Crise internacional não impede que PIB da construção cresça mais que o do país
Dados apontam que setor vai fechar 2011 e 2012 experimentando taxas maiores de avanço econômico do que outras áreas, apesar dos gargalos ainda existentes no Brasil
Por: Altair Santos
No 83º Enic (Encontro Nacional da Indústria da Construção) que aconteceu em agosto de 2011, em São Paulo, a presidente Dilma Rousseff afirmou aos empresários do setor que o Brasil tem alicerces bem fundamentados para se proteger de uma segunda onda da crise internacional. Um deles é a cadeia produtiva da construção civil. Dados confirmam essa expectativa. Projeções do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) com base em estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontam que neste ano e em 2012 o PIB (Produto Interno Bruto) do setor será maior do que o do país.

O cenário vai repetir 2010, mas com menor intensidade. No ano passado, a construção civil cresceu 11,6% diante de um PIB de 7,5% do país. Neste ano, segundo Eduardo Zaidan, diretor de economia e presidente do conselho consultivo do SindusCon-SP, o setor vai crescer seguramente 5% diante de projeções do governo federal de que o Produto Interno Bruto do Brasil chegue a 4,5%, apesar de analistas de mercado, com base em projeções do departamento econômico do Citibank Brasil, avaliarem que esse número pode chegar no máximo a 3,7%. “Quando a economia cresce, a construção civil experimenta taxas maiores que a média dos setores”, confirma Zaidan.
O diretor de economia do SindusCon explica por que a construção civil tem conseguido estabelecer taxas de crescimento acima do país. “Como a construção civil é uma indústria de produção com prazos longos, pode-se dizer que o PIB de 2011 e boa parte do de 2012 já está contratado. Somente haverá tendência de diminuição nos índices de crescimento do setor se ao fim desses contratos não houver reposição de obras. Mas só poderemos verificar esta tendência observando o ritmo de crescimento da economia daqui a dois ou três trimestres futuros”, diz.
Zaidan também explica que o crescimento constante verificado nos anos recentes tem feito o setor resolver as distorções de produtividade, mas que o Brasil precisa fazer a sua parte solucionando os gargalos institucionais, micro e macroeconômicos. Entre eles estão os sempre apontados por todos os setores da economia nacional: carga tributária elevada, juros altos, complexidade tributária, insegurança jurídica, baixa qualificação profissional, burocracia, lentidão e complexidade nos procedimentos de obtenção de licenças e permissões municipais, estaduais e ambientais. “A lista é longa”, cita.
Um exemplo dado pelo diretor do SindusCon-SP está no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que não avança na velocidade que deveria, e cujas demandas vão passando de um ano para outro. Zaidan avalia que neste aspecto o Minha Casa, Minha Vida está trazendo resultados mais efetivos. “O MCMV contratou a construção de um milhão de novas moradias em 2009 e em 2010 e agora começou a fase dois do programa, com a promessa da contratação de mais dois milhões até 2014. Está indo bem, enquanto o PAC anda mais devagar”, analisa.
Por conta desses entraves é que ainda não é possível cravar que a construção civil entrou num período de crescimento sustentável, apesar de ter mudado de patamar de 2005 para cá. “Em face das vulnerabilidades latentes na economia brasileira, ainda não podemos falar em crescimento sustentável. Vale lembrar que na crise internacional de três anos atrás (2008) o setor cresceu apenas 1%. Mas o momento é positivo. É só observar o consumo de cimento e de concreto, que são umas das balizas do setor. As vendas estão em um bom patamar. Trata-se de produtos cativos da construção e não estocáveis. Com a maior formalização da construção, que aconteceu a partir de 2006 e 2007, fato saudável para o país, é impossível dissociar o crescimento de um e de outro, e eles são positivos.”
Três milhões de empregos
Atualmente, a cadeia produtiva da construção civil emprega formalmente três milhões de trabalhadores. A marca foi atingida no primeiro semestre de 2011. Dos 3.026.011 contratados com carteira assinada, 1.556.361 estavam no Sudeste, 634.247 no Nordeste, 421.833 no Sul, 237.357 no Centro-Oeste e 176.213 no Norte. Por isso, o setor é um dos alicerces do país contra a crise internacional.
Entrevistado
Eduardo Zaidan, diretor de economia e presidente do conselho consultivo do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo)
Currículo
- Graduado em engenharia civil pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP)
- Pós-graduado em Administração de Empresas pela EASP FGV-SP
- MBA Executivo Construção Civil pela Escola de Economia da FGV-SP
- Possui mais de 30 anos de experiência no mercado imobiliário e da construção
- Diretor executivo da RFM Construtora Ltda
- Diretor de Economia e presidente do Conselho Consultivo do Sinduscon-SP
Contato: zaidan@rfm.com.br / rmarko@sindusconsp.com.br (assessoria de imprensa)
Créditos Fotos: Divulgação/SindusCon-SP
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Tendência é que crédito imobiliário continue com larga oferta no Brasil
Alienação fiduciária do imóvel reduziu risco de calote e setor financeiro se sente estimulado a manter aquecido o financiamento para o setor habitacional
Por: Altair Santos
A oferta de crédito imobiliário seguirá com viés de alta, e tende a fechar o segundo semestre de 2011 com números ainda mais positivos que os apresentados entre janeiro e junho. O sinal vem da pesquisa “Indicadores de condições de crédito”, divulgada trimestralmente pelo Banco Central. Segundo o levantamento, entre abril e junho, as instituições financeiras registraram aumento de 0,75 ponto na demanda pelo segmento do crédito habitacional. Já para o período julho, agosto e setembro, a tendência é que a mesma demanda suba para 0,88 ponto.

A pesquisa do Banco Central é feita diretamente com os bancos, que respondem perguntas qualitativas sobre a expectativa para o trimestre que está por vir. As respostas são divididas por: grandes corporações, pequenas e médias empresas, pessoas físicas e financiamento imobiliário. As instituições financeiras respondem as questões com números que vão de -2, o cenário mais restritivo, até +2, cenário considerado mais flexível. Dentro dessa margem, o -1 demonstra cenário moderadamente mais restritivo e o +1, moderadamente mais flexível. Já o zero indica um cenário neutro para o trimestre em consulta.
Para o diretor do Creci-PR (Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Paraná), Luiz Celso Castegnaro, os dados levantados pelo Banco Central coincidem com o que o organismo sente do mercado. “Pelas informações trazidas por nossos credenciados, a tendência é realmente de crescimento”, diz. O dirigente estima que isso se deve à demanda reprimida do mercado imobiliário. “O déficit habitacional ainda é muito grande e as políticas facilitadoras para a tomada de financiamento no setor estão estimulando cada vez mais o crédito imobiliário. É como uma corrente: um puxa o outro”, explica.
Luiz Celso Castegnaro aponta que, entre os itens fundamentais que alavancaram a oferta de crédito imobiliário no Brasil, está a posição do Banco Central em relação à política que determina a aplicação dos recursos da caderneta de poupança no setor habitacional. Diz a lei que as instituições financeiras, sejam públicas ou privadas, devem direcionar para a área de habitação 65% do captado através de aplicações em poupança. “Isso, antes, não era muito cobrado ou fiscalizado pelo Banco Central. Agora, está bem firme a cobrança, com os bancos, inclusive, sendo multados se não aplicarem este montante para a área da habitação”, revela.
Outro fator de estímulo ao crédito imobiliário foi, segundo o diretor do Creci-PR, a adoção da alienação fiduciária na venda de imóveis. “No sistema hipotecário, o comprador ficava cinco, seis, até oito anos brigando com o banco, discutindo prestações, discutindo contratos e seguia morando sem pagar o financiamento. Agora, com a alienação fiduciária, após três meses de atraso o banco pode requerer o imóvel. Para o sistema financeiro isso trouxe confiança para ampliar a oferta de crédito imobiliário”, comenta Luiz Celso Castegnaro, para quem, por causa desta regra, o Brasil dificilmente viverá uma bolha imobiliária. “No país os bancos seguem critérios muito rigorosos para emprestar dinheiro”, completa.
Como funciona
A alienação fiduciária permite ao agente financeiro retomar em prazo curto o imóvel, caso o comprador não honre o financiamento. Se houver atraso de 30 dias, o banco comunica o mutuário, via oficial de justiça, dando o prazo para ele fazer o pagamento. Persistindo o atraso, não há mais necessidade do despacho de um juiz para que o imóvel seja retomado pelo banco. O próprio cartório de registro de imóveis onde foi lavrado o contrato autoriza a retomada do imóvel. Todo esse processo, atualmente, leva cerca de três meses.
Perspectivas
- O Creci-PR trabalha com a projeção de que, pelo menos nos próximos dez anos, o mercado imobiliário seguirá crescendo de forma sustentável no Paraná.
- Estima-se que 80% dos contratos firmados para a compra de habitação no Paraná sejam através de financiamento que variam de 15 a 30 anos.

Entrevistado
Luiz Celso Castegnaro, diretor do Creci-PR (Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Paraná)
Currículo
- Graduado no curso tecnólogo em gestão de negócios imobiliários pela ULBRA
- Tem pós-graduação em direito imobiliário pela FACINTER e é pós-graduando em ensino à distância pela UNICID
- Atua como gestor imobiliário há 23 anos
- É coordenador dos cursos de avaliação e perícia do Creci-PR e palestrante do sistema Creci-Cofeci, além de conselheiro do Creci-PR, presidente da CEFISP (Comissão de Ética e Fiscalização Profissional) do CRECI-PR, coordenador da COAPIM (Comissão de Análise de Inscrição Propositor) e coordenador do CRECICON (Comissão de Atendimento ao consumidor no mercado Imobiliário) no estado do Paraná
Contato: castegnaroimoveis@hotmail.com
Créditos Fotos: Divulgação/Elza Fiuza/ABr
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Negócios globais fazem pequenas e médias empresas aderirem à gestão de compliance
Não seguir normas e regulamentações custa tempo e recursos, pois gera gastos indiretos, prejudica a reputação e o desenvolvimento das corporações
Por: Altair Santos
A gestão de compliance pode ser entendida como o conjunto de esforços para a atuação das companhias em conformidade com leis e regulamentações inerentes às suas atividades. Atualmente, no Brasil, as instituições financeiras e as multinacionais já adotam compliance há um bom tempo. Esse modelo de gestão começa a proliferar entre as pequenas e médias empresas, por conta de seus negócios globais.

Muitas empresas legalmente constituídas já desempenham a gestão de compliance, ainda que intuitivamente. O que a especialista em governança corporativa, Mercedes Marina Stinco, recomenda é que as companhias avancem neste processo, para que o gerenciamento de risco possa ser “auditável” e “rastreável”. Coordenadora da comissão de gerenciamento de riscos corporativos do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) ela também dá dicas de como implantar compliance nas empresas. Confira:
Como explicar o que é compliance para um leigo no assunto?
Como a própria palavra diz, trata-se de avaliar se a empresa “cumpre” com requerimentos ou procedimentos internos e externos, incluindo legislações aplicáveis. Exemplos: cumprir com leis aplicáveis em geral ao negócio (trabalhista, societária, tributária). O “compliance” é um processo estabelecido para identificar as situações nas quais este “cumprimento” não ocorre.
As grandes corporações já praticam compliance há um bom tempo, mas agora parece ter chegado a vez das pequenas e médias empresas despertarem para o assunto. Isso se deve aos negócios que elas têm conseguido fechar no exterior?
Em parte sim. O mercado tem valorizado cada vez mais as empresas que implantam mecanismos de “compliance”, mesmo não sendo obrigatório.
Quais os primeiros passos que uma empresa não familiarizada com compliance tem que dar ao aderir a esse modelo de gestão?
Pesquisas e visitas às empresas com diversos segmentos de negócio são sempre uma excelente forma de iniciar. Adicione-se a isto o entendimento mais aprofundado da gestão, através da contratação de empresas especializadas no tema, e que vão traçar um panorama interno das áreas, departamentos ou processos já existentes na empresa. Esse raio-x vai dizer se há princípios de compliance no jurídico e na controladoria da empresa, por exemplo.
É caro implantar um processo de gestão de compliance numa empresa?
Os custos das implementações devem ser avaliadas em cada organização, pois dependem, inclusive, do tamanho da empresa e da quantidade de requisitos (externos e internos) que se aplicam ao negócio. Estudos de caso mostram que os custos podem ser reduzidos quando a metodologia é entendida pelo conselho ou pelo comitê executivo como forma de prevenção de riscos.
Dentro da corporação, o departamento jurídico seria o mais adequado para gerenciar a gestão de compliance ou é necessário criar um setor específico para isso?
Não há um modelo único. De forma geral, o departamento jurídico tende a ser o responsável, devido às características e competências existentes, ou, muitas vezes, inicia o processo e depois transfere a responsabilidade quando o processo se encontra em fase madura para departamentos específicos, como controles internos ou gestão de riscos.
Pode-se dizer que uma empresa que segue todos os processos legais, mesmo sem adotar explicitamente a gestão de compliance, pratica compliance empiricamente?
Sim, de certa forma seguir com todos os processos legais é o início. Entretanto, compliance trata da possibilidade de garantir que este “seguir” seja auditável e rastreável.
Quais os benefícios diretos gerados pela gestão de compliance?
É uma ferramenta preventiva para identificar riscos e, portanto, reduzir perdas financeiras e exposição de imagem, além de servir para se vencer as barreiras da burocracia.
Dos setores da economia brasileira, qual hoje é o que mais adota gestão de compliance?
O setor financeiro é um bom exemplo de gestão de compliance, devido aos inúmeros requerimentos exigidos pelo Banco Central.
No setor da construção civil já há muitos cases de gestão de compliance?
Entendo que a maioria das empresas de construção civil que tenham seu capital aberto possui estruturas de compliance ou algo similar. Para esse setor é uma forma, principalmente, de se prevenir riscos de ordem trabalhista e fiscal.

Entrevistada
Mercedes Stinco, coordenadora da comissão de gerenciamento de riscos corporativos do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC)
Currículo
- Bacharel em ciências contábeis pela Universidade Mackenzie.
- Atualmente é gerente de gestão de riscos e auditoria da Natura Cosméticos, função que exerce desde 2004, sendo responsável pelo gerenciamento do processo interno de audioria, coordenando as atividades do Comitê de Auditoria e de Gestão de Riscos e Finanças
- Também atuou na Ford Motor Company do Brasil, de 1999 até 2004, sendo responsável pelo gerenciamento da estrutura de Governança Corporativa, incluindo a coordenação e implantação do processo de Certificação da SOX e responsável pelo desenvolvimento do Comitê de Auditoria Interna
- Também foi Gerente de Auditoria na Coopers & Lybrand, Biedermann Bordasch Auditores Independentes
- Ocupa o cargo de coordenadora da comissão de gerenciamento de riscos corporativos do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC)
Contato: ibgc@ibgc.org.br / natalia@planin.com (assessoria de imprensa)
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Investimento em pesquisa eleva conceito da graduação da UFSC
Alunos do curso de engenharia civil interagem com estudos que são desenvolvidos na pós-graduação e no doutorado da universidade
Por: Altair Santos
A graduação em engenharia civil da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está entre as cinco melhores do país, segundo ranking do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) com base no desempenho do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). Esse salto de qualidade se deu quando as pesquisas desenvolvidas na pós-graduação do curso passaram a ser compartilhadas pelos estudantes do 1.º ao 5.º ano. “Eles passaram a ter exemplos de como se desenvolvem pesquisas e também ficaram mais engajados com o curso”, avalia o professor Glicério Triches, coordenador da graduação da UFSC no biênio 2011 e 2012.

Fundado há 42 anos, o curso de engenharia civil da UFSC vem aprimorando cada vez mais seu colegiado docente. Atualmente, todos os professores têm dedicação exclusiva e 85% possuem doutorado e conciliam aulas para a graduação e a pós-graduação. A universidade também apura o conhecimento recebendo investimentos de agências de fomento como FINEP, CNPq, CAPES. “Desenvolvemos a capacidade de captar recursos para pesquisas, o que também tem atraído a parceria de empresas estatais do setor elétrico e a Petrobras”, revela Glicério Triches. “São projetos que envolvem de R$ 40 mil a R$ 5 milhões por ano, que nos chegam sob a forma de bolsa de estudos, equipamentos e insumos para nossos laboratórios”, completa.
A construção civil tem espaço relevante dentro da graduação e da pós-graduação da UFSC. Há linhas de pesquisa concentradas especificamente na aplicação da nanotecnologia no concreto e no cimento. “Temos um grupo de cinco professores que trabalham nesta área especificamente, no desenvolvimento de produtos à base do cimento Portland”, professor Glicério Triches. A UFSC também compartilha seus laboratórios com a ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) e os abre para ensaios de materiais de empresas privadas. “A Toniolo e a Blocaus têm parceria para o aprimoramento de seus sistemas produtivos”, destaca.
Entre as áreas da construção civil pesquisadas pela UFSC estão:
- Gerenciamento da construção
- Conforto ambiental
- Alvenaria estrutural
- Novos materiais
- Concreto
- Resíduos na construção
O curso de engenharia civil da UFSC atualmente conta com 640 alunos matriculados na graduação e outros 300 divididos entre mestrando e doutorando. Segundo a coordenação da universidade, apesar de a demanda por engenheiros ser alta, o objetivo é não antecipar etapas. “Não estamos direcionados a acelerar processos para abastecer o mercado. O importante é a boa formação de nossos alunos”, diz o professor Glicério Triches, admitindo, porém, que de dois anos para cá todos os formandos já saem empregados. “Esta mão de obra está sendo absorvida predominantemente na construção civil”, afirma o coordenador do curso de engenharia civil da Universidade Federal de Santa Catarina.

Entrevistado
Professor Glicério Triches, coordenador do curso de graduação em engenharia civil da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina)
Currículo
- Graduado em engenharia civil pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) 1981
- Tem mestrado em engenharia civil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) 1985 e doutorado em infraestrutura aeroportuária pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) 1993
- É professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) desde 1984
- Foi coordenador do programa de pós-graduação em engenharia civil da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) entre 2005 e 2009)
- No biênio 2011 e 2012 assumiu a coordenação da graduação em engenharia civil da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
- Tem experiência na área de engenharia civil, com ênfase em rodovias, projeto e construção, atuando principalmente nos seguintes temas: dimensionamento de pavimentos, controle tecnológico de execução, avaliação de pavimentos, desempenho de pavimentos, comportamento dos materiais empregados na pavimentação, engenharia rodoviária e mecânica dos solos
- Atualmente tem se dedicado a pesquisar temas relacionados com a sustentabilidade dos empreendimentos rodoviários. Coordena do Grupo de Pesquisa Rodovias Verdes e é responsável pelo site www.rodoviasverdes.ufsc.br
- Pesquisador CNPq, nível 2 a partir de março de 2010
Contato: ecv1gtri@ecv.ufsc.br /coord.ecv@ecv.ufsc.br
Créditos Fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Empresa vai gerenciar pesquisa e inovação industrial no Brasil
Embrapii terá gestão compartilhada pelos setores público e privado, para permitir a conexão da comunidade científico-tecnológica com as companhias nacionais
Por: Altair Santos
Tomando como exemplo o que a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) representa para a agricultura e a pecuária brasileiras, produzindo conhecimento científico e desenvolvendo inovações para os dois setores, a Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) surge para atender as demandas da indústria nacional. O projeto se inspira na experiência alemã do Instituto Fraunhofer - fundação composta por 58 centros tecnológicos - e a expectativa é de que em 2012 esteja em funcionamento.

A Embrapii já tem um grupo de trabalho planejando sua instalação. Seus integrantes são membros da Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e da Inovação (Setec/MCTI), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), do Serviço Nacional de Indústria (Senai), do Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCTI), do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) e da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos). A nova empresa não será uma estatal, mas sim uma companhia com gestão compartilhada entre os setores público e privado.
O primeiro passo do grupo de trabalho foi instituir, em agosto de 2011, um processo-piloto para definir com mais propriedade a figura jurídica da Embrapii. A meta é que a empresa seja uma espécie de organismo certificador para que as instituições mantenham a competência e possam aproximar-se da iniciativa privada. O processo-piloto deverá durar aproximadamente seis meses e nesse período será definida a área de atuação de cada instituto envolvido no projeto. Após a conclusão dessa etapa, será criada oficialmente a Embrapii, que já tem orçamento reservado. Durante a fase piloto serão R$ 30 milhões. A partir de 2012, R$ 60 milhões.
O modelo de captação de recursos para a Embrapii também se inspira no Instituto Fraunhofer. Os governos federal e estaduais entrarão com um terço do financiamento e os outros dois terços são adquiridos por meio de contratos de trabalho. É o que fez do Instituto Fraunhofer, na Alemanha, uma organização que atualmente conta com 58 centros de pesquisa e que emprega mais de 12.500 pessoas, principalmente cientistas e engenheiros. O orçamento anual do organismo é de cerca de € 1,8 bilhão (R$ 4,5 bilhões).
Construção civil
O projeto da Embrapii prevê que até 2014 pelo menos 30 centros tecnológicos ligados à empresa estejam em funcionamento no Brasil. Destes, estima-se que pelo menos cinco terão dedicação exclusiva à pesquisa na construção civil. Uma das metas pretendidas pelos idealizadores da empresa é que eles estimulem os processos de industrialização do setor. “Algumas empresas estão com necessidade de construção de plantas piloto neste setor e a Embrapii vai permitir aportar investimentos nestas plantas", prevê Domingos Manfredi Naveiro, diretor do Instituto Nacional de Tecnologia. “Há vários gargalos tecnológicos em áreas que têm se expandido, como a construção civil”, completa.
A Embrapii também pretende concentrar o maior número de professores-doutores nos laboratórios dos centros tecnológicos. O objetivo da empresa é permitir que a indústria nacional dê um salto em inovação e competitividade no mercado global. "A indústria nacional já avançou no quesito qualidade e agora enxerga que a grande fronteira é a inovação", avalia Domingos Manfredi Naveiro.

Entrevistado
Domingos Manfredi Naveiro, diretor do Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCTI)
Currículo
- Engenheiro Mecânico formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
- Tem mestrado e doutorado em engenharia de produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
- Desde 2007 é diretor do Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCTI), onde chefiou por 17 anos a área de desenho industrial
- Também é professor do curso de desenho industrial da PUC-RJ desde 2004
- Atua ainda como conselheiro na Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica (Abipti), Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Associação Estratégica dos Institutos Tecnológicos do Mercosul (ASITM), Rede de Tecnologia do Rio de Janeiro (Redetec), Instituto Brasileiro da Qualidade Nuclear (IBQN) e Centro de Tecnologia em Dutos (CTDut)
Contato: direcao@int.gov.br / tais.salazar@int.gov.br (assessoria de imprensa)
Créditos Fotos: Divulgação/Justo D'Ávila/INT
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Construção civil é um dos setores mais afetados pela burocracia
Excesso de encargos atrapalha desde a contratação de mão de obra até a participação de empresas em obras de infraestrutura e programas como PAC e Minha Casa, Minha Vida
Por: Altair Santos
Excessivas regulações e a burocracia estão entre os principais fatores que têm limitado a capacidade de expansão de negócios das empresas brasileiras em 2011. De acordo com o International Business Report (IBR), realizado pela consultoria britânica Grant Thornton, 50% das corporações do Brasil, independentemente do campo de atuação, se sentem vítimas desses inibidores de desenvolvimento. Em segundo lugar na lista de restrições está a falta de mão de obra qualificada, o que aflige 49% entre as corporações consultadas.

O International Business Report da Grant Thornton (IBR) é uma pesquisa realizada há 19 anos, que tem como objetivo fornecer informações sobre as opiniões e expectativas de mais de 11 mil empresas das 39 economias mais relevantes no mundo. Em cada país, são entrevistados CEOs, diretores, presidentes e outros executivos seniores. No Brasil, a preocupação da burocracia só não é maior do que na Grécia (57%) e na Polônia (52%). “O Brasil ainda é um dos países com maior número de trâmites e para crescer precisa mitigar esse excesso de processos”, resume Javier Martinez, responsável pelo IBR na América Latina.
Há coincidências entre os dados apresentados pelo International Business Report e o Relatório Global de Competitividade 2011-2012, recentemente divulgado pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC). Neste documento, o Brasil ocupa o 53.º lugar em um ranking que engloba 142 países. Em relação à edição 2009-2010, a economia brasileira subiu cinco posições, mas a burocracia, a falta de mão de obra especializada e os problemas de infraestrutura, também citados no relatório, ainda impedem o país de alcançar uma boa posição entre os países mais competitivos do mundo.
Construção civil
Um setor diretamente atingido pela burocratização é a construção civil. Segundo o presidente do Instituto Helio Beltrão, João Geraldo Piquet Carneiro, isso ocorre principalmente quando envolve obras públicas. “Quem contrata com o setor público, e aí falando de obras públicas especificamente, padece muito, porque o processo licitatório é excessivamente burocratizado e tem uma parte documental muito pesada. É uma burocracia pautada pelo princípio da desconfiança, que quando o Estado se relaciona com o particular acha que o particular vai ser desonesto”, diz o dirigente.

De acordo com João Geraldo Piquet Carneiro, esses excessos geram distorções como a legislação temporária recentemente criada para tentar desburocratizar as obras que envolvem Copa do Mundo e Olimpíadas 2016 – o Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC). O problema é que a lei de exceção já foi questionada pela Procuradoria Geral da República, sob a alegação de que é inconstitucional. Outra anomalia levantada pelo presidente do Instituto Helio Beltrão é que no Brasil a internet não ajudou a desburocratizar o país, pelo contrário. “Nos transformamos num país modernamente burocratizado. A presença virtual do Estado aumentou as exigências”, diz.
Um exemplo é o que ocorre no comércio exterior brasileiro, que padece enormemente de burocracias várias. “Os produtos que entram e saem do Brasil às vezes passam por oito organismos fiscalizadores, o que dificulta as negociações”, avalia o presidente do Instituto Hélio Beltrão. “Com os avanços tecnológicos e o mundo cada vez mais digital e ágil é preciso diminuir o tempo investido nas regulações e aplicá-lo mais no desenvolvimento dos negócios. Além disso, a burocracia é um grande entrave para o investimento estrangeiro no Brasil.”, completa Javier Martinez, da IBR América Latina.
Medidas que poderiam ajudar a desburocratizar o Brasil
Separar atos comerciais de controles fiscais, eliminando os chamados interesses cruzados, que exigem que se comprove o pagamento de impostos para a União, o Estado e o Município.
Modificar a maneira de como o governo se relaciona com a empresa e com o cidadão, e passar a agir com base no princípio da confiança.
Acabar com o reconhecimento de firma. Por que pedir firma reconhecida de uma pessoa que assina um contrato diante de alguém, quando se vê assinar?
Dez melhores países no Relatório Global de Competitividade 2011-2012
1º) Suíça
2º) Cingapura
3º) Suécia
4º) Finlândia
5º) Estados Unidos
6º) Alemanha
7º) Noruega
8º) Dinamarca
9º) Japão
10º) Reino Unido
Entre o BRICS
26º) China
50º) África do Sul
53º) Brasil
56º) Índia
66º) Rússia
Entrevistados
- Javier Martinez, responsável pelo International Business Report (IBR) na América Latina
- João Geraldo Piquet Carneiro, presidente do Instituto Helio Beltrão
Currículos
- João Geraldo Piquet Carneiro é bacharel em Direito (1963), pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
- Tem mestrado pela New York University (1965)
- Foi consultor Jurídico do Programa Nacional de Desburocratização (1979-1982)
- Ocupou o cargo de Presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, encarregada da implementação do Código de Conduta da Alta Administração Federal (1999-2004)
- É presidente do Instituto Helio Beltrão – entidade sem fins lucrativos voltada para a reforma da Administração Pública
- Atua principalmente em Direito Administrativo, Direito Antitruste e contencioso. Possui larga experiência em atuação junto aos órgãos administrativos, incluindo agências reguladoras e órgãos do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência, bem como tribunais de contas
- É coordenador Regional de Antitruste do escritório Veirano Advogados
- Javier Martinez é diretor de marketing e Comunicação da Grant Thornton, e responsável pela divulgação do relatório International Business Report (IBR) na América Latina
- A Grant Thornton International Ltd é uma das principais organizações mundiais de contabilidade e consultoria com propriedade e administração independentes. Suas firmas prestam serviços de auditoria, tributos e assessoria especializada a empresas privadas e entidades de interesse público.
Contatos: piquet.carneiro@veirano.com.br / grantthornton@br.gt.com
Créditos Fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Artefatos de cimento ajudam a revitalizar trens regionais
Dormentes de concreto e estações construídas em pré-moldado integram projetos de ferrovias que vão revitalizar o transporte público entre cidades de médio porte
Por: Altair Santos
O Brasil tem atualmente uma malha ferroviária de 28.831 quilômetros, mas apenas 10.930 são explorados. Parte dos trechos desativados liga cidades de porte médio ou grandes metrópoles a municípios com população entre 50 mil e 100 mil habitantes. São regiões que sofrem com os gargalos do transporte público, o que levou o governo federal a promover um estudo de viabilidade para reativar 14 linhas de trens regionais, capazes de atender 70 milhões de passageiros por ano.

Os projetos encontram-se no ministério dos Transportes e a região sul deverá ser a primeira contemplada. “Esses estudos estão em fase final de execução e foram desenvolvidos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) com o apoio da empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre (Trensurb). No momento, estamos aguardando as respostas aos comentários e às observações que fizemos, para que o plano tenha prosseguimento”, explica Afonso Carneiro Filho, diretor do departamento de relações institucionais do Ministério dos Transportes.
Os trechos com as melhores viabilidades para dar início ao projeto são Caxias do Sul-Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, e Londrina-Maringá, no Paraná, por contarem com a contrapartida dos governos estaduais e municipais. O custo para a implantação destas linhas e das outras 12 em estudo está estimado em R$ 5 bilhões. Haverá um misto de construção de ferrovias novas com o reaproveitamento de antigas. Neste caso, a tecnologia do concreto pré-moldado será relevante para a reativação dessas ferrovias.
Segundo Afonso Carneiro Filho, não se pode imaginar atualmente uma ferrovia sem a parceria com o concreto. “Os artefatos de cimento estão presentes desde o dormente até a montagem de novas estações. Hoje, todas as estações de trem, VLT (veículo leve sobre trilhos) e de metrô são em pré-fabricado”, explica, completando que a tecnologia do concreto também é condizente com as características dos trens que serão utilizados nas ferrovias regionais. “São trens novos, tipo metrô, que não têm locomotiva, mas vagões autopropulsados e que desenvolvem velocidade média de 80 km/h.”
As ferrovias regionais em estudo têm entre 60 quilômetros e 200 quilômetros de um ponto a outro. Além da Caxias-Bento Gonçalves e Londrina-Maringá, os outros 12 trechos são:
Pelotas-Rio Grande, no Rio Grande do Sul
Itajaí-Rio do Sul, em Santa Catarina
São Paulo-Itapetininga, em São Paulo
Campinas-Araraquara, em São Paulo
Santa Cruz-Itaguaí- Mangaratiba, no Rio de Janeiro
Macaé-Campos, no Rio de Janeiro
Belo Horizonte-Conselheiro Lafayette - Ouro Preto, em Minas Gerais
Bocaiúva- Montes Claros- Janaúba, em Minas Gerais
Conceição da Feira-Salvador-Alagoinha, na Bahia
São Cristovão-Aracajú-Laranjeiras, em Sergipe
Recife-Caruaru, em Pernambuco
Teresina (Piauí)-Codó (Maranhão)
Parceria
No caso dos trechos Caxias-Bento Gonçalves e Londrina-Maringá, as novas linhas tendem a ser construídas em parceria entre a Trensurb e a Estrada de Ferro Paraná Oeste (Ferroeste) - única operadora de ferrovia pública para o transporte de carga do país. As duas empresas já constituíram um grupo técnico, englobando também as universidades estaduais de Londrina e Maringá, para a formulação de uma matriz origem-destino. A intenção, no caso do trem regional ligando o norte e o noroeste do Paraná, é que a distância tenha 125 quilômetros e percorra 13 municípios da região.
Link relacionado
http://www.cimentoitambe.com.br/massa-cinzenta/ferrovias-no-brasil-e-hora-de-concretizar-essa-ideia/


Entrevistado
Afonso Carneiro Filho, diretor do departamento de relações institucionais do ministério dos Transportes
Currículo
- Graduado em engenharia elétrica pela Universidade Católica de Petrópolis (1978)
- Na recente reforma administrativa ocorrida no ministério dos Transportes, assumiu a direção do departamento de relações institucionais da secretaria de política nacional de transportes, ficando responsável pelas articulações setoriais e intermodais do setor
Contato: afonso.carneiro@transportes.gov.br
Créditos Fotos: J.Freitas/Ministério dos Transportes/ Divulgação/Trensurb-RS/ Google Earth
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Ciclo de vida das edificações ganha impulso no Brasil
País agora é que começa a criar uma base de dados sobre o desempenho de componentes, a fim de que ambientes construídos causem menos impacto ambiental
Por: Altair Santos
Planejar o ciclo de vida de uma edificação era uma preocupação que, até bem pouco tempo, não se priorizava ao projetar um empreendimento. Trata-se de uma avaliação relativamente recente. Ganhou corpo a partir da definição da Agenda 21, que apesar de ter sido lançada na Eco-92 veio consolidar-se apenas em 2002, na Cúpula de Johannesburgo, quando foi assinada por 179 países. A partir do documento, se impôs um novo paradigma à sociedade industrial. Neste cenário, questões como sustentabilidade e impacto ambiental passaram a ter influência relevante na cadeia produtiva da construção civil.

No Brasil, ainda inexiste uma base de dados abrangente e capaz de caracterizar o desempenho típico de componentes do ambiente construído, seja na etapa de projeto, construção ou uso e operação. Mas o cenário está mudando. “Há um trabalho intenso para se recuperar o tempo perdido. Já existem diversas iniciativas no país, procurando desenvolver informações para que possam ser feitas avaliações do ciclo de vida”, explica Cássia Maria Lie Ugaya, que é membro do Conselho Internacional do Ciclo de Vida, consultora da ONU (Organização das Nações Unidas) e diretora da Associação Brasileira do Ciclo de Vida.
Na Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) o local onde será erguida uma obra tem peso relevante, em função do terreno, das condições climáticas a que estará exposta e do impacto que irá causar no entorno. Via de regra, o empreendimento deve ser projetado para ter longo tempo de uso - mais de 50 anos -, mas, ao término de sua vida útil, permitir que boa parte de seu material seja reciclado ou reutilizado. Por isso, o projeto, o bom emprego dos materiais e a manutenção da edificação também são relevantes para uma boa ACV. “Até o transporte dos materiais pode influenciar no ciclo de vida”, explica Cássia Maria Lie Ugaya.
Os inventários de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) das edificações seguem as normas ISO 14000 (14040, 14041, 14042 e 14043). Também há, atualmente, softwares que ajudam a definir com mais precisão o ciclo de vida de um empreendimento. Como o Bees 1.0 (Building for Environmental and Economic Sustainability). Ele permite implantar uma metodologia sistemática para selecionar produtos de construção que apresentem boa relação entre performance ambiental e econômica. Nem sempre, porém, a aplicação de tecnologia é garantia de que uma construção irá causar mais ou menos impacto ambiental.
Um exemplo é um estudo comparativo entre os materiais empregados na construção do estádio Allianz Arena, em Munique (Alemanha), e o João Havelange, no Rio de Janeiro, que foram erguidos na mesma época. A megaobra para a Copa de 2006 foi inovadora, ao apostar em uma cobertura à base de polímeros (tetrafluoretileno), enquanto o estádio brasileiro, construído para o Pan de 2007, investiu na construção convencional, com consumo de 80 mil m³ de concreto. Levando em consideração o ambiente das construções, o estudo concluiu que a edificação erguida na Alemanha é mais danosa para o meio ambiente em termos de emissão de CO2.
Numa Avaliação do Ciclo de Vida, se leva em consideração três tipos de análise:
Inventário
Nesta etapa, são coletados os dados a cerca das entradas e saídas de cada um dos processos, como de materiais, consumo de energia, emissões de poluentes no ar, na água e no solo e geração de resíduos.
Avaliação social
Tem como objetivo identificar os pontos positivos e negativos ao longo do ciclo de vida do produto, no que se refere às questões da mão de obra envolvida no empreendimento e na contribuição, negativa ou positiva, que ele trará para a comunidade local, à sociedade civil e aos trabalhadores.
Avaliação do impacto
Nesta etapa ocorre a conversão dos dados de consumo de materiais, de energia e das emissões em categorias de impacto, levando-se em conta as mudanças climáticas, a sedificação, a entropização, a toxicidade humana e a perda de biodiversidade.
Segundo a especialista Cássia Maria Lie Ugaya, a Avaliação do Ciclo de Vida serve para qualquer produto. De embalagem a automóvel; de alimentos à construção civil. “Ela é uma técnica que pode ser utilizada para qualquer coisa, para qualquer produto, inclusive serviços”, diz. A diretora da Associação Brasileira do Ciclo de Vida ressalta ainda que a ONU, através do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) tem sido parceira para disseminar a importância deste tipo de avaliação em vários países, inclusive o Brasil. “Eles estão trabalhando bastante, tanto em capacitação quanto em desenvolvimento de workshop, para que as empresas comecem a inserir isso cada vez mais no seu dia a dia.
O objetivo é aplicar a ACV no tripé da sustentabilidade: o ambiental, o social e o econômico”, resume.

Entrevistada
Cássia Maria Lie Ugaya, membro do Conselho Internacional do Ciclo de Vida, da Iniciativa do Ciclo de Vida do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) e Diretora da Associação Brasileira do Ciclo de Vida
Currículo
- Doutora em Engenharia Mecânica (2001), mestre em Planejamento de Sistemas Energéticos (1996) e graduada em Engenharia Mecânica (1991) pela Universidade Estadual de Campinas
- Atualmente é professora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).
- Desde o doutorado realiza pesquisa em Avaliação do Ciclo de Vida, mais especificamente em: análise de inventário do ciclo de vida, avaliação social do ciclo de vida, avaliação do impacto do ciclo de vida e projeto para o ciclo de vida.
- É membro do Conselho Internacional do Ciclo de Vida, da Iniciativa do Ciclo de Vida do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) e da SETAC, membro do Conselho Internacional e Conselho Editorial do ecoinvent, co-chair da Rede Latino Americana de Ciclo de Vida e Diretora da Associação Brasileira do Ciclo de Vida.
Contato: cassiaugaya@utfpr.edu.br
Créditos Fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Engenharia de materiais ganha espaço na cadeia produtiva da construção civil
Profissional atua na pesquisa de matérias primas, que resultem no desenvolvimento de produtos com maior valor agregado, tecnologia e sustentabilidade
Por: Altair Santos
Pesquisas para o desenvolvimento de cimentos especiais, estudos de viabilidade técnica para a aplicação de aditivos em concreto e testes de materiais para revestimentos cerâmicos são algumas das possibilidades dentro da cadeia produtiva da construção civil que têm sido abertas aos profissionais da engenharia de materiais. O especialista na área tem sido cada vez mais requisitado pelo setor. A ponto de atualmente a situação de quem deixa os cursos de graduação é de quase pleno emprego.

A busca de produtos que causem menor impacto ambiental também se reflete no mercado de trabalho do engenheiro de materiais. “Hoje a engenharia de materiais é interligada com práticas sustentáveis e voltadas a soluções para o meio ambiente. No nosso curso, a grade curricular foi alterada para acrescentar disciplinas que ensinem os alunos a pensar em produtos menos agressivos ao ambiente”, explica Adílson Luiz Chinelatto, coordenador do curso de engenharia de materiais da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
A universidade no interior do Paraná tem seu curso de graduação de engenharia de materiais, assim como o de pós-graduação, entre os reconhecidos e recomendados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Fundado nos anos 1990, trata-se do terceiro mais antigo do país em funcionamento, perdendo apenas para o da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), fundado nos anos 1970, e da UFCG (Universidade Federal de Campina Grande), fundado nos anos 1980.
A engenharia de materiais atua em três grandes áreas: pesquisa, desenvolvimento e formação. Até a metade da década passada, boa parte dos cursos de graduação (a Capes recomenda 27 deles) se concentrava em formar profissionais especialistas em transformar materiais cerâmicos, metálicos e poliméricos (plásticos). Com o crescimento de oportunidades na área da construção civil, as universidades estão revendo seus conceitos. “Há uma demanda forte no setor para a descoberta de componentes para os materiais já existentes”, explica Adílson Luiz Chinelatto.
A maioria dos cursos de engenharia de materiais existentes hoje no Brasil nasceu como apêndice dos cursos de engenharia civil das universidades. Na UEPG não foi diferente. “Quando o curso foi criado havia um debate forte no Paraná de que a indústria de transformação de matérias primas era estratégica para o estado. Em função disso, os professores do departamento de engenharia civil da universidade decidiram implantar o curso de engenharia de materiais e, com isso, contaram com a ajuda de professores que já haviam implantado no curso na UFSCar”, revela o coordenador.
Na Europa e nos Estados Unidos, os engenheiros de materiais estão muito ligados às inovações. Equipamentos como trens magnéticos (Maglev - Magnetic levitation transport) e monitores de LCD estão entre produtos que só foram possíveis ser desenvolvidos graças à participação destes profissionais em seus projetos. “O que permite isso é que o curso tem uma forte formação científica voltada para a pesquisa de novas tecnologias”, avalia o professor da UEPG.
Tanto na universidade paranaense quanto nas outras 26 indicadas pela Capes, o curso tem duração de cinco anos. Nos quatro primeiros semestres, as disciplinas são as que compõem a formação básica de todas as engenharias. A especialização começa a partir do terceiro ano e pode ser empregada nas seguintes áreas:
Mineralogia
Tratamento de Minérios
Termodinâmica dos Sólidos
Resistência de Materiais
Cálculo
Física
Química
Ciência dos Materiais Cerâmicos
Siderurgia

Entrevistado
Adilson Luis Chinelatto, coordenador do curso de Engenharia de Materiais da UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa)
Currículo
- Possui graduação em Física (bacharelado) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1989) e em Física (licenciatura) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1989)
- Tem mestrado em Ciência e Engenharia dos Materiais pela Universidade Federal de São Carlos (1992) e doutorado em Ciência e Engenharia dos Materiais pela Universidade Federal de São Carlos (2002)
- Atualmente é professor adjunto e coordenador do curso de Engenharia de Materiais na Universidade Estadual de Ponta Grossa.
- Tem experiência na área de Engenharia de Materiais e Metalúrgica, com ênfase em Cerâmicos, atuando principalmente nos seguintes temas: microestrutura, propriedades mecânicas, zircônia, terras raras e porcelanas triaxiais.
- É bolsista de produtividade da Fundação Araucária
Contato: adilson@uepg.br / ascom@uepg.br
Créditos Fotos: Divulgação/UEPG
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Mau uso do tempo traz prejuízo às empresas e aos funcionários
Especialista em gestão de tempo, Christian Barbosa ensina que o ideal é viver intensamente o trabalho, em vez de se “matar de trabalhar”
Por: Altair Santos
A expressão “estou me matando de trabalhar” já virou bordão no mundo corporativo. Ela sintetiza um problema que tem reduzido a produtividade das empresas e, ao mesmo tempo, afetado a qualidade de vida dos funcionários. Trata-se da má gestão de tempo, como ensina Christian Barbosa, especialista em administração de tempo e produtividade. “Hoje, a gestão de tempo é essencial para as empresas que querem ter bons resultados e querem ter funcionários comprometidos. Só que as pessoas precisam aprender a viver intensamente o trabalho, em vez de se matar de trabalhar”, diz.

O que Christian Barbosa quer dizer é que durante a jornada de trabalho muitas horas são desperdiçadas sem gerar resultados. Isso ocasiona perda de energia, tanto do funcionário quanto da empresa. “As pessoas vão ter de trabalhar mais, para compensar as horas desperdiçadas, vão perder qualidade de vida, e a empresa vai perder dinheiro”, resume o especialista, afirmando que corporações e colaboradores precisam desenvolver métodos conjuntos de gestão de tempo. “É preciso saber planejar e priorizar as urgências”, completa.
Na avaliação de Christian Barbosa, dois componentes hoje tomam muito tempo dos funcionários e, consequentemente, das empresas. São as reuniões e os e-mails. “É preciso fazer uma dieta de reuniões. Elas não devem acontecer por qualquer motivo. Quanto aos e-mails, eles consomem muito tempo e acabam impedindo a produtividade. Empresas que ensinaram seus colaboradores a eliminar as reuniões sem objetivo e a controlar melhor os e-mails fizeram bem aos próprios funcionários. As pessoas descobriram que têm tempo, mas que estavam fazendo uso errado dele”, afirma.
Outro aspecto que também resulta em desperdício de tempo são as multitarefas. “Uma pessoa que é multitarefada chega a perder de 10% a 30% a mais do seu tempo”, cita Christian Barbosa, que criou um software para substituir a antiga agenda. “Os colaboradores vão lá e colocam suas reuniões, seus projetos, e o software tem uma inteligência artificial para dizer o que dá para fazer e o que não dá para fazer, com base no próprio dia a dia das pessoas. Ele faz tanto o gerenciamento pessoal quanto o de equipes”, explica.
Consultor de empresas da construção civil, Barbosa avalia que o fato de algumas delas não estarem conseguindo cumprir os cronogramas de obras - principalmente as envolvidas com construções habitacionais - não está relacionado à gestão do tempo, mas à falta de mão de obra. “O problema é que está faltando gente para dar conta de tantas obras. Não envolve tanto gestão de tempo”, avalia, alertando, porém, que as corporações precisam tomar cuidado ao adotar métodos de gestão de tempo para não criar uma organização padrão para todos. “As pessoas funcionam diferente umas das outras e é preciso respeitar isso”, conclui.
- Impactos positivos da gestão do tempo
- Diminui o volume de horas extras
- Gera comprometimento
- Reduz custos com treinamento
- Aumenta a produtividade
- Impactos negativos do mau uso do tempo
- Queda na qualidade de vida dos profissionais
- Estresse
- Problemas de imagem com o cliente
- Retrabalho
Saiba mais
Pesquisa publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, na edição de 30 de agosto de 2011, mostrou que 33% dos profissionais brasileiros admitem gastar duas horas da jornada diária de trabalho sem fazer nada de efetivo e 52% admitiram deixar as atividades necessárias para a última hora. Os números são bem maiores, se comparados a Reino Unido, Estados Unidos e Austrália. Nestes países, a média dos profissionais que não fazem gestão de tempo é de 20%.
Leia a reportagem
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/966952-entenda-por-que-voce-deixa-tudo-para-a-ultima-hora.shtml
Entrevistado
Christian Barbosa, especialista em administração de tempo e produtividade
Currículo
- Cientista da computação
- Abriu sua primeira empresa aos 15 anos e foi um dos profissionais mais jovens do mundo a receber o certificado da Microsoft.
- É fundador da Triad Consulting, empresa multinacional especializada em programas e consultoria na área de produtividade, colaboração e administração do tempo.
- Dá treinamento e palestras
- É facilitador do programa de empreendedores do Sebrae/ONU-Empretec e autor de quatro livros sobre o tema:
- A Tríade do Tempo
- Você, Dona do Seu Tempo
- Estou em Reunião
- Mais Tempo & Mais Dinheiro, em parceria com Gustavo Cerbasi
Contato: @christiantriad (Twitter) / imprensa@christianbarbosa.com.br / palestras@christianbarbosa.com.br
Crédito: Divulgação