Edifícios aquecem mercado de concreto protendido

O ano de 2013 foi um marco para as obras em concreto protendido no Brasil. Foi quando se bateu o recorde em consumo de cordoalhas para protensão. Houve a venda de mais de 100 mil toneladas. Atualmente, esse volume encontra-se na faixa de 45 mil toneladas/ano. A queda ocorre porque a maior demanda por concreto protendido no país está nas obras de infraestrutura. Como elas se tornaram raras desde 2016, o consumo caiu. Mas o segmento que atua nesta área começa a explorar outro nicho que usa concreto protendido: o dos edifícios altos.
Segundo dados revelados no 4º Seminário Latino-americano de Protensão (SELAP), que aconteceu em Curitiba-PR, de 10 a 11 de agosto de 2018, entre 1997 e 2007 o mercado de protensão no Brasil vendeu 9,2 milhões de toneladas para a construção de edifícios, o que equivale a 7% da produção nacional, enquanto os outros 93% foram para obras de infraestrutura. Já, nos Estados Unidos, ocorre o inverso: no mesmo período, de 1997 a 2007, o país vendeu 82 milhões de toneladas de protensão para obras de prédios altos. “Hoje, o setor da construção de edifícios nos Estados Unidos consome mais de 80% do mercado de protensão”, explica o engenheiro civil Daniel Lopes Garcia, um dos palestrantes no evento.
Os Estados Unidos têm tradição no uso do concreto protendido em construção de prédios. O primeiro edifício norte-americano a usar a tecnologia foi erguido em 1950. No Brasil, os primeiros arranha-céus com essas características foram entregues em 1998. Entre os países latino-americanos, quem mais constrói edifícios altos usando concreto protendido é o Panamá. Pelas características geográficas do país, que é atingido por fortes ventos vindos dos oceanos Atlântico e Pacífico, somente a tecnologia que utiliza protensão consegue dar a estabilidade necessária aos prédios panamenhos, explica o professor-doutor Oscar M. Ramirez R., da Universidade Tecnológica do Panamá, que também palestrou no 4º SELAP.

Ponte sobre o rio Negro é marco da construção em concreto protendido
No Brasil, a maior obra em concreto protendido é a ponte Jornalista Phelippe Daou, que cruza o rio Negro, no Amazonas. Foram consumidos 138 mil m3 de concreto e 2.200 toneladas de aço para protensão. Já a primeira obra que utilizou protensão no país foi a ponte do Galeão, no Rio de Janeiro-RJ, construída ao longo de 1948 e inaugurada em 1949. Toda a tecnologia foi importada da França. Em termos de prédios altos, a principal obra que utiliza a protensão atualmente no Brasil está em Balneário Camboriú-SC. É o edifício Yachthouse Residence Club, projetado para ser o mais alto do país.
Segundo o grupo IDD, voltado ao ensino e à pesquisa nas áreas de engenharia civil e arquitetura e urbanismo, a “protensão é a técnica empregada para aumentar a resistência do concreto à tração e melhorar o seu comportamento. Significa incrementar uma compressão a mais no concreto, por meio de cabos de aço, de forma que o material tenha maior capacidade de resistir aos esforços de tração”. Para explicar a função do concreto protendido, os engenheiros costumam usar o exemplo dos livros dispostos em uma prateleira. Para que se mantenham em pé, eles precisam de uma força de compressão exercidas pelas laterais da prateleira ou por objetos que possam comprimi-los. O conceito é semelhante quando se aplica o concreto protendido em uma obra.
Quer saber mais sobre concreto protendido? Acesse
Entrevistado
Reportagem com base nas palestras do 4º SELAP (Seminário Latino-americano de Protensão), promovido pelo Instituto Nacional de Estruturas Protendidas (INAEP)
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Construsul 2018 destaca tecnologia que qualifica a obra

Tecnologia e inovação protagonizaram a 21ª edição da Construsul - Feira Internacional da Construção, realizada de 1º a 4 de agosto de 2018, em Porto Alegre-RS. Desde os produtos expostos até as palestras dadas no evento, temas como indústria 4.0, gestão da obra em tempo real e softwares que ajudam a dar qualidade aos sistemas construtivos foram os que mais chamaram a atenção do público que esteve no evento, e que, segundo os organizadores, se aproximou dos 45 mil visitantes.
Um simulador que indica se o projeto e a execução da obra estão adequados à Norma de Desempenho (ABNT NBR 15575) foi uma das inovações mostradas na Construsul. A ferramenta permite ao projetista, arquiteto ou engenheiro civil verificar quais são os critérios exigidos e se o que está em construção se adequa à norma técnica. Os criadores do simulador garantem que, além de facilitar o cumprimento da norma, o simulador ajuda a construir sem desperdício. “É possível diminuir o volume de resíduos, evitando a quebra de materiais”, comenta o coordenador de qualidade e desempenho da Construrohr, Felipe Lima.
O aplicativo First Planner, que permite a coleta de dados do canteiro de obras e o acesso às informações em tempo real, também foi mostrado na Construsul. “O sistema pode ser utilizado em qualquer método construtivo. Ele gerencia equipes e possibilita a gestão do serviço com dados quantitativos. Além da licença do software, fornecemos o hardware, que é a estação de coleta de dados. Cada funcionário possui um cartão, onde carrega as atividades cadastradas para ele, informando o início e o fim de cada dia de trabalho”, explica o idealizador do First Planner, Matheus Ries.
Feira finaliza com posição otimista para o setor da construção civil
O itt Performance, reconhecido instituto tecnológico em desempenho e construções da UNISINOS, em São Leopoldo-RS, também contribuiu com o viés inovador da feira ao trazer o seminário “Incêndios em Estruturas – Dimensionamento, inspeção, terapia e casos recentes”. Foram apresentadas pesquisas sobre o comportamento de elementos estruturais e seus materiais em altas temperaturas, assim como os parâmetros para dimensionamento de estruturas em situação de incêndio e a importância da compartimentação das edificações. Os palestrantes realizaram suas apresentações com base nas normas técnicas vigentes, técnicas de instrumentação, equipamentos tecnológicos dispostos no mercado e materiais inovadores.
A Construsul, que em 2018 voltou a Porto Alegre-RS, também destacou a força da construção civil brasileira para ajudar o país a retomar o crescimento. “Há um potencial imenso a ser explorado, não só no Brasil, mas na América Latina”, estima Paulo Richter, promotor da feira.
Entrevistado
Reportagem com base nas notícias veiculadas sobre a Construsul 2018 (via assessoria de imprensa)
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Saiba como avaliar se o imóvel possui patologias graves

Corretores não são obrigados a conhecer de engenharia civil. Porém, precisam ter noções básicas para detectar se determinado imóvel requer uma inspeção mais apurada antes de ser vendido ou alugado. Há casos que até podem exigir uma perícia. “Se a avaliação pede a presença de um engenheiro civil é porque o caso pode ser mais grave”, diz a palestrante de CRECI-SP, Caroline Böckler.
Em linhas gerais, os corretores precisam saber que um imóvel pode apresentar três tipos de patologias: vícios, defeitos e danos. Baseado no manual “A Saúde dos Edifícios – check-up predial”, editado pelo CREA-SP, os vícios são construtivos e não costumam oferecer riscos, mas apenas desvalorizam o imóvel. Os mais comuns são: torneira que não sai água, interruptor que não acende a lâmpada, tomada que não transfere a energia, paredes tortas que dificultam a instalação de armários, vaga na garagem que atrapalha a baliza, área de serviço sem ralo, descarga do vaso sanitário que interfere no fluxo de água do chuveiro.
Já os defeitos, ainda segundo o manual do CREA-SP, resultam de falhas que podem afetar a saúde e a segurança do consumidor. Entram neste grupo os erros construtivos. Tais como, janelas que permitem a entrada da água da chuva ou elementos mal fixados que ameaçam ferir o usuário ou terceiros, como pias e vasos sanitários. “Essas patologias podem ser aparentes ou ocultas. As aparentes costumam ser detectadas pelo comprador ou locatário. Já as ocultas se manifestam durante a ocupação do imóvel. Um exemplo: o disjuntor cai quando o chuveiro e a torneira elétrica estão ligados simultaneamente”, cita Caroline Böckler.
Boa parte dos problemas em imóveis ocorre por falta de manutenção
Há defeitos ocultos que levam tempo para se manifestar. Porém, nem sempre eles são gerados pelo construtor. No caso de imóveis usados, podem ter sido causados por quem habitou a moradia anteriormente. Normalmente, são patologias que se manifestam por falta de manutenção, como calhas que não são limpas e alagam a laje durante uma chuva mais intensa ou quando o condomínio rompe a impermeabilização da laje para instalar uma antena de TV ou para-raio.
O conjunto de vícios e defeitos pode resultar em danos. Os mais comuns são infiltrações, fungos e desplacamentos de fachadas. Para ilustrar, a palestrante do CRECI-SP apresentou pesquisa realizada pelo Ibape (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia), onde foi detectado que 50% das irregularidades construtivas resultam de falha de manutenção, 23% de anomalias construtivas e 8% de anomalias funcionais ou degradação de sistemas, após o término do ciclo de vida útil.
O Secovi-SP também realizou recentemente um levantamento, com base em avaliações em 52 edifícios na cidade de São Paulo-SP, e detectou que 38% dos problemas em imóveis estão relacionados com problemas hidráulicos (vazamentos). Em seguida, vêm patologias nas paredes (fissuras, trincas e rachaduras), com 16,5%. “Por isso, cabe ao corretor ter conhecimento e experiência para orientar o comprador quando os reparos forem relativamente fáceis ou acionar a engenharia civil se houver problemas cujas soluções dependem da intervenção de um profissional”, alerta Caroline Böckler.
O manual “A Saúde dos Edifícios - check-up predial” está disponível para download
Assista a palestra da TV CrescI-SP
Entrevistado
Reportagem com base na palestra “Patologias em construção civil”, do CRECI-SP
Contato: imprensa@crecisp.gov.br
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Reassentados de MG terão casas com arquitetura original

Dia 11 de maio de 2018 começou a instalação do canteiro de obras para o reassentamento da nova Bento Rodrigues. O distrito do município de Mariana, em Minas Gerais, foi destruído pelo rompimento da barragem do Fundão, em novembro de 2015. A comunidade atingida escolheu a localidade de Lavoura para a construção da nova cidade. O novo distrito ganhará toda a infraestrutura (escolas, posto de saúde, comércio, ruas e outras benfeitorias) e terá a característica de cidade sustentável. Além disso, os moradores poderão influenciar no projeto arquitetônico das casas, para que elas tenham características semelhantes das que foram destruídas na Bento Ribeiro original.
Ao todo, são 225 famílias sem moradias, as quais, atualmente, residem em Mariana e região. A previsão é de que elas tenham que aguardar mais 24 meses para receber suas casas de novo. Além de buscar semelhança com a arquitetura das residências destruídas, também existe o comprometimento de que cada família será envolta pela mesma vizinhança que possuía anteriormente. As obras estão sob a responsabilidade da Fundação Renova, constituída após a assinatura do Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC), assinado em 2 de março de 2018, entre Samarco Mineração - com o apoio de seus acionistas, Vale e BHP Billiton -, governo federal, governos de Minas Gerais e do Espírito Santo, além de outros organismos governamentais.
No dia 1º de agosto de 2018 foi emitido o selo que autoriza o começo das obras de reconstrução da nova Bento Rodrigues na localidade de Lavoura. Era a última etapa da burocracia que se arrastou por quase três anos. O próximo passo será a supressão vegetal e a terraplenagem do terreno, seguidos pelas obras de infraestrutura, como pavimentação, drenagem, redes de esgoto, distribuição de água e de energia. Após essa etapa, serão construídas as residências e os equipamentos públicos. O canteiro de obras estará 100% instalado no final de agosto. Já o projeto urbanístico foi aprovado no dia 8 de fevereiro deste ano, com o aval das famílias.

Infraestrutura rodoviária também está em fase de recuperação
O desenho, a definição do tamanho de cada lote, além da distribuição das ruas e das quadras, foi amplamente debatido com a comunidade e demais partes envolvidas. “A construção da nova Bento Rodrigues seguirá as diretrizes acordadas no projeto, que levou em consideração as necessidades dos atingidos, assim como as relações de vizinhança e a memória patrimonial e cultural, respeitando as especificidades do novo terreno”, diz relatório da Fundação Renova. Além da reconstrução da cidade em si, outras infraestruturas já tiveram suas obras iniciadas. Entre elas, a recuperação de estradas e pontes.
Até maio de 2018, mais de 70 quilômetros já haviam sido recuperados, entre trechos pavimentados e não-pavimentados. As vias receberam tratamento e acabamento através da execução de drenagem superficial, limpeza e roçada. Além disso, estão em andamento estruturas de apoio, como construção de bueiros, instalação de mata-burros e a sinalização dos trechos. As obras mais relevantes são as reconstruções de três pontes, nas localidades de Bicas, Bento Rodrigues e Camargos, o que permitirá o acesso à comunidade reassentada.
Entrevistado
Fundação Renova (via assessoria de imprensa)
Contato: imprensa@fundacaorenova.org
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No longo prazo, saco de cimento terá 25 quilos no Brasil

Dia 18 de junho de 2018, o Ministério Público do Trabalho (MPT) assinou termo de compromisso com as cimenteiras para reduzir o peso dos sacos de cimento produzidos e comercializados no Brasil. Pelo acordo, as empresas se comprometem a reduzir para 25 quilos as embalagens de cimento. Hoje, a indústria trabalha com sacos de 50 quilos. O prazo para os fabricantes se adequarem à nova regra é até 31 de dezembro de 2028. A partir dessa data, as embalagens mais pesadas somente poderão ser produzidas para exportação.
O acordo era negociado há quatro anos, com o objetivo de aproximar a indústria brasileira das normas internacionais referentes à proteção da saúde do trabalhador. O termo de compromisso foi assinado pelas empresas produtoras de cimento no Brasil, pelo procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury, além do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), cujo presidente, Paulo Camillo Penna, explica como se dará a adaptação das companhias. Confira:
O prazo até 31 de dezembro de 2028 será suficiente para que a indústria do cimento se adapte para produzir sacos com 25 quilos, substituindo-os pelos de 50 quilos?
Esse é o prazo para que todas as 100 unidades produtoras de cimento realizem as alterações de infraestrutura e maquinário necessários para o ensacamento do cimento em sacos de 25 quilos. A mudança requer vultosos investimentos por parte dos fabricantes de cimento, além da preparação dos fornecedores, tanto no aspecto dos maquinários quanto no de embalagens, para atender essa nova demanda. Por isso, isso requer tempo para ser implementada.
Existe um cálculo estimado de quanto deverá ser investido para essa adaptação?
O investimento estimado para a adaptação de todo o atual parque cimenteiro é na ordem de 4,5 bilhões de reais. Esse investimento consiste na aquisição dos seguintes equipamentos: ensacadeira, silo e paletizadoras. Além desses equipamentos, há necessidade de obras de edificações para receber esses novos equipamentos. Além dos custos diretos de investimento (capital), há o aumento dos custos relacionados à matéria-prima e à perda de produtividade.
A logística e o armazenamento nos canteiros de obras também tendem a ser alteradas com a adoção de sacos de 25 quilos?
O cimento necessita de condições especiais de transporte e armazenamento (é perecível e não pode ser empilhado em grandes quantidades). Logo, toda a logística (caminhões, paletes, estoque etc.) é preparada para atender sacos de 50 quilos. Com a alteração do peso da embalagem, faz-se necessária toda a adaptação dos paletes, do local de estocagem e dos caminhões, que, por sua vez, carregarão menos quantidade de cimento, fazendo-se necessário mais fretes para escoar a mesma quantidade de cimento. A mudança também requer cuidados em relação ao concreto. A indústria preza pela qualidade do cimento fornecido através de todo o seu ciclo de vida e terá que se empenhar juntamente com os outros atores da cadeia da construção para assegurar, através de campanhas de comunicação, que o concreto continue a ser fabricado seguindo as especificações em relação à quantidade do produto.
“Reiterando a posição de vanguarda assumida pela indústria cimenteira em nível mundial, que em vários países passou a comercializar sacos com menos de 50 quilos, o setor aceitou a cooperação proposta pelo Ministério Público do Trabalho”
Para a proteção à saúde do trabalhador, que é o objetivo da mudança, não seria melhor uma campanha de conscientização em vez da alteração no peso da sacaria?
A legislação brasileira afirma que o peso máximo que um trabalhador pode movimentar individualmente é de 60 quilos. A indústria cimenteira nacional, com seu saco de 50 quilos, está estritamente conforme com a legislação trabalhista brasileira no que diz respeito à saúde e segurança do trabalhador, sendo este, inclusive, um dos princípios fundamentais da atuação das empresas. Reiterando a posição de vanguarda assumida pela indústria cimenteira em nível mundial, que em vários países passou a comercializar sacos com menos de 50 quilos, o setor aceitou a cooperação proposta pelo Ministério Público do Trabalho no sentido de reduzir para 25 quilos o peso dos sacos de cimento produzidos a partir de 1º de janeiro de 2029. É importante que as orientações quanto ao carregamento de peso pelos usuários dos sacos de cimento sejam repassadas ao longo da cadeia, principalmente para o varejo e canteiros de obra, para que as diretrizes possam realmente ser implementadas na prática, e que se note efetivamente uma melhora sensível em relação à saúde do trabalhador.
Hoje há elevadores e guindastes para erguer pesos nos canteiros de obras. Esses equipamentos não minimizariam os esforços para sacos de 50 quilos?
Nas fábricas de cimento instaladas no Brasil não há movimentação manual de sacos de cimento por parte de seus funcionários. Em grandes obras também existem equipamentos que minimizam os esforços de movimentação de grandes pesos. Porém, o comércio varejista e as pequenas obras não possuem tais equipamentos. Esse acordo, pioneiro, impactará em melhoria das condições de saúde e segurança dos trabalhadores.
Entrevistado
Paulo Camillo Vargas Penna, presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC)
Contato: snic@snic.org.br
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Doze sugestões para mudar o ensino de engenharia
O documento mostra números que revelam que o Brasil vem formando menos engenheiros que outros países do continente latino-americano. De cada 1.000 que prestam vestibular para entrar nos cursos de engenharia, 175 ingressam e apenas 95 se formam, revela o estudo intitulado “Ensino de Engenharia: Fortalecimento e Modernização”. Os números se baseiam em dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Outro dado trazido para o debate se relaciona às fragilidades do ensino em engenharia. O Brasil possui 1.538 cursos de engenharia, dos quais 60% atingiram apenas a nota mínima satisfatória e 15% ficaram abaixo desse índice. “Mesmo nas escolas de excelência, há espaço para melhorias. É importante dar aos alunos a oportunidade de uma formação com visão mais multidisciplinar, sistêmica, empreendedora e em sintonia com as necessidades da economia e da sociedade”, conclui o estudo.
As sugestões elencadas no documento “Ensino de Engenharia: Fortalecimento e Modernização” vão ao encontro da recente parceria entre a Cia. de Cimento Itambé e a FAE para melhorar o processo de formação dos alunos de engenharia civil da faculdade. Os principais pontos do acordo são:
- Formar alunos com capacidade de gerar inovações sustentáveis e transformá-las em empreendimentos a serviço da sociedade.
- Capacitá-los para que sejam grandes gestores, a fim de que saibam respeitar e liderar pessoas, além de toda a capacidade técnica que a área exige.
- Permitir que os alunos tenham acesso às principais tendências da área.
- Possibilitar o domínio das tecnologias inovadoras.
- Dar condições para que tenham experiências reais ao longo do seu processo de formação.
Confira as 12 sugestões para mudar o ensino de engenharia
1. Reforçar a base técnica e estimular a formação mais inovadora em engenharia, mediante a adoção de currículos com foco em formulação e resolução de problemas, planejamento, gestão, empreendedorismo, trabalho em equipe, capacidade de tomar decisão em ambientes de incerteza, pensamento crítico e sistêmico.
2. Ampliar a integração entre os cursos de engenharia e o setor produtivo.
3. Apoiar a criação e a utilização de laboratórios de ensino de melhores práticas, de projetos-pilotos para a renovação do ensino de engenharia e de conhecimento de experiências internacionais exitosas.
4. Estimular a adoção do modelo de ensino híbrido, combinando o uso da tecnologia digital a interações presenciais.
5. Apoiar a realização de competições, como olimpíadas, em que os alunos sejam levados a trabalhar em equipe, de forma interdisciplinar, na solução de desafios da engenharia.
6. Aprimorar a avaliação dos programas de ensino de engenharia: contratação, capacitação, avaliação e promoção de docentes.
7. Definir mecanismos de avaliação da atuação dos engenheiros egressos.
8. Apoiar a disseminação do mestrado profissional nas engenharias e direcionar os mestrados acadêmicos aos engenheiros que pretendem fazer carreira nessa área.
9. Capacitar docentes, com especial atenção ao treinamento em metodologias de ensino de engenharia, que envolvam a participação ativa dos estudantes (projetos, desafios, competições e outras).
10. Aprimorar o processo de progressão na carreira, de modo a incluir experiências práticas em engenharia como critério de avaliação e promoção de professores.
11. Estruturar programas de premiação docente que estimulem uma atuação condizente com os atuais requisitos da formação de engenheiros, conferindo especial atenção ao reconhecimento de esforços de cooperação e parceria entre a academia e o setor produtivo.
12. Estimular os professores das universidades a atuar nas empresas.
Entrevistado
Reportagem com base no documento “Ensino de Engenharia: Fortalecimento e Modernização”, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e que integra o Mapa Estratégico da Indústria 2018-2022
Contato: imprensa@cni.org.br
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Capela quase centenária vira case de engenharia civil

A capela Santa Luzia, tombada pelo patrimônio histórico do estado de São Paulo e pelo município de São Paulo, é o mais recente case da engenharia civil brasileira. Perto de completar 100 anos - foi construída em 1922 -, a estrutura projetada pelo arquiteto italiano Giovanni Battista Bianchi está inserida no grande complexo comercial e hoteleiro, em obras na região da Avenida Paulista, na cidade de São Paulo. Conhecido como Cidade Matarazzo, o empreendimento preservou a capela mantendo-a suspensa por uma laje e oito pilares com 31 metros de altura e mais 23 metros encravados no solo.
Cada pilar de um metro de diâmetro recebeu 54 m3 de concreto. A sustentação da igrejinha permitiu que o terreno fosse escavado para a construção de um estacionamento com seis andares no subsolo, bicicletário e um cinema para 108 lugares. As escavações começaram em outubro de 2017 e serão concluídas em setembro de 2018. “Parte deste tempo foi gasto com o processo de estudo do solo, submetido a várias sondagens, para que pudéssemos perfurar com segurança”, diz o engenheiro civil José Rodrigo Tavares, gerente-geral da obra. Após essa averiguação, a etapa seguinte da obra foi “calçar” o patrimônio histórico com uma laje espessa de concreto de alta resistência (acima de 100 MPa).
Outras lajes foram construídas conforme as estacas iam se aprofundando no solo. O objetivo era evitar qualquer possibilidade de deslocamento lateral, o que poderia ocasionar trincas e rachaduras no patrimônio histórico. Na parte interna da capela também houve travamento com o uso de vigas de aço. Mesmo com todo o cuidado, a engenharia não dispensou um procedimento artesanal durante as escavações. Foram colocados copos com água sobre a laje, a fim de que pudesse ser acompanhado o grau de vibração que as perfurações causariam na estrutura quase centenária. “Tratamos o patrimônio como se fosse uma porcelana”, resume José Rodrigo Tavares.
Cogitou-se remover o patrimônio histórico transportando-o sobre trilhos

O projeto de cálculo e de engenharia estrutural do complexo Cidade Matarazzo é assinado pela JKMF Engenheiros (Julio Kassoy e Mario Franco). Segundo o escritório, havia duas opções para preservar a capela intacta: a que foi utilizada e a que cogitava remover a igrejinha para um terreno em frente da obra, usando trilhos. Essa hipótese foi descartada depois que houve uma averiguação das estruturas do patrimônio histórico, concluindo que elas não suportariam a transferência por trilhos. “Foi um desafio tomar a decisão acertada. Custou alguns dias sem dormir direito”, revela o engenheiro-calculista Mário Franco, com 89 anos e 65 anos de profissão.
Feita a decisão correta, as obras em todo o complexo seguem em ritmo acelerado para que o Cidade Matarazzo seja entregue em 2019. O investidor é o grupo francês Allard, que em 2011 adquiriu a área de 27 mil m2, onde ficava o hospital Matarazzo. Todas as edificações centenárias - a maioria construída em 1904 - serão preservadas e passarão por um processo de retrofit para se adequar às novas finalidades, que incluem um hotel seis estrelas, shopping centers e instalações comerciais.
Entrevistados
Engenheiro civil José Rodrigo Tavares, gerente-geral da obra de preservação da capela Santa Luzia, e JKMF Engenheiros (via assessorias de imprensa)
Contatos
info@cidadematarazzo.com.br
jkmf@jkmf.com.br
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Concresul inova com central inaugurada em Porto Alegre
Importadas da Alemanha, usinas misturadoras são totalmente automatizadas para produzir concreto e argamassa

Desde o início de junho de 2018 está em operação a nova central da Concresul na cidade de Porto Alegre-RS. A unidade recebeu equipamentos inovadores para a indústria de concretagem do Brasil. O objetivo é qualificar os produtos entregues pela empresa, reforçando também seus pilares, que são exatamente qualidade, pontualidade, disponibilidade e pós-venda. “A nova unidade atende as necessidades que se impõem às obras, as quais exigem cada vez mais tecnologia”, diz Pedro Reginato, sócio-gerente da Concresul.
A unidade instalada em Porto Alegre-RS busca atender a região mais industrializada do Rio Grande Sul, o que fez com que a Concresul planejasse cada passo para colocar a nova unidade em operação. Pedro Reginato visitou feiras e fabricantes na Europa até chegar ao melhor equipamento.
Para o concreto, foi instalada uma usina com misturador duplo eixo e capacidade de 120 m³/h. Para a argamassa, uma usina com misturador planetário e capacidade de 60 m3/h. Ambas são totalmente automatizadas e fornecidas pela alemã Liebherr. “Fomos à Alemanha e à Espanha e vimos o equipamento sendo fabricado. Também visitamos várias centrais em operação para definirmos a compra”, afirma Pedro Reginato.
A oferta de pós-venda no Brasil também pesou na aquisição, completa Pedro Reginato, que explica as principais inovações das usinas. “Elas não são dosadoras, e sim misturadoras, ou seja, produzem conforme a receita programada no sistema. Isso significa que o produto embarcado no caminhão-betoneira não precisa ser misturado, mas apenas transportado”, revela.
A usina permite otimizar o processo de homogeneização, resultando em uma melhor hidratação do cimento. “Isso, na Europa, é exigido por norma. Lá não é mais aceito o concreto misturado na betoneira. Há pelo menos uma década a indústria de concreto europeia já utiliza esses equipamentos. Aqui no Brasil, o nosso é o primeiro no país e no continente sul-americano. Ele minimiza praticamente a zero qualquer possibilidade de erro”, comenta Pedro Reginato.
Centro de treinamento para uso correto do material no canteiro de obras

Crédito: Concresul
Cada usina dispõe de tecnologia que permite, por exemplo, medir a umidade da areia e controlar a dosagem com mais ou menos água. No caso da que produz concreto, ela permite fornecer material para obras que usam CCR (Concreto Compactado a Rolo), como barragens e rodovias. “É só embarcar no caminhão-caçamba e levar ao local da obra”, revela o sócio-gerente da Concresul.
A unidade de Porto Alegre-RS também possui laboratório e centro de treinamento com capacidade para 50 pessoas, a fim de que o concreto e a argamassa produzidos nas usinas possam ser usados corretamente ao chegar no canteiro de obras.
A montagem das usinas na central de Porto Alegre-RS levou mais de um ano. Além das questões burocráticas, ocorreu a etapa de importação do equipamento e o transporte de outras peças que
vieram da sede da Liebherr no Brasil, localizada no estado de São Paulo. “Houve uma sintonia muito boa na montagem do equipamento e ao final, com ele em operação, tem sido bastante compensador”, conclui Pedro Reginato.
Entrevistado
Economista Pedro Antônio Reginato, sócio-gerente da Concresul
Contato: www.concresul.com.br
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BIM depende de bibliotecas para consolidar no Brasil
Instituições representativas da construção civil se articulam para formar as primeiras bibliotecas BIM do Brasil. Há consenso de que a plataforma, tão essencial para a produção de projetos e para tornar o setor mais competitivo no país, só conseguirá se popularizar se houver uma ferramenta pública que ajude a disseminar a tecnologia. A isso se dá o nome de biblioteca quando o assunto é BIM, ou seja, um local na internet em que o programa e suas atualizações possam ser baixados - se não gratuitamente, pelo menos a custos menores.
À frente da iniciativa estão o SindusCon-SP, a ABRAMAT, a ABDI, a ABNT, o SENAI e também organismos públicos. Em maio de 2018, o governo federal lançou a “estratégia nacional para disseminação do BIM”. Com o incentivo da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), a ideia é implantar programas pilotos que exijam o uso da tecnologia por parte dos executores. A expectativa é de que as obras públicas ganhem até 10% em produtividade e sofram redução de cerca de 20% nos custos, apenas com a adoção do BIM.
Por isso, para o presidente da ABDI, Guto Ferreira, a criação de bibliotecas BIM é prioridade. “As bibliotecas digitais servirão para que União, governos estaduais e prefeituras possam reduzir despesas e trabalho, além de prestar contas de forma mais transparente à população. É uma tecnologia que deve ser adotada como prioridade”, diz. Na ideia da ABDI, ao permitir o acesso à ferramenta, as bibliotecas poderão concentrar um cadastro de produtos e serviços apropriados à tecnologia.
Dados da própria ABDI mostram que somente 5% da cadeia produtiva da construção civil usam o BIM no Brasil. Segundo estudo da agência, se metade das empresas ligadas ao segmento adotasse a plataforma até 2028, haveria um ganho de 7 pontos porcentuais no PIB setorial. Por isso, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) também apoia a criação de uma política nacional para o BIM. “O governo, por meio de seu poder de compras públicas, consegue estimular as empresas a migrar para essa plataforma tecnológica”, estima o presidente da CBIC, José Carlos Martins.
Até norma técnica lançada em 2011 para o uso do BIM encontra-se incompleta
Em 2011, chegou até a ser lançada uma norma técnica sobre o uso do BIM na construção civil, que é a ABNT NBR 15965 - Sistema de classificação da informação da construção. No entanto, apenas a parte 1 foi publicada. Com previsão de ter 7 partes, a norma deveria abranger terminologias e sistemas de classificação para todos os componentes, processos, espaços, unidades, materiais e equipamentos usados na construção, a fim de adequá-los ao BIM. Porém, mesmo com a parte 1, a ABNT NBR 15965 serve de referência para os processos que buscam o uso da plataforma.
Para a diretora-técnica da ABRAMAT, Laura Marcellini, um passo importante é atingir a indústria de materiais sobre a necessidade de adoção do BIM, através de seminários com orientações sobre como produzir documentação técnica que possa estar disponível em bibliotecas BIM. “Para isso, o SENAI é estratégico para trabalhar a capacitação de pessoal nessa área”, completa.
Entrevistado
SindusCon-SP, ABRAMAT, ABNT, SENAI, CBIC e ABDI (via assessorias de imprensa)
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Como a IoT vai mudar a gestão de obras e de suprimentos?
Internet das Coisas transformará todos os níveis industriais, sejam eles estratégicos, táticos ou operacionais

A Internet das Coisas, do inglês Internet of Things (IoT), não vai mexer com a construção civil apenas no canteiro de obras ou na relação do usuário com a edificação em que ele reside ou trabalha. A IoT vai provocar também alterações na estrutura de gestão, tanto na que se refere à logística quanto aos suprimentos. “A IoT transformará todos os níveis, sejam eles estratégicos, táticos ou operacionais”, diz o engenheiro Alexandre Lara, consultor de projetos prediais e industriais, em recente webseminário da AECweb.
Há consenso de que os efeitos da IoT e da indústria 4.0 na cadeia produtiva da construção civil vão impor mudanças de comportamento no gestor, mesmo para aquele mais relutante. Por uma simples razão: para sobreviver, em algum momento a empresa que ele gerencia terá que aderir a essa tendência. “Quem vai impor a adesão à IoT e à indústria 4.0 será o próprio mercado. Por isso, a tendência é que as empresas passem a investir cada vez mais em tecnologias de ponta e busquem antecipar soluções inovadoras para serem mais competitivas”, avalia Adriana Bombassaro, gestora de processos de TI e negócios.
Isso vai se dar, principalmente, na aquisição de equipamentos já projetados para operar com IoT e dentro dos conceitos de indústria 4.0. Mas qual será o objetivo de toda essa modernidade? No caso da construção civil, resume-se a uma palavra: produtividade. Até porque, segundo pesquisa da McKinsey Global Institute, em todo o mundo a indústria da construção é a que menos consegue crescer em termos de produtividade. Entre 2000 e 2017, o setor avançou apenas 1% neste item, contra a média de 3,6% de outros segmentos industriais.
Nos EUA, indústria do concreto já usufrui da Internet das Coisas
Se a construção civil global conseguir aumentar sua produtividade para 2%, em média, significa que poderá acrescentar US$ 1,6 trilhão a mais em sua economia, por ano. Dentro da IoT, a tecnologia de controle de materiais e equipamentos através de sensores é a que mais tem sido buscada. Ela permite aprimorar estoques, aperfeiçoar a logística, combater o desperdício e melhorar a qualidade da obra. Um exemplo: caminhões-betoneiras monitorados online, tanto pela concreteira quanto pelo cliente que vai receber o concreto na obra. Isso permite controlar as características do material desde o ponto em que foi produzido até o ponto de entrega.
Outra solução que a Internet das Coisas traz para a indústria do concreto é o acompanhamento da cura do material. Através de sensores acoplados às armaduras, e que serão recobertos pelo concreto lançado na obra, é possível saber com precisão quando o material atingiu um nível de resistência confiável que permita a retirada das fôrmas. Melhor: após o endurecimento do concreto, os sensores seguem ativos e transmitindo informações ao longo do ciclo de vida da obra. Desta vez, para informar se não houve penetração de cloretos ou se não há corrosão dos vergalhões das estruturas concretadas. E de que forma se verificam todas as informações permitidas via IoT? Pela ferramenta mais acessível hoje em dia: o smartphone.
Entrevistado
Reportagem com base em webseminário e artigos publicados na AECweb e revista Construction Global
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