O Oscar dos arranha-céus vai para...

Prêmio concedido desde 2000 elege os melhores projetos arquitetônicos e executivos de prédios com mais de 100 metros de altura

Por: Altair Santos

Wangjing SOHO, em Pequim: última obra que a arquiteta Zaha Hadid entregou em vida
Wangjing SOHO, em Pequim: última obra que a arquiteta Zaha Hadid entregou em vida

Criado em 2000, o Emporis Award Skyscraper elege anualmente o edifício mais bem construído do mundo, sob o aspecto de engenharia, arquitetura e sustentabilidade. O troféu é concedido apenas a prédios com altura a partir de 100 metros, e que mostrem excelência em seus projetos. A eleição é feita por um corpo de jurados formado por arquitetos que não estejam concorrendo, jornalistas especializados em arquitetura e construtores.

A mais recente eleição escolheu o complexo de edifícios Wangjing SOHO, construído em Pequim (China), entre mais de 300 obras inscritas. Concebido por Zaha Hadid, foi o último projeto em vida da conceituada arquiteta, que morreu em março de 2016. Os três prédios que formam o Wangjing SOHO têm vários elementos que são marcas registradas de Hadid, como linhas curvas, fachadas em vidro e estruturas mistas em aço e concreto. As torres do complexo medem, respectivamente, 118, 127 e 200 metros.

O segundo colocado foi o Bosco Verticale (Floresta Vertical), construído em Milão, na Itália, pelo Boeri Studio. São duas torres - uma com 105 metros e outra com 78 -, consideradas um marco no campo da construção sustentável. A fachada e as varandas são cobertas por mais de 700 árvores e 90 espécies diferentes de plantas, que ajudam a atenuar o ruído e controlar a temperatura no interior dos apartamentos.

Bosco Verticale, em Milão: floresta vertical em plena metrópole europeia
Bosco Verticale, em Milão: floresta vertical em plena metrópole europeia

A medalha de bronze na eleição do Emporis Award Skyscraper ficou com o prédio Tour D2, construído em Courbevoie, na França. A torre de 171 metros tem formato que lembra um diamante, cuja fachada envidraçada faz com que brilhe como uma joia em dias ensolarados. Na cúpula do prédio corporativo foi construído um jardim com 500 m², que é aberto ao público. O projeto é do escritório francês Agence d'Architecture Anthony Béchu.

Prédios inteligentes

Além de altura superior a 100 metros, outra exigência para quem concorre ao Emporis Award Skyscraper é que a edificação esteja concluída pelo menos seis meses antes da votação. Em 15 edições, Estados Unidos, Inglaterra e Canadá foram os países que tiveram o maior número de edifícios eleitos. Já a cidade de Nova York é o endereço de três edifícios vencedores. Entre eles, o primeiro a ganhar o prêmio: o hotel Sofitel, com 109 metros de altura, em 2000.

Tour D2: fachada em formato de diamante se destaca entre os demais prédios
Tour D2: fachada em formato de diamante se destaca entre os demais prédios

Dos escritórios vencedores, o Foster+Partners é o único que conseguiu ganhar mais de uma vez. O arquiteto britânico levou os prêmios de 2003 e 2006. Em comum, os projetos contemplados possuem certificações de sustentabilidade e cronograma enxuto da obra. A maioria levou entre um ano e meio e dois anos para ser executada. Outra característica destes prédios está no uso de tecnologias de ponta da construção civil.

Aliás, destaca Daniel Schuldt, diretor do Emporis Award Skyscraper, os critérios sustentabilidade, eficiência na construção e design passaram a pesar mais nas indicações dos vencedores que a altura dos arranha-céus, propriamente dita. “Quando o prêmio foi criado, a altura tinha um peso significativo. Porém, de 2010 para cá, outros elementos ganharam mais importância na definição dos prédios vencedores. Diria que, quanto mais inteligente o prédio, mais ele tem chances de vencer”, afirma.

Entrevistado
Daniel Schuldt, diretor do Emporis Award Skyscraper (via departamento de imprensa)

Contato
info@emporis.com

Crédito Fotos: Zaha Hadid Architects/Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Quem está comprando imóveis no Brasil, e como?

Mercado imobiliário do país tem um novo perfil de consumidor. Ele busca financiamentos menores e desiste de usar aquisição como investimento

Por: Altair Santos

O mercado imobiliário brasileiro tem um novo perfil de consumidor. Em função da crise econômica, o setor registra mudanças comportamentais. O primeiro sinal é de que a prioridade de quem procura imóvel, agora, é por moradia própria e não para investimento. Trata-se de uma fatia que abrangeu 87% das vendas realizadas até o primeiro semestre de 2016, segundo aponta a Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi).

Em função da crise, comprador de imóveis ficou mais pragmático
Em função da crise, comprador de imóveis ficou mais pragmático

Quem está indo ao mercado tem entre 28 anos e 45 anos, possui de um a dois filhos, já é dono de um imóvel e busca outra residência com dois objetivos: quer uma moradia maior e melhor localizada. Boa parte destes compradores tem renda familiar entre R$ 9 mil e R$ 15 mil e dispõe, em média, de 45% do valor do imóvel para dar de entrada. O objetivo é reduzir o financiamento para, no máximo, 15 anos.

Outro dado coletado é que 10% dos compradores têm preferido fazer o pagamento à vista, para obter descontos. A preferência deste consumidor é por imóveis com padrão standard (de R$ 250.001,00 a R$ 400 mil), o que equivale a 28%, e por imóveis com padrão médio (de R$ 400.001,00 a R$ 700 mil), que responde por 19,8%. Isso tem ajudado a reduzir os estoques, principalmente nas capitais.

Em Curitiba, por exemplo, pesquisa encomendada à BRAIN Bureau de Inteligência Corporativa detectou 33.996 imóveis em oferta na cidade. Trata-se do menor volume registrado desde março de 2013, quando havia 33.981 unidades. Em julho do ano passado, a oferta de apartamentos residenciais novos na capital paranaense era 36.865 unidades. No Brasil, segundo a Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), o estoque de imóveis residenciais fechou o primeiro semestre de 2016 com 111,3 mil unidades.

Imóveis de até R$ 1,5 milhão
Essas novas tendências do mercado imobiliário levaram o Conselho Monetário Nacional (CMN), no final de setembro de 2016, a autorizar os bancos a financiar imóveis novos com valor até R$ 1,5 milhão, com juros de até 12% ao ano. A medida não vale para operações do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que financia imóveis de menor valor. O SFH se limita a unidades residenciais de até R$ 750 mil em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal e R$ 650 mil nos demais estados, usando recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Segundo a chefe do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central (BC), Sílvia Marques, o FGTS não será usado nos financiamentos para imóveis de até R$ 1,5 milhão. A decisão é temporária e vale apenas por um ano. De acordo com a técnica do BC, caso seja bem-sucedida, a medida será aplicada de forma permanente. “Estamos apenas dando mais uma opção ao mercado imobiliário”, disse.

Um dos motivos que levou o Conselho Monetário Nacional a liberar financiamento para imóveis com valor até R$ 1,5 milhão está diretamente relacionado ao perfil do consumidor que busca empreendimentos que ofereçam certificações de sustentabilidade, e que estão neste patamar de preço. Segundo Carlos Leite, arquiteto e professor-doutor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Fundação Dom Cabral, apartamentos de alto padrão que façam reuso da água e tenham elementos construtivos que minimizem o custo da energia têm a preferência de quem vai ao mercado imobiliário comprar imóveis com essas características. “Os consumidores, de uma forma geral, começam a encarar a sustentabilidade como uma exigência”, diz.

Entrevistados
- Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi)
- Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc)
- Conselho Monetário Nacional (CMN)
- Secovi-SP

Contatos
atendimento@ademi.org.br
abrainc@abrainc.org.br
imprensa@bcb.gov.br
aspress@secovi.com.br

Crédito Foto: Divulgação/Ademi

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Sul e Sudeste concentram top 10 da engenharia civil

Dos dez melhores cursos do país, nove estão em universidades localizadas nas duas regiões. Destaque para USP e UFRJ, que encabeçam lista

Por: Altair Santos

Os 10 melhores cursos de engenharia civil do Brasil concentram-se nas regiões sul e sudeste do país. É o que aponta a edição 2016 do RUF (Ranking Universitário da Folha), publicado anualmente pelo jornal Folha de S. Paulo. Pela primeira vez, as três universidades federais dos estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná aparecem no top 10. USP e UFRJ encabeçam a lista, seguidas de Unicamp e UFMG. A UNESP e a PUC-RIO também estão na relação, que é completada pela única universidade fora do eixo Sul-Sudeste: a UFPE, de Pernambuco.

Fachada do prédio de engenharia civil da Poli-USP, em São Paulo: curso da universidade se mantém no topo do ranking
Fachada do prédio de engenharia civil da Poli-USP, em São Paulo: curso da universidade se mantém no topo do ranking

O Ranking Universitário da Folha adota os seguintes critérios para listar os melhores cursos: utiliza dados das graduações avaliadas pelo Inep-MEC, mede o número de docentes com doutorado e mestrado em cada departamento, avalia a quantidade de professores com dedicação integral e parcial, leva em consideração a nota que cada curso obteve no Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) e aproveita dados de pesquisa Datafolha com mais de dois mil profissionais de recursos humanos que atuam em empresas no Brasil.

Utilizando uma diversidade maior de dados, o Ranking Universitário da Folha mostra uma lista bem diferente da apontada pelo ministério da educação (MEC), em sua mais recente publicação sobre as avaliações de cursos de engenharia civil. O organismo do governo federal considera apenas os resultados do Enade para estabelecer os dois índices de classificação de universidades, faculdades e centros universitários: o CPC (Conceito Preliminar de Curso) e o IGC (Índice Geral de Cursos). Por isso, quem não participa do Enade não recebe nota.

Critérios diferentes
Pelos seus critérios, o MEC aponta que os dez melhores cursos de engenharia civil do Brasil estão nas seguintes instituições: Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Instituto Militar de Engenharia (UME), Instituto Federal de Sergipe, Universidade Federal do Ceará (UFCE), Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Especialistas ressaltam as divergências de critérios entre os rankings e as constantes mudanças dentro de alguns deles. Mas há mais fatores para que o sobe-desce das colocações seja visto com cautela. Uma das críticas aponta para a desvantagem de se colocar instituições com características tão distintas em um mesmo pacote e daí tirar um número final para classificá-las. Esta é a visão do reitor da USP, Marco Antonio Zago. “Como comparar universidades técnicas com universidades que só têm cursos de engenharia, como a USP?”, questiona.

Em 2015, o pesquisador Justin Hugo Axel-Berg realizou uma tese de mestrado em que discutia a eficiência das avaliações dos rankings acadêmicos. Em seu trabalho, ele argumenta a dificuldade de se elaborar um sistema que avalie áreas do conhecimento de forma justa. “Toda disciplina tem uma taxa de citação diferente e uma produção diferente que é normalizada pelo Information Sciences Institute (ISI). Rankings aglomeram isso em uma pontuação só, sem atentar para a diversidade institucional”, analisa.

Veja aqui o RUF (Ranking Universitário da Folha) para engenharia civil

Entrevistados
Marco Antonio Zago, médico, cientista e reitor da USP
Pesquisador Justin Hugo Axel-Berg

Contatos
justin.axelberg@usp.br
academica@academicacom.com.br

Crédito Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

SindusCon terá prédio mais sustentável do Paraná

Nova sede do sindicato, em Curitiba, terá oito pavimentos e respeitará todos os preceitos da exigente certificação LEED Platinum

Por: Altair Santos

Previsto para ser concluído em janeiro de 2018, o novo prédio do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (SindusCon-PR) tem a pretensão de ser o empreendimento imobiliário mais sustentável do estado. A edificação terá oito pavimentos e respeitará todos os preceitos da certificação Leed (Leadership in Energy and Environmental Design), pleiteando o selo LEED Platinum – o mais rigoroso do Green Building Council.

Projeção da nova sede do SindusCon-PR: prédio será autossuficiente em energia elétrica
Projeção da nova sede do SindusCon-PR: prédio será autossuficiente em energia elétrica

A certificação só é concedida depois que o prédio é finalizado, e com todos os sistemas construtivos submetidos a teste. Mas o projeto do edifício já nasce atendendo a LEED Platinum. Entre os compromissos com a sustentabilidade estão a utilização de energia fotovoltaica, o reuso da água e o conforto térmico, graças ao revestimento da fachada em vidro duplo e refletivo ao calor solar e ao frio.

Para o vice-presidente da área técnica do SindusCon-PR, Euclésio Manoel Finatti, o prédio quer ser um grande case de inovação, tecnologia, eficiência energética e de consumo de água. “Por sermos a entidade que representa a indústria da construção paranaense, nosso objetivo é demonstrar que é possível edificar uma obra sustentável, sem que isso pese no custo de execução”, afirma.

O novo edifício, que contará com 4.823 m² de área construída - a qual, somada com o prédio antigo, totalizará 8.300 m² - fará parte de um seleto grupo de edificações que seguem o conceito Net Zero Energia, ou seja, será autossuficiente em energia elétrica. Para isso, em sua cobertura serão instalados 98 kW de painéis fotovoltaicos, que irão converter a radiação solar em energia elétrica.

Canteiro de obras enxuto
Será a maior instalação de energia renovável do Paraná. Para obter isenções fiscais, o excedente da produção será utilizado pela companhia de energia do Estado - a Copel -, permitindo que o prédio acumule créditos e possa usá-los em períodos em que necessitar de um volume maior de geração. O teto com aproveitamento de energia solar, aliado à fachada, vai permitir economia no consumo de iluminação de 64.6 MWh/ano e diminuição do uso de ar condicionado em 46.8 MWh/ano. Pelos cálculos iniciais, haverá redução de 47% no consumo de energia.

Com o projeto e a execução a cargo da ARCE Construtora & Incorporadora, o novo edifício do SindusCon-PR tem um orçamento de R$ 9,2 milhões. O prédio será corporativo e prevê a locação de salas. Em todo o processo de execução está prevista a geração de 400 empregos diretos e indiretos, sendo 70 deles no canteiro de obras. “Será um canteiro enxuto e voltado para a economia de materiais e geração baixa de resíduos”, afirma Rodrigo Fernandes, sócio-diretor da ARCE.

O projeto irá utilizar a tecnologia BIM (modelagem da informação na construção), não apenas na parte de projeto e planejamento, mas também no dia a dia do canteiro de obras. Desta forma, com a gestão da informação, será possível identificar problemas e corrigi-los, a fim de que o prédio seja entregue no prazo e sem extrapolar o orçamento. “O prédio tem o compromisso de reduzir ao máximo os impactos ambientais em seu entorno”, diz Euclésio Manoel Finatti.

Entrevistados
- Engenheiro civil Euclésio Manoel Finatti, vice-presidente da área técnica do SindusCon-PR
- Engenheiro civil Rodrigo Fernandes, sócio-diretor da ARCE Construtora & Incorporadora

Contatos
arce@arce.com.br
imprensa@sindusconpr.com.br

Crédito Foto: Divulgação/SindusCon-PR

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Edifícios superaltos entram no foco das construtoras

Em Balneário Camboriú, engenheiros-projetistas debateram tecnologias que tiram Brasil da letargia em relação à construção de arranha-céus

Por: Altair Santos

Realizada sugestivamente em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, onde se concentra o maior número de prédios superaltos do Brasil, a 1ª Jornada Internacional sobre Projetos de Edifícios Altos (Jipea) procurou mostrar as tecnologias já disponíveis no país, e as que estão em uso no exterior. O evento, que aconteceu de 13 a 16 de setembro, atraiu majoritariamente construtoras dos estados do sul e do sudeste, que foram conferir palestras de engenheiros e projetistas que já acumulam experiência em edifícios superaltos.

Balneário Camboriú, em Santa Catarina, concentra o maior número de prédios com altura acima de 100 metros
Balneário Camboriú, em Santa Catarina, concentra o maior número de prédios com altura acima de 100 metros

Sistemas construtivos à base de concretos especiais, estruturas mistas, grandes blocos de fundações e os efeitos dos ventos sobre projetos desta natureza estiveram entre os assuntos abordados. Segundo o anfitrião da 1ª Jipea, Carlos Julio Haacke, presidente do SindusCon de Balneário Camboriú, o evento deixa claro que o Brasil está definitivamente inserido na era dos edifícios superaltos, sobretudo pela qualidade dos insumos e dos materiais empregados na construção destes empreendimentos, além dos softwares para projetar, planejar e fazer a gestão das obras.

Carlos Julio Haacke afirma que esses avanços permitem sistemas operacionais específicos para este tipo de edificação. “Prédios com mais de 150 metros de altura exigem projetos hidrossanitários, elétricos e contra incêndio com muitas especificidades. Por isso, softwares que permitem engenharia simultânea se tornaram importantes ferramentas para se chegar ao produto final. Eles garantem também a interação adequada entre os profissionais envolvidos com a obra”, assegura.

Ação dos ventos
Na 1ª Jipea debateu-se o atendimento à Norma de Desempenho (ABNT NBR 15575) em edifícios altos. Neste caso, elementos como esquadrias externas e vidros devem atender especificações definidas em projeto. “Uma obra desse porte exige uma série de cuidados. Recomenda-se, por exemplo, que todos os projetos sejam submetidos a consultorias. Alguns deles, como cálculo estrutural, devem passar por até duas consultorias, além do calculista”, diz o presidente do SindusCon de Balneário Camboriú.

Carlos Julio Haacke: softwares e qualidade dos materiais são determinantes para empreender prédios superaltos
Carlos Julio Haacke: softwares e qualidade dos materiais são determinantes para empreender prédios superaltos

Entre todos os estudos que envolvem projetos relacionados com prédios altos, um é primordial: o que avalia a ação dos ventos sobre a estrutura destas edificações. É neste quesito que o Brasil precisa evoluir para ter mais empreendimentos superaltos. Há poucos laboratórios que atuam neste tipo de ensaio, o que obriga, em alguns casos, a contratação de serviços fora do país. A Argentina, por exemplo, tem sido bastante requisitada, por ter túneis de vento construídos exclusivamente para atender projetos arquitetônicos.

Os ensaios sobre a ação dos ventos, juntamente com a análise do solo, têm importância significativa para definir o projeto de fundações e o estaqueamento para edifícios superaltos. Eles são preponderantes também na definição do volume e no tipo de concreto a ser utilizado na obra. “Temos casos aqui em Balneário Camboriú em que só a fase de estaqueamento consumiu mais de 5 mil m³ de concreto, com profundidade superior a 25 metros”, cita Carlos Julio Haacke. A cidade no litoral catarinense, desde 2013, é o endereço de nove dos dez maiores edifícios do Brasil.

Confira aqui a lista com os prédios mais altos do Brasil

Entrevistado
Engenheiro civil Carlos Julio Haacke, presidente do SindusCon de Balneário Camboriú

Contato
carlos@sindusconbc.com.br

Crédito Fotos: Flickr e SindusCon BC

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Fabricar artefatos ou moldar concreto, eis a questão

Case que ocorreu durante as obras para os Jogos Olímpicos começa a mudar conceitos dentro do mercado de elementos à base de cimento

Por: Altair Santos

Durante a preparação das Olimpíadas Rio 2016, o comitê organizador se deparou com um problema: não conseguia achar pedestais que sustentassem as grades móveis de proteção que iriam cercar os equipamentos esportivos. Foi tentado um artefato de plástico que não resistia a ventos de baixo impacto. O cronograma estava quase estrangulado quando houve a decisão de recorrer a um fabricante de artefatos de cimento. A peça nunca havia sido feita antes, mas se chegou a uma solução que resolveu o problema do comitê: um suporte maciço, com um encaixe sob medida para sustentar as barras metálicas das grades.

Base em concreto, que sustentou grades na Rio 2016: peça inédita, fabricada sob medida
Base em concreto, que sustentou grades na Rio 2016: peça inédita, fabricada sob medida

A partir deste case, fabricantes do setor passaram a entender que são as demandas do mercado que definem o portfólio de produtos. Esse posicionamento tem aberto novas frentes de negócio, com base no seguinte conceito: não basta fabricar artefatos, é preciso moldar o concreto de acordo com as necessidades do cliente. “Esse exemplo mostra o quanto o setor de artefatos está mudando com uma velocidade espantosa. Atrevo-me a dizer que daqui a dez anos ele não será mais como o conhecemos hoje”, afirma o economista e engenheiro Filipe Honorato, que integra a equipe de planejamento do PDE (Programa de Desenvolvimento Empresarial) da ABCP.

O consultor avalia que, hoje, o fabricante focado no mercado produz 80% de paver e bloco de concreto, mas precisa ter em seu portfólio 20% de produtos diferenciados. “Paver e bloco são commodities. Isto todo mundo faz, e com relativa qualidade. Mas o mercado quer também a inovação. Isso se consegue com infraestrutura comercial. O departamento comercial da fábrica não pode apenas tirar pedido. Ele precisa pesquisar o que o mercado busca. Um exemplo: os escritórios de arquitetura valorizam muito fábricas inovadoras, e que apresentam em seus portfólios soluções para paisagismo e calçamento”, completa Filipe Honorato.

Conhecimento e inovação
O case que garantiu a segurança dos Jogos Olímpicos foi desenvolvido pela BrasiBloco, do Rio de Janeiro. A empresa se modernizou a partir da gestão do engenheiro civil e administrador de empresas Paulo Sérgio Martins. “Quando assumi, a mentalidade do negócio era muito precária. A fábrica parecia um acampamento do Vietnã. Aos poucos fomos operando mudanças, como maquinário, treinamento de mão de obra e participação em muitas missões nacionais e internacionais. Ao agregar conhecimento, nos sentimos capacitados para apresentar soluções em artefatos de concreto para nossos clientes, e não apenas fabricar peças”, explica Martins.

Hoje consultor, Paulo Martins afirma que atualmente uma fábrica de artefatos não pode ser concebida sem laboratório e sem controle dos agregados. Isso passa pela incorporação de conceitos de sustentabilidade. “Se eu produzo lixo, isso vai impactar no ambiente. O mercado busca qualidade e durabilidade, mas também quer ser surpreendido. Foi assim que conseguimos elaborar um produto exclusivo para as Olimpíadas. Foram produzidas 20 mil bases de concreto para os pedestais das grades. A inovação abriu novos mercados e o segmento de shows e eventos também passou a consumir nossos produtos”, revela Paulo Martins.

Entrevistados
- Economista e engenheiro de planejamento Filipe Honorato, consultor do PDE (Programa de Desenvolvimento Empresarial) da ABCP
- Administrador e engenheiro civil Paulo Sérgio Martins, diretor-executivo da BrasiBloco

Contatos
brasibloco97@yahoo.com.br
selo.artefatos@abcp.org.br
eduardo.davila@abcp.org.br

Crédito Foto: Divulgação/Rio 2016

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Nãotecidos e Tecidos Técnicos priorizam construção

Materiais estão presentes em grande parte das obras de infraestrutura, como recapeamento asfáltico e contenção de encostas

Por: Altair Santos

Pode não parecer, mas a indústria de Nãotecidos e Tecidos Técnicos está intrinsecamente relacionada com a construção civil. Esses materiais estão presentes em grande parte das obras de infraestrutura. Entre elas, recapeamento asfáltico, contenção de encostas, drenagem e reforço em novas estradas, drenagem e reforço em canais de irrigação e em canais de transposição de rios, aterros sanitários e piscinões. “Nestes empreendimentos, utiliza-se muito o Geotêxtil Nãotecido”, explica Carlos Eduardo Benatto, presidente da ABINT (Associação Brasileira das Indústrias de Nãotecidos e Tecidos Técnicos).

Carlos Eduardo Benatto: indústria nacional investe em pesquisa para oferecer novos produtos à construção civil
Carlos Eduardo Benatto: indústria nacional investe em pesquisa para oferecer novos produtos à construção civil

A utilização destes materiais, além de agregar tecnologia, prorroga o tempo de vida útil das respectivas obras e acrescenta maior custo-benefício a elas. De olho no mercado da indústria da construção, fabricantes de Nãotecidos e Tecidos Técnicos não param de pesquisar materiais que possam ser usados em obras. O foco, agora, é o concreto. O setor trabalha no desenvolvimento de Nãotecidos para fôrmas de concretagem, a fim de aprimorar o acabamento superficial e melhorar a impermeabilidade dessas superfícies. “Também há dedicação especial para a produção de Geotêxteis Nãotecidos para a cura do concreto”, afirma Carlos Eduardo Benatto.

A indústria nacional de Nãotecidos e Tecidos Técnicos domina todas as tecnologias relacionadas à sua produção e está presente em vários produtos utilizados no dia a dia, além dos compatíveis com a construção civil. Vão desde fraldas, absorventes femininos, lenços umedecidos, vestuário e odonto-médico hospitalar, até peças automotivas, componentes para calçados, indústria moveleira e filtros de ar, gás e óleo. O consumo anual é de 306.644 toneladas/ano e boa parte deste material vai para exportação. Por conta disso, o investimento em atualizações tecnológicas é constante. Entre 2011 e 2015, foram aportados US$ 180 milhões em atualizações e compra de equipamentos de última geração.

Norma de Desempenho

Contenção de encostas estão entre as obras que recebem Nãotecidos
Contenção de encostas estão entre as obras que recebem Nãotecidos

Com a entrada em vigor da ABNT NBR 15575 (Norma de Desempenho), a indústria de Nãotecidos e Tecidos Técnicos investiu na produção de produtos que sirvam para melhorar os desempenhos térmicos e acústicos de empreendimentos imobiliários. Um dos alvos são os sistemas que utilizam paredes de concreto. Nos Estados Unidos, já é comum o uso de Nãotecido em paredes de vedação em drywall, atuando como isolante acústico. Descobriu-se que os Nãotecidos cumprem bem essa função por serem produzidos por tecnologias específicas, como Agulhagem, Spunlace (hidroentrelaçamento das fibras a jato d’água de altíssima pressão) e Spunbond (filamentos consolidados por calor).

Já os Tecidos Técnicos ou Tecnológicos são produzidos pelo processo de fiação e tecelagem e não são tão eficientes para uso na construção civil. Esse segmento registra consumo anual de 335.567 toneladas, além de empregar diretamente 24.518 pessoas. O Brasil registra consumo per capita/ano de 1,63 kg/hab. Trata-se de uma indústria que entre 2014 e 2015 investiu mais de US$ 120 milhões. Os investimentos previstos para os próximos dois anos estão estimados em US$ 30 milhões. Os principais mercados de atuação são os de embalagens, automotivo, lonas e coberturas arquitetônicas, esportivo, EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e calçadista.

Entrevistado
Administrador Carlos Eduardo Benatto, presidente da ABINT (Associação Brasileira das Indústrias de Nãotecidos e Tecidos Técnicos)

Contato
abint@abint.org.br

Crédito Foto: Divulgação/ABINT

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Big Data elimina fronteiras na construção civil

Diante de projetos cada vez mais detalhistas, adotar tecnologia é quase obrigatório para qualificar produtividade e minimizar custo

Por: Altair Santos

O mercado de Big Data deve movimentar R$ 1 bilhão no Brasil em 2017, segundo o instituto de pesquisas IDC - empresa especializada em inteligência de mercado e tecnologia da informação. A análise é de que, quanto maior o tráfego de dados, maior será o desafio em gerenciá-los e organizá-los em tempo hábil, seguindo os conceitos de captura, estruturação, análise e visualização. Para isso serve a tecnologia Big Data, que interage cada vez mais com a construção civil.

Big Data: projetos tornaram-se indissociáveis da gestão de fluxo de dados
Big Data: projetos tornaram-se indissociáveis da gestão de fluxo de dados

Nos Estados Unidos, um dos maiores incentivadores do uso de Big Data é o engenheiro estrutural John Jacobs, da empreiteira JE DUNN, responsável por grandes obras naquele país. “Os projetos estão cada vez mais complexos. Hoje, não se constrói um simples edifício sem acessar dados em 2D e 3D, compatibilizando-os com uma base financeira, com a documentação e, por fim, com o cronograma e as ações no canteiro de obras. Só com grandes bancos de dados em nuvem consegue-se operar essa enorme teia de informações”, avalia.

Na lista do que depende de um amplo suporte de dados para ser operado estão: uso de robótica no canteiro de obras e monitoramento de pontes, viadutos e hidrelétricas com sensores. A tecnologia Big Data é útil também para manter as demandas da obra em sintonia com os fornecedores, além de interligar todas as áreas envolvidas com o projeto, racionalizando o tempo. “São métodos que têm o potencial de redefinir as relações tradicionalmente tensas entre arquitetos, engenheiros e incorporadores”, diz John Jacobs.

Mais produtividade, menos custo
Isto permite que, através da tecnologia Big Data, haja aumento de produtividade no gerenciamento e na execução de projetos de construção. “O aumento de produtividade é, aliás, um dos grandes desafios na construção civil. O uso de Big Data em simulações avançadas pode reduzir o número de mudanças em desenhos de produção e construção, com consequente redução nos custos”, diz o engenheiro Luiz Henrique Ceotto, diretor de design & Construction da Tishman Speyer Properties, que recentemente palestrou no 18º Seminário Tecnologia de Estruturas do SindusCon-SP.

Ceotto detalhou a construção do edifício de alta performance AQWA-RJ, e que fez uso de Big Data para interagir com os vários escritórios envolvidos no projeto – desde o JKMF, em São Paulo-SP, até o Foster + Partners, em Londres. Usando outro case, John Jacobs afirmou que o compartilhamento do projeto BIM de um centro cívico construído por sua construtora, via Big Data, permitiu reduzir o custo da obra em US 11 milhões, a qual, inicialmente, estava estimada em US$ 60 milhões. Além disso, o cronograma de execução foi encurtado em 12 semanas.

Neste projeto, 35% da economia obtida foram conseguidos através da redução de custos com desperdício de materiais e retrabalho. “A indústria da construção é responsável pela realização de alguns dos projetos mais caros do mundo. Mobiliza enormes quantidades de recursos e trabalho, juntamente com um grande volume de dados. Não dá mais para imaginá-la sem um fluxo que racionalize e facilite o compartilhamento destas informações, com segurança”, finaliza John Jacobs.

Entrevistado
Engenheiro estrutural John Jacobs, Chief Information Officer da JE Dunn, autor do artigo “Como a Big Data pode transformar a indústria da construção”

Contato
john.jacobs@jedunn.com

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Cingapura cria concreto mais flexível e confronta asfalto

Material foi batizado de ConFlexPave e pode ser pré-fabricado em formato de placas, facilitando a instalação e a manutenção em rodovias

Por: Altair Santos

A Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura, desenvolveu um novo tipo de concreto que pode confrontar diretamente o asfalto como revestimento para ruas e rodovias. O invento é mais flexível que o concreto convencional, porém conservando as principais características do material: resistência e durabilidade. Para chegar a essas propriedades, os pesquisadores Chu Jian, Koh Chwee e Yang En-Hua procuraram compreender como os componentes dos materiais interagem uns com os outros mecanicamente em um nível microscópico.

Yang En-Hua, um dos líderes da pesquisa, segura um pedaço do ConFlexPave
Yang En-Hua, um dos líderes da pesquisa, segura um pedaço do ConFlexPave

Assim, chegaram ao ConFlexPave. Trata-se de concreto autoadensável misturado com microfibras de um tipo de polímero desenvolvido no centro industrial de infraestrutura e inovação da Universidade Tecnológica de Nanyang. A inclusão deste material sintético permite que o concreto ganhe maior flexibilidade, além de melhorar a resistência à derrapagem dos pneus. "Os materiais duros do ConFlexPave criam uma superfície com textura antiderrapante, enquanto as microfibras, mais finas que a espessura de um cabelo humano, distribuem melhor a carga através de toda a laje”, explica Yang En-Hua.

Os testes em laboratório mostraram também que o novo material tem flexibilidade quatro vezes superior à do concreto convencional. A partir destas características do ConFlexPave, o professor Chu Jian acredita que pode ser inaugurada uma nova era do pavimento em concreto. “Definitivamente, ele se torna capaz de ser tão competitivo quanto o asfalto, mas com a vantagem de ser mais durável e podendo ser instalado por placas, no sistema plug-and-play”, afirma.

Este processo de instalação é possível por que o ConFlexPave pode ser pré-fabricado em forma de placas com espessura de até 5 centímetros, facilitando o transporte e o tempo necessário para a pavimentação de estradas. “Desenvolvemos um novo tipo de concreto, que pode reduzir significativamente a espessura e o peso das lajes de pavimento pré-fabricado. Portanto, permite instalação rápida, onde novas lajes de concreto preparadas fora do local podem facilmente substituir as desgastadas", avalia Koh Chwee.

Testes durante três anos
Agora, o ConFlexPave será submetido a testes durante três anos na Universidade Tecnológica de Nanyang. Serão construídas uma pista e uma calçada com o material. O objetivo é convidar a indústria automobilística a avaliar o desempenho de seus veículos no concreto flexível. Após essa coleta de resultados, a expectativa é de que até 2020 ele possa começar a ser usado como alternativa ao asfalto para pavimento rodoviário. “Neste período de tempo estaremos formando mais engenheiros para absorver a tecnologia do ConFlexPave”, garante Yang En-Hua, já que a infraestrutura da Universidade Tecnológica de Nanyang permite aprofundar os estudos do material.

A universidade de Cingapura é considerada atualmente a 13ª melhor do mundo. Com 33.500 estudantes de graduação e pós-graduação, ela forma engenheiros, administradores, economistas e profissionais nas áreas de ciências sociais e humanas, além de médicos. As pesquisas sobre o ConFlexPave contam com investimento governamental, através de seu departamento de infraestrutura rodoviária, e empresas privadas ligadas ao transporte de cargas.

Clique aqui e leia o release original, em inglês, divulgado pela Universidade Tecnológica de Nanyang (NTU).

Entrevistados
Engenheiros Chu Jian, Koh Chwee e Yang En-Hua, todos professores-doutores da Universidade Tecnológica de Nanyang (via departamento de comunicação da universidade)

Contatos
MediaEnquiry@ntu.edu.sg
www.jtc.gov.sg

Crédito Foto: Divulgação/NTU

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Por que as ruas de NY vivem eternamente em obras?

Toda a infraestrutura de Nova York é subterrânea e precisa de constante manutenção. Veja como a cidade norte-americana faz a gestão

Por: Altair Santos

A mais importante metrópole do mundo, Nova York, nos Estados Unidos, tem quase 11 mil quilômetros de ruas pavimentadas. E esse pavimento está constantemente em obras. Ocorre que toda a infraestrutura que faz a cidade funcionar corre por baixo das ruas, e precisa sempre de manutenção. São cabos elétricos, cabos de fibra óptica, tubulações de gás, de esgoto, de águas pluviais, redes de telefonia e de TV a cabo, além do metrô.

O que faz Nova York funcionar está debaixo do asfalto da cidade
O que faz Nova York funcionar está debaixo do asfalto da cidade

Boa parte destas operações é realizada por prestadores de serviços privados. A prefeitura de Nova York, no entanto, controla com rigor as licenças para que as manutenções possam ocorrer. Segundo o departamento de obras de NY, a maior dificuldade é que as empresas resistem em compartilhar informações com a prefeitura, temendo que elas cheguem aos concorrentes. Além disso, o mapeamento de suas instalações não é preciso.

Existem casos em que a prefeitura de Nova York descobre que tubulações de energia elétrica correm ao lado de canos que transportam gás, o que é proibido. Para fazer essa investigação, o próprio departamento de obras necessita escavar a pavimentação. Neste caso, o poder público tem que seguir a mesma regra que vale para os serviços privados: o pavimento precisa ser recomposto sem deixar irregularidades e com o mesmo material do original.

Quem controla essas operações é a agência de gestão de obras de NY. Em 2015, foram emitidas 223.271 licenças na cidade - destas, 209.436 abriram buracos nas ruas de Nova York. A agência também realiza aproximadamente 11 mil inspeções por semana, e no ano passado emitiu 34.266 multas, que não são baratas. Em média, quem é flagrado interferindo na pavimentação das ruas nova-iorquinas sem autorização paga de 800 a 21 mil dólares, dependendo do tamanho da infração.

“Caos organizado”
O dinheiro arrecadado pelas multas vai para um fundo que direciona recursos para a pavimentação da cidade. Em 2015, foi arrecadado US$ 1,34 milhão em multas. Mas NY se movimenta para minimizar esse retrabalho. Em algumas ruas já está em teste um tipo de pavimento que permite ser retirado e recolocado sem maiores danos. Trata-se de placas de concreto que, ao serem removidas, dão acesso às tubulações.

Outra experiência que pode vir a ser colocada em prática é a transferência das tubulações para túneis exclusivos. Essas instalações permitiriam às equipes de manutenção operar sem agredir o pavimento das ruas e sem interferir no trânsito da cidade. O problema é o custo desta operação. Estima-se que Nova York precisaria investir cerca de US$ 16 bilhões para remodelar o sistema de cabos e canos que estão em seu subsolo.

A ideia de enterrar as tubulações de Nova York surgiu em 1888, após a cidade ser atingida por uma forte nevasca que derrubou postes e estourou encanamentos, paralisando a cidade. Desde então, NY vive em constante processo de reforma em suas ruas, obrigando o poder público a gerenciar o que os nova-iorquinos chamam de “caos organizado”. O problema é que, segundo urbanistas e engenheiros que estudam a cidade, ela não suportaria mais 50 anos de emaranhados de fios, cabos e canos em seu subterrâneo. Algo precisa ser feito, alertam.

Entrevistado
Com base em texto publicado na edição de 18 de agosto de 2016 do jornal New York Times, com reportagem de Emily S. Rueb

Confira texto original da reportagem

Crédito Foto: New York Times

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330