A quase 900 dias da Copa, estádios aceleram obras
Por: Altair Santos
Com exceção da Arena da Baixada, em Curitiba, e do Beira-Rio, em Porto Alegre, que ainda não têm canteiros de obras instalados e devem implantá-los no começo de 2012, todos os outros dez estádios escolhidos pela Fifa (Federação Internacional do Futebol) para sediar jogos da Copa do Mundo de 2014 encontram-se com suas obras aceleradas. Três deles estão em estágio avançado: Castelão, em Fortaleza, com 50,09% da execução cumprida; Mané Garrincha, em Brasília, com 42%, e Mineirão, em Belo Horizonte, com 40%.
Esses três estádios, além do Maracanã, devem ficar prontos até dezembro de 2012, pois serão palcos das partidas da Copa das Confederações - torneio-teste da Fifa, que ocorre um ano antes do mundial. Com exceção do Mané Garrincha, os demais envolvem obras de retrofit - modernização e recuperação de estruturas já existentes. Isso leva a crer que os cronogramas sejam cumpridos sem problemas. Aliás, quase metade dos equipamentos que serão utilizados na Copa vão prescindir apenas de retrofit. Incluem-se aí, além de Castelão, Mineirão e Maracanã, o Beira-Rio e a Arena da Baixada.
Dos estádios cujos projetos tiveram que começar do zero, todos estão investindo em estruturas pré-fabricadas para conseguir ganhar tempo. Por isso, em termos de volume de concreto, a Copa do Mundo de 2014 terá um volume de concreto moldado no local. O estimado é que as 12 obras - considerando as estruturas dos estádios e os anexos - sejam finalizadas com menos de um milhão de metros cúbicos de concreto. O número equivale a 1/5 do que vão precisar as duas maiores usinas hidrelétricas atualmente em construção no Brasil: Jirau (2,8 milhões de m³ de concreto) e Belo Monte (3,7 milhões de m³ de concreto).
Outro detalhe em comum entre os estádios em obra é que, para obter licenças ambientais, os construtores precisaram assumir compromissos com a sustentabilidade. No caso dos que envolvem retrofit, o principal deles era que instalassem recicladoras para aproveitar o concreto demolido nas novas estruturas. Castelão, Maracanã e Mineirão já têm esses equipamentos em seus canteiros de obras. O Beira-Rio também irá reutilizar o material demolido, assim como a Arena das Dunas reaproveitará o concreto do extinto Machadão e a Arena de Salvador da antiga Fonte Nova.
A quase 900 dias da Copa, e a um custo total de R$ 6,5 bilhões, as obras avançam e já geram mais de 14 mil empregos diretos. No pico, que se dará no segundo semestre de 2012, deverá envolver pelo menos 20 mil trabalhadores. Veja como está o cronograma de cada um dos 12 estádios:
Castelão
Estágio das obra: 50,09% concluída
Previsão de entrega: dezembro de 2012
Custo: R$ 518,6 milhões
Volume estimado de concreto: 59.117 m³
Empregos diretos gerados atualmente pela obra: 718
Maracanã
Estágio das obra: 32% concluída
Previsão de entrega: abril de 2013
Custo: R$ 705.589.143,72
Volume estimado de concreto: 31 mil m³
Empregos diretos gerados atualmente pela obra: 2.450
Mineirão
Estágio das obra: 40% concluída
Previsão de entrega: dezembro de 2012
Custo: R$ 654,6 milhões
Volume estimado de concreto: 23.186 m³
Empregos diretos gerados atualmente pela obra: 1.500
Mané Garrincha
Estágio das obra: 42% concluída
Previsão de entrega: dezembro de 2012
Custo: R$ 918 milhões
Volume estimado de concreto: 129.279 m³
Empregos diretos gerados atualmente pela obra: 2.500
Arena Amazônia
Estágio das obra: 30% concluída
Previsão de entrega: dezembro de 2013
Custo: R$ 548,68 milhões
Volume estimado de concreto: 26,2 mil m³
Empregos diretos gerados atualmente pela obra: 980
Arena Corinthians
Estágio das obra: 19% concluída
Previsão de entrega: dezembro de 2013
Custo: R$ 820 milhões
Volume estimado de concreto: 17.500 m³
Empregos diretos gerados atualmente pela obra: 800
Arena das Dunas
Estágio das obra: 11% concluída
Previsão de entrega: dezembro de 2013
Custo: R$ 540 milhões
Volume estimado de concreto: 42 mil m³
Empregos diretos gerados atualmente pela obra: 382
Arena Fonte Nova
Estágio das obra: 35% concluída
Previsão de entrega: março de 2013
Custo: R$ 786 milhões
Volume estimado de concreto: 45 mil m³
Empregos diretos gerados atualmente pela obra: 1.400
Arena Pantanal
Estágio das obra: 35% concluída
Previsão de entrega: fevereiro de 2013
Custo: R$ 462 milhões
Volume estimado de concreto: 38 mil m³
Empregos diretos gerados atualmente pela obra: 650
Arena Pernambuco
Estágio das obra: 20% concluída
Previsão de entrega: julho de 2013
Custo: R$ 532 milhões
Volume estimado de concreto: 65 mil m³
Empregos diretos gerados atualmente pela obra: 1.677
Arena da Baixada
Estágio das obra: não definido
Previsão de entrega: março de 2013
Custo: R$ 250 milhões
Volume estimado de concreto: não definido
Empregos diretos gerados atualmente pela obra: sem canteiro de obras instalado
Beira-Rio
Estágio das obra: não definido
Previsão de entrega: dezembro de 2013
Custo: R$ 290 milhões
Volume estimado de concreto: não definido
Empregos diretos gerados atualmente pela obra: sem canteiro de obras instalado
Crédito: Divulgação/COL/Odebrecht/
Fontes: Secretarias especiais para assuntos da Copa (Secopa-MG, Secopa-MT, Secopa-AM, Secopa-CE, Secopa-RN, Secopa-BA, Secopa-PR, Secopa-RS, Secopa-PE e Secopa-RJ), Sinaenco, Odebrecht e COL (Comitê Organizador Local da Fifa)
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
FGTS: o grande indutor da habitação no Brasil
Com 45 anos, fundo acumula ativos de R$ 260,3 bilhões. Parte desses recursos financia casas e obras de saneamento e infraestrutura
Por: Altair Santos
Criado em 1966, com a finalidade de proteger o trabalhador demitido sem justa causa, o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) transformou-se em um dos principais indutores do crescimento do Brasil. Atualmente, boa parte das obras de infraestrutura urbana, saneamento básico e habitacionais em andamento no país conta com investimentos do FGTS. "Em 2012, serão contratados R$ 43,9 bilhões com recursos do fundo", explica Vilson Willemann, gerente FGTS da Caixa Econômica Federal.

Desde a criação do programa Minha Casa, Minha Vida, em 2008, o FGTS já viabilizou 275,9 mil contratos na ordem de R$ 14,8 bilhões. Em 2011, foram alocados R$ 30,4 bilhões para habitação popular, R$ 4,8 bilhões para saneamento básico e R$ 4 bilhões para infraestrutura urbana. Quem gerencia esses recursos é a Caixa Econômica Federal, sempre atendendo as deliberações do conselho curador do FGTS, com as participações dos ministérios do Trabalho e Emprego, como agente fiscalizador, e o das Cidades, como gestor.
Segundo o secretário executivo do FGTS, Quênio Cerqueira de França, 35 milhões de trabalhadores contribuem atualmente com o fundo. A arrecadação é feita por contas vinculadas, abertas em nome do trabalhador contratado pelo regime da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). O saldo é formado por depósitos mensais feitos pelo empregador, que contribui com 8% do salário pago ao empregado. “É uma garantia que socorre o trabalhador e também permite que ele adquira uma casa própria [usando o FGTS]”, explicou.
Em 2011, os depósitos realizados pelas empresas nas contas vinculadas de seus empregados somam R$ 66,8 bilhões - sem contabilizar dezembro. Hoje, 14% dos trabalhadores ligados ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço o utilizam para a compra da casa própria. Tem direito aquele que não é proprietário de imóvel no local onde reside, possui conta no FGTS a no mínimo três anos, podendo usar os recursos para amortização ou liquidação do saldo devedor e pagamento de parte do valor das prestações.
O FGTS é um instrumento que só existe no Brasil. "Nenhum outro país possui modelo semelhante, apesar de o México ter um fundo que copia algo do que usamos aqui", explica Vilson Willemann. Entre 1966 e 1986 era o BNH (Banco Nacional de Habitação) quem gerenciava o fundo, com as contas pulverizadas em mais de 70 instituições bancárias. Com a extinção do BNH, os recursos foram incorporados pela Caixa Econômica Federal . Em 1990, por conta da lei 8.036, as contas passaram a ser centralizadas na Caixa, permitindo ao trabalhador mais controle sobre seu patrimônio.
Hoje, o FGTS conta com ativos que somam R$ 260,3 bilhões e patrimônio líquido de R$ 35,9 bilhões. Há projetos que tramitam no Congresso Nacional, tentando estimular a remuneração do fundo e também ampliar a parcela de recursos destinados a projetos habitacionais. Recentemente, foi aprovada a medida provisória 540 que permite ao governo dispor dos recursos do fundo para obras da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016.
Entrevistados
Quênio Cerqueira de França , secretário executivo do FGTS, e Vilson Willemann, gerente FGTS da Caixa Econômica Federal
Contato: fgts@mte.gov.br / comunicacaoregional.pr@caixa.gov.br (assessoria de imprensa)
Crédito: Ricardo Stuckert/PR
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Novo presidente do CREA-PR prioriza a fiscalização
Engenheiro civil Joel Krüger pretende resgatar uma das principais funções do Conselho e também construir a nova sede da entidade durante sua gestão
Por: Altair Santos
Em novembro de 2011, foi eleito presidente do CREA-PR (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) o engenheiro civil Joel Krüger. Ele recebeu 3.545 votos contra 2.916 dados ao engenheiro Gilberto Piva, contra quem concorria.

Com uma forte formação acadêmica e ligações com entidades de classe vinculadas à construção civil, Joel Krüger quer resgatar uma das principais funções do CREA-PR, que é fiscalizar construções e controlar a qualidade da mão de obra que atua nos canteiros de obras.
É meta de Krüger também provocar debates sobre a escassez da mão de obra na engenharia e aproximar o CREA-PR das escolas de engenharia do Paraná, assim como iniciar e concluir a obra da nova sede do conselho, em Curitiba. Confira a entrevista:
Quando o senhor tomará posse na presidência do CREA-PR e qual a duração do mandato?
O mandato inicia no dia 1º de janeiro. A posse eu tomo no dia 2 de janeiro de 2012, que é o primeiro dia útil do ano, e o mandato é de três anos. Vai até 31 de dezembro de 2014.
Quais são seus planos e desafios à frente do conselho?
A gente vai ter que fazer uma gestão com bastante inovação. Tivemos gestões muito boas no passado recente, como a do presidente [Álvaro] Cabrini, e vamos fazer um grande trabalho de inovação. Pretendemos criar o colégio de presidentes de entidades de classe e também fazer um trabalho muito forte na área de fiscalização. O foco principal da minha gestão vai ser a questão da fiscalização dentro do conselho.
O senhor integrou também a diretoria do Senge-PR (Sindicato dos Engenheiros do Paraná). Essa experiência como dirigente de classe ajuda para assumir o CREA-PR?
Toda a experiência de gestão, seja gestão administrativa ou gestão política, auxilia na gestão da presidência do CREA-PR. Eu passei por várias entidades, ocupando cargos de diretoria, ocupando cargos de presidência e todas estas experiências acabam contribuindo para melhorar o desempenho na gestão de uma entidade como o CREA.
Nesta eleição, os arquitetos vinculados ao CREA-PR ainda puderam votar, por causa de uma liminar. A participação deles ajudou na sua eleição?
Eles tiveram o direito de votar por uma decisão judicial aqui do Paraná. Eu, além de ganhar votos dos profissionais de engenharia e agronomia, também ganhei os votos majoritários da arquitetura. Então, eles votaram aqui no Paraná e a minha campanha foi toda feita em conjunto com os arquitetos, considerando que eu tinha o apoio da arquitetura também para o meu pleito da presidência do CREA.
Sua gestão será marcada pela transição dos arquitetos para o CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo). Qual sua expectativa para essa transição?
Da minha parte vai ser uma questão muito tranquila, muito harmônica, considerando que é um direito de qualquer categoria ter o seu próprio conselho. Como eles conseguiram a criação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo, a gente vai fazer a transição da maneira mais harmônica possível, sem nenhum percalço, sem nenhum problema. Da parte do CREA-PR, vai ser muito tranquilo este processo de transição.
Com a saída dos arquitetos, o CREA tende a mudar o nome, passando a se chamar conselho de engenharia e agronomia?
Na realidade, a sigla já tem um “A” só. Então, vai ser Conselho Regional de Engenharia e Agronomia. Não será necessário mudar a sigla. Já o nome por extenso vai ser Conselho Regional de Engenharia e Agronomia, simplesmente com a supressão da palavra arquitetura.
O senhor é coordenador do curso de engenharia civil da PUC-PR. Com sua vivência acadêmica, pretende aproximar o CREA-PR ainda mais das universidades de engenharia?
Na realidade o nosso projeto é tanto com as instituições de ensino como com as entidades de classe. A gente deseja fazer um trabalho muito forte de aproximação do CREA com a sociedade. Aí passa tranquilamente pelas instituições de ensino e pelas entidades de classe.
Como o senhor vê a missão do CREA-PR para ajudar na questão da escassez de mão de obra na área de engenharia?
Esta questão da escassez de mão de obra é muito relativa. Fica difícil nós falarmos de escassez de mão de obra quando nós temos mais de 300 mil engenheiros que não atuam com engenharia dentro do Brasil. Então, a questão da escassez de mão de obra é localizada em alguns setores, em algumas regiões, em regiões em que estão sobrando profissionais. Passa também pela questão da renumeração dos profissionais. Muitas vezes, o profissional não vai trabalhar com engenharia porque a remuneração dele acaba sendo muito baixa e outras áreas oferecem salários mais atrativos. Então, sobre essa questão da escassez de mão de obra, a gente vai ter uma grande discussão, porque não é uma escassez generalizada como se propaga. Na realidade, temos alguns setores e algumas regiões geográficas que têm falta de mão de obra. Já em outros locais existe um número muito grande de engenheiros procurando colocação.
O mercado da construção civil vive um momento de aquecimento desde 2008. A expectativa é que esse crescimento se mantenha principalmente aqui no Paraná?
Nós achamos que vai estabilizar este crescimento. O avanço que tivemos em 2009 e em 2010, principalmente, consolidou-se em 2011. Ou seja, já não apresenta o mesmo ritmo de crescimento e já apresenta uma certa estabilidade. Isso não quer dizer que tenhamos problemas. Significa que precisamos apenas manter esse padrão que temos hoje. Porque, com vários fatores externos, como a crise econômica na Europa e o risco de uma crise globalizada, isso provavelmente vai influenciar os investimentos aqui no Brasil. Então, precisamos manter essa posição muito boa que temos hoje. Mas acho que o ritmo de crescimento não vai ser o mesmo de 2009 e 2010. Acredito em um crescimento mais modesto para manter a situação que temos hoje em termos de mercado.
O CREA-PR tem um projeto de construir uma nova sede. O senhor pretende priorizar essa obra ou as prioridades são outras?
Esta obra é prioridade e nós já estamos trabalhando em cima da finalização dos projetos para que possamos, em algum momento de 2012, lançar o edital para a licitação desta obra. É uma obra que eu pretendo iniciar e concluir na minha gestão.
Entrevistado
Joel Krüger, presidente eleito do CREA-PR
Currículo
- Possui graduação em engenharia civil pela Universidade Federal do Paraná (1984) e mestrado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (1995)
- Tem dois cursos de especialização: didática no ensino superior e gestão técnica do meio urbano, promovidos pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná e pela Universite de Technologie de Compiegne, na França
- Atualmente é professor adjunto da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, aonde ocupa o cargo de Coordenador do Curso de Engenharia Civil
- Ocupou o cargo de Diretor no Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (Senge-PR)
- Tem experiência profissional na área de Engenharia de Transportes, com ênfase em Planejamento e Organização do Sistema de Transporte, atuando principalmente nas áreas de mobilidade urbana, acessibilidade e logística.
Contato: j.kruger@pucpr.br
Crédito: Divulgação/CREA-PR
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Cimento e concreto inspiram produtos de acabamento
Com o estímulo de uma nova corrente de arquitetos, materiais estão cada vez mais presentes em pisos, tintas e até drywall
Por: Altair Santos
O cimento e o concreto estão na moda. Não só "in natura", mas inspirando outros elementos comuns à construção civil, como tintas, pisos e drywall. Para o arquiteto Guilherme Torres, especialista em usar o cimento e o concreto em seus projetos, hoje há uma corrente bastante influenciada por esses materiais. "O conceito de se mostrar a arquitetura como ela é, aliado à neutralidade dos produtos, faz com que seja crescente a exploração do cimento e do concreto, seja na forma bruta ou usando componentes que os agreguem. Acho que por isso eles estão na moda", avalia.

No caso do drywall, por exemplo, placas cimentícias já competem com o gesso na fabricação do produto e se revelam mais resistentes. Uma das técnicas é usar o chamado CRFS (Cimento Reforçado com Fio Sintético) na fabricação deste tipo de parede. Trata-se de um material produzido com uma mistura homogênea de cimento Portland e agregados naturais reforçados com fios sintéticos.Uma das vantagens do produto é que ele pode ser usado em áreas úmidas e receber aplicação de argamassa e revestimentos cerâmicos.
Outro elemento que ganha espaço nas construções é o tecnocimento. O revestimento agrega cimentos especiais, pó de limestone (espécie de pó de pedra), pó de mármore e pó de quartzo e imita o cimento queimado. Uma de suas vantagens é que não possui juntas, pois não apresenta trincas de contração ou dilatação do material, quando aplicado sobre uma superfície sólida, sem trincas e bem aderida. Outra peculiaridade do produto é que pode ser aplicado em pisos, paredes e tetos, tanto interna quanto externamente. O produto tem espessura média de 2 mm - equivalente a de um cartão de crédito.
O cimento também é o elemento-base do Tyrolean, um acabamento intermediário entre a tinta e a argamassa. Segundo o arquiteto Guilherme Torres, a quantidade de materiais que se utilizam do cimento cresceu muito depois que foram encontradas soluções para a luminotécnica e o isolamento termoacústico do produto. "Hoje já há soluções construtivas e também agregados que dão segurança aos projetos que priorizam a utilização de pisos e paredes à base de cimento e de concreto", garante.
Entrevistado
Arquiteto Guilherme Torres
Currículo
- Arquiteto graduado pelo Centro de Estudos Superiores de Londrina (UNIFIL, 1998) e pós-graduado em MBA Gestão Empresarial pela Fundação Getulio Vargas (FGV, 1999)
- Possui um considerável número de premiações e já participou de eventos de arquitetura na Sérvia, Ucrânia, China, Estados Unidos, Grécia, Turquia, Espanha, Suíça, Itália, Alemanha, Hungria e Londres
- Divide-se hoje entre seus studios em São Paulo e em Londrina, com vários fronts de atuação, de projetos residenciais e comerciais a design de mobiliário
Contato: www.guilhermetorres.com/contato
Crédito: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Construir pontes começa pelo papel e pelo macarrão
Universidades promovem concursos para alunos de engenharia civil aprenderem a estruturar edificações de concreto ou pré-fabricados
Por: Altair Santos
Já é tradição em um bom número de escolas de engenharia promover competições em que o objetivo final é construir pontes com materiais como papel ou espaguete. Vence a equipe que projetar a estrutura que mais suportar peso. No Brasil, as universidades federais de Juiz de Fora e do Rio Grande do Sul estão entre as que realizam essa atividade há mais tempo. O país já conta com 15 cursos de engenharia civil que incentivam campeonatos deste tipo. O mais recente a aderir foi o da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Segundo o professor Marcelo Medeiros, do departamento de construção civil da UFPR, o envolvimento dos alunos nestas competições os ajudam a ter noções de como se projetam estruturas de concreto. "É possível traçar um paralelo com as estruturas confeccionadas em pré-moldado. Por exemplo, uma etapa do concurso é a apresentação do projeto estrutural, que exige que os alunos façam todos os cálculos de resistência do papel para aplicá-los na fabricação das pontes. Neste momento, os alunos precisam raciocinar onde estão os esforços de compressão e os de tração e aplicar teorias de dimensionamento. É exatamente o que se faz para o concreto armado", explica.
No concurso da UFPR, as pontes deveriam ser instaladas em um vão livre de pelo menos 100 centímetros e teriam que resistir à maior carga possível até a ruptura. Venceu o projeto que suportou 18 quilos. Foram usados apenas papel e cola na elaboração das estruturas. As equipes inscritas contaram com a orientação dos 12 alunos que formam o grupo PET (Programa de Educação Tutorial) do curso de engenharia civil da Universidade Federal do Paraná - organizador do campeonato -, e do qual o professor Marcelo Medeiros é o orientador. "O grupo PET foi criado para idealizar projetos que estimulem os alunos do curso de engenharia civil, até para diminuir a evasão escolar", diz Medeiros.

Os alunos que integram o PET são bolsistas. Ao ingressar no programa, eles ganham condições de realizar atividades extracurriculares para completar a formação acadêmica. A inspiração vem de conceitos criados nas universidades americanas, como os honours programs. Atualmente, no Brasil, o Programa de Educação Tutorial conta com 400 grupos em instituições de ensino superior públicas e privadas. São 4.274 alunos bolsistas e 400 tutores, um para cada grupo de pesquisa. A cada ano, o programa lança um edital com 30 novas vagas. O PET que funciona no curso de engenharia civil é um dos 17 em operação na UFPR.
Recorde mundial
Entre as universidades brasileiras que promovem concursos de pontes, a UFRGS detém o recorde mundial. O departamento de engenharia civil da escola de Porto Alegre realiza campeonatos desde 2004, só que utiliza o macarrão espaguete, cola e epoxi como materiais. Em novembro de 2011, o projeto da equipe formada pelas Carlise Schmitz, Bruna Zakharia e Tieli Silva Fraga resistiu 234 kg antes de romper. A marca superou o recorde mundial de 176 kg, que pertencia à Okanagan University College, nos Estados Unidos, também usando uma estrutura feita com macarrão.
Entrevistado
Marcelo Medeiros, professsor do Departamento de Construção Civil (DCC) da UFPR,
vice-coordenador do Programa de Pós-graduação em Construção civil (PPGCC) e tutor do Grupo PET-Civil (Programa de Educação Tutorial)
Currículo
- Graduado em engenharia civil pela Universidade de Pernambuco (1999)
- É mestre em engenharia civil pela Universidade de São Paulo (2002) e doutor em engenharia civil pela Universidade de São Paulo (2007)
- Atualmente é professor da Universidade Federal do Paraná onde tem ministrado aulas na graduação e pós-graduação strictu sensu
- É professor colaborador de cursos de pós-graduação Latu sensu da Universidade de Pernambuco e Universidade do Oeste de Santa Catarina
- É membro colaborador do Colaboración Interamericana en Materiales (CIAM) no México
- Atuou nos trabalhos de inspeção, diagnóstico e projeto de recuperação de obras de arquitetos renomados, como Oscar Niemeyer (Brasil), Villa Nova Artigas (Brasil) e Fresnedo Siri (Uruguai)
- Tem experiência na área de engenharia civil, com ênfase em materiais de construção, patologia e terapia das estruturas de concreto, atuando principalmente nos seguintes temas: durabilidade, concreto armado, reparo, dosagem de concreto e argamassa, ataque por cloretos, corrosão de armaduras e vida útil
Contato: medeiros.ufpr@gmail.com / http://www.petcivil.blogspot.com
Veja vídeo da ponte que bateu o recorde mundial: Clique aqui
Créditos foto: Divulgação/UFPR/UFRGS
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Consumo de cimento atinge 64,5 milhões de toneladas
Previsões do SNIC indicam que até 2016 Brasil estará com capacidade instalada para produzir 110 milhões de toneladas por ano
Por: Altair Santos
A indústria de cimento no Brasil tende a fechar 2011 com um crescimento equivalente a 9% em relação a 2010, com o consumo atingindo a marca de 64,5 milhões de toneladas. Se confirmada a projeção do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) o setor terá gerado 5,4 milhões de toneladas a mais do que no ano passado. "Nossa previsão se baseia no consumo e nos sinais que as vendas internas estão dando", diz o presidente do SNIC, José Otávio Carneiro de Carvalho.

O otimismo do dirigente é projetado também para 2012. No ano que vem, o setor prevê o viés de crescimento a uma taxa que deverá variar entre 6% e 7%. São estimativas que reforçam a expectativa do SNIC de que até 2016 o Brasil terá superado a marca de 100 milhões de toneladas/ano na produção de cimento. "Com base nos projetos que estão sendo anunciados, nossa conta até ultrapassa esse número, pois já projetamos 110 milhões de toneladas até 2016", afirma José Otávio Carneiro de Carvalho.
O presidente do SNIC ressalta que, de 2005 para cá, a indústria cimenteira tem investindo fortemente em seu processo de produção, inaugurando novas fábricas e ampliando as já existentes, o que sustenta seu otimismo. "Nos últimos cinco, seis anos, nossa capacidade instalada ganhou um acréscimo de cinco milhões de toneladas/ano. Até 2016, serão mais 30 milhões de toneladas/ano, o que me deixa otimista para atingirmos a marca de 110 milhões de toneladas", assegura.
Por conta destas projeções, o SNIC descarta qualquer hipótese de o Brasil vir a precisar importar cimento para manter o ritmo de crescimento da construção civil. "O que aconteceu nos dois últimos anos foram importações residuais, absolutamente pontuais e localizadas para atender necessidades momentâneas, como a diferença entre demanda e capacidade de oferta ainda não concretizada. A partir de agora, não vejo nenhum risco de que isso possa acontecer", garante.
Segundo José Otávio Carneiro de Carvalho, o Brasil só não atinge patamares maiores de consumo de cimento por causa dos gargalos gerados pela infraestrutura, pela falta de capacitação de pessoal e pelos tributos. "Poderíamos crescer bem mais", avalia, citando que o setor da construção civil voltado para a área habitacional é o que mais impulsiona a venda de cimento hoje no país. "Esse segmento de obras habitacionais tem dado uma grande contribuição para o aumento de consumo", relata.
Por conta do crescimento do setor habitacional, o SNIC verifica que a região sul do país (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) começa a recuperar sua capacidade de consumir cimento, e que recentemente foi suplantada pelos estados do Nordeste. "O sul vem recuperando sua atividade neste ano", aponta o presidente do sindicato. A estimativa é que a região feche o ano com uma fatia de 15% no total de consumo do país contra 14,8% do ano passado.
Entrevistado
José Otávio Carneiro de Carvalho, presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Cimento
Currículo
- Graduado em engenharia de produção pela PUC-RJ (1965)
- Em 1969, concluiu pós-graduação em engenharia econômica na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
- Entre 1975 e 1978, integrou a equipe de assessoria econômica do então ministro da Fazenda, Mário Henrique Simonsen
- Desde 1982 atua no setor de cimento, onde prestou consultoria em diversos projetos
- Em 2001, foi convidado para o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), onde assumiu a função de secretário executivo e depois se tornou vice-presidente executivo da entidade
- No início de 2011, assumiu o cargo de presidente do SNIC
Contato: secretaria@snic.org.br
Créditos foto: Divulgação/SNIC
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Empresas investem no "psicologicamente saudável"
Ter programas que buscam o bom ambiente de trabalho não é exclusividade das grandes corporações e independe do setor de atividade
Por: Altair Santos
Dar atenção à qualidade de vida de seus colaboradores é uma missão cada vez mais valorizada dentro das corporações, independentemente do setor de atividade econômica ou do tamanho da companhia. Quem age assim enquadra-se no perfil de Empresa Psicologicamente Saudável (EPS) - uma nomenclatura criada pela Associação Americana de Psicologia (APA), nos Estados Unidos, e que recentemente passou a ser adotada no Brasil. Não há uma certificação específica para definir EPS. Neste caso, o que vale, são as boas práticas capazes de gerar um ambiente positivo de trabalho, e que irão se refletir também na vida pessoal do trabalhador.

Alberto Ogata, presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida, cita que há no país um bom número de empresas de pequeno e médio porte que já atingiu o nível de EPS apenas tomando medidas que privilegiam a saúde física e mental do trabalhador. "Há exemplos de empresas que conseguiram transformar o ambiente de trabalho somente melhorando a comunicação com os colaboradores. Isso influenciou na saúde emocional daqueles que sentiam a necessidade de receber informações diretas de suas lideranças", explica.
Segundo Ogata, o importante é a companhia estimular relacionamentos saudáveis dentro do ambiente de trabalho. A tese é reforçada por Alexandre Garrett, que junto com Takeshy Tachizawa é autor do livro Indicador de Desenvolvimento Humano Organizacional (IDHO) – Novas Dimensões da Cultura Corporativa. "Nas EPS, inovação, criatividade e renovação dos produtos acontecem naturalmente, independentemente de forças externas e do próprio mercado. Seus colaboradores estão prontos para dar o melhor de si, atendendo às necessidades das organizações", ressalta.
O livro de Garret e Tachizawa foi baseado em pesquisa realizada com 100 empresas brasileiras e levou em consideração os seguintes conceitos: sustentabilidade, transparência, governança corporativa e capital humano. Os resultados apurados detectaram que as EPS coincidem no menor índice de faltas ao trabalho, no menor índice de licenças, na alta produtividade e no baixo número de demissões voluntárias. "Se uma empresa começa a perceber que aumentou o número de faltas e a quantidade de atestados médicos, é sinal de que ela precisa intervir positivamente junto a seus colaboradores", reforça Alberto Ogata.
O presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida destaca ainda que, ao contrário do que ocorre em países europeus e nos Estados Unidos, no Brasil o ambiente de trabalho ainda é muito influenciado pelo perfil do chefe, do gestor, enfim, pela liderança da empresa. "Há muitas companhias em que o líder, o dono, o proprietário ou o presidente tem um estilo de liderança que favorece o clima positivo. Então, não é só aquela empresa que tem um RH treinado e que utiliza determinadas ferramentas que pode alcançar o nível de EPS. Há muitas pequenas empresas em que o líder tem uma ação positiva no sentido de manter seus subordinados atuantes e felizes", destaca.
Veja as práticas que definem uma Empresa Psicologicamente Saudável:
Envolvimento dos colaboradores
- São analisados o autogerenciado pela equipe, a participação na tomada de decisão e os foros de sugestões abertos aos empregados.
Equilíbrio de vida e trabalho
- Verifica se a empresa orienta seus colaboradores a administrarem assuntos financeiros e quanto de benefícios ela disponibiliza para as pessoas da família e os parceiros domésticos do trabalhador.
Crescimento e desenvolvimento dos colaboradores
- Analisa se a empresa oferece aconselhamento de carreiras, treinamentos e cursos, além de ofertar oportunidades para promoções e programas para formação de lideranças.
Saúde e segurança
- Leva em conta se a empresa oferece treinamento para um local de trabalho seguro, se há a implantação de um adequado seguro-saúde e se ela desenvolve programas contra tabagismo, álcool e drogas.
Reconhecimento do colaborador
- Considera as compensações monetárias dos colaboradores, os pacotes de benefícios, pagamentos de gratificações por desempenho e cerimônias de reconhecimento.
Ativo humano
- Avalia se a empresa preserva e valoriza seus talentos, os quais serão os gestores da organização no futuro.
Entrevistado
Alberto Ogata, presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida
Currículo
- Graduado em medicina e mestre pela UNIFESP (Escola Paulista de Medicina)
- Atua também como diretor da sub-secretaria de Assistência Médico Social e Coordenador do Programa de Qualidade de Vida do Tribunal Regional Federal da 3ª Região.
- É autor do livro Guia prático de Qualidade de Vida
Contato: @ albertoogata (Twitter) / www.abqv.org.br / abqv@raf.com.br (assessoria de imprensa)
Créditos Foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Durabilidade do concreto aparente depende da cura
Material foi bastante usado entre os anos 1960 e 1970 e começa a ser resgatado, tanto em ambientes internos quanto em fachadas
Por: Altair Santos
Na história recente da arquitetura, o concreto aparente tem vivido momentos de protagonista e de coadjuvante. No Brasil, quando o cimento passou a ser produzido nacionalmente, a partir dos anos 1920, o uso do material fez parte do movimento modernista. Passado quase meio século, voltou a viver um novo auge a partir do final da década de 1960 e início da de 1970, com Oscar Niemeyer liderando a corrente de arquitetos adeptos do concreto aparente, como Vilanova Artigas, Ruy Ohtake e Paulo Mendes da Rocha.

Agora, encerrada a primeira década do século 21, eis que fachadas e ambientes internos de casas e edifícios voltam a explorar o material. Essa revitalização está ligada às diversas possibilidades de aplicação do concreto aparente, já que ele se adapta a qualquer textura desejada: lisa, frisada, pintada ou rústica. "Ele aplica-se a todo tipo de ambiente", garante o arquiteto Waldeny Fiuza, alertando que a aplicabilidade do material requer mão de obra especializada. "Trabalhar com concreto aparente exige uma equipe experiente", diz.
Outro item que merece atenção é o custo da obra, que tende a aumentar com a opção pelo concreto aparente - principalmente se ele for a escolha para a fachada de uma edificação. "As fôrmas, as ferragens e a mão de obra elevam o custo. Mas não se pode comparar com a alvenaria, pois no caso das fachadas o que se procura é a plasticidade, a textura e a valorização do projeto. E esse papel o concreto aparente cumpre como poucos", destaca Waldeny Fiuza, que integra a Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura no Paraná (AsBEA-PR).
Um dos segredos para se obter bons resultados com o concreto aparente é promover uma boa cura do material. Essa etapa é importante e deve ser feita com critério para não haver fissuras, o que normalmente é causado pela evaporação prematura da água. "Após o endurecimento do concreto, ele continua a ganhar resistência e, caso não haja uma cura correta, pode perder até 30% de sua durabilidade", lembra o arquiteto. Neste processo, um dos métodos mais recomendados é molhar continuamente a superfície do material, logo após o endurecimento, durante os sete primeiros dias.
A escolha das fôrmas também é decisiva para o resultado final do concreto aparente. Em contato direto com o material, são elas que vão definir a aparência da parede. Além disso, exigem técnica em sua instalação, para não abrirem quando o concreto for despejado e não deixarem as paredes tortas. Se a opção for pela fôrma metálica, ela garantirá um acabamento mais uniforme e liso. Já com a fôrma de madeira, a flexibilidade de acabamento é maior, podendo-se optar por uma textura frisada.
Saiba mais sobre o uso do concreto aparente. Clique aqui
Entrevistado
Waldeny Fiuza, arquiteto e vice-presidente de administração e finanças da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura no Paraná (AsBEA-PR)
Currículo
- Vice-presidente de administração e finanças da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura no Paraná (AsBEA-PR) e sócio do escritório Dória Lopes Fiuza
- Com mais de 20 anos de experiência, trabalha no desenvolvimento de projetos de diversas áreas, como residenciais, comerciais, esportivas, hoteleiras, industriais e da saúde
Contato: asbea@asbea-pr.org.br / www.asbea-pr.org.br
Créditos Foto: Divulgação/AsBEA-PR
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Estádio do Corinthians usa tecnologia alemã para ser um dos mais modernos do mundo
Obra vai interagir com o meio ambiente, a fim de poupar energia e água. Além disso, projeto aposta no pré-moldado para ganhar tempo e evitar desperdício de materiais
Por: Altair Santos
A nova Arena Corinthians nasce regida por um novo modelo de engenharia e arquitetura. Segundo o arquiteto Aníbal Coutinho, que idealizou o projeto, o que vai nortear o estádio é a economia. "Buscamos um custo operacional baixo, a racionalidade da execução, a rentabilidade máxima e a economia de meios", define, assegurando que mesmo assim o estádio que irá abrigar a abertura da Copa do Mundo 2014 será um dos mais modernos do mundo, conceitualmente falando.

Obra que promete transformar o bairro de Itaquera, na zona leste da cidade de São Paulo, a Arena Corinthians teve um projeto que se adequou ao terreno. "O terreno tem 40 metros de desnível. Então, já havia uma declividade acentuada. Além disso, é um terreno estreito. Isso fez com que o estádio fosse planejado de uma maneira compacta, eliminando uma quantidade monumental de escadas. Do ponto de vista da acessibilidade, ele é muito bom. Todo o setor inferior da arquibancada é acessado sem escadas e na parte superior ficou muito minimizado o uso de escadas", explica Coutinho, da CDCA Arquitetos.
A concepção da Arena Corinthians contou ainda com a parceria do escritório alemão Werner Sobek, que fez os cálculos estruturais e projetou a tecnologia de sustentabilidade e racionalidade de energia que fará o estádio funcionar. O palco da abertura da Copa do Mundo terá reuso da água da chuva e um sistema de autogeração de energia via células fotovoltaicas aplicadas à fachada. A ventilação também será natural, beneficiando-se da arquitetura do estádio. "O projeto tem todos os protocolos de um projeto sustentável", diz Aníbal Coutinho.
Outra inovação do estádio está relacionado ao fato de que ele poderá encolher ou ser ampliado sem a necessidade de se mexer em sua estrutura. Durante a Copa, a Arena Corinthians receberá duas arquibancadas pré-fabricadas, que irão ampliar sua capacidade para 65 mil lugares. Após o mundial, esse equipamentos serão retirados e a capacidade cairá para 48 mil lugares. No entanto, quando quiser promover uma ampliação definitiva, o Corinthians poderá fazê-lo sem afetar a operacionalidade do estádio. "Ele nasce projetado para receber ampliações, ou seja, voltar a crescer para 65 mil lugares na hora em que o clube decidir", afirma o arquiteto que idealizou o estádio.
Fábrica de concreto
Orçada em R$ 820 milhões, e ocupando uma área de 197.095 m², a Arena Corinthians será construída com concreto pré-fabricado, sendo 80% pré-moldado e 20% moldado in-loco. "Peças como vigas, pilares, lajes e arquibancadas serão todas em pré-fabricado", conta Coutinho. A Construtora Odebrecht, responsável pela construção do estádio, instalou no canteiro de obras uma fábrica de estruturas pré-moldadas de concreto e já iniciou a produção das primeiras vigas jacaré.
Essas peças com formato denteado irão compor os apoios dos degraus das arquibancadas da futura arena. As primeiras vigas jacarés serão posicionadas sobre os blocos da arquibancada inferior do prédio Leste, onde será instalada parte dos assentos principais. São quatro diferentes dimensões de vigas jacaré, que podem variar de 80 centímetros a três metros de altura, e peso entre três e 50 toneladas. A fábrica de pré-moldados tem área de 7.500 m², onde trabalham 45 pessoas durante o primeiro turno e 15 operários no turno da noite, até às 23h20. Com capacidade para produzir cerca de 30 peças por mês, serão fabricadas, no total, mais de 350 vigas jacaré. A fábrica do canteiro produzirá em torno de 3.000 peças e terá no pico de obras aproximadamente 150 operários. . A estimativa é que o estádio consuma 17.500 m³ de concreto para atingir a capacidade de 48 mil lugares.

Entrevistado
Aníbal Coutinho, sócio da Coutinho, Diegues, Cordeiro Arquitetos Ltda. (CDCA Arquitetos), que projetou a Arena Corinthians
Currículo
- Arquiteto e urbanista graduado pela FAU/UFRJ, em 1978
- Leciona na FAU/UFRJ e já atuou como presidente da Asbea/RJ
- Tem uma série de projetos importantes assinados nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, em parceria com seus sócios da CDCA Arquitetos
Contato: acoutinho@cdca.com.br
Confira o vídeo de como ficará o estádio: http://youtu.be/M9sYm-dTRs4
Crédito: Divulgação/Odebrecht
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Veículos aéreos não tripulados prometem revolucionar mercado de geotecnologia
Mais versáteis, e com custo operacional até três vezes mais barato, os VANTs ajudam a agregar tecnologia 3D aos projetos de engenharia e contribuem para prevenir catástrofes naturais
Por: Altair Santos
A usina hidrelétrica de Jirau, em construção em Rondônia, é a primeira grande obra de infraestrutura do Brasil monitorada por veículos aéreos não tripulados (VANTs). Mensalmente, um equipamento sobrevoa a área da construção para verificar se o cronograma de trabalho está em dia e também para ajudar na montagem de relatórios ambientais sobre a megaobra. "O sistema monitora o desempenho das empresas que foram contratadas ", detalha Giovani Amianti, sócio da Xmobots, uma das cinco empresas brasileiras que já fabricam esse tipo de aeronave.

Essa não é a única aplicação dos VANTs no setor da construção civil. Os veículos são eficientes também para coletar imagens geológicas, fornecendo a topógrafos e engenheiros cartográficos dados mais precisos sobre áreas em estudo para receber rodovias, por exemplo. Os VANTs são capazes de realizar um mapeamento até 100% mais eficiente, se comparados a outros equipamentos.
No caso dos satélites, o detalhamento máximo chega a 50 centímetros. Já as aeronaves não tripuladas conseguem fornecer dados com até 25 centímetros de detalhamento. Por isso, a entrada desses veículos no mercado de geotecnologia é considerada revolucionária.
Além de permitir mapeamentos com um custo operacional até três vezes mais barato do que o de uma aeronave tripulada, o VANT aceita equipamentos que permitem realizar escaneamento em 3D. Esse recurso tecnológico tem levado pequenos e médios municípios a promoverem atualizações cartográficas e a reverem suas políticas urbanas. Por enquanto, por causa da regulamentação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), os VANTs não têm autorização para sobrevoar o espaço aéreo sobre grandes cidades.
Surgidos no final dos anos 1990, para uso militar, os VANTs têm se tornado cada vez mais presentes na área civil. Nos Estados Unidos, o investimento anual nestes equipamentos já ultrapassa os US$ 300 milhões, excluindo a área militar. O Brasil já conta com cinco empresas que produzem veículos aéreos não tripulados. Recentemente, os aparelhos tornaram-se objeto de pesquisa nas universidades. A UnB (Universidade de Brasília), por exemplo, trabalha em projetos para o desenvolvimento destes equipamentos em seu Laboratório de Automação e Robótica (Lara). USP (Universidade de São Paulo) e UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) também atuam nesta área.
Uma das finalidades dos veículos desenvolvidos nas universidades é servir para a prevenção de catástrofes naturais. O Sistema Nacional de Prevenção e Alerta, que está em fase de elaboração no Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) prevê o uso de VANTs. O projeto propõe a reunião de dados para que deslizamentos de terra e inundações tragam menos prejuízos para as populações em risco.
Os VANTs usados no Brasil têm, em média, de 1 metro a 2 metros de comprimento. Boa parte deles é operada a partir de uma base remota - um notebook equipado com softwares específicos, por exemplo - ou através de teleoperados. Nesse caso, a administração do voo é feita em tempo real, por meio de computadores, joysticks, celulares ou tablets.
Entrevistado
Giovani Amianti, sócio da Xmobots
Currículo
- Possui graduação em engenharia mecatrônica pela Universidade de São Paulo (2005) e mestrado pelo Programa de Pós Graduação em Engenharia Mecânica pela Universidade de São Paulo (2008)
- Atualmente é Sócio-Diretor de Sistemas Aviônicos da empresa XMobots Sistemas Robóticos, que encontra-se incubada no CIETEC. Tem experiência na área de sistemas aéreos não tripulados com ênfase em homologação de plataformas e sistemas aviônicos, atuando principalmente nos seguintes temas: Projeto Conceitual de VANTs, Projeto de Estabilidade e Desempenho de Plataformas VANT, Sistemas Aviônicos de VANTs, Homologação de plataformas VANTs e de Sistemas Aviônicos de VANTs, Hardware e Software Embarcados de Tempo Real Criticos
Contato:www.xmobots.com
Créditos Foto: Divulgação/XMobots