Curso de engenharia civil une SindusCon-PR, FAE e SENAI

Graduação começa no primeiro semestre de 2018 e objetivo dos organismos é que alunos tenham oportunidade de vivenciar o dia a dia do setor

Por: Altair Santos

O SindusCon-PR, a FAE e o SENAI se uniram para criar um curso superior em engenharia civil. A graduação começa no primeiro semestre de 2018 e as inscrições para o vestibular já podem ser realizadas a partir do dia 11 de setembro. “Serão ofertadas 100 vagas, 50 para o turno matutino e 50 para o noturno”, explica o pró-reitor de ensino, pesquisa e extensão da FAE, Everton Drohomeretski.

Everton Drohomeretski, pró-reitor da FAE: curso terá 100 vagas (50 matutino e 50 noturno)
Everton Drohomeretski, pró-reitor da FAE: curso terá 100 vagas (50 matutino e 50 noturno)

Estudo recente mostra que a graduação de engenharia civil está entre as 10 com maior procura e matrícula de alunos no Paraná. Já em Curitiba, é o quinto curso com mais demanda. No entanto, existem gargalos a serem superados, segundo avalia o SindusCon-PR. Um deles, é a dissociação das disciplinas acadêmicas com o mercado de trabalho. É neste ponto que a engenharia civil da FAE pretende se diferenciar. “Ele foi projetado para contribuir com o desenvolvimento da construção civil do amanhã”, resume Everton Drohomeretski.

A graduação de engenharia civil da FAE terá cinco pilares: inovação, sustentabilidade, manejo de novas tecnologias e ferramentas, acessibilidade e novos modelos construtivos. “A formação vai incluir, desde cedo, conceitos avançados como BIM (Building Information Modeling) e tecnologias da indústria 4.0, como automação, sistemas inteligentes e tecnologias limpas. Mas os alunos também contarão com a matriz tradicional, pois é obrigatória a todos os cursos de graduação na área”, explica o pró-reitor.

O curso será 100% presencial e o corpo docente está em formação. “Para esse novo curso, como a FAE já conta com as graduações de engenharia mecânica e engenharia de produção, boa parte dos professores poderão ser aproveitados. Mas, para as disciplinas específicas, os professores ainda estão em fase de contratação. O processo seletivo já está quase concluído e, em breve, o corpo docente de engenharia civil estará completamente formado”, avisa Everton Drohomeretski.

Momento ideal
O pró-reitor avalia que o curso surge em um momento de retomada da construção civil, e que os primeiros formandos terão um mercado aquecido - e exigente - pela frente. “Foi para ofertar uma graduação voltada para esse novo mercado que a FAE se uniu à indústria, por meio da parceria com o SENAI, e aos engenheiros, através do SindusCon-PR. Eles nos disseram que os novos engenheiros civis precisam ser antenados e conhecedores de tecnologia, que entendam de gestão e sejam empreendedores, além de estarem atentos à sustentabilidade. São esses profissionais que vamos entregar ao mercado da construção civil”, diz Everton Drohomeretski.

A parceria permitirá que o SindusCon-PR faça a conexão com as empresas associadas, para que os alunos tenham oportunidade de vivenciar o dia a dia do setor. A FAE oferecerá toda a sua expertise, infraestrutura e os professores. Já o SENAI atuará na frente prática, disponibilizando laboratórios, estágios e projetos. “Para o SENAI, isso faz parte de sua missão institucional, que é oferecer condições e alternativas em educação para as indústrias”, reforça o diretor-regional do SENAI, José Antonio Fares.

Já o vice-presidente de área técnica do SindusCon-PR, Euclésio Finatti, complementa: “A criação do curso busca as mudanças que envolvem o setor, no que concerne à inovação. É preciso pensar a construção civil com mais produtividade, aliando o conhecimento com as novas tecnologias, métodos que trarão mais agilidade e assertividade nos projetos futuros.”

Entrevistados
- Engenheiro civil Euclésio Finatti, vice-presidente de área técnica do SindusCon-PR (via assessoria de imprensa)
- Psicólogo e mestre em gestão empresarial José Antonio Fares, diretor-regional do SENAI (via assessoria de imprensa)
- Doutor em Engenharia de Produção Everton Drohomeretski, pró-reitor de ensino, pesquisa e extensão da FAE (via assessoria de imprensa)

Contatos
imprensa@sindusconpr.com.br
senaicampus@pr.senai.br
imprensa@fae.edu

Crédito Foto: FAE

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Maior ponte sobre o mar será inaugurada na China

A HZMB liga Hong Kong, Zhuhai e Macau, ocupando extensão de 50 quilômetros, incluindo trecho de túnel submerso sob as águas

Por: Altair Santos

Ilha artificial abre passagem para o túnel submerso em águas
Ilha artificial abre passagem para o túnel submerso em águas

A maior ponte do mundo sobre águas marítimas está prestes a ser inaugurada na China. Com 50 quilômetros de comprimento - incluindo túneis -, a estrutura será aberta para o tráfego de veículos no final de 2017. Estima-se que em novembro esteja liberada para receber um fluxo de 40 mil veículos por dia, ligando as cidades de Hong Kong, Zhuhai e Macau.

Batizada de HZMB (Hong Kong-Zhuhai-Macao Bridge) a construção começou em 2009. Três anos foram consumidos apenas para pavimentar a ponte e o complexo de túneis, que ocupa 6,7 quilômetros e faz a interligação entre duas ilhas artificiais que precisaram ser construídas para dar suporte estrutural à HZMB e permitir o tráfego de supernavios.

O concreto empreendido na obra chegou a 1,320 milhão de m³. O aço presente nas armaduras equivale a 420 mil toneladas - suficiente para construir 60 torres Eiffel. Boa parte desse volume foi usada nas peças pré-fabricadas e pré-moldadas in loco utilizadas nos pilares, no tabuleiro da ponte e na estrutura do túnel.

Descoberta de corrupção levou ao embargo de estruturas pré-fabricadas
Descoberta de corrupção levou ao embargo de estruturas pré-fabricadas

Uma indústria de pré-fabricados, assim como uma central de concreto, foi instalada no canteiro de obras da HZMB para abastecer a construção. No entanto, a produção ficou paralisada por um ano, quando organismos de fiscalização da China constataram que o material fornecido não atendia as especificações de resistência do projeto.

Foram detidos dois engenheiros-seniores, dois gerentes de laboratório, 12 técnicos de laboratório e fiscais do departamento de engenharia civil e desenvolvimento de Hong Kong, que eram subornados para validar os testes com corpos de prova. O caso, descoberto em 2015, obrigou que todas as estruturas pré-moldadas fossem testadas novamente, com substituição de peças suspeitas.

A investigação ficou a cargo da Comissão Independente Contra a Corrupção (ICAC, da sigla em inglês) que detectou que eram produzidas amostras em conformidade com os projetos para fraudar laudos, mas que o concreto que ia para a obra não tinha as especificações exigidas. A paralisação fez o custo da ponte quase dobrar. De estimados US$ 10 bilhões, passou para US$ 19 bilhões.

Megaobras

Pavimentação da HZMB levou três anos para ser concluída
Pavimentação da HZMB levou três anos para ser concluída

A construção da HZMB também teve problemas com segurança. Dez trabalhadores morreram e mais de 600 ficaram feridos, num total de 275 registros de acidentes. A maior parte deles relacionados com as escavações marítimas para a instalação do túnel e também na construção das ilhas artificiais, que juntas consumiram 9.076.300 m3 de terra e resíduos da construção para que fosse realizado o aterro em pleno mar.

A HZMB faz parte de um complexo viário que busca tirar a sobrecarga de veículos que circulam pelas três cidades, por causa do tráfego gerado pelo aeroporto e o porto de Hong Kong. Além disso, a megaobra coloca a China como o país que mais concentra construções projetadas para bater o recorde no mundo - principalmente, as ligadas ao transporte. São chinesas a maior ponte sobre rio, a mais alta ponte sobre rio, o maior viaduto, o mais alto viaduto, o maior túnel rodoviário e o maior túnel ferroviário, além do maior aeroporto - o de Hong Kong -, e a maior hidrelétrica.

Veja vídeo sobre a construção da obra:

 

 

Entrevistado
Hong Kong-Zhuhai-Macao Bridge Corporation (via assessoria de imprensa)

Contato
hzmbo@hzmbo.com

Crédito Fotos: HZMB

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

No Brasil, concreto translúcido ainda está na academia

Pesquisadores alegam que faltam empresas dispostas a investir no material, o qual tem uso cada vez mais relacionado com a arquitetura

Por: Altair Santos

Segredo do concreto translúcido são as fibras ópticas
Segredo do concreto translúcido são as fibras ópticas

Em países europeus, assim como nos Estados Unidos, Canadá e Japão, o concreto translúcido está cada vez mais incorporado ao ambiente urbano e das edificações. A arquitetura desfruta do material para criar monumentos, destacar o mobiliário urbano ou como elemento decorativo em casas e edifícios. No Brasil, porém, a tecnologia ainda se limita às pesquisas acadêmicas, como revelou o professor-doutor Bernardo Tutikian, coordenador do Instituto Tecnológico de Desempenho para Construção Civil (itt Performance) da Unisinos-RS. “Faltam empresas para produzir e colocá-lo no mercado”, diz o pesquisador, que palestrou na edição 2017 do Concrete Show, realizado de 23 a 25 de agosto na cidade de São Paulo-SP.

O engenheiro civil Bernardo Tutikian atua na pesquisa do concreto translúcido desde 2009. Antes, em 2006, o professor-doutor Hélio Adão Greven deu os primeiros passos na UFRGS. Em 2008, com o professor Francisco Carvalho, foi a Universidade de Sobral-CE quem investiu no desenvolvimento do material. Em seguida, vieram a Universidade Federal de Santa Catarina, em 2010; a UNICAMP, em 2013, e mais recentemente a PUC-PR. No entanto, nenhuma empresa ainda se dispôs a produzir concreto translúcido em escala de mercado no Brasil, apesar de sua produção ser relativamente fácil. “O que torna o concreto translúcido é o uso de fibras ópticas. O essencial é que elas estejam de um ponto a outro, para permitir a passagem da luz”, explica Tutikian.

Paredes com blocos de concreto translúcido podem gerar economia de 20% em consumo de energia
Paredes com blocos de concreto translúcido podem gerar economia de 20% em consumo de energia

As fibras ópticas podem ser distribuídas uniformemente ou de forma randômica. Não existe uma restrição ao tipo de concreto a ser colocado na fôrma, apesar de que o autoadensável é o que tem sido usado com mais frequência. No começo do desenvolvimento da pesquisa, o custo do m3 ficava em torno de R$ 2.400,00. Atualmente, com a fibra óptica custando em torno de R$ 1,00 o metro, o valor de produção caiu consideravelmente. “O que ainda encarece é a mão de obra, já que o concreto translúcido segue produzido de maneira artesanal”, relata o professor da Unisinos, que ainda busca resposta sobre a durabilidade do material. “Temos peças na Unisinos que já duram dez anos. A dúvida é saber o quanto a fibra óptica resiste à alcalinidade do concreto. Diria que o estado da arte do concreto translúcido desenvolvido no Brasil hoje é de dez anos”, completa.

Luminosidade e normas técnicas
O concreto translúcido foi inventado em 2001 pelo húngaro Aron Losonczi, que patenteou a tecnologia em 2005. Não é à toa que a Hungria está entre os países que mais exportam peças de concreto translúcido. O material também está consolidado industrialmente em países como Alemanha, Áustria e República Checa. “Medições constatam que a tecnologia possibilita economia de até 20% no consumo de energia, devido à luminosidade que o concreto permite transpassar para o ambiente”, revela Bernardo Tutikian, lembrando que no Brasil o concreto translúcido deve seguir as principais normas técnicas que permeiam a construção civil no país, que são: ABNT NBR 15575 - Edificações Habitacionais - Desempenho; ABNT NBR 5674 - manutenção de Edifícios; ABNT NBR 14037 - Manual de Operações uso e Manutenção das Edificações, e ABNT NBR 16280 - Reforma em edificações - Sistema de gestão de reformas – Requisitos.

Bernardo Tutikian, no Concrete Show: Europa é o maior desenvolvedor de concreto translúcido
Bernardo Tutikian, no Concrete Show: Europa é o maior desenvolvedor de concreto translúcido

Entrevistado
Engenheiro civil Bernardo Fonseca Tutikian, professor-doutor e coordenador do Instituto Tecnológico de Desempenho para Construção Civil (itt Performance) da Unisinos-RS (com base em palestra concedida no Concrete Show 2017)

Contato
bftutikian@unisinos.br

Crédito Fotos: LitraCon e Cia. de Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Por que as incorporadoras saíram da Bolsa de Valores?

Entenda o que deu errado com as empresas que se aventuraram a colocar ações no mercado, mas não conseguiram dar retorno aos investidores

Por: Altair Santos

Entre 2005 e 2010, 27 empresas ligadas ao mercado imobiliário passaram a ofertar ações na Bolsa de Valores - as chamadas IPOs (Initial Public Offering [Oferta Pública Inicial]). Essa abertura aos investidores permitiu às incorporadoras captarem R$ 12 bilhões. O capital era suficiente para construir e oferecer financiamento a todas as faixas de renda que buscassem adquirir imóveis no Brasil. O cenário era tão favorável que algumas corporações do ramo triplicaram o tamanho. Parecia o cenário ideal, mas algo deu errado. Por quê?

Segundo o engenheiro civil Leonardo Nogueira Diniz, que entre 2011 e 2015 atuou como CEO da Rossi Residencial, as empresas do setor imobiliário que entraram na Bolsa de Valores tomaram decisões estratégicas equivocadas. Uma delas foi não procurar saber o perfil do investidor. “Os investidores queriam retorno rápido, em um setor em que o ciclo de maturação é de cinco anos. Quando as incorporadoras se depararam com essa incoerência, muitos já haviam fugido do investimento em ações no mercado imobiliário”, relata.

O especialista, que palestrou na edição 2017 do Concrete Show, realizado de 23 a 25 de agosto na cidade de São Paulo-SP, lembra ainda que outros erros impediram as empresas de dar retorno aos investidores. “Entre as medidas equivocadas, estão compras erradas de terrenos, expansão para mercados não tão maduros e a falta de cláusulas de barreira no setor. Como o mercado estava muito aquecido, qualquer um que tinha capital se tornou incorporador e construtor. Isso contaminou o mercado”, cita.

Com o fim das IPOs do mercado imobiliário no Brasil, as empresas passaram a trabalhar alavancadas, ou seja, sem capital começaram a buscar quem financiasse suas obras. “Boa parte deste dinheiro hoje, cerca de 80%, vem de bancos, poupança dos clientes e permuta por terrenos. O setor passou a se financiar muito com terceiros e a investir no imóvel na planta. O problema é que veio a crise e a demanda caiu. Daí, a regra dos imóveis na planta gerou uma explosão de distratos. Esse é o cenário atual do mercado imobiliário no Brasil”, descreve Leonardo Diniz.

Fim da aventura

Na análise do especialista, o momento do mercado imobiliário é para quem é do ramo. Por quatro motivos: os bancos restringiram os financiamentos, o desemprego e o risco de perda de emprego continuam altos, ainda existe uma alta taxa de imóveis estocados e os investidores fugiram do setor. O aspecto positivo, de acordo com Leonardo Diniz, é que as empresas amadureceram e passaram a entender melhor o consumidor. “Hoje, elas sabem que cada cidade é um mercado e que cada bairro é um mercado. Por isso, é preciso pensar em produtos diferenciados para o perfil de quem vai comprar imóvel”, avalia.

Outro ponto bem avaliado por Leonardo Diniz é que, com a baixa dos juros, o Brasil tende a ter dois mercados imobiliários futuramente. Um será o Minha Casa Minha Vida, para combater o déficit habitacional do país, e tendo a Caixa Econômica Federal como financiador e órgão regulador; o outro será gerido pelo mercado e pelos bancos privados, e que, dependendo da resposta, pode até estimular a volta das incorporadoras à Bolsa de Valores. Desta vez, sob uma nova realidade e com mais experiência.

Entrevistado
Engenheiro civil Leonardo Nogueira Diniz, sócio-fundador da Oakwood Real Estate, empresa de consultoria imobiliária (com base em palestra concedida no Concrete Show 2017)

Contatos
ldiniz@oakwood.com.br
www.oakwood.com.br

Crédito Fotos: Divulgação e Cia. de Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Vias do futuro chegam primeiro nas cidades menores

Municípios com até 300 mil habitantes adotam conceitos e materiais aprovados internacionalmente em suas ruas, superando as metrópoles

Por: Altair Santos

Vias com pavimento intertravado geram 40% de economia em manutenção
Vias com pavimento intertravado geram 40% de economia em manutenção

Segundo o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) vias do futuro devem atender a seis requisitos imprescindíveis. Precisam ter durabilidade, baixa manutenção, tecnologia para evitar ilhas de calor, além de ajudar a reduzir o consumo de energia, possuir baixo impacto ambiental e capacidade de reciclagem. No Brasil, há cidades seguindo a orientação do organismo da ONU, mas não são as metrópoles.

Municípios com até 300 mil habitantes, principalmente nas regiões sul e sudeste do país, decidiram adotar políticas de mobilidade urbana que contemplam os conceitos de vias do futuro. Os projetos são completos, como explica o engenheiro civil Alexsander Maschio, gerente regional da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). “O pavimento é um dos itens, mas têm ciclovias, calçadas, drenagens, galerias, arborização, mobiliário e iluminação, que influenciam na saúde dos cidadãos, na segurança da cidade e no convívio dos moradores”, revela.

Maschio palestrou na edição 2017 do Concrete Show, realizado de 23 a 25 de agosto na cidade de São Paulo-SP. O que as cidades pequenas e de médio porte entenderam é que cada tipo de via tem uma solução adequada, sejam elas de trânsito rápido, arteriais, vias coletoras ou locais. “Não se deve adotar uma solução única para todas as vias”, alerta o representante da ABCP, lembrando que o custo de construção não é o único fator a ser levado em conta.

Para o engenheiro civil, existem outros custos que precisam ser considerados, como custo de manutenção, de reabilitação após a vida útil, custo de impacto sobre os usuários, custo de operação e custo para a economia do município e para a sociedade. “Já imaginou uma via mal projetada e mal construída que precise de manutenção constantemente? O quanto ela vai impactar na vida das pessoas por ter que ser interrompida para o retratamento do pavimento? Quanto custa isso?”, questiona Alex Maschio.

Cidades de médio porte, como Blumenau-SC, se reurbanizaram usando pavimento intertravado em ruas e calçadas
Cidades de médio porte, como Blumenau-SC, se reurbanizaram usando pavimento intertravado em ruas e calçadas

Em qual cidade as pessoas querem morar?
Levando todos esses quesitos em consideração, cidades como Blumenau-SC, Timbó-SC, Francisco Beltrão-PR e Campo Largo-PR, entre outras, estão optando pelo pavimento intertravado com blocos de concreto, em vez do pavimento asfáltico. Para o representante da ABCP, o que pesa nesta decisão é o investimento de longo prazo. “O pavimento asfáltico tem um ganho inicial de 4% no começo, mas o pavimento intertravado acaba custando 40% menos no longo prazo. Por quê? Não precisa de manutenção e tem longa durabilidade. Além disso, agrega a sustentabilidade. Ele gera, em média, economia de 30% em consumo de energia, por causa da refletância. Também impacta nas ilhas de calor, pois absorve até 17 °C menos que o pavimento asfáltico”, relata.

Alexsander Maschio afirma que o desafio é levar as vias do futuro para as metrópoles. Algumas capitais já começam a testar projetos, como Curitiba-PR e Florianópolis-SC. O engenheiro admite que o processo nas grandes cidades é mais lento, mas avalia que os próprios moradores vão impor a mudança. “Na Idade Média, as cidades nasceram para a circulação a pé. A chegada do carro fez com que as cidades fossem invadidas. A prioridade aos veículos levou os pedestres a abandonar as ruas. Agora, é a hora de recuperar as cidades para quem mora nelas, que são as pessoas”, finaliza.

Alexsander Maschio, da ABCP-Sul, no Concrete Show: vias do futuro pensam primeiro no pedestre
Alexsander Maschio, da ABCP-Sul, no Concrete Show: vias do futuro pensam primeiro no pedestre

Entrevistado
Engenheiro civil Alexsander Maschio, gerente regional da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) (com base em palestra concedida no Concrete Show 2017)

Contato
alexsander.maschio@abcp.org.br

Crédito Fotos: Divulgação, Prefeitura de Blumenau e Cia. de Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

 


Segredo dos concretos competitivos está na reologia

Restrições ambientais e de sustentabilidade exigem que material tenha cada vez menos água, sem perder a trabalhabilidade

Por: Altair Santos

Rafael Pileggi: uso da tecnologia é imprescindível para produzir concreto eficiente
Rafael Pileggi: uso da tecnologia é imprescindível para produzir concreto eficiente

Em uma construção civil cada vez mais competitiva e em busca da eficácia dos materiais, o estudo da reologia do concreto surge como o ponto fora da curva para que as empresas do setor consigam produtos mais sustentáveis, sem perder tempo e dinheiro. Em resumo, esse foi o tema central da palestra do professor da Escola Politécnica da USP, Rafael Pileggi, no Concrete Show 2017, que aconteceu de 23 a 25 de agosto na cidade de São Paulo-SP.

Especialista em engenharia dos materiais, Pileggi lembrou que a reologia é tão antiga quanto a física - até porque, o primeiro reologista foi Isaac Newton, quando formulou a lei fundamental da gravitação. Trata-se da ciência que estuda a relação entre os esforços e a deformação da matéria. “Simplificando, para aquilo que nos interessa, é entender como os materiais escoam ou entram em movimento. Especificamente, o concreto”, diz o professor da USP.

Recentemente, Pileggi passou a se concentrar na pesquisa do estado fresco dos concretos - o que, em geral, ocorre nas primeiras duas horas do material -, e como isso pode trazer ganhos de sustentabilidade e de competitividade para quem produz e consome o produto. Partindo do princípio de que a trabalhabilidade é o grande segredo do concreto, o professor da USP dedicou-se a estudos que permitem produzir materiais eficientes com cada vez menos água.

Concreto do futuro

Estudos da reologia do concreto permitem que material consuma menos água, sem perder a trabalhabilidade
Estudos da reologia do concreto permitem que material consuma menos água, sem perder a trabalhabilidade

Daí, o aprofundamento no estudo da reologia do material. “Reologia hoje é dosagem e mistura, e isso impacta no transporte, no lançamento, no adensamento e no acabamento do concreto. O estudo da reologia leva a sistemas mais eficientes, leva a menos consumo de energia no misturador ou no balão da betoneira, e isso é economia de recursos, o que, para as empresas, significa lucro”, descreve Rafael Pileggi, lembrando que o concreto nunca deixará de ser o segundo produto mais consumido no planeta. Porém, lembra, agora ele precisa ser mais sustentável, ter melhor trabalhabilidade e ser menos trabalhoso em seu manuseio.

De acordo com o professor da USP, o concreto do futuro deve atender os seguintes requisitos: emitir menos CO2, consumir menos água, ter fácil utilização, fazer melhor uso dos outros materiais que o compõem (cimento, areia, brita ou fibras), gerar eficiência energética, ser durável e estar apto para a automação. “Ninguém mais quer concreto que dá trabalho. O contratante quer concreto na bomba. Só que o concreto não pode entupir a bomba. Pelo contrário, dependendo da demanda, ele quer concreto autoadensável ou concreto lançado em spray. No futuro próximo, também não vai querer a mão de obra. O cenário é de um concreto lançado e espalhado por robôs. Para se chegar neste futuro, o estudo da reologia do concreto será fundamental”, conclui.

Entrevistado
Engenheiro de materiais Rafael Pileggi, professor da Poli-USP, especialista em materiais cimentícios ecoeficientes (com base em palestra concedida no Concrete Show 2017)

Contato
rafael.pileggi@poli.usp.br

Crédito Fotos: Cia. de Cimento Itambé e Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Leis são barreiras para China investir no Brasil

Asiáticos são os maiores parceiros comerciais do país, mas para reforçar aliança querem entender melhor o complexo sistema jurídico brasileiro

Por: Altair Santos

Desde 2009, a China é o primeiro parceiro comercial do Brasil. Só em 2016, o país investiu US$ 12 bilhões em projetos dentro do território brasileiro - o dobro dos Estados Unidos no mesmo período. No entanto, o investimento poderia ser muito maior, sobretudo em obras de infraestrutura. Os chineses já anunciaram o desejo de injetar R$ 32 bilhões em projetos relacionados com logística (ferrovias, rodovias e portos), energia, agroindústria, tecnologia e telecomunicações. Porém, o que represa esse volume de recursos é a legislação do Brasil.

Investimento em logística é uma das prioridades da China no Brasil
Investimento em logística é uma das prioridades da China no Brasil

Os chineses estão descobrindo que o sistema jurídico brasileiro tem um peso considerável para o êxito dos seus negócios. “A percepção deles é de que a nossa legislação é extremamente complexa e não tão amigável para os negócios. Abrir um canal de diálogo entre as empresas chinesas e especialistas nas várias áreas do direito brasileiro é uma iniciativa que pode favorecer, de modo pragmático, o entendimento do nosso sistema jurídico e ajudar a promover a relação bilateral entre o Brasil e a China”, afirma o professor Evandro Menezes de Carvalho, coordenador do núcleo de estudos China-Brasil da Fundação Getúlio Vargas-Rio (FGV-Rio).

Evandro Menezes de Carvalho coordenou o seminário “Brasil-China: Desafios Regulatórios e Legais para as Empresas e Investimentos Chineses no Brasil”, realizado dia 3 de agosto de 2017, na cidade do Rio de Janeiro. Ele dividiu a iniciativa com o diretor da estatal chinesa de petróleo, a China National Offshore Oil Corporation (CNOOC), Sheng Jianbo. A empresa integra o Claifund - Fundo de Cooperação Chinesa para Investimento na América Latina -, e que recentemente fez um aporte de US$ 15 bilhões para a criação do fundo Brasil-China de Cooperação para Expansão da Capacidade Produtiva.

Mais negócios, menos burocracia
O objetivo é investir em projetos prioritários para a infraestrutura do Brasil. Os recursos serão direcionados principalmente a projetos em setores como logística, energia, recursos minerais, tecnologia avançada, agricultura e agroindústria. De acordo com o secretário de assuntos internacionais do ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Jorge Arbache, esse fundo tem uma característica diferenciada em relação aos demais que a China mantém com outros países. "De todos os fundos geridos pelo Claifund, este é o único que tem acordo paritário, ou seja, com decisões do mesmo peso dos dois lados. É uma conquista", afirma Arbache. O Brasil contribuirá com R$ 5 bilhões para o fundo.

Antes, porém, os chineses querem entender também como funcionam as agências reguladoras na administração pública brasileira. Por isso, promoveram o seminário em parceria com a FGV-Rio. O encontro serviu ainda para compreender como funciona o outro lado: a visão empresarial chinesa. “Quanto mais os profissionais do direito se relacionam com essas empresas, mais aprendem sobre a visão chinesa dos negócios, o que pode favorecer empresas brasileiras no país asiático. Como existe um gap muito grande de conhecimento entre as partes, o seminário foi a primeira iniciativa no Brasil de aproximação com as empresas chinesas", resume Evandro Menezes de Carvalho.

Entrevistados
- Evandro Menezes de Carvalho, doutor em direito internacional pela USP e coordenador do núcleo de estudos China-Brasil da Fundação Getúlio Vargas-Rio (FGV-Rio) (via assessoria de imprensa)
- Economista Jorge Arbache , secretário de assuntos internacionais do ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (via assessoria de imprensa)

Contatos
evandro.carvalho@fgv.br
imprensa@planejamento.gov.br

Crédito Foto: Agência Brasil

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

UNICAMP passa a ser a principal universidade latina

Ranking da revista britânica Times Higher Education valoriza volume de pesquisas e transferência de conhecimento da universidade

Por: Altair Santos

A Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) assumiu o primeiro lugar no ranking de universidades da América Latina, incluindo o México, segundo levantamento da revista britânica Times Higher Education - especializada em notícias sobre o ensino superior em todo o mundo. A UNICAMP, localizada em Campinas-SP, superou a USP (Universidade de São Paulo) pela primeira vez. O que faz a diferença é a capacidade de transferir conhecimento para o mercado, sobretudo para a indústria, e o volume de citações em trabalhos internacionais. A USP segue liderando em número de pesquisas, mas que ficam restritas ao universo acadêmico.

Reitor Marcelo Knobel, em assinatura de convênio com universidade da Coreia: UNICAMP lidera em parcerias internacionais
Reitor Marcelo Knobel, em assinatura de convênio com universidade da Coreia: UNICAMP lidera em parcerias internacionais

O desempenho da UNICAMP engloba também seus trabalhos relacionados à engenharia civil e à arquitetura e urbanismo. No total, a Times Higher Education avalia 13 quesitos relacionados à qualidade do ensino, pesquisa, transferência de conhecimento e grau de internacionalização. "A USP lidera na qualidade de seu ambiente de pesquisa, mas a Universidade de Campinas supera em quantidade de citações em outros trabalhos internacionais e em transferência de conhecimento para a indústria", diz Phil Baty, editor do ranking, que, pela segunda vez, avalia as universidades sul-americanas.

Marcelo Knobel, reitor da Universidade Estadual de Campinas, disse que o resultado do ranking reflete a estratégia de 15 anos de investimentos que a instituição fez em sua área de pesquisa e dos esforços para transferir conhecimento. “A universidade tem um processo muito seletivo na contratação de professores focados em pesquisa e trabalha em estreita colaboração com empresas”, relata. Para Knobel, a partir de agora, o esforço deve ser redobrado. “Temos agora um esforço extra para, apesar da grave crise que estamos atravessando, conseguir manter essa posição no cenário internacional”, ressalta.

O reitor afirma que a UNICAMP - assim como as demais universidades públicas do Brasil - trava uma luta com a escassez de recursos. "Nosso orçamento está perto do que era em 2008, mas o problema é que a universidade cresceu cerca de 30% nesse mesmo período. Mesmo com a expansão, tivemos que restringir nosso investimento em novos edifícios. Isso afetará a pesquisa e o funcionamento da universidade", afirma. A falta de investimento se reflete no ranking. Em 2016, o Brasil teve 23 universidades entre as 50 melhores da América Latina. Neste ano, foram 18.

Chile é o que mais cresce
Para Phil Baty, editor da Times Higher Education, a situação de crise do país acende a luz de alerta para a competitividade das universidades do país. Segundo ele, proporcionalmente, o Brasil já gasta menos com o ensino superior que Argentina, Chile, Colômbia, México e Uruguai. “Os salários dos pesquisadores brasileiros também são muito baixos para os padrões mundiais e estão entre os menores na região", completa. Resultado: o Chile já tem 15 universidades no top 50 - em 2016, eram 11. A Colômbia subiu de quatro para cinco e a Argentina surge na lista das 50 melhores pela primeira vez, com duas escolas.

No top 10, cinco universidades são brasileiras. Além de UNICAMP e USP, aparecem UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo [7º lugar]), UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro [8º]) e a PUC-Rio (9º). Ao todo, 32 instituições brasileiras aparecem no ranking, que inclui 81 universidades de oito países. No entanto, em relação à lista de 2016, 20 escolas brasileiras caíram no ranking. O levantamento da Times Higher Education detectou também o aumento de universidades privadas entre as melhores do continente. Na edição deste ano, elas já representam 50% entre as ranqueadas.

Confira aqui o ranking completo da Times Higher Education para a América Latina

Entrevistados
- Phil Baty, diretor editorial e de rankings globais da Times Higher Education
- Reitoria da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) (via assessoria de imprensa)

Contatos
Phil.Baty@tesglobal.com
portal@unicamp.br

Crédito Foto: Antoninho Perri/UNICAMP

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Depois de 37 anos, ABNT NBR 6120 está em revisão

Expectativa é de que novo texto da norma técnica, cuja edição original ocorreu em 1980, seja publicado no ano que vem

Por: Altair Santos

Sob a coordenação do engenheiro civil João Alberto Vendramini e secretariada pelo engenheiro civil Odinir Klein Júnior, a ABNT NBR 6120 - Cargas para o cálculo de estruturas de edificações - entrou em processo de revisão. A expectativa é de que vá para consulta pública até o final de 2017, com previsão de publicação em 2018. A norma técnica é uma das mais relevantes para engenheiros-calculistas e projetistas. No entanto, estava há 37 anos sem revisão. Por isso, a elaboração de seu texto-base requereu um estudo intenso. De cinco páginas, passou a ter 62, com a inclusão de termos, definições e simbologias, além da atualização de todas as tabelas. Na entrevista a seguir, João Alberto Vendramini explica as alterações mais relevantes e porque a norma ficou tanto tempo sem ser revisada. Confira:

João Vendramini: nova ABNT NBR 6120 vai desencadear a revisão de outras normas técnicas
João Vendramini: nova ABNT NBR 6120 vai desencadear a revisão de outras normas técnicas

A ABNT NBR 6120 - Cargas para o cálculo de estruturas de edificações -, está em processo de revisão. Quais as principais mudanças?
A norma foi completamente revisada. A versão de 1980 tinha apenas cinco páginas e a proposta pela comissão possui 62 páginas. A norma passou por uma nova formatação, com a inclusão de termos, definições e simbologias, de forma a adequá-la às demais normas pertinentes. Todas as tabelas de peso específico dos materiais de construção foram revistas e checadas, assim como as tabelas de ações permanentes, que também foram ampliadas. As ações permanentes de materiais de armazenagem foram revistas e ampliadas e passaram a ocupar um anexo específico, devido à sua extensão. As tabelas de ações variáveis também foram completamente revistas, tendo todos os seus valores checados com normas internacionais e adaptados à realidade brasileira, além de serem ampliadas com a inclusão de ambientes omissos na versão de 1980. Incluímos uma tabela de forças horizontais em guarda-corpos e barreiras de proteção de pessoas, cujas prescrições antes estavam espalhadas por diversas normas, dificultando a correta aplicação das cargas nos projetos. Acrescentamos um capítulo de cargas em coberturas (telhados) inexistente na versão anterior. No caso particular das ações de veículos, após uma grande pesquisa dos veículos autorizados a trafegar em território brasileiro, foi desenvolvida uma categorização das garagens e demais áreas de circulação, a fim de classificá-las de acordo com o tipo de veículo que ali trafega e, por conseguinte, especificar cargas diferentes para cada categoria. Foram definidas forças horizontais devido ao impacto de veículos em pilares e barreiras e também foi incluída uma tabela de cargas decorrentes da ação de empilhadeiras, para obras comerciais e industriais, onde este tipo de veículo é bastante comum. Da mesma forma, foram estudados os helipontos, sua classificação conforme o Comando da Aeronáutica e os carregamentos pertinentes, de acordo com o tipo de helicóptero e as ações decorrentes, que passaram a ocupar um capítulo específico na norma. Para os edifícios comerciais, industriais, centros de distribuição, logística e afins foram estabelecidas cargas de atuação nos pavimentos - item inexistente na versão de 1980, e que muito poderá ajudar aos projetistas estruturais na falta de informações mais específicas de seus clientes. O capítulo de redução de cargas variáveis foi reescrito de forma a se tornar mais claro e explicativo, apresentando também uma pequena revisão conceitual.

A ABNT NBR 6120 é uma norma que tem uma correlação forte com a ABNT NBR 6118. A revisão aproxima ainda mais as duas normas?
Na verdade, a ABNT NBR 6120 é uma norma complementar a todas as outras normas de projeto estrutural, tal como a ABNT NBR 6118, mas também outras, como, por exemplo, a ABNT NBR 8800 - Projeto de estruturas de aço e de estruturas mistas de aço e concreto de edifícios.

Por que a ABNT NBR 6120, cuja primeira edição é de 1980, ficou tanto tempo sem revisão?
A revisão das normas da ABNT é trabalho realizado pela comunidade científica pertinente, de forma voluntária e sem remuneração, implicando, muitas vezes, em custos significativos para os membros das comissões de norma, tais como despesas de viagens, hospedagem etc. Assim, muitas normas ficaram esquecidas no tempo. Recentemente a ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural), através de acordo com a ABNT, assumiu a responsabilidade de manter atualizadas as normas inerentes a projetos estruturais e, desde então, diversas normas passaram por revisões. A própria ABNT NBR 6118 já recebeu duas revisões sob a coordenação da ABECE, assim como a ABNT NBR 9062 (Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado). Neste momento, estamos trabalhando na elaboração de um texto-base para a revisão da ABNT NBR 8800, que precisa ser atualizada, entre outras normas do setor.

A ABNT NBR 6120 é a norma há mais tempo sem revisão?
Não saberia lhe dizer ao certo, mas tenho a impressão que se não for é uma das mais antigas sem revisão. Outra que estava muito tempo sem revisão é a ABNT NBR 6123 - Forças devidas ao vento em edificações -, editada em 1988 e cuja comissão de estudos para revisá-la foi aberta recentemente.

O novo texto da ABNT NBR 6120 já entrou em processo de consulta pública?
Não, ele está em fase de revisão para depois passar para editoração na ABNT. Terminada a editoração, o texto volta para a comissão de estudos para uma checagem final, eventuais correções e, em seguida, ficará disponível para consulta pública por um período de 60 dias. Imaginamos que o texto vá para consulta pública até outubro deste ano, no máximo.

Existe uma previsão de quando ela poderá entrar em vigor?
Passado o processo de consulta pública, a ABNT recebe os comentários sobre o texto-base, que deverão ser analisados pela comissão, a bem de verificar sua pertinência e validade. Após todo este processo, o texto será, eventualmente, adaptado atendendo aos comentários aprovados pela comissão e, então, retorna à ABNT para uma nova editoração. Imaginamos que no começo de 2018 a norma entrará em vigor.

A entrada em vigor da ABNT NBR 6120 vai provocar a revisão de outras normas?
Sim, mas não de forma obrigatória e imediata. Nesta revisão da ABNT NBR 6120 foram trazidos dados importantes que estavam espalhados por outras normas, como, por exemplo, especificações sobre pontes rolantes e telhados, - que estavam na ABNT NBR 8800, e cargas em garagens, que estavam especificadas na ABNT NBR 7188.

Quanto à ABNT NBR 6118, ela também precisa ser revisada em breve?
A NBR 6118 passou por revisão em 2014, inclusive foi traduzida para o inglês e registrada como norma ISO, garantindo, desta forma, seu uso internacional. Acredito que sua próxima revisão será por volta de 2019 ou 2020.

Foi o CB-O2 que ficou responsável pela revisão, e quantos especialistas atuaram na elaboração do texto?
A revisão da ABNT NBR 6120 teve minha coordenação, como representante da ABECE, e como secretário, que é a pessoa que mais trabalha na comissão, o engenheiro Odinir Klein Júnior. Também houve a colaboração de mais de 35 profissionais, além daqueles que, mesmo não participando das reuniões, nos enviaram sugestões e comentários durante o processo de elaboração do texto final.

Entrevistado
Engenheiro civil João Alberto de Abreu Vendramini, vice-presidente de relacionamento da ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural) e diretor-técnico da Vendramini Engenharia

Contato
joao@vendramini.com.br

Crédito Foto: Vendramini Engenharia

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Minha Casa Minha Vida: CGU vê patologias em 54% das obras

Infiltrações, falta de prumo e esquadros, além de rachaduras, trincas e vazamentos, estão entre os problemas mais comuns

Por: Altair Santos

Levantamento da Controladoria-Geral da União (CGU), em parceria com o ministério da Transparência, aponta que 54,6% das unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) apresentam patologias ou erros na execução da obra. O relatório, divulgado dia 16 de agosto de 2017, apura dados desde 2015 e leva em consideração apenas as reclamações de mutuários registradas na Caixa Econômica Federal, a fim de que o banco pudesse acionar as construtoras responsáveis para os reparos dentro da garantia de cinco anos, como estabelece o Código do Consumidor e o Código Civil.

Em seu auge, entre 2009 e 2014, Minha Casa Minha Vida consumiu R$ 225 bilhões: mesmo assim, há muitas obras avariadas
Em seu auge, entre 2009 e 2014, Minha Casa Minha Vida consumiu R$ 225 bilhões: mesmo assim, há muitas obras avariadas

Significa que os mutuários que detectaram patologias, mas não oficializaram reclamações, não constam nas estatísticas. Com base nos dados oficiais, fiscais da Controladoria-Geral da União visitaram 77 empreendimentos e 1.472 unidades habitacionais em doze estados (Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe). Segundo a avaliação da CGU, os problemas mais comuns são infiltrações, falta de prumo (verticalidade de paredes e colunas) e de esquadros (se os planos medidos estão com ângulo reto), além de rachaduras, trincas e vazamentos.

As habitações mais atingidas foram as dos beneficiários que se enquadram nas faixas 2 e 3 do MCMV.O relatório também detectou problemas nas áreas externas das edificações, como alagamentos, iluminação deficiente e falta de pavimentação. No entanto, essas avarias representam menos de 20% do espectro pesquisado. Segundo nota da CGU, “o levantamento oferece oportunidades de aprimoramentos para mitigar as fragilidades identificadas”. Os dados foram repassados ao Conselho Curador do FGTS e ao ministério das Cidades, a fim de que possam desenvolver um melhor controle de qualidade das obras.

Ranking de problemas

Rachaduras estão entre as patologias mais detectadas por fiscais da CGU
Rachaduras estão entre as patologias mais detectadas por fiscais da CGU

A Controladoria-Geral da União recomenda também avaliações periódicas, a fim de que se crie um ranking para detectar os seguintes aspectos: construtoras com maior número de problemas, tipos de defeitos mais comuns nas unidades habitacionais, principais causas das patologias e localidades com maior número de falhas. “A CGU permanece na busca conjunta por soluções e realiza o sistemático monitoramento das providências adotadas pelos gestores federais responsáveis”, completa o relatório do organismo, que recomenda também a substituição de beneficiários que não atendam as regras do programa.

Entre as unidades habitacionais visitadas pelos fiscais da CGU, 47,2% dos mutuários disseram que obtiveram respostas das construtoras e que os reparos das patologias foram feitos. O relatório aponta que esse número também deve ser melhorado, já que, entre 2009 a 2014, o Minha Casa Minha Vida envolveu R$ 225,5 bilhões em volume de recursos para a construção de quase três milhões de unidades habitacionais. “Destaca-se a identificação de oportunidades de melhoria quanto à aprovação e análise dos projetos por parte da Caixa (Econômica Federal), a fim de que as planilhas orçamentárias possam gerar obras com melhor qualidade”, finaliza a análise da CGU.

Clique aqui e confira o relatório completo da Controladoria-Geral da União

Entrevistado
Reportagem baseada em relatório da Controladoria-Geral da União

Contato
cgu@cgu.gov.br

Crédito Fotos: Radiobras/EBC e Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330