Até onde chegarão os edifícios em concreto pré-moldado?

Edifício residencial em Londres: estrutura de 18 pavimentos foi montada em tempo recorde de 25 semanas Crédito: fib
Edifício residencial em Londres: estrutura de 18 pavimentos foi montada em tempo recorde de 25 semanas
Crédito: fib

A The Breaker Tower, inaugurada em 2015, no Bahrein, é atualmente o maior edifício do mundo construído 100% com concreto pré-moldado. A obra tem 165 metros de altura, mas em breve perderá esse título. Está em construção na Holanda uma torre que alcançará 200 metros, e que também terá 100% de suas estruturas em pré-fabricado. Para o engenheiro-projetista britânico George Jones, coordenador do GT 6.7 (grupo de trabalho) de Edifícios Altos Pré-Fabricados da fib (International Federation for Structural Concrete), atualmente a tecnologia pode viabilizar torres com até 300 metros de altura, com ampla segurança. 

Segundo Jones, a evolução dos pré-moldados está permitindo erguer prédios altos com grande velocidade. Ele citou o caso de uma edificação em Londres-Inglaterra, com 18 pavimentos e 1.000 apartamentos, e que em 25 semanas teve a sua estrutura montada. O engenheiro britânico avalia que a tecnologia só precisa vencer a dificuldade de transporte para se tornar dominante na construção de prédios altos até 300 metros. “Deslocar grandes volumes de peças em concreto pelos centros urbanos é um desafio que a indústria do pré-moldado aos poucos está conseguindo superar. De que forma? Projetando estruturas mais simples e mais esbeltas”, revela.

De acordo com George Jones, outro grande passo dado pela indústria de pré-fabricados de concreto é que esse é o setor da construção civil que mais avança com a produção automatizada de peças. “Na Europa Ocidental diria que esse é um processo consolidado, e que evolui para outros elementos da obra, como as fachadas com função estrutural. Também cresce a integração do pré-moldado com o aço”, diz. O engenheiro-projetista britânico aproveitou sua palestra no ENECE 2019 para fazer um relato da evolução da cadeia produtiva da indústria do concreto pré-fabricado. “Hoje não há o que não possa ser construído com essa tecnologia”, assegura.

Quinze cases de prédios altos inovadores, construídos em 12 países

George Jones: tecnologia só precisa vencer a dificuldade de transporte para se tornar dominante na construção de prédios altos até 300 metros Crédito: Cia. de Cimento Itambé
George Jones: tecnologia só precisa vencer a dificuldade de transporte para se tornar dominante na construção de prédios altos até 300 metros
Crédito: Cia. de Cimento Itambé

Para comprovar o que disse, George Jones mostrou 15 cases de prédios altos inovadores, localizados em 12 países, e que utilizam pré-moldados. Entre as obras, estão o Bella Sky Hotel, em Copenhague-Dinamarca, com paredes, painéis da fachada e lajes. A edificação ganhou o prêmio fib 2014 de estruturas de concreto. As demais edificações são: Dexia Tower, em Bruxelas-Bélgica, com colunas, vigas e lajes pré-moldadas; Breaker Tower, no Bahrein, onde o edifício todo é estruturado com pré-fabricados; Urban Dock Park, na região de Tóquio-Japão, com vigas, colunas e lajes resistentes a abalos sísmicos; Deux Tower, também em Tóquio-Japão, com colunas, vigas e lajes alveolares, e Tampere Tower Hotel, em Helsinque-Finlândia, com painéis-sanduíche nas paredes, para desempenho térmico e acústico da edificação.

No Brasil, o engenheiro selecionou o edifício Parque da Cidade, em São Paulo-SP, que possui um estacionamento subterrâneo com 6 pavimentos, construído com estruturas pré-moldadas. Também foram citados o Conjunto Paragon, em Santa Fé-México, que utiliza painéis côncavos e convexos no revestimento da fachada; Hospital North Western Memorial, em Chicago-EUA, que possui fachada com painéis protendidos, painéis-sanduíche nos pavimentos das garagens e painéis-portantes nos demais andares do edifício; Centro Médico Erasmus, em Roterdã-Holanda, que foi totalmente construído com pré-moldados; The Paramount, em São Francisco-EUA, com 128 metros de altura e fachada antissísmica; Premier Tower, em Melbourne-Austrália, com colunas e megacoluna central; Austrália 108 (em construção), em Melbourne-Austrália, com 317 metros de altura e que possui painéis e colunas pré-fabricadas; Seismic Resistant, em Xangai-China, com vigas e colunas pré-moldadas, e Torre de Cristal, em Madri-Espanha, com 250 metros e lajes protendidas.

Veja a apresentação da palestra do engenheiro-projetista George Jones

Entrevistado
Reportagem com base na palestra “O que é possível fazer com o concreto pré-moldado em edifícios altos?”, do engenheiro-projetista britânico George Jones, coordenador do GT 6.7 (grupo de trabalho) de Edifícios Altos Pré-Fabricados da fib (International Federation for Structural Concrete), no ENECE 2019 

Contato: abece@abece.com.br

 

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Itaipu financia série de obras na fronteira Brasil-Paraguai

Aeroporto de Foz do Iguaçu recebe fingers para embarque e desembarque de passageiros: Itaipu ajuda a impulsionar obras Crédito: Infraero
Aeroporto de Foz do Iguaçu recebe fingers para embarque e desembarque de passageiros: Itaipu ajuda a impulsionar obras
Crédito: Infraero

Três importantes obras estruturais na fronteira entre Brasil e Paraguai estão saindo do papel graças ao financiamento da Itaipu Binacional. A empresa que faz a gestão da segunda maior hidrelétrica do mundo está à frente da ampliação do aeroporto de Foz do Iguaçu-PR, cuja pretensão é se tornar a principal conexão entre os países do Mercosul para voos que levem à Europa e aos Estados Unidos, além de investir na construção de duas pontes. Uma no rio Paraná, entre Foz do Iguaçu e Presidente Franco, no Paraguai, que irá desafogar a Ponte da Amizade, que liga Foz a Ciudad del Este; outra sobre o rio Paraguai, entre Porto Murtinho-MS e Carmelo Peralta, também no Paraguai. 

Essa obra é considerada um marco para o corredor Bioceânico, e que pretende promover a ligação rodoviária entre os oceanos Atlântico e Pacífico, cruzando 4 países da América do Sul. A estrada nasce em Campo Grande-MS, corta Paraguai e Argentina e termina em Iquique e Antofogasta, no Chile. Por isso, a ponte entre Porto Murtinho-MS e Carmelo Peralta é estratégica para a rodovia. Ao custo de 300 milhões de reais, financiados pela Itaipu Binacional, a obra será estaiada e terá 680 metros de comprimento, com previsão de conclusão em março de 2024. Já a previsão orçamentária para a conclusão do corredor Bioceânico, também chamado de "Canal do Panamá da América do Sul", é de 443 milhões de dólares - aproximadamente 1,77 bilhão de reais.

Local onde será construída a ponte ligando Porto Murtinho-MS e Carmelo Peralta, sobre o rio Paraguai Crédito: Acifi
Local onde será construída a ponte ligando Porto Murtinho-MS e Carmelo Peralta, sobre o rio Paraguai
Crédito: Acifi

No caso da segunda ponte sobre o rio Paraná, as obras iniciadas em agosto estão avançadas no lado brasileiro e devem começar no lado paraguaio em dezembro de 2019 ou, mais tardar, no início de 2020. Para chegar à fase de execução foi preciso superar questões tributárias para a exportação de máquinas e equipamentos, impasses trabalhistas e migratórios, além da busca de soluções para a navegação pelo rio Paraná e o uso de área no Paraguai para a construção do canteiro de obras

Recursos vêm de convênios, patrocínios e redução de custos em outras áreas da empresa

Do lado brasileiro, o canteiro se encontra no bairro Porto Meira, em Foz do Iguaçu. O trabalho de desmonte de rochas próximo à margem do rio Paraná já teve início, para que, no lugar, seja erguido um dos dois pilares com 120 metros de altura, e que vão sustentar os cabos a serem estendidos no vão da estrutura. Construída pelo consórcio Construbase /Cidade /Paulitec, a Ponte da Integração tem custo estimado de 323 milhões de reais. Mais 140 milhões de reais serão alocados para a construção da Perimetral Leste, que ligará a nova ponte à BR-277. A previsão é de que seja inaugurada em 2023.

Estrutura que vai sustentar um dos pilares da Ponte da Integração já está em obras, no lado brasileiro Crédito: Itaipu Binacional
Estrutura que vai sustentar um dos pilares da Ponte da Integração já está em obras, no lado brasileiro
Crédito: Itaipu Binacional

Internamente, o conjunto de obras financiadas por Itaipu é chamado de “Pacto pela Infraestrutura Nacional e Eficiência Logística. O diretor-geral brasileiro da binacional, general Joaquim Silva e Luna, reforça que os investimentos só foram possíveis porque todos os atores envolvidos entenderam que os projetos mudarão completamente a economia da região. Além disso, a empresa ainda financia duas obras para o município de Foz do Iguaçu: a restauração do Hospital Ministro Costa Cavalcanti e a construção do Mercado Municipal de Foz. Os recursos para todos os empreendimentos virão de convênios, patrocínios e redução de custos em outras áreas da binacional.

Entrevistado

Itaipu Binacional (via assessoria de imprensa)

Contato: imprensa@itaipu.gov.br

 

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


UNICAMP produz bloco intertravado com água de reúso

Blocos implantados em vias internas da UNICAMP, e que utilizam água de reúso de esgoto tratado, têm coloração mais avermelhada Crédito: UNICAMP
Blocos implantados em vias internas da UNICAMP, e que utilizam água de reúso de esgoto tratado, têm coloração mais avermelhada
Crédito: UNICAMP

Pesquisa em desenvolvimento na Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC) da UNICAMP busca substituir a água potável pela de reúso, a partir de esgoto tratado, na produção de blocos intertravados de concreto. Ensaios mostram desempenho praticamente semelhante em todos os corpos de provas e nas peças produzidas, seja com a água de esgoto tratado ou água potável. “As indicações iniciais sugerem que a água de reúso poderá vir a ser uma boa alternativa para reduzir o consumo de água potável na produção de alguns tipos de artefatos de cimento [não-estruturais]”, diz o professor Gustavo Henrique Siqueira, do departamento de engenharia de estruturas da UNICAMP. 

A pesquisa também tem a participação da arquiteta e urbanista Mariana Rodrigues Ribeiro dos Santos e do engenheiro químico Adriano Luiz Tonetti, ambos ligados ao departamento de infraestrutura e ambiente da universidade. Cada um cuidou de uma etapa do estudo. O engenheiro químico avaliou a viabilidade da utilização da água de reúso do esgoto tratado, proveniente da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) localizada em Barão Geraldo, distrito de Campinas-SP. Já o engenheiro civil acompanhou a produção dos corpos de provas, constituídos por amostras cilíndricas de 10 centímetros de diâmetro por 20 centímetros de altura. Foram avaliadas a resistência à compressão em ensaios onde a água potável foi substituída pela água do esgoto tratado em 25%, 50%, 75% e 100% dos corpos de prova.

Norma técnica não permite usar água de reúso de esgoto tratado para produzir concreto 

Os parâmetros utilizados nas comparações mostraram-se praticamente semelhantes em todos os corpos de provas. “As indicações iniciais sugerem que a água de reúso poderá vir a ser uma boa alternativa para reduzir o consumo de água potável na produção de concreto”, avalia a equipe que coordenou a pesquisa. Para testar os pisos intertravados, um trecho das vias internas da UNICAMP foi substituído pelos blocos resultantes da pesquisa, a fim de verificar se eles suportam o tráfego de veículos leves. A maioria dos que frequentam a universidade não percebeu diferença entre os blocos lá implantados, exceto por causa da coloração. O que utiliza água de reúso tem um tom mais avermelhado.

Os blocos fabricados com água de esgoto tratado chegam a ser 60% mais em conta que os que utilizam água potável na confecção. O estudo ganhou artigos na revista da Associação Internacional de Águas (IWA Publishing) e no Journal of Water, Sanitation &Hygiene for Development. No entanto, vale destacar que as normas técnicas brasileiras não permitem a utilização de água de esgoto tratado para produção de concreto. Além disso, a equipe de pesquisadores não dá o estudo como encerrado, pois ainda existe a necessidade do acompanhamento do comportamento do material ao longo do tempo e também avaliações de suas propriedades microscópicas – os blocos instalados nas vias da UNICAMP completaram 19 meses em novembro de 2019. 

Entrevistado
Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC) da UNICAMP (via assessoria de imprensa)

Contato: infoascom@reitoria.unicamp.br

 

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Produtividade da construção esbarra em gargalos históricos

Engenheiro civil Luiz Henrique Ceotto, em palestra no Conecti CBIC 2019: construção civil negligencia o tempo no Brasil e entrega produtos envelhecidos. Crédito: CBIC
Engenheiro civil Luiz Henrique Ceotto, em palestra no Conecti CBIC 2019: construção civil negligencia o tempo no Brasil e entrega produtos envelhecidos.
Crédito: CBIC

Com ampla experiência na engenharia civil e na execução de projetos, Luiz Henrique Ceotto foi o palestrante escolhido para fechar os debates que marcaram o Conecti CBIC 2019 (Congresso Nacional de Engenharia, Construção, Tecnologia e Inovação), que aconteceu nos dias 21 e 22 de novembro, na cidade de Maringá-PR. Ceotto fez uma abordagem sobre os gargalos que impedem a construção civil brasileira de alcançar níveis de produtividade semelhantes aos de países mais desenvolvidos. Ele também fez questão de ressaltar que se tratam de barreiras históricas. “Há 50 anos a construção civil brasileira discute sua baixa produtividade”, lembra.

Professor-titular da Universidade Federal do São Carlos (UFSCar) e professor-visitante da Universidade de São Paulo (USP), Ceotto cita que entre os gargalos que prejudicam a produtividade da construção civil alguns são de ordem governamental. Como os tributos, por exemplo, que atrapalham o uso de processos industrializados nos canteiros de obras. “No Brasil, um processo construtivo industrializado paga de 18% a 20% a mais de tributos”, diz. O engenheiro reforça ainda que o formato de financiamento no país também contribui para que obras atrasem. “O cliente não se prepara para a compra de um imóvel. Com isso, as empresas dão prazo. Prazo para iniciar a obra e prazo ao longo da construção, a fim de dar tempo do comprador se preparar para pagar a unidade. Isso desestimula a visão industrial do setor”, completa.

Não existem parâmetros para medir a produtividade da construção civil brasileira

Luiz Henrique Ceotto ressalta que o setor também se acostumou a não adotar parâmetros de produtividade. “Existe uma negligência com o tempo, que é um dos únicos recursos que não se recuperam. É comum um projeto demorar de 5 anos a 10 anos para ser aprovado. Além disso, um negócio imobiliário no Brasil dura, em média, de 5 anos a 8 anos para a conclusão da obra. Isso resulta em aumento de custo e risco, sem contar que o produto é entregue envelhecido. O resultado de tudo isso é o afastamento do investidor”, destaca. O engenheiro civil complementa alertando para a falta de dados sobre a produtividade da construção civil brasileira, lembrando que há raros estudos sobre o tema.

Ceotto cita que a pesquisa mais recente sobre o assunto foi realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) entre 2002 e 2006. Os levantamentos apontaram que a produtividade brasileira no setor era 1/3 da norte-americana e que o prazo para a construção de um empreendimento era duas vezes e meia maior. “Estamos em um ciclo vicioso, onde prazos longos na realização do negócio refletem na redução da rentabilidade e no aumento de custos e riscos”, afirma. Para finalizar, o engenheiro frisa que para mudar o atual cenário deve ser feito um trabalho conjunto. “Temos que falar com o governo, com o setor financeiro, apontar caminhos e ter visão de soluções de curto, médio e longo prazo. Estamos cometendo falha de gestão estratégica no setor da construção civil há mais de 50 anos”, conclui. 

Veja a palestra do engenheiro civil Luiz Henrique Ceotto, no Conecti CBIC 2019

Entrevistado
Reportagem com base na palestra concedida dentro do painel “A Inovação e o Futuro da Construção”, proferida pelo engenheiro civil Luiz Henrique Ceotto, no Conecti CBIC 2019

Contato: comunica@cbic.org.br

 

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Indústria de material de construção conjuga o verbo investir

Vendas do varejo da construção civil impulsionam indústria e colocam setor entre os que devem fechar 2019 com crescimento acima de 5%. Crédito: CBIC
Vendas do varejo da construção civil impulsionam indústria e colocam setor entre os que devem fechar 2019 com crescimento acima de 5%.
Crédito: CBIC

Segundo o termômetro da indústria de material de construção, divulgado pela ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção), 81% das empresas do setor têm pretensão de aumentar os investimentos nos próximos 12 meses (novembro de 2019 a outubro de 2020), seja na expansão de sua capacidade atual, seja na modernização de seus meios de produção. No ano passado, essa pretensão de investir abrangia 57% das companhias. "Continuamos buscando caminhos para um desenvolvimento sustentável da indústria de material de construção”, explica Rodrigo Navarro, presidente da ABRAMAT.

Para 73% dos empresários ouvidos para o termômetro da indústria, a intenção de expandir a produção independe das ações governamentais. Já 23% declaram estar otimistas com o governo para 2020. Para esses, além do desejo de utilizar mais da capacidade atual de produção há também a vontade de expandi-la com a aquisição de novos equipamentos. Dos entrevistados, apenas 4% se declararam pessimistas para os próximos 12 meses. Para o presidente da ABRAMAT, se o governo não atrapalhar já estará ajudando o setor. Porém, o dirigente considera que existem ações importantes para impulsionar a construção civil.

De acordo com Rodrigo Navarro, a ABRAMAT aguarda a retomada de investimentos em obras de infraestrutura, além de uma atuação propositiva que estabeleça canais de diálogo transparentes entre o setor público e a indústria de material de construção. “Questões como o apoio à modernização do marco regulatório do saneamento básico, às reformas estruturais, eliminação de burocracias, engajamento do setor no âmbito da Indústria 4.0 e combate à falta de conformidade técnica e fiscal são temas que terão continuidade e fazem parte desse contexto de crescimento sustentável”, afirma.

Varejo da construção civil está entre os setores que mais crescem em 2019

Independentemente dos impulsos que a macroeconomia pode dar à construção civil, sinais de que o setor retoma seu crescimento - ainda que lento e gradual - são cada vez mais evidentes. A ABRAMAT apurou que a indústria de materiais de construção cresceu 1,9% no período que compreende de novembro de 2018 a outubro de 2019. Comparativamente, de novembro de 2017 a outubro de 2018 a elevação chegou a 1,2%. O crescimento maior ocorreu no segmento de materiais de acabamento, que registraram alta de 4,7%. O aumento de demanda na indústria é reflexo do volume das vendas no varejo da construção, que em 12 meses cresceu 3,5%, aponta o IBGE. 

O varejo da construção civil só está crescendo menos que veículos, motos e peças (11,2% no acumulado de 12 meses), produtos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (6,6% no acumulado de 12 meses) e artigos de uso pessoal e doméstico (6,3% no acumulado de 12 meses). Para Navarro, um crescimento mais uniforme em todos os setores abrangidos pela ABRAMAT depende da modernização da produtividade de alguns segmentos. “Entendemos como fundamentais para sustentar o crescimento, o incentivo à modernização dos parques fabris dos nossos associados e o intercâmbio de boas práticas internacionais e domésticas”, afirma. 

Entrevistado
Reportagem com base no termômetro da indústria de material de construção, da ABRAMAT, e no índice de vendas do varejo, do IBGE

Contatos
abramat@abramat.org.br
comunica@ibge.gov.br

 

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Caixa vai retirar indexadores do crédito imobiliário

Pedro Guimarães, em palestra na FGV EPGE: fim das indexações nas prestações da casa própria deve ocorrer a partir de março de 2020 Crédito: FGV EPGE
Pedro Guimarães, em palestra na FGV EPGE: fim das indexações nas prestações da casa própria deve ocorrer a partir de março de 2020
Crédito: FGV EPGE

A Caixa Econômica Federal vai adotar o crédito habitacional pré-fixado a partir de 2020. Significa que o banco quer eliminar indexadores das prestações da casa própria, tornando-as fixas desde a primeira até a última parcela. A mudança deve ocorrer ainda no primeiro semestre do próximo ano, provavelmente a partir de março. “No ano que vem queremos lançar o crédito imobiliário sem IPCA e sem TR. Ou seja, sem nenhum tipo de correção. Quando você lança este tipo de financiamento é o mais fácil para poder securitizar e o mais fácil de poder, como cliente, comparar. Quando você tem uma taxa fixa, é muito mais claro para a sociedade”, diz o presidente da Caixa, Pedro Guimarães.

O anúncio ocorreu em palestra do dirigente na FGV EPGE (Escola Brasileira de Economia e Finanças), no final do mês de outubro. Para mudar o formato de financiamento imobiliário é necessário atrelá-lo à securitização da carteira de créditos imobiliários e manter um quadro de inflação controlada por longo prazo. Na securitização, o banco repassa o risco de calote para investidores, através de títulos lançados no mercado financeiro. A Caixa estima que com essa modalidade poderá alavancar até R$ 300 bilhões para sua carteira imobiliária. Para os demais bancos, no entanto, o governo federal primeiro deveria regulamentar o financiamento pré-fixado. 

Para aderir à modalidade, as instituições financeiras privadas também sugerem que os contratos com prestações pré-fixadas sejam no máximo de 5 anos ou que possam ser revistos de 5 anos em 5 anos. Pedro Guimarães, porém, entende que, quando a Caixa lançar seu modelo, os demais bancos irão segui-la. “A minha impressão é que os demais bancos virão também para este sistema”, avalia. Segundo Guimarães, o momento econômico do país é propício a quem deseja adquirir a casa própria. Ele justifica dizendo que o crédito imobiliário está aquecido e que os preços dos imóveis estão convidativos. “Temos redução de taxa de juros, estamos retomando o crescimento, existe crédito imobiliário disponível e os preços dos imóveis ainda não tiveram alta significativa”, diagnostica.

Em 2019, Caixa já reduziu três vezes as taxas para aquisição da casa própria

Só em 2019, a Caixa já reduziu três vezes as taxas para aquisição da casa própria. Nos financiamentos imobiliários com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE), a menor taxa passou de 8,5% ao ano para 7,5% ao ano e a maior de 9,75% ao ano para 9,5% ao ano. Antes, o banco havia criado a linha de financiamento imobiliário com saldo corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Nesse modelo, a taxa mínima é o IPCA mais 2,95% ao ano e a máxima o IPCA mais 4,95% ao ano. Também tiveram quedas as cobranças de juros do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI). Nas duas modalidades, a taxa efetiva mínima será a soma da Taxa Referencial (TR) mais juros que variam de 6,75% ao ano a 8,5% ao ano. 

Entrevistado
Reportagem com base na palestra do presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, na FGV EPGE (Escola Brasileira de Economia e Finanças)

Contato: impre​nsa@ca​ixa.gov.br

 

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Queda de prédio em Fortaleza-CE é alerta para condomínios

Marcelo Solera, da COSEDI: responsabilidade legal pela manutenção do prédio é do síndico Crédito: Cia. de Cimento Itambé
Marcelo Solera, da COSEDI: responsabilidade legal pela manutenção do prédio é do síndico
Crédito: Cia. de Cimento Itambé

Para o coordenador-técnico da COSEDI (Comissão de Segurança de Edificações e Imóveis), o engenheiro civil Marcelo Solera, a lição que o desabamento do edifício Andrea, em Fortaleza-CE, deixa é de que os condomínios precisam se preocupar com a manutenção das edificações pelas quais são responsáveis. “Houve uma clara negligência do condomínio daquele prédio para com a manutenção. A ponto de comprometer totalmente a estrutura do prédio”, diz o engenheiro, que palestrou recentemente na Habitacon, em Curitiba-PR. 

Solera alerta que a melhor forma de evitar acidentes e problemas com a estrutura em imóveis, que podem causar desabamentos e provocar vítimas, é fazer a manutenção periódica da edificação. A orientação é que, uma vez por ano, o dono do imóvel contrate um engenheiro civil para fazer uma avaliação e verificar se há necessidade de manutenção da edificação. “A responsabilidade legal pela manutenção é do proprietário do imóvel e, no caso de um prédio, do síndico”, alerta o coordenador da COSEDI, organismo ligado à prefeitura de Curitiba.

O engenheiro civil explica que situações preocupantes ocorrem quando o aço de pilares e vigas começa a ficar visível em meio ao concreto - a chamada armadura exposta. “Se isso acontecer, é preciso acionar os organismos competentes. Esse tipo de situação acontece quando a umidade infiltra no concreto, enferruja e oxida o aço, fazendo com que ele se expanda e estoure o concreto. Esse processo deteriora a resistência do concreto e cresce a possibilidade de toda a estrutura desabar”, diz Marcelo Solera. 

Síndicos devem sempre observar pilares, vigas e lajes de concreto dos prédios que administram

O coordenador da COSEDI recomenda sempre que os síndicos observem pilares, vigas e lajes de concreto. “Uma fissura capilar nesses pontos é mais preocupante que uma rachadura em uma parede de alvenaria não-estrutural”, orienta. “Afundamento no imóvel é outra situação preocupante, por indicar problemas na fundação ou desestabilização do solo. Telhado também requer cuidados, pois uma infiltração de água de chuva pode apodrecer o madeiramento e causar a queda da cobertura”, completa.

O coordenador da COSEDI recomenda que o revestimento das fachadas e a pintura estejam sempre bem conservadas, pois contribuem para minimizar a entrada de umidade nas estruturas da edificação. Esse tipo de manutenção foi negligenciada no prédio que desabou em Fortaleza-CE, no dia 15 de outubro de 2019. Havia 14 anos que a edificação começou a revelar problemas estruturais, o que foi confirmado pelo CREA-CE. A tragédia deixou um saldo de 9 mortes.

O presidente do CREA-CE, Emanuel Maia Mota, acrescenta que contribuiu para o desabamento o fato da lei de inspeção predial da capital cearense não ser respeitada. “Temos registrado repetidos acidentes causados pela falta de manutenção das construções. E mesmo quando essas edificações tinham alvará, o poder público não tinha detalhes sobre o plano de manutenção da estrutura predial”, afirma. O edifício Andrea foi construído há 40 anos, mas a prefeitura de Fortaleza só tinha registro da obra a partir de 15 de setembro de 1995. 

Ouça áudio da palestra

Entrevistado
Reportagem com base na palestra “Riscos estruturais iminentes e obrigatoriedade de manutenção em condomínios”, do engenheiro civil Marcelo Solera, coordenador-técnico da COSEDI (Comissão de Segurança de Edificações e Imóveis), na Habitacon
Contato: cosed@smds.curitiba.pr.gov.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Construtoras voltam a se valorizar no mercado de ações

Percepção do investidor é de que as ações das construtoras e incorporadoras estão relativamente baratas e vão se valorizar. Crédito: Banco de Imagens
Percepção do investidor é de que as ações das construtoras e incorporadoras estão relativamente baratas e vão se valorizar.
Crédito: Banco de Imagens

As construtoras e incorporadoras que estão listadas na Bolsa de Valores experimentam nova valorização de suas ações. Levantamento da consultoria Alvarez&Marsal mostra que algumas empresas já alcançaram altas significativas em seus papéis, no período de 12 meses (novembro de 2018 a outubro de 2019). São os casos da Trisul (301,2%), da Helbor (105,63%), da Eztec (95,59%), da Even (78,23%), da Cyrela (65,97%), da Direcional (49,76%) e da Tenda (44,45%) - todas com sede na cidade de São Paulo-SP -, além da MRV (39%), de Belo Horizonte-MG. Só em 2019, essas empresas, somadas, já captaram 4,4 bilhões de reais na Bolsa.

As construtoras e incorporadoras mais bem avaliadas no mercado de ações se dividem entre as que atuam no segmento de edifícios de luxo e superluxo e as que têm suas marcas atreladas ao programa Minha Casa Minha Vida. Destas, apenas a Tecnisa não teve valorização de suas ações no recente período de 12 meses. A empresa registrou desvalorização de 18,54%, porém não afetou a percepção positiva do mercado. A análise é de que a construção civil está iniciando um novo ciclo, fruto da inflação controlada e dos juros baixos. 

Otimistas, as empresas estão indo ao mercado de ações para captar mais recursos para seus empreendimentos. “O setor entendeu que o governo não irá mais subsidiá-lo e está buscando investidores. Isso demonstra maturidade”, revela relatório da Alvarez&Marsal. Dados da consultoria Economatica comprovam isso. A Trisul, por exemplo, viu seu valor de mercado saltar de 599 milhões de reais para 2 bilhões de reais. Capitalizada, a construtora espera fechar 2019 com 10 lançamentos e um VGV (Valor-Geral de Vendas) entre 900 milhões de reais e 1 bilhão de reais, contra 664 milhões de reais em 2018.

Empresas ligadas ao mercado imobiliário contrastam das que atuam na construção pesada

Já a Eztec é a que mais captou com ofertas de ações em 2019, entre as empresas da construção civil que operam na Bolsa. Foram 979 milhões de reais. Para o presidente da ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras), Luiz França, a percepção do investidor é de que as ações dessas empresas estão relativamente baratas e podem se valorizar com os sinais de que o setor da construção civil está, finalmente, voltando a crescer. “O que tem sustentado as captações é a mudança do ponto de vista dos investidores institucionais, inclusive de estrangeiros, sobre o quadro econômico do Brasil. O ambiente está melhor no país e o mercado imobiliário vai tirar proveito disso”, afirma.

O sucesso das construtoras ligadas ao mercado imobiliário contrasta com os constantes prejuízos das empresas que atuam na construção pesada. Em três anos, as receitas do grupo que inclui Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, Galvão Engenharia, UTC e Constran diminuíram 85%. O principal motivo para essa contração é o envolvimento das construtoras no escândalo de corrupção trazido à tona pela operação Lava Jato. A receita das empresas citadas caiu de 71 bilhões de reais para 10,6 bilhões de reais, entre 2015 e 2018.  

Entrevistado
Reportagem com base em relatório da consultoria Alvarez&Marsal, sobre o desempenho das empresas da construção civil no mercado de ações

Contato: info@amcapitalre.com

 

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Distratos despencam e vendas na planta voltam a crescer

Lei dos Distratos: advogados recomendam que corretores sejam treinados e que os contratos possuam uma redação clara Crédito: Banco de Imagem
Lei dos Distratos: advogados recomendam que corretores sejam treinados e que os contratos possuam uma redação clara
Crédito: Banco de Imagem

Perto de completar um ano (foi sancionada em 27 de dezembro de 2018), a Lei dos Distratos  já apresenta resultados positivos para o mercado imobiliário. No balanço parcial de 2019, os contratos rompidos despencaram 34,1%, segundo dados trazidos pelas incorporadoras e apresentados pela ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras e Imobiliárias). Comparativamente, em 2015 - no auge dos distratos no Brasil -, a agência de risco Fitch detectou que, de cada 100 apartamentos comprados na planta, 41 foram devolvidos. Atualmente, de cada 100, 27 são alvos de distratos.  

Como consequência desta mudança de cenário, o volume de vendas de unidades recém-lançadas, ou seja, compradas na planta, cresceu 11% no balanço parcial de 2019. De acordo com relatório de outra agência de risco, a J.P. Morgan, o percentual de vendas tende a crescer e o de distratos continuará caindo. “Os distratos devem seguir em queda, os preços dos imóveis estão acomodados há mais ou menos dois anos e o índice de desemprego começa a cair. Com isso, financiar volta a ser uma meta de quem conseguiu se manter no mercado de trabalho. Some-se a isso a demanda reprimida por casa própria que existe no país”, cita. 

Para o economista do Fipe-Zap e FGV, Eduardo Zylberstajn, o distrato, antes da aprovação da lei, era uma anomalia do mercado imobiliário brasileiro. “Ao adquirir um imóvel na planta, o dinheiro dado pelo comprador vai para a obra. Assim, o custo do distrato, quando reconhecido pela Justiça, sai do bolso da incorporadora. Com isso, vimos algumas empresas quebrarem, e isso virou um problema para o mercado e para os consumidores também”, avalia. No entender do Secovi-SP, a lei ajudou a mudar esse cenário. “O maior mérito da lei é o reforço do vínculo contratual e o estímulo à compra responsável”, diz nota do sindicato. 

Juristas entendem que legislação tem pontos polêmicos e precisará de ajustes

Mesmo com os avanços, alguns juristas entendem que a Lei dos Distratos ainda suscita controvérsias. Os pontos polêmicos da legislação foram debatidos no 7º Congresso Jurídico do SindusCon-SP, realizado recentemente. Entre eles, o fato da lei não ser aplicada aos contratos anteriores à sua promulgação. Outra questão mal resolvida é que a legislação não diferencia o investidor que desiste do contrato do consumidor que ficou sem condições financeiras de cumpri-lo. Por isso, o advogado Olivar Vitale, membro do conselho-jurídico do SindusCon-SP considera a lei tecnicamente ruim. “Ela ainda gera insegurança e ficou longe de afastar todos os pontos polêmicos”, diz.

Uma recomendação que os advogados têm passado para as incorporadoras é que os corretores sejam treinados e que os contratos possuam uma redação clara, contendo quadros-resumo completos e assinatura dos adquirentes ao lado das cláusulas mais relevantes. No 7º Congresso Jurídico do SindusCon-SP, os especialistas também recomendaram que as empresas estipulem em seus contratos cláusulas com penalidades escalonadas de acordo com o valor da entrada paga pelos consumidores. No entender deles, a Lei dos Distratos, apesar de já impactar positivamente o mercado imobiliário, precisará de pelo menos mais três anos para se consolidar e ter seus pontos frágeis corrigidos.

Entrevistados
ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras e Imobiliárias), SindusCon-SP e Secovi-SP (via assessoria de imprensa)

Contatos
aspress@secovi.com.br
sindusconsp@sindusconsp.com.br
comunicacao@abrainc.org.br

 

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Casamento e divórcio movimentam mercado imobiliário

Marcelo Luís Gonçalves: segmento dos que casam e divorciam é responsável por um volume significativo de compra, venda e locação do mercado imobiliário Crédito: Cia. de Cimento Itambé
Marcelo Luís Gonçalves: segmento dos que casam e divorciam é responsável por um volume significativo de compra, venda e locação do mercado imobiliário
Crédito: Cia. de Cimento Itambé

Os dados mais recentes do IBGE mostram que o Brasil superou a taxa de 1 milhão de casamentos por ano (1,178 milhão) e que, anualmente, ocorrem quase 400 mil divórcios (390 mil) no país. Segundo Marcelo Luís Gonçalves, sócio-diretor da Brain Bureau de Inteligência Corporativa, as uniões e as separações são como “injeção na veia” para o mercado imobiliário. “As pessoas que casam precisam morar e as que se divorciam também. Anualmente, há pelos menos 1,5 milhão de pessoas buscando novas moradias”, avalia.

Casamentos e divórcios, cita o analista, respondem por 45% da movimentação do mercado imobiliário - 30% representados pelos que se casam e 15% pelos que voltam a morar sozinhos ou se unem a outra pessoa. Segundo Marcelo Luís Gonçalves, trata-se de uma fatia muito grande para ser ignorada por construtoras, incorporadoras e imobiliárias. “Esse é um segmento que independe do momento econômico do país é responsável por um volume significativo de compra, venda e locação do mercado”, diz.

De acordo com as Estatísticas do Registro Civil do IBGE, o tempo de duração de um casamento formal caiu de 17 anos para 14 anos, em média. O mesmo levantamento mostra que as uniões registradas em cartório diminuíram 2,3% e os divórcios aumentaram 8,3%. Este é o segundo ano consecutivo com aumento do número de divórcios e diminuição de casamentos, aponta a gerente de pesquisa do IBGE, Klívia Oliveira. “A proporção atual está em três casamentos para cada divórcio”, completa.

Estatística impacta no mercado de unidades para uma só pessoa

Para Marcelo Luís Gonçalves, essa estatística tem impactado também no mercado de unidades projetadas para uma só pessoa. “De 2018 para cá houve um crescimento de 15% no volume de vendas de apartamentos compactos”, informa o analista. Os dados coincidem com o do índice FipeZap, que desde 2012 registra crescimento nas transações de imóveis com até um dormitório. Segundo o FipeZap, as vendas desse modelo de unidade aumentaram 35% em 6 anos, enquanto as locações cresceram 33%.

A ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) qualifica que o mercado dos compactos engloba unidades que vão de 10 m2 a 40 m2. Nos grandes centros urbanos, essa modalidade de apartamento atrai os seguintes tipos de consumidores: recém-casados que optaram por não ter filhos, divorciados, solteiros, estudantes e trabalhadores de outras cidades. Também é o segmento mais procurado por investidores, por causa da rapidez na locação.

Para o arquiteto Bruno Raquena, autor do livro “Habitar Híbrido: Subjetividades e Arquitetura do Lar na Era Digital”, não é apenas o mercado imobiliário que busca se adaptar a essa transformação familiar, mas também os profissionais diretamente ligados à construção civil, como projetistas, engenheiros e arquitetos. “A onda dos compactos vem ao encontro de uma alteração de comportamento. Hoje, as pessoas trocam de casa com mais frequência e acumulam menos bens. O entendimento desse conceito é fundamental para a análise das mudanças ocorridas no espaço físico da habitação e para os futuros projetos”, comenta. 

Entrevistado
Reportagem com base na palestra do sócio-diretor da Brain Bureau de Inteligência Corporativa, Marcelo Luís Gonçalves, no seminário “Mercado Imobiliário em foco”, promovido pela ADEMI-PR

Contato: ademipr@ademipr.com.br

 

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330