Começa construção de casas temporárias para vítimas das inundações do RS

Trabalho de terraplanagem em Arroio do Meio.
Crédito: Sehab/Divulgação

Os trabalhos de terraplanagem no município de Arroio do Meio, no Rio Grande do Sul, começaram nesta segunda-feira (2), um mês após a tragédia que deixou 50 mortos e 8 desaparecidos na região do Vale do Taquari.

A iniciativa faz parte de um projeto que prevê a construção de 40 moradias temporárias para as vítimas das enchentes, que perderam suas casas e atualmente vivem em abrigos. De acordo com o Governo do Estado do RS, a área escolhida possui cerca de 8.000 metros quadrados e fica no bairro Novo Horizonte. 

"Quem conhece o Estado, sabe que esse processo andou de forma muito rápida", afirmou ao Massa Cinzenta o secretário estadual de Habitação e Regularização Fundiária, Fabricio Peruchin. Ele destacou o fato de que o município de Estrela também já designou uma área para a construção de novas casas provisórias, no bairro Pinheiros.

"A celeridade nas etapas só foi possível graças ao empenho da equipe da Sehab (Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária), que esteve em campo desde o primeiro dia na busca de áreas nos municípios atingidos, bem como do Sinduscon-RS, que tem sido um grande parceiro para viabilizar a construção das casas de passagem, que darão mais dignidade às famílias que perderam suas residências enquanto aguardam as definitivas ficarem prontas", explica.

Segundo Peruchin, os moradores ficarão nestes locais até que sejam cumpridos todos os trâmites do programa Minha Casa, Minha Vida, que viabilizará a construção das casas permanentes. O Governo explica que as residências temporárias serão entregues totalmente mobiliadas em um prazo de 60 dias, caso não chova.

Fabricio Peruchin, secretário estadual de Habitação e Regularização Fundiária.
Crédito: Sehab/Divulgação

O método construtivo utilizado será o de casas pré-fabricadas, tendo como modelo as vilas erguidas em fevereiro deste ano em São Sebastião, litoral de São Paulo, após outra tragédia climática.  

Sinduscon-RS lidera campanha de arrecadação

O Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS) está envolvido diretamente na viabilização das moradias temporárias para as vítimas das enchentes, seja em reuniões e vistorias aos locais que devem receber as novas casas, seja na arrecadação de material necessário. 

Com o apoio da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), do Sinduscon do Vale do Taquari e do Sinduscon de Caxias do Sul, o Sinduscon-RS lidera uma campanha chamada "SOS Enchentes", que pretende contar com a participação da iniciativa privada para conseguir doação em dinheiro, materiais de construção, mão de obra ou até mesmo conhecimento sobre o assunto. 

De acordo com a entidade, já está acertada a construção de cerca de 240 moradias na região atingida, em terrenos providenciados pelo poder público. Claudio Teitelbaum, presidente do Sinduscon-RS, reforça a importância da mobilização de toda a cadeia produtiva do setor, destacando como principais necessidades itens como telas, concreto, cimento, aço, telhas, portas, janelas, chuveiros, cerâmica e materiais para parte elétrica e hidráulica, entre outros.

Para doações, entrar em contato com diretoria@sinduscon-rs.com.br.

Fontes
Sehab (Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária do RS) Sinduscon-RS

Jornalista responsável
Fabiana Seragusa 
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Rio Construção Summit reúne 10 mil pessoas e reafirma a força do setor no país

Rio Construção Summit reuniu 10 mil pessoas durante três dias.
Crédito: Luciola Vilela/Divulgação

Pelo menos 10 mil pessoas passaram pelo Armazém 3 do Píer Mauá durante os três dias do Rio Construção Summit, que promoveu mais de 100 horas de conteúdo de 19 a 21 de setembro. Cerca de 280 debatedores, palestrantes, moderadores e convidados abordaram assuntos atuais e relevantes para o setor, promovendo troca de ideias e encontros entre especialistas nacionais e internacionais.   

Realizado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro (Sinduscon-Rio) e com apresentação da Firjan e da Firjan IEL, o evento foi considerado um sucesso, com o dobro da participação esperada. Claudio Hermolin, presidente do Sinduscon-Rio, diz que fazia tempo que o Estado não recebia um evento da indústria da construção. "E isso fez com que as pessoas tivessem esquecido o tamanho, a pujança e a força do nosso setor."

Indústria vai movimentar R$ 800 bilhões até 2026

Um dos destaques da programação foi a apresentação de um estudo da Firjan que prevê uma movimentação de cerca de R$ 800 bilhões na indústria da construção até 2026, de acordo com os investimentos anunciados. Desse valor total, em torno de R$ 663 bi seriam referentes a obras de habitação e infraestrutura, enquanto R$ 132 bi teriam a ver com a demanda por insumos da cadeia produtiva.

Evento aconteceu no Píer Mauá, no Rio de Janeiro.
Crédito: Luciola Vilela/Divulgação

“Os valores apresentados para o Novo PAC são uma injeção de ânimo no setor de infraestrutura", avalia Claudio Medeiros, presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada-Infraestrutura (Sinicon). A entidade foi parceira da Firjan neste estudo, ao lado do Sinduscon-Rio e da CBIC. "Tenho a certeza de que iremos vivenciar nos próximos anos uma nova época de crescimento, de criação de oportunidades, de geração de empregos e renda", completa Medeiros. 

De acordo com os dados por região do país, do montante de R$ 663 bi, cerca de 35,1% (R$ 233,17 bi) seriam destinados ao Sudeste, seguido pelo Nordeste (30,8%; R$ 204,13 bi), Norte (12,9%; R$ 85,60 bi), Centro-Oeste (11,1%; R$ 73,33 bi) e Sul (10,1%; R$ 67,35 bi). 

Governo do Rio anuncia programa HABITA+

Programação teve mais de 100 horas de conteúdo.
Crédito: Luciola Vilela/Divulgação

O Rio Construção Summit também foi marcado pelo lançamento, pelo Governo do Estado, do programa HABITA+, que pretende aquecer a cadeia econômica da construção civil. O governador Cláudio Castro explicou que a ideia é conceder subsídios para que famílias de baixa renda possam dar entrada na casa própria.

Na primeira fase, segundo ele, 14 mil famílias serão contempladas, e a carta de crédito será de R$ 25 mil. Bruno Dauaire, secretário de Habitação e Interesse Social, complementou dizendo que, nesta fase inicial do projeto, os investimentos chegarão a R$ 350 milhões, com a expectativa de criação de 75 mil empregos, fomentando toda a cadeia do setor.   

O evento também atraiu a atenção do público para debates sobre assuntos como o uso da tecnologia BIM na construção, a necessidade de cidades mais sustentáveis e inclusivas e o impacto da reforma tributária na indústria.

Fontes
Sinduscon-Rio

Firjan
Governo do Estado do Rio de Janeiro

Jornalista responsável
Fabiana Seragusa 
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6ª edição do Incorpora trouxe perspectivas e desafios do mercado imobiliário

Para Elie Horn, sucesso no setor imobiliário requer um fluxo de caixa adequado e a minimização da dívida.
Crédito: ABRAINC

Em 26 de setembro, a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC) realizou a 6ª edição do Incorpora - Fórum Brasileiro de Incorporadoras 2023. O evento trouxe discussões a respeito de perspectivas e desafios do mercado imobiliário brasileiro.

Perspectivas para o setor de incorporação

Na abertura do evento, o presidente da ABRAINC, Luiz França, enfatizou a necessidade de taxas de juros mais baixas e a diversificação das fontes de financiamento para compradores de imóveis. Ao mesmo tempo, França vê um cenário otimista para o setor da incorporação imobiliária. 

“Vivemos um momento singular. Os investimentos no setor imobiliário, determinantes para a formação bruta de capital fixo do país, cresceram no segundo trimestre de 2023 em percentuais superiores à média nacional. Este é um aspecto chave, pois o investimento antecede a criação de empregos e renda; determinando o futuro da economia brasileira”, destacou o presidente. 

Política fiscal, taxas de juros e filantropia

Um dos principais debates do evento trouxe Elie Horn, fundador do grupo Cyrela, e o jornalista Willian Wack. Durante o bate-papo, o empresário enfatizou que o sucesso no setor imobiliário requer um fluxo de caixa adequado e a minimização da dívida, preferencialmente planejada a longo prazo. Segundo Horn, o ideal é que a empresa não precise de financiamento para terminar suas obras caso algo dê errado. Outro ponto destacado pelo empresário é a necessidade de flexibilidade para enfrentar mudanças políticas e econômicas, especialmente flutuações nas taxas de juros. Por fim, Horn comentou sobre a importância da filantropia e de se pensar nas camadas menos favorecidas da sociedade. “Se tem pobres, somos os culpados, porque não conseguimos fazer direito o nosso trabalho”, afirmou.

Aumento dos recursos para habitação popular no Brasil

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, também participou do evento e destacou o aumento significativo nos recursos destinados à habitação popular no Brasil. O montante foi elevado para R$ 10,4 bilhões no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), o que corresponde a um aumento de 12,65%. Também foi reestabelecida a Faixa 1, destinado às famílias com renda mensal bruta de até R$ 2.640,00.

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Também presente no evento, o ministro das Cidades, Jader Filho enfatizou o novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que promete trazer investimentos substanciais para o setor até 2026, com um foco especial no fortalecimento do programa Minha Casa, Minha Vida. Ele destacou a necessidade da colaboração entre os governos e o setor produtivo para alcançar a meta de construir dois milhões de habitações.

Ainda, durante o evento, a ABRAINC apresentou uma pesquisa que aponta que o MCMV é significativo na melhoria da qualidade de vida de seus beneficiários. A pesquisa foi realizada pela Brain Inteligência Estratégica junto a compradores de imóveis do programa de habitação popular. 

Este levantamento apontou que 92% dos entrevistados afirmaram sentir-se mais seguros após adquirir um imóvel pelo programa. Além disso, 76% relataram terem mudado para uma residência mais moderna, refletindo a influência positiva na qualidade de suas moradias. 

Outro dado interessante é sobre o perfil dos compradores. Dentre os entrevistados, 45% não possuem registro de trabalho formal. Entre os consumidores em potencial do programa, há trabalhadores autônomos (27%), empresários (7%), comerciantes (10%) ou profissionais liberais (1%). "Isso destaca a necessidade de se desenvolver um modelo de financiamento mais acessível e adequado para trabalhadores informais, a fim de expandir ainda mais o alcance e os benefícios do programa", explica França.

Entrevistado
Luiz França é presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC)

Contato
Assessoria de imprensa Abrainc:  luciana.ferreira@loures.com.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP


Como lidar com as altas temperaturas nas obras?

Convenção coletiva do trabalhador da construção civil determina obrigatoriedade do fornecimento de protetor solar.
Crédito: Envato

Os meses de agosto e setembro foram marcados por dias de calor atípico para a época – em muitas cidades no Brasil, a temperatura passou dos 30 °C, enquanto outras tiveram clima acima dos 40 °C. A exposição excessiva ao calor pode gerar indisposição, queimaduras, desidratação, insolação e até câncer de pele, em casos mais graves. Nestas condições de calor extremo, qual é a forma mais segura de desempenhar o trabalho externo na construção civil? Quais as medidas necessárias para manter os trabalhadores em condições seguras?

De acordo com Haruo Ishikawa, membro do Conselho Deliberativo do Seconci-SP, a Norma Regulamentadora N0. 15 (NR-15), do Ministério do Trabalho e do Emprego, trata de algumas questões específicas relacionadas ao calor, em especial no anexo 3. “A norma, em si, estabelece as atividades que devem ser consideradas insalubres, gerando direito ao adicional de insalubridade aos trabalhadores. É importante que os empresários leiam a NR-15, em especial o anexo 3, para entender um pouco a questão do limite de tolerância para exposição ao calor, como forma de preservar os trabalhadores e, ao mesmo tempo, não se expor a questões trabalhistas”, explica.

O que é considerado calor?

De 18,9 °C até 25,6 °C, é considerada uma temperatura adequada para trabalho. Acima de 25,6 °C, é preciso fazer algum tipo de paralisação na obra para reduzir a questão do trabalho insalubre, segundo Ishikawa. 

“Há uma medida da temperatura que chamamos de Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo (IBUTG). Há um aparelho que mede essa temperatura para controlar as atividades insalubres e limites de tolerância para a exposição de calor conforme o que determina a norma NR-15 da ABNT”, aponta Ishikawa.

Medidas protetivas contra o calor

Como essa onda de calor é algo mais recente, Ishikawa acredita que há muitas empresas que não têm conhecimento desta norma. “Na área de treinamento de segurança e saúde do trabalho, já vamos começar a aplicar essas orientações para os trabalhadores de São Paulo. Aqui no Estado, nós temos algumas providências que tomamos há mais de dez anos. É o caso, por exemplo, da convenção coletiva do trabalhador da construção civil que determina ser obrigatório o fornecimento do protetor solar”, comenta. 

A hidratação é outro ponto importante para quem trabalha na obra. “É importante orientar a deixar os trabalhadores muito bem hidratados, com água fresca, não deixar uma água de natureza normal, ou seja, é preciso ter bebedouros refrigerados”, sugere Ishikawa.

A reprogramação de horários também pode ser uma solução em alguns casos. O anexo 3 da NR-15 também prevê medidas como programar os trabalhos mais pesados (acima de 414 W - quatrocentos e quatorze watts), preferencialmente nos períodos com condições térmicas mais amenas, desde que nesses períodos não ocorram riscos adicionais.

Alguns trabalhadores ficam mais expostos ao sol, como é o caso do carpinteiro e do armador. “Normalmente, o pedreiro, o eletricista e o encanador trabalham expostos ao calor, mas na parte interna. E muitas vezes, quando se trata de construções verticais, há um vão que permite a ventilação”, lembra Ishikawa. De toda a forma, a NR-15 recomenda disponibilizar acesso a locais, inclusive naturais, termicamente mais amenos, que possibilitem pausas espontâneas, permitindo a recuperação térmica nas atividades realizadas em locais abertos e distantes de quaisquer edificações ou estruturas naturais ou artificiais.

Entrevistado
Haruo Ishikawa é membro do Conselho Deliberativo do Seconci-SP.

Contato
Assessoria de imprensa Seconci-SP: rafael.marko@seconci-sp.org.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP


Parede de cimento queimado traz apelo moderno e versatilidade a projetos

A iluminação desempenha um papel fundamental quando a ideia é ressaltar os aspectos do cimento queimado.
Crédito: Guilherme Pucci

As paredes de cimento queimado destacam ambientes, têm execução simples e garantem durabilidade. Nos últimos anos, esta técnica ganhou espaço em muitos projetos arquitetônicos. 

O cimento queimado é um acabamento caracterizado pela aparência, à primeira vista, imperfeita e texturizada que remete ao concreto exposto após ser polido e tratado. “Nos projetos, pode estar presente em ambientes internos de residências, escritórios, lojas e restaurantes, sempre com o intuito de atribuir um apelo moderno e versatilidade”, pontua o arquiteto Pietro Terlizzi.

Em projetos com viés contemporâneo, vigas e pilares podem (e devem) ser contemplados como elementos de destaque estético, adicionando um ponto focal interessante que se destaca entre todos os elementos. “A decisão final quanto ao estilo desejado irá depender de alguns fatores como as características do layout original e as preferências alinhadas entre o profissional de arquitetura e o morador” pondera Terlizzi. 

Como é feito o cimento queimado na parede?

Para o arquiteto, levar o efeito cimento para as paredes virou uma forma de ter o concreto presente no projeto, um material que faz parte da história da arquitetura modernista. O efeito de uma parede de cimento queimado é obtido através da utilização de argamassa, composta por areia, água e cimento. Isso é seguido pela aplicação de cimento em pó sobre a mistura enquanto ela ainda está úmida.

No entanto, Terlizzi lembra que hoje em dia, há opções disponíveis no mercado para aplicação rápida e prática, como massa para efeito mármore.

Cuidados especiais na parede de cimento queimado

Além de proporcionar um visual moderno e industrializado aos ambientes, o cimento queimado é extremamente durável e resistente a danos, não desbotando facilmente, segundo Terlizzi.

No entanto, se a base da parede não estiver devidamente preparada ou se houver movimentação estrutural no imóvel, podem ocorrer rachaduras no cimento queimado ao longo do tempo, de acordo com Terlizzi. “Embora o cimento queimado seja durável, a aplicação de um selante apropriado, em algumas situações, é fundamental para garantir uma proteção ainda maior”, explica o arquiteto.

É importante lembrar que o desgaste natural ocorrerá ao longo do tempo, especialmente em áreas de alto tráfego. “A durabilidade do cimento queimado também pode variar com base na qualidade dos materiais utilizados e nas condições ambientais locais”, destaca Terlizzi.

Cimento queimado deixa o ambiente escuro?

A iluminação desempenha um papel fundamental quando a ideia é ressaltar os aspectos do cimento queimado. “Ao combinar cuidadosamente diferentes técnicas do projeto luminotécnico, conseguimos acentuar a textura e a aparência, enquanto mantemos um equilíbrio interessante no espaço. Nessa conciliação, a sugestão é usar cores neutras e claras para o restante do espaço, pois esse cuidado ajuda no intuito de ampliar e balancear a decoração”, explica Terlizzi. 

Entrevistado:

O arquiteto Pietro Terlizzi é formado na FAU Mackenzie SP, trabalha na área de arquitetura desde 1999. Passou por diversos escritórios nas mais variadas áreas (desde paisagismo até escritório de engenharia estrutural), absorvendo essa experiência e amadurecendo até abrir o seu próprio escritório, a Pietro Terlizzi Arquitetura.

Contato:
contato@pietroterlizzi.com.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP


Cidade de Baranquilla, na Colômbia, prioriza o uso do concreto

Programa “Barrios a la Obra” pavimenta as ruas dos bairros de Baranquilla com concreto.
Crédito: Alcadía de Baranquilla

Baranquilla é uma cidade ao norte da Colômbia que conta com 1.274.250 habitantes. Assim como acontece nas demais regiões do país, a cidade prioriza o uso do concreto em obras públicas – lá, 80% da malha urbana é feita com este material. Durante o Concrete Show, o engenheiro colombiano Diego Jaramillo falou sobre o uso de concreto no corredor portuário de Baranquilla, e a importância do uso de pavimentos rígidos neste local.

“Em Baranquilla, existem muitos fatores que promovem o uso de concreto. O primeiro deles é a cultura da utilização deste material, que já é bem comum na Colômbia. Ainda, o pavimento de concreto permite que tenhamos ruas com muitos anos de durabilidade. Isso traz confiança para que novos projetos sejam realizados. Por ser uma cidade com sete portos, onde transitam veículos com cargas muito altas, o pavimento rígido também é favorecido. O seu uso evita manutenções devido a altas deformações – o que não acontece com o pavimento flexível. Outra questão que favorece o uso do concreto é o clima da região: Baranquilla costuma ter temperaturas elevadas (entre 26 °C e 37 °C) e alta presença de umidade nas estruturas. Por fim, ainda conta com um programa de pavimentação de estradas de baixo tráfego”, afirma Jaramillo. 

Para o engenheiro, a solução de pavimento de concreto tem melhor preço, durabilidade, maior sustentabilidade e gera grande impacto social. 

Pavimentos duráveis para operações portuárias

O corredor portuário de Barranquilla é uma concessão urbana e atende a entrada e saída de sete portos fluviais. Trata-se de uma via dupla com 6,5 km de extensão e duas pistas cada. De acordo com Jaramillo, o projeto foi pensado para durar 30 anos, sendo que o tráfego do local possui um dimensionamento de 236 milhões de ESALs (Carga Equivalente em Eixo Único). “Sobretudo, é preciso olhar para frente – precisamos levar em consideração que este porto não vai durar apenas 10 ou 15 anos. Estas especificidades do local levaram ao uso do pavimento de concreto com especificações muito boas. Em uma das avenidas, por onde entra e sai a carga do porto, foi feito um pavimento especial, onde foram usadas placas de concreto com espessuras entre 37 cm e 41 cm. A resistência do concreto MR (tração na flexão) é de 4,5 MPa. Ainda, esta técnica oferece controle permanente de desempenho por índice do estado do pavimento”, comenta.

Ruas e avenidas como canais

Jaramillo acredita que a solução de pavimento de concreto tem melhor preço, durabilidade, maior sustentabilidade e grande impacto social.
Crédito: Divulgação Concrete Show

Baranquilla sofre com um problema histórico de planejamento: por lá, os sistemas de drenagem de águas pluviais não foram construídos. Isso leva à formação de fortes riachos e enchentes.

Para solucionar esta questão, foram construídas estradas que funcionam como canais, além de novos sistemas de drenagem, caixões e muitas obras de gestão de águas pluviais. Nestas construções, foram usados pavimentos de concreto. “Eles têm um bom comportamento em canais de condução de água, boa resistência e não se deteriora rapidamente com a presença da água,”, comenta Jaramillo. 

Concreto na pavimentação comunitária

Baranquilla conta com o programa “Barrios a la Obra”, que pavimenta as ruas de bairro com concreto. O programa alcançou a execução de 349 km em 15 anos, segundo Jaramillo. 

A cidade de Bogotá teve um programa semelhante entre 1992 e 2001 (nove anos) e construiu a mesma extensão em quilômetros. 

Entrevistado
Diego Jaramillo Porto é engenheiro e diretor de Pavimentos e Infraestrutura na Federação Iberoamericana de Hormigon Premezclado FIHP. Ele também é gerente técnico da Câmara Colombiana de Cimento e Concreto (PROCEMCO) e líder do Comitê Internacional de Pavimentos e Infraestrutura (FHIP/FICEM). 

Contato
Assessoria de imprensa Concrete Show: valeria@coletivodacomunicacao.com.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP


Emissão da ART ficou mais rápida e intuitiva pelo site do Crea-SP

Mamede Abou Dehn Jr., vice-presidente no exercício da Presidência do Crea-SP.
Crédito: Divulgação

A Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) é um documento obrigatório para obras e serviços prestados nas áreas de Engenharia, Agronomia e Geociências, que funciona como uma garantia para o consumidor sobre o que foi contratado, além de uma segurança para o prestador do serviço.

Para agilizar o processo de emissão, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP), por meio do CreaNet, que é a sua plataforma de serviços, desenvolveu um sistema mais moderno e intuitivo que possibilita o preenchimento mais rápido dos dados - passando de cerca de quatro para dois minutos.

"Diminuímos a quantidade de campos onde são inseridos os dados para emissão da ART e aplicamos o preenchimento automático em alguns outros desses campos. São melhorias que dão mais agilidade ao profissional", afirma o engenheiro Mamede Abou Dehn Jr., vice-presidente no exercício da Presidência do Crea-SP. "Outras mudanças foram adotadas na etapa de indicação da empresa relacionada à atividade prestada, que ficou mais simples, não sendo mais necessário pesquisar pela mesma, uma vez que o sistema oferece a opção de seleção das pessoas jurídicas já associadas ao profissional."

Nova versão de preenchimento da ART está disponível no site do Crea-SP.
Crédito: Divulgação

Outra novidade é que, agora, o módulo onde os profissionais emitem a ART está de visual novo, e o sistema foi adequado à Tabela Nacional de Obras e Serviços (TOS Nacional), adotada pelo Crea-SP. Isso permitiu um ganho de tempo significativo, já que o profissional, antes disso, precisava conhecer exatamente as definições de cada atividade para escolher aquela que mais se identificava com o serviço prestado por ele.

Abou Dehn Jr. explica que as mudanças foram feitas a partir da análise dos apontamentos feitos pelos próprios profissionais. "Precisamos de alguns meses para chegar neste resultado atual, mas o processo de melhoria é contínuo e colaborativo. Tivemos etapas de workshops no meio do caminho para acompanhar o que vinha sendo feito, contamos também com o apoio do mercado e com os participantes do 1º Hackathon do Crea-SP, que foi um desafio projetado para melhorar os serviços relacionados à ART. Ou seja, passamos a observar a funcionalidade do sistema e a buscar tecnologias para ele."

Novo formulário da Anotação de Responsabilidade Técnica.
Crédito: Divulgação

Sobre a possibilidade do novo sistema também ser implementado em outros Estados, o representante do Conselho ressalta que o Sistema Confea/Crea, como um todo, tem buscado melhorar seus processos e serviços para os profissionais da área tecnológica. "Como cada Conselho Regional tem jurisdição sobre seu Estado, a escolha de aplicar mudanças na emissão da ART é de cada Crea. Um servindo de referência para o outro. Isso em várias áreas, como na fiscalização, no registro profissional, o que não é diferente na parte de tecnologia e sistemas", detalha.

"Vemos que isso vem acontecendo de forma gradativa, principalmente por conta da adequação dos Estados à TOS Nacional [Tabela de Obras e Serviços], e acreditamos que a inovação não deve ser um processo isolado e individual, então, quanto mais integrados estivermos, melhor ainda para a área tecnológica e para os profissionais", analisa Abou Dehn Jr. 

Fonte
Mamede Abou Dehn Jr., vice-presidente no exercício da Presidência do Crea-SP

Jornalista responsável
Fabiana Seragusa 
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Vila nos EUA é composta apenas por casas construídas em 3D

Vila Wolf Ranch é composta por 100 casas em 3D.
Crédito: Divulgação/ICON

As 100 casas que fazem parte da vila Wolf Ranch, localizada em Georgetown, no Texas, foram construídas com impressoras 3D. A comunidade, mais do que inovadora, foi idealizada e anunciada em 2021 pela Lennar, uma das principais construtoras residenciais dos Estados Unidos, e pela ICON, empresa especializada em construções em 3D. O escritório de arquitetura dinamarquês BIG-Bjarke Ingels Group também fez parte do projeto. 

O evento de inauguração aconteceu em julho deste ano, e, de acordo com o site oficial, seis das 100 casas já foram vendidas - a mais cara custou 568.990 dólares, o que corresponde a aproximadamente 2,8 milhões de reais. A maioria das moradias, no entanto, está em fase de finalização, mas há duas opções disponíveis de imediato aos interessados: uma por 478.990 e outra por 495.990 dólares.

Ambiente interno de uma das casas, com paredes ultra resistentes.
Crédito: Divulgação/ICON

As residências do Wolf Ranch possuem entre 146 e 196 metros quadrados, podendo ter três ou quatro quartos e dois ou três banheiros. Todas elas também contam com painéis solares fotovoltaicos, com telhados metálicos projetados para serem duráveis, energeticamente eficientes, resistentes ao fogo e para durarem mais do que os telhados tradicionais. Já as paredes foram projetadas para serem resistentes à água, ao mofo, a cupins e a incêndios.

Outro atrativo e diferencial é que os materiais utilizados nesta construção hermética reduzem as variações de temperatura, fazendo com que os cômodos se tornem confortáveis durante o ano todo. 

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Impressora gigante da ICON se chama Vulcan.
Crédito: Divulgação/ICON

Especialista neste tipo de construção, a ICON utiliza a tecnologia mais moderna em sua impressora 3D de tamanho doméstico, a Vulcan. Ela foi desenvolvida especificamente para a produção de residências, para que todas as etapas ocorram de forma precisa e com alta velocidade.

De acordo com a empresa, esta nova máquina proporciona um trabalho duas vezes mais rápido do que a sua geração anterior de impressoras, sendo possível imprimir casas e estruturas diversas de até 278 metros quadrados sem realocação do equipamento. Além disso, os testes indicam que as paredes erguidas por meio desse sistema superam os requisitos de resistência dos códigos de construção em mais de 350%.

A impressora é alimentada por uma espécie de fábrica portátil e inteligente que se chama Magma, responsável por misturar o Lavacrete (material à base de cimento da ICON) com aditivos e água, de acordo com as condições climáticas do local, no momento da atividade. É como se fosse um "cartucho" de impressão, que funciona por meio de softwares de última geração. 

Fontes
ICON
Lennar 

VÍDEO da construção e do interior das casas:

https://www.youtube.com/watch?v=k0REJf3rv44

Jornalista responsável
Fabiana Seragusa 
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Novidades sobre a Dubai Creek Tower, que almeja ser a torre mais alta do mundo

Projeção de como será a Dubai Creek Tower.
Crédito: Divulgação/Santiago Calatrava

Com 828 metros e 163 andares, o Burj Khalifa é atualmente considerado o mais alto arranha-céu do mundo, mas tem grandes chances de passar para a segunda colocação em breve. Isso porque a Dubai Creek Tower planeja superar essa altura com sua imponente e moderna estrutura, que começou a ser construída em 2016 também em Dubai, nos Emirados Árabes.

A ideia inicial era de que o projeto fosse finalizado em 2022, mas as paralisações relacionadas à Covid-19 adiaram os planos. Além disso, há poucas semanas, Mohamed Alabbar, fundador da empresa Emaar Properties, responsável pela construção, anunciou que a torre está atualmente em processo de redesenho e que as atividades devem ser retomadas em 2024.

Detalhes da Dubai Creek Tower

O projeto inicial é assinado pelo arquiteto e engenheiro espanhol Santiago Calatrava, que também idealizou o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, construção que se tornou ícone da arquitetura mundial.

Cuidado com o paisagismo é um dos destaques da torre.
Crédito: Divulgação/Santiago Calatrava

A intenção é que a Dubai Creek Tower seja "amarrada" por cabos, conferindo um efeito estético potente e único ao seu entorno. Dentre os muitos atrativos, a estrutura prevê um café, uma praça central com lojas, um museu, instalações educacionais, um auditório coberto e dez plataformas de observação, incluindo um deck de 360º inspirado nos Jardins Suspensos da Babilônia

A eficiência energética e a sustentabilidade também ganham foco, com paisagismo pensado para a proteção solar, além de um sistema de refrigeração altamente eficiente que servirá para captar a água destinada a limpar toda a fachada.

Fundação da torre concluída

O trabalho de fundação da Dubai Creek Tower foi concluído em maio de 2017, quando, a partir daí, iniciou-se a inserção dos cabos de sustentação e a realização de todo suporte estrutural. As escavações para os alicerces foram feitas até 72 metros de profundidade, com a inclusão de mais de 145 estacas.  

Já o processo de concretagem dessa base terminou em janeiro de 2018. De acordo com o site do arquiteto/engenheiro, foram utilizados 50 mil metros cúbicos de concreto, cujo peso girava em torno de 120 mil toneladas. Além disso, cerca de 16 mil toneladas de aço fizeram parte do reforço estrutural.

Dubai Creek Tower deve ser "amarrada" por cabos.
Crédito: Divulgação/Santiago Calatrava

Arranha-céus em Dubai e América Latina

Considerado o maior prédio do mundo, o Burj Khalifa demorou seis anos para ser construído e foi inaugurado em janeiro de 2010. Para se ter uma ideia do tamanho, ele é quase três vezes mais alto do que o maior edifício do Brasil. 

O One Tower fica localizado em Balneário Camboriú, no litoral norte de Santa Catarina, e chega a 290 metros de altura. Foi concluído em dezembro de 2022 e é o maior arranha-céu do país. Além disso, ele recebeu o certificado mundial de mais alto edifício residencial da América Latina, pelo CTBUH (Conselho de Edifícios Altos e Habitat Urbano), organismo internacional do setor. 

Projeção de como será a torre: https://www.youtube.com/watch?v=AC02sSzCAI4

Mostra o processo de escavação: https://www.youtube.com/watch?v=UaNi_Wz4Pyg

Fontes
Santiago Calatrava
TimeOut Dubai

Jornalista responsável
Fabiana Seragusa 
Vogg Experience


Enchentes no Rio Grande do Sul: como lidar com esta questão?

Melhora dos vertedouros, aumento das barragens ou amortecimento podem ser algumas das possíveis soluções.
Crédito: Marinha do Brasil

Um ciclone extratropical que se formou no oceano e foi em direção ao sul do país neste mês de setembro. Como consequência, o estado do Rio Grande do Sul sofreu com as chuvas intensas, que causaram enchentes e deixaram estragos em dezenas de cidades gaúchas. Ao todo, a Defesa Civil registrou 48 mortes e 10 pessoas desaparecidas, além dos deslizamentos de terra e destelhamento de residências. 

As enchentes não são uma novidade no Brasil – todos os anos, pontos de alagamentos são registrados. Ao mesmo tempo, diversas cidades investem em iniciativas para conter este problema. E, neste caso do Rio Grande Sul, o que poderia ser feito?

Para José Marques Filho, engenheiro e professor do Departamento de Construção Civil da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o melhor cenário seria ter um planejamento prévio. “Estas cheias que aconteceram ali foram de grande magnitude e são raras. No entanto, com as questões climáticas, elas devem se tornar cada vez mais frequentes. Como não foi pensado o amortecimento de cheias juntamente com a parte energética por questão de planejamento nos anos anteriores, atualmente o regime e manuseio dos empreendimentos devem ser reanalisados no Brasil. Nos últimos anos o país construiu barragens a fio d’água, ou seja, sem armazenamento, o que dificulta o manejo de cheias, pois toda água afluente se conduz quase imediatamente para jusante”, explica. 

Outra questão é que como muitos rios já possuem empreendimentos realizados, com poucas possibilidades de execução de barragens para acumulação e amortecimentos de cheia, as soluções se tornam complexas, segundo Marques Filho. 

“Mas é necessário avaliar a viabilidade de enfrentamento técnico das cheias, dentro das possibilidades físicas existentes. Como exemplo extremo, verificar se há a viabilidade técnica de construção de um reservatório de acumulação, ou ainda, de maneira mais complexa, de fazer um alteamento, avaliando no âmbito regulatório a questão, pois qualquer adaptação poderia inviabilizar por um tempo os benefícios que os empreendimentos oferecem”, aponta o professor. 

Marques Filho acredita que é fundamental a implementação de estudos climatológicos e de vazões para previsão de eventos extremos, de forma a permitir ao poder público e representantes da sociedade civil se prepararem e minimizarem os efeitos nas populações.

“Em resumo, o Brasil precisa pensar e planejar sobre como irá lidar com esses eventos climáticos mais intensos, que acontecem em todo país. Isso inclui uma união de esforços entre os órgãos públicos, representantes da sociedade civil e os responsáveis pelos empreendimentos. Deve ser lembrado que os recursos hídricos são propriedade da União, e as barragens são planejadas pelo poder público e dadas em concessão. Em outras palavras, as barragens são construídas para prestar um serviço público, definido pelo estado brasileiro”, comenta Marques Filho.

Para isso, Marques Filho acredita que, em primeiro lugar é preciso estudar as obras, fazer as análises de hidrologia e meteorologia, além de um estudo das cheias, juntamente com sistemas de monitoramento e alerta efetivos para mitigar efeitos nas populações. Depois disso, será possível entender se a melhor solução é rearranjar os vertedouros, aumentar as barragens ou fazer um amortecimento, de preferência gerando os novos empreendimentos com reservatórios. “Na China, existem diversas barragens para amortecer cheias. O Brasil nunca pensou muito nisso”, afirma. O professor menciona também a possibilidade de reorganização de populações junto com as autoridades competentes para evitar que elas ocupem regiões sujeitas a enchentes, de forma semelhante ao que acontece quando se ajuda as populações em áreas sujeitas a escorregamentos de terra

Dentro deste cenário, é necessário pensar em como cuidar desses eventos climáticos e quais novas obras seriam necessárias para conter seus efeitos, segundo o professor. Também é preciso verificar quais novos empreendimentos hidráulicos seriam necessários para deixar a população segura e minimizar as consequências de eventos extremos.

“Como nação, vamos ter que analisar todos os casos isolados e melhorar os empreendimentos existentes, além de fazer um planejamento sobre como utilizar esse recurso importante que é a água. Os empreendimentos hidráulicos fazem parte da segurança estratégica que o Brasil precisa ter, ou seja, são responsáveis pela segurança hídrica (para abastecimento humano, dessedentação animal, irrigação), segurança alimentar, segurança energética e segurança contra as mudanças climáticas. Conforme os efeitos das mudanças climáticas forem se agravando, mais obras hidráulicas teremos que fazer, para garantir a segurança da população. Assim sendo, no futuro, o Brasil deverá despender bastante recurso para lidar com as mudanças climáticas”, opina Marques Filho.

Fake news: barragens teriam causado alagamento? 

Diante do cenário que se instalou na região, surgiu uma fake news a respeito do assunto, que afirmava que a enchente teria sido causada pela abertura de comportas de barragens da região. Entretanto, um comunicado da Cia. Energética Rio das Antas (Ceran) informou que as três Usinas Hidrelétricas (UHEs) presentes no Rio das Antas contam com reservatórios “à fio d’água”. "Toda água que não vai para as turbinas passa sobre crista da barragem. Em situações de alta afluência, a vazão de água que passa pela barragem é a mesma que passaria se ela não existisse", destaca a Ceran.“Nos últimos 25 anos, o Brasil deixou de construir adequadamente reservatórios, isto é, guardar a água. Estas usinas são a fio d’água, onde toda a água que chega, passa. Por conta disso, elas têm pouca capacidade de amortecimento. No entanto, em alguns lugares do país, as usinas ajudaram a conter um pouco quando estão com nível ligeiramente baixo, até a água chegar e sair, podem diminuir cheias. Se no momento da concessão pelo poder público tivesse sido pensado em algum tipo de amortecimento do pico da cheia, os estragos poderiam ser amenizados”, pontua o professor.

Fonte
José Marques Filho é engenheiro e professor do Departamento de Construção Civil da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

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Marina Pastore
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