Inovação e sustentabilidade marcam 53º Congresso Brasileiro do Concreto
Evento promovido pelo IBRACON, em Florianópolis, teve a apresentação de 524 artigos e o aguardado lançamento do livro Concreto: Ciência e Tecnologia
Por: Altair Santos
De 1º a 4 de novembro de 2011, áreas importantes da cadeia produtiva da construção civil participaram, em Florianópolis, de um dos mais aguardados eventos do setor: o 53º Congresso Brasileiro do Concreto (CBC) promovido anualmente pelo IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto). Nesta recente edição, o encontro estabeleceu um recorde no número de trabalhos técnico-científicos propostos no fórum nacional de debates sobre o concreto e seus sistemas construtivos. Foram 524 apresentações, que se somaram a outras 24, voltadas exclusivamente para a 2ª conferência internacional sobre as melhores práticas em pavimentos de concreto – realizada paralelamente ao evento.
Os 524 artigos técnico-científicos apresentados no 53º Congresso Brasileiro do Concreto e nos eventos paralelos abordaram as seguintes áreas:
| Número de trabalhos aprovados | Temas/Evento Paralelo |
| Gestão e Normalização | 13 |
| Materiais e Propriedades | 263 |
| Projeto de Estruturas | 49 |
| Métodos Construtivos | 14 |
| Análise Estrutural | 114 |
| Materiais e Produtos Específicos | 41 |
| Sistemas Construtivos Específicos | 15 |
| Seminário de Infraestrutura Metroviária e Ferroviária | 15 |

O IBRACON considera também que o evento sobre pavimentação rígida foi o maior do mundo sobre o assunto. “Reunimos 12 convidados internacionais, considerados os maiores especialistas no assunto”, revela José Marques Filho, presidente do Instituto, reforçando que o tema central de todos os debates ocorridos no 53º Congresso Brasileiro do Concreto (CBC) foi o desenvolvimento da infraestrutura, com sustentabilidade. “Finalmente conseguimos reunir toda a cadeia de produção de concreto, juntamente com a área acadêmica, para criar um consenso em torno da sustentabilidade e também para debater projetos inovadores para o nosso setor”, completou.
O Congresso Brasileiro do Concreto, do qual participaram a Cimento Itambé e a Concrebras, tornou-se também um evento referência para o lançamento de livros técnicos publicados pelo IBRACON. Isso ocorre desde 2005, e em 2011 foi apresentada a obra Concreto: Ciência e Tecnologia. O livro contém 51 capítulos, divididos em sete partes, cada uma delas composta pelos seguintes assuntos:
Parte I
Introdução: a evolução do concreto; da arquitetura à estrutura; princípios do projeto estrutural; diretrizes de projeto para desempenho das estruturas; normas e códigos nacionais e internacionais
Parte II
Materiais: cimento Portland; agregados naturais e artificiais; adições minerais; água; aditivos químicos
Parte III
Concreto Fresco: reações de hidratação e pozolânicas; dosagem, propriedades, produção e controle de concreto dosado em central e em canteiro
Parte IV
Propriedades do Concreto Endurecido: nanoestrutura e microestrutura; resistência mecânica; propriedades elasto-plásticas; retração por secagem e fluência; propriedades térmicas
Parte V
Durabilidade do Concreto: ações do meio ambiente; conceitos de durabilidade e vida útil; mecanismos de transporte de massa; ação da carbonatação; ação de cloretos; corrosão das armaduras; reações álcali-agregados; ações físicas e químicas; ações do fogo; ação de agentes biológicos
Parte VI
Patologia, inspeção, diagnóstico e reabilitação: patologia das estruturas; resistência mecânica e fissuração de estruturas acabadas; reabilitação e reforço; proteções superficiais; monitoramento das estruturas
Parte VII
Concretos especiais: de alto e ultra-alto desempenho; com fibras; projetado; concreto massa e compactado a rolo; pavimentos viários; pisos industriais; concreto leve estrutural; concreto pré-fabricado; com polímeros; arquitetônico e decorativo; concreto branco; com agregados reciclados; autoadensável; para fins específicos e de última geração; concreto sustentável; nanociência e nanotecnologia dos materiais cimentícios
Em Concreto: Ciência e Tecnologia, o enfoque central é o estado da arte do material industrializado. O livro foi escrito por uma equipe de professores e profissionais experientes ligados ao IBRACON e em seu lançamento atraiu muitos acadêmicos ao congresso, principalmente pós-graduados. “Ele esmiúça as melhores formas de projetar e construir com concreto”, diz José Marques Filho, comemorando o sucesso do o 53º Congresso Brasileiro do Concreto (CBC).
Entrevistado
José Marques Filho, presidente do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto)
Currículo
- Graduado em engenharia civil pela Universidade de São Paulo (1980)
- Tem mestrado em engenharia civil pela Universidade de São Paulo (1990) e doutorado em engenharia civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2005)
- Atualmente é consultor da Companhia Paranaense de Energia (Copel) e coordenador e colaborador do Comitê Brasileiro de Barragens, além de colaborador da International Commission on Large Dams
- Também é professor adjunto da Universidade Federal do Paraná (UFPR)
- Tem experiência nos seguintes temas: CAR, Barragens, Caracterização, Laboratório de Concreto, Maciço Experimental e materiais.
Contato: jmarques@copel.com / fabio@ibracon.org.br (assessoria de imprensa) / www.ibracon.org.br
Créditos fotos: Divulgação/IBRACON
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Escassez de terrenos e novas tecnologias reativam conceito de casas geminadas
Projetos têm conseguido bons resultados termoacústicos e arquitetônicos, o que volta a atrair empreendimentos classe A para esse modelo de construção
Por: Altair Santos

A definição de casa geminada se dá quando duas ou mais habitações têm plantas baixas iguais, porém rebatidas, usando uma mesma parede como divisória. Hoje, esse tipo de construção não tem servido apenas para programas habitacionais, mas passou também a ser incorporada por construções de alto padrão. Um dos motivos é que novas técnicas construtivas permitiram resolver três dos principais problemas que levavam à rejeição da casa geminada: a iluminação e as questões acústicas e térmicas.
Segundo Gustavo Pinto, presidente da AsBEA-PR (Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura no Paraná) boa parte dos projetos hoje já consegue compensar luminosidade e ventilação, além de reduzir satisfatoriamente o impacto termoacústico. “Desde que se execute a técnica adequada, trabalhando com paredes duplas e manta de isolamento, tem-se uma sensível redução destas desvantagens da casa geminada”, afirma. “Agora, se não usar a técnica adequada você passa a ter dificuldades”, completa.
Na opinião do arquiteto, a vantagem da casa geminada é que ela possibilita explorar ao máximo o potencial construtivo do terreno. “Ela permite concentrar a área edificada numa parte do terreno e libera outras para recreação, circulação e estacionamento”, diz. Por isso, cresce o número de projetos classe A de casas geminadas. “Em São Paulo, atualmente, no bairro do Morumbi, há muito projetos assim”, afirma.
A maioria das capitais brasileiras conta com legislação específica para construções geminadas ou aborda os padrões deste tipo de casa em seu código de posturas e obras do município. Já em algumas cidades do interior não há um regramento claro. Com as novas normas do Minha Casa, Minha Vida 2, há prefeituras obrigadas a legislar sobre o assunto. É o caso de Maringá, no noroeste do Paraná, que recentemente determinou que casas geminadas só poderão ser construídas em terrenos com, no mínimo, 400 m².
Para Gustavo Pinto, Curitiba é a cidade com uma das legislações municipais mais bem acabadas sobre casas geminadas. “Ela dá parâmetros muito claros de como você pode ocupar esse tipo de construção no terreno, mantendo a qualidade espacial mínima, principalmente das áreas comuns”, diz o arquiteto. Isso talvez explique o sucesso de construções geminadas na capital paranaense, principalmente sob a forma de sobrados.
Nada se compara, porém, em que se transformou a casa geminada na Inglaterra. O modelo hoje é um padrão cultural entre os britânicos. “Na Inglaterra, existem bairros inteiros com casas geminadas de quadra a quadra. Nos fundos, eles transformam tudo em área comum e em área de recreação. Isso é cultural e vem desde a revolução industrial, motivada também pela questão de ocupação, de eles terem menos áreas para construir”, afirma o presidente da AsBEA-PR, para quem os ingleses deixaram um legado para o mundo sobre construção de casas geminadas. “Eles desenvolveram projetos arquitetônicos interessantes e bem compatibilizados sob o ponto de vista hidráulico, elétrico e estrutural”, finaliza.

Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Universidade investe em produção intelectual continuada para recompor perdas ao mercado
Por: Altair Santos
O maior interesse das empresas em desenvolver departamentos de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) tem atraído mestres e doutores do mundo acadêmico para a iniciativa privada. Atentas, para que não haja uma dispersão de cérebros em seus corpos docentes, as universidades intensificam a produção intelectual continuada, através de seus programas de pós-graduação. “Hoje, a formação de recursos humanos está estruturada para suportar eventuais perdas ou trocas de docentes de seus quadros. As linhas de pesquisa englobam vários docentes e a saída esporádica de alguns deles não diminui a capacidade destes programas em formar recursos humanos de alta qualidade no mestrado e no doutorado”, explica o professor-doutor Edilson Sérgio Silveira, coordenador geral dos programas de pós-graduação da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

No âmbito das empresas, o Brasil ocupa posição desfavorável em produção de conhecimento, se comparado a outros países. Por isso, Edilson Sérgio Silveira avalia como positivo o fato de algumas companhias estarem investindo nesta área, nem que isso resulte em perdas para o universo acadêmico. Ele ressalta, porém, que isso seria mais interessante se ocorresse em conjunto com as universidades. “Algumas empresas desenvolvem esta construção de conhecimento e de desenvolvimento tecnológico em parceria com as universidades, mas são poucas. A Petrobras é um destes exemplos. É preciso entender que um ambiente favorável à pesquisa engloba não apenas infraestrutura física, como laboratórios e equipamentos, mas também grupos de pesquisadores de alto nível. O investimento é custoso, mas essencial para manter a empresa competitiva”, diz.
No entanto, o pesquisador que se transfere de uma universidade para a iniciativa privada precisa saber que irá encontrar um ambiente diferenciado para desenvolver seu trabalho. “A postura do pesquisador em um ambiente de empresa é diferente da apresentada em ambiente acadêmico, mesmo porque os objetivos são outros. A função primordial da academia é a formação de recursos humanos de altíssima qualidade. Já a função da empresa é a obtenção de lucro através do desenvolvimento de novos produtos. Este tipo de pressão pode sim influenciar o desempenho do pesquisador no mercado fora da academia. Por isso, em algumas áreas, é crucial a parceria entre empresa e universidade”, alerta o coordenador dos programas de pós-graduação da UFPR.
A Cimento Itambé mantém desde 2007 um Convênio com a Universidade Federal do Paraná e dentro deste Convênio, está patrocinando em 2011 uma pesquisa sobre concreto junto à cadeira de Materiais de Construção com o envolvimento de dois professores e três alunos bolsistas da graduação.
O Brasil forma atualmente cerca de 12 mil doutores por ano e 36 mil mestres. Em algumas áreas, no entanto, ainda faltam pesquisadores. É o caso das engenharias, onde o mercado tem competido muito com a pós-graduação pelos profissionais. “Certamente, essa dificuldade passa também pela perspectiva de um salário maior do que o incentivo oferecido por uma bolsa de doutorado ou mesmo de mestrado que o aluno receberia durante sua estadia num programa de pós-graduação”, avalia Edilson Sérgio Silveira. Para reverter esse quadro, algumas universidades têm incentivado a cultura empreendedora em seus alunos. Assim, dentro do próprio universo acadêmico eles começam a incubar empresas com caráter inovador. Na UFPR, essa prática permitiu que o número de pós-graduados crescesse 8% de 2008 para cá. Em 2010, a universidade titulou 800 mestres e 250 doutores.
As agências de fomento também têm sido aliadas das universidades para segurar seus pesquisadores. “A UFPR, assim como outras instituições deste porte, incentiva seus pesquisadores a obter financiamento para suas pesquisas nas instituições
de fomento. Também submetemos, como instituição, vários projetos para estas agências de fomento, de modo a garantir um nível de investimento em infraestrutura e equipamentos. Com isso, foi possível fazer com que tanto o número de programas de pós-graduação quanto o número de alunos destes programas aumentasse nos últimos anos”, conclui o professor-doutor Edilson Sérgio Silveira.
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Concreto armado inspira as igrejas de Oscar Niemeyer
Por: Altair Santos
Ícone mundial da arquitetura moderna, e em plena atividade aos 103 anos de idade, Oscar Niemeyer lançou em agosto de 2011 um livro que reúne os principais projetos que fez de templos religiosos. As Igrejas de Oscar Niemeyer traz imagens coloridas de 16 catedrais, igrejas e capelas. Em comum, elas têm suas estruturas erguidas em concreto armado. O material inspira toda a obra do arquiteto.

Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares foi o pioneiro na exploração das possibilidades construtivas e plásticas do concreto armado, sobre o qual definiu sua obra. “Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein”, disse , em uma de suas memoráveis frases.
Formado em arquitetura pela Escola Nacional de Belas Artes, Oscar Niemeyer iniciou a consolidação de sua vasta obra com um símbolo da religiosidade: a igreja da Pampulha, que faz parte de um complexo arquitetônico construído entre 1940 e 1944 em Belo Horizonte, a pedido do então prefeito da capital mineira, Juscelino Kubitschek.
A ruptura de conceitos em relação às construções tradicionais de igrejas levou o arquiteto a ganhar notoriedade e a ousar ainda mais. Nos anos 1950, durante a construção de Brasília, projetos seus deram origem à catedral da nova capital, à capela do Palácio da Alvorada e à capela Nossa Senhora de Fátima. Anos mais tarde, ainda no Distrito Federal, ele teve executados seus projetos da Igreja Ortodoxa (1986) e da Catedral Militar (1992).
Niemeyer, que sempre se declarou ateu convicto e comunista, faz em As Igrejas de Oscar Niemeyer um relato do que o influenciou a projetar igrejas. “Nasci em uma família muito religiosa. Meu avô era religioso. Na casa onde eu morei, tinha cinco janelas, uma delas transformada em oratório pela minha avó. Tinha missa lá em casa. Era uma coisa muito natural”, conta.
Por isso, o arquiteto não para de receber propostas para elaborar projetos de igrejas. Os mais recentes são: uma mesquita em Argel, capital da Argélia; uma capela em Potsdam, na Alemanha, e a Catedral do Cristo Rei, em Belo Horizonte. Da concepção à materialização das obras, Niemeyer conta com a fundamental parceria do engenheiro civil José Carlos Sussekind, que desde 1978 substitui o já falecido Joaquim Cardozo. Essa simbiose entre arquiteto e engenheiro já rendeu até um livro: Conversa de Amigos - Correspondência entre Oscar Niemeyer e José Carlos Sussekind.
As Igrejas de Oscar Niemeyer é a terceira obra literária assinada pelo arquiteto. Além dela e o da parceria com José Carlos Sussekind, ele já havia lançado seu livro de memórias, em 1999: As Curvas do Tempo. Niemeyer também inspira outros autores, como o arquiteto gaúcho Eduardo Pizzato, que fez uma avaliação técnica dos principais projetos deste símbolo da arquitetura e lançou o trabalho Curvas nas Obras de Oscar Niemeyer, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Na obra, há uma frase que define a relação entre Niemeyer e o material que é a essência de seu trabalho: “Ele explora a plasticidade do concreto armado como ninguém”.

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Construção de edifícios altos exige modelos estruturais diferenciados
Por: Altair SAntos
O Brasil ainda não atingiu o estágio dos arranha-céus com mais de 100 andares, mas a engenharia estrutural do país já convive com um novo patamar de edifícios. Atualmente, não é raro despontarem prédios com altura acima de 100 metros nas principais metrópoles brasileiras. Sob o ponto de vista construtivo, são projetos que carecem de cuidados especiais. “Não se pode pensar em projetar este tipo de edifício sem o consumo de muitas horas na análise do modelo estrutural”, explica Augusto Guimarães Pedreira de Freitas, vice-presidente de Tecnologia e Qualidade da ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural).

Empreendimentos que pretendem atingir uma altura superior a 100 metros têm requisitos diferenciados em relação a prédios com menos pavimentos. Entre eles, a forma de cálculo. “Não são todos os escritórios capacitados para este tipo de estrutura”, lembra Augusto Guimarães Pedreira de Freitas, que ressalta que a parceria com a arquitetura passa a ser fundamental neste tipo de edificação: “Não tem como desenvolver estes prédios sem uma adequação grande da arquitetura ao sistema estrutural, que precisa ser composto por conjuntos de estruturas aporticadas e pilares-paredes. Isto deve estar bem inserido na planta de arquitetura.”
Outro ponto fundamental para projetos desta envergadura envolve testes em túnel de vento. “Para os edifícios altos, obviamente o vento é uma carga muito importante, que deve ser tratada como tal. Essa carga e o tipo de fundação, no entanto, não limitam a altura do edifício do ponto de vista técnico. Podem sim, limitar do ponto de vista econômico, pois a solução pode ficar muito cara para a viabilidade do empreendimento. Por isso, ressalto, a parceria com a arquitetura é muito importante. A solução de arquitetura deve levar em conta os recursos do sistema estrutural necessário, onde existir situações em que haja fatores adversos”, alerta o dirigente da ABECE.
Descuidos nos sistemas complementares de projetos para edifícios superaltos podem causar patologias como fissuras nas alvenarias de vedação e na interface com a estrutura. Por isso, para prédios acima de 80 metros, é obrigatório um projeto tanto de alvenaria de vedação quanto de revestimentos internos e de fachada. “Obviamente, a movimentação deste tipo de prédio não é pequena e este fator deve ser levado em conta nos sistemas complementares de vedação e acabamento”, ressalta Augusto Guimarães Pedreira de Freitas.
Outra exigência para projetos desta envergadura está relacionada à qualidade do concreto. “A classe do concreto aumenta. Para estas alturas, o ponto de partida é o C40, mas concretos ainda mais altos são cada vez mais comuns. Estes concretos, obviamente, têm uma importância enorme e situações de não conformidade, tão comuns ultimamente, são inadmissíveis. Para isto, é fundamental que se tenha um engenheiro responsável pelo controle tecnológico garantindo esta conformidade”, pondera o vice-presidente de Tecnologia e Qualidade da ABECE, que conclui que o essencial para este tipo de empreendimento é que a equipe de obras tenha um requisito básico: experiência.

A ABECE promoveu nos dias 26 e 27 de outubro de 2011 o 14º ENECE (Encontro Nacional de Engenharia e Consultoria Estrutural). Os projetos de edifícios com mais de 100 metros de altura fizeram parte dos debates. Uma das palestras tratou do dimensionamento para concretos de classes mais altas e da revisão da NBR 6118 - Projeto de Estruturas de Concreto.
Entrevistado
Augusto Guimarães Pedreira de Freitas, vice-presidente de Tecnologia e Qualidade da ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural)
Currículo
- Graduado em engenharia civil pela EPUSP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo) em 1988
- Possui especialização em vários cursos de extensão na área de projeto estrutural de concreto armado e protendido, alvenaria estrutural e garantia de qualidade
- É sócio e diretor administrativo do Escritório Pedreira de Freitas S/C Ltda
- Ocupa a vice-presidência de Tecnologia e Qualidade da ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural)
Contato: prefixocom@terra.com.br (assessoria de imprensa)
Créditos fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Prédio em SC é o 1º a ganhar selo ouro de sustentabilidade da Caixa
Edifício em Joinville atende 32 dos 53 requisitos da classificação, nas categorias qualidade urbana, projeto e conforto, eficiência energética, conservação de recursos materiais, gestão da água e práticas sociais
Por: Altair Santos
Apesar de a norma de desempenho NBR 15575 estar programada para entrar em vigor apenas em março de 2012, foi por perseguir seus requisitos que o edifício Bonelli, da Rôgga Construtora e Incorporadora, se tornou o primeiro prédio do Brasil a ganhar o selo Casa Azul (categoria ouro) da Caixa Econômica Federal (CEF). O prédio foi reconhecido pela adoção de práticas de sustentabilidade, preenchendo 32 dos 53 requisitos da classificação, nas categorias qualidade urbana, projeto e conforto, eficiência energética, conservação de recursos materiais, gestão da água e práticas sociais.

Criado em junho de 2010, o selo Casa Azul não é uma certificação, mas incorpora itens similares às certificações conhecidas no Brasil, como Acqua e Leed. A avaliação tem três graduações: bronze, concedida àquelas obras que atenderam a 19 critérios de sustentabilidade; prata, para quem atingiu a marca de, ao menos, 25, e ouro, para os que possuem 31 ou mais requisitos contemplados. “O selo foi elaborado considerando as diferenças regionais do país e adota critérios sociais em sua avaliação. Outro detalhe é que o selo é concedido apenas para projetos financiados pela Caixa”, explica a gerente executiva de meio ambiente da CEF, e coordenadora do Selo Casa Azul, Mara Luísa Alvim Motta.
O projeto do residencial Bonelli procurou se inserir na malha urbana de Joinville - maior cidade de Santa Catarina – sem comprometer seu entorno. Além disso, o empreendimento atende requisitos para ter bom desempenho térmico e acústico, assim como soube explorar a iluminação e a ventilação naturais e a adequação às condições físicas do terreno. Outro diferencial é o uso de gestão dos resíduos de construção e demolição (RCD) no canteiro de obra. Com 45 unidades habitacionais, o prédio tem previsão para ser entregue no começo de 2012.
Segundo Mara Luísa Alvim Motta, o Residencial Bonelli teve um acréscimo de apenas 2% no custo do empreendimento para perseguir os critérios da categoria ouro do selo Casa Azul. “O selo agrega valor ao empreendimento, uma vez que destaca para o comprador os itens de sustentabilidade existentes no imóvel”, diz. Para definir os requisitos, a Caixa Econômica Federal teve a consultoria de um grupo multidisciplinar de professores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
O empreendimento também contou com a experiência da Rôgga, que em seus projetos preza por produtos e serviços que agreguem confiabilidade, agilidade e inovação. No Residencial Bonelli, a construtora usou concreto da Concrebras. A empresa também trabalha com “ferramentas” de gestão de vanguarda, é certificada ISO 9001:2008 e tem nível A no Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat (PBQPH), além de utilizar o sistema corporativo RM da Totvs, que permite acompanhamento físico e financeiro diário das obras, e de manter parceria permanente com o INDG (Instituto de Desenvolvimento Gerencial).
Veja os critérios atendidos pelo Residencial Bonelli para receber o selo Casa Azul (categoria ouro) da Caixa:
Confira o que é preciso para se credenciar ao selo Casa Azul:
http://downloads.caixa.gov.br/_arquivos/desenvolvimento_urbano/gestao_ambiental/Guia_Selo_Casa_Azul_CAIXA.pdf
Entrevistados
Rôgga Construtora e Incorporadora
Gerência executiva de meio ambiente da Caixa Econômica Federal
Contatos
lidianejornalista@gmail.com (assessoria de imprensa da Rôgga Construtora e Incorporadora)
imprensa03@caixa.gov.br (assessoria de imprensa da Caixa Econômica Federal)
Crédito: Divulgação/Rôgga e Divulgação/Caixa
Simulador ajuda na capacitação de mão de obra para a construção civil
Treinamento funciona como um vídeo game, qualificando com mais segurança e rapidez operadores de máquinas usadas nos canteiros de obras
Por: Altair Santos
Investindo na mecanização, a construção civil tem exigido profissionais cada vez mais capacitados. O setor, no entanto, muitas vezes enfrenta o dilema sobre como e onde qualificar os trabalhadores. Por questões de segurança, o canteiro de obras nem sempre é o local adequado para o treinamento. Por isso, simuladores passaram a ser a alternativa mais rápida e econômica para ensinar a operação de máquinas. Em média, operar um equipamento virtualmente pode economizar até 40% no tempo de aprendizado.

A sofisticação dos programas de computação gráfica hoje permite que a capacitação seja feita como se o trabalhador estivesse atuando em um jogo de vídeo game. “É possível recriar todas as situações de operação de uma máquina usada na construção civil. E mais: diferentemente do que ocorre com uma máquina real, quando o treinamento torna-se individual, nos simuladores o instrutor pode capacitar um número maior de pessoas e demonstrar situações de risco em um ambiente idêntico ao da realidade”, explica Juliano Barbosa Alves, diretor administrativo e comercial da empresa Oniria, com sede em Londrina (PR), que se especializou em simuladores para a operação de máquinas.
A ideia de usar simuladores de treinamento na indústria pesada foi inspirada no que a aviação já faz há pelos menos duas décadas. “Hoje essa etapa (da simulação) é parte do processo que ajuda o usuário a entender o uso do equipamento que ele vai operar”, diz Juliano Barbosa Alves, citando que o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e os investimentos da Petrobras para explorar a camada pré-sal fizeram aumentar a procura por simuladores de treinamento.
No Brasil, o uso desse tipo de treinamento ainda é pequeno, se comparado ao que já é feito em países como Estados Unidos, Alemanha e Japão. A Oniria é uma das poucas empresas nacionais que aplica essa tecnologia. “Desenvolvemos simuladores customizados, dentro das especificações da empresa e pesquisando as dificuldades e os desafios de cada uma, para poder apresentar um projeto adequado”, afirma o diretor administrativo e comercial.
Simuladores para treinamento de máquinas devem atender à seguinte legislação: Lei da Inovação (nº 10.973 de 02/12/2004), Lei do Bem (nº 11.196 de 21/11/2005) e Lei da Informática (nº 8.248, de 23 de outubro de 1991). As vantagens de usar esse tipo de equipamento são:
- Uma experiência interativa é até 70% mais eficiente do que um treinamento tradicional em um equipamento real
- A simulação não substitui a experiência real, mas pode entregar um aluno até 90% pronto para o treinamento em campo
- O uso da simulação minimiza o consumo de combustível, matéria prima, desgaste dos equipamentos e tempo de inatividade
- O uso da simulação maximiza a disponibilidade de sessões de treinamento, segurança, tempo do instrutor e a eficiência
- O ROI (Retorno do Investimento) de um simulador está ligado a uma economia em toda a escala do processo de construção civil.
Entrevistado
Juliano Barbosa Alves, diretor administrativo e comercial da empresa Oniria Produtora de Softwares
Currículo
- Mestre em administração pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e MBA executivo em gestão empresarial pelo ISAR/FGV
- Atualmente é diretor administrativo e comercial da empresa Oniria
- Tem 8 anos de experiência acadêmica como professor universitário e mais de 10 anos de experiência profissional na área de administração e ciências da computação, com ênfase em gestão de projetos, atuando principalmente nos seguintes temas: jogos de computador, sistemas de informação, empreendedorismo e internet
- Auxilia na coordenação e produção de diversos projetos do Finep e do CNPQ
Contato: juliano.alves@oniria.com.br
Créditos: Divulgação/Oniria
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Setor da construção negocia pacto setorial para grandes obras de infraestrutura do país
Governo, empresários e sindicatos já têm itens aprovados, entre eles a criação de comitês de gestão para qualificar a mão de obra e reforçar a segurança do trabalho
Por: Altair Santos
O avanço das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) obrigou o governo federal a organizar, junto com empresários e trabalhadores, um pacto setorial para a construção civil. A intenção é criar um consenso entre as três partes para que as grandes obras de infraestrutura propostas para o país não sejam prejudicadas por entraves trabalhistas. As resoluções tiradas deste pacto devem gerar boas práticas, principalmente no que se refere à qualificação da mão de obra e à segurança do trabalho nos canteiros de obras.

A formatação do pacto setorial está a cargo da Secretaria Geral da Presidência da República, com a participação dos ministérios do Trabalho, do Planejamento e do Desenvolvimento e também de organismos como a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e o Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon). Por parte dos trabalhadores, participam as seis centrais sindicais: CUT, Força Sindical, CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), CTB, Nova Central e UGT. “Há uma esperança de que em novembro [de 2011] tenhamos isto concluído”, avalia Clóvis Scherer, economista do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) que tem participado da mesa de negociações.
Até o momento, já houve consenso em torno de três temas. O primeiro deles está relacionado ao recrutamento, seleção e contratação de pessoal. “Este é um aspecto crítico, por conta da intermediação de obra irregular na figura do gato (subempreiteiras que ignoram direitos trabalhistas e obrigações tributárias). Então, com relação a este tema a gente já definiu várias diretrizes”, explica Clóvis Scherer. Conforme o documento aprovado, as decisões sobre recrutamento, pré-seleção e seleção para a contratação de trabalhadores terão de coibir a prática de intermediação ilícita e a contratação precária. Para isso, será reforçado e ampliado o papel do Sine (Sistema Nacional de Emprego) para o recrutamento.
Caberá aos empregadores usar preferencialmente o Sine para disponibilizar as vagas e fazer o recrutamento e a pré-seleção, além de dar preferência à contratação de trabalhadores locais, assim como só liberar a entrada nas obras de trabalhadores com carteira assinada, exceto para a seleção e a contratação. As empresas terceirizadas também deverão cumprir esse plano de ação. Já, quando a seleção e a contratação forem efetivadas, a empresa deverá garantir o transporte aos trabalhadores pré-selecionados até o local da obra e também o retorno, com garantia de alojamento, alimentação e atendimento médico de urgência.
Legado
O pacto setorial da construção civil decidiu também pela constituição de comitês de gestão de Saúde e Segurança no Trabalho, que atuarão em todos os setores da obra, independentemente do tipo de contratação dos serviços e dos contratos de trabalho. “Será deles a função de acompanhar o cumprimento dos acordos coletivos, das legislações trabalhistas ou mesmo para discutir aspectos específicos de cada obra, como alojamento, alimentação, condições de transporte e assim por diante”, diz o representante do Dieese, que lembra que os comitês terão também uma função orientadora. “Eles terão como prerrogativa fazer o trabalho preventivo e educativo sobre saúde e segurança”, completa.
Outra decisão envolve a qualificação dos trabalhadores da construção civil. Foi assumido o compromisso de que, através de audiências públicas, será elaborado um plano de ação que faça com que as grandes obras deixem um legado profissional quando forem concluídas. O objetivo é que elas gerem políticas de desenvolvimento local, elevando a escolaridade e requalificando os trabalhadores. “É claro que vamos ter de colocar isso na prática. Só vamos ter uma perfeita ideia da receptividade do pacto quando ele for implementado. Mas até o momento percebe-se um engajamento grande da CBIC e do Sinicom, que participaram diretamente da mesa de negociações. Há empenho para que este pacto seja alcançado”, finaliza Clóvis Scherer.
Entrevistado
Clóvis Scherer, supervisor do escritório regional do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) em Brasília
Currículo
- Economista graduado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
- Atualmente chefia o escritório de Brasília do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese)
Contato: erdf@dieese.org.br
Crédito: Agência Brasil
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Novo código da Ciência, Tecnologia e Inovação dá mais poder de pesquisa à engenharia civil
Projeto tramita no Congresso Nacional e tem o objetivo de desburocratizar a importação de equipamentos para laboratórios e a troca de conhecimento com outros países
Por: Altair Santos
Os laboratórios brasileiros voltados para a pesquisa na construção civil terão, em breve, novas fronteiras legais para investir em inovação, na capacitação de seus pesquisadores e no intercâmbio com outros países. Isso será possível quando sancionado o novo código da Ciência, Tecnologia e Inovação, que tramita no Congresso Nacional (Câmara e Senado). Em caráter de urgência, ele deve ir à votação até o final de 2011. Se aprovado, irá desburocratizar a pesquisa no país, não só no que se refere à construção civil, mas a outros setores da tecnologia e da biomedicina brasileiras.

O texto do projeto de lei levado ao Congresso foi elaborado pelo Consecti (Conselho Nacional de Secretários para Assuntos de Ciência, Tecnologia e Inovação) e pelo Confap (Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa), em conjunto com outros organismos de ciência e tecnologia. A pretensão é que a nova lei destrave processos como importação de equipamentos, crie novas modalidades de financiamento e fomente o desenvolvimento da inovação no país. No núcleo da proposta está a capacidade do Brasil de tornar-se competitivo. “Temos que alcançar o nível de países mais competitivos do mundo, cujos centros de pesquisa trabalham com os melhores equipamentos, os melhores materiais de consumo e os melhores profissionais”, diz Breno Bezerra Rosa, coordenador do grupo de trabalho que elaborou o projeto de Código da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Pela legislação atual, ciência, tecnologia e inovação recebem tratamento igual a qualquer serviço público, ou seja, para que o investimento seja aprovado prevalece o menor preço. O novo código muda esse foco, privilegiando a qualidade. Para isso, precisa descolar da lei federal 8.666, que rege as licitações do poder público. “Hoje a prestação de contas é um problema para o pesquisador. O que propomos no novo código é que a prestação de contas seja por meio de formulário eletrônico, sem a necessidade da apresentação imediata de documentação. Caso haja flagrante erro, fraude ou alto de malversação do recurso, aí sim será chamado o pesquisador para apresentar a documentação e comprovar a aplicação dos recursos. É como funciona a declaração do Imposto de Renda”, explica Breno Bezerra Rosa.
O projeto de lei do novo código também permite que as universidades públicas compartilhem pesquisadores e laboratórios, para que as lacunas que ajam na pesquisa de uma instituição possam ser completadas por outra sem a necessidade de trâmites burocráticos, como concursos públicos por exemplo. Isso permite melhorar a aplicação de recursos, impedindo que ocorram pesquisas estanques, mas com o mesmo propósito. “O plano do novo código traz também a possibilidade de recrutamento de professores do exterior para vir participar de pesquisas cientificas nas universidades nacionais”, diz o coordenador do projeto.
Parceria
Mais um aspecto contemplado no projeto de lei é o que permite que pesquisadores das universidades públicas atuem em parceria com a iniciativa privada, gerando novos processos, novos produtos e novas patentes, que se tornarão co-propriedade da instituição de ensino que cedeu o professor e da indústria que financiou a pesquisa. Neste caso, os lucros obtidos destas patentes serão compartilhados entre empresa, instituição de ensino e pesquisadores.
O novo código sugere ainda que a Receita Federal crie uma equipe especializada em desembaraço de bens de ciência, tecnologia e inovação, respeitando a regra da prioridade e respeitando também as burocracias menos exigentes para estes processos, que dispensam exames e que reconhecem a isenção de imposto de importação e de imposto de produto industrializado.
Outra mudança que está no bojo do projeto é que as justificativas técnicas dos pesquisadores para a compra de equipamentos e materiais só poderão ser contestadas por especialistas com a mesma titulação ou maior que a deles. Hoje são os técnicos dos tribunais de contas que têm o poder de veto ou de liberação. “São pessoas que, apesar da competência profissional, pouco ou não conhecem de ciência, tecnologia ou inovação. Então o que nós exigimos, a partir de agora, é que os tribunais de contas, da União e os dos estados, tenham também uma estrutura que comporte pareceristas hábeis, com doutorado, pós-doutorado ou mestrado. Isso permitirá uma discussão de alto nível entre pessoas que realmente entendam do que estão falando”, finaliza Breno Bezerra Rosa.
Principais pontos do novo código
-Dar ao Brasil competitividade nas pesquisas científicas, tecnológicas e inovadoras
-Descolar o investimento em ciência, tecnologia e inovação da lei federal 8.666, que rege as licitações dos demais setores do poder público
-Em caso de pesquisas complementares, as universidades públicas poderão compartilhar pesquisadores e laboratórios, sem a necessidade de trâmites burocráticos
-Possibilita o recrutamento de professores do exterior para vir participar de pesquisas científicas nas universidades nacionais
-Permite parcerias entre universidades públicas e a iniciativa privada, com a divisão dos lucros das novas patentes
-Desburocratiza a importação de equipamentos e materiais voltados à pesquisa
Entrevistado
Breno Bezerra Rosa, coordenador do grupo de trabalho que elaborou o projeto de lei do novo código da Ciência,Tecnologia e Inovação
Currículo
- Graduado em direito pelo CIESA-AM (Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas)
- Pós-graduado em direito civil pela Universidade Gama Filho (RJ)
- Atualmente é assessor jurídico da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia do Amazonas
- É coordenador do grupo de trabalho que elaborou o projeto de Código da Ciência, Tecnologia e Inovação
- Foi assessor jurídico da Fundação de Apoio à Universidade Federal do Amazonas (Unisol)
- Foi vice-presidente do colégio de Procuradores do Conselho Nacional das Fundações de Apoio às IFES/CONFIES
Contato: breno@sect.am.gov.br
Crédito: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Nova norma de execução destaca virtudes do pavimento intertravado
NBR 15953:2011 torna-se referência técnica para peças de concreto assentadas sobre camada granular e incentiva o uso do material em ruas urbanas
Por: Altair Santos
Desde 25 de junho de 2011, uma importante lacuna relacionada ao pavimento intertravado foi preenchida com a entrada em vigor da NBR 15953 - Pavimento intertravado com peças de concreto — Execução. Trata-se da norma técnica para assentamento de pavers em camada granular. Antes, existia somente a norma de produção, a qual abrange especificamente a fabricação. Isso permitia que a aplicação mal feita do piso intertravado transformasse em “vilão” o fabricante do material em vez de quem o instalou.

Segundo Cláudio Oliveira, gerente da área de Inovação e Sustentabilidade da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), e que coordenou a equipe da ABNT que elaborou a NBR 15953:2011, a norma estabelece as diretrizes de execução de qualquer tipo de pavimento sujeitos ao tráfego de pedestres, de veículos dotados de pneumáticos e áreas de armazenamento de produtos, cujo revestimento seja de pavimento intertravado. Além disso, também serve de referência para que organismos públicos realizem licitações de calçadas e ruas que utilizem paver. “A necessidade da norma era grande, para proporcionar maior segurança ao contratante e ao consumidor”, explica.
Na norma de execução de pavimento intertravado há um capítulo sobre atribuições de responsabilidade. Nele, são colocados os atributos mínimos de todos os envolvidos na obra: contratante, projetista, fiscalização, fornecedor de peças e executor. “No caso do executor, é responsabilidade dele o atendimento das especificações da nova norma (NBR 15953:2011) e do projeto, além da avaliação e a aceitação das peças de concreto, assim como a utilização de equipamentos e ferramentas apropriados. É importante frisar que o executor também precisa observar a legislação trabalhista e utilizar na obra apenas pessoal devidamente qualificado”, afirma Cláudio Oliveira.
A qualificação para a instalação de pavimento intertravado pode ser feito em escolas do SENAI ou na própria ABCP. Com treinamento e a aplicação da nova norma técnica, o que se pretende é eliminar problemas que estavam relacionados principalmente com a qualidade final do pavimento, com o comprometimento da aparência e com a durabilidade. “A falta de cuidados com interferências como árvores, postes, caixa de inspeção, além de contenções mal executadas, proporcionavam um travamento inadequado do sistema e, consequentemente, com o uso intenso, os problemas vinham gerando muito retrabalho”, comenta o coordenador da NBR 15953:2011.

Com a regulamentação da ABNT para a execução de pavimento intertravado, a ABCP tem a expectativa de que esse sistema de pavimentação torne-se cada vez mais utilizado no Brasil, tanto quanto já é na Europa e nos Estados Unidos. Confira algumas vantagens:
- Ideal para ruas urbanas onde trafegam veículo com velocidade abaixo de 70 km/h
- Permite incorporar a sinalização viária horizontal, utilizando-se peças pigmentadas, sem a necessidade de pinturas
- Coloração mais clara proporciona maior conforto térmico, reduz a formação de ilhas de calor nos centros urbanos e melhora a visibilidade com economia de iluminação artificial
- Aumenta a segurança de frenagem dos veículos
- Facilita a manutenção no caso de abertura de valas, com reaproveitamento total das peças de concreto
- É executado com equipamento simples, sem a necessidade de pavimentadoras e sem expor os operários a temperaturas elevadas e à exaustão de gases da massa de asfalto
- Qualificação barata da mão de obra local
Revisão da norma de produção
A norma de produção de paver também está sendo revisada. Segundo Cláudio Vieira, a atual normatização precisa avançar em relação aos requisitos de durabilidade da peça de concreto, com a absorção de água e a abrasão, ainda não contemplados na norma em vigor. “Outro assunto importante em discussão é a relação entre o comprimento da peça e sua espessura, requisito adotado na norma europeia e que tem grande importância no comportamento mecânico da peça no pavimento intertravado”, explica. A expectativa da coordenação da ABNT é que em menos de um ano a revisão da especificação da peça de concreto já esteja pronta.
Confira abaixo o vídeo da ABCP sobre execução de pavimento intertravado:
Entrevistado
Cláudio Oliveira, gerente da área de Inovação e Sustentabilidade da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland)
Currículo
- Graduado em engenharia civil pela Universidade de Guarulhos (SP)
- Tem mestrado em engenharia na área de materiais de construção pela Escola Politécnica da USP
- Possui pós-graduação em Administração Industrial na Escola Politécnica da USP
- Tem especialização em Marketing pela ESPM- É gerente da área de Inovação e Sustentabilidade da ABCP
- Atua na normalização de produtos à base de cimento na ABNT, participando na elaboração e revisão de normas de pavimentos intertravados, alvenaria estrutural, tubos de concreto, telhas de concreto e outros produtos
Contato
claudio.silva@abcp.org.br
marta.oliveira@abcp.org.br (assessoria de imprensa)
Crédito: Divulgação/ABCP