semestre de 2018, principalmente nos recursos destinados a projetos habitacionais voltados para a classe média. "O primeiro semestre foi ruim, mas esse decréscimo tende a parar no segundo semestre, podendo o volume de financiamentos de 2017 terminar empatado com 2016”, avalia Gilberto Abreu, presidente da Abecip.

Até junho de 2017, os financiamentos imobiliários com recursos da poupança (SBPE [Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo]) totalizaram R$ 20,6 bilhões. O montante é 9,1% inferior ao registrado em igual período de 2016. De acordo com a Abecip, até que um maior volume de recursos das cadernetas de poupança estimule os financiamentos imobiliários, o FGTS seguirá como a principal mola propulsora para investimentos na construção civil, sobretudo para imóveis voltados para a baixa renda. Só no primeiro semestre de 2017, o FGTS financiou 82,5 mil novas unidades para esse segmento habitacional.

Clique aqui e confira recente balanço da Abecip sobre o 1º semestre de 2017.

Entrevistados
- Engenheiro civil Sergio Luiz Crema, presidente do SindusCon-PR (via assessoria de imprensa)
- Engenheiro civil José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) (via assessoria de imprensa)
- Engenheiro de produção Gilberto Duarte de Abreu Filho, presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) (via assessoria de imprensa)

Contatos
imprensa@sindusconpr.com.br
comunica@cbic.org.br
imprensa@abecip.org.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Cartão-Reforma terá força para aquecer construção civil?

Burocracia restringe programa e ABRAMAT e Anamaco propõem mudanças. Por enquanto, setor segue apostando nas contas inativas do FGTS

Por: Altair Santos

Lançado oficialmente em 30 de junho, o Cartão-Reforma vai atender 1.930 municípios selecionados pelo ministério das Cidades, segundo critérios de renda familiar. A expectativa do governo federal é de que pelo menos 900 prefeituras efetivem o cadastramento ainda em 2017, beneficiando famílias que ganham até R$ 2.811 reais por mês.

Cartão-Reforma: impacto positivo do programa só deve ser percebido em 2018
Cartão-Reforma: impacto positivo do programa só deve ser percebido em 2018

Além de se enquadrar na faixa salarial de baixa renda, o beneficiário precisa residir na área indicada pelo poder municipal para ser contemplado. A meta do governo é atender entre 85 mil e 120 mil famílias este ano, liberando R$ 150 milhões. O valor de cada Cartão-Reforma vai variar de R$ 2 mil a R$ 9 mil.

O benefício destina-se à compra de material de construção para reforma, ampliação ou conclusão de moradias. Serão beneficiadas com recursos maiores famílias que residam em casas que não possuem instalações hidrossanitárias, onde mais de três pessoas dividam um único quarto, com cobertura (telhado) precária ou sem revestimento no piso interno.

No entanto, apesar de ser mais um impulso para aquecer a cadeia produtiva da construção civil, a burocracia governamental para a liberação dos recursos não deixa organismos como Anamaco e ABRAMAT tão otimistas. Pelo menos para 2017, o setor avalia que os recursos liberados pelas contas inativas do FGTS causem mais estímulo que o Cartão-Reforma.

Para complicar, dia 14 de julho o governo publicou um decreto que complementa as regras do Cartão-Reforma e amplia a burocracia. Foram acrescidos outros pré-requisitos, como a exigência de que a família beneficiada possua um telefone celular, já que todo o processo é feito por SMS, e que casas com extrema precariedade, sem nenhum tipo de obra de alvenaria, ficarão de fora do programa.

Só em 2018
A fim de propor correções de rota, Anamaco e ABRAMAT criaram grupos de trabalho para levar sugestões ao governo federal, em reunião que vai acontecer na primeira quinzena de agosto. A ideia é que, além do Cartão-Reforma, sejam dados estímulos para o Construcard - linha de crédito para compra de material de construção que abrange a classe média.

Outra proposta é que o BNDES crie um modelo de financiamento voltado para reformas e compra de materiais de construção, o qual abrangeria prioritariamente os microempreendedores individuais (MEI). Isso é importante, porque, segundo o presidente da ABRAMAT, Walter Cover, as reformas correspondem a 60% do faturamento anual do setor de material de construção.

Como no primeiro semestre de 2017 o segmento de venda de material de construção teve queda de 15% em comparação ao mesmo período do ano passado, qualquer estímulo é bem-vindo. Por enquanto, quem cumpre esse papel são os recursos extras do FGTS. “Boa parte do dinheiro das contas inativas está indo para a construção, o que é animador. Por outro lado, o Cartão-Reforma ainda não impactou nas vendas”, admite Hiroshi Shimuta, diretor da Anamaco.

O governo federal reservou R$ 500 milhões para o Cartão-Reforma, que devem ser liberados integralmente até o final de 2018. Por isso, já se forma um consenso no setor da construção civil de que os resultados da iniciativa só começarão a ser percebidos no ano que vem.

Saiba mais sobre o Cartão-Reforma
http://cartaoreforma.com/

Entrevistados
- Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco)
- Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT)

Contatos
abramat@abramat.org.br
imprensa@anamaco.com.br

Crédito Fotos: Ministério das Cidades.

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Estruturas de concreto de silos viram prédios e hotéis

Regiões portuárias nas cidades de Copenhague e Cidade do Cabo mostram até onde podem chegar os projetos de retrofit

Por: Altair Santos

Em Copenhague, um silo de grãos na região portuária da cidade servirá de estrutura para a construção de um edifício residencial de luxo com 17 andares. O esqueleto de concreto do silo será a base para a construção de 40 apartamentos de alto padrão. Além de unidades habitacionais, o prédio também irá acomodar instalações para eventos e restaurantes no piso térreo e no último pavimento. Batizado de “The Silo”, o prédio preserva toda a concepção estrutural de concreto da edificação.

Silo da Cidade do Cabo, em 1955: construído em 1924, funcionou até 2001
Silo da Cidade do Cabo, em 1955: construído em 1924, funcionou até 2001

Segundo Dan Stubbergaard, arquiteto responsável pelo empreendimento, houve todo cuidado para conservar a originalidade da construção. "O conceito arquitetônico para a transformação do The Silo explora todo o potencial original do edifício. Ao mesmo tempo em que preserva as estruturas, elas foram adaptadas para que pudessem receber a nova fachada. É um trabalho de transformação que precisa de atenção nos detalhes, pois se trata de fazer com que um edifício industrial mude para um edifício residencial", diz.

A construção do The Silo está a cargo do escritório de arquitetura COBE, que também coordena o projeto de revitalização da área portuária onde o silo se localiza. O plano segue a tendência mundial de transformar distritos portuários em locais para habitação, business, turismo e lazer. No caso da capital da Dinamarca, a área em processo de revitalização é o bairro industrial de Nordhavn, que abrange parte do porto da cidade. As obras começaram no final de 2016 e devem se estender até o começo de 2019.

Dan Stubbergaard afirma que a transformação na área portuária pretende aliar um novo espaço cultural em Copenhague com o estilo de vida dos dinamarqueses mais jovens. “A vida urbana da cidade está mudando e o projeto também pretende fazer da região um novo ponto turístico para Copenhague. O objetivo é que o visitante tenha uma experiência multidimensional na região”, completa o arquiteto dinamarquês, considerado atualmente o maior transformador de áreas urbanas de seu país.

Outros silos
A experiência do The Silo da Dinamarca não é única. Outros silos já foram transformados para receber espaços habitáveis. Um dos exemplos clássicos é o hotel The Silo na Cidade do Cabo, na África do Sul. A edificação com 57 metros de altura serviu para armazenar grãos entre 1924 e 2001, quando foi desativada no porto de Table Bay. Após o retrofit, o prédio passou a abrigar um dos hotéis mais luxuosos da região - a diária varia entre 3 mil e 18 mil reais. A inauguração do The Silo sul-africano foi em 1º de março de 2017.

No Brasil, quando surgiu o projeto do Porto Maravilha, também foi incluído o retrofit do Moinho Fluminense - o mais antigo do Brasil - para que seus armazéns fossem transformados em shopping centers, prédios corporativos e um hotel, que utilizaria exatamente a estrutura do silo. O investimento previsto era de R$ 1 bilhão. No entanto, apenas as fachadas dos armazéns foram restauradas e o projeto do silo-hotel acabou adiado. A obra era um plano para a cidade do Rio de Janeiro durante o período em que ela sediou a Copa do Mundo de 2014 e os jogos olímpicos de 2016.

Veja vídeo sobre o retrofit do The Silo da Cidade do Cabo

Entrevistados
- Arquiteto Dan Stubbergaard, diretor do escritório dinamarquês COBE
- Assessoria de imprensa do The Silo Cape Town

Contatos
press@cobe.dk
info@thesilohotel.com

Crédito Fotos: The Silo, COBE, Cidade do Rio.

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330