Trem-bala tem custos errados

Constatação é do presidente do Comitê Brasileiro de Túneis (CBT), Tarcísio Celestino, com base em dados fornecidos pelo governo federal

Os custos para construção do trem de alta velocidade (TAV) entre Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas apresentam discrepâncias nos preços de escavação de túneis. A constatação é do presidente do Comitê Brasileiro de Túneis (CBT), Tarcísio Celestino, com base no projeto do governo federal. Os túneis em área rural, por exemplo, são 46% mais caros que na área urbana, quando normalmente ocorre o contrário. O preço de escavação de túnel simples - com uma via e 7,85 metros de diâmetro - é 17% mais caro que o duplo, de 16 metros

Nos 510 quilômetros do traçado do trem-bala, 90,9 quilômetros (18% da obra) devem ter túneis, segundo o estudo elaborado pelo consórcio Halcrow/Sinergia, contratado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). As obras civis, que incluem 107,8 quilômetros de pontes e viadutos, vão custar R$ 24,5 bilhões, cerca de 71% de todo o projeto, orçado em R$ 34,6 bilhões

O preço do metro escavado de túnel em local onde o solo é composto por rocha é só 4% mais barato do que o mesmo serviço em local onde o solo é mole. “Em casos reais de rocha de boa qualidade, a diferença pode superar 50%. Não vou dizer que a obra é cara ou barata, mas a planilha é inconsistente. Apoiamos o empreendimento, mas há necessidade de apontar mudanças de rumo”, disse o presidente do CBT, no seminário A Engenharia Nacional e o TAV, realizado no Instituto de Engenharia, em São Paulo. O metro escavado de túnel em área rural, sem grandes interferências na superfície, foi estimado no estudo em R$ 160,9 mil, enquanto em área urbana é de R$ 86,7 mil.

De acordo com Hélio França, superintendente da ANTT, os preços no estudo da Halcrow/Sinergia tiveram como base túneis da Europa do Metrô de São Paulo e do Rodoanel, mas os preços apontados são apenas “uma referência” para os editais do TAV. “Nós tropicalizamos os custos, usando o Sisco, um sistema de custos que o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), que o próprio TCU (Tribunal de Contas da União) utiliza e os empreiteiros não gostam.

O responsável pelos estudos geológicos e geotécnicos do TAV, André Pacheco de Assis, presidente do Comitê Sobre Treinamento e Educação do International Tunnelling Association, disse que foram realizadas 519 sondagens em solo e rochas em todo o percurso proposto, num período de 75 dias. “Os custos já foram revistos porque não estavam adequados. O traçado apresentado está aprovado pelo governo federal e atende aos requisitos das pessoas que vão usar o TAV.”

Fonte: ANTT

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Minha Casa, Minha Vida já contratou mais de 105 mil moradias

Caixa Econômica Federal ainda tem outras 2.075 novas propostas para avaliar, o que representa mais de 400 mil imóveis

Recente balanço da Caixa Econômica Federal, sobre o desempenho do programa Minha Casa, Minha Vida, revela que já houve a contratação, para a construção, de 105.239 novas moradias, entre casas e apartamentos.

Até o final de outubro, a Caixa também havia recebido 2.075 novas propostas de empreendimentos, o que totaliza 415.419 moradias. O volume de contratações soma investimentos de R$ 6,63 bilhões.

Dia 30 de outubro terminou o prazo para que os municípios com menos de 50 mil habitantes apresentassem propostas de participação no programa do governo federal. Os técnicos do Ministério das Cidades estimam que os números de convênios cresçam ainda mais – os números devem ser atualizados até o final de novembro.

O programa Minha Casa, Minha Vida, anunciado em março deste ano, pretende reduzir o deficit habitacional brasileiro, estimado em torno de 7 milhões de moradias, e para isso vai investir R$ 34 bilhões R$ 25,5 bilhões dos cofres da União, R$ 7,5 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e R$ 1 bilhão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Do total de 1 milhão de moradias, 400 mil serão destinadas a trabalhadores com renda até três salários mínimos, 200 mil casas para quem ganha entre três e quatro salários, 100 mil casas de quatro a cinco salários, mais 100 mil para ganhos entre cinco e seis salários mínimos e as 200 mil moradias restantes para renda de seis a dez salários.

Os financiamentos serão para imóveis até R$ 130 mil nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Esse teto cai para R$ 100 mil nas outras capitais e nos municípios com mais de 500 mil habitantes, e se reduz para R$ 80 mil nos financiamentos habitacionais para os demais municípios.

Fonte: Agência Brasil

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FGTS dá novo impulso aos consórcios

Fundo poderá ser usado na quitação de prestações e setor estima que novas adesões aumentem 20%

Em outubro de 2008, quando foi sancionada a nova lei dos consórcios habitacionais, o governo federal preferiu vetar a disposição que liberava o uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para o pagamento das prestações. Este ano, com as medidas para aquecer o mercado imobiliário, o veto foi revogado e a regra para o uso do FGTS em consórcio passou a se equiparar a outros tipos de modalidades de financiamento.

O novo texto, sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevê que a utilização do FGTS em consórcios deve seguir as regras do financiamento habitacional concedido no âmbito do Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Uma delas é que é preciso ter no mínimo três anos de trabalho sob o regime do FGTS.

Claudir Santos: “Agora, o consórcio não está mais em desvantagem.”
Claudir Santos: “Agora, o consórcio não está mais em desvantagem.”

Antes dessa medida, era permitido o uso do FGTS para a oferta de lance ou complemento de carta de crédito. Agora, a modalidade consórcio ganha o mesmo status de outras formas de aquisição de imóvel pelo SFH. A expectativa da Associação Brasileira de Administradores de Consórcios é que, em todo o país, pelos menos 530 mil pessoas sejam beneficiadas. O setor estima também que haja pelo menos 20% de novas adesões, segundo explica o gerente comercial da Ademilar, Claudir Santos.

Qual a expectativa das empresas que vendem consórcio de imóveis de agregarem novos consumidores, com a nova medida que libera o uso do FGTS para o setor?
A gente acredita que isso vai ter um impacto em torno de 10% a 20%. Por quê? Porque muita gente que paga aluguel não consegue fazer financiamento em virtude da comprovação de renda. Como no consórcio a burocracia é menor, quem tem FGTS vai se animar em buscar essa modalidade para adquirir a casa própria.

O consórcio de imóvel alcança o mesmo status de outras formas de financiamento habitacional com a nova medida?
Com certeza. No financiamento normal, o consumidor pode utilizar o FGTS para pagar as prestações ou até mesmo quitar o saldo devedor. Antes, no consórcio, isso não era permitido e levava o cliente a optar pela forma tradicional de compra, mesmo tendo de pagar juros aos bancos. Agora, o consórcio não está mais em desvantagem.

O que o interessado vai precisar fazer para usar o FGTS na sua compra por consórcio?
Ele pode utilizar o FGTS como lance, como complemento da carta e agora, com a nova lei, também pode utilizar no pagamento de parcelas ou até mesmo na quitação do imóvel. Mas para fazer isso ele vai passar por uma entrevista na Caixa Econômica Federal, para saber se ele não tem imóvel no nome dele. Caso tenha um imóvel na cidade onde reside, o interessado não poder utilizar o FGTS em nenhuma modalidade de financiamento habitacional, incluindo o consórcio.

Há uma estatística de quantas pessoas optam pelo financiamento convencional e quantas preferem o consórcio?
De cada três imóveis financiados no Brasil, um já é através de consórcio. Significa algo em torno de 30% das negociações de imóvel parcelado, o que representa um crescimento exponencial perto do que era o consórcio há cinco, seis anos atrás.

Existe um valor ideal que o mutuário deve ter depositado no FGTS para aderir à modalidade consórcio?
Não. A exigência é que ele tem de ter no mínimo três anos de contribuição para poder sacar o FGTS.

Qual o tipo de imóvel preferido de quem adere ao consórcio?
Em média, 60% das pessoas querem comprar um imóvel residencial para uso. Tem uma parcela menor que faz o consórcio com o intuito de usá-lo como um investimento. Quando contemplado, ele compra o imóvel, aluga e o próprio aluguel paga o financiamento. O imóvel passa a gerar uma renda extra.

Uma pessoa que escolhe o consórcio como modalidade para compra tem acesso ao seu imóvel em quanto tempo?
O acesso ao imóvel depende da contemplação dele. Quando contemplado, ele recebe a carta e compra o imóvel à vista. A liberação do crédito é feita através de sorteio e o contemplado precisa estar com a participação em dia. Ele também pode dar um lance, que independe de sorteio, e pode ser feito desde o primeiro mês. Dado o lance, e sendo o vencedor, ele também recebe a carta e pode comprar o imóvel imediatamente.

Imóvel na planta também pode ser adquirido através de consórcio?
Também pode, mas existem algumas regras impostas pelo Banco Central. No caso de imóvel na planta, o interessado precisa deixar um outro bem em garantia no momento de sacar o crédito. É uma exigência para que haja uma alienação para liberar o dinheiro. A nova lei agora permite que a pessoa que já tem um imóvel aliene este imóvel para comprar outro na planta através de consórcio.

Imóveis comerciais também podem ser adquiridos através de consórcio?
Também podem. Com a carta de crédito, o contemplado tem livre escolha. Pode comprar um imóvel comercial, residencial ou um terreno. Também pode usar o crédito para construção.

A modalidade consórcio está presente no programa Minha Casa, Minha Vida?
Não, pelo seguinte: o Minha Casa, Minha Vida é um programa de subsídios de juros do governo. Como o consórcio não tem juros, não tem como ser subsidiado. O Minha Casa, Minha Vida também impõem regras que inviabilizam a flexibilidade do consórcio, como a exigência de imóvel novo, um teto para renda e o valor máximo do financiamento é de 80 mil reais.

Uso de FGTS em consórcio habitacional
* Como era
O FGTS só podia ser usado como lance numa carta de consórcio ou como complemento. Por exemplo, o contemplado tinha uma carta de 100 mil reais e mais 30 mil reais no FTGS. Ele poderia adquirir um imóvel de 130 mil, complementando o valor com o recurso do fundo.

* Como fica
O FGTS está liberado para quitar parcelas do consórcio. Sejam parcelas atrasadas ou a parcela do mês. Também poderá usar o recurso para quitar o consórcio, caso haja saldo suficiente para fazer a quitação.

Texto complementar
Conselho curador aprova orçamento do FGTS para 2010

O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovou no final de outubro o orçamento do fundo para 2010. Os valores aprovados são os mesmos do orçamento de 2009. Assim, os programas vinculados à área de habitação popular terão um orçamento de R$ 18 bilhões em 2010. Saneamento básico terá à disposição R$ 4,6 bilhões. Outros R$ 4 bilhões do FGTS servirão para a concessão de descontos nos financiamentos habitacionais a pessoas físicas. Desses R$ 4 bilhões, R$ 3 bilhões serão exclusivos para concessão de subsídios dentro do Programa Minha Casa, Minha Vida.

O secretário executivo do conselho curador, Paulo Furtado, explicou que a repetição do orçamento de 2009 em 2010 ocorre porque este ano já houve uma liberação recorde de recursos do FGTS para financiamentos de habitação e saneamento. Além disso, segundo ele, dos R$ 18 bilhões alocados para habitação popular, deverão ser aplicados apenas R$ 12 bilhões efetivamente este ano A sobra de recursos do orçamento deste ano se deve, segundo ele, à velocidade de implantação dos programas em decorrência da burocracia envolvida.

Fonte: CBIC

Entrevistado: Claudir Santos, gerente comercial da Ademilar: claudir@ademilar.com.br

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Itambé utiliza fôrmas de blocos de concreto na fundação de seu novo moinho

Blocos de concreto são utilizados como fôrmas para fundação - conheça as principais vantagens deste sistema

Créditos: Engº. Carlos Gustavo Marcondes – Assessor Técnico Comercial Itambé

Fundação Moinho
Fundação Moinho

A construção civil tem evoluído bastante nas últimas décadas. O avanço no cálculo estrutural, o progresso de estudos na ciência de materiais, a tecnologia de equipamentos e produtos auxiliares, e também as técnicas construtivas têm colaborado para a melhoria das obras e permitido a execução de construções cada vez mais impressionantes.

As fôrmas não ficaram fora desta evolução. Sem a sua melhoria, não seria possível alcançar alta velocidade nas obras e permitir a aplicação de concretos mais resistentes, fluidos e menos deformáveis, por exemplo.

Normalmente a fôrma é considerada um molde provisório que serve para dar ao concreto fresco a geometria e textura desejada, mas além desta função ela influencia na proteção do concreto fresco, colaborando com a cura e protegendo contra impactos e variações de temperatura que podem causar danos ao concreto.

No entanto, nem todas as fôrmas são provisórias. Por exemplo, quando se utiliza bloco de concreto. Esta foi a técnica escolhida pela Itambé para a realização das obras de fundação do novo moinho que entrará em funcionamento em 2010.

De acordo com o coordenador de projetos civis da Itambé, Elizeu Rodrigues Paes, o sistema com fôrmas utilizando blocos de concreto confere diversas vantagens quando comparado ao sistema convencional, com fôrmas de madeira ou aço. Uma delas é a redução de tempo para sua execução.

“A grande vantagem é que não perdemos tempo com a retirada das fôrmas. O re-aterro da fundação é executado no mesmo dia e a velocidade de assentamento dos blocos é maior, comparada com a montagem de fôrmas convencionais” comenta.

Outra vantagem citada por Elizeu, é com relação à segurança: “Como não se utiliza serra circular minimizamos o risco envolvido no processo e ainda torna-se desnecessária a utilização do carpinteiro” diz.

Além disso, a parede construída com blocos de concreto que serviu como fôrma, pôde ser usada como suporte para o posicionamento das armaduras e do próprio trabalho de concretagem.

A fôrma é que inicia o processo de concretagem e a escolha do melhor sistema irá influenciar na qualidade, no prazo de execução e no custo da obra.

Portanto, a escolha deve ser criteriosa e envolver diversos fatores como a característica física da obra que está sendo feita; a característica geométrica; se os insumos e serviços para a confecção das mesmas são disponíveis; o prazo de execução requerido; a durabilidade e economia do sistema.

Em alguns casos escolhe-se o bloco de concreto como fôrma pela praticidade. Esta técnica é comumente utilizada para tanques e piscinas. Os blocos são utilizados como fôrmas e permanecem depois da concretagem, bastando fazer a impermeabilização.

Outro fator a se considerar é o ambiental, já que na utilização de fôrmas convencionais o trabalho comumente é executado na obra, de maneira artesanal, gerando resíduos e desperdícios de toda ordem.

Seja qual for o material ou o método de trabalho a ser utilizado em uma obra, um bom estudo das alternativas faz-se necessário antes de decidir por qual sistema utilizar, já que existem diversos sistemas de fôrmas ofertados e as diferenças não estão apenas nos materiais utilizados.

Fundação Moinho
Fundação Moinho

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O uso do concreto autoadensável no Brasil

Por que o uso do CAA ainda é restrito no país

Mesmo com tantas vantagens já consagradas por especialistas, o uso do concreto autoadensável (CAA) ainda é bastante restrito no Brasil. O tema é tão divergente que mereceu destaque no 51º Congresso Brasileiro do Concreto realizado em Curitiba no mês de outubro.

Paulo Helene
Paulo Helene

Para o engenheiro Paulo Helene, vice-presidente do Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto) e um dos participantes do painel "Temas Controversos - Concretos de alto desempenho e autoadensável: desafios para sua maior utilização no Brasil", um grande entrave para a disseminação da tecnologia no país é o fato da maioria das construtoras se colocarem na posição de gerenciadoras de serviços de terceiros. “Os terceiros cobram por metro cúbico de concreto. Tanto faz se esse metro cúbico requer quatro peões ou apenas um peão para lançar o concreto. Então, como o metro cúbico do concreto autoadensável (produto na Concreteira) custa mais caro, fica uma aparente e errônea primeira impressão de que não há vantagem econômica e que as vantagens seriam somente técnicas” avalia.

Nos países industrializados a vantagem do produto descartar a necessidade de operários para espalhar e vibrar o concreto, é de fato compensatória e por isso a sua utilização em maior escala.

No entanto, o vice-presidente do Ibracon acredita que o potencial do concreto autoadensável no Brasil é grande. Segundo ele, há benefícios diretos e indiretos que sustentam o uso do CAA como o fato de ele ser “mais humano, mais ecológico, mais sustentável, mais rápido, além de oferecer melhor adensamento e acabamento”. Um exemplo deste potencial é a crescente demanda por pré-moldados em que a utilização do concreto autoadensável é extremamente viável.

O concreto autoadensável surgiu no Japão na década de 80. Mas apenas a partir do ano 2000 a tecnologia passou a ser utilizada no Brasil, ainda que de forma isolada. Para reverter esse quadro, novos estudos e aplicações vêm sendo feitos, comprovando os benefícios deste material em diversas ocasiões como em obras com alta densidade de armadura, em que o concreto convencional não consegue preencher todos os espaços; em obras em que o concreto fica aparente, já que possui melhor acabamento; em obras que exijam grande agilidade. O desenvolvimento da tecnologia e a redução dos custos dos aditivos também estão contribuindo com o avanço do uso do CAA.

Vantagens do concreto autoadensável

- Diminui consideravelmente a mão-de-obra necessária para a concretagem;
- Considerável melhora do acabamento final dos elementos;
- Aumento da velocidade de concretagem;
- Diminuição do risco de queda de trabalhadores de uma laje, por diminuir o número de pessoas envolvidas no processo;
- Economia de energia elétrica;
- Eliminação ou diminuição drástica do ruído na obra.

Dificuldades da implantação do concreto autoadensável no Brasil

Mesmo com uma maior quantidade de estudos práticos e teóricos a respeito do material, dúvidas técnicas, sobretudo em relação à dosagem, ainda geram incertezas nos profissionais do setor ao optar ou não pelo concreto autoadensável. A grande variabilidade da dosagem dos componentes pode ser um dos fatores que dificultam a implantação do CAA em larga escala, pois a dosagem deve ser muito precisa. Há também a questão dos aditivos superplastificantes que devem ser misturados pouco antes do lançamento, por perderem o efeito rapidamente.

Com isso conclui-se que quanto antes houver a adaptação da tecnologia para a realidade brasileira, quanto mais industrializado o setor da construção estiver e quanto mais estudos e informações sobre o material e suas aplicações forem divulgados, mais cedo o concreto autoadensável fará parte da realidade das construções no país.

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Dados para contato: Assessor de imprensa Ibracon – Fábio Luis Pedroso: fabio@ibracon.org.br


Concurso Ousadia 2009

Equipe de alunos da Universidade do Vale do Taquari ganha o 1º lugar no concurso promovido pelo Ibracon no CBC 2009

Créditos: Engº. Jorge Aoki – Gerente de Assessoria Técnica Itambé

Grupo Vencedor Concurso Ousadia

O Concurso Ousadia, promovido pelo Instituto Brasileiro do Concreto, foi instituído em 2005 no Congresso Brasileiro do Concreto – CBC - realizado na cidade de Olinda/PE. Tem como objetivo incentivar o compartilhamento dos conhecimentos entre os ramos da arquitetura e da engenharia civil, que são complementares e interagem entre si na realização de diversas obras. Para cada cidade onde é realizado o CBC, o Ibracon elege um tema e os alunos desenvolvem o projeto, que deve ser ousado, mas realizável tecnicamente segundo a NBR 6118.

Na 5ª edição, realizada neste ano em Curitiba/PR, o primeiro lugar coube à equipe da Universidade do Vale do Taquari de Lajeado/RS – UNIVATES. Os alunos Márcio Braun, Renata Rahmeier, Juliana Gasparotto e Marcos Britto, supervisionados pelo arquiteto Leandro Marquetto e orientados pelo engenheiro Bernardo F. Tutikian, venceram o desafio de projetar uma passarela sobre a BR 277, unindo uma grande área verde da cidade - o Parque Barigüi – a um bairro bem movimentado – o Ecoville e um grande shopping center – o ParkShoppingBarigüi.

Concurso Ousadia - Projeto

O nome escolhido para a obra-de-arte, Passarela do Grimpeiro, faz referência a um passarinho que se alimenta de insetos das folhas e galhos do pinheiro-do-paraná, também conhecida como Araucária, árvore símbolo do estado. O Projeto aliou a harmonia e beleza do parque da cidade, com a diversidade contemporânea das construções do bairro residencial. A concepção contemplou a tecnologia como parâmetro da estrutura urbana e elegeu o concreto como marco de modernidade da cidade.

Toda a estrutura de concreto obedeceu às recomendações da norma NBR 6118 – Estrutura de concreto armado – Procedimento – e seguiu os padrões do Manual do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (DNIT) para ordenamento do uso do solo nas faixas de domínio. Já as questões de mobiliário, acessos e equipamentos foram baseados na NBR 9050 - Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos.
Por tudo isso, só poderia dar o primeiro lugar.

Concurso Ousadia 3 - Projeto

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Empresa paranaense recebe Selo de Qualidade da ABCP

Selo certifica a conformidade dos produtos com as normas técnicas brasileiras

Créditos: Engª Naguisa Tokudome – Assessora Técnico Comercial Itambé

Vanderli Gai & Cia. Ltda
Vanderli Gai & Cia. Ltda

Fundada em 1991, a empresa Vanderli Gai & Cia. Ltda iniciou suas atividades com a extração de agregados. Em 1999, se engajou na fabricação de piso intertravado de concreto e bloco de concreto tipo vedação e estrutural. Em outubro deste ano, recebeu o Selo de Qualidade da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland).

“A Gai buscou a certificação por uma exigência do consumidor. Sem o Selo, a venda basicamente se restringia aos blocos de concreto de vedação. Hoje, em menos de um mês, a distribuição do bloco estrutural aumentou significativamente. Foi possível também aumentar a linha de produtos com maiores resistências para atender a demanda do mercado”, disse Jorge Tadeu Gai, sócio-gerente da empresa.

Selo de Qualidade ABCP
Selo de Qualidade ABCP

O Selo, além de melhorar expressivamente o processo de produção, qualifica os fabricantes a atender obras financiadas pelo governo (federal, estadual e municipal) bem como a todo tipo de edificação cujo empreendedor exija o atendimento ao PBQP-H (Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat) e ao Código de Defesa do Consumidor.

A certificação do produto reflete na qualidade final da edificação. Um bom bloco de concreto possui:
- Dimensões regulares com baixo desvio padrão. Evitam improvisações “grosseiras” de ajustar a paginação da parede com a argamassa ou blocos não especificados no projeto;
- Aspecto homogêneo com cantos vivos e sem fissuras;
- Maior durabilidade;
- Resistência adequada à sua aplicação;
- Atendimento aos requisitos da NBR 6136:2007 – Blocos vazados de concreto simples para alvenaria.

O processo para obtenção do selo é simples. A empresa interessada deve entrar em contato com a matriz da ABCP (www.abcp.org.br), localizada em São Paulo e solicitar a inclusão ao programa.
Uma auditoria na fábrica é agendada para a primeira avaliação do produto.

Caso o bloco atenda aos requisitos da norma, após 15 dias da avaliação, um laboratório parceiro da ABCP fará a coleta na fábrica. Para conhecer os laboratórios credenciados, acesse o site: http://www.abcp.org.br/qualidade_de_produtos/selo_blocos_concreto_lab.shtml.

Em caso de reprovação na auditoria, o produto deverá passar pelos ajustes necessários para então solicitar uma nova coleta.

O laboratório envia o relatório com os resultados para o fabricante e ABCP. Todo o processo é centralizado na matriz.

O fabricante que receber aprovação, após duas coletas quinzenais consecutivas, recebe o Selo de Qualidade. Ou seja, se o produto estiver conforme, é possível obter o Selo no prazo de um mês.

As coletas para verificação passam a ser mensais e, depois de um ano, trimestrais. Em conjunto, a ABCP realiza anualmente uma auditoria na fábrica.

Segundo Fernando Dalbon, coordenador do Programa Selo de Qualidade ABCP para blocos e pisos de concreto, atualmente no Brasil cinquenta e seis empresas possuem o Selo.

Para conhecer as fábricas certificadas, acesse a página: http://www.abcp.org.br/qualidade_de_produtos/selo_blocos_concreto_fab.shtml

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Profissionais usam criatividade para cumprir exigências legais

O Condomínio Global Tower em Vitória, foi concebido com volumetria e estrutura diferenciadas, para não interferir na paisagem local

Créditos: Vanda Pereira Cúneo - Assistente de Marketing

Quando, em 1895, o engenheiro e sanitarista Saturnino de Brito desenhou o traçado da av. Reta da Penha - hoje av. Nossa Senhora da Penha -, em Vitória, como parte do plano urbano Grande Arrabalde, lançou também uma determinação que impedia, na área formada por um cone, construções que pudessem vir a obstruir a bela vista do complexo da Igreja e Convento da Penha, em Vila Velha, tombado em 1943 pelo Iphan (Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Hoje, passados mais de 60 anos, a área vive uma "febre" imobiliária, principalmente na Enseada da Praia do Suá, o que tem levado ao embargo de alguns empreendimentos imobiliários, mas também tem aguçado a criatividade de arquitetos, como maneira de vencer os obstáculos da legislação.

Um caso muito emblemático desse dilema entre crescimento imobiliário e urbanismo em Vitória é o edifício Global Tower, do arquiteto Kennedy Vianna. Para valorizar a vista da Reta da Penha, assim como atender às exigências do cliente, a Galwan, que demandava um edifício essencialmente para uso corporativo, com o melhor aproveitamento possível do potencial construtivo do terreno, Vianna concebeu um edifício com escalonamento mais largo do que o exigido pelo Iphan. Em vez de reduzir o número de pavimentos do empreendimento, a proposta arquitetônica conseguiu distribuir 24 andares, com todas as suas unidades voltadas para a baía de Vitória, preservando vistas e o entorno, e minimizando possíveis impactos, graças a um conceito estrutural diferenciado e ao tipo de implantação adotada, virada para o Sudeste, considerando o cone de visão.

Para alcançar o desenho escalonado e o número de pavimentos desejado, o projeto estrutural, assinado pela capixaba MCA e homenageado com o Destaque Abece 2007, especificou o sistema de lajes protendidas com cordoalhas engraxadas. "Funciona como uma ponte pênsil, as cargas ficam penduradas", explica o engenheiro calculista Carlos Augusto da Gama, da MCA.

Como as lajes de cada pavimento iriam reduzindo de tamanho, irregularmente, seria necessário o uso de vigas de transição e de pilares intermediários - um verdadeiro paliteiro. No entanto, o sistema sugerido pela MCA trabalha em conjunto com pilares inclinados em várias direções e ângulos, eliminando a necessidade de vigas e pilares intermediários. A proposta adotou, entre os eixos dos pilares das garagens, lojas e salas, um módulo de 9,5 m x 7,2 m.

Sem flexão
Como não há momento de ligação com a laje, o sistema funciona sem flexão dos pilares. "As cargas vêm na vertical e seguem inclinadas, de acordo com o desenho dos pilares birrotulados", destaca Gama. O sistema estrutural equilibra-se pelos tirantes embutidos, do contraventamento das paredes em concreto armado - que sustentam os tirantes - e da ação da gravidade.

O engenheiro revela que a tecnologia, utilizada pela empresa desde 1997, com incentivo da Arcelor Mittal, antiga Belgo Mineira, racionaliza a altura do pé-direito. As lajes têm 22 cm de espessura, com piso elevado de 18 cm e forro de 6 cm, definindo o pé-direito acabado de 2,60 m. A cota de piso a piso dos pavimentos (25 lajes) é de 3,06 m. Se fosse no sistema convencional limitaria o pé-direito e o gabarito. "O empreendimento com a mesma altura teria menos pavimentos, em torno de 18", compara Gama. A tecnologia facilitou a execução das lajes da garagem, pois manteve os vãos necessários para o espaço. "Só executamos viga de transição em cima para a caixa de água", diz.

Outras qualidades do sistema, apontadas pelo engenheiro, é que, graças à racionalização do pé-direito, as instalações podem ser passadas nas lajes, liberando as paredes. Além disso, contribui com o isolamento acústico.

Dois em um
O sistema de laje protendida, segundo o calculista Carlos Augusto Gama, também facilita a execução das fôrmas. A obra, inclusive, recebeu menção honrosa da Abece (Associação Brasileira das Empresas de Consultoria e Engenharia Estrutural) no 5º Prêmio Talento Engenharia Estrutural.

"Com um sistema de fôrma e cimbramento, é possível executar uma laje em uma semana, até menos", garante o engenheiro. "Isso equivale à metade do tempo gasto em processos de concretagem com fôrmas convencionais", compara.

Mas para alcançar a economia pretendida, é preciso se chegar a 20 MPa aos dois dias, o mínimo para se realizar a protensão da lajes. Isso só é possível com o uso de cimento CPV, em vez de CPIII ou CPII, que demandam mais tempo para atingir essa resistência.

Distribuição racional
O desenho escalonado gerou uma variação de layouts de conjuntos, que vão de 35 m² a 232 m². Conforme o edifício sobe, diminui o número de salas, como se pode ver nas plantas do quinto pavimento e do 14º (fotos). Do 19º ao 21º pavimento, são dois conjuntos por andar. Já nos últimos andares, o projeto previu um conjunto por laje. "O projeto atende um público potencial mais abrangente, tanto o profissional liberal, que necessita de espaço reduzido, quanto empresas de maior porte, que necessitam de grandes lajes", explica Vianna. Os 12 elevadores foram distribuídos de forma a atender ao escalonamento de pavimentos, sendo que os elevadores que atendem às garagens são acessados na praça contínua do open mall abaixo da torre, o que garante a segurança interna. O projeto também tem como base um desenho que otimiza o conforto ambiental, uma vez que possui todas as suas unidades de salas voltadas para a melhor insolação.

Leveza visual
A fachada tipo glazing com sistema misto unitizado - colunas onde posteriormente são fixadas as folhas de vidro montadas em perfis de alumínio - não só permitiu os ajustes dos inúmeros recortes nas elevações e uniformizaram o visual, assim como contribuíram para o desempenho do sistema estrutural e de fundação, reduzindo as cargas do edifício. "O uso do vidro alivia de 10% a 20% do peso, e elimina o risco de patologias", afirma o engenheiro calculista Carlos Augusto da Gama, da MCA.

Foram empregados 6.640 m² de vidros laminados de 8 mm, nas cores azul e verde, especificados para minimizar os reflexos do entorno, sem perder qualidade na cor e no tom, respeitando a sobriedade pretendida e o conforto ambiental. Nas testadas e detalhes, especificou-se painéis de alumínio composto. Como divisórias internas, o projeto especificou drywall, que reduz as cargas internas em no mínimo 15%.

RESUMO
Obra: Global Tower
Localização: av. Nossa Senhora dos Navegantes (frente) e av. Belmiro Siqueira, 201 (fundos), Vitória
Área do terreno: 6.681,00 m²
Área construída: 36.895 m²
Data de projeto: 2006
Construção: setembro 2006 a setembro de 2009
Área estrutural: 48.000 m²
Concreto: fck 30 MPa
Aços: CA-50 E CP190 RB
Lajes planas protendidas: 22 cm de altura
Contraventamento: paredes estruturais

Condomínio Global Tower

Fonte: Revista Téchne

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O sustentável deve ser acessível

Seminário ECOARQ detecta que o Brasil tem leis ambientais avançadas, mas que carecem de incentivos para que a cadeia produtiva da construção civil as absorva

O seminário ECOARQ destacou as construções que surgem no Brasil com a certificação LEED
O seminário ECOARQ destacou as construções que surgem no Brasil com a certificação LEED

Curitiba sediou no começo de outubro o 2.º Seminário Brasileiro sobre Arquitetura Sustentável (ECOARQ) . O encontro debateu a união de esforços entre arquitetura, urbanismo, engenharia civil, paisagismo e design de materiais e interiores para colaborar com a minimização do impacto ambiental.

Uma das conclusões é de que o Brasil dispõe de leis ambientais modernas, mas que carecem de incentivos para entrarem no dia a dia da cadeia produtiva da construção civil. É o que revela o arquiteto Gabriel Bertran, um dos organizados do ECOARQ, que sintetiza na entrevista abaixo o que foi debatido no seminário. Confira:

Já há um consenso entre arquitetura, urbanismo, engenharia civil e paisagismo sobre os impactos das obras sobre o meio ambiente? Caso sim, quais medidas estão sendo tomadas?
Creio ainda não haver este consenso. O que existe são ações isoladas em cada uma das áreas, as quais de fato poderiam ser integradas. As medidas que estão sendo tomadas ainda são, em sua maioria, de caráter individual, como, por exemplo, uma minoria de arquitetos e construtoras conscientes construindo de forma sustentável. Há também algumas indústrias que incorporam sustentabilidade em parte de seus processos de produção e também o voluntarismo de alguns empreendimentos que acabam recebendo certificados de sustentabilidade. Quanto ao poder público, há leis ambientais avançadíssimas, mas faltam serem aplicadas de forma mais ampla. Elas carecem de incentivos, como corte de impostos, para que toda a cadeia produtiva utilize mais soluções sustentáveis e se crie realmente uma mudança no mercado para estes produtos e processos a serem usados.

Quais são, hoje, os principais casos de sucesso na construção civil sustentável, seja em Curitiba, no Paraná, no Brasil ou fora dele?
Em Curitiba, está em fase de conclusão o primeiro edifício com certificação LEED (do inglês Leadership in Energy and Environmental Design - Liderança em Design de Energia e Meio Ambiente) no Paraná. A certificação é concedida pelo Green Building Council (GBC Brasil), uma organização mundial sem fins lucrativos que certifica edificações que cumpram determinados requisitos sustentáveis. O edifício é o Curitiba Office Park, no Jardim Botânico. No caso do Brasil, existem cerca de 140 empreendimentos certificados ou em fase de certificação pelo GBC Brasil - a maioria deles em São Paulo e, geralmente, grandes empreendimentos comerciais. Mas isto já mostra uma tendência, pois a sustentabilidade, além de valorizar mais estes empreendimentos, gera economia de energia, água e manutenção em sua operação. Em relação aos empreendimentos residenciais, existem inúmeras ações isoladas, inclusive algumas delas provêm dos anos 70 e 80. Porém, não são catalogadas, a não ser em revistas especializadas. No mundo, mais de 45 países já incorporam a sustentabilidade em construções, sendo os principais França, Alemanha, Espanha, Estados Unidos, Brasil, China, Índia e Japão. Já há mais de mil edificações certificadas como sustentáveis no planeta. Além do selo LEED, existe o selo HQE francês, bem como certificações específicas da Alemanha, Inglaterra e Austrália.

Gabriel Bertrand: “O sustentável deve ser acessível. Assim, a sustentabilidade torna-se mais conhecida.”
Gabriel Bertran

Entre as palestras ministradas no seminário ECOARQ, qual agregou mais riqueza ao debate?
Todas foram de uma riqueza conceitual imensa, inclusive com temas complementares uma a outra. Eu destacaria a palestra dos arquitetos Sérgio Prado e Márcia Macul, os quais propuseram um sistema integrado de gestão de resíduos, chamado “Lixo Zero, Arquitetura Sustentável, Energia Renovável”. Trata-se de um projeto totalmente viável, já com materiais de construção super-resistentes, desenvolvidos a partir de todo tipo de resíduos urbanos, industriais e de construção. Além da inclusão social, tal projeto resolve o problema da poluição urbana pelos rejeitos que a sociedade dispõe. Envolve arquitetura, meio-ambiente, energia e um sistema de gestão para tudo isso. Destacaria também a palestra e o curso do doutor Eloy Casagrande, professor da UTFPR, em que ele demonstrou com exemplos práticos como podemos utilizar inúmeros materiais de construção ecológicos sem gastar muito. Envolve tanto produtos industrializados como também reaproveitados, feitos a partir de materiais que são muitas vezes rejeitados.

Como os profissionais da área de construção civil vêm se preocupando com as questões bioclimáticas e ambientais?
Neste sentido, eu destacaria a palestra do arquiteto Tomaz Lotufo como exemplo. Ele pratica em seus projetos, no interior de São Paulo, arquiteturas de baixo impacto, aproveitando os recursos do local, como o barro e os entulhos, por exemplo, para construir casas de excelente qualidade arquitetônica e confortáveis ambientalmente. Foram apresentadas, também, soluções de saneamento natural (tratamento biológico de esgoto), bem como a utilização de tijolos solo-cimento, que não são queimados e, portanto, emitem baixo carbono. Enfim, são soluções simples que trazem qualidade à construção civil e preservam os recursos naturais. Além disso, podem ser executadas por qualquer um. Isto é o que chamaríamos de arquitetura bioclimática. Por enquanto, temos poucos exemplos como este no Brasil, apesar de tais tecnologias estarem presentes, muitas vezes, há séculos em nosso planeta. A questão é divulgá-las melhor, para serem mais utilizadas.

Daria para dizer que os profissionais se preocupam mais com esta questão do que o setor das construtoras?
Tais dados ainda são muito difíceis de serem levantados. Eu diria que as construtoras têm mais acesso a recursos tecnológicos avançados em termos de sustentabilidade e às certificações também, em vista da escala em que trabalham. Isso torna seus empreendimentos “sustentáveis” mais visíveis, porém temos que tomar muito cuidado com maquiagens que nos são apresentadas. Há alguns que se dizem sustentáveis, mas no fundo não são. Já os arquitetos que trabalham com isto estão, aos poucos, aumentando. Muitas vezes os profissionais esbarram no desconhecimento que seus clientes têm do assunto. Até pela falta de opções (devido à falta de incentivos), os produtos sustentáveis são mais difíceis de serem encontrados e por “comodismo” compra-se o trivial. Mas o consumidor tem-se tornado exigente em termos de qualidade e espera-se que se torne, também, na questão ambiental. Para dar um exemplo, comprar uma madeira da Amazônia incentiva o desmatamento e as pessoas precisam estar conscientes disso. Os arquitetos, como formadores de opinião, têm um papel importante neste convencimento.

A palestra sobre Redução dos Gases de Efeito Estufa nas Construções Civis apontou quais soluções para se atingir isso na prática?
Na prática o que esta palestra apontou foi justamente a análise do que especificar em termos de materiais para a construção civil, procurando escolher os que tenham emitido o menor volume de carbono possível, desde a extração de suas matérias primas, passando pela fabricação, transporte, até a obra e também emissões durante sua utilização. É necessário que se analisem todos estes fatores e também o ciclo de vida do material e da edificação. Quanto mais tempo pudermos utilizar a edificação melhor para o meio-ambiente, mostrando que o sustentável também precisa ser durável. Os fatores de gastos energéticos também devem ser levados em conta. Como exemplos, podemos citar as madeiras amazônicas, que causam aumento expressivo das emissões tanto com a supressão das florestas (que armazenam carbono) quanto com o transporte dos materiais do norte ao sul/sudeste do Brasil, emitindo carbono com a queima do diesel. É melhor optar por madeiras plantadas em regiões próximas ao local da obra. Outro exemplo são as tintas, que muitas vezes utilizam produtos químicos altamente poluentes, que emitem CO2 tanto na fabricação quanto após a aplicação nas paredes. São apenas alguns exemplos, dentre inúmeros existentes.

A respeito de materiais e técnicas construtivas, o Brasil está bem posicionado ou ainda precisa rever conceitos?
Ainda precisa rever muitos conceitos. O brasileiro é comodista, pensando no curto prazo, e isso se reflete no mercado. Compra-se o convencional, até por falta de opção. É necessário pensar em termos de custo-benefício: uma solução sustentável vai gerar economia ao longo da utilização do imóvel. Além do mais, o poder público precisa incentivar o desenvolvimento e a fabricação destas soluções, via redução de impostos e outras políticas. O sustentável deve ser acessível. Assim, a sustentabilidade torna-se mais conhecida. E quanto mais for incorporada ao dia-a-dia de todos, melhor para o meio-ambiente. Diversos países já incentivam tais soluções.

Uma política sustentável na área da construção civil faria o Brasil reduzir quanto na emissão de carbono? Já há números sobre isso?
Não há, ainda, números de quanto se reduziria. Mas há números aproximados sobre o impacto da construção civil no meio-ambiente, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas e da União Nacional da Construção. São eles:
- 40% dos recursos naturais extraídos são destinados a indústria da construção civil
- 50% dos resíduos sólidos urbanos são provenientes de construções e demolições
- 50% do consumo de energia elétrica é destinado para operação das edificações (desde a construção até a utilização).
Por aí vemos que qualquer ação que reduza tais impactos será importantíssima. Reduzindo-se os resíduos, a extração dos recursos naturais e o consumo de energia, com certeza ajudará muito na redução do CO2 no planeta.

Entrevistado: gabrielbertran@ecolearning.com.br

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Um Calçadão para todos

Londrina reurbaniza seu cartão-postal, adequando-o à norma brasileira de acessibilidade

Calçadão atual: pavimento em petit pavet será substituído por paver de concreto
Calçadão atual: pavimento em petit pavet será substituído por paver de concreto

Com um fluxo de pedestres superior a 30 mil pessoas por dia, entre segunda e sexta-feira, o Calçadão de Londrina começa a passar por uma ampla reforma que pretende transformá-lo em modelo de mobilidade urbana no Brasil. Ao longo de seus 23 mil metros quadrados, o petit pavet dará lugar a um calçamento em blocos de concreto, com medidas e resistência diferenciadas para pedestres e trânsito de veículos. O projeto também prevê o uso de cimentado liso vassourado, com aplicação da faixa tátil, o que vai facilitar a locomoção de pessoas com necessidades especiais.

A reurbanização do Calçadão de Londrina está a cargo do IPPUL (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina) e deverá ser concluída até o final do 1.º semestre de 2010. O projeto está adequado à NBR 9050 "norma brasileira de acessibilidade revisada em 2004" e ao manual de procedimentos para construção de calçadas em Londrina, intitulado de Projeto Calçada Para Todos. Além disso, a prefeitura da cidade realizou um consulta pública para colher ideias da população.

Simone Vecchiatti
Simone Vecchiatti

Segundo a arquiteta do IPPUL, Simone Vecchiatti, além da questão estética, o novo Calçadão terá o dimensionamento espacial necessário para o exercício dos diversos tipos de uso. "A preocupação foi criar uma perspectiva linear, definindo espaços para deslocamento de pedestres, veículos, estares e serviços", explica. Um dos trechos receberá um paver especial, que suporte o tráfego de veículos pesados, pensando no acesso do Corpo de Bombeiros e de fornecedores dos lojistas ao longo do Calçadão.

Pelo valor histórico, o design do Calçadão seguirá inalterado. Projetado em 1977, pelos arquitetos Jaime Lerner e Hely Bretãs, a principal área para pedestres de Londrina tem um desenho de elos de uma corrente, que representam as diversas nacionalidades que ajudaram a construir a cidade. "Vamos preservar o valor histórico do Calçadão, mas com um padrão de mobilidade comparado ao dos melhores países europeus. Nossos modelos são as melhores calçadas de Frankfurt, na Alemanha", revela Simone Vecchiatti.

A expectativa do IPPUL é que a revitalização do Calçadão de Londrina faça aumentar em 30% o fluxo de pedestres. "Idosos, deficientes, gestantes e obesos, que hoje evitam frequentar o Calçadão, vão voltar a utilizá-lo", prevê a arquiteta. Isso deve também se refletir no aspecto comercial. "As pessoas voltarão a andar com segurança e a olhar para as vitrines, em vez de se preocupar em olhar para o chão", completa Vecchiatti.

A obra está orçada em R$ 524.641,31. Quando concluída a reurbanização do Calçadão, Londrina pretende estender o modelo de mobilidade para outras calçadas da cidade, estabelecendo parcerias com a iniciativa privada e com os próprios moradores.

Entrevistada: simone.vecchiatti@londrina.pr.gov.br

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