Fabricar artefatos ou moldar concreto, eis a questão

Case que ocorreu durante as obras para os Jogos Olímpicos começa a mudar conceitos dentro do mercado de elementos à base de cimento

Case que ocorreu durante as obras para os Jogos Olímpicos começa a mudar conceitos dentro do mercado de elementos à base de cimento

Por: Altair Santos

Durante a preparação das Olimpíadas Rio 2016, o comitê organizador se deparou com um problema: não conseguia achar pedestais que sustentassem as grades móveis de proteção que iriam cercar os equipamentos esportivos. Foi tentado um artefato de plástico que não resistia a ventos de baixo impacto. O cronograma estava quase estrangulado quando houve a decisão de recorrer a um fabricante de artefatos de cimento. A peça nunca havia sido feita antes, mas se chegou a uma solução que resolveu o problema do comitê: um suporte maciço, com um encaixe sob medida para sustentar as barras metálicas das grades.

Base em concreto, que sustentou grades na Rio 2016: peça inédita, fabricada sob medida
Base em concreto, que sustentou grades na Rio 2016: peça inédita, fabricada sob medida

A partir deste case, fabricantes do setor passaram a entender que são as demandas do mercado que definem o portfólio de produtos. Esse posicionamento tem aberto novas frentes de negócio, com base no seguinte conceito: não basta fabricar artefatos, é preciso moldar o concreto de acordo com as necessidades do cliente. “Esse exemplo mostra o quanto o setor de artefatos está mudando com uma velocidade espantosa. Atrevo-me a dizer que daqui a dez anos ele não será mais como o conhecemos hoje”, afirma o economista e engenheiro Filipe Honorato, que integra a equipe de planejamento do PDE (Programa de Desenvolvimento Empresarial) da ABCP.

O consultor avalia que, hoje, o fabricante focado no mercado produz 80% de paver e bloco de concreto, mas precisa ter em seu portfólio 20% de produtos diferenciados. “Paver e bloco são commodities. Isto todo mundo faz, e com relativa qualidade. Mas o mercado quer também a inovação. Isso se consegue com infraestrutura comercial. O departamento comercial da fábrica não pode apenas tirar pedido. Ele precisa pesquisar o que o mercado busca. Um exemplo: os escritórios de arquitetura valorizam muito fábricas inovadoras, e que apresentam em seus portfólios soluções para paisagismo e calçamento”, completa Filipe Honorato.

Conhecimento e inovação
O case que garantiu a segurança dos Jogos Olímpicos foi desenvolvido pela BrasiBloco, do Rio de Janeiro. A empresa se modernizou a partir da gestão do engenheiro civil e administrador de empresas Paulo Sérgio Martins. “Quando assumi, a mentalidade do negócio era muito precária. A fábrica parecia um acampamento do Vietnã. Aos poucos fomos operando mudanças, como maquinário, treinamento de mão de obra e participação em muitas missões nacionais e internacionais. Ao agregar conhecimento, nos sentimos capacitados para apresentar soluções em artefatos de concreto para nossos clientes, e não apenas fabricar peças”, explica Martins.

Hoje consultor, Paulo Martins afirma que atualmente uma fábrica de artefatos não pode ser concebida sem laboratório e sem controle dos agregados. Isso passa pela incorporação de conceitos de sustentabilidade. “Se eu produzo lixo, isso vai impactar no ambiente. O mercado busca qualidade e durabilidade, mas também quer ser surpreendido. Foi assim que conseguimos elaborar um produto exclusivo para as Olimpíadas. Foram produzidas 20 mil bases de concreto para os pedestais das grades. A inovação abriu novos mercados e o segmento de shows e eventos também passou a consumir nossos produtos”, revela Paulo Martins.

Entrevistados
– Economista e engenheiro de planejamento Filipe Honorato, consultor do PDE (Programa de Desenvolvimento Empresarial) da ABCP
– Administrador e engenheiro civil Paulo Sérgio Martins, diretor-executivo da BrasiBloco

Contatos
brasibloco97@yahoo.com.br
selo.artefatos@abcp.org.br
eduardo.davila@abcp.org.br

Crédito Foto: Divulgação/Rio 2016

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Massa Cinzenta

Cooperação na forma de informação. Toda semana conteúdos novos para você ficar por dentro do mundo da construção civil.

Veja todos os Conteúdos

Cimento Certo

Conheça os 5 tipos de cimento Itambé e a melhor indicação de uso para argamassa e concreto.Use nosso aplicativo para comparar e escolher o cimento certo para sua obra ou produto.

Cimento Portland pozolânico resistente a sulfatos – CP IV-32 RS

Baixo calor de hidratação, bastante utilizado com agregados reativos e tem ótima resistência a meios agressivos.

Cimento Portland composto com fíler – CP II-F-32

Com diversas possibilidades de aplicações, o Cimento Portland composto com fíler é um dos mais utilizados no Brasil.

Cimento Portland composto com fíler – CP II-F-40

Desempenho superior em diversas aplicações, com adição de fíler calcário. Disponível somente a granel.

Cimento Portland de alta resistência inicial – CP V-ARI

O Cimento Portland de alta resistência inicial tem alto grau de finura e menor teor de fíler em sua composição.

descubra o cimento certo

Cimento Certo

Conheça os 5 tipos de cimento Itambé e a melhor indicação de uso para argamassa e concreto.Use nosso aplicativo para comparar e escolher o cimento certo para sua obra ou produto.

descubra o cimento certo