PR e SC são únicos estados com pontes inspecionadas

Mauro Lacerda Santos Filho: principal patologia nas pontes do Paraná é a corrosão de armadura por desplacamento

PR e SC são únicos estados com pontes inspecionadas

PR e SC são únicos estados com pontes inspecionadas 600 338 Cimento Itambé

Parceria entre UFPR e DNIT permite mapeamento de obras de arte em estradas paranaenses e catarinenses. Modelo será levado para todo o país

Por: Altair Santos

Parceria estabelecida em 2014 entre a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) permitiu que Paraná e Santa Catarina saíssem na frente na intenção do organismo federal de mapear e inspecionar todas as pontes existentes no Brasil, que estejam sob sua jurisdição. Hoje, os dois estados são os únicos que sabem em que situação se encontram suas obras de arte rodoviárias, cumprindo o que exige a ABNT NBR 9452:2016 – Inspeção de pontes, viadutos e passarelas de concreto.

Mauro Lacerda Santos Filho: principal patologia nas pontes do Paraná é a corrosão de armadura por desplacamento

Mauro Lacerda Santos Filho: principal patologia nas pontes do Paraná é a corrosão de armadura por desplacamento

O trabalho realizado pela UFPR engajou o Escritório Modelo de Engenharia Civil (EMEA) da Universidade de onde participam alunos de graduação e de pós-graduação. Eles precisaram ir a campo para prospectar em que condições estavam as pontes paranaenses e catarinenses em rodovias sob a gestão do DNIT. A coordenação do trabalho esteve a cargo do professor-doutor do departamento de engenharia civil da UFPR, Mauro Lacerda Santos Filho. Em palestra no Simpósio Paranaense de Patologia das Construções, que ocorreu de 29 de maio a 2 de junho, no centro politécnico da UFPR, ele explicou como se deu o trabalho.

Mauro Lacerda Santos Filho revelou que sequer o DNIT sabia o número exato de pontes nos dois estados. “O DNIT passou lista de 128 pontes no Paraná, mas após o mapeamento detectou-se que havia mais pontes: 190”, disse o professor, completando que o trabalho mais difícil foi conseguir descobrir como as pontes haviam sido construídas. “Como fazer um programa de conservação daquilo que não se sabe como foi feito? Boa parte das pontes foi executada nos anos 1960 e seus projetos já não existem mais. Foi preciso pesquisar como era feito o concreto naquela época, qual a qualidades dos materiais, o tipo de execução e até as condições ambientais e climáticas de quase 60 anos atrás”, explica.

Banco de dados de pontes
O trabalho do grupo de estudantes de engenharia civil que foi a campo procurou diagnosticar os seguintes aspectos das pontes: elementos estruturais, elementos críticos, importância da ponte no sistema viário e o custo para reparar o elemento com patologia ou para substituir a ponte, caso não fosse possível recuperá-la. A partir das informações coletadas, foi criado um sistema de gestão de pontes, e que foi aplicado nos dois estados: Paraná e Santa Catarina. “São os únicos estados que têm banco de dados de pontes no país”, diz Mauro Lacerda Santos Filho.

Ao todo, foram inspecionadas 553 pontes (190 no Paraná e 363 em Santa Catarina) sob a jurisdição do DNIT. Nas estradas paranaenses, o professor da UFPR afirmou que as patologias mais comuns são corrosão de armadura por desplacamento, seguido de manchas de umidade. “Mesmo assim, Paraná e Santa Catarina têm poucas pontes em péssimas condições, em comparação ao que se vê em outras regiões do país. Tem pontes em operação que estão sustentadas por escoramento de bambu no Brasil”, afirma Mauro Lacerda Santos Filho. Os dois estados são também os únicos que atendem um dos principais requisitos da ABNT NBR 9452:2016, que é a inspeção das obras de arte rodoviárias de dois em dois anos.

Saiba mais sobre a ABNT NBR 9452:2016, clique aqui.

Entrevistado
Engenheiro civil Mauro Lacerda Santos Filho, professor-doutor da Universidade Federal do Paraná e especialista nos seguintes temas: patologia das edificações, sistema de gerenciamento de pontes e performance estrutural

Contato
maurolacerda@ufpr.br

Crédito Foto: Cia de Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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