Fim de grandes obras faz PIB da construção despencar

Em 2007, os investimentos em infraestrutura no Brasil somaram R$ 21,90 bilhões. Em 2016, R$ 21,27 bilhões. Os números refletem o pior ciclo de expansão das obras de grande porte no país, segundo a mais recente edição da Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), e que avalia dados até 2016. Comparativamente, em 2012 - auge da economia brasileira neste século -, o investimento em infraestrutura somou R$ 67,04 bilhões, mais que o triplo do verificado em 2016.
Outro dado apurado pela PAIC é que em 2016 o setor de construção civil deixou de movimentar R$ 55,3 bilhões, o que causou a falência de quatro mil empresas e a eliminação de 428.603 postos de trabalho. São números relacionados apenas às obras de infraestrutura. Comparando dados de 2015 com 2016, a queda atingiu 22,1%. Especialistas avaliam que o caminho para o crescimento passe pela chegada de novos protagonistas no setor e melhores práticas de governança e anticorrupção.
Segundo o gerente da pesquisa, José Carlos Guabyraba, “a retração das obras de infraestrutura no país deveu-se a problemas políticos, econômicos e empresariais, resultando em uma mudança estrutural no setor”. A conjuntura envolve o cerco da operação Lava Jato e o impacto que ela causou nas cinco maiores empreiteiras do país: Odebrecht, OAS, Camargo Correa, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão. “Quando as construtoras de grande porte foram atingidas, não havia outras empresas prontas para ocupar o espaço”, avalia.
No ranking de obras, a infraestrutura caiu da primeira para a quarta colocação
O fim do ciclo de investimentos em eventos esportivos (Copa do Mundo e Olimpíadas) e em grandes hidrelétricas na bacia do rio Amazonas também impactou no Produto Interno Bruto (PIB) da construção. Consequentemente, a participação das obras de infraestrutura no PIB teve forte queda, passando de 41,3% para 29,5%. Com a desaceleração dos investimentos em obras públicas, o PIB da indústria da construção foi negativo em 5,2% no ano de 2016.
Entre produtos e serviços oferecidos pelas empresas, a construção de rodovias, ferrovias, obras urbanas e obras de arte especiais caiu da primeira para a quarta colocação, entre 2007 e 2016, segundo a pesquisa do IBGE. Com isso, as obras residenciais avançaram no ranking do PIB, passando da quinta para a primeira posição, entre 2007 e 2016.
De qualquer forma, o segmento voltado para construções habitacionais e prédios corporativos não conseguiu compensar a queda de obras de infraestrutura. Pelo contrário, também houve desaceleração, como registra a PAIC. “Em um contexto de instabilidade econômica começado em 2015, com aumento no desemprego e redução da renda, crédito mais escasso e caro, os agentes econômicos postergaram ou cancelaram os investimentos. Dessa forma, esse setor da construção refletiu queda real de 14,8% no valor das incorporações, obras e serviços voltados para edifícios residenciais e corporativos”, diz José Carlos Guabyraba.
Acesse a Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC). Clique aqui.
Entrevistado
Agência IBGE
Contato: comunica@ibge.gov.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Concreto sustentável promete mudar o mobiliário urbano

O Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU-USP), vinculado ao campus da USP em São Carlos-SP, desenvolveu um concreto que pode transformar o mercado de artefatos de cimento não-estruturais. O material substitui 70% da areia natural por areia de fundição aglomerada com argila e 100% da brita por escória de aciaria de alto-forno das siderúrgicas e fundições (detrito que sobra da fabricação do aço). A vantagem do processo é ambiental, pois resíduos sólidos industriais voltam para a cadeia produtiva misturados ao concreto em vez de serem descartados em aterros.
Em parceria com a Escola de Engenharia da USP de São Carlos (EESC), o estudo desenvolvido no Instituto de Arquitetura e Urbanismo tem à frente o professor-doutor Javier Mazariegos Pablos, que desde 2012 busca aprimorar o que ele batizou de “concreto sustentável”. “O principal benefício do material é evitar o descarte inadequado de resíduos sólidos industriais”, defende. Agora, o desafio é conseguir dar escala à matéria-prima, para que o produto possa despertar o interesse do mercado.
Isso depende de uma logística competitiva para transportar a escória até fabricantes de artefatos de cimento. Outra questão envolve classificar a areia de fundição e a escória, para separar elementos nocivos à saúde e ao meio ambiente. Se for considerada nociva, é descartada; se não contiver itens perigosos, será misturada ao concreto. Para conseguir a certificação, devem ser realizados ensaios rigorosos, de acordo com as normas técnicas da ABNT, para garantir que nenhum resíduo que ofereça risco possa vir a ser agregado à matéria-prima.
Para siderurgia, agregar escória ao concreto é mais barato que descarte em aterro
No entender dos pesquisadores, a própria indústria siderúrgica poderia ser incentivadora do concreto sustentável, pois para ela custa mais caro o descarte em aterros credenciados que disponibilizar logística e recursos para incrementar a pesquisa do concreto sustentável. Para transportar o resíduo a locais adequados para o armazenamento custa mais 200 reais a tonelada, enquanto transformar a escória em produto adequado para o uso em artefatos de cimento custa menos da metade deste valor.
O concreto sustentável é não-estrutural, ou seja, não pode ser usado para a construção de fundações, lajes, pilares e vigas. Seu uso atende a pavimentação para veículos leves, calçadas e contrapisos. Com o material, é possível fabricar blocos intertravados, guias, grelhas, sarjetas e blocos para alvenaria de vedação, por exemplo. Nos testes realizados no IAU-USP, os elementos atingiram resistência de 11 MPa a 52 MPa, dependendo das características das escórias misturadas no concreto.
A pesquisa foi transformada em tese, denominada “Estudo para a reciclagem do resíduo sólido gerado pelas areias de fundição na construção civil”. A análise é assinada por Javier Mazariegos Pablos e Eduvaldo Sichieri, professor da escola de engenharia da Universidade de São Carlos. O documento destaca a necessidade de usar Cimento Portland para se obter a “estabilização dos resíduos”. As composições que obtiveram os melhores desempenhos mecânico, físico e químico foram utilizados na confecção dos artefatos testados na pesquisa.
Acesse a íntegra da pesquisa. Clique aqui.
Entrevistado
Reportagem com base na pesquisa “Estudo para a reciclagem do resíduo sólido gerado pelas areias de fundição na construção civil”, coordenada pelos professores Javier Mazariegos Pablos e Eduvaldo Sichieri, da IAU-USP e da EESC-USP
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Por que o Brasil não tem graduação em engenharia sísmica?
Para quem quer se formar ou se especializar precisa ir para fora do Brasil. Mas por que o país ainda não tem graduação em engenharia sísmica, se existem terremotos que alcançam o território nacional? Na 69ª reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), realizada em julho de 2017, o professor Marcelo Sousa de Assumpção, do Departamento de Geofísica do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP) foi o que chegou mais perto da resposta.
Para ele, o primeiro passo é revisar a norma técnica ABNT NBR 15421:2006 - Projeto de estruturas resistentes a sismos: Procedimento. A que está em vigor está baseada em um mapa de ameaça sísmica muito desatualizado. Recentemente, foram descobertas no Brasil muitas áreas que antes não eram tratadas como de risco. Entre elas, o Nordeste (Ceará e Rio Grande do Norte), norte do Mato Grosso, nordeste de Goiás e a área da Bacia do Pantanal, no Mato Grosso do Sul. “Nessas regiões a placa sul-americana é mais fina e fraca, além de serem regiões de concentração de tensões geológicas”, explica.
Revisão da ABNT NBR 15421:2006 ajudaria a chamar a atenção para a engenharia sísmica
Na avaliação de Marcelo Sousa de Assumpção, a partir da revisão da ABNT NBR 15421:2006, o Brasil terá um documento com regras mais claras para orientar a engenharia civil sobre a construção de edificações em áreas sujeitas a tremores de terra. Isso também ajudará as universidades a se posicionarem melhor sobre criar cursos que abranjam a engenharia sísmica. Até o momento, o país evoluiu significativamente em como detectar riscos sísmicos, mas não sobre como prevenir suas construções de eventuais abalos.
Por enquanto, os brasileiros que querem se graduar em engenharia sísmica precisam buscar a especialização fora do país. Estados Unidos e Portugal são os destinos mais procurados. Nos EUA, a Universidade de Stanford, na Califórnia, é considerada referência por causa dos estudos que realiza sobre a falha de San Andreas. Já em Lisboa existe a Sociedade Portuguesa de Engenharia Sísmica e na Universidade do Porto, dentro da Faculdade de Engenharia, está um dos mais respeitados departamentos de engenharia sísmica da Europa.
O país tem tradição em estudar sismos por conta do terremoto que destruiu Lisboa em 1755, e que causou pelo menos 10 mil mortes - não há números oficiais sobre a tragédia. Já no Brasil, a engenharia sísmica no máximo é tratada como disciplina dentro da engenharia civil ou abordada em cursos de especialização e extensão, normalmente voltados à norma técnica ABNT NBR 15421:2006.
Entrevistado
Reportagem com base na conferência “Tremores de terra e o novo mapa de ameaça sísmica do Brasil”, durante a 69ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)
Contato: eventos@sbpcnet.org.br
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Nascem os primeiros Robocops para a construção civil

O mercado de robôs voltados para a construção civil tende a movimentar 166,4 milhões de dólares até 2023, nos Estados Unidos. Da ficção do Robocop para a realidade, a indústria da robótica avalia que conseguirá povoar os canteiros de obras investindo na tecnologia dos exoesqueletos. São equipamentos que podem revestir os operários, dando a eles a força de uma máquina. Os projetistas avaliam que empilhadeiras, pequenos tratores e guindastes, além de andaimes e escadas, poderão facilmente ser substituídos pelas armaduras robóticas.

Nos Estados Unidos, o mercado de desenvolvimento de exoesqueletos está entregue às startups. Uma delas é a Built Robotics, cujo CEO é Noah Ready-Campbell, um ex-engenheiro da Google, que saiu da gigante de tecnologia para fundar sua empresa de inovação. Filho de construtor, ele trabalha para transformar escavadeiras, empilhadeiras e guindastes em exoesqueletos. “A ideia por trás da Built Robotics é usar a tecnologia de automação para tornar a construção mais segura, mais rápida e mais barata”, resume.
Noah Ready-Campbell não está sozinho. Há um grupo de engenheiros que abraçaram a missão de desenvolver a robótica como solução para os trabalhos de risco da construção civil. Eles não pesquisam apenas exoesqueletos, mas projetam robôs capazes de substituir o homem em funções que envolvem a construção de elementos estruturais de uma obra, como paredes, lajes, vigas e fundações. Interessadas neste mercado, gigantes como a Caterpillar já se associaram a algumas dessas startups.
Um dos desafios da robótica é conseguir criar um processo de linha de montagem para os canteiros de obras, a fim de que os robôs possam operar com a mesma eficácia já consolidada, por exemplo, na indústria automobilística. Como isso nem sempre é possível, exoesqueletos tornam-se opções mais versáteis para a construção civil. No entender dos engenheiros que atuam nessa nova revolução industrial, as futuras ferramentas vão mudar também o conceito de mão de obra na construção civil.
Canteiro de obras do futuro não está tão longe quanto se imagina

Atenta a esse mercado, a Ekso Bionics espera lançar até 2020 os primeiros exoesqueletos robotizados para a construção civil. A empresa é uma das pioneiras dos Estados Unidos no desenvolvimento de exoesqueletos para o mercado da medicina, cuja prioridade é ajudar na reabilitação de acidentados que perderam a mobilidade nos membros inferiores.
No entanto, de olho em um mercado interno que pode atender 11 milhões de trabalhadores - número estimado dos que atuam na construção civil dos Estados Unidos -, a Ekso Bionics criou uma divisão voltada exclusivamente para desenvolver equipamentos para o setor. No começo de junho de 2018, ela apresentou na feira Safety 2018, realizada em San Antonio, no Texas-EUA, um exoesqueleto protótipo. Batizado de EksoVest, ele alivia a sobrecarga sobre os braços para quem usa ferramentas como furadeiras e britadeiras. É o primeiro passo para o canteiro de obras do futuro.
Veja vídeo do primeiro exoesqueleto usado na construção civil
Entrevistado
Reportagem com base em artigo da revista digital ZDNet e informações da Ekso Bionics (via departamento de comunicação)
Contato: Enquiries@eksobionics.com
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Comunicar e treinar são mantras para a gestão da obra
O canteiro de obras é um local de trabalho com peculiaridades próprias. Ao contrário dos que atuam no serviço público, na indústria ou no comércio, a construção civil opera com projetos, ou seja, tem começo, meio e fim. Boa parte dos que trabalham em ritmo de empreitada sabe que ao final do empreendimento haverá demissão de mão de obra. É diferente de uma empresa convencional, em que o funcionário é absorvido pelo complexo organizacional e segue uma estrutura de cargos e atividades. Por isso, a gestão de pessoas é diferente no canteiro de obras. Muitas vezes, a hierarquia vale menos que a forma de comunicar e de treinar a equipe.
Segundo o consultor de empreendedorismo e gestão de negócios, Joaquim Alvarenga Neto, comunicar e treinar são mantras que fazem a diferença no canteiro de obras. “Não adianta ser um bom engenheiro ou ser um bom arquiteto se o gestor não consegue resolver conflitos que vão além do conhecimento técnico. No local da obra, o gestor de pessoas precisa ser também um gestor de conflitos, no sentido de mediar diferenças que vão desde aspectos culturais até dificuldades de convívio. Se não houver o controle, isso seguramente vai impactar na qualidade da obra. E como é que se faz esse controle? Demonstrando conhecimento e usando a comunicação como instrumento para propagar o conhecimento e formar um espírito de equipe na obra”, relata.
Palavra que melhor define gestão de pessoas em canteiro de obras é engajamento
Joaquim Alvarenga Neto reforça em palestra pública, dentro de seu canal no Youtube, que as estruturas de produção na construção civil são baseadas em equipes, onde a comunicação é o melhor instrumento para definir regras e transmitir objetivos. “A comunicação é instrumento estratégico para se alcançar o treinamento e o desenvolvimento de quem atua no canteiro de obras”, define. O consultor reforça ainda que isso vale, principalmente, para empreendimentos de médio e pequeno portes, onde o turn over (troca constante de mão de obra) é mais acentuado. “Neste tipo de obra é preciso fazer uma gestão de pessoas focando no indivíduo, a fim de motivá-lo a aderir ao espírito de equipe. Essa adesão se faz vinculando treinamento com bonificações, que muitas vezes não precisam ser financeiras, mas de cunho social”, alerta.
Se pudesse resumir em uma palavra o que é gestão de pessoas em canteiro de obras, o palestrante afirma que escolheria “engajar”. “A busca do engajamento é constante. Sob esse olhar organizacional, o gestor de pessoas dentro da obra minimiza o risco de retrabalho e de ineficiência. Também reduz o desperdício e melhora o processo produtivo. Sabendo engajar, ele chega aos pilares de qualquer modelo de gestão de pessoas, que é seguir o planejamento, manter a organização e não perder o controle”, completa Joaquim Alvarenga Neto. O consultor lembra ainda que o canteiro de obras é um local em que o trabalhador é exposto ao esforço físico e pressão psicológica. “Quem atua no canteiro precisa cumprir cronogramas apertados. Então, é sempre importante valorizar a participação e compartilhar o mérito quando uma etapa é concluída com sucesso”, finaliza.
Veja a íntegra da palestra de Joaquim Alvarenga Neto
Entrevistado
Reportagem com base em palestra do engenheiro civil, consultor de empreendedorismo e gestor de negócios Joaquim Alvarenga Neto
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Concreteiras dos EUA abrem guerra aos prédios de madeira

Tramita no Senado dos Estados Unidos um projeto que dá incentivos fiscais para quem projetar e construir edifícios de madeira superiores a 25 metros de altura. A medida causou imediata reação da National Ready Mixed Concrete Association - NRMCA (Associação Nacional de Concreto Pré-misturado). Foi desencadeada uma campanha junto à comissão de agricultura do Senado norte-americano para que o projeto sequer seja avaliado. A alegação é de que o contribuinte não pode pagar por incentivos fiscais desta natureza, que ferem a lei de mercado dentro dos Estados Unidos.
A NRMCA defende o veto ao projeto usando três argumentos. Primeiro, alega que construções em madeira vão incentivar a importação de matéria-prima de reflorestamento em detrimento da indústria concreteira norte-americana, o que pode desequilibrar o mercado da construção civil dos Estados Unidos. Segundo, sustentam que a madeira ajuda no equilíbrio entre emissão e sequestro de CO2, desde que ela não seja extraída da natureza. Por fim, avalia que a indústria de seguros age por trás do projeto, já que os riscos que envolvem a construção de prédios de madeira são mais elevados e, consequentemente, exigem apólices mais caras.
A NRMCA encomendou uma pesquisa ao Boston College, o qual fez cotações de seguro para hipotéticos edifícios de madeira e concreto para o relatório “Levantamento de Custos de Seguros para Edifícios Multifamiliares Construídos com Molduras de Madeira e Concreto”. O levantamento apontou que o risco para o construtor de prédios em concreto era de 22% contra 72% para o construtor de edifícios de madeira. A diferença de uma apólice para outra se dá por causa das maiores ameaças às estruturas em madeira, que são o fogo e a degradação do material.
Para o setor do concreto, estruturas de madeira trazem “custos ocultos” embutidos
Segundo o porta-voz da NRMCA, Kevin Lawlor, o estudo da Boston College mostra “os custos ocultos” que existem em edifícios de madeira. "No momento em que incêndios em edifícios residenciais se tornam recorrentes, a durabilidade do concreto resulta em uma diferença marcante em termos de custos de seguro. Os prédios em concreto possuem apólices menores porque o material não entra em combustão e suas estruturas são menos propensas a degradações ao longo da vida útil. Então, as taxas de seguro refletem essa durabilidade", diz o dirigente.
Os que defendem prédios com estruturas de madeira alegam que as edificações têm baixo impacto ambiental, se comparado com o concreto, e podem ser construídos com mais rapidez. As estruturas utilizam a tecnologia conhecida como Cross Laminated Timber (CLT) [Madeira Laminada Colada Cruzada]. Independentemente das vantagens e desvantagens, a pressão exercida pelo segmento das concreteiras fez o Senado dos Estados Unidos recuar. O projeto deixou de ser tratado com urgência pela comissão de agricultura e já não tem mais prazo para ser analisado.
Veja vídeo que a NRMCA distribuiu aos senadores dos EUA
Entrevistado
National Ready Mixed Concrete Association - NRMCA (Associação Nacional de Concreto Pré-misturado) (via assessoria de imprensa)
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Nova regra do distrato traz segurança às construtoras

No começo de junho de 2018, a Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que regulamenta o distrato - quando o comprador de um imóvel, geralmente na planta, desiste do negócio. Atualmente, não há nenhuma regulamentação para esse tipo de desacordo, o que tem levado a maioria dos casos para os tribunais. Com o texto que foi aprovado, o comprador receberá 50% do que pagou, quando o imóvel estiver vinculado ao regime tributário do Patrimônio de Afetação, e 25% nos demais casos.
No entender dos organismos ligados à construção civil e ao mercado imobiliário, o setor passa a ter um novo marco regulatório que trará maior segurança na comercialização de seus empreendimentos. “Esse projeto é um avanço inegável, pois garante os direitos do consumidor que paga seu imóvel em dia e vinha sendo prejudicado pelo distrato. Além disso, devolve previsibilidade ao incorporador e reduz o litígio na compra e venda de imóveis”, afirma o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins.
O projeto ainda precisa ser aprovado no Senado para ir à sanção presidencial. Mas também protege o comprador que adquiriu o imóvel na planta, honrou seus compromissos, mas viu a construtora/incorporadora não entregar a obra no prazo determinado. Neste caso, a empresa deverá pagar multa de 1% por mês de atraso. Caso o comprador desista do imóvel, passados 180 dias da entrega prevista, ele deverá receber da construtora todo o valor pago integralmente e mais multa por atraso estipulada no contrato.
Para o presidente do SindusCon-SP, José Romeu Ferraz, o projeto de lei traz mais segurança jurídica às relações que envolvem compra de imóveis. "Sem regulamentação, os distratos penalizam injustamente os empreendedores, desmotivando-os a planejar novos lançamentos e causando um risco sistêmico de grandes proporções", cita. Assim, segundo o dirigente, as regras vão trazer previsibilidade ao negócio e colaborar para desafogar o judiciário. “Os distratos têm contribuído para o desemprego na construção, colocado em risco a saúde financeira das empresas e sobrecarregando o judiciário com ações”, completa.
Se o comprador arranjar outro comprador poderá ficar livre da multa
O projeto de lei também diz que, havendo revenda do imóvel distratado antes do prazo para pagamento da restituição, a construtora/incorporadora deverá devolver o valor ao comprador em até 30 dias. Outra regra define que o comprador pode ficar isento do pagamento da multa contratual de 25% ou 50%, desde que apresente outro comprador para o imóvel objeto do distrato. Neste caso, a negociação tem que atender dois requisitos: a operação de compra e venda precisa da anuência da incorporadora e o novo comprador tem que comprovar que possui capacidade financeira para assumir o financiamento.
O substitutivo disciplina ainda a desistência da compra de imóveis realizada em estandes de venda e fora da sede do incorporador do empreendimento. Neste caso, o direito de arrependimento poderá ser exercido em sete dias, contados da compra do imóvel, com a devolução de todos os valores eventualmente antecipados, inclusive da comissão de corretagem. Se o comprador não manifestar o arrependimento em sete dias, o contrato será considerado irretratável.
Confira o texto aprovado na Câmara dos Deputados e que seguirá para aprovação no Senado e sanção da presidência da República. Clique aqui.
Entrevistados
- Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) (via assessoria de imprensa)
- Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) (via assessoria de imprensa)
- Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (SECOVI-SP) (via assessoria de imprensa)
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Greve dos caminhoneiros passa por ferrovias inacabadas

A greve dos caminhoneiros, que praticamente paralisou o setor produtivo do país no mês de maio de 2018, é consequência da equivocada política de logística do Brasil, que prioriza as rodovias em vez das ferrovias. Boa parte da safra e da produção industrial brasileira poderia escoar pelos trilhos se quatro importantes eixos estivessem concluídos.
As obras estratégicas incluem a Ferrovia Transnordestina, que deveria ter 1.700 quilômetros, mas está com apenas 600 quilômetros concluídos; a Norte-Sul, que é um projeto que nasceu no governo José Sarney (1985-1989) e deveria ter 4.155 quilômetros, dos quais apenas 1.199 foram finalizados, mas com parte ainda inoperante; a Ferrovia do Aço, que completa quatro décadas sem conclusão, e a Ferrovia de Integração Oeste Leste (Fiol), que ligaria Tocantins à Bahia, em uma extensão de 1.527 quilômetros, mas cujo traçado não avançou de 30% do projeto original.
A Transnordestina tem erros de concepção de projeto e de logística que atrasam sua conclusão. Idealizada para ligar os portos de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco, passando pelo estado do Piauí, a ferrovia está com parte dos viadutos praticamente concluída, mas os trilhos não avançam. Outro equívoco foi ter começado a obra do interior em direção ao litoral. Se tivesse sido o contrário (litoral-interior), com 30 quilômetros construídos a obra já estaria servindo para desafogar o transporte de cargas dos municípios no entorno do porto de Suape. Orçada inicialmente em 4 bilhões de reais, a Transnordestina já consumiu 6,2 bilhões e, estima-se, pode precisar de mais de 5,5 bilhões para a conclusão.
Já a Norte-Sul também sofre com erros de planejamento. Os trechos concluídos não se interligam. Com a ferrovia picotada, o país deixa de transportar 12 bilhões de cargas por ano. O único trecho efetivamente em operação liga Porto Nacional, em Tocantins, a Anápolis, em Goiás, com baixo volume de transporte de cargas. Para se tornar lucrativa, a Norte-Sul precisa concluir os 1.537 quilômetros entre Porto Nacional e Estrela D'Oeste, no norte de São Paulo – quase na divisa com o Triângulo Mineiro. Com isso, se conectaria à malha ferroviária de São Paulo e conseguiria escoar a produção até o porto de Santos. Trata-se de uma obra que ficará para o próximo governo.
Ferrovia deveria ser concluída em mil dias, mas está inacabada há quatro décadas

Das estradas de ferro sem conclusão, a Ferrovia do Aço é a mais antiga. O projeto nasceu no início dos anos 1970. O objetivo era escoar o minério de Minas Gerais para Rio de Janeiro e para São Paulo. Apenas o trecho entre Itabirito-MG e Volta Redonda-RJ foi construído. O percurso entre Minas e São Paulo não foi iniciado, assim como o traçado que ligaria Itabirito a Belo Horizonte-MG. Ironicamente, a ferrovia recebeu o apelido de “Ferrovia dos Mil Dias”, pois a previsão era de que fosse concluída em três anos. Já se passaram quatro décadas.
A Fiol começou a ser construída em 2011. A ferrovia era uma das obras estratégicas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), mas os trilhos não chegaram sequer a ultrapassar o território da Bahia. O projeto original ligaria o porto de Ilhéus a Figueirópolis, no Tocantins, em uma extensão de 1.526 quilômetros. Atualmente, o canteiro de obras da Fiol encontra-se praticamente desativado. Desde 2015, o ritmo veio desacelerando por falta de recursos. O orçamento original do projeto foi estimado em 6,4 bilhões de reais. A ferrovia desperta o interesse de investidores chineses, que buscam uma alternativa ao Canal do Panamá como ligação entre o Atlântico e o Pacífico.
Entrevistado
Comissão Especial de Obras Inacabadas do Senado Federal (via assessoria de imprensa)
Contato: imprensasenado@senado.leg.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Cresce uso de paredes de concreto entre países latinos

Nos dias 4 e 5 de junho, a cidade de Salvador-BA recebeu o II Congresso Iberoamericano de Habitação. O evento ocorre de três em três anos e abrange as tecnologias construtivas em uso no continente para a construção de casas e edifícios habitacionais. O tema deste ano foi paredes de concreto. O sistema ganha cada vez mais adesão entre os países latino-americanos, por duas razões: durabilidade e rapidez na execução da obra. Já consolidada no Brasil, no que se refere a habitações que atendem o programa Minha Casa Minha Vida, a tecnologia também começa a ser dominante no México, na Costa Rica, na Colômbia, na Bolívia e no Chile.
O evento realizado na capital da Bahia contou com o apoio da Associação Brasileira das Empresas de Serviço de Concretagem (Abesc). O presidente e o consultor da associação, Jairo Abud e Arcindo Vaquero, lembraram que o sistema de paredes de concreto consolidou-se no Brasil por que a Abesc, em conjunto com a ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), fomentou o núcleo Paredes de Concreto, formado em 2007, para unir as empresas do setor e propagar a tecnologia. O objetivo era alcançar o processo de industrialização na construção de moradias, o que parece ter sido atingido.
Atualmente, o núcleo Paredes de Concreto afirma com segurança que o sistema construtivo absorve 20% menos mão de obra, é 30% mais barato e permite construir na metade do tempo consumido pela alvenaria convencional e pela alvenaria estrutural. Não é à toa que o sistema construtivo já é o mais usado no programa Minha Casa Minha Vida. Dados da Caixa Econômica Federal de 2016 revelam que, naquele ano, a tecnologia foi predominante em 52% dos projetos apresentados ao banco para captação de recursos. A adesão às paredes de concreto cresceu rapidamente, já que em 2014 apenas 36% das unidades produzidas com recursos da Caixa utilizavam o sistema.
Experiências bem-sucedidas no Brasil inspiram demais nações do continente
No Brasil, as paredes de concreto ganharam impulso com a ABNT NBR 16475 (Painéis de parede de concreto pré-moldado – requisitos e procedimentos), publicada em março de 2017. A norma técnica adaptou o sistema às exigências da ABNT NBR 15575 (Edificações Habitacionais – Desempenho) melhorando, principalmente, o desempenho térmico e acústico das construções que utilizam a tecnologia. O sistema também ganhou no SINAT (Sistema Nacional de Avaliações Técnicas) dois Datecs (documentação de avaliação técnica) que comprovam e atestam o atendimento aos requisitos da Norma de Desempenho.
As experiências bem-sucedidas do Brasil com as construções em paredes de concreto despertaram o interesse de construtores latino-americanos que estiveram no II Congresso Iberoamericano de Habitação. No evento, todo o conhecimento acumulado pelo núcleo Paredes de Concreto foi repassado aos participantes, como forma de compartilhar a técnica e propagar o método por todo continente. Segundo Ary Fonseca Júnior, coordenador do núcleo, as empresas já perceberam que o sistema parede de concreto é importante para o seu próprio negócio. Por um simples motivo, diz: a tecnologia reflete positivamente no resultado da construtora.
Entrevistado
Reportagem com base nos painéis realizados no II Congresso Iberoamericano de Habitação
Contato
congresovivienda2018@ficem.org
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Pequenos fornecedores devem evitar práticas predatórias

Em um ambiente de poucas obras, os pequenos fornecedores de material de construção ficaram sem margem para barganhar preços com construtoras. Neste caso, o que fazer? Especialistas recomendam aos empresários não adotarem práticas predatórias, sob a alegação de que podem perder o negócio. A medida pode trazer ganho momentâneo, mas tende a impactar na receita e no futuro da empresa. O recomendável, alertam, é investir na qualidade e em contrapartidas técnicas, tanto para quem atua no segmento de produtos quanto no de serviços.
As contrapartidas técnicas podem ser viabilizadas de duas formas: na primeira, o próprio fornecedor busca agregar novas tecnologias aos seus produtos. Como nem sempre há recursos para esse tipo de investimento, a alternativa para o pequeno fornecedor é definir parcerias com as construtoras de maior porte. Essas empresas podem viabilizar o acesso a laboratórios, universidades e associações que fomentam pesquisas e possuem equipes que conseguem transferir conhecimento para os fabricantes de materiais de construção ou prestadores de serviço para a construção civil.
O objetivo destas parcerias é agregar valor ao produto, a fim de que ele siga competitivo no mercado. Da mesma forma, serve para preservar a fidelidade dos clientes mais relevantes para o negócio. Entre os pequenos fornecedores, é comum existirem um ou dois compradores estratégicos, que muitas vezes consomem até 80% da produção mensal da empresa. Em tempos de crise, empresas com essas características precisam cuidar para que seu volume de vendas não fique abaixo de 50% ao mês. Se isso ocorrer, especialistas alertam que o risco de o pequeno fornecedor ou prestador de serviço não ter condições de honrar seus compromissos são grandes.
Compartilhar logística, armazenamento e mão de obra também é alternativa
Doutor em engenharia civil e professor-doutor da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp, Paulo Sérgio de Arruda Ignácio pondera que, em momentos de baixa demanda, buscar reduzir os desperdícios também contribui para que o fornecedor mantenha a saúde de seus negócios. Ele sugere que parte dessa economia pode vir da logística. De que forma? Quando a rota entre o canteiro de obras e de mais de um fornecedor estiver no mesmo trajeto, o professor sugere que apenas um veículo seja utilizado para transportar os materiais. O mesmo tipo de economia vale para o transporte da mão de obra, no caso dos prestadores de serviço.
O professor da Unicamp define essa estratégia como compartilhamento, que pode se estender também às áreas de armazenamento. Ele cita que um fornecedor localizado mais perto do canteiro de obras da construtora pode servir de ponto estratégico para que outros fornecedores armazenem seus produtos em seu terreno. Desta forma, explica, as distâncias encurtam e, consequentemente, os gastos com transporte também. Para Paulo Sérgio de Arruda Ignácio, atuar em pool é uma alternativa que estimula o ganha-ganha entre os pequenos fornecedores. O especialista finaliza dizendo que o mesmo procedimento pode ser feito com a mão de obra entre os prestadores de serviço.
Entrevistado
Reportagem com base em entrevista do professor-doutor Paulo Sérgio de Arruda Ignácio ao Construcompras. Titular da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp, o profissional tem formação em engenharia de produção e doutorado em engenharia civil
Contato
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