Futuras gerações de engenheiros terão de ser parceiras da natureza

X CBDMA (Congresso Brasileiro do Meio Ambiente) debate papel dos profissionais diante de paradigmas que desafiam a construção civil

Por: Altair Santos

Uma nova geração de engenheiros e arquitetos começa a ganhar espaço na construção civil. Trata-se dos sustentabilistas, que planejam obras que busquem parceria com o meio ambiente, em vez de querer confrontá-lo. O desafio destes novos profissionais é levar qualidade de vida às cidades, cujo tema estará no centro dos debates que acontecerão no XCBDMA (Congresso Brasileiro do Meio Ambiente), promovido de 26 a 28 de outubro pelo Clube de Engenharia Brasil, no Rio de Janeiro.

Virgínia Salerno: engenheiros desenvolvimentistas tendem a perder espaço para os sustentabilistas

Segundo a coordenadora do evento, a engenheira e arquiteta Virginia Maria Salerno Soares, o novo olhar que engenheiros e arquitetos demonstram ter em relação à natureza revela que há boas chances da construção civil e do meio ambiente encontrarem uma convivência harmoniosa. “As novas gerações estão vindo com uma consciência maior sobre a relação entre o homem e o meio ambiente. Imagino que elas pensam em respeitar mais a natureza em seus projetos, ao invés de querer controlá-la de forma abusiva. Mas ainda há os desenvolvimentistas, engenheiros de gerações mais antigas, que ainda acreditam que isso é intriga da oposição”, diz.

Para Salerno, a busca do ponto de equilíbrio entre construção civil e meio ambiente passa por investimento em pesquisa e descoberta de novos materiais. “Não há como fazer diferente, este é o único caminho: investir em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), mirando o desenvolvimento sustentável, com metodologias que abarquem o equilíbrio entre as variáveis econômicas, sociais e ambientais”, avalia, completando que as escolas de engenharia têm papel fundamental nesta engrenagem: “Para isso, será necessário mudar o pensamento dos professores que hoje atuam nestas escolas. Em sua grande maioria, são professores ainda treinados com uma visão cartesiana e linear de ciência”.

A organizadora do X CBDMA, no entanto, acha que as universidades já demonstram interesse em mudar.  “Na verdade, o setor educacional é uma grande roda e como toda grande roda o seu movimento é lento e gradual. Mas para entender o conhecimento da sustentabilidade é necessário enfrentar a complexidade e os paradigmas que a cercam. Acredito que, conforme a sociedade cobrar mais tecnologias sustentáveis, mais avanços serão comemorados. No entanto, ainda temos muito que caminhar”, afirma.

Código Florestal
Entre os debatedores que estarão abordando a qualidade de vida nas cidades, dentro do X CBDMA, destacam-se o economista e ambientalista Sérgio Besserman e o arquiteto, paisagista e urbanista francês Thierry Jacquet, que colabrou na despoluição do rio Sena, em Paris, e projetou a reconstrução de mananciais em três rios no entorno de Shangai, na China, além da reurbanização da Baia de Alger, na Argélia. Por isso, há expectativa de que o novo Código Florestal, no tocante às cidades, seja abordado no congresso. “Como o meio ambiente é matéria transversal, certamente este assunto entrará na pauta dos nossos debatedores durante as mesas redondas”, prevê Virginia Maria Salerno Soares.

Nova geração de engenheiros vai precisar respeitar a natureza, em vez de querer confrontá-la

Entrevistada
Virginia Soares, coordenadora da Divisão de Ciência e Tecnologia do Clube de Engenharia
Currículo

- Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – UFRJ, em 1990
- É mestre em Engenharia dos Transportes, com ênfase em “Análise e Diagnóstico de Empresas de Transporte”, pela Coppe/UFRJ, em 1997
- Tem doutorado em Engenharia de Produção, com ênfase em “Metodologias de Pesquisa, Projeto e Gestão Participativa para a Inovação Tecnológica e o Desenvolvimento Sustentável”, pela Coppe/UFRJ, em 2003
- É gerente de Recursos Humanos da CET-Rio desde janeiro de 2009
- Diretora do Centro de Educação para o Trânsito da CET-RIO desde outubro de 2007.
- Conselheira do Clube de Engenharia junto ao CONEMA
- Coordenadora da Divisão de Ciência e Tecnologia do Clube de Engenharia
- Foi professora adjunta da cadeira de Metodologia e Pensamento Lógico, da UNIGRANRIO (Universidade do Grande Rio) e pesquisadora da COPPE-UFRJ, no Projeto Pesquisa Participativa para Formação Profissional Negociada (PPFPN), promovido pela CNM (Confederação Nacional dos Metalúrgicos) e pelo Ministério do Trabalho

Contato
virginiasalerno.salerno@gmail.com
xcbdma@clubedeengenharia.org.br

Créditos Fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

Há mais de um século, engenharia civil da UFRGS transforma tradição em qualidade

Fundado em 1896, e reconhecido a partir de 1900, curso é um dos mais antigos do Brasil e também um dos mais premiados por suas pesquisas

Por: Altair Santos

No começo de outubro de 2011, o de partamento de engenharia civil da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) foi premiado pela Editora Abril, através de levantamento feito pelo Guia do Estudante, como detentor de um dos melhores cursos do Brasil. O título confirma a posição que a graduação obteve no mais recente ranking do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) com base no desempenho do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) quando foi considerado o 6º melhor do país.

Sala de aula do curso de engenharia civil da UFRGS: curso atrai alunos do Mercosul

O reconhecimento do curso de engenharia civil da UFRGS é fruto da tradição. A graduação é uma das mais antigas do Brasil. Foi fundada em 1896, com reconhecimento em 1900, e ao longo destes mais de 100 anos a universidade investiu maciçamente em recursos humanos. “Sempre houve uma busca constante pela qualificação de professores e técnicos. Com isso, o curso tem atraído os melhores alunos da região sul e de países do Mercosul”, dizem os professores João Ricardo Masuero e Alexandre Rodrigues Pacheco, respectivamente, chefe e coordenador do departamento.

Esta combinação leva a engenharia civil da UFRGS a ter uma participação atuante em projetos de pesquisas e extensão, em parceria com empresas do setor. O curso também deu um salto de qualidade quando consolidou sua pós-graduação, a partir de 1970. “Todos esses anos deram ao ensino da nossa engenharia civil uma base didática e pedagógica sólidas, a qual permite a inserção continuada do desenvolvimento do ensino”, explica João Ricardo Masuero.

As pesquisas realizadas pela engenharia civil da UFRGS já renderam recentemente os seguintes prêmios à universidade:

- Melhores práticas da Comunidade da Construção, da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) com o trabalho “Produção de Estruturas de Concreto Armado com Concreto Autoadensável”

- Prêmio Antônio Mourão Guimarães, da ABM, pelo trabalho “Estudo do efeito da adição do pó de aciaria nas propriedades microestruturais de matrizes à base de cinzas volantes álcalis-ativadas”

- Prêmio Pini - Iniciativa Setorial de Destaque 2009, para Núcleo Orientado para a Inovação da Edificação (NORIE-UFRGS) - ao grupo de professores, alunos e funcionários
- Prêmio Odebrecht - contribuições da engenharia para desenvolvimento sustentável - para o trabalho ”Cimento ecológico: cinzas volantes ativadas por solução composta de

resíduos de tijolos refratários dolomíticos e hidróxido de sódio”
- Primeiro lugar no Concurso Falcão Bauer - Novos Materiais, Câmara Brasileira da Indústria da Construção/ SINDUSCON-GO
- Sinduscon Premium - Categoria case acadêmico - para os trabalhos “Desenvolvimento de concreto branco estrutural para a utilização em estruturas de concreto armado” e “Concreto auto-adensável"

- Sinduscon Premium - categoria Acadêmica para o Núcleo Orientado pela Inovação da Edificação (NORIE-UFRGS) - para o grupo de professores, alunos e funcionários, SINDUSCON-RS

Atualmente, com quase mil alunos na graduação, 92 na pós-graduação para mestrado e 96 para doutorado, a UFRGS desenvolve programas de iniciação científica e tecnológica, com financiamento a partir dos órgãos de fomento do poder público, como CAPES, CNPq, FINEP e FAPERGS. A universidade também está presente em desenvolvimento de pesquisas na área de pavimentação, em parceria com a Petrobras; na área de linhas de transmissão, com a Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica e a Centrais Elétricas do Norte do Brasil; de desenvolvimento de materiais cimentícios, tecnologia do concreto, argamassas especiais e aerodinâmica das construções, em parceria com a Agência Nacional do Petróleo e escritórios de projeto estrutural.

Sobre o estudo do concreto, o curso de engenharia civil da UFRGS dedica uma carga horária significativa do currículo para a área. “A graduação conta com disciplinas de execução de obras de concreto armado, projeto de estruturas de concreto armado, de concreto protendido, de estruturas pré-moldadas, dosagem de concretos e argamassas especiais e patologia de estruturas de concreto. Já no programa de pós-graduação, existem tópicos avançados no projeto de estruturas de concreto, patologia de estruturas de concreto, tecnologia de dosagem de concretos convencionais e especiais e as linhas de pesquisa de patologia e recuperação de estruturas e construções, além de projetos e análises de estruturas de concreto e fundações, tecnologia de materiais e processos construtivos”, revela Alexandre Rodrigues Pacheco.

Laboratório da UFRGS: universidade investe muito em disciplinas práticas para os alunos

Ainda na área de concreto, a UFRGS desenvolveu recentemente um trabalho em parceria com a ABCP, denominado “concreto para fast-track: ensaios in situ para controle da resistência à tração”. É através de projetos como esse que o departamento de engenharia civil consegue crescer sem perder qualidade. O curso atualmente oferece 160 vagas no vestibular e está investindo intensamente em infraestrutura, construindo novos prédios e adquirindo novos equipamentos para seus laboratórios, salas de aula e biblioteca. Tudo isso, também para atender a demanda do mercado. “Nossos egressos, já antes da formatura, vêm garantindo colocação qualificada. A maior porcentagem é absorvida pelo setor imobiliário da construção civil, seguido da indústria petroquímica”, comemoram os responsáveis pelo departamento de engenharia civil da universidade.

 

 
Entrevistados
Alexandre Rodrigues Pacheco, coordenador da comissão de graduação do curso de engenharia civil
João Ricardo Masuero, chefe do departamento de engenharia civil da UFRGS
Currículos
- João Ricardo Masuero
possui graduação em engenharia civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1988)
- Tem mestrado em engenharia civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1992) e doutorado em engenharia civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2009)
- Atualmente é professor assistente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
- Tem experiência na área de Engenharia Civil, com ênfase em estruturas
- Atua principalmente nos seguintes temas: computação paralela, dinâmica dos sólidos computacional, dinâmica dos fluídos computacional, métodos dos elementos finitos
- Alexandre Rodrigues Pacheco possui graduação em engenharia civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1992)
- Tem mestrado em engenharia civil (estruturas) também pela UFRGS (1996) e doutorado em engenharia civil (estruturas) pela The Pennsylvania State University (2003) depois de se transferir de Cornell University (Ithaca, NY)
- Atualmente é professor adjunto da UFRGS, vinculado ao departamento de engenharia civil
- Atua na área de estruturas e predominantemente em temas concernentes às estruturas de concreto estrutural, tais como modelagens por intermédio do método dos elementos finitos

Contato
joao.masuero@ufrgs.br
apacheco@ufrgs.br

Créditos Fotos: Divulgação/UFRGS

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

Falta de informação, euforia fomentada e excesso de liquidez geram bolha imobiliária

Professores da Poli-USP, que integram o Núcleo de Real Estate da Universidade de São Paulo, alertam que aumento nos preços dos imóveis começa a ficar injustificável

Por: Altair Santos

Afinal, o mercado imobiliário brasileiro está ou não imerso em uma bolha? A resposta a essa pergunta opõe especialistas, enquanto o mercado se nega a aceitar a hipótese. Há, no entanto, alguns ingredientes no cenário macroeconômico do país que apontam para o risco de bolha imobiliária. Os principais são desinformação, euforia fomentada e excesso de liquidez. Foi o que detectou recente estudo realizado pelo Núcleo de Real Estate, vinculado ao departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo).

Professor Cláudio Tavares de Alencar, presidente da Latin American Real Estate Society (Lares): soou o alerta para quem compra para investir

A pesquisa resultou em artigo assinado pelo coordenador do Núcleo de Real Estate, o professor-doutor João da Rocha Lima Júnior. O trabalho teve também a participação do professor-doutor Cláudio Tavares de Alencar, que ressalta que o foco do estudo foi o mercado residencial na cidade de São Paulo. “Houve um descolamento dos preços praticados em 2011 em relação ao “fair value” ou preço justo, como sendo aquele que remunera adequadamente, sem exageros, o investimento do empreendedor. Até o final de 2010, o crescimento dos preços no mercado paulistano é justificado estruturalmente, porque houve intenso e explicável crescimento de determinados fatores de custo. De lá pra cá, o crescimento de preços não pode ser explicado exclusivamente pela continuidade do incremento destes fatores, o que sugere a formação de bolha”, explica.

O Núcleo de Real Estate defende que o melhor jeito de mitigar riscos de formação de bolha é disponibilizar informação de qualidade e confiável. Por isso, o estudo alerta que o fenômeno brasileiro é diferente, por exemplo, do que causou a bancarrota nos Estados Unidos. Aqui, o crédito imobiliário voltado a quem adquire imóvel para morar, e não para especular, está protegido. “O crédito imobiliário no Brasil é responsável. Por esta via não se faz bolha imobiliária no país, como ocorreu nos Estados Unidos, onde se concedia financiamento em valores superiores ao valor do imóvel, na expectativa de que os preços sempre seriam crescentes. No entanto, há uma miríade de pequenos investidores desinformados que se vestem de especuladores, impulsionando a demanda e pressionando os preços pra cima. Aí é que há risco de bolha”, alerta Cláudio Tavares de Alencar.

Segundo a avaliação do Núcleo Real Estate, os investidores que têm posições nos empreendimentos, seja porque pagaram um preço alto, sem a contrapartida de valor embarcada no empreendimento, seja porque tomaram decisões irracionais e não obtiveram renda suficiente do imóvel para remunerar com qualidade o investimento realizado, são os que correm mais risco de perdas no caso de uma eventual bolha. Por isso, a recomendação é que esse tipo de investimento seja feito de forma indireta. “Faça-o através de cotas de FII (Fundos de Investimento Imobiliário) transacionados em bolsa, e que tenham gestão ativa de composição do portfólio de empreendimentos. É interessante também que sejam os FII de múltiplos ativos”, sugere o professor-doutor da Poli-USP.

Os fundos imobiliários foram regulamentados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), via Instrução nº 472, de 31 de outubro de 2008. Uma das principais vantagens é que eles permitem que o investidor aplique em empreendimentos de melhor qualidade e tenha acesso a atividades que não seriam viáveis ao adquirir 100% de um imóvel, ou seja, quando um investidor adquire cotas de um fundo de investimento imobiliário, ele passa a fazer parte de um grupo de investidores reunidos com o objetivo de somar seus recursos. O grupo terá um volume maior de dinheiro para enfrentar a concorrência dos demais interessados nos imóveis. Atualmente estima-se que haja mais de 100 FII no país, com patrimônio superior a R$ 8 bilhões. Qualquer investidor pode adquirir cotas de um fundo imobiliário, independentemente de seu porte. Há fundos cujas cotas são vendidas em agências bancárias e que aceitam investimento inicial a partir de R$ 1 mil.

MCMV
Na opinião de Cláudio Tavares de Alencar, até o programa Minha Casa, Minha Vida pode, indiretamente, alimentar uma bolha imobiliária. “O MCMV tem demanda real muito grande e dificilmente tem espaço para especulação, tendo em vista que seu objetivo é atender os segmentos de baixa renda. Por outro lado, o programa, bem como as obras de infraestrutura em curso no Brasil, absorve expressivos insumos de produção, mão de obra, materiais e equipamentos, os quais impactam na estrutura de custos de todo o mercado imobiliário, provocando pressões nos custos de produção dos empreendimentos que estão fora do MCMV”, argumenta.

Dicas básicas para investir em imóvel:
- Seja crítico quanto ao cenário econômico
- Busque informações isentas e descompromissadas com a negociação

O que é o Núcleo de Real Estate
O Núcleo de Real Estate constituiu um comitê de mercado, formado por professores e pesquisadores do NRE e profissionais de destaque do Real Estate, representando seus diferentes segmentos. O comitê reúne-se a cada bimestre, para dialogar sobre um tema relevante da economia setorial.

As pesquisas que o grupo desenvolve abrangem temas com ênfases como: empreendimentos imobiliários e de base imobiliária, concessões e investimentos de longo prazo sem valor residual, planejamento e administração nas empresas e nos empreendimentos, planejamento estratégico, econômico e validação de investimentos, valuation em real estate e meios de partilhamento de investimentos em Real Estate.
Para maiores informações, acesse: http://www.realestate.br/homesite/default.asp

Entrevistado
Cláudio Tavares de Alencar, professor-doutor do departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da USP, integrante do Núcleo de Real Estate e presidente da presidente da Latin American Real Estate Society (Lares)
Currículo

- Graduado em engenharia civil pela Universidade Federal do Pará (1988)
- Tem mestrado (1993) e doutorado (1998) em engenharia civil pela Universidade de São Paulo
- Atualmente é professor-doutor do departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da USP, ministrando aulas e orientando estudantes em cursos de graduação, pós gradução e MBA
- É revisor dos jornais Real Estate: Economia & Mercados, Ambiente Construído e Construction Management & Economics (UK)
- Tem experiência na área de Gerenciamento de Empresas e Empreendimentos com ênfase em Real Estate, atuando profissionalmente e desenvolvendo pesquisas nos seguintes temas: comportamento dos mercados de Real Estate, parcerias público privadas, sistema de classificação de empreendimentos e regiões urbanas, sistemas de funding para empreendimentos do setor da construção civil, índices setoriais e ferramentas para análise de riscos
- É presidente da Latin American Real Estate Society (Lares)
Contato: claudio.alencar@poli.usp.br

Créditos Fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

Normas fazem alvenaria estrutural brasileira dar salto de qualidade

Com as ABNT NBR 15961-1:2011 e ABNT NBR 15961-2:2011, que estão em vigor desde julho de 2011, país incorpora desenvolvimento técnico ao sistema construtivo

Por: Altair Santos

O Brasil, em função do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, é atualmente o país que mais utiliza o sistema construtivo conhecido como alvenaria estrutural. No entanto, algumas das normas técnicas que até recentemente regulavam esse modelo de construção não acompanharam seu avanço tecnológico. Foi o que levou a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) a desenvolver duas novas normas para criar uma sintonia fina entre projeto, execução e controle de obras em alvenaria estrutural.

Guilherme Aris Parsekian

A cargo do Comitê Brasileiro de Construção Civil (ABNT/CB-02) as normas foram publicadas no dia 18 de julho de 2011, depois de cinco anos de intensivas reuniões. A ABNT NBR 15961-1:2011 - Alvenaria estrutural - Blocos de concreto - Parte 1: Projetos especifica os requisitos mínimos exigíveis para o projeto de estruturas de alvenaria de blocos de concreto. Já a ABNT NBR 15961-2:2011 - Alvenaria estrutural - Blocos de concreto - Parte 2: Execução e controle de obras estabelece os requisitos mínimos exigíveis para a execução e o controle de obras com estruturas de alvenaria que utilizam blocos.

Uma equipe de treze especialistas atuou na elaboração das normas. O engenheiro civil e professor da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) Guilherme Parsekian secretariou a comissão de estudo. Segundo ele, a alvenaria estrutural brasileira dará um salto de qualidade a partir das ABNT NBR 15961-1:2011 e ABNT NBR 15961-2:2011. “O sistema construtivo ganha em vários aspectos, como uniformização dos padrões de ensaio, correção e atualização dos critérios de dimensionamento e indicação de procedimentos de controle de obra mais claros e racionais”, explica.

Ainda de acordo com Parsekian, alguns dos critérios de dimensionamento, como de cisalhamento, presentes na norma antiga, não tinham coerência e nem sempre eram utilizados pelos projetistas. “O controle de obra é baseado no ensaio de prisma, cujas normas antigas traziam confusões sobre o procedimento de ensaio, lote e quantidade de exemplares. Com as novas normas, ganha-se em clareza e precisão, e isso irá refletir em construções de qualidade e mais seguras”, comenta.

Antes, os projetos em alvenaria estrutural e os blocos de concreto eram regidos pelas seguintes normas técnicas:

A) Blocos de Concreto:
i.      Blocos vazados de concreto simples para alvenaria estrutural - ABNT NBR 6136:2006.
ii.     Blocos vazados de concreto simples para alvenaria - Métodos de ensaio – ABNT NBR 12118:2007.
a)     Graute:
i.      Ensaio à compressão de corpos de prova cilíndricos de concreto - ABNT NBR 5739:2007.
b)     Parede / Prisma:
i.      Paredes de alvenaria estrutural - Determinação da resistência ao cisalhamento – ABNT NBR 14321:1999.
ii.     Paredes de alvenaria estrutural - Verificação da resistência à flexão simples ou à flexo-compressão – ABNT NBR 14322:1999.
iii.    Paredes de alvenaria estrutural - Ensaio à compressão simples – ABNT NBR 8949:1985.
iv.   Prismas de blocos vazados de concreto simples para alvenaria estrutural - Preparo e ensaio à compressão - ABNT NBR 8215:1983. -  ELIMINADA COM A NOVA NORMA

B) Projeto
a)    Blocos de Concreto:
i.     Cálculo de alvenaria estrutural de blocos vazados de concreto – ABNT NBR 10837:1989. - ELIMINADA COM A NOVA NORMA

C) Execução
a)    Blocos de Concreto:
i.     Execução e controle de obras em alvenaria de blocos vazados de concreto – ABNT NBR 8798:1985. - ELIMINADA COM A NOVA NORMA

Guilherme Parsekian afirma que a intenção da ABNT é seguir o padrão utilizado nos Estados Unidos para as normas técnicas de alvenaria estrutural, onde as revisões acontecem de três em três anos. “As normas devem ser constantemente revistas para incorporarem o desenvolvimento técnico. Por exemplo, a norma de alvenaria estrutural norte-americana é revista a cada três anos. A norma antiga serviu muito bem para a época dela e os nossos colegas que a fizeram merecem todo nosso reconhecimento. Entretanto, nos últimos vinte anos o desenvolvimento da tecnologia brasileira na área foi muito grande e essa revisão contempla essa atualidade”, diz.

Entre os requisitos mais relevantes das normas ABNT NBR 15961-1:2011 e ABNT NBR 15961-2:2011, destacam-se:

Parte 1
De maior interesse para o projetista, ela altera completamente o conceito de dimensionamento. Agora é adotado o método dos Estados Limites, permitido procedimentos mais precisos e levando em conta critérios atuais de verificação das ações e segurança. Algumas falhas existentes na normalização antiga foram corrigidas, como a adoção de critérios adequados para o dimensionamento ao cisalhamento. Houve também a padronização do ensaio de argamassa para cubos de 4 cm, com a necessidade de completa caracterização de argamassas não tradicionais (com aditivos ou adição e não somente de cimento, cal e areia).

Outro ponto muito importante foi a padronização dos resultados, considerando sempre a área bruta, o que corrige uma falha grande das normas antigas onde a resistência do bloco era indicada na área bruta e do prisma na área líquida, levando à possibilidade de uma perigosa interpretação errada dos ensaios de controle. A parte 1 é finalizada com dois anexos informativos que introduzem no Brasil conceitos para Verificação de Dano Acidental e Colapso Progressivo e de critérios básicos para dimensionamento em execução de Alvenaria Protendida.

Parte 2

Voltada para a execução e o controle da obra, ela inclui a necessidade de caracterização prévia dos materiais a serem utilizados na obra (bloco, argamassa, graute e prisma), além da unificação em um único texto e revisão dos procedimentos de ensaios fundamentais para caracterização da alvenaria. Essa nova edição acrescenta também um procedimento inédito para controle da resistência a compressão dos elementos em alvenaria utilizados na obra, com parâmetros e requisitos variáveis em função da relação entre a resistência necessária/ especificada no projeto, da variabilidade dos resultados de ensaios e do número de unidades repetidas. Essas alterações têm como objetivo facilitar o controle da qualidade, tornando mais eficiente a sua implantação nas obras.

O grupo da ABNT que atuou na elaboração das normas foi formado pelos seguintes especialistas:

UFSCAR: Guilherme A. Parsekian
EPUSP: Luiz Sérgio Franco
BlocoBrasil: Carlos A. Tauil
Glasser: Davério Rimoli Neto
Arq. Est.: Márcio Santos Faria
ANAMACO: Rubens Morel N. Reis
USP: Márcio A. Ramalho
ABCP: Cláudio Oliveira Silva
LENC-BH: Maria Estânica M. Passos
ABCP-RJ: Guilherme Coelho de Andrade
UFMG: Roberto Márcio da Silva
Universidade Mackenzie: Rolando Ramirez Vilató
Prensil: Renato Daminello

Entrevistado
Guilherme Aris Parsekian, membro de comitês de normas brasileiros (ABNT)
Currículo

- Possui graduação em engenharia civil pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em 1993
- Tem mestrado, com distinção, em engenharia de estruturas pela Universidade de São Paulo (USP) em 1996
- Possui doutorado em engenharia civil pela Universidade de São Paulo (USP) em 2002, e pós-doutorado pela UFSCar (2002-2006) e pela University of Calgary - Canadá (2006-2008)
- Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal de São Carlos
- É membro do corpo-editorial ou revisor de revistas nacionais e internacionais, como ACI Structural/Materials Journal, Revista Prisma, Revista Ambiente Construído Também é membro de comitês de normas brasileiros (ABNT) e norte-americano (Masonry Standards Joint Committee 2008-2011)
- É Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq - Nível 2
Contato: parsekian.ufscar@gmail.com

Créditos Fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

Mais detalhista, mulher ganha espaço na engenharia civil

Mercado tem dado preferência às profissionais da área, que também são maioria na obtenção de títulos de mestre e doutor dentro das universidades brasileiras

Por: Altair Santos

Estudo realizado dentro da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) mostra que a engenharia civil está mudando seu perfil. Antes era um curso predominantemente masculino, hoje atrai cada vez mais mulheres. Em algumas universidades, o sexo feminino já ocupa quase 50% das vagas. Além disso, em mais de 80% dos casos, a família apoia a escolha. Outro dado que consta no levantamento realizado na Udesc é que atualmente 72% das estudantes que vão prestar vestibular para engenharia civil já escolhem a graduação como 1.ª opção.

Mulher na engenharia civil: dados do MEC mostram que elas conquistam mais vagas nas universidades do que os homens

O universo acadêmico também tem observado o aumento crescente de mulheres ocupando cadeiras no corpo docente das escolas de engenharia. “Uma pesquisa recente divulgada pelo MEC (Ministério da Educação) mostra que as mulheres já são maioria tanto na obtenção do título de mestre como na obtenção do título de doutor. Isto faz com que elas ingressem também na área acadêmica e, consequentemente, assumam papel relevante dentro dos cursos de engenharia”, revela Sandra Denise Krüger Alves, coordenadora do curso de engenharia civil da Udesc.

Dados do INEP/MEC, de 2011, mostram que o número de mulheres cursando engenharia cresceu 67,8% em 20 anos, enquanto o número de homens matriculados cresceu apenas 38,7%. Esse movimento feminino nos cursos de engenharia civil já se reflete no mercado de trabalho. Construtoras ligadas ao setor habitacional, por exemplo, têm privilegiado contratações de mulheres, sob a alegação de que elas obtêm resultados mais precisos. “Aqui em Florianópolis verificamos isso. A mulher engenheira tem se saído bem em funções como engenharia de segurança, projetos, organização do canteiro de obras e cumprimento de metas”, relata Sandra Denise Krüger Alves.

Uma área que ainda dificulta o mercado para as mulheres da engenharia civil é a de obras de infraestrutura, como construção de estradas e hidrelétricas. Mas a busca por especialização começa a reverter esse quadro. “As engenheiras buscam se afirmar na profissão. Elas querem se sentir seguras no que estão fazendo. Por isso, sentem a necessidade de se especializarem mais. Isto faz com que possam ter uma fundamentação melhor e maior poder de argumentação, sem contar o acesso que se tem às novas tecnologias de mercado”, avalia a coordenadora do curso de engenharia civil da Udesc.

A busca por capacitação mais apurada tem ajudado a reverter um dos obstáculos que as engenheiras civis enfrentam no mercado de trabalho: salários inferiores aos dos homens com o mesmo nível de especialização. Segundo o estudo na Udesc, uma profissional leva 10 anos para atingir uma faixa salarial acima do piso da categoria, enquanto um homem demora, em média, 7 anos.  “Infelizmente, pesquisas recentes apontam que os salários dos homens ainda são um pouco maiores que os das mulheres, mas esta situação gradativamente está caminhando para um equilíbrio”, diz Sandra Denise Krüger Alves.

Entrevistada
Sandra Denise Kruger Alves, coordenadora do curso de graduação de engenharia civil da Universidade do Estado de Santa Catarina
Currículo

- Graduada em engenharia civil pela Faculdade de Engenharia de Joinville (UDESC) em 1985
- Possui mestrado na área de estruturas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ - 1989)
- Trabalhou na Nuclebrás/RJ (1987-1990) na obra da Usina Nuclear de Angra II e na Maurbertec (SP) de 1990 a 1992, em obras de infraestrutura (pontes, viadutos, metrô, etc)
- Ingressou no Departamento de Engenharia Civil da UDESC em 1992, como professora colaboradora, e em 1993 em processo de concurso público. Leciona disciplinas da área de estruturas, e atualmente responde pela chefia e coordenação do departamento.
Contato: sandra_kruger@joinville.udesc.br

Mulheres também ganham espaço no canteiro de obras

Em Curitiba, a Hestia Construções e Empreendimentos desenvolve um projeto-piloto para capacitar mulheres a atuar nos canteiros de obras. “Estamos com duas profissionais em treinamento. Após a contratação, elas passaram por uma fase de ambientação nos canteiros de obra para identificarmos as aptidões de cada profissional. Hoje, elas estão em treinamento para as funções de pedreira e azulejista. Assim que o processo construtivo avançar nas demais obras da Hestia, serão abertas novas vagas para as mulheres no canteiro de obras, principalmente para as funções de acabamento”, explica Gustavo Selig, presidente do grupo Hestia.

Para a recepção das funcionárias, foram realizadas adaptações no canteiro de obras. As profissionais têm um vestiário próprio, onde apenas elas têm acesso às chaves da porta. Além disso, a empresa promoveu encontro com a equipe que trabalha no empreendimento explicando sobre a mudança e dando orientações sobre as novas normas de convivência. A adaptação, segundo Selig, tem sido acima da expectativa. “Acreditamos que este sucesso é devido ao processo de seleção e de ambientação. Elas tiveram um tempo hábil para se acostumar com os canteiros de obras e com os demais profissionais que, até então, eram somente do sexo masculino. No momento de ambientação, foram identificados os seus interesses e aptidões para desenvolvermos um treinamento personalizado para cada profissional”, revela.

Entrevistado
Gustavo Selig, presidente do grupo Hestia
Currículo

- Presidente de Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR), gestão 2009-2010 e 2011-2012, e do grupo Hestia
- É engenheiro civil formado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e Mestre em Administração de Empresas e Negócios pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-PR)
- De 2005 a 2006, foi o representante do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc)
Contato: contato@memilia.com

Créditos Fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

Gestão técnica do Dnit gera boas expectativas na construção civil

Setor espera que nova diretoria do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes viabilize obras nas rodovias e aposente as operações tapa-buracos

Por: Altair Santos

No começo do segundo semestre de 2011, a presidente Dilma Rousseff decidiu impor ao ministério dos Transportes uma gestão técnica, que se estendeu também ao organismo que é um dos mais importantes no planejamento e na execução de obras de infraestrutura do país: o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

Ronaldo Vizzoni, da ABCP: “Operação tapa-buracos é algo que evidencia erros de projeto e de planejamento.”

Empossado, o ministro Paulo Sérgio Passos delegou poderes ao general Jorge Ernesto Pinto Fraxe – nomeado diretor-geral - para mudar o viés do Dnit. A meta é que o departamento se sustente sobre três pilares para validar obras: transparência, planejamento e projetos atualizados que não exijam aditivos contratuais quando forem aprovados.

O posicionamento agradou setores da construção civil, como a ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland). “O general Fraxe, além de ser excelente do ponto de vista administrativo, e isso é próprio dos militares, é um excelente engenheiro. Esta mesma eficiência ele vai levar para o Dnit, perseguindo os ideais técnicos, de qualidade e éticos da profissão. Estamos vendo a gestão dele com excelentes olhos”, disse Ronaldo Vizzoni, gerente nacional de infraestrutura da ABCP.

Uma das primeiras medidas da nova gestão do Dnit foi requisitar à presidente Dilma Rousseff a contratação de 100 engenheiros para o departamento. O objetivo é formar um corpo técnico que planeje, controle e fiscalize as obras do setor, desde o projeto até a execução. Isso vai de encontro ao que prega a ABCP. “No Consulting Business, feito pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) defendemos que o governo deve ter um banco de projetos, senão, não vai resolver o gargalo nunca”, defende Vizzoni.

Na nova diretoria do Dnit, além do diretor-geral Jorge Fraxe, foi empossado o diretor-executivo Tarcisio Gomes de Freitas, o diretor de administração e finanças Paulo de Tarso Cancela Campolina de Oliveira, o diretor de infraestrutura aquaviária Adão Magnus Marcondes Proença, o diretor de infraestrutura ferroviária Mário Dirani e o diretor de infraestrutura rodoviária Roger da Silva Pêgas.

Jorge Ernesto Pinto Fraxe: diretor-geral do Dnit fez carreira na divisão de engenharia do Exército.

Com exceção do financeiro, que é advogado, economista e administrador, todos os demais são engenheiros civis. A cúpula do Dnit agora tem militares à frente, mas Fraxe descarta a "militarização" do departamento. “Isso é mais um ótimo sinal. O exército tem um batalhão de engenharia extremamente eficiente, mas não é missão, nem função do exército, querer competir com o mercado. Ele nem tem estrutura para esse volume todo de obra que se impõe”, avalia o gerente nacional de infraestrutura da ABCP.

Tapa-buracos

O que a ABCP defende é que a nova gestão do Dnit, ao priorizar projetos e planejamento, consiga livrar as rodovias brasileiras de operações tapa-buracos. “Operação tapa-buracos é algo que evidencia erros de projeto e de planejamento. Se abriu buraco, é porque não tinha drenagem, porque usaram pavimento de asfalto quando deveria ser de concreto, ou seja, faltou projeto e planejamento”, diz Ronaldo Vizzoni, confiando que o novo diretor-geral Jorge Fraxe conseguirá mudar o departamento. “Ele pediu um prazo de seis meses para colocar a casa em ordem, colocar tudo nos eixos. Isso significa que até o fim do ano vai ser um trabalho de organização e planejamento, para que em 2012 se retome tudo”, completa.

Diretoria do Dnit
Jorge Fraxe, diretor-geral: ingressou no Exército em 1972, como aluno da Academia Militar de Agulhas Negras, pela qual se diplomou como oficial engenheiro, e chegou a diretor de Obras de Cooperação da Força.

Tarcísio Gomes de Freitas, diretor-executivo: formou-se em engenharia civil pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e atuou como engenheiro da Companhia de Engenharia Brasileira na Missão de Paz no Haiti. Foi também auditor da Controladoria-Geral da União (CGU).

Paulo de Tarso Cancela Campolina de Oliveira, diretor de Administração e Finanças: é formado em direito, economia e administração de empresas, com MBA em finanças. Atualmente faz mestrado em gestão de empresas pela Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. É servidor público da Secretaria do Tesouro Nacional desde 2005. Em 2007, ingressou no Banco do Estado do Rio de Janeiro.

Adão Magnus Marcondes Proença, diretor de Infraestrutura Aquaviária: engenheiro civil especialista em técnicas construtivas e em engenharia de produção. Desde 2009 trabalha no ministério dos Transportes como especialista sênior em infraestrutura civil e aquaviária - cargo voltado para a gestão de portos e hidrovias da Bacia Amazônica e do Mercosul.

Mário Dirani, diretor de Infraestrutura Ferroviária: é engenheiro civil especializado nas áreas de regulação, defesa da concorrência e concessões. Desde 2008 atua como especialista em infraestrutura sênior do ministério dos Transportes. Também trabalhou na Agência Nacional de Transportes Terrestres e na Rede Ferroviária Federal. Foi professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).

Saiba mais aqui.

Entrevistado
Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes)
Ronaldo Vizzoni, gerente nacional de infraestrutura da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP)

Currículo

- Ronaldo Vizzoni é engenheiro civil e administrador de empresas pela Universidade Mackenzie (SP)
- Pós-graduado em Marketing Industrial pela FGV
- Projetista de estruturas
- Profissional da ABCP desde 1996, tendo atuado como gerente do escritório regional de São Paulo até 2001
- Atualmente é gerente da área de infraestrutura e líder do projeto de pavimentação da ABCP
Contato: imprensa@dnit.gov.br / ronaldo.vizzoni@abcp.org.br

Créditos Fotos: Divulgação/ABCP/Antônio Cruz/Abr

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

Bilionário saudita impõe mais um desafio à engenharia: erguer prédio de mil metros

Projeto pretende superar o Burj Khalifa, construído em Dubai, e que tem 828m de altura. Empreendimento exige investimento superior a US$ 1 bilhão e alta tecnologia

Por: Altair Santos

Inaugurada em 2010, a torre Burj Khalifa, construída em Dubai, está com o seu título de edifício mais alto do mundo ameaçado. Com 828 metros de altura, ela deverá ser superada em 172 metros, caso o projeto do bilionário príncipe saudita Alwaleed bin Talal se concretize. A intenção é que até 2016 a cidade de Jeddah, na Arábia Saudita, abrigue uma torre com 1.000 metros de altitude, transformando-se na mais imponente do planeta.

O Burj Khalifa, inaugurado em janeiro de 2010, deve deixar de ser o maior prédio do mundo até 2016

Para erguer a Kingdom Tower, estima-se investimento de US$ 1,23 bilhão de dólares (R$ 2,21 bilhões). A torre será desenhada pelo escritório de arquitetura norte-americano Adrian Smith + Gordon Gill e será construída pela Saudi Binladin Group (SBG). O custo da obra é menor do que o da Burj Khalifa, que saiu por US$ 1,5 bilhão (R$ 2,7 bilhões), e foi erguida pela construtora Emaar Properties.

Os cálculos preveem que a Kingdom Tower consumirá pelo menos 500 mil m³ de concreto e tenha 530 mil m² de área construída. Comparativamente, a Burj Khalifa consumiu 330 mil m³ de concreto e 31.400 mil toneladas de aço. Concreto e aço, aliás, formam a base estrutural dos arranha-céus até hoje construídos. Essas edificações só se tornaram possíveis quando estes materiais passaram a ser produzidos em escala industrial.

O primeiro edifício com mais de 100 andares foi construído em 1931, na ilha de Manhattan, em Nova York. O Empire State Building, com 102 andares e 381 metros de altura, sustentou o título de maior do mundo até 1972, quando foi inaugurado o World Trade Center, também em Nova York. Isso desencadeou uma corrida por megaedifícios, que se propagou por outros continentes. Atualmente, os 10 maiores prédios do mundo são:

1º) Burj Khalifa, em Dubai, com 828 m e 163 andares
2º) Taipei 101, na Tailândia, com 508 m e 101 andares
3º) Centro Financeiro Mundial Xangai, na China, com 492 m e 101 andares
4º) Centro Comercial Internacional, em Hong Kong, na China, com 484 m e 108 andares
5º) Petronas Towers, na Malásia, com 452 m e 88 andares
6º) Zifeng Tower, em Nanjing, na China, com 450 m e 88 andares
7º) Sears Tower, em Chiga (EUA), com 442 m e 108 andares
8º) Centro Financeiro Guangzhou Internacional, na China, com 439 m e 103 andares
9º) Torre Trump Internacional, em Chicago (EUA), com 423 m e 98 andares
10º) Empire State Building, em Nova York (EUA), com 381 m e 102 andares

Construções de arranha-céus, no entanto, exigem tecnologias próprias, como explica o engenheiro Manoel Lapa e Silva, especializado em estruturas pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Confira:

Em termos de legado para a engenharia e a arquitetura, o que obras como esses arranha-céus deixam, sob o ponto de vista de tecnologias construtivas?
A construção de edifícios altos exige a adoção de tecnologias feitas sob medida para cada caso. Em prédios de baixa e média altura, é possível a utilização de tecnologias correntes de pré-fabricação e outras que dão ganhos de escala. Em muitos casos, em edifícios altos, é necessário desenvolver concretos especiais de alto desempenho, ensaios em túnel de vento de modelos reduzidos, com o objetivo de conceber estruturas mais eficientes e econômicas, e aparelhos de apoios especiais de grandes dimensões, para permitir a rotação e o deslocamento de peças estruturais e, assim, liberar os apoios de determinados esforços horizontais introduzidos pelo vento e terremotos. Em alguns casos, são contratados institutos de pesquisa para desenvolver e ensaiar materiais e calcular esforços de soluções inovadoras. A
pesquisa científica e tecnológica tem contribuído para o desenvolvimento de soluções que, posteriormente, podem ser adaptadas para casos correntes.

Em termos de materiais usados nestes empreendimentos, só o concreto permite erguer megatorres ou apenas com a combinação concreto e aço isso é possível?
Tanto o concreto como o aço, sozinhos ou combinados, são utilizados para a construção de edifícios altos. É certo que, normalmente, são utilizados tanto concretos de alto desempenho (CAD) quanto aços especiais. Do ponto de vista do dimensionamento estrutural, admite-se que um edifício pode ser considerado alto quando a influência das cargas horizontais (devidas ao vento e sismos) assume uma importância considerável. Com o aumento da altura, torna-se crucial atender à influência das ações horizontais na concepção do sistema estrutural. Assim, o partido estrutural adotado deve prever uma rigidez global que permita resistir às ações horizontais. Um outro aspecto a ser observado é o encurtamento diferencial dos pilares pela ação do peso próprio.

O Brasil já tem tecnologia e material humano capaz de erguer prédios com mais de 100 andares ou isso ainda é uma realidade distante do país?
O Brasil já tem há muitos anos capacidade para projetar e construir construções complexas incluindo edifícios altos. Já existem, inclusive, edifícios altos construídos com tecnologia nacional.

O que leva à construção de edificações como essas? Elas são lucrativas ou valem mais pelo marketing que proporcionam mundo afora?
Em grandes metrópoles, onde o custo do solo é muito alto em áreas centrais, construir edifícios altos pode ser economicamente interessante. Em alguns casos, como nos Emirados Árabes, a razão pode ser política, pela afirmação de nações em mostrar a capacidade de empreender e atrair a atenção de grandes empresas e pessoas de alta renda.

Saiba mais aqui.

A Kingdom Tower, que será erguida em Jeddah, na Arábia Saudita, terá mil metros de altura e custo de US$ 1,23 bilhão


Entrevistado
Manoel Lapa e Silva, vice-presidente do Clube de Engenharia
Currículo

Engenheiro civil com especialização em estruturas, formado em 1975 na UFRJ. Tem projetos estruturais construídos no Brasil e no exterior. É primeiro vice-presidente do Clube de Engenharia
Contato: diretoria@clubedeengenharia.org.br

Créditos Fotos: Divulgação/AS+GG/Skyscraper

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

Aeromóvel de Porto Alegre tem previsão de ficar pronto em 2012

Obra vai consumir 2.600 m³ de concreto e trem vai circular sobre pilares e vigas de pré-moldado que pesam até 80 toneladas

Por: Altair Santos

Atualmente, uma das principais obras em andamento em Porto Alegre - prevista no cronograma de mobilidade para a Copa do Mundo de 2014 – é a construção do aeromóvel. O veículo sobre trilhos irá percorrer um trecho de 998 metros, fazendo a ligação entre o aeroporto internacional Salgado Filho e a estação de metrô mais próxima do complexo aéreo da capital gaúcha.

Etapa de estaqueamento já começou e 48 pilares produzidos pela Premold vão sustentar o aeromóvel

Trata-se de uma engenharia meticulosa, já que envolve a fabricação e o transporte de grandes peças de concreto pré-moldado. Os 48 pilares, cada um pesando 12 toneladas e medindo 15 metros, serão transportados da fábrica Premold, em Sapucaia do Sul - distante 20 quilômetros de Porto Alegre – até o local da construção, enquanto outras 48 vigas, cada uma pesando 80 toneladas, serão fabricadas no próprio canteiro de obras do aeromóvel.

Segundo o engenheiro Amilton Ribeiro, gerente de fiscalização da ETM Integradora de Serviços de Engenharia Ltda., empresa que lidera o consórcio do empreendimento, a construção do aeromóvel vai envolver 2.600 m³ de concreto. “As peças maiores são as que comportarão o duto de propulsão e os trilhos de rodagem do veículo”, explica. A expectativa é de que o aeromóvel seja inaugurado no primeiro semestre de 2012.

Os trens que irão circular sobre a estrutura em pré-moldado não utilizam a tecnologia MagLev, mas sim um sistema de propulsão pneumático. O ar é soprado por ventiladores industriais de alta eficiência energética, por meio de um duto localizado dentro da via elevada. O vento empurra uma aleta (semelhante a uma vela de barco) fixada por uma haste ao veículo, que se movimenta sobre rodas de aço em trilhos. “Para nós é um projeto inédito”, explica Amilton Ribeiro.

Atualmente 90 pessoas trabalham na construção do aeromóvel. Segundo relatório de fiscalização da Trensurb (Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S/A) de setembro de 2011, a obra está com 36% de sua execução concluída. A fase atual é de instalação de 204 estacas para receber os pilares, e também de montagem das formas das vigas que serão fabricadas “in loco”.

Simultaneamente, o canteiro de obras já recebeu 20,9 toneladas de trilhos ferroviários, por onde os trens irão percorrer. Além disso, os dois veículos – um com capacidade para 150 passageiros, outro para 300 - estavam com 29% de seus projetos concluídos até setembro de 2011. A empresa responsável pela fabricação do aeromóvel é a T’Trans Sistemas de Transportes S.A. O custo total do empreendimento está estimado em R$ 29.877.9
57,31.

Formas para produzir as vigas no local da obra. Cada peça vai pesar até 80 toneladas.

Traçado do aeromóvel, que vai ligar o aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, ao metrô da cidade, terá 998 metros


Animação do aeromóvel de Porto Alegre: http://vimeo.com/14681034

Entrevistado
Trensurb (Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S/A)
Contato

kaue.menezes@trensurb.gov.br (assessoria de imprensa)
http://www.aeromovel.com.br
http://www.trensurb.gov.br
Twitter: @Trensurb

Créditos Fotos: Divulgação/Trensurb

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

PBQP-H faz construção civil entender diferença entre investimento e custo

Programa nasceu para estimular a cadeia produtiva na busca de modernização tecnológica, além de balizar a industrialização de produtos em conformidade com as normas técnicas

Por: Altair Santos

Pode-se dizer que a construção civil, no que tange principalmente ao enfoque habitacional, tem um antes e um depois do surgimento do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H). Em mais de 10 anos, o PBQP-H vem estabelecendo parcerias entre o setor público e o setor privado, no sentido de buscar soluções para a condição do habitat urbano nas cidades brasileiras.

Maria Salette de Carvalho Weber, diretora do PBQP-H: “Um dos maiores desafios do programa é encontrar soluções para a melhoria das condições do habitat urbano”

Através do programa, o Estado passou a atuar como agente indutor da cadeia produtiva, enfrentando desequilíbrios nos padrões de qualidade, práticas da não conformidade e baixo nível de inovação tecnológica - fatores que contribuíam para um habitat urbano de baixa durabilidade.

Na coordenação deste QG que norteia a produção de habitações no país está a arquiteta Maria Salette de Carvalho Weber, que na entrevista a seguir mostra como funciona o PBQP-H junto à construção civil. Confira:

O PBQP-H já existe há mais de 10 anos. Neste período, que legado ele deixou?
Os resultados alcançados neste período de implementação do programa são diversos. Depoimentos de representantes dos prestadores de serviço revelam que, se antes os empresários encaravam a implementação de um sistema de qualidade em suas empresas como custo, hoje eles a veem como um investimento e sabem que o retorno é certeiro e rápido. O menor desperdício e a menor necessidade de manutenção de um produto da construção civil, apesar de não aferidos, justificam o esforço realizado. Outro aspecto relevante é a ampliação de abrangência do programa, com a inclusão dos setores de saneamento e infraestrutura urbana, oriunda da mudança de enfoque para habitat, introduzindo-se os conceitos de sustentabilidade. Isso faz com que o programa seja atualmente chamado a debater em outros fóruns, passando a ser um programa do Ministério das Cidades que contempla hoje a questão da sustentabilidade. Isso amplia naturalmente mais ainda o seu leque de parcerias, como, por exemplo, a parceria com o MME (Ministério das Minas e Energia) na questão da eficiência energética em edifício.

O que motivou a criação do PBQP-H?
Um dos maiores desafios do Estado e do setor da construção civil é encontrar soluções para a melhoria das condições do habitat urbano. A baixa qualidade das habitações e da infraestrutura urbana prejudica fundamentalmente os segmentos de baixa renda da população. Em 1998, um esforço conjunto em busca da qualidade e produtividade do setor ganhou corpo com a criação do PBQP-H, no qual o Estado passou a atuar como agente indutor e mobilizador da cadeia produtiva da construção civil para mudar a realidade do setor, que era marcada por desigualdade nos padrões de qualidade, prática da não conformidade intencional e baixo nível de inovação tecnológica - fatores estes que contribuíam para um habitat urbano de baixa qualidade.

Desde a origem do PBQP-H, o programa sofreu muitas transformações ao longo do seu percurso?
Desde a origem do PBQP-H houve uma maior participação do setor privado, que passou a ter um maior comprometimento com a qualidade na execução das obras e na fabricação de materiais em conformidade com as normas técnicas. O programa ganhou projeção nacional, como era o desejo do setor e do governo federal, que passou a apoiar o esforço de reestruturação do setor produtivo em torno de duas questões fundamentais: a melhoria da qualidade do habitat e a modernização produtiva. Ao longo do percurso, o PBQP-H ampliou suas responsabilidades na garantia de que os investimentos do governo em habitação e saneamento tenham qualidade e custo adequados, tornando o programa um aliado importante da política do ministério das Cidades voltada para a redução do déficit habitacional e melhoria da infraestrutura urbana, principalmente por meio do Programa Minha Casa, Minha Vida.

Como funciona a estrutura do PBQP-H e quanto ele tem de participação do setor público e do setor privado?
O PBQP-H está sob o abrigo do ministério das Cidades, mais especificamente na Secretaria Nacional de Habitação. O programa funciona em gestão compartilhada entre o setor público e o setor privado, fundamentado em parcerias, onde o setor público exerce o papel de indução, mobilização e sensibilização da cadeia produtiva. Essa parceria se dá de forma transparente, baseada fundamentalmente em discussões técnicas, respeitando a capacidade de resposta do setor e as diferentes realidades regionais. Buscam-se, com esse processo, metas e ações consensuais por todas as partes envolvidas, com base em um diagnóstico conjunto feito pelo governo e setor privado. Sua estrutura está organizada na forma matricial de seus sistemas. Para possibilitar a gestão e articulação com a sociedade e o setor privado, foram criadas uma coordenação geral, um comitê consultivo (CTECH), um grupo de assessoramento técnico (GAT) e os sistemas implementados (SiAC, SiMaC e SiNAT). Cada sistema conta com uma comissão nacional, podendo subdividir em outros colegiados, tais como comitês, fóruns e grupos de trabalho.

Como era a construção civil antes do PBQP-H e depois. Mudou muito o setor, desde que o programa passou a balizá-lo?
O cenário do setor de fabricantes de materiais e componentes para a construção civil, antes da implantação do PBQP-H, apresentava baixos índices de conformidade. De 1998 a 2002, foi definida a Meta Mobilizadora da Habitação, que previa a elevação para 90% o percentual médio de conformidade com as normas técnicas dos produtos que compõem a cesta básica de materiais de construção. Na atualidade, já existem materiais que ultrapassaram a meta de 90% de conformidade, promovendo um cenário de crescente isonomia competitiva no setor da construção civil.

Como funciona o SiMaC (Sistema de Qualificação de Materiais, Componentes e Sistemas Construtivos)?
A implantação do SiMaC, viabilizada pelos Programas Setoriais da Qualidade (PSQs), que hoje são trinta, envolve as atividades de normalização técnica, desenvolvimento de programas de avaliação da conformidade, realização de auditorias e de ensaios laboratoriais, acompanhamento dos indicadores da conformidade técnica do setor e outras atividades de TIB (Tecnologia Industrial Básica). Nos PSQs, o número de marcas acompanhadas é em torno de 1.100 e de produtos avaliados é aproximadamente 4.500. Destaca-se que o indicador de conformidade com as normas da ABNT nos PSQs acompanhados é, em média, de 81%. Antes da implantação do SiMaC, este indicador era entorno de 40%.

E o SiAC (Sistema de Avaliação da Conformidade de Empresas de Serviços e Obras)?
No que tange ao sistema de gestão da qualidade, antes do PBQP-H, poucas empresas de serviços e obras estavam aptas para certificarem o sistema de gestão baseados na série de normas ISO 9000. O SiAC, com abrangência nacional, estabeleceu níveis progressivos de certificação, com caráter evolutivo, que possibilita a implantação gradual do sistema de gestão da qualidade nas empresas de serviços e obras. Atualmente, o número de empresas certificadas no SiAC alcançou o número de 2.670, o que representam mais de 70% das empresas habilitadas nos agentes financiadores públicos de habitação.

E a função do SiNAT (Sistema Nacional de Avaliação Técnica de Produtos Inovadores), qual é?
Outro sistema é o SiNAT, que possibilita a harmonização de critérios para a avaliação com base no desempenho de componentes e sistemas construtivos inovadores, reduzindo as práticas heterogêneas de avaliação no país, trazendo maior segurança ao usuário e ao agente financiador. Com menor risco dos intervenientes, estimula-se o desenvolvimento e o emprego de inovação tecnológica na cadeia produtiva da construção civil, resultando no aumento da competitividade do setor. Atualmente, contamos com cinco diretrizes publicadas, que estabelecem os critérios e as metodologias para a avaliação técnica de sistemas construtivos em paredes de concreto, integrados por painéis estruturais pré-moldados, tipo steel frame e wood frame. Desde o início da operação do SiNAT, em 2009, foram aprovados seis sistemas construtivos inovadores, e encontra-se em avaliação nas Instituições Técnicas mais de setenta produtos inovadores.

O caráter do PBQP-H é de ser indutor de inovações ou de corretor de rota do que precisa ser melhorado?
Principalmente de indutor, por meio de regulamentação e o uso do poder de compra para a implantação de mecanismos de modernização tecnológica e gerencial, contribuindo para ampliar o acesso à moradia, em especial para a população de menor renda.

Especificamente na área de cimento e concreto, que tipo de acompanhamento desenvolve o PBQP-H?
O cimento e o concreto são acompanhados em todos os sistemas do PBQP-H. No SiAC, o cimento está entre os materiais controlados e o concreto está presente nos serviços de execução controlados conforme o nível de certificação da empresa. No SiMaC, o cimento portland conta com um Programa Setorial de Qualidade (PSQ) e o concreto está presente em dois PSQs: o de lajes pré-fabricadas e o de blocos de concreto e peças de concreto para pavimentação. A finalidade dos PSQs é de promover a isonomia competitiva, induzindo o setor para produção de materiais em conformidade com as normas técnicas. O concreto também é avaliado com base no desempenho no âmbito do SiNAT, em dois sistemas construtivos inovadores: paredes de concreto armado moldadas no local e painéis estruturais pré-moldados - de acordo com os requisitos e as metodologias definidas em Diretrizes SiNAT.

Como se posiciona hoje a construção civil brasileira em comparação a outros países?
A cadeia produtiva da indústria brasileira é bastante heterogênea. A inovação tecnológica é a alternativa para o aumento da produtividade e competitividade do setor no plano nacional e internacional. As políticas do governo, principalmente o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e o Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), impulsionaram o crescimento e vêm estimulando a modernização do setor da construção civil.

Entre os programas federais, o PBQP-H se envolve mais com o Minha Casa, Minha Vida ou com o PAC?
O PBQP-H está mais focado no Programa Minha Casa, Minha Vida, sendo este um dos seis eixos de atuação do PAC, e também mais voltado para as políticas sociais.

O que define que uma empresa seja qualificada como nível A, B, C ou D do PBQP-H?
O nível D é a etapa inicial para a implementação de um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ). Os demais níveis são alcançados por meio de certificação, que são efetuadas por organismos acreditados pelo Inmetro. Os níveis de avaliação da conformidade são diferenciados pelos requisitos do SGQ que são atendidos, assim como o percentual dos materiais e dos serviços de execução que são controlados pela empresa.

CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), Caixa Econômica Federal e Ministério das Cidades firmaram recentemente um acordo setorial nacional para garantir a qualidade das contratações de obras e serviços incluídos no MCMV e no PAC. Que tipo de atuação terá o PBQP-H nesta tarefa?
O objetivo deste acordo é estabelecer os critérios da contratação de unidades habitacionais e definir os prazos de adequação das empresas aos níveis de avaliação da conformidade do SiAC do PBQP-H para a contratação de empreendimentos dos programas habitacionais geridos pelo Ministério das Cidades e operados pela Caixa. Dentre as atividades previstas, o PBQP-H é um dos responsáveis pela mobilização do setor da construção civil, promoção do acordo e articulação com as entidades do setor.

Entrevistada
Maria Salette de Carvalho Weber, Coordenadora Geral do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H) da Secretaria Nacional de Habitação do Ministério das Cidades
Currículo

- Arquiteta formada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL-RS) em 1983
- Tem pós-graduação em Arquitetura pela Universidade de Brasília (UnB) 1985
- Conta com especialização em Gestão pela Qualidade no Setor Público (ENAP/PR) 1992, além de curso de mestrado em Planejamento Urbano pela Universidade de Brasília (UnB) 1996
- É funcionária de carreira do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, desde 1985
- De 1985 a 1988, assessorou o Programa Especial Cidades de Porte Médio e Regiões Metropolitanas
- De 1989 a 1990 fez acompanhamento técnico aos Projetos de Lei em Tramitação no Congresso Nacional, relacionados com a questão Urbana e Habitacional da Secretaria de Desenvolvimento Habitacional do MINTER (Ministério da Terra)
- De 1990 a 1992 chefiou a divisão de Normas e Procedimentos da Secretaria Nacional de Habitação do Ministério da Ação Social (SNH/MAS)
- De 1992 a 1996 chefiou a Divisão de Desenvolvimento Tecnológico e Coordenadora do Programa Nacional de Tecnologia da Habitação (PRONATH) da Secretaria de Habitação do Ministério do Bem-Estar Social (SH/MBES)
- De 1996 a 1999 chefiou a Divisão da Coordenação Geral de Fundos da Secretaria de Política Urbana (SEPURB/MPO)
- De 1999 a 2002 tornou-se coordenadora técnica do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade da Habitação (PBQP-H)
- A partir de 2003 assumiu a coordenação geral do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H) da Secretaria Nacional de Habitação do ministério das Cidades
Contato: salette.weber@cidades.gov.br

Créditos Fotos: Divulgação/Ministério das Cidades

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

Prédios sustentáveis devem começar pelo canteiro de obra

Especialista alerta que terceirização na construção civil exige cuidados e que a base para um bom desenvolvimento da edificação está no cumprimento da NR 18

Por: Altair Santos

Desde a década de 1980, a construção civil brasileira adota a terceirização para os canteiros de obras. Hoje, reavaliando os problemas que surgiram em decorrência deste modelo, as construtoras estão dando aos seus departamentos de recursos humanos instrumentos para que possam fiscalizar e auditar as empreiteiras que lhe prestam serviço. Essa mudança de comportamento vai além de questões organizacionais e trabalhistas. Tornou-se importante também para que uma edificação siga os preceitos de sustentabilidade e esteja de acordo com a NR 18 (Norma Regulamentadora número 18).

Neide Gomes Barros, consultora em RH: “Construtoras estão mais exigentes no processo de contratação das prestadoras de serviços”

Criada em 1995, e aperfeiçoada por uma série de portarias, a norma surgiu para estabelecer diretrizes nos canteiros de obras, definindo ordem administrativa, planejamento e organização, medidas de controle, sistemas preventivos de segurança e processos de proteção ao meio ambiente. “A base para todo o trabalho que será desenvolvido tem início na organização do canteiro de obras. Conhecer a NR 18 e aplicá-la é primordial para uma construção que se pretende sustentável”, explica a consultora Neide Gomes Barros, autora do livro Desafios na Arte da Construção - Novas Perspectivas na Gestão de Pessoas.

Neide Gomes alerta para os cuidados que devem ser tomados no momento em que se decide pela terceirização no canteiro de obras. “É importante observar os aspectos legais da contratação, assim como sua operacionalização, em função do afastamento da relação empregatícia, ou seja, o poder de mando inserido sobre os empregados perde importante ferramenta de controle”, diz, ressaltando que a fiscalização no cumprimento da legislação tem como objetivo a redução do risco trabalhista e a garantia da segurança e saúde do trabalho. “Estas responsabilidades devem ser realizadas de forma integrada entre setores, como gestão de contrato, Recursos Humanos e Segurança e Medicina do Trabalho”, completa.

RH especializado

A especialista ressalta, no entanto, que a terceirização é uma boa solução, principalmente para os canteiros de obras, desde que a empresa contratada apresente qualificação e responsabilidade trabalhista e previdenciária com seus colaboradores, além de se adequar às exigências da empresa que a contrata. “Os elevados índices de causas trabalhistas, resultantes da terceirização, têm levado as construtoras a maiores exigências no processo de contratação das prestadoras de serviços, como também maior rigor no controle e acompanhamento das exigências trabalhistas e previdenciárias”, reforça.

Para aprimorar as relações nos canteiros de obras, as empresas da construção civil passaram a especializar cada vez mais seus departamentos de recursos humanos. Capacitados, eles dispõem de mais instrumentos para desenvolver programas e ações direcionados às melhorias de questões como baixa qualificação profissional e turnover, gerando melhores condições no ambiente de trabalho. “As empresas estão desenvolvendo estratégias para atrair e reter seus talentos. Para isso, têm realizado parcerias com instituições como Sesi, Senai, Sebrae e universidades”, destaca Neide Gomes Barros.

Saiba mais sobre a NR 18: http://www.fundacentro.gov.br/dominios/PROESIC/anexos/NR18Atualizada.pdf

Sobre o livro Desafios na Arte da Construção - Novas Perspectivas na Gestão de Pessoas

A obra, de 150 páginas, editada pela Nossa Livraria, faz uma apresentação da atuação estratégica da área de Recursos Humanos em empresas da construção civil. De acordo com a autora, mesmo diante de um ambiente em constante mutação, é possível desenvolver um trabalho voltado para a qualidade e a produtividade.

Desafios na Arte da Construção - Novas Perspectivas na Gestão de Pessoas é destinado, principalmente, a profissionais da área de recursos humanos, empresários e gestores em geral, instituições de ensino, acadêmicos, além de profissionais da área da construção civil.

Entrevistada
Neide Gomes Barros, sócia-diretora da CAB (Consultores Associados do Brasil) – empresa de consultoria, assessoria, terceirização de gestão empresarial, recursos humanos, auditoria trabalhista e previdenciária
Currículo

- Graduada em serviço social pela UFAL (Universidade Federal de Alagoas)
- Tem mestrado em gestão empresarial pela Universidade Autônoma de Lisboa (UAL)
- É consultora para implantação de sistemas de gestão de qualidade, com base na NBR ISO 9001:2000, pelo Serviço nacional de Aprendizagem Comercial (Senac)

Contato: neide@cabconsultores.com.br / monica@cabconsultores.com.br (assessoria de imprensa)

Créditos Fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330