Brasil precisa construir 1,2 milhão de moradias por ano | Cimento Itambé

Brasil precisa construir 1,2 milhão de moradias por ano

Meta é inalcançável no momento, mas venda de imóveis novos para as classes A, B e C se recuperou ao longo de 2018

Brasil precisa construir 1,2 milhão de moradias por ano

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deficit habitacional

Imóveis novos de médio e alto padrão foram os que mais registraram aumento nas vendas em 2018. Crédito: Getty Images

Levantamento feito pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), aponta que o déficit de moradias cresceu 7% em apenas 10 anos, de 2007 a 2017, atingindo 7,78 milhões de unidades habitacionais. Os números de 2018 ainda não foram consolidados, mas a expectativa é de que o déficit tenha entrado em 2019 já ultrapassando a casa dos 8 milhões. As razões para o aumento são conhecidas: redução do crédito para financiamento de imóveis, desemprego em alta a partir dos anos de crise e queda na renda das famílias.

Entre 2015 e 2017, o déficit avançou em mais de 200 mil unidades por ano. O estudo FGV/Abrainc aponta que, para atender à demanda por moradias no país, será necessário construir 1 milhão e 200 mil habitações por ano, até 2029. Esse é um dos desafios do governo federal: barrar o avanço do déficit habitacional e criar um novo ambiente para que o mercado se sinta estimulado a construir. Porém, os números mais recentes mostram que se trata de meta inalcançável no momento. Em 2018, foram vendidas 115.876 unidades em todo o Brasil, já incluídas as do programa Minha Casa Minha Vida.

Os dados da pesquisa FGV/Abrainc mostram que os números reais não representam nem 10% da quantidade de unidades que deveriam ser construídas e vendidas anualmente para amortizar o déficit habitacional do país. No entanto, dentro do quadro real, há o que comemorar. O volume de vendas de imóveis novos cresceu 6,6% em 2018, em relação a 2017. Também houve um aumento expressivo de negociações de imóveis novos de médio e alto padrão (50,6% na comparação com 2017) e ainda um bom desempenho do programa Minha Casa Minha Vida nas faixas 2 e 3, com alta de 23,5% nos lançamentos e de 14,7% nas vendas – também em comparação a 2017.

Volume de imóveis novos vendidos foi absorvido por famílias com alta renda

O volume de imóveis novos construídos e vendidos em 2018 foi absorvido por consumidores que possuem renda familiar acima de 8 salários mínimos (algo perto de 8 mil reais por mês). O estudo da FGV/Abrainc observou que famílias com renda intermediária (entre 4 e 7 salários mínimos) mas que ainda vivem de aluguel ou em regime de coabitação, ou seja, dividindo a mesma casa ou terreno com outros familiares, decidiram adiar o sonho da casa própria por dois motivos: a instabilidade do mercado de trabalho (medo de perder o emprego) e a escassez do crédito imobiliário.

No entanto, grande parte do déficit habitacional brasileiro se concentra nas famílias que ganham até três salários mínimos por mês, as quais não conseguiram se beneficiar das faixas 1 e 1,5 do Minha Casa Minha Vida. “Chegamos ao recorde da série histórica de déficit habitacional. Hoje, ele ocorre, sobretudo, pela inadequação da moradia, com famílias que dividem a mesma casa, moram em cortiços ou favelas, e pelo peso excessivo que o aluguel passou a ter no orçamento das famílias nos últimos anos”, afirma o economista Robson Gonçalves, que coordenou os trabalhos da FGV/Abrainc.

Entrevistado
Reportagem com base nas exposições do professor Robson Gonçalves, coordenador da FGV Projetos, no 5º Encontro de entidades da incorporação imobiliária, promovido pela Abrainc em 18 de dezembro de 2018

Contato: comunicacao@abrainc.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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