Vinícolas optam pelo concreto para obter vinho mais puro

Crédito: Barrel+Ink
A ideia não é nova. Já no século 19, vinícolas francesas armazenavam vinho em tonéis de concreto. Agora, em pleno século 21, o material volta a conquistar vinicultores e enólogos, principalmente na Europa e nos Estados Unidos. A alegação é que a fermentação, o amadurecimento e o armazenamento em tanques de concreto geram um vinho mais puro, por causa da micro-oxigenação. Os barris de carvalho e de aço inoxidável também possibilitam esse processo, mas influenciam no aroma e no sabor do vinho.
O que mudou nas experiências de armazenar vinho em recipientes de concreto foi a tecnologia de fabricação dos tonéis e a produção do material, que transfere cada vez menos impurezas à bebida. Na França, na região de Borgonha, está o principal produtor de barris de concreto do mundo. A Nomblot exporta seus artefatos em formato oval, cilíndrico, cônico ou poliédrico. Cada um atende a diferentes variedades de vinhos. No entanto, boa parte dos compradores da Nomblot prefere o tonel em formato oval.
As vantagens são explicadas por alguns vinicultores dos Estados Unidos, que são os principais compradores dos barris de concreto. "O concreto permite a oxigenação gradual do vinho, semelhante aos barris de carvalho, mas sem os sabores adquiridos dos barris de carvalho", diz James Mantone, da Syncline Wine Cellars. Já Mike MacMorran, da Mark Ryan Winery, trocou reservatórios de aço inoxidável pelos de concreto. “O concreto produz vinhos com um perfil aromático mais fresco e limpo, semelhante ao aço inoxidável, porém sem as sensações de palato mais severas e mais duras que recebemos do aço inoxidável”, revela.
Tonéis de concreto são pré-moldados com espessura de 10 centímetros

Crédito: Jonathan Cristaldi
Os maiores elogios aos barris de concreto vêm dos produtores de vinhos brancos. “O cubo de concreto nos proporciona uma fermentação lenta e fria”, observa Chris Dowsett, que também é vinicultor norte-americano. Para chegar à excelência que os tonéis de concreto exigem, os fabricantes pré-moldam o material com espessura de 10 centímetros. Na parte interna, os barris recebem revestimento neutro de epóxi, que é aplicado a frio e sem solvente.
Assim, o tanque é capaz de manter uma temperatura constante de forma natural, mesmo durante os picos de calor gerados pela fermentação. Isso só é possível porque o concreto é um isolante térmico. No caso dos barris fabricados pela Nomblot, eles não utilizam aditivos químicos. Para produzir o concreto, usam areia e seixos de rios selecionados, além de água mineral não clorada e cimentos da categoria CP-II.
Quanto às eventuais desvantagens dos barris de concreto, estão o custo da importação - comparável aos melhores tonéis de carvalho -, a movimentação dos tonéis na vinicultura, já que eles precisam de empilhadeiras especiais, e uma técnica mais exigente de limpeza. Elementos como água com muito cloro devem ser evitados, por causa das patologias que podem ser desencadeadas no concreto. No entanto, são adversidades que os produtores assimilam por perceber que os barris de concreto asseguram maior pureza e qualidade ao produto.
Entrevistado
Winepedia e Nomblot Concrete Wine Tanks, pertencente ao grupo Beton Concept (via assessoria de imprensa)
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winepedia@wine.com.br
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Era digital impõe novos desafios à arquitetura

Crédito: Reprodução
A arquitetura também chega à era digital. Assim como o BIM revoluciona a engenharia civil, existem softwares que modificam a forma de projetar e que exigem dos arquitetos cada vez mais interação com novas tecnologias. Esses programas personalizam projetos e são capazes de - eles mesmos - alterarem cômodos e refazerem cálculos para ajustar hidráulica e elétrica às mudanças propostas pelos clientes. É a chamada arquitetura digital, um processo que une os conhecimentos arquitetônicos com o uso intensivo da Tecnologia da Informação (TI).
Para se integrar a essa nova realidade, o arquiteto precisa imergir no campo da tecnologia e ter desempenho multidisciplinar. Por isso, o programa Sebrae Inteligência Setorial elaborou um miniguia sobre “o que é a arquitetura digital”. Ele sugere que os profissionais desenvolvam as seguintes habilidades: saber coordenar, melhorar a comunicação, ter ampla formação multidisciplinar e domínio da tecnologia digital.
Sob o ponto de vista do cliente, a arquitetura digital permite a realização de testes que mostram a viabilidade das ideias e sua aplicabilidade. Possibilita ainda avaliar o comportamento de um elemento em uma unidade residencial e verificar cada hipótese em diferentes fases, independentemente da dimensão do projeto. Isso garante uma relação mais integrada entre o usuário e o criador do espaço.
Duas novas tecnologias estão no escopo da arquitetura digital: Inteligência Artificial e Realidade Virtual. Elas permitem refazer projetos automaticamente, asseguram maior precisão no volume e nas especificações dos materiais e, consequentemente, reduzem custos e geram ganho de tempo. Além disso, os softwares que incorporam essas inovações podem ser municiados com informações sobre o preço dos materiais empregados e, de imediato, calcularem quantidades e valores. Sem contar que os programas possibilitam que os arquitetos tenham mais tempo para se dedicar à criação.
Google é o que mais oferece produtos voltados para a arquitetura digital
Estima-se que o uso da arquitetura digital gere 20% de economia no custo final de um projeto, segundo dados do CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo). Por isso, a tecnologia é requisitada em licitações de empresas estatais e das forças armadas, que exigem que as propostas incorporem ferramentas de arquitetura digital, pelas facilidades de execução, acompanhamento de todas as fases do processo e de fiscalização que elas possibilitam.
Entre as chamadas Big Techs, o Google é o que mais concentra esforços para atuar na arquitetura digital. A empresa já disponibiliza diversos produtos que apresentam simulações de projetos. Entre os arquitetos, o pioneiro no uso dessas ferramentas é Frank Gehry, que em 1992 criou seu próprio software: o Digital Project. Ele usou o programa para projetar o edifício que é considerado o primeiro da era da arquitetura digital, o Beekman Tower. Trata-se de um prédio residencial com 76 andares, localizado em Manhattan, Nova York-EUA. A edificação foi inaugurada em 2011.
Veja o miniguia completo sobre arquitetura digital
Assista ao vídeo-demonstração de arquitetura digital
Entrevistado
Reportagem com base no miniguia elaborado pelo programa Sebrae Inteligência Setorial, sobre arquitetura digital
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Síndrome do edifício doente: entenda o que é isso

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Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que 60% dos escritórios no mundo não se enquadram na categoria de arquitetura saudável, ou seja, os prédios onde estão instalados sofrem da síndrome do edifício doente. É quando uma edificação tem problemas com alta umidade, acúmulo de sujeira e poeira, infiltrações e estanqueidade excessiva em relação à qualidade do ar.
Para combater esse mal, engenheiros civis, arquitetos, profissionais de medicina e outros especialistas ligados à saúde se uniram para criar conceitos de arquitetura saudável. Trata-se de medidas que são levadas em conta quando se elabora o projeto de uma edificação. Entre elas, tratamento de temperatura dos ambientes, umidade, luz e tudo que possa influenciar diretamente na vida dos usuários de um ambiente construído.
A concentração de profissionais envolvidos com os estudos sobre a síndrome do edifício doente levou à criação da certificação Healthy Building Certification (HBC). Vinculado à Universidade da Flórida, o HBC concentra-se na tese de que é preciso “projetar de forma saudável”. “Projetar com a arquitetura saudável requer responsabilidades, como uso racional da energia, valorização da sustentabilidade, planejamento ambiental, ergonomia, acessibilidade, paisagismo e materiais responsáveis”, diz a cartilha da certificação.
O HBC se expande nos Estados Unidos, e começa a chegar ao Brasil. O primeiro certificado no país é o biólogo Allan Lopes, fundador do Instituto Brasileiro de Biologia da Construção. Ele também integra organizações internacionais voltadas para o tema e ressalta a importância de engenheiros civis e arquitetos estarem conectados com o conceito de arquitetura saudável. “O profissional se torna diferenciado e aumenta sua competitividade no mercado. Também pode atuar em consultorias e agregar inovações aos projetos”, diz.
Certificações possuem índices que detectam a síndrome do edifício doente

Crédito: Banco de Imagem
A GBC Brasil, que faz a gestão da certificação LEED no país, também possui um segmento que atua com arquitetura saudável. A certificação WELL Building Standard, por exemplo, é complementar à LEED. A ferramenta foi desenvolvida para atender as demandas por qualidade de vida, saúde e produtividade, aliadas à sustentabilidade ambiental dentro dos espaços construídos.
Segundo Paul Scialla, diretor do WELL Building Institute, a certificação WELL abrange 7 categorias relevantes para a saúde e bem-estar dos usuários de edificações: ar, água, alimento, luz, fitness, conforto e mente. “Espaços certificados WELL podem ajudar a criar um ambiente construído que melhora a alimentação, a condição física, o humor, os padrões de sono, e o desempenho de seus ocupantes”, afirma.
Todas as certificações possuem índices que detectam se uma construção está com a síndrome do edifício doente. Com relação à umidade, se o ambiente estiver com percentual acima de 45%, ele já começa a desenvolver mofo e é considerado “doente”. Quanto à poeira e sujeira, o maior transmissor desses elementos para dentro do ambiente são os calçados. Por isso, cuidado. Infiltrações e vazamentos são igualmente nocivos para prédios e casas e podem “transmitir” doenças aos usuários, através da umidade. Por fim, a estanqueidade também é um problema, pois impede a ventilação natural do ambiente.
Saiba mais sobre as certificações Healthy Building Certification e WELL Building Institute.
Entrevistado
Healthy Building Certification (HBC) e WELL Building Standard (via departamentos de comunicação)
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Ponte de 45 km pode unir Escócia e Irlanda do Norte

Crédito: Alan Dunlop Architects
O primeiro-ministro Boris Johnson encomendou ao governo britânico o projeto de uma ponte que possa unir Escócia e Irlanda do Norte. Estima-se que o custo da obra varie entre 15 bilhões e 20 bilhões de libras - cerca de 90 bilhões e 120 bilhões de reais. Apesar do alto valor, o principal obstáculo para viabilizar o projeto é o tempestuoso Mar da Irlanda, com águas revoltosas, profundidades que chegam a 300 metros e pontos que se transformaram em verdadeiros campos minados, pela quantidade de bombas não-detonadas dos tempos da Segunda Guerra Mundial.
Por isso, alguns engenheiros contrários à obra dizem ser mais fácil construir uma “ponte para a Lua” do que uma que ligue Escócia e Irlanda do Norte. Uma das alegações é que os pilares teriam que ficar a mais de 400 metros acima da lâmina d’água, para suportar o impacto das águas sobre as estruturas de concreto. Essa tese considera que a ponte uniria os pontos mais próximos entre os dois países, e que estão 19 quilômetros um do outro. Outros engenheiros avaliam que a melhor rota para a ponte seria entre Larne, na Irlanda do Norte, e Portpatrick, na Escócia, separadas por 45 quilômetros. O trecho é o menos acidentado do Mar da Irlanda.
Os que apoiam o projeto avaliam que a obra deveria seguir o modelo da ponte Öresund, que liga Suécia e Dinamarca e alterna trechos de ponte estaiada e túnel submarino ao longo de 16 quilômetros. Mas o mais ferrenho defensor da ponte - depois de Boris Jonhson - entende que a engenharia e a arquitetura britânica não precisam copiar nenhum projeto. “Temos o talento da engenharia e da arquitetura e a capacidade de construir esse projeto com nossa própria inspiração”, diz o arquiteto Alan Dunlop, um dos mais respeitados do Reino Unido.
Tecnologia das plataformas marítimas de petróleo seria solução para cruzar o Dique de Beaufort
Dunlop é professor de arquitetura na Robert Gordon University, em Aberdeen, e foi o primeiro a esboçar no papel como poderá ser a ponte. O arquiteto também fez uma defesa veemente da obra na Urbanism at Borders Global Conference, realizada em outubro de 2019, em Málaga-Espanha. Alan Dunlop entende que o traçado entre Larne e Portpatrick é o ideal e ataca os que criticam a obra só porque ela foi idealizada pelo primeiro-ministro Boris Jonhson. “É preciso separar os méritos arquitetônicos, econômicos e de engenharia do ressentimento em relação a Boris Johnson", diz.
Ainda segundo Alan Dunlop, o maior desafio da estrutura seria vencer o Dique de Beaufort, uma trincheira marítima com 300 metros de profundidade e localizada bem no meio do percurso imaginário da ponte. Para ele, a solução da engenharia está nas plataformas marítimas de petróleo. “A parte acima do dique teria que flutuar, mas seria amarrada ao fundo, como uma plataforma de petróleo”, sugere. “Existem desafios geológicos e ambientais a serem superados, mas que a engenharia e a arquitetura britânicas saberão encontrar a solução”, conclui.
Entrevistado
Governo do Reino Unido (via assessoria de imprensa)
Alan Dunlop Architects (via assessoria de imprensa)
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Otimismo do varejo da construção é maior na região Sul

Crédito: Banco de Imagens
Pesquisa do Instituto Quorum Brasil, que avalia as expectativas do varejo da construção civil para 2020, mostra que os lojistas da região Sul do Brasil (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) são os mais otimistas quanto à percepção de que os negócios vão crescer “acima do esperado” ou “muito acima do esperado” esse ano. Para 67% dos lojistas consultados no Sul existe essa confiança, dos quais 23% são muito otimistas na comparação ao volume de vendas de 2019 e 44% são otimistas.
Outros 32% dos varejistas de materiais de construção da região Sul disseram estar confiantes de que os negócios em 2020 ficarão “dentro da média de 2019”. Apenas 1% respondeu que as vendas ficarão “muito abaixo de 2019”. Esse pequeno pessimismo se repete entre os comerciantes das regiões Norte e Nordeste. Já Sudeste e Centro-Oeste têm um menor nível de otimismo. Na região que engloba Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal, 3% avaliam que o varejo da construção civil venderá “muito abaixo de 2019” e 9% dizem que ficará “abaixo de 2019”.
No Centro-Oeste do Brasil, 51% acreditam que os negócios em 2020 terão o mesmo volume de 2019 e 37% estimam que as vendas ficarão acima ou muito acima das registradas no ano passado. Já no Sudeste (São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo), são 44% que veem os negócios “acima de 2019” e 23% “muito acima de 2019”. Outro dado trazido pela pesquisa é que, independentemente da região do país, as lojas de varejo com mais de 15 anos de atuação no mercado são mais otimistas do que as que possuem menos de 15 anos.
Também há um otimismo maior nas lojas que têm mais de 10 funcionários. Nesse segmento, 72% se mostram esperançosas com os bons negócios em 2020 contra 51% dos varejos com menos de 10 funcionários. A pesquisa frisa que “quanto maior o porte da loja maior o otimismo”. Por isso, o levantamento também quis saber como os pequenos varejistas enxergam a concorrência dos home centers.
Grande maioria dos comerciantes admite que não compartilha informações com fornecedores
A pergunta feita na pesquisa foi a seguinte: “Você tem receio de que as grandes redes de home centers venham a engolir e tomar espaço de lojas como a sua no futuro?”. No Sul, 79% disseram que não; no Norte-Nordeste, 88%, e no Centro-Oeste, 94% também responderam não. Apenas o Sudeste teve uma resposta contrária: 74% dos pequenos varejistas da região se sentem ameaçados pelos home centers contra 26% que não veem ameaça.
A pesquisa também abrangeu questões como gestão de negócios e relação com fornecedores. Quanto à gestão, a maioria admitiu que não usa os benefícios da tecnologia para melhorar as vendas, como um software de gestão, por exemplo. A grande maioria também admitiu que não compartilha informações sobre suas vendas e estoques com fabricantes de materiais para construção. No Sul, essa falta de troca de dados abrange 71%; no Norte-Nordeste, 81%; no Centro-Oeste, 77%, e no Sudeste, 64%.
Para os varejistas, três quesitos são relevantes para que eles demonstrem fidelidade a um fornecedor: qualidade dos produtos (41%), prazo de pagamento (33%) e prazo de entrega (26%).
Confira todos os dados da pesquisa
Entrevistado
Reportagem com base na pesquisa “Varejo da Construção Civil – Expectativas para 2020”, do Instituto Quorum Brasil
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Concretagem especial: quais cuidados devem ser tomados

Crédito: Vimeo/Instituto de Engenharia
O engenheiro civil Sergio Botassi dos Santos, autor e coautor de quatro livros relacionados com estruturas de concreto, e publicados pelo Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON), é um estudioso de concretagens especiais. Para promover seu mais recente trabalho - “Cálculo Térmico em Estruturas de Concreto” - ele palestrou recentemente no Instituto de Engenharia, em São Paulo-SP, onde fez a abordagem de fundamentos como comportamento térmico, controle do risco de fissuração, ações mitigatórias preventivas e estudo de casos.
Botassi começou sua exposição esclarecendo o que é uma concretagem especial. “Trata-se do material que precisa de cuidados diferenciados na usinagem, no transporte, no lançamento, no adensamento e na pós-concretagem. São também os casos em que os requisitos não estão explicitamente detalhados nas normas técnicas que tratam do concreto moldado in loco, que são a ABNT NBR 7212 (Execução de concreto dosado em central - Procedimento), a ABNT NBR 12655 (Concreto de Cimento Portland - Preparo, controle e recebimento) e a ABNT NBR 14931 (Execução de Estruturas de Concreto - Procedimento)”, diz.
Obras que utilizam concreto autoadensável, concreto de baixa retração e concreto de alta resistência estão no grupo de concretagens especiais. Da mesma forma, os concretos que utilizam macrofibras, aditivos especiais, adições especiais, gelo e pérolas de EPS. Estão ainda nesta categoria as estruturas diferenciadas. “Hoje, por conta dos projetos de edifícios altos, é comum ter fundações cada vez mais robustas. Blocos com 300 m3 de concreto se tornaram corriqueiros nessas obras, e isso requer cuidados especiais”, afirma.
Outros elementos que devem ser tratados como concretagens especiais são os pilares-paredes, os pisos especiais, as concretagens em camadas e as concretagens noturnas. Nestes casos, podem ocorrer os chamados problemas térmicos, capazes de desencadear patologias no material. Por isso, Sergio Botassi apresentou formas que podem mitigar o risco térmico, que vão desde melhorias nas especificações técnicas do concreto até o uso de gelo para controlar a elevação de temperatura do material.
Case em Goiânia-GO foi agraciado com o ACI Excellence in Concrete Construction Awards

Crédito: Construtora Consciente
Em sua palestra, o engenheiro civil mostrou também os desperdícios que ocorrem quando a obra não possui equipes preparadas para receber concretos especiais. Um fato corriqueiro, disse, é quando os operários vibram o concreto autoadensável. “O uso de concreto autoadensável requer cuidados que muitas vezes são negligenciados. Tratá-lo como concreto convencional na execução é um erro que pode trazer segregação, exudação e outras patologias”, alerta.
Botassi ainda deixou claro que o planejamento da concretagem, antes de sua execução, é essencial para que as estruturas não venham a apresentar problemas. Foi o que o engenheiro civil fez ao prestar consultoria técnica para as obras do Nexus Shopping and Business, em Goiânia-GO. A concretagem foi premiada em 2018 com o ACI Excellence in Concrete Construction Awards, na categoria de edifícios altos.
A edificação conta com 3 torres, com a maior atingindo 158 metros de altura. O volume de concreto chegou a 55 mil m3, com o uso de concreto armado e concreto protendido. O que rendeu a premiação da ACI (American Concrete Institute) foram as simulações em computador para que o processo de concretagem das fundações não sofresse risco térmico e fosse imunizado de Reações Álcali-Agregado (RAA), por causa do tipo de solo onde o complexo comercial foi construído.
Assista a íntegra da palestra do engenheiro civil Sergio Botassi dos Santos
Entrevistado
Reportagem com base na palestra do engenheiro civil Sergio Botassi dos Santos, no Instituto de Engenharia
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Nunca esteve tão bom financiar a compra da casa própria

Crédito: Banco de Imagens
A taxa Selic, que é referência para definir os juros do financiamento habitacional, está no nível mais baixo da história (4,25%). Isso levou os bancos a se voltarem para quem quer comprar a casa própria, criando novos produtos. Já existem instituições dispostas a financiar 90% do valor do imóvel, ou seja, o contratante só precisa ter 10% dos recursos para dar a entrada e pegar as chaves em mãos. Atualmente, a maior taxa de juros entre os bancos que operam com esse tipo de financiamento é de 7,30% ao ano. E a tendência é de redução.
De acordo com analistas de mercado, cada ponto percentual que cai nos juros do financiamento representa até 8% a menos no valor da parcela da casa própria. Por isso, os observadores estimam que nunca esteve tão em conta financiar a compra de um imóvel. A percepção do consumidor é a mesma, como indica pesquisa do índice FipeZap, divulgada em fevereiro de 2020. Dos entrevistados, 38% disseram que têm intenção de comprar imóveis nos próximos meses. Na pesquisa anterior, de 2019, esse percentual era 26%.
Segundo o diretor-executivo da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel José Ribeiro de Oliveira, os financiamentos imobiliários são de “alto valor e de longo prazo”. “Por isso, qualquer redução de juros, por menor que seja, sempre traz benefícios ao consumidor”, diz. De olho no aquecimento do mercado, a Caixa Econômica Federal lançou uma modalidade nova para quem busca comprar a casa própria: o crédito habitacional com taxa fixa.
As condições são válidas para imóveis residenciais novos e usados, com quota de financiamento de até 80% do valor da unidade. O cliente poderá escolher entre os sistemas de amortização SAC (com parcelas decrescentes), para contratos de até 360 meses, ou Price (parcelas fixas), para financiamento de até 240 meses. As contratações estão disponíveis desde 21 de fevereiro, com juros de 8% a 9,75% ao ano, dependendo do tempo de financiamento e do relacionamento do cliente com o banco.
Caixa Econômica agora tem 3 modalidades de financiamento imobiliário
Agora, a Caixa tem 3 modalidades de financiamento imobiliário. Além da taxa fixa, oferece o crédito habitacional corrigido pela inflação, cujos juros que variam de 2,95% a 4,95%, e o tradicional crédito pela TR, com taxas que vão de 6,5% a 8,5%. Já os demais bancos com abrangência nacional continuam trabalhando com o crédito indexado pela TR e juros maiores que os praticados pela Caixa Econômica Federal. Veja:
Itaú
- Taxa mínima de juro para as linhas de crédito imobiliário a partir de 7,45% ao ano + Taxa Referencial (TR), variando de acordo com o perfil do cliente e do imóvel.
- Percentual de financiamento: até 82% do valor do bem.
- Tempo máximo de parcelamento: 360 meses.
Banco do Brasil
- Taxas a partir de 3,45% ao ano + IPCA ou 7,20% ao ano + TR, recentemente revisadas após as últimas quedas da Selic.
- Financia até 80% do valor de avaliação de imóveis residenciais e comerciais nas linhas do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e da Carteira Hipotecária.
Bradesco
- Taxas têm como banda mínima TR + 7,30 % ao ano.
- Limite de financiamento é de 80%.
- Pagamento em até 360 meses.
Santander
Taxa mínima de juros pode chegar a 7,99% ao ano + TR.
Financia até 90% do valor de imóveis residenciais na modalidade de parcelas atualizáveis (Sistema de Amortização Constante, o SAC).
- Financiamentos são parceláveis em até 420 meses.
Entrevistado
Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (via assessoria de imprensa)
Caixa Econômica Federal (via assessoria de imprensa)
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Automação tende a ampliar vagas femininas na construção

Crédito: ONU
Recente relatório do McKinsey Global Institute (MGI) aborda o futuro das mulheres no mercado de trabalho e traz um capitulo especial sobre a participação feminina na construção civil. O estudo faz projeções até 2030 e estima que com a automação dos canteiros de obras, a industrialização dos sistemas construtivos e o incremento de ferramentas de projetos e de gestão, como o BIM, o setor tende a empregar mais mulheres.
O documento, intitulado “O futuro das mulheres no trabalho: transições na era da automação", detecta que a ocupação de mulheres em funções antes essencialmente masculinas se dará mais nas economias emergentes, em especial na índia e na China. “Na Índia e na China, as mulheres serão super-representadas em setores como manufatura e construção civil, em comparação ao cenário atual dessas economias”, diz o relatório.
A pesquisa faz uma projeção mundial utilizando tendências que acontecem em 10 países, dos quais 6 são economias maduras (Canadá, França, Alemanha, Japão, Reino Unido e Estados Unidos) e 4 emergentes (China, Índia, México e África do Sul). Juntas, elas representam praticamente metade da população mundial e cerca de 60% do PIB global. O levantamento conclui que a participação da mão de obra feminina na construção civil pode crescer até 10% nos próximos 10 anos.
Atualmente, o gênero feminino ocupa 15% dos cargos na construção civil global. No Brasil, esse percentual é menor. Segundo o mais recente estudo do IBGE, com data de 2018, as mulheres ocupam 10,5% das vagas no setor, apesar de o mercado de trabalho ter crescido 120% em 11 anos. Em 2007, existiam 109.006 trabalhadoras registradas na construção civil; em 2018, eram 239.242. Com cursos profissionalizantes, elas preenchem mais as vagas de azulejista, pintura e eletricista.
Mulher ocupará áreas como Inteligência Artificial, sustentabilidade e gestão de recursos
Segundo o estudo da McKinsey Global Institute, as ondas de inovações tecnológicas vão mudar a natureza de muitas ocupações, e tendem a gerar 160 milhões de empregos nos 10 países pesquisados. Especificamente sobre a construção civil, o levantamento estima que até 2030 ocupações inteiramente novas devam surgir em áreas como Inteligência Artificial, sustentabilidade e gestão de recursos.
O relatório ainda abrange padrões de empregos que serão mais ou menos impactados pela automação. No capítulo que trata da construção civil, os postos de trabalho são definidos como "empregos perdidos", aqueles que a automação irá substituir; "empregos ganhos", vagas impulsionadas pelo crescimento econômico, investimento, mudanças demográficas e inovação tecnológica, e "empregos alterados", cujas atividades e os requisitos de habilidades mudam para um perfil de automação parcial.
Para que as mulheres possam ocupar vagas no novo mercado de trabalho e consigam salários compatíveis, o documento reforça que investimento em educação e qualificação profissional é primordial. “A tecnologia pode derrubar muitas das barreiras enfrentadas pelas mulheres, abrindo novas oportunidades econômicas, ajudando-as a participar da força de trabalho e a atuar em condições de igualdade com o homem na era da automação. Mas é necessário que investimento público e privado em plataformas de aprendizagem digital abra essa avenida para as mulheres”, conclui o relatório.
Entrevistado
Reportagem com base no relatório do McKinsey Global Institute, intitulado “O futuro das mulheres no trabalho: transições na era da automação"
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Clima e solo desafiaram engenharia nas obras da BR-163

Crédito: Exército Brasileiro
Em pleno carnaval de 2019, uma cena mostrada nos principais telejornais do país surpreendeu os brasileiros. Foi a que trazia caminhões atolados no trecho norte da BR-163, entre Sinop, no Mato Grosso, e Miritituba, no Pará. Para acabar com esse entrave no transporte da região, o governo federal agiu rápido. Em um ano, pavimentou 51 quilômetros da rodovia, facilitando o fluxo de cargas entre os dois estados.
A obra custou 158 milhões de reais e teve a engenharia do exército à frente do projeto. O clima extremamente quente e chuvoso, aliado a um solo mole, esteve entre os desafios para a pavimentação, que contou ainda com a construção de duas importantes pontes de concreto no trecho. Uma de 50 metros, sobre o rio Samurai, e outra de 100 metros, sobre o rio Itapecurazinho.
As obras no trecho norte da BR-163 foram executadas pelo 8º Batalhão de Engenharia de Construção (8° BEC). Os militares realizaram trabalhos de terraplanagem, drenagem, lançamento de sedimentos, reforço de solo, compactação, reconformação de plataforma, perfurações de rochas, serviço de britagem, trabalhos topográficos e asfaltamento com 6,5 centímetros de Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ).
A pista, com 12 metros de largura, incluindo também os acostamentos, já está liberada para o tráfego desde o fim de 2019. No entanto, o exército segue atuando na obra, para concluir a segunda camada de asfalto - chamada de "faixa C" ou capa de rolamento - e para instalar bueiros, meios-fios, valetas e executar as sinalizações horizontais e verticais.
Aproximadamente 3 mil carretas transitam pela rodovia diariamente
O exército estima que finalizará todo o serviço em agosto de 2020. O diretor de Obras de Cooperação do Exército, General Paulo Roberto Viana, destaca a importância da obra. “Existe um grande volume de veículos que percorre diariamente a BR-163. O trecho dá acesso aos terminais fluviais de Miritituba e Santarém, ambos no Pará. São em torno de 3 mil carretas que transitam nessa rodovia por dia. Hoje, aquela região é um dos mais importantes eixos de exportação do nosso PIB para portos da Ásia e da Europa, principalmente”, declara.
Roberto Viana lembra que durante a execução da pavimentação a incidência de chuva foi o dobro da média. Por isso, se tornou necessário manter um contingente permanente de 500 militares do 8º BEC no trecho em obras para que o cronograma fosse cumprido.
Além do asfaltamento, também foi realizada manutenção em 1.300 quilômetros na rodovia, de Sinop-MT a Santarém-PA. Na região amazônica, a BR-163 é conhecida como Rodovia Cuiabá-Santarém. No entanto, a estrada tem início na cidade de Tenente Portela-RS e se estende até a cidade de Santarém-PA. No total, são 3.579 quilômetros, sendo que o trecho de Cuiabá-MT a Santarém-PA tem aproximadamente 1.600 quilômetros.
Segundo o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, existe a possibilidade de criar concessões da rodovia. Ele revela que o ministério ainda faz estudos sobre a viabilidade da privatização. “A intenção é redirecionar a logística do país para o norte, porque teremos menores distâncias para os mercados consumidores da Ásia e da Europa”, avalia.
Entrevistado
Ministério da Infraestrutura (via assessoria de imprensa)
Exército Brasileiro (via assessoria de imprensa)
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Veja o que muda no Minha Casa Minha Vida com nova gestão

Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil
Rogério Marinho, que ocupava a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, foi galgado ao cargo de ministro do Ministério do Desenvolvimento Regional. É essa pasta que coordena o Minha Casa Minha Vida (MCMV). O que pode mudar no programa habitacional com a nova gestão? Em sua posse, o novo ministro disse que vai reestruturar o programa e agradou o setor. Afirmou que a prioridade é reformular o MCMV e que a construção civil precisa ser tratada como parceira do governo federal, pois gera emprego e renda.
Uma das propostas de mudança em estudo é a possibilidade de dar ao beneficiário do programa mais liberdade para definir como será o imóvel. No atual formato, quem é contemplado, em qualquer das faixas do Minha Casa Minha Vida, recebe a casa pronta da construtora. Com o novo programa, que deve mudar de nome, o beneficiário receberá um voucher (comprovante que dá direito a um produto) para definir como ele quer a obra, qual engenheiro assinará o projeto e como será a arquitetura do imóvel.
O voucher mínimo seria de 60 mil reais e a prioridade são as famílias com renda mensal de até 1.200 reais. Os terrenos onde serão feitas as construções não estão incluídos no voucher. A proposta é que estados e municípios dividam esse custo. Essa prática substituiria a atual faixa 1 do programa, destinada aos que necessitam de habitações de interesse social, e que atualmente encontra-se sem contratar novos projetos, por falta de dinheiro. Para definir as famílias com direito ao voucher, o governo utilizará a base de dados do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal.
Para 2020, o orçamento do MCMV prevê repasse de 2,7 bilhões, mas podem ocorrer cortes
O Minha Casa Minha Vida sofreu um esvaziamento de recursos desde que o Congresso Nacional, em 2019, votou pelo orçamento impositivo - retirando poderes de gestão do Executivo. Para 2020, o orçamento do MCMV prevê repasse de 2,7 bilhões, desde que o governo não precise fazer contingenciamentos ao longo do ano. Emergencialmente, logo que assumiu o Ministério do Desenvolvimento, Rogério Marinho autorizou a liberação de 47 milhões de reais para atender parte da demanda das famílias enquadradas na faixa 2 do programa (entre 2.600 reais e 4 mil reais).
O dinheiro será repassado à Caixa Econômica Federal, para desafogar pedidos de financiamento. O banco havia pedido 160 milhões, mas a solicitação não foi atendida. Os recursos liberados fazem parte da contrapartida da União na concessão de subsídios do FGTS para os beneficiários do programa que têm condições de assumir financiamento da casa própria. Criado em 2009, o Minha Casa Minha Vida já entregou 4,1 milhões de moradias e 1,4 milhão encontra-se com as obras paralisadas e sem prazo para que sejam retomadas. Atualmente, apenas os projetos ligados à faixa 3 do programa têm conseguido viabilidade econômica para serem executados.
Entrevistado
Ministério do Desenvolvimento Regional (via assessoria de imprensa)
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330









