Argamassa estabilizada: veja cuidados na produção

Argamassa estabilizada proporciona ao usuário maior garantia técnica, melhor homogeneidade, melhor acabamento e menor desperdício de material.
Crédito: Luiz Alberto Trevisol Junior

O uso da argamassa estabilizada se tornou comum em todo o país, nos últimos anos o volume entregue em obra cresceu consideravelmente se comparado aos demais tipos de argamassa utilizados. Seus diversos benefícios estão sendo cada vez mais reconhecidos pelas construtoras e obras que fazem uso dos sistemas argamassados. Por se tratar de um material pronto para aplicação e de fácil uso, a argamassa proporciona um aumento da eficiência, além de reduzir as variações nas propriedades do material durante a construção. No entanto, seu uso, apesar de bastante difundido dentro das construtoras e fabricantes, ainda apresenta alguns desafios, como por exemplo, variações e erros de dosagem, falta de controle no processo produtivo e em obra, além da falta de cuidado no recebimento, armazenamento e uso da argamassa nos locais de aplicação. Tamanha a importância do tema, que o mesmo teve um espaço dedicado em dois seminários dentro do 64º Congresso Brasileiro do Concreto, em Florianópolis, em especial na palestra “Cuidados na Produção de Argamassa Estabilizada”, do engenheiro e mestre Luiz Alberto Trevisol, gerente técnico da Hobimix.

“A argamassa estabilizada é uma argamassa úmida pronta para uso, composta pela mistura de ligantes inorgânicos, agregados miúdos, aditivos e água, podendo conter adições, que mantém as suas propriedades físicas do estado fresco por um período prolongado. É produzida em central dosadora e entregue em caminhões betoneira”, afirma Trevisol Junior.

Por que usar a argamassa estabilizada?

De acordo com o gerente técnico da Hobimix, o uso da argamassa estabilizada proporciona inúmeras vantagens.

“Por se tratar de uma argamassa dosada e produzida em central, o controle técnico é rigoroso. Portanto, proporciona ao usuário uma maior garantia técnica, já que todo o processo produtivo é monitorado em tempo real, começando no registro dos traços pelo departamento técnico, passando pela caracterização e controle das matérias primas, que no processo são todas dosadas em massa, em balanças calibradas periodicamente, com uso de aditivos de última geração. Além disso, há o uso da tecnologia da informação para registrar todas as variações do processo em tempo real, garantindo assim que as cargas produzidas atendam rigorosamente o que foi pré-determinado pelo departamento de desenvolvimento em relação ao desempenho do produto, garantindo uma menor variação do traço”, explica.

O controle técnico realizado pela empresa produtora também é uma garantia para o cliente. Da mesma forma, os ensaios de liberação das cargas, moldagens de corpos de prova e a validação das propriedades mecânicas garantem o desempenho e a durabilidade da argamassa entregue, segundo Trevisol Júnior.

Ainda, o engenheiro aponta que a argamassa estabilizada oferece melhor homogeneidade, melhor acabamento e menor desperdício de material.

Em obra, a logística de canteiro também é vantajosa, já que a argamassa chega pronta e em condições de uso. Isso diminui o tempo de espera nos pontos de aplicação e, aumenta a produtividade e, consequentemente, gera uma considerável redução de custo”, afirma Trevisol Junior.

Cuidados na produção: estabilidade da argamassa

De acordo com gerente técnico da Hobimix, a estabilidade da argamassa está relacionada principalmente a três fatores: retenção de água, manutenção do ar incorporado e desempenho e dosagem do aditivo estabilizador.

“Para que esses fatores sejam garantidos e respeitados é importante entendermos das propriedades físicas e químicas dos materiais constituintes no traço. Por exemplo: uma boa distribuição granulométrica da areia facilita a incorporação de ar, regula o consumo e retenção de água. O tipo de cimento interfere diretamente no desempenho da argamassa, já que os cimentos possuem características diferentes e, consequentemente, a compatibilização com os aditivos químicos também é diferente”, expõe Trevisol Junior.

Argamassa estabilizada proporciona ao usuário maior garantia técnica, melhor homogeneidade, melhor acabamento e menor desperdício de material.
Crédito: Luiz Alberto Trevisol Junior

A respeito dos aditivos, é importante entender se as bases químicas são compatíveis com o cimento utilizado. “A dosagem e desempenho deles dependem dessa compatibilização. Uma dosagem racional parte do entendimento das propriedades dos materiais. O aditivo incorporador de ar é responsável pela formação de bolhas a partir de cadeias apolares de cargas negativas. Ao se aproximarem, geram o efeito de repulsão fazendo com que haja um deslizamento, proporcionando à argamassa a plasticidade. As bolhas formadas não geram capilares entre si, impedindo assim a saída de água da argamassa colaborando na retenção de água”, destaca Trevisol Junior.

Ainda, o aditivo estabilizador é responsável por envolver os grãos de cimento, impedindo a chegada da água, evitando assim a hidratação do cimento. “O tipo de açúcar utilizado na fabricação deste aditivo interfere diretamente na estabilidade e no comportamento da argamassa no estado endurecido. O tipo e a quantidade de cal também são um balizador na estabilidade da argamassa. Pela simples presença de Hidróxido de Cálcio - Ca(OH)₂, há um consumo maior de aditivo estabilizador. Por fim, o armazenamento da argamassa em obra deve garantir que a água presente na mesma não seja perdida. Desta forma sugere-se a película de água sobre a argamassa entregue nas caixas”, propõe o engenheiro.

Controle tecnológico 

Trevisol Junior explica que o controle tecnológico na Hobimix é dividido em três níveis/etapas:

  • Controle de liberação das cargas: todas as cargas produzidas passam por uma avaliação. São realizados dois ensaios: índice de consistência pelo método flow table e o teor de ar incorporado pelo método gravimétrico. Esses ensaios são realizados pelos próprios motoristas e os resultados são registrados em uma ficha de carregamento que contém os parâmetros máximos e mínimos para cada um dos ensaios. Se, por uma eventualidade, os parâmetros fugirem do padrão, o departamento técnico é acionado para correção antes da liberação das cargas para a obra.
  • Retenção de amostras das argamassas: é feita de forma estatística. Com as amostras, são realizadas avaliações de estabilidade (ensaios de ar e consistência) dentro do período de uso da argamassa, além de moldagens de corpos de prova para a realização de ensaios mecânicos no estado endurecido.
  • O terceiro nível de controle é realizado em parceria com algumas obras, onde estão posicionados a grande parte do volume produzido. O departamento técnico faz a coleta da argamassa em obra. Nessa etapa, é realizado o ensaio de teor de ar incorporado para avaliar como a argamassa está chegando em obra. A partir daí, são registradas as informações de onde a argamassa está sendo aplicada: qual pavimento, se o uso é interno ou externo, qual o tipo de substrato, se tem chapisco ou não, além de todas as informações de carregamento e horários. Com as amostras coletadas são realizados ensaios de estabilidade, calorimetria para identificar início e fim de pega, retenção de água, além da moldagem de corpos de prova para a realização dos ensaios no estado endurecido. Esse acompanhamento gera uma ficha de registro, que é utilizada como demonstrativo de resultado, caso o cliente solicite, e como identificação de possíveis pontos de correção e/ou melhoria pelo departamento técnico.

Por outro lado, o controle em obra realizado pela construtora/cliente dificilmente é realizado, de acordo com Trevisol Junior. “Pela falta de normas que exigem tal controle, a maioria das construtoras se atém a realizar apenas a validação das argamassas em pequenos panos teste ou em prismas moldados (no caso de argamassas de assentamento) antes do início do uso das argamassas. Durante a obra, são pouquíssimas construtoras que fazem um acompanhamento”, conclui o gerente técnico da Hobimix.

Entrevistados

Luiz Alberto Trevisol Junior, gerente técnico da Hobimix é engenheiro civil, mestre em engenharia de materiais com trabalho voltado ao estudo das propriedades e desempenho da argamassa estabilizada

Contato
luiz.alberto@hobimix.com.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP


Engenheiro civil explica a importância da Avaliação do Ciclo de Vida na construção

Avaliação do Ciclo de Vida na construção é essencial para reduzir impactos ambientais.
Crédito: Envato

A conscientização das empresas em colocar a sustentabilidade como uma meta real é algo fundamental para que seja possível reduzir os impactos ambientais a médio e longo prazo. E a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) é um procedimento que serve exatamente para mensurar e avaliar os impactos que um produto ou material causa no meio ambiente e, consequentemente, na saúde humana, ajudando na escolha das melhores opções. 

O professor, doutor e engenheiro civil Ricardo Couceiro Bento é especialista no tema e promoveu um curso sobre o assunto no 64º Congresso Brasileiro do Concreto, realizado pelo Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto) de 18 a 21 de outubro, em Florianópolis. Ele conta que seu enfoque é nas estruturas de concreto armado, e que, apesar da metodologia já ser aplicada no exterior desde 1990, ainda há muitas dúvidas sobre a ACV.

Por isso, o Massa Cinzenta pediu para que o engenheiro explicasse alguns pontos básicos sobre a utilização da Avaliação do Ciclo de Vida na construção civil. Ele também é membro do Ibracon, da Abece (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural), do Instituto de Engenharia e do GPBE (Grupo Português do Betão Estrutural).

Qual a importância da Avaliação do Ciclo de Vida para a construção civil? É algo obrigatório de se fazer?

Ricardo Couceiro Bento - As empresas necessitam reduzir os impactos ambientais resultantes de suas atividades. A construção civil é uma das grandes consumidoras de recursos materiais e energéticos, além de emissora de gases do efeito estufa.

A ACV é um procedimento sistemático para mensurar e avaliar os impactos que um produto ou material causa no meio ambiente e sobre a saúde humana, o que a torna o melhor procedimento para o diagnóstico e tomadas de decisão, para ser efetuada a melhoria de nossos produtos.

A ACV não é obrigatória, espera-se que em um futuro próximo seja ao menos incentivada pela sociedade, talvez por meio de liberação facilitada de créditos para a construção de quem a efetuar e aplicar melhorias embasadas nela.

É um processo demorado, como um todo? Quais são as fases de avaliação?

Professor e engenheiro civil Ricardo Couceiro Bento.
Crédito: Divulgação

Ricardo Couceiro Bento - A adoção da ACV em edifícios e outras construções é uma tarefa complexa e tediosa. Uma construção incorpora centenas de produtos individuais, e em um projeto de construção pode haver dezenas de empresas envolvidas.

Além disso, o ciclo de vida esperado de um edifício é excepcionalmente longo, as fronteiras do sistema não são claras, etc. Assim sendo, a ACV, então, não pode ser realizada no setor da construção com o mesmo nível de detalhe como na indústria.

As fases de uma ACV são, primeiro, a definição de um objetivo claro e execução de um escopo, em seguida, a execução de um inventário. Posteriormente, é efetuada uma avaliação do impacto do ciclo de vida - essa fase tem a função de agregar os dados do inventário e apoiar a interpretação, que seria a fase final.

O sistema de avaliação foi se aperfeiçoando de qual forma, ao longo do tempo?

Ricardo Couceiro Bento - A ACV é normalizada por um conjunto de normas da série ISO 14040. O aperfeiçoamento tem sido feito com uma abordagem conceitual da complexa avaliação das estruturas, que é uma avaliação do ciclo de vida integrada (ACVI). Esta abordagem integra os principais aspectos da sustentabilidade: 

  • aspectos ambientais; 
  • aspectos econômicos; 
  • e aspectos sociais durante toda a vida da estrutura. 

Como é feito o cálculo de indicadores de desempenho ambiental no Brasil?

Ricardo Couceiro Bento - Os indicadores ambientais são projetados para avaliar o impacto ambiental da tecnologia ou atividade. Tais impactos estão principalmente relacionados ao uso de recursos naturais (INPUTS do ciclo de vida) e à geração de resíduos e emissões (OUTPUTS do ciclo de vida).

No Brasil quanto no exterior, o desejável é que a indústria promova a execução de Declarações Ambientais do Produto (DAP). As DAPs sinalizam o compromisso do fabricante em medir e reduzir o impacto ambiental dos seus produtos e serviços e reportar esses impactos de uma forma transparente.

Com uma DAP, os fabricantes reportam dados comparáveis, objetivos e verificados por terceiros. Na falta desses [dados], o que ainda é predominante, temos estudos nacionais em desenvolvimento, que acabam utilizando valores com uma grande margem de variação.

Fontes
Congresso Brasileiro do Concreto
Ricardo Couceiro Bento, professor e engenheiro civil

Jornalista responsável
Fabiana Seragusa 
Vogg Experience


Nova bateria de cimento poderá abastecer casas daqui a 18 meses, diz Franz Ulm

Um supercapacitor feito apenas de cimento, carbono negro e água é a nova criação divulgada por pesquisadores do prestigiado Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Cambridge, na região de Boston, nos Estados Unidos.

Pesquisador Franz-Josef Ulm falou com exclusividade ao Massa Cinzenta.
Crédito: Reprodução/MIT

Assinado pelos professores Franz-Josef Ulm, Admir Masic e Yang-Shao Horn, do MIT, o estudo explica que este equipamento poderá ser utilizado como um novo sistema de armazenamento de energia elétrica, de baixo custo, ajudando na transição mundial para as energias renováveis.

Os especialistas citam como exemplos dois usos importantes desse supercapacitor. Ele poderia ser incorporado à fundação de concreto de uma casa, armazenando energia para um dia inteiro, com pouco ou nenhum custo adicional ao projeto. E também seria uma opção para estradas de concreto, que forneceriam recarga para carros elétricos de forma automática, enquanto eles trafegam pelas vias.

Franz-Josef Ulm, professor de Engenharia Civil e Ambiental e um dos pesquisadores do estudo, disse ao Massa Cinzenta quando ele avalia que o supercapacitor irá se tornar realidade, podendo ser utilizado, de fato, no dia a dia. "Dezoito meses para uma casa independente de energia. E aproximadamente 5 anos para estradas com carregamento automático."

Tecnologia ajudará na transição mundial para as energias renováveis
Crédito: Divulgação/MIT

Ulm afirma que "a tecnologia tem certamente potencial para ser disruptiva, no que diz respeito ao armazenamento de energia", e que o diferencial se dá porque ela pode ser produzida e operada em qualquer lugar, por qualquer pessoa, com baixo custo. "Isto torna o supercapacitor muito diferente de outras soluções de armazenamento de energia. Se isso conduzirá a uma revolução no setor de energias renováveis, é uma questão de saber com que rapidez esta tecnologia será adotada ao redor do mundo", declara o pesquisador. "Todos sabemos que tal revolução é necessária para combater as alterações climáticas e para que possamos passar dos combustíveis fósseis para as energias renováveis, em maior escala", complementa.

Como funciona o supercapacitor

De acordo com a MIT, os capacitores são dispositivos, em geral, simples, constituídos por duas placas eletricamente condutoras, que têm a capacidade de se manterem carregadas de energia e liberá-la quando necessário, rapidamente. Já o supercapacitor pode armazenar cargas muito maiores, como é o caso da novidade apresentada no estudo.

Supercapacitor poderá armazenar energia obtida de painéis solares
Crédito: Divulgação/MIT
Supercapacitor poderá armazenar energia obtida de painéis solares.
Crédito: Divulgação/MIT

Para chegar a esse equipamento, os pesquisadores quiseram criar uma opção ao que existe atualmente, já que, segundo eles, as baterias existentes são muito caras e dependem principalmente de materiais como o lítio, cujo fornecimento é limitado. E armazenar energia é algo essencial, já que formas alternativas de energia, como eólica e solar, são produtivas em períodos variáveis, que muitas vezes não correspondem aos picos de utilização.

O professor Ulm também revelou ao Massa Cinzenta que, até o momento, os experimentos estão sendo feitos em menor escala. "Agora, somos capazes de armazenar a energia e a potência para carregar um smartphone num sistema de 12 volts. Estamos trabalhando na combinação desses sistemas de 12 volts para atingir a potência necessária para uma casa", explica.

Fontes

Massachusetts Institute of Technology (MIT)

Franz-Josef Ulm, professor de Engenharia Civil e Ambiental do MIT

Jornalista responsável

Fabiana Seragusa

Vogg Experience


Empresa UOVO produz tanques em formato de ovos de concreto para a indústria vinícola

Instalada em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, a UOVO é a primeira empresa do Sul do Brasil a produzir tanques de concreto para a indústria vinícola e de destilados. A ideia do projeto foi ser uma alternativa para empresas que buscam processos de elaboração especiais para as bebidas, já que o formato e o material utilizados proporcionam diversos benefícios.

Empresa oferece dois modelos de tanques: ovóide e esfera. Crédito: Wagner Meneguzzi
Empresa oferece dois modelos de tanques: ovóide e esfera.
Crédito: Wagner Meneguzzi

O lançamento oficial foi realizado durante a ProWine, em São Paulo, entre os dias 3 e 5 de outubro. Paula Grazia Reginato, diretora da UOVO ao lado de Pedro Antônio Reginato e Adelar Silvestro, contou ao Massa Cinzenta que a participação na feira foi definitiva para que outros mercados produtores, não só os brasileiros, conhecessem a proposta e a história da empresa - e para que também pudessem constatar, pessoalmente, a qualidade dos produtos.

"Além disso, a troca de ideias, sugestões com produtores que já utilizam esses tipos de tanques (principalmente na Argentina, Uruguai e Chile), foi de extrema importância para identificarmos possíveis melhorias futuras", afirma Paula. "O reconhecimento pelo público, pela iniciativa da UOVO em fazer esses modelos em escala industrial no Brasil, foi muito satisfatório, pois é uma tendência do mercado de bebidas o uso de tanques de concreto, que está chegando com mais força no Brasil recentemente", explica.

Expertise no ramo de concreto

A UOVO já surgiu tendo como respaldo a experiência de 44 anos da Concresul, que é cliente exclusivo da Itambé, e de 20 anos da Acor Tintas e Revestimentos. As empresas são consideradas referência em serviços como pavimentação asfáltica, britagem e central dosadora de concreto (no caso da Concresul), e argamassa pronta e tintas prediais (no caso da Acor), entre outros.

Pedro Antônio Reginato e Paula Grazia Reginato, diretores e sócios da UOVO. 
Crédito: Wagner Meneguzzi
Pedro Antônio Reginato e Paula Grazia Reginato, diretores e sócios da UOVO.
Crédito: Wagner Meneguzzi

Os diretores da UOVO, que atuam nestas empresas e acumulam sólido know-how nestas áreas, oferecem, agora, seus conhecimentos neste novo projeto ao unir as paixões pelo trabalho em concretagem, tintas minerais e revestimentos com as nuances do mundo do vinho e destilados.

Paula Grazia Reginato diz que foram dois anos de pesquisa, projetos e testes até chegarem aos dois modelos disponibilizados atualmente, o tanque ovóide e em esfera. "Temos planos de lançar novos modelos, mas antes queremos 'sentir' o mercado. A demanda dos clientes, não só da indústria vinícola, mas também de cervejarias e outras bebidas, vão dar a direção a seguir, não só em termos de modelos, mas também de capacidade."

A diretora ressalta que os tanques de concreto são fabricados em diversos países da Europa, nos Estados Unidos e, mais recentemente, na Argentina. "Os produtores brasileiros costumam importar de fornecedores italianos, franceses e, em alguns casos, da Argentina. Além do trâmite para importação do produto, o frete é um fator que também pesa bastante, afinal, são tanques pesados, e em alguns casos envolvem transporte marítimo", afirma Paula, destacando o benefício de haver um produto fabricado no país. "A UOVO tem as vantagens de estar em solo brasileiro, em meio a uma das principais regiões produtoras de vinhos, otimizando atendimento, entrega e pós-venda."

Benefícios do tanque de concreto

De acordo com a UOVO, o tanque de concreto, sem cantos e bordas, faz com que o vinho se movimente de forma constante no interior oval do recipiente, sem sofrer interferência externa e tendo pouco contato com o oxigênio, e a porosidade do material (que proporciona a micro-oxigenação lenta e gradual) preserva o caráter frutado do vinho, deixando-o limpo e íntegro tanto no visual quanto no paladar.

Além disso, o material proporciona temperatura constante e natural, facilidade de limpeza e durabilidade dos tanques. Atualmente, a UOVO oferece opções de tanques para vinhos tintos com capacidade para 1,125 mil litros (formato oval) e 1,5 mil litros (esfera).

O Merlot safra 2022 da Vistamontes, de Bento Gonçalves, foi o primeiro vinho elaborado nos tanques da UOVO. Ele ficou armazenado por nove meses nos ovos de concreto, destacando a fruta e o frescor da bebida.

Fontes

UOVO

Paula Grazia Reginato, diretora da UOVO

Jornalista responsável

Fabiana Seragusa

Vogg Experience


Curso técnico na construção civil: quais as opções e as vantagens?

Em agosto de 2023, a construção civil registrou 28.359 novos postos de trabalho com carteira assinada em todo o país, segundo dados do Ministério do Trabalho. Com isso, o setor responde por 16% dos novos empregos criados no Brasil, de acordo com a economista da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Ieda Vasconcelos. Dentro deste cenário, o setor se mostra bastante promissor.

Para quem deseja trabalhar na área, há várias possibilidades de atuação e de formação – além da graduação tradicional em cursos de Engenharia, há ainda as opções de fazer cursos técnicos e tecnológicos. Veja como eles funcionam e como escolher a melhor opção para a sua carreira.

Diferenças entre cursos técnicos e tecnológicos

Em primeiro lugar, é preciso entender que há algumas diferenças entre cursos técnicos e tecnológicos. Confira como funcionam cada um deles:

Cursos técnicos

Normalmente, são cursos de nível médio, com duração, em geral, entre 1 e 2 anos, com objetivo de promover formação profissional de nível tático-operacional. “Eles preparam os alunos para cargos técnicos em várias (macro)áreas, como informática, edificações, eletrônica, enfermagem, mecânica, entre outras”, informam Carlos Eduardo Machado de Oliveira, instrutor de Formação Profissional, tecnólogo em Edifícios e Mestre em Engenharia de Produção do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI – SP); e João Batista da Silva, coordenador de Atividades Pedagógicas e Engenheiro Industrial Mecânico do (SENAI – SP), pedagogo e especialista em Gestão Escolar.

Ainda, segundo Oliveira e Silva, cursos técnicos estão disponíveis para estudantes que concluíram o ensino médio ou para estudantes do ensino médio que escolheram fazer o 5º itinerário.

O curso técnico é uma formação de nível médio, enquanto o curso de tecnólogo é uma graduação de nível superior.
Crédito: Envato

Cursos tecnológicos

São cursos de nível superior, com duração, geralmente, entre 1, 5 e 3 anos que oferecem uma formação mais abrangente e aprofundada em áreas mais específicas (micro), como tecnologia da informação, edifícios, pavimentação, controle de obras, design, entre outras. “São cursos que promovem formação profissional de nível tático-estratégico”, explicam Oliveira e Silva.

Os cursos tecnológicos, por sua vez, requerem um diploma de ensino médio ou equivalente para ingresso. Os pré-requisitos específicos podem variar de acordo com a instituição e o curso, então é importante verificar os requisitos individuais de cada programa, segundo Oliveira e Silva.

Cursos mais procurados na construção civil

De acordo com Oliveira e Silva, alguns cursos populares na área de construção civil incluem:

  • Técnico em Edificações;
  • Tecnologia de Edifícios;
  • Tecnologia de Controle de Obras (além da Engenharia Civil);
  • Mestre de Obras;
  • Construtor de Edificações;
  • Construtor de Alvenaria;
  • Assentador de Revestimento Cerâmico.

“A maior procura por esses cursos pode ser atribuída à alta demanda por profissionais qualificados na indústria da construção, devido ao contínuo crescimento urbano e desenvolvimento de infraestrutura em muitas regiões. No SENAI-SP, o curso Técnico de Edificações, ofertado na modalidade presencial em duas unidades, possui alta procura, recebendo estudantes de variados níveis de formação, inclusive já formados em arquitetura e engenharia civil, sob o argumento de ser um curso mais prático, mais atualizado”, afirmam Oliveira e Silva.

Como escolher um bom curso técnico/tecnológico na construção civil?

Para selecionar a melhor opção para a sua carreira, Oliveira e Silva indicam refletir sobre os seguintes tópicos:

  • Interesses e objetivos: Considere seus interesses e objetivos de carreira para escolher um curso que esteja alinhado com seus planos futuros.
  • Reputação da instituição: Pesquise sobre a reputação da instituição de ensino, a qualidade do programa e se o curso específico é reconhecido pelo MEC. Vale lembrar que mesmo instituições de ensino populares podem possuir, em seu portfólio, algum curso ainda não reconhecido pelo MEC, ou mesmo, descredenciado.
  • Carga horária e duração: Verifique a carga horária do curso, sua programação e sua duração para garantir que se encaixe em sua programação e disponibilidade. Também pode ser uma opção, a verificação de oferta do curso na modalidade EAD (Ensino à Distância).
  • Oportunidades de estágio/prática: Procure programas que ofereçam oportunidades práticas, estágios ou cooperação com empresas.
  • Perspectivas de emprego: Avalie as perspectivas de emprego na área relacionada ao curso que pretende fazer.
  • Atualização tecnológica: A indústria, em geral, está em constante transformação, para atender às demandas e necessidades de uma sociedade cada vez mais complexa e exigente. Busque cursos que contemplem as novas tendências e ferramentas tecnológicas atuais e/ou inovadoras.

Onde é possível atuar com estes cursos?

Os cursos técnicos e tecnológicos em construção civil preparam os profissionais para cargos específicos em diversas áreas. Segundo o Senai-SP, dependendo do curso escolhido, os formados podem atuar em:

  • Empresas de construção civil (Incorporadoras, Construtoras e Casas de Materiais de Construção);
  • Empresas de engenharia e arquitetura (Serviços especializados);
  • Laboratórios de ensaios tecnológicos.

Dentre as áreas de atuação estão:

  • Gerenciamento de projetos de construção;
  • Desenvolvimento de projetos arquitetônicos e de engenharia;
  • Planejamento operacional de obras;
  • Inspeção e fiscalização de obras;
  • Controle tecnológico de materiais e serviços.

“Esses cursos fornecem habilidades práticas e teóricas que são valorizadas no mercado de trabalho e podem levar a oportunidades de carreira sólidas na área de construção civil e indústrias relacionadas”, afirmam Oliveira e Silva.

Entrevistados

Carlos Eduardo Machado de Oliveira é instrutor de formação profissional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI – SP) e tecnólogo em edifícios e mestre em Engenharia de Produção.

João Batista da Silva é coordenador de Atividades Pedagógicas do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI – SP) e engenheiro industrial mecânico, pedagogo e especialista em Gestão Escolar.

Contato:

Assessoria de imprensa Senai-SP: ewerton.ferrari@sp.senai.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP


NR 18: Como fazer a comunicação prévia de obras?

Desde janeiro de 2022, entrou em vigor uma nova versão da NR 18. Esta norma trata da segurança e saúde no trabalho na indústria da construção. Este novo texto realizou uma revisão em todas as normas para que elas se tornassem mais harmônicas e houvesse uma desburocratização.

De acordo com José Bassili, gerente de Segurança Ocupacional do Seconci-SP (Serviço Social da Construção), estas normas vinham desde 1978 e havia algumas contradições no texto. “Este processo tornou a norma mais enxuta, clara e objetiva, mas sem nenhum prejuízo para a saúde ou segurança dos trabalhadores”, afirma.

Comunicação prévia de obras

Uma das questões previstas nesta atualização da NR 18 é a obrigatoriedade de comunicar sobre obras de construção à unidade da Inspeção do Trabalho, antes do início das atividades. Este procedimento é realizado por meio do Sistema de Comunicação Prévia de Obras (SCPO).

Cadastro das obras é gratuito; caso não seja realizado está sujeito a multa.
Crédito: Envato

Segundo o Ministério do Trabalho e do Emprego, o sistema disponibilizado pelo governo pode ser utilizado por pessoas físicas e pessoas jurídicas de direito privado que forem realizar/executar obras de construção.

De acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), esta medida tem como objetivo “garantir segurança jurídica e evitar a imposição de autos de infração e das multas decorrentes”. Caso a comunicação não seja feita, poderá ser aplicada uma multa, cujo valor está disposto no quadro de gradação de multas e classificação das infrações da NR 28.

Passo a passo para comunicação prévia de obras

Veja abaixo todas as etapas necessárias para fazer a comunicação das obras, de acordo com informações do Ministério do Trabalho e do Emprego:

  1. Realizar cadastro no Sistema SCPO

Acessar o site http://scpo.mte.gov.br/ e realizar o cadastro. Para esta etapa, o usuário deve ter em mãos o número do CPF do responsável pela empresa perante a Secretaria da Receita Federal. Para obras de pessoa física, é necessário o Cadastro Específico do INSS – CEI.

Vale lembrar que no caso de obras de pessoa jurídica, o usuário deve ter autorização da empresa para comunicar as obras. “Comunicações falsas ou realizadas por pessoas não autorizadas estão sujeitas a punição administrativa, cível e criminal”, informa o Ministério do Trabalho e do Emprego.

Outra questão importante é que caso a empresa responsável principal pela obra já tenha comunicado a obra ao Ministério do Trabalho e do Emprego, as empreiteiras contratadas também devem comunicar as obras sob sua responsabilidade, mesmo que se trate de empreitada parcial. Isso porque a NR-18 traça obrigações aos empregadores que desenvolvem atividades na indústria da construção.

  1. Comunicar informações da Obra

Aqui, o usuário deve fornecer as seguintes informações do Ministério do Trabalho e do Emprego:

  • Endereço correto da obra;
  • Endereço correto e qualificação (CEI,CGC ou CPF) do contratante, empregador ou condomínio;
  • Tipo de obra;
  • Datas previstas do início e conclusão da obra;
  • Número máximo previsto de trabalhadores na obra.
  1. Obter recibo da Comunicação Prévia

Ao finalizar a etapa anterior, o sistema irá gerar um recibo que poderá ser impresso. É importante saber que este documento é o comprovante de cumprimento da obrigação. Portanto, deve ser guardado.

Quanto custa fazer a comunicação prévia de obras?

O serviço é gratuito, segundo informações do Ministério do Trabalho.

Entrevistados/Fontes

José Bassili, gerente de Segurança Ocupacional do Seconci-SP (Serviço Social da Construção)

Ministério do Trabalho e do Emprego

Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)

Contato
Assessoria de imprensa – Seconci-SP: dbarbara@sindusconsp.com.br


Construção movimentará quase R$ 800 bilhões na economia brasileira até 2026

Área de habitação deve receber investimentos de R$ 316,7 bilhões, relacionados ao programa Minha Casa, Minha Vida.
Crédito: Ministério das Cidades

Um estudo feito pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) mostrou que a indústria da construção movimentará R$ 796,4 bilhões na economia brasileira até 2026. Dentro deste valor, consideraram-se R$ 663,6 bilhões em investimentos em habitação e infraestrutura e R$ 132,8 bilhões relacionados à demanda por insumos da cadeia produtiva.

O estudo também aponta que a movimentação de R$ R$ 796,4 bilhões tem potencial para gerar 2,4 milhões de empregos em cada ano de execução das obras previstas.

De acordo com a análise, o Sudeste receberá o maior volume de recursos (R$ 233,17 bilhões). Em seguida estão o Nordeste (R$ 204,13 bilhões), o Norte (R$ 85,60 bilhões), o Centro-Oeste (R$ 73,33 bilhões) e o Sul (R$ 67,35 bilhões).  

Obras na área de habitação

Dos R$ 663,6 bilhões em investimentos em habitação e infraestrutura, o estudo avalia que a previsão é de que a área de habitação receba R$ 316,7 bilhões, relacionados ao programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal.

Obras na área de infraestrutura

No setor de infraestrutura estão previstos investimentos em rodovias, ferrovias e saneamento, que devem somar R$ 346,9 bilhões para os próximos anos (quadriênio 2023-2026). Entre os investimentos atrelados à cadeia produtiva (R$ 132,8 bilhões), destacam-se R$ 28,48 bilhões do setor de minerais não metálicos e R$ 18,31 bilhões da metalurgia.

Segundo Isaque Ouverney, gerente de Infraestrutura da Firjan, o destaque vai para o setor de rodovias, mobilidade urbana, ferrovias, saneamento, portos e aeroportos. “Grande parte desses investimentos estão relacionados ao relevante número de concessões recentemente contratadas (e, por consequência, em fase inicial de investimentos), além daquelas anunciadas para os próximos anos”, explica ao Massa Cinzenta.

De acordo com Ouverney, no estado do Rio de Janeiro, entre os principais investimentos a serem destacados estão: 

  • obras previstas na concessão das rodovias federais BR-101 e BR-116 (que ligam o Rio de Janeiro a São Paulo); 
  • obras previstas na concessão das rodovias federais BR-116, BR-465 e BR-493 (ligação entre o Rio de Janeiro e o município mineiro de Governador Valadares); 
  • obras de dragagem nos portos de Itaguaí e do Rio de Janeiro
  • concessão da BR-040, com prioridade para a conclusão da nova pista de subida da Serra de Petrópolis; 
  • estudos para a construção da EF-118 (Rio-Vitória);
  • no setor de saneamento, especialmente impulsionado pela concessão da CEDAE, além de obras de expansão da cobertura da rede de coleta e tratamento de esgoto sanitário em vários municípios do estado.

Crescimento do setor deve se manter?

Entre 2020 e 2022, o setor da construção civil teve um grande crescimento. Com esses investimentos, os bons resultados devem se manter? Para Ouverney, o setor da construção civil tem se mostrado, ao longo do tempo, de especial relevância para o desenvolvimento econômico e social do país. “Diante dos projetos anunciados para os próximos anos, especialmente os R$ 663,6 bilhões que devem ser investidos nos setores de infraestrutura e habitação, no âmbito do programa Minha Casa Minha Vida, a expectativa é de retomada de crescimento do setor em todo território nacional”, comenta.

Ainda, Ouverney acredita que o volume de investimentos previsto para os próximos anos tem potencial de mitigar os déficits habitacional e de infraestrutura brasileiros, os quais são desafios históricos que atrapalham o desenvolvimento do país.

“Contudo, para que esse potencial se materialize, se faz necessário que, paralelamente a esses investimentos, ocorra uma melhoria do ambiente de negócios do setor da construção, como uma efetiva implementação do planejamento realizado. Um ambiente de negócio mais favorável possibilita ao setor produtivo a previsibilidade necessária para fazer frente aos projetos apresentados, tanto no que tange à estruturação das empresas e atração de novos players, quanto a questões como, por exemplo, a qualificação e formação de mão de obra para o setor”, destaca o gerente de Infraestrutura da Firjan.

Investimento x cadeia do cimento

Dentro deste cenário, haverá algum investimento na cadeia do cimento? De acordo com Ouverney, a Indústria da Construção é responsável por prover as bases necessárias para o crescimento e o desenvolvimento de diversos outros setores da economia. “Com isso, os investimentos anunciados para o setor têm potencial para expandir a cadeia produtiva da construção como um todo, impactando positivamente na demanda por insumos provenientes de todos os elos de sua cadeia produtiva, o que inclui a indústria do cimento/concreto. Entre as demais indústrias que devem ser impactadas estão as de extração de pedra e areia, fabricação de produtos de madeira, tinta, materiais plásticos, vidro, produtos cerâmicos, estruturas metálicas e siderurgia, entre diversas outras”, pontua Ouverney.

Entrevistado
Isaque Ouverney é gerente de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Contato
Assessoria de imprensa Firjan: imprensa@firjan.com.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP


Burocracia pode custar R$ 59,1 bi ao setor de construção até 2025

74% dos entrevistados citam o tempo para aprovação de documentos nas prefeituras como maior problema.
Crédito: Envato

No Brasil, a burocracia no setor de construção pode custar R$ 59,1 bilhões a empresas e ao governo até 2025 em potenciais ganhos desperdiçados. Isto é o que mostrou o estudo “Burocracia na construção: o custo da ineficiência nos processos”, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), elaborado pela Deloitte.

A pesquisa foi conduzida durante os meses de março e abril de 2023 e ouviu 40 executivos das maiores empresas atuantes nos setores de Construção Imobiliária e de Infraestrutura no Brasil. Além disso, foram consultados líderes de órgãos públicos e cartórios com o objetivo de identificar os principais desafios de natureza burocrática que impactam os projetos de construção no país. 

Maiores entraves

De acordo com o estudo, na Construção Imobiliária, 74% dos entrevistados citam o tempo para aprovação de documentos nas prefeituras como maior problema, devido à falta de previsibilidade e planejamento e à necessidade de frequentes revisões. Já no setor de Infraestrutura, em que a espera pode se prolongar por até sete anos, 78% consideram o prazo demorado nos órgãos públicos como o maior entrave.

Para Milton Bigucci Junior, diretor técnico da MBigucci e presidente da Associação dos Construtores do Grande ABC, o tempo de aprovação de projetos é realmente algo que custa muito dinheiro. “Eu costumo falar que é mais rápido você construir o prédio efetivamente do que você aprovar os documentos dessa edificação. Para construir um prédio de 15 andares e 100 apartamentos, você faz isso em 18-20 meses. E para você aprovar uma edificação às vezes demora um ou dois anos para aprovação e depois mais alguns meses para retirar o certificado de conclusão. Fora as documentações no meio do caminho que você precisa apresentar. Essa burocracia é muito desgastante”, declara.

68% dos respondentes do setor de Construção Imobiliária afirmaram ter dificuldade no acompanhamento do processo e da documentação nos órgãos públicos, isto é, onde ficam retidos para assinatura, revisão ou aprovação. Já no setor de Infraestrutura, este índice foi de 43%.

Outro ponto levantado na pesquisa foi com relação à insegurança jurídica, causada pela falta de clareza quanto às legislações (ou pelo excesso delas), pela possibilidade de diferentes interpretações ou pelas mudanças constantes. 63% dos entrevistados de Construção Imobiliária indicaram ter essa dificuldade, enquanto 57% dos executivos de Infraestrutura veem este ponto como um dos principais desafios.

Ainda, outro desafio recorrente do setor é o desalinhamento entre órgãos e esferas públicas. Este tópico foi apontado por 53% dos entrevistados de Construção Imobiliária e 65% dos de Infraestrutura. No setor de Construção Imobiliária, 32% dos entrevistados apontaram a lentidão nos procedimentos de regularização como um desafio, enquanto no setor de Infraestrutura, esse problema foi mencionado por 74% dos participantes.

Outro exemplo de situação burocrática vem de Reinaldo Kaiser, fundador da Custo Real. “Houve um atraso no pagamento de uma medição do fundo que estávamos recebendo via CRI, por conta da falha na comunicação entre securitizadora, jurídico e companhia. Essa má comunicação entre os envolvidos desencadeou uma demanda para o cartório e sabemos que ali tudo é moroso. Isso afetou totalmente o canteiro da obra, onde paralisou a programação das atividades pois não tinha recurso para execução. Atrasando mais de 30 dias, pois a retomada não é eficaz. Só nesse caso específico foram mais de R$ 450 mil de prejuízo, pois a retomada da obra no ritmo que ela estava antes da paralização costuma ser crescente, ou seja, não é da noite para o dia que volta a velocidade que estava, pois contratações têm que ser refeitas, equipes realocadas e fornecedores reativados.”, explica.

A paralização de obras costuma ser uma grande questão para os empresários do setor. “Às vezes nós temos, por exemplo, obras previstas para iniciar no mês de fevereiro. E elas simplesmente não começam porque você não conseguiu aprovar o projeto. Aí você tem uma equipe de obra pronta para começar e você não pode dispensá-la porque daqui a dois, três ou quatro meses, essa obra vai ser aprovada e você vai precisar desse pessoal. Se você dispensá-los, para depois contratar outra equipe, é preciso treinar, colocá-la dentro da cultura da sua empresa, isso leva tempo e custa dinheiro. Então às vezes é mais vantajoso manter essa equipe, e você encaixa as pessoas em algumas outras obras, enfim, sem muita necessidade. No final, tudo isso aumenta o custo também”, aponta Bigucci.

Transformação digital como solução

As tecnologias digitais são um caminho apontado pelo estudo para transformar os processos. De acordo com a pesquisa, 33% das organizações já experimentaram processos completamente digitais e que reportaram melhora significativa no tempo de aprovação. Já 19% disseram ter feito o processo completamente digital, sem notar melhora significativa. Para 26%, a digitalização não representa, de fato, redução da burocracia, já que a quantidade de etapas e documentos ainda é elevada.

“Eu sou um entusiasta da parte de softwares, digitalização e tecnologia da informação, porque isso traz a agilidade que o empresário precisa para poder produzir e gerar emprego, pagar impostos, tudo certinho. E isso às vezes demora muito para acontecer devido a esse problema muito sério de burocratização que nós temos aqui”, pontua Bigucci.

Entrevistado
Milton Bigucci Junior é diretor técnico da MBigucci e presidente da Associação dos Construtores do Grande ABC.
Reinaldo Kaiser é fundador da Custo Real.

Contato
Milton Bigucci Junior: imprensa@mbigucci.com.br 

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP


Piso intertravado de concreto transforma ruas de Fortaleza; veja vantagens

Piso intertravado foi escolhido para pavimentar ruas de Fortaleza.
Crédito: Alex Costa/Prefeitura de Fortaleza

A Prefeitura de Fortaleza começa nesta terça-feira (10/10) a última fase das obras de urbanização da rua 24 de Maio, que terá seus 340 metros de extensão feitos com piso de concreto intertravado. A medida faz parte do Programa de Infraestrutura em Educação e Saneamento de Fortaleza (Proinfra), que tem como objetivo transformar as ruas da cidade com a nova pavimentação, garantindo melhor mobilidade e qualidade de vida aos moradores.

De acordo com informações obtidas pelo Massa Cinzenta junto à Prefeitura, até agora, 591 vias já passaram por obras de infraestrutura, que, além da pavimentação com blocos de concreto, também englobam outras intervenções, como construção de sistema de drenagem e novas calçadas.

A meta é renovar 1.115 ruas distribuídas pelas 12 Regionais da cidade, beneficiando mais de 160 mil pessoas. Já foram investidos cerca de R$ 580 milhões na viabilização das obras, e, ainda neste ano, Fortaleza deverá investir mais R$ 171 milhões, aproximadamente. 

Em relação à escolha no piso intertravado, a Prefeitura destaca que a pavimentação pode reduzir a sensação térmica em até 10 ºC, onde for instalada, amenizando a temperatura em períodos muito quentes. Samuel Dias, secretário da Infraestrutura, diz que a iniciativa vem sendo colocada em prática na cidade desde 2020 e que Paris também adota uma estratégia semelhante. "A capital francesa anunciou neste ano que planeja eliminar 40% de suas ruas asfaltadas por alternativas mais sustentáveis como o piso intertravado, além do plantio de árvores em áreas urbanas, visando a melhoria da sensação térmica e a qualidade do ar."

O engenheiro civil Alex Maschio, consultor da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e diretor do Instituto Ruas, reforça as vantagens obtidas com o uso do piso intertravado, que, segundo ele, são basicamente as mesmas geradas com a utilização do pavimento de concreto ou o whitetooping: maior durabilidade, menos absorção de calor, diminuição da necessidade de iluminação, entre outros benefícios. 

Prefeitura está na reta final para pavimentar com concreto intertravado a rua 24 de Maio.
Crédito: Daniel Calvet/Prefeitura de Fortaleza

"Um item que no intertravado fica mais ressaltado é a questão de você poder fazer uma manutenção, por exemplo, uma base, um afundamento. Você tira o material, refaz ali toda a sua composição de estrutura e reaproveita o mesmo intertravado", explica Maschio.

O especialista afirma que o intertravado de concreto pode ser usado em qualquer situação, mas que apenas não é muito indicado para o caso de solos muito moles, porque o piso "funciona muito similar ao asfalto": não deixa de ser um pavimento flexível, mas com revestimento rígido. Por isso, nesse caso, seria necessária uma estrutura mais reforçada para dar condição de suporte. "O pavimento de concreto moldado em loco seria uma opção mais interessante", diz.

Ainda sobre a comparação entre o intertravado e o pavimento de concreto, Maschio conta que os custos são similares, mas que, no caso da execução, o processo do intertravado acaba sendo mais fácil, já que as peças vêm prontas, pré-fabricadas. Por outro lado, "o pavimento rígido é executado mais rápido, pois o intertravado, na maioria dos casos, tem execução manual, e aí acaba demorando um pouquinho mais", detalha o engenheiro civil.

Fontes
Prefeitura de Fortaleza
Alex Maschio, engenheiro civil e consultor da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e diretor do Instituto Ruas

Jornalista responsável
Fabiana Seragusa 
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Saiba o que é a NR-4, sobre Serviços Especializados em Segurança e Medicina do Trabalho

NR-4 tem como meta proteger a integridade física do trabalhador.
Crédito: Envato

De acordo com o texto oficial do Governo, a NR-4 tem como finalidade promover a saúde e proteger a integridade do trabalhador, por meio de parâmetros e requisitos estabelecidos para a constituição e a manutenção do SESMT - Serviços Especializados em Segurança e Medicina do Trabalho.

O serviço trata da obrigatoriedade que as empresas têm de contratar profissionais especializados na área de saúde e segurança, usando como referência o número de funcionários e o grau de risco da atividade exercida. Alguns dos deveres do SESMT são: acompanhar a implementação do plano de ação do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), implementar medidas de prevenção, de acordo com a classificação de risco, e monitorar metas, indicadores e resultados de segurança e saúde no trabalho.

Além disso, deve promover a realização de atividades de orientação, informação e conscientização dos trabalhadores para a prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, propor a interrupção das atividades e a adoção de medidas corretivas e/ou de controle quando constatar condições ou situações que estejam associadas a grave e iminente risco para a segurança ou a saúde dos trabalhadores, e conduzir ou acompanhar as investigações dos acidentes e das doenças relacionadas ao trabalho.

Mudanças recentes na NR-4

Entrou em vigor em 12 de novembro de 2022 a nova versão da NR-4, publicada no Diário Oficial da União em agosto do ano passado, por meio da Portaria MTP nº 2.318. Uma das alterações têm a ver com a terceirização do SESMT. Ao contrário da versão anterior, agora, a norma não estabelece nenhuma limitação em relação aos integrantes desse serviço serem ou não funcionários da própria empresa. Com isso, as companhias podem escolher como contratar cada setor especializado.

Outra questão presente na nova NR-4 é a exigência de um registro, no site do governo, dos colaboradores que integrem o SESMT. Além disso, as empresas tiveram que operacionalizar o novo dimensionamento dos Serviços Especializados em Segurança e Medicina do Trabalho a partir de 2 de janeiro deste ano, de acordo com os novos termos da norma.

Ainda sobre as mudanças na NR-4, também há a previsão de que, a cada cinco anos, haja uma atualização do Quadro I da norma, que define o grau de risco para cada classe de atividade econômica. As alterações (ou não) vão levar em conta os indicadores de acidentalidade obtidos no período.

Irineu Gomes de Amorim Junior, Coordenador Corporativo de Engenharia de Segurança do Trabalho da Cimento Itambé, conversou com o Massa Cinzenta sobre a NR-4.

Quais são as especificidades da NR-4 em relação à construção civil?

Empresas devem contratar profissionais das áreas de saúde e segurança.
Crédito: Envato

Irineu Gomes de Amorim Junior: A NR-4, em sua última revisão (20/12/2022), não apresenta maiores especificidades em relação à construção civil. Há apenas um item, 4.5.4, o qual direciona que, para fins de dimensionamento, os canteiros de obras e as frentes de trabalho com menos de mil trabalhadores e situados na mesma unidade da federação não são considerados como estabelecimentos, mas como integrantes da empresa de engenharia principal responsável, a quem cabe organizar os SESMT.

Pode-se dizer que as diretrizes da NR-4 são fundamentais para garantir a segurança dos trabalhadores? O índice de acidentes ainda é alto? 

Irineu Gomes de Amorim Junior: Sem dúvida nenhuma, a NR-4 , através da constituição dos Serviços Especializados em Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT), é de fundamental importância para garantir a segurança dos trabalhadores. Os profissionais de segurança e saúde promovem assessoria às lideranças e dão suporte direto à operação, assegurando que os princípios de prevenção estejam constantemente sendo discutidos e tratados dentro das organizações. A promoção da saúde e a proteção da integridade do trabalhador, portanto, são as linhas mestras de atuação destes serviços. O desafio é muito grande para execução e realização desta missão, principalmente porque o Brasil ainda é um dos países “top 5” em acidentes de trabalho no mundo. Em outras palavras, um SESMT forte, atuante e engajado é de extrema importância para a reversão deste quadro. Isto só é possível com a visão clara e bem definida das empresas de que segurança e saúde são valores e não apenas prioridades, as quais se alteram com o tempo. Desnecessário ainda dizer que o SESMT isolado é bem menos eficiente do que quando atua de modo conjunto com os empregados, lideranças e CIPA.  

Como você avalia que as empresas se adequaram à atualização da Norma, publicada no final de 2022?

Irineu Gomes de Amorim Junior: Ainda é precoce a avaliação, já que toda alteração normativa tem o seu tempo de entendimento e aplicação. De modo geral percebe-se um aumento do nível de atendimento legal no Brasil, originário de maior entendimento das empresas quanto aos impactos do não cumprimento de requisitos trabalhistas. Também estamos neste momento no período de cadastro dos SESMT em nova plataforma do governo e após isso, poderemos ter uma visão mais correta do cenário atual. De fato, com o avanço tecnológico, o registro dos SESMT toma dimensão maior e se torna mais representativo, técnica e legalmente. Ainda há muito o que evoluir no texto da NR-4, principalmente quanto ao dimensionamento deste serviço (defasado desde o final da década de 70), mas percebe-se vontade e interesse – a nível legislativo, mesmo que lentos, de revisitar esta diretriz prevencionista.

Fontes
CBIC
Ministério do Trabalho e Emprego
Sinduscon-SP

Irineu Gomes de Amorim Junior, Coordenador Corporativo de Engenharia de Segurança do Trabalho da Cimento Itambé

Jornalista responsável
Fabiana Seragusa 
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