Construção movimentará quase R$ 800 bilhões na economia brasileira até 2026

Investimento tem potencial para gerar 2,4 milhões de empregos em cada ano de execução de obras previstas

Área de habitação deve receber investimentos de R$ 316,7 bilhões, relacionados ao programa Minha Casa, Minha Vida.
Crédito: Ministério das Cidades

Um estudo feito pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) mostrou que a indústria da construção movimentará R$ 796,4 bilhões na economia brasileira até 2026. Dentro deste valor, consideraram-se R$ 663,6 bilhões em investimentos em habitação e infraestrutura e R$ 132,8 bilhões relacionados à demanda por insumos da cadeia produtiva.

O estudo também aponta que a movimentação de R$ R$ 796,4 bilhões tem potencial para gerar 2,4 milhões de empregos em cada ano de execução das obras previstas.

De acordo com a análise, o Sudeste receberá o maior volume de recursos (R$ 233,17 bilhões). Em seguida estão o Nordeste (R$ 204,13 bilhões), o Norte (R$ 85,60 bilhões), o Centro-Oeste (R$ 73,33 bilhões) e o Sul (R$ 67,35 bilhões).  

Obras na área de habitação

Dos R$ 663,6 bilhões em investimentos em habitação e infraestrutura, o estudo avalia que a previsão é de que a área de habitação receba R$ 316,7 bilhões, relacionados ao programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal.

Obras na área de infraestrutura

No setor de infraestrutura estão previstos investimentos em rodovias, ferrovias e saneamento, que devem somar R$ 346,9 bilhões para os próximos anos (quadriênio 2023-2026). Entre os investimentos atrelados à cadeia produtiva (R$ 132,8 bilhões), destacam-se R$ 28,48 bilhões do setor de minerais não metálicos e R$ 18,31 bilhões da metalurgia.

Segundo Isaque Ouverney, gerente de Infraestrutura da Firjan, o destaque vai para o setor de rodovias, mobilidade urbana, ferrovias, saneamento, portos e aeroportos. “Grande parte desses investimentos estão relacionados ao relevante número de concessões recentemente contratadas (e, por consequência, em fase inicial de investimentos), além daquelas anunciadas para os próximos anos”, explica ao Massa Cinzenta.

De acordo com Ouverney, no estado do Rio de Janeiro, entre os principais investimentos a serem destacados estão: 

  • obras previstas na concessão das rodovias federais BR-101 e BR-116 (que ligam o Rio de Janeiro a São Paulo); 
  • obras previstas na concessão das rodovias federais BR-116, BR-465 e BR-493 (ligação entre o Rio de Janeiro e o município mineiro de Governador Valadares); 
  • obras de dragagem nos portos de Itaguaí e do Rio de Janeiro
  • concessão da BR-040, com prioridade para a conclusão da nova pista de subida da Serra de Petrópolis; 
  • estudos para a construção da EF-118 (Rio-Vitória);
  • no setor de saneamento, especialmente impulsionado pela concessão da CEDAE, além de obras de expansão da cobertura da rede de coleta e tratamento de esgoto sanitário em vários municípios do estado.

Crescimento do setor deve se manter?

Entre 2020 e 2022, o setor da construção civil teve um grande crescimento. Com esses investimentos, os bons resultados devem se manter? Para Ouverney, o setor da construção civil tem se mostrado, ao longo do tempo, de especial relevância para o desenvolvimento econômico e social do país. “Diante dos projetos anunciados para os próximos anos, especialmente os R$ 663,6 bilhões que devem ser investidos nos setores de infraestrutura e habitação, no âmbito do programa Minha Casa Minha Vida, a expectativa é de retomada de crescimento do setor em todo território nacional”, comenta.

Ainda, Ouverney acredita que o volume de investimentos previsto para os próximos anos tem potencial de mitigar os déficits habitacional e de infraestrutura brasileiros, os quais são desafios históricos que atrapalham o desenvolvimento do país.

“Contudo, para que esse potencial se materialize, se faz necessário que, paralelamente a esses investimentos, ocorra uma melhoria do ambiente de negócios do setor da construção, como uma efetiva implementação do planejamento realizado. Um ambiente de negócio mais favorável possibilita ao setor produtivo a previsibilidade necessária para fazer frente aos projetos apresentados, tanto no que tange à estruturação das empresas e atração de novos players, quanto a questões como, por exemplo, a qualificação e formação de mão de obra para o setor”, destaca o gerente de Infraestrutura da Firjan.

Investimento x cadeia do cimento

Dentro deste cenário, haverá algum investimento na cadeia do cimento? De acordo com Ouverney, a Indústria da Construção é responsável por prover as bases necessárias para o crescimento e o desenvolvimento de diversos outros setores da economia. “Com isso, os investimentos anunciados para o setor têm potencial para expandir a cadeia produtiva da construção como um todo, impactando positivamente na demanda por insumos provenientes de todos os elos de sua cadeia produtiva, o que inclui a indústria do cimento/concreto. Entre as demais indústrias que devem ser impactadas estão as de extração de pedra e areia, fabricação de produtos de madeira, tinta, materiais plásticos, vidro, produtos cerâmicos, estruturas metálicas e siderurgia, entre diversas outras”, pontua Ouverney.

Entrevistado
Isaque Ouverney é gerente de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Contato
Assessoria de imprensa Firjan: imprensa@firjan.com.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP



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