Apartamento com 2 quartos vira xodó do setor imobiliário
Pesquisa da CBIC, em parceria com o SENAI, revela que unidades-padrão dominam volume de vendas e lançamentos no primeiro semestre de 2017
Por: Altair Santos
Números trazidos pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) com base em dados coletados nas 18 maiores regiões metropolitanas do Brasil, mostra que os prédios residenciais com unidades que possuem dois quartos são o novo xodó do mercado imobiliário. De acordo com a pesquisa, 74% dos lançamentos feitos no primeiro semestre de 2017 envolvem apartamentos de 2 quartos e 65% das vendas, seja na planta ou de unidades já construídas, estão relacionados a produtos com essa característica.

O economista Celso Luiz Petrucci, presidente da Comissão da Indústria Imobiliária (CII) da CBIC - e coordenador da pesquisa - confirma a tendência. “O destaque no trimestre continua sendo a predominância dos lançamentos de imóveis com dois dormitórios e também a venda de unidades com esse padrão, com taxas de 74% e 65% , respectivamente. Isso indica uma presença muito forte do produto no momento econômico no país”, avalia. O estudo, intitulado “Indicadores Nacionais do Mercado Imobiliário”, foi realizado pela CBIC em parceria com o SENAI nacional.
A pesquisa detectou que, em números absolutos, foram vendidas 17.135 unidades de 2 quartos no país no primeiro semestre de 2017, porém apenas 41,2% eram lançamentos. A maioria pertencia a estoques, o que faz com que as vendas imobiliárias de janeiro a junho deste ano ainda sejam inferiores ao primeiro semestre de 2016 em 21,6% - avaliando-se os números nacionais. Quando se pega por região, percebem-se diferenças. Curitiba e região metropolitana, por exemplo, teve aumento de 58% no volume de vendas de lançamentos no primeiro semestre de 2017, em comparação ao mesmo período do ano passado.
A pesquisa abrangeu as seguintes regiões metropolitanas de grandes centros urbanos: Cuiabá, Distrito Federal, Goiânia, Belo Horizonte, Uberlândia, Rio de Janeiro, São Paulo capital, região metropolitana de São Paulo (38 municípios), Curitiba, Joinville, Porto Alegre, Fortaleza, Natal, Recife, Maceió, São Luís, João Pessoa e Manaus. No mesmo estudo de abrangência nacional, verificou-se que os apartamentos de 3 quartos representam 18,7% dos lançamentos e 22,2% das unidades vendidas. Já os com quatro quartos equivalem a 2,4% (lançamentos) e 4,5% (vendas). Para finalizar, os imóveis residenciais com um quarto são 5,9% (lançamentos) e 8,3% (vendas).
Razões
Analisando região por região pesquisada, o estudo concluiu que o desempenho das regiões tem sido desigual. Na comparação do segundo trimestre de 2017 contra o segundo trimestre de 2016, nove regiões aumentaram lançamentos e nove regiões reduziram os lançamentos na comparação do mesmo período do ano anterior. Na mesma análise, houve crescimento em vendas em sete regiões e queda em dez, sendo que uma ficou estável. “Tudo isso sinaliza que não se pode generalizar o desempenho de todas as regiões”, cita Celso Luiz Petrucci. Outro detalhe trazido pela pesquisa é que a média nacional do m2 no primeiro semestre foi de 5.924 reais. O m2 mais barato foi verificado em Uberlândia e o mais caro no Distrito Federal.
Segundo a diretora de marketing do portal VivaReal, as razões que levam o apartamento de 2 quartos a se tornar a preferência nacional têm dois aspectos. Um motivado pelas construtoras, que criaram um tamanho-padrão para aumentar a produtividade e aproveitar melhor os terrenos cada vez menores nos grandes centros urbanos; outro, pelo novo perfil do comprador. Na maioria dos casos, são solteiros, divorciados, casais sem filhos ou famílias com pouco número de filhos. Além disso, contando cada vez menos com empregadas domésticas, as pessoas optam por morar em imóveis menores e práticos.
Confira aqui o estudo completo.
Entrevistado
Economista Celso Luiz Petrucci, presidente da Comissão da Indústria Imobiliária (CII) da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção)
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comunica@cbic.org.br
Crédito Foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Infraestrutura sustentável faz Brasil atrair investidores
No longo prazo, parcerias com o BID devem trazer 10 bilhões de reais ao país, principalmente em projetos para a região amazônica
Por: Altair Santos
O Brasil assumiu o compromisso internacional de, até 2025, reduzir em 37% as emissões de CO2 - em relação aos níveis de 2005 -, além de restaurar 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e aumentar para 45% a parcela dos recursos renováveis em sua matriz energética. Para atingir essas metas, terá de investir maciçamente em infraestrutura sustentável, principalmente em áreas como saneamento, transporte e energia.

Para apontar soluções que levem ao cumprimento destas metas foi promovida recentemente a conferência Infrainvest - Infraestrutura Sustentável para o Brasil. No encontro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para um aporte inicial de R$ 2,8 bilhões (US$ 900 milhões) em projetos de energia sustentável - usinas eólicas e fotovoltaicas.
No longo prazo, a parceria pode chegar a 10 bilhões de reais, se forem viabilizados os projetos em aterros sanitários e saneamento básico, além de hidrovias, ferrovias e rodovias verdes. Participante do debate, que reuniu ainda dirigentes do BID e representantes de organismos internacionais voltados à sustentabilidade, a diretora do BNDES, Marilene Ramos, destacou que o mundo precisa ajudar o Brasil a investir em infraestrutura sustentável, sobretudo no que se refere à região amazônica.
A engenheira civil, que também é professora da Escola Brasileira de Administração Pública e Empresas da FGV, lembrou que o país não consegue sequer dar conta de investir em infraestrutura convencional. “O Brasil precisaria investir 5% do PIB em infraestrutura, mas a média histórica é de, no máximo, 2,5%. Porém, esse investimento só vem caindo, pois no aperto fiscal o primeiro setor a sofrer cortes é o de infraestrutura”, destaca.
País não dá conta sozinho
Sobre a geração de infraestrutura na Amazônia, Marilene Ramos lembrou que se não houver investimento internacional, o Brasil seguirá apostando em projetos do século passado, que desencadeiam mais desmatamento. “Cito o exemplo da BR-163, que é a principal ligação do setor produtivo do Centro-Oeste com os portos do Pará. No período de chuvas, a estrada se transforma em um atoleiro, que gera perdas de 150 milhões de reais ao país a cada dez dias, pois os caminhões não conseguem atravessá-la e a produção de grãos apodrece nas carrocerias. O que fazer ali: asfaltar ou construir uma ferrovia?”, questionou.
A diretora do BNDES prosseguiu com seu raciocínio: “Se não houver investimento em infraestrutura sustentável na região, o que custa caro, o Brasil, com seus recursos próprios, provavelmente optará por asfaltar a BR-163, o que vai gerar concentração urbana em volta da estrada e mais desmatamento. A melhor solução é uma ferrovia, mas que custa 15 bilhões de reais. Então, os investidores internacionais precisam acordar para o problema e ver que o Brasil não consegue fazer isso sozinho. Coloca-se sobre os ombros do país a obrigação de preservar a floresta, mas que ele não tem condições de operacionalizar apenas com recursos próprios”, destacou.
Veja a íntegra da conferência Infrainvest - Infraestrutura Sustentável para o Brasil:
Entrevistado
Reportagem com base nos debates ocorridos na conferência Infrainvest - Infraestrutura Sustentável para o Brasil
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assessoria.fgv@insightnet.com.br
Crédito Foto: FGV-RJ
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Onde estão os melhores cursos de engenharia civil do mundo?
Entre os dez melhores, nove estão distribuídos entre o Reino Unido e os Estados Unidos. Oxford e Cambridge lideram ranking 2017/2018
Por: Altair Santos
A Times Higher Education, revista britânica que desde 2011 avalia universidades em todo o mundo, acaba de lançar o ranking anual das 1.000 principais universidades do mundo. A publicação é a mesma que recentemente listou as 100 melhores universidades sul-americanas, e que colocou a Unicamp como a principal do continente. Desta vez, a relação permite saber também quais se destacam no planeta em um determinado curso de graduação. Especificamente, sobre a engenharia civil, as duas melhores estão no Reino Unido: Oxford e Cambridge.

Entre as dez melhores na graduação em engenharia civil, nove se concentram no Reino Unido e nos Estados Unidos. A exceção é o Instituto de Tecnologia de Zurique, na Suíça. Na Grã-Bretanha, além de Oxford e Cambridge, há também o Imperial College London, que ocupa a 8ª posição. Nos EUA, estão California Institute of Technology (3º), Stanford University (4º), Massachussets Institute of Technology (5º), Harvard University (6º), Princeton University (7º) e University of Chicago (9º).
O que faz da Oxford a melhor é que ela prioriza a pesquisa e é uma das poucas no mundo em que a engenharia é estudada como uma disciplina unificada, ou seja, a universidade entende que um engenheiro civil precisa também entender de eletrônica, mecânica e outras disciplinas gerais da engenharia. O curso está vinculado ao departamento de Ciências da Engenharia. O ensino de graduação se concentra em quatro pilares: estruturas, geotecnia, engenharia de recursos oceânicos, costeiros e recursos hídricos e energia.
Em Cambridge, a engenharia civil está sob a tutela do centro Laing O'Rourke de Engenharia e Tecnologia de Construção. As disciplinas concentram-se no futuro das construções, buscando novos paradigmas e modelos inovadores, com base em pesquisas de gerenciamento, tecnologias e processos de construção. Tanto Oxford quanto Cambridge aceitam estudantes de outros países. No caso dos brasileiros, as universidades exigem que os alunos saídos do ensino médio façam um curso - o A-Levels, International Baccalaureate - e depois se submetam a uma espécie de vestibular para conseguir ingressar.
O caminho é mais fácil para quem já estiver cursando a graduação em engenharia civil no Brasil. Neste caso, o candidato precisa estar em uma universidade brasileira conceituada e ter notas impecáveis. Por outro lado, as escolas britânicas e norte-americanas estão sempre atentas a grandes cérebros em outros países e costumam oferecer bolsas de estudo para que eles se desenvolvam em seus cursos. No entanto, vale ressaltar que nenhuma das grandes universidades destes dois países é gratuita. Estima-se que atualmente 30 brasileiros cursem engenharia civil no top 10 do ranking da Times Higher Education.
No Brasil
Entre as 1.000 melhores universidades do mundo, 21 estão no Brasil. Na edição 2016/2017 do ranking, eram 27. Saíram da lista as seguintes escolas: UFPR (Universidade Federal do Paraná), UFBA (Universidade Federal da Bahia), UFG (Universidade Federal de Goiás), UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto), UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), UFLA (Universidade Federal de Lavras), UFV (Universidade Federal de Viçosa), UFF (Universidade Federal Fluminense), UEL (Universidade Estadual de Londrina) e UEM (Universidade Estadual de Maringá).
Entraram: Unifei (Universidade Federal de Itajubá), UnB (Universidade de Brasília), UFPel (Universidade Federal de Pelotas) e a UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa). Todas têm cursos de engenharia civil em suas graduações. As melhores do país continuam sendo a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). No ranking mundial, elas se posicionam entre as posições 251 e 500.
Veja os 10 melhores cursos de engenharia civil do mundo:
1. University of Oxford (Reino Unido)
2. University of Cambridge (Reino Unido)
3. California Institute of Technology (EUA)
5. Massachussets Institute of Technology (EUA)
8. Imperial College London (Reino Unido)
9. University of Chicago (EUA)
10. ETH Zurich - Swiss Federal Institute of Technology Zurich (Suíça)
Confira aqui o ranking completo das 1.000 universidades.
Entrevistado
Reportagem com base no relatório da Times Higher Education sobre as 1.000 melhores universidades do mundo
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branding@timeshighereducation.com
www.timeshighereducation.com
Crédito Foto: University of Oxford
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Flórida desenvolve tecnologia para construir casas antifuracões
Estruturas são industrializadas com concreto pré-fabricado, não possuem partes metálicas ou de madeira, e suportam ventos de até 280 km/h
Por: Altair Santos

Desde que o furacão Katrina atingiu o estado da Luisiana, em 2005, destruindo cidades inteiras e importantes dos Estados Unidos, como New Orleans, um grupo de engenheiros da Flórida passou a trabalhar no desenvolvimento de tecnologia que permitisse construir casas antifuracões. Outra preocupação era que o sistema pudesse ser acessível para a compra, com preço médio de US$ 150 mil (algo em torno de R$ 500 mil). Chegou-se ao projeto batizado de ForeverHome.
A casa é inteiramente industrializada com concreto pré-fabricado e não possui nenhuma estrutura metálica ou de madeira. Outra característica é que todos os elementos são assentados sobre um radier suspenso sobre potentes pilares que ficam a 1,8 m do solo. Os fabricantes asseguram que a construção resiste a ventos de até 170 mph (cerca de 280 km/h), ou seja, furacões de categoria 5 - o mais destruidor de todos. “Nosso projeto excede as especificações da FEMA em duas vezes e meia”, diz Joseph Rogge, porta-voz da ForeverHome.

A FEMA (Federal Emergency Management Agency) ou Agência Federal de Gestão de Emergências estabeleceu critérios para a construção de casas mais seguras desde que os Estados Unidos foram atingidos pelo Katrina. Além disso, o ANSI (American National Standards Institute), que é o organismo que chancela as normas técnicas nos EUA, também já obriga uma série de medidas para projetos de edifícios construídos em áreas sob o risco de furacões. “Também no âmbito do ANSI nossas casas atendem além das normas”, assegura Rogge.
Clinton Krell, engenheiro que desenvolveu o projeto da ForeverHome, conta que os pilares e o radier de 8 polegadas (20 cm) são moldadas no local, para, em seguida, as peças pré-moldadas da casa serem montadas sobre as estruturas construídas no terreno. As paredes são fabricadas com concreto convencional de 60 MPa de resistência e medem 3 polegadas (7,5 cm). Internamente, elas são preenchidas com 2 polegadas (5 cm) de isolantes termoacústicos. O telhado segue o mesmo padrão, e ainda recebe uma membrana externa à prova d’água para evitar infiltrações.
LEED Platinum

A construção possui certificação LEED Platinum. Os fabricantes garantem que entregam a casa com a “chave na mão” em um prazo de dez semanas. A edificação mede 360 m2 e uma preocupação dos arquitetos foi evitar que a construção tivesse um aspecto brutalista. Pelo contrário, depois de pronta a habitação se parece muito com uma casa de veraneio. “É um bunker, mas não se parece com um bunker”, comenta Joseph Rogge.
Os construtores asseguram que a casa antifuracão permite ao comprador economizar com seguro. O prêmio anual para construções na costa do golfo dos Estados Unidos costuma chegar a US$ 7 mil (R$ 22 mil). Da ForeverHome, em função das certificações que a construção obteve, as seguradoras cobram o prêmio de US$ 2,8 mil (perto de R$ 9 mil) por ano. Nos recentes furacões que atingiram os Estados Unidos, muitas famílias na região de Miami e de Orlando, na Flórida, e no Texas - alvo do Harvey - não precisaram procurar abrigo, pois estavam instaladas em seus “bunkers de concreto”.
Entrevistado
Joseph Rogge, porta-voz da ForeverHome
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jrogge@epiccreative.com
www.aboutforeverhome.com
Crédito Fotos: ForeverHome
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Designers inovam e criam relógios de concreto
Joia masculina se junta a outros elementos decorativos que passam a utilizar o material para ganhar novo visual e textura
Por: Altair Santos

O relógio é uma peça que não para de se transformar. Em mais um passo em direção à inovação, designers norte-americanos decidiram incorporar o concreto à joia masculina. O material substitui os mostradores tradicionais e, segundo os designers Jonathan Thai e Mike Yim - criadores dos modelos -, o objetivo foi manter as imperfeições no acabamento, para que nenhum relógio se pareça com outro. “As bolhas que emergem na superfície do concreto, durante a cura, dão detalhes diferenciados aos mostradores”, dizem.
Os criadores da peça já atuaram na área de design industrial e engenharia. Por ter conhecimento de produção de concreto, Mike Yim foi quem projetou usar o material como matéria-prima para o mostrador. A estrutura tem 13 milímetros de espessura e foi fabricada com concreto leve autoadensável (CLAA). Apesar de ter 4,3 centímetros de diâmetro, possui resistência à compressão de 43 MPa. “Quisemos aliar requinte, mas sem deixar a brutalidade do concreto de lado”, explica.

O relógio pesa 90,72 gramas e os designers informam que o sucesso das peças os fazem pensar em produzir novas joias usando o concreto como matéria-prima. “A ideia de experimentar o concreto de maneiras não-convencionais e reinventá-lo em um contexto artístico se mostrou não apenas fascinante, mas despertou o interesse do público”, revelam. O modelo mais barato é vendido ao preço de 129 dólares nos Estados Unidos – cerca de 400 reais. “São peças exclusivas, pois a desforma do concreto faz com que um design seja diferente do outro”, completam.
De joias a objetos do dia a dia
Outros relógios usando concreto já chegaram ao mercado. Porém, utilizam o material como uma moldura em torno do tradicional mostrador de metal ou plástico. A incorporação do betão ao corpo da joia é a inovação do escritório de design Agregatte, que usou o crowdfunding (financiamento coletivo) para viabilizar o projeto. Os primeiros cem relógios produzidos foram presenteados a quem ajudou com recursos na fabricação das peças.

Projetar joias, obras de arte e até roupas usando concreto se tornou prática comum entre designers. O material se incorpora também a objetos do dia a dia, incluindo capas para smartphones, luminárias e peças de decoração com concreto translúcido. Na Austrália, o designer Johannes Kirnbauer desenvolve joias femininas usando o concreto como matéria-prima. Anéis, colares, pulseiras e gargantilhas fazem parte da coleção que agrega o material a pedras preciosas e metais como prata e ouro.
Todos esses artefatos têm um elemento em comum que é misturado ao concreto: o talco industrial. Ele oferece textura e acabamento ao material, além de permitir o molde em fôrmas de silicone, poliuretano e látex, explorando toda a versatilidade do betão. A crescente aplicação do concreto em elementos que não se referem à construção civil também tem despertado o interesse da indústria química, que passou a produzir aditivos específicos para materiais que exigem um acabamento mais refinado e leve.
Entrevistado
Designers Jonathan Thai e Mike Yim, da Agregatte (via assessoria de comunicação)
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alexandra@aggregatewatches.com
www.aggregatewatches.com
Crédito Fotos: AgregatteWatch e Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Sensores dizem medir tempo de cura do concreto. Será?
UFJF desenvolveu estudo sobre equipamentos e concluiu que eles ajudam, mas precisam ser acompanhados de cálculos matemáticos
Por: Altair Santos
O mercado de equipamentos para a indústria do concreto os batizou de “sensores inteligentes”. São aparelhos portáteis, alguns deles equipados com câmeras fotográficas, que prometem medir o tempo exato da cura do concreto, assim como a temperatura e a resistência do material. Além disso, de acordo com os fabricantes, as informações são coletadas por softwares que analisam as propriedades do concreto e compartilham os dados com a obra em tempo real.

A pergunta é: esses equipamentos cumprem o que prometem? A eficácia desses aparelhos já foi até argumento para uma tese desenvolvida no departamento de engenharia civil da Universidade Federal de Juiz de Fora - MG. Coordenador do estudo, o professor-doutor Antônio Eduardo Polisseni responde se os sensores para concretagem realmente funcionam. Confira:
O senhor esteve à frente do estudo “Utilização de Sensores Destinados a Prever a Taxa de Evaporação da Água do Concreto, no Estado Fresco, com a Finalidade de Controlar sua Fissuração Superficial”. A pergunta é: os sensores realmente cumprem esse papel de determinar o tempo exato de cura do concreto?
Neste trabalho, os sensores foram utilizados para prever a necessidade de se iniciar o processo de cura em uma superfície de concreto recém-lançado. Especificamente, uma laje de transição que receberia cinco pavimentos em alvenaria estrutural em blocos cerâmicos. A laje foi concebida com a tecnologia de concreto protendido, utilizando-se protensão leve. No meio técnico, é quando a taxa de evaporação de água de uma superfície de concreto atinge valores maiores que 1,5 litro/m²/h. Por isso, a probabilidade de uma laje com essas características fissurar é muito grande. Para monitorar a quantidade de água que evaporava da superfície do concreto foram utilizados sensores. Eles ajudaram a medir as condições ambientais de temperatura do concreto, temperatura do ar, velocidade de vento e umidade relativa do ar.
Atualmente, o mercado oferece uma variedade desses equipamentos. Alguns prometem fazer a medição por infravermelho, a laser, além de softwares que asseguram analisar a propriedade do concreto e compartilhá-los com a obra em tempo real. Essas ferramentas ajudam a tornar os concretos mais eficientes?
Os sensores utilizados na obra que citei não visavam medir o aumento de temperatura na massa do concreto simplesmente, como é o caso do que ocorre quando se estuda “concreto massa”. Os sensores que medem velocidade de vento, umidade relativa do ar e sua temperatura, além dos termômetros de vareta ou infravermelho, são eficazes para detectar estes parâmetros físicos, que, junto com fórmulas matemáticas, permitem determinar a taxa de evaporação de água do concreto.

O tempo de cura é muito subjetivo, pois depende de vários fatores – climáticos, inclusive. Será que esses equipamentos não medem, de fato, o tempo de pega inicial do concreto, em vez da cura?
Estamos falando de taxa de evaporação de água que, de certa forma, está ligada à pega do concreto. Quando do lançamento do concreto, a norma brasileira NBR 7212 (ABNT NBR 7212 - Execução de Concreto Dosado em Central) estabelece que a temperatura do ar no ambiente seja de no mínimo 5 °C e no máximo de 30 °C. Porém, as diferenças climáticas no Brasil são imensas e variam de região para região. Da mesma forma, a temperatura do concreto em determinadas regiões brasileiras pode atingir 34 °C, 38 °C, o que não é conveniente. Nestes casos, deverão existir estudos específicos para, de alguma forma, arrefecer a massa de concreto. Utiliza-se, por exemplo, gelo em escama, pois uma massa de concreto com alta temperatura é sinônimo de aparecimento de trincas de retração que vão ocorrer nas primeiras horas e não poderão ser combatidas nem com armadura de pele ou mesmo com a utilização de fibras sintéticas ou metálicas. O arrefecimento desta massa de concreto tem que ser estudado e operacionalizado no campo.
Qual o principal benefício desses sensores que medem o concreto antes de seu estado endurecido?
Medir a taxa de evaporação de água para que se monitore em tempo real quando deve ser iniciada a cura. Chamo a atenção que não vamos fazer aspersão de jatos de água diretamente sobre o concreto com 60 minutos ou menos de lançamento, porém podemos criar um microclima através da aspersão de uma névoa de água ou mesmo a aspersão de agentes químicos de cura. Desta forma, não causaremos abrasão na superfície do concreto.
É possível esses equipamentos também definirem uma melhor reologia do concreto?
De uma forma resumida, a reologia do concreto está relacionada com as suas características de deformação e de mobilidade. Atualmente, nas obras procura-se especificar concretos que tenham propriedades reológicas, por exemplo, facilidade de lançamento. Estes concretos, em função das condições ambientais, poderão ser monitorados por meio de sensores com o objetivo de se prever o início de sua cura no canteiro de obra.
Está bem difundido o uso desses equipamentos na construção civil?
Não. Mas é uma grande oportunidade do meio técnico pensar nesta oportunidade de tecnologia. Quem executa obras, tais como barragens, pavimentos rígidos, pisos industriais, sapatas em centros urbanos, tem preocupação com a possibilidade do aparecimento de trincas nas estruturas de concreto. Esses equipamentos podem ajudar a minimizar ou mesmo evitar que estas trincas ocorram.
O senhor sabe dizer se o Brasil já dispõe de tecnologia para produzir sensores ou boa parte destes equipamentos são importados?
Sim. Existem empresas brasileiras que fornecem estes equipamentos. Porém é de suma importância que o engenheiro que for fazer uso destes equipamentos saiba utilizá-los em conjunto com as equações matemáticas que modelam o fenômeno.
O estudo que o senhor esteve à frente usou um tipo específico de sensor ou foram usados diversos equipamentos?
Foram vários sensores, juntamente com os cálculos matemáticos.
Entrevistado
Antônio Eduardo Polisseni, engenheiro civil e professor-doutor da Universidade Federal de Juiz de Fora, com experiência em projetos, materiais, componentes de construção e sistemas construtivos
Contato
aepolisseni@gmail.com
Crédito Fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Novo funding promete alavancar setor imobiliário
Banco Central regulamenta a LIG (Letra Imobiliária Garantida). Título tende a ampliar o volume de financiamentos para imóveis
Por: Altair Santos
Recentemente regulamentada pelo Banco Central, a LIG (Letra Imobiliária Garantida) é o novo funding que promete alavancar o setor imobiliário. Segundo a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) o título de longo prazo permitirá que o crédito imobiliário possa alcançar o equivalente a 20% do PIB em recursos para investir, o que, com a caderneta de poupança e o FGTS, não tem sido possível. Além disso, a LIG poderá permitir que investidores estrangeiros se interessem pelo setor imobiliário do Brasil. A expectativa é de que a letra imobiliária seja oferecida a partir de 2019 e leve de dois a três anos para se consolidar, como explica Renato Ventura, vice-presidente da Abrainc, na entrevista a seguir:

O que vem ser a LIG?
São títulos emitidos por instituições financeiras, e que possuem dupla garantia. Uma é a própria instituição, com seu balanço; outra é o conjunto de ativos imobiliários atrelados à emissão da LIG.
Qual a importância da LIG para o mercado de incorporação imobiliária e na retomada do crescimento econômico?
O mercado imobiliário tem dependido de fontes de financiamento limitadas – basicamente, a caderneta de poupança e o FGTS. Em 2015, o crédito imobiliário representava 9,1% do PIB. Este número atinge 62,9% nos EUA, 68,3% no Reino Unido e 21,4% no Chile. Assim, o setor imobiliário está aquém de seu potencial no Brasil. A LIG se constitui em alternativa de mercado, muito importante para que o setor imobiliário possa cumprir sua função de produção de habitação, de acordo com as necessidades do país.
Como está o processo de implantação da LIG no Brasil?
No final de agosto foi cumprida a etapa que faltava, que foi a regulamentação pelo Banco Central no dia 29. Agora, é a fase de início de aprendizado, lançamento e atração de investidores.
Já há uma perspectiva de quando esse novo modelo de investimento poderá ser vendido no Brasil?
Imaginamos que nos próximos meses este processo será iniciado, passando a ganhar volume à medida que o conhecimento deste novo instrumento seja disseminado.
A LIG pode substituir a poupança, como principal fomentador do mercado imobiliário no Brasil?
A ideia é de que sejam complementares. Sendo um instrumento de mercado, a LIG tem amplo potencial de crescimento.
A LIG tende a ser um fomentador da construção civil no Brasil?
Sim, o funding é fundamental para o setor. Trata-se de um novo instrumento de mercado, muito importante para fazer crescer a oferta de recursos para financiar a construção civil.
A LIG pode atrair investidores estrangeiros para o mercado imobiliário brasileiro?
Sim. A LIG se inspira em instrumento tradicional e bem-sucedido, principalmente na Europa, que são os covered bonds. Isso, aliado à sua adequada regulamentação, traz todas as condições para que estes papéis recebam a confiança dos investidores internacionais.
Para quem quer comprar um imóvel para morar, qual o impacto que a LIG causará?
A maior disponibilidade de funding se traduz em mais oferta - e possivelmente melhores custos - de recursos para o mercado imobiliário. Significa que causará efeito nos financiamentos para a aquisição de moradias.
E para quem compra imóvel para investir, qual o impacto?
O mesmo. O beneficiário será o mercado e o país, com maior produção e menores custos nos imóveis.
A implantação da LIG depende de alguns cenários econômicos que ainda precisam ser definidos? Caso sim, quais?
A LIG é um título de longo prazo. Com isso, além de suas condições, seu sucesso depende de inflação controlada e taxas de juros compatíveis. O equilíbrio fiscal e a estabilidade econômica são fundamentais para seu sucesso.
Entrevistado
Engenheiro civil, administrador e mestre em real estate pelo Massachusetts Institute of Technology, Renato Ventura – vice-presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc)
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comunicacao@abrainc.org.br
Crédito Foto: Abrainc
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Estaca escavada de concreto usa resíduos de pneus
Borracha substitui areia, mas estrutura consegue preservar resistência com a adição de mais cimento na mistura
Por: Altair Santos
Pesquisa desenvolvida na Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp conseguiu tornar realidade a incorporação de resíduos de borracha proveniente da recauchutagem de pneus, substituindo parcialmente a areia. O estudo permite que o agregado seja usado em estacas escavadas e moldadas in loco, para obras do tipo residência de pequeno e médio porte (até dois pavimentos). Para compensar a perda de resistência do concreto, por causa da substituição da areia por partículas de resíduos de pneus como agregado miúdo, é aumentada a adição de cimento à mistura.

A pesquisa tornou-se realidade a partir da dissertação do engenheiro civil Valério Henrique França, com a orientação do professor Newton de Oliveira Pinto Júnior. O conceito inicial da pesquisa não tinha como objetivo produzir estacas escavadas, mas sim testar a aderência entre o aço e o concreto, preparado a partir da substituição parcial da areia por resíduo de borracha proveniente da recauchutagem de pneus. O rumo do estudo começou a mudar quando foram realizadas as pesquisas de campo. Foram moldadas três estacas em concreto convencional e outras três em concreto com resíduos de borracha. Os dois tipos de estacas revelaram comportamentos muito similares quanto à deformação e ao recalque.
Todas as estruturas moldadas tinham seis metros de profundidade e 30 centímetros de diâmetro. Elas foram submetidas a ensaios de carga sob pressão de até 25 toneladas. As estacas em que 10% da areia foram substituídas por resíduos de borracha se comportaram nos testes de resistência igual às estacas convencionais. Vale lembrar que a mistura também recebeu a mesma proporção a mais de cimento, ou seja, 10%. “Os testes comprovam que o aproveitamento de resíduos de borracha em estacas escavadas in loco é totalmente viável do ponto de vista técnico”, diz Valério Henrique França.
Trinta anos de pesquisa
A dissertação começou em 2003, na Faculdade de Engenharia do Campus de Ilha Solteira – unidade que integra a Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP). Na Unicamp, junto com o professor Newton de Oliveira Pinto Junior, Valério Henrique França, que hoje também é professor na Universidade Paulista (UNIP), vem desenvolvendo sua pesquisa para chegar ao mercado. Embora o processo ainda dependa de um estudo de viabilidade econômica, o pesquisador considera que o maior lucro advém do ganho ambiental.
A Unicamp alerta que pesquisas sobre a incorporação de resíduos de borracha de pneus em concreto têm sido realizadas há mais de 30 anos. Porém, o uso efetivo em estacas, particularmente em estacas moldadas in loco, não possui registro na literatura técnica e científica. Outra motivação para o estudo é que o Brasil fabrica anualmente 68 milhões de pneus, além de ser o segundo país do mundo em recauchutagem de compostos de borracha. Tal processo libera grande volume de resíduos e que, em aterros sanitários, levam até 240 anos para completar o ciclo de degradação.
Entrevistado
- Newton de Oliveira Pinto Júnior, professor-doutor do departamento de estruturas da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp (via assessoria de imprensa da Unicamp)
- Engenheiro civil Valério Henrique França, doutorando pela Unicamp, professor da Universidade Paulista (UNIP- Campus Araçatuba-SP) e gerente da construtora Andrade Galvão Engenharia Ltda. (via assessoria de imprensa da Unicamp)
Contato
pintojr@fec.unicamp.br
Crédito Foto: YouTube
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Estudo sobre Revolução 4.0 diz quais empregos vão sumir
Pesquisa indica que mais da metade das profissões hoje ofertadas no mundo estará suscetível a ser substituída por máquinas
Por: Altair Santos
O Instituto Global McKinsey, nos Estados Unidos, publicou o mais completo estudo sobre o impacto da Revolução Industrial 4.0 no emprego mundial. O levantamento mensurou quais profissões estão mais ameaçadas pela automação e pela robótica e mostra o porquê das empresas estarem propensas a trocar seres humanos por robôs. A pesquisa leva em conta a transformação que a Revolução 4.0 irá causar no mercado de trabalho até 2075. Ela sugere que 51% dos empregos hoje ofertados no mundo estão suscetíveis a serem substituídos 100% por máquinas.

O estudo lembra que algumas profissões já sofrem diretamente o impacto da automação e da robótica. Um exemplo é o profissional que exercia a função de caixa bancário e foi substituído por máquinas que aceitam depósitos, fornecem dinheiro, aceitam pagamento de contas e fazem investimentos. O mesmo vai ocorrer com caixas em estabelecimentos comerciais, prevê a pesquisa, lembrando que funções que exigem raciocínio repetitivo e trabalho braçal estão todas fadadas a serem substituídas por robôs. De operário a costureiras em fábricas de confecções, todos estão na lista.
A construção civil e a mineração também tendem a ser áreas muito impactadas pela presença da robótica. Assentar tijolos, rebocar paredes, pintar, armar ferragens, concretar e demolir são funções que máquinas já começaram a desempenhar. O relatório do Instituto Global McKinsey faz a seguinte análise: “A automação pode permitir que as empresas melhorem o desempenho, reduzam erros, elevem a qualidade e a velocidade e, em alguns casos, alcancem resultados que ultrapassem a capacidade humana”. Ainda segundo o estudo, a produtividade global pode aumentar de 0,8% a 1,4% com a entrada dos robôs no mercado de trabalho.
Haverá desemprego em massa?
O estudo aponta que apenas 5% das profissões hoje conhecidas não estariam ameaçadas pela robótica e a automação. A pesquisa traz ainda dados mais impressionantes. Aponta que as empresas podem economizar o equivalente a US $ 15 trilhões em salários anualmente. Revela também que na China a automação pode colocar em risco 395 milhões de postos de trabalho; na Índia, 235 milhões; nos Estados Unidos, 60 milhões, e no Brasil, quase 54 milhões. O Instituto Global McKinsey estabelece o ano de 2055 como um marco para o aprofundamento das transformações, mas alerta que, dependendo do país, elas podem chegar 20 anos antes (2035) ou 20 anos depois (2075).
Para os pesquisadores, há uma certeza: a forma como as pessoas trabalham hoje vai mudar. “A escala de mudanças na força de trabalho é de uma ordem de grandeza semelhante às mudanças tecnológicas ocorridas entre o final do século XIX e o decorrer do século XX. O mundo deixou de ser agrícola para se tornar industrial. Essas mudanças não resultaram em desemprego em massa, pois foram acompanhadas pela criação de novos tipos de trabalho. Não podemos dizer definitivamente se o cenário será diferente desta vez. Nossa análise mostra que os seres humanos ainda serão necessários na força de trabalho. Mas eles terão de aprender a trabalhar ao lado das máquinas”, conclui o estudo.
Clique aqui e leia o estudo completo do Instituto Global McKinsey.
Entrevistado
Instituto Global McKinsey, com base em pesquisa liderada por James Manyika, Michael Chui, Mehdi Miremadi, Jacques Bughin, Katy George, Paul Willmott e Martin Dewhurst
Contato
media_relations_inbox@mckinsey.com
Crédito Foto: McKinsey Global Institute
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
México constrói habitação social com blocos de encaixar
Desenvolvidos no México, artefatos dispensam uso de argamassas para fixação e também não necessitam de mão de obra especializada
Por: Altair Santos
O arquiteto Jorge Capistrán fez da inovação uma oportunidade para estimular a construção de habitações de interesse social em seu país, o México. Através de sua empresa, a Armados Omega, ele criou o Block ARMO. São blocos de concreto produzidos com resíduos de construção, cujas peças formam paredes estruturais e de vedação encaixando-se umas nas outras. As peças dispensam o uso de argamassas e podem ser montadas sem a exigência de mão de obra especializada.

Cada Block ARMO mede 12 x 20 x 40 cm. A geometria lembra brinquedos infantis, como quebra-cabeças e Lego. Conforme as peças se encaixam vão dando sustentação umas às outras, criando paredes que podem ser sustentadas por pilares pré-fabricados em suas extremidades. Jorge Capistrán conseguiu patentear e obter autorização do governo mexicano para colocar no mercado o sistema construtivo inovador. Em 2015, a invenção ganhou o prêmio nacional de inovação tecnológica do México.
Com mão de obra treinada, a construção de uma habitação de interesse social com essa tecnologia pode ser erguida na metade do tempo de uma construção convencional. Os custos também sofrem redução – em média, 25% menos, dependendo de cada região do México. “A intenção é tornar o sistema ainda mais barato. Conforme a demanda for aumentando, a produção de artefatos cresce e permite baixar ainda mais o custo”, diz Juan Manuel Reyer, diretor-comercial da empresa.
O desenvolvimento da tecnologia começou em 2007. A ideia nasceu da intenção de projetar uma casa funcional e barata, que pudesse substituir habitações improvisadas. “Pensamos em elementos funcionais e decorativos, que são feitos do mesmo material e com os mesmos equipamentos, para otimizar a industrialização. O sistema é ilimitado em termos de formato das peças e pode se adaptar a vários tipos de projetos”, assegura Jorge Capistrán, que começou a construir os primeiros protótipos em 2011.
Validado pela Universidade de Stanford

Segundo o inventor do Block ARMO, as estruturas criadas por ele foram testadas e aprovadas pelo departamento de engenharia técnica da Universidade de Stanford. O interesse norte-americano surgiu depois que o sistema foi empregado para construir 300 casas em Serra Negra, na região de Puebla, considerada uma das áreas mais pobres da cidade mexicana. Os blocos passaram a integrar um programa de validação, coordenado pela Conacyt TechBA-FUMEC - organismo que viabiliza acordos tecnológicos e de pesquisa entre México e Estados Unidos.
Atualmente, a empresa que fabrica os blocos busca financiamento para seguir aperfeiçoando o material. Outra meta é conseguir a validação do Conselho Nacional de Habitação (CONAVI), para que possa entrar definitivamente nos sistemas construtivos validados pelos programas de habitação social do México. Com isso, estima Jorge Capistrán, a evolução da tecnologia estará assegurada e poderá ser difundida em outros países – principalmente, na América Latina, onde o déficit habitacional é um dos maiores do mundo.
Veja vídeo sobre a aplicação dos blocos em uma construção:
Entrevistado
Arquiteto Jorge Capistrán, dono da Armados Omega e idealizador do Block ARMO
Contato
info@armo-system.com
Crédito Fotos: Armados Omega













