CBIC cria pacote proativo para alavancar construção

Propostas foram discutidas em evento internacional que ocorreu em Brasília e sugerem regras claras para obras em infraestrutura e retomada do Minha Casa Minha Vida

Por: Altair Santos

O ex-presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), Paulo Safady Simão, revela que o organismo acaba de propor ao governo um pacote proativo que permita à cadeia produtiva da construção civil retomar o crescimento e, mais que isso, ter avanços sustentáveis e não o “anda e para” ao qual o setor acostumou-se nas décadas passadas e no ciclo recente da economia. “O momento é difícil e complexo para a cadeia produtiva da construção civil, mas o setor já sobreviveu a outros stop and go. Para sair desta nova situação incômoda, estamos propondo a retomada dos pagamentos em dia do Minha Casa Minha Vida e da volta da Lei 8.666, a lei das licitações, em vez do RDC (Regime Diferenciado de Contratação), que já provou ser um equívoco e uma porta aberta para a corrupção em obras”, diz.

Paulo Safady Simão, no M&T Expo 2015: não se pode deixar o Minha Casa Minha Vida morrer
Paulo Safady Simão, no M&T Expo 2015: não se pode deixar o Minha Casa Minha Vida morrer

Segundo Safady, em palestra na feira M&T Expo 2015, entre as primeiras ações está a colocação em dia dos contratos do Minha Casa Minha Vida 2, que têm sofrido atrasos que variam de 60 a 90 dias e já comprometem severamente o orçamento de pequenas e médias construtoras engajadas no programa. “Não podemos deixar morrer esse programa com muito potencial, e que a CBIC, junto com outros setores da construção civil, lutou tanto para que fosse viabilizado. Além disso, proporcionou avanços, como a aceitação, por parte da Caixa Econômica Federal, de 80 sistemas construtivos diferentes, sendo que antes o banco só financiava projetos à base de tijolo sobre tijolo. Sem contar que o Minha Casa Minha Vida propiciou a modernização da normalização, com destaque para a Norma de Desempenho (ABNT NBR 15575)”, afirma o dirigente.

Equívocos e intervencionismo
O ex-presidente da CBIC se diz convicto de que o fim da crise no país passa pela construção. “Todos sabemos que obras de infraestrutura são as que podem impulsionar o crescimento. Mas o governo cometeu muitos equívocos, com excesso de intervencionismo, e causou uma perda de R$ 50 bilhões ao setor. Por isso, realizamos uma série de seminários em Brasília, sobre PPPs (Parcerias Público-Privadas) e concessões, inclusive apresentando modelos consagrados pela CICA (Confederação Internacional das Associações de Construção) e pela FIIC (Federação Interamericana da Indústria da Construção). O documento tirado do encontro foi encaminhado ao governo, com uma série de propostas”, ressalta Safady, referindo-se ao International Meeting: Infrastructure and PPPs, que ocorreu no final de abril de 2015 em Brasília.

O pacote de propostas, frisa Paulo Safady Simão, é proativo e sugere transparência para os processos licitatórios. “A iniciativa privada quer investir, mas precisa ter retorno e condições contratuais sólidas, sem inseguranças jurídicas”, destaca o dirigente, acreditando que se metade do pacote proposto for aceito pelo governo o setor da construção poderá sair da inércia em 2016.

Entrevistado
Engenheiro civil Paulo Safady Simão, ex-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
Contato: comunica@cbic.org.br

Crédito Foto: Divulgação/ M&T Expo 2015

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Invenção alemã, BlingCrete é o concreto que emite luz

Versátil, material pode ser útil em sinalizações, vias urbanas, estações de transporte público, obras de infraestrutura e objetos de design

Por: Altair Santos

Criado na Alemanha, o BlingCrete engloba as qualidades do concreto e ainda é capaz de refletir luz (natural ou artificial). Isso se deve à aplicação de microesferas de vidro no substrato do material, o que o torna ideal para o uso em sinalizações industriais, vias urbanas, estações de transporte público, obras de infraestrutura - túneis, pontes e viadutos -, além de fachadas residenciais e comerciais ou objetos de design. “A principal virtude do BlingCrete é a sua capacidade de retrorreflexão”, diz o arquiteto Thorsten Klooster, que junto com o também arquiteto Clemens Winkler - ambos do departamento de arquitetura da Universidade de Kassel, na Alemanha - criaram o novo concreto.

Aplicação de Blingcrete em túnel alemão: material emite luz captada do sol, economizando energia elétrica
Aplicação de Blingcrete em túnel alemão: material emite luz captada do sol, economizando energia elétrica

A retrorreflexão é o fenômeno óptico que faz a luz incidir sobre a superfície de um material refletivo e retornar à fonte de origem sem perda de luminosidade. Essa capacidade está presente no BlingCrete, que, segundo Thorsten Klooster, abre a possibilidade de várias frentes na arquitetura, no design de interiores e nas áreas de segurança de transporte. “Ele pode se fazer presente em entradas de túneis e em bordas de plataformas de estações de metrô”, diz. Mas a aplicação é praticamente infinita. Tanto que a designer Heike Klussmann juntou-se ao projeto para desenvolver objetos de decoração de interiores, utilizando variadas cores e texturas para o material.

Versátil, mas caro

A versatilidade do BlingCrete se deve ao fato de as microesferas de vidro serem acomodadas em placas pré-fabricadas que utilizam concreto de alto desempenho e, por isso, podem ter uma espessura muito fina, chegando a 7 milímetros. Esse material, quando pronto, serve de revestimento para ser aplicado sobre o concreto bruto ou outras superfícies, como a madeira e o plástico. Por isso, revelou-se um elemento inovador para o acabamento de design de interiores. A ponto de já ter ganhado uma série de prêmios de arquitetura, como o IF Design Award, dentro do Pavilhão de Inovação ABX (Architecture Boston Expo), que ocorre anualmente nos Estados Unidos.

Blingcrete em plataforma de embarque, em uma estação do metrô em Berlim: protótipo à espera de mercado
Blingcrete em plataforma de embarque, em uma estação do metrô em Berlim: protótipo à espera de mercado

O BlingCrete está no mercado desde 2012. No entanto, por ser considerado um material caro, ainda enfrenta restrições. As principais aplicações estão em objetos decorativos. Na área de infraestrutura, alguns protótipos podem ser vistos na Alemanha, mas nada que diga que o material tenha sido absorvido pelo setor. Uma placa do BlingCrete, medindo 1,35 m x 2,80 m, com 30 mm de espessura, custa aproximadamente 230 euros para ser produzida – cerca de R$ 805,00 (8 vezes mais se usasse um concreto convencional).

Em 2015, seus criadores voltaram a expô-lo em eventos globais, desta vez promovendo-o como elemento que se adapta perfeitamente em fachadas de edifícios, funcionando como reforço para a iluminação noturna. Na visão de Thorsten Klooster, o BlingCrete se tornará mais consumido conforme as construções sustentáveis forem conquistando espaço nos ambientes urbanos. “É o revestimento do futuro”, garante.

Entrevistado
Arquiteto Thorsten Klooster, professor do departamento de arquitetura e engenharia da Universidade de Kassel, na Alemanha (por email)

Nos elementos de decoração, BlingCrete serve como revestimento
Nos elementos de decoração, BlingCrete serve como revestimento

Contatos
info@blingcrete.com
www.blingcrete.com

Crédito Foto: Divulgação/Blingcrete

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

China “compra” infraestrutura na América Latina

Priorizando Brasil e Argentina, potência mundial viabiliza corredores de transporte ferroviário para facilitar escoamento de matérias-primas

Por: Altair Santos

O trem-bala brasileiro seria o mais ousado projeto ferroviário nacional, caso tivesse saído do papel. Agora, o governo federal lança o plano da Ferrovia Transoceânica. A extensão pode variar entre 4 mil e 5 mil quilômetros, já que o trajeto ainda não está definido. A princípio, a linha sairia do Rio de Janeiro, cortando outros cinco estados brasileiros (Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Acre) até entrar no Peru, para desembocar no Pacífico. A diferença desta megaobra, em relação ao trem-bala, é que agora há um investidor interessado: a China.

Acordos assinados entre a presidente Dilma Rousseff e o premier chinês Li Keqiang destacam a construção da ferrovia Transoceânica
Acordos assinados entre a presidente Dilma Rousseff e o premier chinês Li Keqiang destacam a construção da ferrovia Transoceânica

A potência mundial tem um novo foco de investimentos: a América Latina. Priorizando Brasil e Argentina, a China quer viabilizar corredores de transporte ferroviário para facilitar o escoamento de matérias-primas compradas destes países. Em território argentino, os chineses querem criar um corredor da carne. Já no Brasil, a meta é abrir um caminho para que a soja e os minérios do país possam ser embarcados no Oceano Pacífico – especificamente em portos do Peru. A intenção é baratear a logística, pois, atualmente, os navios saem carregados do Brasil e da Argentina e precisam passar pelo Canal do Panamá para transpor o continente ou cruzar o Atlântico e o Oceano Índico.

Hoje, as exportações brasileiras para a China levam de 30 dias a 40 dias para chegar ao destino, independentemente do caminho (via Canal do Panamá ou Atlântico/Índico). Com a megaobra, a estimativa é que o percurso cairia para 20 dias ou menos. Para viabilizá-la, o aporte financeiro pode chegar a R$ 34 bilhões, dependendo do trajeto a ser escolhido. O principal empecilho está na possibilidade de a ferrovia cortar a região amazônica - traçado mais curto -, o que implicaria em superar barreiras ambientais.

Abertura a empreiteiras estrangeiras
Independentemente das dificuldades que possam ser impostas à construção, na segunda quinzena de maio de 2015 os governos brasileiro, chinês e peruano assinaram 35 acordos, com validade até 2021, que viabilizam a construção da Ferrovia Transoceânica. Mas é possível que a megaobra exija também a inclusão da Bolívia na parceria, caso o trajeto tenha que evitar a floresta amazônica. Com a participação ou não dos bolivianos no empreendimento, esta será, após mais de 40 anos, a segunda obra transnacional viabilizada em território brasileiro. A primeira foi a hidrelétrica Itaipu.

Mapa da rota da Transoceânica: obra pode custar até R$ 34 bilhões, por causa de questões ambientais
Mapa da rota da Transoceânica: obra pode custar até R$ 34 bilhões, por causa de questões ambientais

Além disso, poderá ser também a primeira construção a usar empreiteiras estrangeiras. Com o andamento da operação Lava Jato envolvendo as principais construtoras do Brasil, é possível que elas sejam impedidas de participar de licitações para esse tipo de obra. Com isso, a China já se “ofereceu” para viabilizar o projeto. O governo brasileiro reluta, mas os chineses acenam com a possibilidade de contratação de mão de obra brasileira e transferência de tecnologia. A Ferrovia Transoceânica é vista pela potência mundial também como uma porta de acesso para atuar na construção civil da América Latina.

Entrevistados
- Câmara de Comércio e Indústria Brasil China (CCIBC) (via assessoria de imprensa)
- VALEC, Engenharia, Construções e Ferrovias S.A (via assessoria de imprensa)
Contatos
presidente@valec.gov.br
infosp@ccibc.com.br

Créditos Fotos: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Divulgação

 

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Lava Jato obriga revisão da gestão corporativa

Repercussão das investigações em andamento leva Instituto Brasileiro de Governança Corporativa a reavaliar procedimentos para mitigar ameaças

Por: Altair Santos

Tema cada vez mais relevante nas reuniões de conselho das empresas - principalmente após os escândalos recentes, trazidos à tona pela Operação Lava Jato -, os modelos de gestão corporativa começaram a passar por aperfeiçoamentos no Brasil. Um exemplo é a mais recente medida do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), que elencou oito pontos que devem ser melhorados para mitigar as ameaças e os riscos aos quais os negócios passaram a estar expostos no país.

Amadurecimento da sociedade brasileira exige mudanças das empresas, incluindo as ligadas à cadeia produtiva da construção civil
Amadurecimento da sociedade brasileira exige mudanças das empresas, incluindo as ligadas à cadeia produtiva da construção civil

Segundo Mercedes Stinco, coordenadora da comissão de gerenciamento de riscos corporativos do IBGC, as investigações em andamento e a repercussão que estão tomando, em conjunto com a aprovação da Lei Anticorrupção (nº 12.846), em 2014, trazem mais luz e força às iminentes mudanças pelas quais as corporações estão passando. “Leis, regulamentos e normas impõem às organizações novas exigências. Adequar-se pode ser considerado como parte de uma nova estrutura de governança”, diz.

Os oito pontos reavaliados pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa foram estabelecidos no 3º Encontro de Conselheiros Certificados do IBGC, promovido em maio de 2015. Eles servem como alertas para as empresas, e são os seguintes:
- Riscos cibernéticos: em maior ou menor grau, as evoluções tecnológicas afetam ou podem afetar os negócios em caso de algum ataque externo.
- Papéis e responsabilidades conhecidos: fóruns e principais responsáveis pelo monitoramento de riscos, alçadas e metodologia aplicada devem fazer parte da governança da gestão de riscos.
- Comunicação eficaz entre o conselho de administração e os gestores responsáveis pela área. Adoção de políticas de riscos, transparência e formalização de riscos assumidos.
- Engajamento: não adianta ter estrutura, processos e controles formais sem que haja indivíduos pessoalmente engajados na execução de suas atribuições. Principalmente no conselho de administração, que é o guardião da política de gerenciamento de risco.
- Independência, sinergia e utilidade: gestão de riscos que funciona com eficácia deve ter, além de independência, sinergia com áreas correlatas e ser patrocinada pela liderança. Ao mesmo tempo, se não for útil para a gestão, não terá a efetividade e a continuidade necessárias.
- Compliance e transformação cultural: após a Lei Anticorrupção, fez-se necessário lapidar as pessoas da organização. Portanto, a mudança cultural surge como desafio. Não basta ser. Tem que parecer, através de ações como tolerância zero, treinamento e orientação, incentivo à denúncia e gestão de consequências.
- Reputação se constrói de dentro para fora da organização e se mede através da percepção dos stakeholders. Há a necessidade da participação de todos os níveis da empresa, entregar o que se promete e não ter medo de fazer perguntas difíceis.
- Lei Anticorrupção: os conselheiros devem estar atentos à prevenção de práticas de corrupção. A lei traz penalidades para as pessoas jurídicas, entretanto, as pessoas físicas poderão ser responsabilizadas por outras formas, como através da Lei das S.A., que impõe deveres fiduciários aos administradores das companhias.

Mercedes Stinco: leis, regulamentos e normas impõem às organizações novas exigências
Mercedes Stinco: leis, regulamentos e normas impõem às organizações novas exigências

Mais transparência
Para Mercedes Stinco, as mudanças se devem também ao amadurecimento da sociedade brasileira, já que elas abrangem as empresas com matriz no país. “As empresas globais já possuem mecanismos mais robustos e maduros, advindos das obrigações impostas pelas matrizes”, afirma, completando que os investidores também estão mais seletivos quanto ao modelo de gestão das corporações. “Há várias pesquisas que mostram que os investidores estão dispostos a pagar mais pelas ações de empresas classificadas em bons níveis de governança, devido aos vários requerimentos e transparências necessários para chegar a estes estágios.”

Sobre as grandes empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato, o IBGC tem como política não comentar casos específicos. Mas, de forma conceitual, a coordenadora da comissão de gerenciamento de riscos corporativos do instituto avalia que as empresas que quiserem preservar seu valor e sua perenidade terão de reformular suas estratégias de atuação, além de incorporar uma série de ações que possam trazer mais transparência ao seu modelo de gestão. “Entendo que gerir riscos no setor da construção civil faz parte do modelo de negócio. O que deve ser observado é a necessidade de evoluir nas práticas de como são exercidas as transações comerciais, para poder atender aos princípios básicos da governança”, avalia.

Entrevistada
Mercedes Marina Stinco, graduada em ciências contábeis, especialista em negócios e coordenadora da Comissão de Gerenciamento de Riscos Corporativos do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa)
Contato: ibgc@planin.com

Créditos Fotos: Divulgação/Divulgação/IBGC

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Após crise, construção civil nunca mais será a mesma

Quadrinômio formado por eficiência, produtividade, segurança e lucratividade tende a estar cada vez mais presente nos canteiros de obras

Por: Altair Santos

A crise pode fazer a construção civil fechar 2015 com quase 500 mil demissões, mas também tem servido de alavanca para o setor acelerar processos que melhoram a produtividade e tornam os canteiros de obras mais enxutos. Especialistas que debateram o tema no M&T Expo 2015 concluíram que, ao final desta transformação, surgirá uma mão de obra muito mais qualificada, além de empresas capacitadas tecnologicamente e com um leque maior de sistemas construtivos para empreender. Enfim, uma construção nacional mais moderna e competitiva.

Márcio Cardoso: saem os operários, entram os operadores
Márcio Cardoso: saem os operários, entram os operadores

O engenheiro mecânico Márcio Cardoso, que palestrou no M&T Expo 2015 - evento voltado a equipamentos para canteiros de obras e sistemas construtivos -, lembra que há um quadrinômio que já é perseguido pelas empresas do setor. “Eficiência, produtividade, segurança e lucratividade é o que vai nortear as construtoras brasileiras a partir de agora, assim como foi nos Estados Unidos após a crise de 2008. Lá, hoje, há 800 mil equipamentos trabalhando nos canteiros de obras. Aqui, são 35 mil, mas com forte potencial e viés de alta. É um caminho sem volta”, avalia.

O especialista lembra que esse processo de transformação começou com o programa Minha Casa Minha Vida. “Foi com o Minha Casa Minha Vida que se introduziram as gruas nos canteiros de obras. Também foi com o impulso do programa que os fabricantes passaram a paletizar seus produtos para entregá-los nas áreas em construção. Isso é um sinal evidente de investimento em produtividade”, afirma. De acordo com Márcio Cardoso, a tecnologia cada vez mais agregada à construção civil levará a execuções mais rápidas e eficientes e à redução do número de horas/homem.

Mário Humberto Marques: é inexorável que o país deverá modernizar a forma de construir
Mário Humberto Marques: é inexorável que o país deverá modernizar a forma de construir

Em vez de pás, joysticks
Na avaliação do palestrante, sairão os operários e entrarão os operadores de máquinas nos canteiros de obras. Para isso, Márcio Cardoso destaca que as construtoras precisarão investir fortemente em treinamento. Até porque, a sofisticação das máquinas é cada vez mais acentuada. “A versatilidade dos equipamentos permite que eles operem tanto em áreas externas quanto internas. Também podem carregar mais cargas, em alturas mais elevadas e em terrenos mais acidentados. Quanto ao sistema de operação, os fabricantes optam por algo parecido com os games, usando joysticks, por exemplo. Isso requer treinamento”, diz.

Diante do cenário de crise, o M&T Expo 2015 mostrou que a lógica das empresas será seguir o lema “mais com menos”. Não apenas nos canteiros de obras de construções habitacionais, mas também nas áreas que envolverem grandes construções, haja vista que o país colocou um pacote de concessões em curso para melhorar sua infraestrutura. “É inexorável que o Brasil deverá viabilizar grandes obras e isso demandará investimentos também em equipamentos e na modernização na forma de construir. A construção civil nacional sabe que precisa executar mais rápido e com mais eficiência”, destaca o vice-presidente da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração), Mário Humberto Marques.

Entrevistados
Engenheiro mecânico Márcio Cardoso, vice-presidente de vendas e aftermarket da JLG para a América do Sul
Engenheiro mecânico Mário Humberto Marques, vice-presidente da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração)

Contatos
treinamento@jlg.com
sobratema@sobratema.org.br

Créditos Fotos: Divulgação/M&T Expo 2015

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

O que é mais barato: construir ou comprar pronto?

Ainda que os índices para construção própria sejam mais em conta, o gerenciamento da obra é decisivo para não estourar o orçamento

Por: Altair Santos

Em maio de 2015, o valor médio do Índice Nacional da Construção Civil (INCC), medido pelo IBGE e pela Caixa Econômica Federal, foi cotado em R$ 1.001,31. Trata-se do indicador que mede a variação dos preços de materiais, mão de obra e matéria-prima da construção civil. Por isso, serve de balizador para quem constrói e faz crer que, em comparação com outros índices - como os que medem o m² construído -, seja mais barato viabilizar um empreendimento por conta própria do que comprar o imóvel pronto.

Euclésio Finatti, do CREA-PR: gerenciamento da obra é que define se ela será mais cara do que o orçado inicialmente
Euclésio Finatti, do CREA-PR: gerenciamento da obra é que define se ela será mais cara do que o orçado inicialmente

Mas não é tácito afirmar que construir é mais barato que comprar pronto. Ainda que o metro quadrado construído seja, em média, de cinco a seis vezes mais caro que o INCC, é preciso colocar nesta conta o custo do gerenciamento da obra e também do terreno em que ela será erguida. Se quem for construir por conta própria tiver um bom engenheiro civil, mão de obra qualificada e souber comprar os materiais adequadamente, a obra, de fato, pode custar mais barato. Caso contrário, o estouro do orçamento pode ser inevitável.

Segundo o engenheiro civil Euclésio Manoel Finatti, assessor de relações com o setor empresarial do CREA-PR, para quem vai construir por conta própria o gerenciamento é decisivo. “Quando o gerenciamento é feito com o objetivo de otimizar a execução, promover compras programadas, buscar custos, prazos e qualidade, ele atinge seu objetivo: reduzir o custo da obra. Um bom gerenciamento se paga. Por outro lado, caso o gerenciamento seja desastroso, a obra pode ficar mais cara que comprar pronto”, avalia.

A recomendação para quem se propõe a viabilizar uma obra, seja residencial, comercial ou industrial, é que contrate especialistas competentes. “Um bom arquiteto e um bom engenheiro civil basta para que uma obra seja feita corretamente e adequada ao seu custo. O dono da obra não deve contratar mão de obra. Isto é atribuição de quem conhece de execução de obra, que é o engenheiro. Este é um dos papéis deste profissional: saber selecionar a mão de obra adequada para cada parte, cada fase da obra”, complementa Finatti.

Construtor não precisa entender de obra, mas tem que contratar os profissionais certos
Construtor não precisa entender de obra, mas tem que contratar os profissionais certos

Retrabalho fulmina custo da obra

Sobre o que pesa mais no custo da obra, se materiais, mão de obra ou terreno, o especialista do CREA-PR revela que o impacto do terreno chega, no máximo, a 20%. Significa que a influência de mão de obra e materiais é maior no preço final. “Um profissional sem a qualificação devida causará prejuízo, pois o trabalho terá que ser refeito. Por outro lado, materiais de construção de qualidade duvidosa também geram retrabalho. Neste caso, o custo é dobrado, pois paga-se para retirar e refazer o serviço”, afirma.

Por fim, Euclésio Finatti explica que o preço da obra pronta é maior por, normalmente, existir a figura do investidor neste tipo de empreendimento. “O investidor colocou seu capital antes, e quer remunerá-lo - ao menos no valor da inflação do período. Nesta conta, ele ainda acrescenta seu ganho como investidor, e também o custo da obra. Tudo isso somado deixa a construção pronta mais cara”, reitera.

Mão de obra e materiais são fatores decisivos no sucesso da construção
Mão de obra e materiais são fatores decisivos no sucesso da construção

Entrevistado
Engenheiro civil Euclésio Manoel Finatti, assessor de relações com o setor empresarial do CREA-PR

Contato: euclesio@braengel.com.br

Créditos Fotos: Divulgação/CREA-PR/Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Ponte de Laguna é marco da engenharia nacional

Obra de infraestrutura construída no trecho catarinense da BR-101 começa a funcionar em julho, tornando-se referência a futuros projetos

Por: Altair Santos

Relevante obra para o tráfego de transporte rodoviário no Sul do país, a Ponte de Laguna entra em operação até a segunda quinzena de julho de 2015. A construção começou em 2012 e, junto com o trecho leste do Rodoanel de São Paulo, é a única no Brasil a usar a tecnologia de cimbramento móvel. O sistema permite construir grandes vãos com estruturas mais leves e de forma mais rápida. Através dele, a concretagem in loco das aduelas ocorre dentro do equipamento, evitando contato com o solo. É ideal para obras erguidas em áreas alagadas ou sobre braços de mar, como é o ambiente em que se localiza a Ponte de Laguna.

Ponte de Laguna: obra consumiu 86.772 m³ de concreto usinado
Ponte de Laguna: obra consumiu 86.772 m³ de concreto usinado

No caso da superestrutura construída no trecho catarinense da BR-101, no município de Laguna-SC, a tecnologia de cimbramento móvel foi usada pela primeira vez no Brasil para viabilizar uma ponte em curva. Por isso, a construção é considerada um marco da engenharia nacional, como explicou o engenheiro civil Bruno Galvani Oliveira. Ele citou a obra como case no VIII Congresso Brasileiro de Pontes e Estruturas, realizado pela ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural) e pela ABPE (Associação Brasileira de Pontes e Estruturas) entre 21 e 22 de maio.

Bruno Galvani Oliveira disse que a Ponte de Laguna estabeleceu um recorde de concretagem no país, através do sistema de cimbramento móvel. “Conseguimos concretar 50 metros de ponte em três dias e meio”, revelou. O engenheiro explicou também que o equipamento permitiu usar menos aço no concreto protendido. “Com isso, construímos tabuleiros com menor número de juntas, reduzindo o risco de corrosões. Consequentemente, a durabilidade da obra será muito maior”, explicou.

Fluxo de até 30 mil veículos por dia
O engenheiro citou que a Ponte de Laguna tem 52 vãos. O central (estaiado) mede 500 metros, com dois adjacentes de 100 metros cada um. Além disso, conta com outros 49 vãos de 50 metros. Segundo dados do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), a extensão da ponte é de 2.830 metros. Ela foi construída com 588 aduelas, das quais 94 estão no trecho estaiado. Cada aduela pesa em torno de 60 toneladas.

O vão principal é sustentado por 60 estais (cabos), sendo 52 longitudinais e 8 transversais (nos mastros). A altura dos mastros centrais chega a 66 metros. Ao todo, a obra consumiu 86.772 m³ de concreto dosado em central. O volume seria capaz de encher 3.471 piscinas olímpicas, com capacidade para 25 mil litros. A Ponte de Laguna também usou 12.520 toneladas de aço. As pistas medem 25,3 metros cada e a expectativa de fluxo de veículos é de 27 mil a 30 mil por dia. O consórcio da obra foi liderado pela Camargo Corrêa e o custo final chegou a R$ 695 milhões, envolvendo 1.700 trabalhadores em seu canteiro de obras.

Entrevistados
- Engenheiro civil Bruno Galvani Oliveira, business development manager da BERD (Bridge Engineering Research & Design), com sede em Portugal
- Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) (via assessoria de imprensa)

Contatos
info@berd.eu
imprensa@dnit.gov.br

Créditos Fotos: Jurandir Figueiredo, Divulgação/Dnit, Guarnição Especial PM Laguna e Divulgação/ABECE

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Versão 4 da certificação LEED prioriza fabricantes

No país, documento será lançado na 6ª edição da Greenbuilding Brasil, em agosto. Desafio é equilibrar rigor técnico com expectativa do mercado

Por: Altair Santos

Agendada para acontecer de 11 a 13 de agosto de 2015, em São Paulo, a 6ª conferência anual do Greenbuilding Brasil marcará o lançamento da versão 4.0 da certificação LEED (sigla em inglês para Liderança em Energia e Design Ambiental) no país. O novo modelo é uma evolução do que está em vigor desde 2009. Seu lançamento internacional se deu no final de 2013 e nos Estados Unidos já existem construções dentro dos parâmetros da 4.0.

Nos EUA já existem obras construídas com base na versão 4.0 da LEED: maior exigência com materiais usados na construção
Nos EUA já existem obras construídas com base na versão 4.0 da LEED: maior exigência com materiais usados na construção

A versão ganhou atualizações técnicas e aumentou as exigências para que os empreendimentos ganhem o selo de obra sustentável. Agora, a certificação preocupa-se detalhadamente com os materiais. Passou a exigir, por exemplo, análises do ciclo de vida (ACV), divulgação da composição dos produtos utilizados na edificação e identificação de compostos químicos tóxicos nos produtos aplicados na obra.

Na 6ª conferência, um dos seminários previstos é: LEED versão 4, nossos fabricantes estão preparados? O objetivo é que especialistas do Green Building que atuam no Brasil comecem a balizar os fabricantes para que os produtos passem a carregar o LEED versão 4 em suas embalagens. A implantação da versão 4.0 será gradual, pois o principal receio dos profissionais é que o mercado da construção civil não esteja preparado para acompanhar as novas propostas, principalmente no que tange a tecnologias e produtos necessários para o atendimento dos novos créditos do LEED.

Além disso, a certificação nova é mais abrangente. Não atende apenas edifícios habitacionais e comerciais, mas também data centers, centros de distribuição e edifícios escolares. Ele é também mais exigente para que o edifício construído preserve o selo LEED quando estiver em funcionamento.

Evolução desde 1998
Conceitos como concepção integrada de projeto, compensação de carbono e medição setorizada do consumo de água, além do ciclo de vida de materiais e do empreendimento, passaram a ser levados em conta. Por isso, a GBC Brasil avalia que a versão 4.0 do LEED, além de necessária para que a certificação continue evoluindo no país, traz avanços nos conceitos de desempenho ambiental e nos critérios técnicos.

Para tal, a atualização considerou todas as evoluções tecnológicas e construtivas desde 1998, quando surgiu a certificação LEED. Foram lições aprendidas em milhares de projetos certificados ao redor do mundo, o que serviu para o sistema amadurecer e impulsionar o setor da construção civil na direção da sustentabilidade.
Atualmente, há 18 mil edifícios certificados em todo o mundo e 36 mil em processo de obter o selo verde. No Brasil, apesar do movimento pela construção sustentável ser recente, iniciado em meados de 2006, já são 783 empreendimentos registrados e 115 com LEED.

Resumo das principais mudanças na certificação LEED 4.0
• Exige análise das condições iniciais do terreno, antes do desenvolvimento do projeto
• Requer entorno com boa mobilidade urbana e prioridade ao transporte público
• Obrigatoriedade na redução do consumo de água para paisagismo, ao menos em 30%
• Dispositivos hidrossanitários das edificações devem reduzir consumo de água em pelo menos 20%
• Obrigatoriedade de se desenvolver um plano de gestão de resíduos durante a construção
• Pede análise de ciclo de vida (ACV) dos materiais empregados na obra
• Exige coleta, armazenamento e disposição correta de resíduos perigosos

Entrevistado
Green Building Council Brasil (via assessoria de imprensa)
Contato: marketing@gbcbrasil.org.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Pós-venda cria ciclo virtuoso para novas vendas

Desde a Norma de Desempenho, sucesso do empreendimento só é concretizado se satisfizer consumidor e gerar novas perspectivas mercadológicas

Por: Altair Santos

Construtoras e incorporadoras nunca estiveram tão atentas ao pós-venda. A atenção cresceu, principalmente, após a criação da Norma de Desempenho (ABNT NBR 15575), que em junho de 2015 completou dois anos em vigor. Além disso, passou a pesar também o aspecto mercadológico. O pós-venda hoje é visto como uma alavanca para futuros negócios, além de preservar as empresas de problemas com o Código do Consumidor. Outro elemento que fortalece o círculo virtuoso do pós-venda são as redes sociais. Construtoras e incorporadoras têm utilizado esses canais para prestar assessoria técnica, principalmente quando o comprador do imóvel tem dúvidas com relação a reformas.

Manuais do proprietário e do síndico: construção civil busca padrões da indústria automobilística
Manuais do proprietário e do síndico: construção civil busca padrões da indústria automobilística

A força do pós-venda para atrair novas vendas é analisada pelo engenheiro civil Leonardo Pissetti, diretor de empreendimentos da Swell Construções e Incorporações, que recentemente criou um departamento de engenharia de qualidade para as demandas dos clientes que já residem em seus empreendimentos. Segundo ele, a construção civil persegue os padrões de dinâmica de venda e de execução de garantias semelhante aos existentes na indústria automobilística. Confira a entrevista:

É possível, através do pós-venda, criar um ciclo virtuoso para novas vendas de imóveis?
Sim. É aí que se faz a manutenção do cliente e da satisfação dele após a entrega do produto. Nas etapas anteriores, ele estava na intenção de compra ou tinha comprado a ideia. No pós-venda, já morando e vivenciando o uso do imóvel é que surgem as demandas. Neste caso, a assistência da construtora em todo este processo é muito importante.

O pós-venda auxilia também para que a construtora aprimore seus padrões de qualidade?
Sem dúvida, vale como um programa de qualidade para a empresa. Permite avaliar materiais, equipamentos usados na obra e corrigir vícios construtivos. Afinal, há muitas descobertas que só surgem depois que o proprietário passa a morar no imóvel.

Sob o ponto de vista mercadológico, o pós-venda é também uma alavanca para futuras vendas, principalmente para preservar a marca da empresa de problemas com o código do consumidor e para que ela ganhe impulso nas redes sociais?
Antes de adquirir um imóvel o comprador pesquisa. Isso se dá através dos canais disponíveis na internet. Qualquer reclamação que haja contra o empreendimento ou a construtora poderá deixá-lo inseguro. Assim, não tem como a construtora se esconder atrás de um problema.

Mas todo comprador de imóvel tem esse perfil hoje?
O mercado atual tem dois perfis de consumidores. Um é aquele que busca o desconto, o melhor negócio, e que pensa: por esse preço que eu estou comprando vale a pena correr o risco. Esse não quer pós-venda. E tem o que prioriza o relacionamento com a construtora. Afinal, quando vendemos um imóvel estamos também vendendo um relacionamento de cinco anos com o comprador (o Código do Consumidor prevê que a construtora deve prestar atendimento ao imóvel ao longo deste período, caso surjam problemas decorrentes da execução da obra). Achamos que isso tem peso, pois é através desta assistência, do atendimento e da imagem que se forma, que se consegue influenciar a rede de relacionamento do cliente, com ele recomendando os empreendimentos da construtora para os amigos.

Leonardo Pissetti: relacionamento e atendimento pós-venda geram novos clientes
Leonardo Pissetti: relacionamento e atendimento pós-venda geram novos clientes

O pós-venda inclui prestação de assessoria técnica quando o comprador do imóvel tem, por exemplo, dúvidas com relação às reformas?
Ao receber o imóvel, o proprietário recebe um manual que orienta como proceder. Desde solicitar a ligação de luz na companhia elétrica até os cuidados que deve ter para não furar uma tubulação. Também mostra se pode fazer a retirada de uma parede para ampliar um cômodo, quais os procedimentos técnicos e burocráticos. Hoje é preciso ter um responsável técnico pela obra, contar com a aprovação do síndico, entre outras exigências. Todos esses passos devem vir detalhados no manual do proprietário e também estar disponível nos canais de acesso direto ao cliente da construtora, como sites e e-mails.

Qual o peso das normas ABNT NBR 15575 (Desempenho das Edificações), ABNT NBR 5674 (Manutenção das Edificações) e ABNT NBR 14037 (Diretrizes para Elaboração de Manuais de Uso, Operação e Manutenção das Edificações) nesta mudança de relação entre construtoras e consumidores?
São poucos os imóveis ainda entregues sob esse conjunto de normas, já que elas passaram a valer a partir de alvarás emitidos desde julho de 2014. Mas elas também passaram a atribuir responsabilidades ao comprador, quando exigem que ele siga um plano de manutenção. Se o proprietário não cumprir com o que dizem as normas ele vai reduzir a vida útil do imóvel. É como a garantia de um carro. O comprador perde se não realizar as revisões programadas ou fizer alterações significativas no veículo.

Como as empresas se estruturam para fazer o atendimento pós-venda, tanto na parte técnica quanto no marketing e no relacionamento direto?
Na Swell Construções e Incorporações, por exemplo, montamos um setor de engenharia de qualidade, que faz o atendimento desde o pré-venda, passando por geração de contratos e documentos de emissão, até o pós-venda. Isso engloba atendimento técnico em caso de reformas no empreendimento.

É possível que no futuro, o mercado imobiliário chegue ao nível da indústria automobilística, que hoje faz recall e tem garantia estendida?
O sonho das construtoras é que o mercado imobiliário chegue aos padrões do mercado automobilístico. Desde a execução dos produtos até a dinâmica de vendas, análise de crédito, geração de contratos e execução de garantias.

Entrevistado
Engenheiro civil Leonardo Pissetti, diretor de empreendimentos da Swell Construções e Incorporações.
Contato: leonardo@swellconstrucoes.com.br

Créditos Fotos: Divulgação/Swell Construções

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

A 400 dias das Olimpíadas, obras não subiram no pódio

Construções avançam, mas em ritmo lento. Incógnita, agora, é saber qual o impacto que a Lava Jato causará nos empreendimentos para os jogos

Por: Altair Santos

Em 1º de julho, dentro da contagem regressiva para as Olimpíadas de 2016, a cidade do Rio de Janeiro-RJ completou a marca de 400 dias para o início dos jogos. As obras no complexo olímpico avançam, mas ainda em ritmo lento. Se fossem atletas, daria para dizer que o desempenho não é suficiente para levá-las ao pódio. Porém, a Prefeitura do Rio e a Empresa Olímpica Rio 2016, que administram a construção dos empreendimentos, asseguram que o cronograma está adequado. Mas uma incógnita paira no ar: qual o impacto que a Operação Lava Jato causará no canteiro de obras dos jogos, já que boa parte das construtoras contratadas está envolvida no escândalo?

Velódromo: pelo cronograma, deve ser concluído até o final de 2015
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Recentemente, em visita ao local dos jogos, a presidente Dilma Rousseff refutou o risco de paralisação das obras. “Eu não vejo qual o impacto que a Lava Jato terá nas obras olímpicas. Eu não tenho nenhuma avaliação que mostra que exista algum impacto”, disse. No entanto, as empresas investigadas na operação detêm 73% do investimento em obras para o evento. Dos R$ 37,6 bilhões previstos no orçamento oficial das Olimpíadas de 2016, R$ 27,4 bilhões estão concentrados em obras tocadas por Odebrecht, OAS, Mendes Junior, Queiroz Galvão e uma subsidiária da Camargo Correa, a CCR. O receio é que o Ministério Público Federal possa pedir a paralisação das obras para revisar contratos.

Estão a cargo das empreiteiras denunciadas na Lava Jato as seguintes obras:
Camargo Correa, através da CCR
- VLT do Porto (R$ 1,188 bilhão) e Transolímpica (R$ 1,806 bilhão).

 

Mendes Júnior
- Desvio do Rio Joana, para a contenção de enchentes na área do Maracanã (R$ 185,94 milhões).

OAS
- Parque de Deodoro (R$ 647,1 milhões), revitalização da região portuária (R$ 8,2 bilhões), construção de reservatórios contra enchentes (R$ 421 milhões) e limpeza das lagoas da Barra (R$ 673 milhões).

Odebrecht
- Parque Olímpico (R$ 1,678 bilhão), Vila dos Atletas (R$ 2,909 bilhão), construção do VLT do Porto (R$1,188 bilhão), Transolímpica (R$ 1,806 bilhão), duplicação do Elevado do Joá (R$ 459,88), saneamento da zona oeste do Rio (R$ 431 milhões), revitalização do porto (R$ 8,2 bilhões) e Linha 4 do metrô (R$ 8,890 bilhões).

Queiroz Galvão
- Parque de Deodoro (R$ 647,1 milhões), Linha 4 do Metrô (R$ 8,890 bilhões) e limpeza das Lagoas da Barra (R$ 673 milhões).

Canteiro de obras no Parque Olímpico da Rio 2016: maioria das construtoras que compõem o consórcio está envolvida na Lava Jato
Canteiro de obras no Parque Olímpico da Rio 2016: maioria das construtoras que compõem o consórcio está envolvida na Lava Jato

Segundo o balanço de maio, apresentado pela Empresa Olímpica Rio 2016, 100% dos projetos de execução contratados para o Parque Olímpico da Barra da Tijuca já estão com os serviços iniciados. Neste complexo, que irá concentrar a maior parte das atividades esportivas, além da Vila dos Atletas, nenhuma obra está com atrasos significativos. A construção do velódromo e do Centro Olímpico de tênis são as mais lentas e demonstram que não ficarão prontas até o final do quarto trimestre de 2015, como prevê o cronograma. No entanto, tendem a ser entregues no começo de 2016. Já as mais adiantadas são a Arena do Futuro e a Arena Carioca – conjunto de três ginásios que irá concentrar desde jogos de basquete até duelos de esgrima.

Um milhão de m³ de concreto
O ponto crítico das obras para os jogos olímpicos está no complexo esportivo de Deodoro. O local abrigará 11 modalidades e nenhuma obra ficará pronta antes do primeiro trimestre de 2016. Outro empreendimento que só estará 100% concluído no ano que vem será a Vila dos Atletas. São 31 prédios residenciais divididos em sete condomínios, com 3.604 apartamentos de dois, três e quatro dormitórios. Há atrasos também na readequação do Riocentro para os jogos e nas melhorias do Estádio Olímpico, que será o mesmo usado no Pan de 2007.

Arena Carioca: obra está avançada e será entregue até o final de 2015
Arena Carioca: obra está avançada e será entregue até o final de 2015

Também há um impasse quanto ao Maracanã. O COI (Comitê Olímpico Internacional) pede adequações e a prefeitura do Rio de Janeiro afirma que não fará mais obras no local. O certo é que a pira olímpica irá acender no estádio no dia 5 de agosto de 2016. Até lá, somando todas as obras – incluindo as de infraestrutura e as de mobilidade urbana -, prefeitura e governo do Rio de Janeiro estimam que o volume de concreto a ser produzido para viabilizar os jogos deverá passar de 1 milhão de m³.

Para dar conta de tanto concreto, há centrais montadas nos locais das obras que trabalham ininterruptamente para processar, cada uma, 65 m³/h. Além dos complexos esportivos, elas fornecem material para as obras de mobilidade espalhadas pela cidade. A saber: linha 4 do metrô (120 mil m³), quatro linhas de BRT (Bus Rapid Transit) (70 mil m³), 28 quilômetros de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) (23 mil m³) e recuperação e construção de 60 obras de arte (viadutos e pontes), além da abertura de três túneis.


Entrevistados

Empresa Olímpica Rio 2016, Secretaria de Obras do Governo do Rio de Janeiro (SEOBRAS) e Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos (via assessoria de imprensa)

Contatos
imprensa@empresaolimpica.rio.rj.gov.br
imprensa@obras.rj.gov.br
pressroom@rio2016.com

Créditos Fotos: André Motta/Ministério dos Esportes, Fernando Frazão/Agência Brasil e Renato Sette Camara/Prefeitura do Rio

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330