Estádio do Corinthians usa tecnologia alemã para ser um dos mais modernos do mundo
Obra vai interagir com o meio ambiente, a fim de poupar energia e água. Além disso, projeto aposta no pré-moldado para ganhar tempo e evitar desperdício de materiais
Por: Altair Santos
A nova Arena Corinthians nasce regida por um novo modelo de engenharia e arquitetura. Segundo o arquiteto Aníbal Coutinho, que idealizou o projeto, o que vai nortear o estádio é a economia. "Buscamos um custo operacional baixo, a racionalidade da execução, a rentabilidade máxima e a economia de meios", define, assegurando que mesmo assim o estádio que irá abrigar a abertura da Copa do Mundo 2014 será um dos mais modernos do mundo, conceitualmente falando.

Obra que promete transformar o bairro de Itaquera, na zona leste da cidade de São Paulo, a Arena Corinthians teve um projeto que se adequou ao terreno. "O terreno tem 40 metros de desnível. Então, já havia uma declividade acentuada. Além disso, é um terreno estreito. Isso fez com que o estádio fosse planejado de uma maneira compacta, eliminando uma quantidade monumental de escadas. Do ponto de vista da acessibilidade, ele é muito bom. Todo o setor inferior da arquibancada é acessado sem escadas e na parte superior ficou muito minimizado o uso de escadas", explica Coutinho, da CDCA Arquitetos.
A concepção da Arena Corinthians contou ainda com a parceria do escritório alemão Werner Sobek, que fez os cálculos estruturais e projetou a tecnologia de sustentabilidade e racionalidade de energia que fará o estádio funcionar. O palco da abertura da Copa do Mundo terá reuso da água da chuva e um sistema de autogeração de energia via células fotovoltaicas aplicadas à fachada. A ventilação também será natural, beneficiando-se da arquitetura do estádio. "O projeto tem todos os protocolos de um projeto sustentável", diz Aníbal Coutinho.
Outra inovação do estádio está relacionado ao fato de que ele poderá encolher ou ser ampliado sem a necessidade de se mexer em sua estrutura. Durante a Copa, a Arena Corinthians receberá duas arquibancadas pré-fabricadas, que irão ampliar sua capacidade para 65 mil lugares. Após o mundial, esse equipamentos serão retirados e a capacidade cairá para 48 mil lugares. No entanto, quando quiser promover uma ampliação definitiva, o Corinthians poderá fazê-lo sem afetar a operacionalidade do estádio. "Ele nasce projetado para receber ampliações, ou seja, voltar a crescer para 65 mil lugares na hora em que o clube decidir", afirma o arquiteto que idealizou o estádio.
Fábrica de concreto
Orçada em R$ 820 milhões, e ocupando uma área de 197.095 m², a Arena Corinthians será construída com concreto pré-fabricado, sendo 80% pré-moldado e 20% moldado in-loco. "Peças como vigas, pilares, lajes e arquibancadas serão todas em pré-fabricado", conta Coutinho. A Construtora Odebrecht, responsável pela construção do estádio, instalou no canteiro de obras uma fábrica de estruturas pré-moldadas de concreto e já iniciou a produção das primeiras vigas jacaré.
Essas peças com formato denteado irão compor os apoios dos degraus das arquibancadas da futura arena. As primeiras vigas jacarés serão posicionadas sobre os blocos da arquibancada inferior do prédio Leste, onde será instalada parte dos assentos principais. São quatro diferentes dimensões de vigas jacaré, que podem variar de 80 centímetros a três metros de altura, e peso entre três e 50 toneladas. A fábrica de pré-moldados tem área de 7.500 m², onde trabalham 45 pessoas durante o primeiro turno e 15 operários no turno da noite, até às 23h20. Com capacidade para produzir cerca de 30 peças por mês, serão fabricadas, no total, mais de 350 vigas jacaré. A fábrica do canteiro produzirá em torno de 3.000 peças e terá no pico de obras aproximadamente 150 operários. . A estimativa é que o estádio consuma 17.500 m³ de concreto para atingir a capacidade de 48 mil lugares.

Entrevistado
Aníbal Coutinho, sócio da Coutinho, Diegues, Cordeiro Arquitetos Ltda. (CDCA Arquitetos), que projetou a Arena Corinthians
Currículo
- Arquiteto e urbanista graduado pela FAU/UFRJ, em 1978
- Leciona na FAU/UFRJ e já atuou como presidente da Asbea/RJ
- Tem uma série de projetos importantes assinados nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, em parceria com seus sócios da CDCA Arquitetos
Contato: acoutinho@cdca.com.br
Confira o vídeo de como ficará o estádio: http://youtu.be/M9sYm-dTRs4
Crédito: Divulgação/Odebrecht
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Veículos aéreos não tripulados prometem revolucionar mercado de geotecnologia
Mais versáteis, e com custo operacional até três vezes mais barato, os VANTs ajudam a agregar tecnologia 3D aos projetos de engenharia e contribuem para prevenir catástrofes naturais
Por: Altair Santos
A usina hidrelétrica de Jirau, em construção em Rondônia, é a primeira grande obra de infraestrutura do Brasil monitorada por veículos aéreos não tripulados (VANTs). Mensalmente, um equipamento sobrevoa a área da construção para verificar se o cronograma de trabalho está em dia e também para ajudar na montagem de relatórios ambientais sobre a megaobra. "O sistema monitora o desempenho das empresas que foram contratadas ", detalha Giovani Amianti, sócio da Xmobots, uma das cinco empresas brasileiras que já fabricam esse tipo de aeronave.

Essa não é a única aplicação dos VANTs no setor da construção civil. Os veículos são eficientes também para coletar imagens geológicas, fornecendo a topógrafos e engenheiros cartográficos dados mais precisos sobre áreas em estudo para receber rodovias, por exemplo. Os VANTs são capazes de realizar um mapeamento até 100% mais eficiente, se comparados a outros equipamentos.
No caso dos satélites, o detalhamento máximo chega a 50 centímetros. Já as aeronaves não tripuladas conseguem fornecer dados com até 25 centímetros de detalhamento. Por isso, a entrada desses veículos no mercado de geotecnologia é considerada revolucionária.
Além de permitir mapeamentos com um custo operacional até três vezes mais barato do que o de uma aeronave tripulada, o VANT aceita equipamentos que permitem realizar escaneamento em 3D. Esse recurso tecnológico tem levado pequenos e médios municípios a promoverem atualizações cartográficas e a reverem suas políticas urbanas. Por enquanto, por causa da regulamentação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), os VANTs não têm autorização para sobrevoar o espaço aéreo sobre grandes cidades.
Surgidos no final dos anos 1990, para uso militar, os VANTs têm se tornado cada vez mais presentes na área civil. Nos Estados Unidos, o investimento anual nestes equipamentos já ultrapassa os US$ 300 milhões, excluindo a área militar. O Brasil já conta com cinco empresas que produzem veículos aéreos não tripulados. Recentemente, os aparelhos tornaram-se objeto de pesquisa nas universidades. A UnB (Universidade de Brasília), por exemplo, trabalha em projetos para o desenvolvimento destes equipamentos em seu Laboratório de Automação e Robótica (Lara). USP (Universidade de São Paulo) e UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) também atuam nesta área.
Uma das finalidades dos veículos desenvolvidos nas universidades é servir para a prevenção de catástrofes naturais. O Sistema Nacional de Prevenção e Alerta, que está em fase de elaboração no Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) prevê o uso de VANTs. O projeto propõe a reunião de dados para que deslizamentos de terra e inundações tragam menos prejuízos para as populações em risco.
Os VANTs usados no Brasil têm, em média, de 1 metro a 2 metros de comprimento. Boa parte deles é operada a partir de uma base remota - um notebook equipado com softwares específicos, por exemplo - ou através de teleoperados. Nesse caso, a administração do voo é feita em tempo real, por meio de computadores, joysticks, celulares ou tablets.
Entrevistado
Giovani Amianti, sócio da Xmobots
Currículo
- Possui graduação em engenharia mecatrônica pela Universidade de São Paulo (2005) e mestrado pelo Programa de Pós Graduação em Engenharia Mecânica pela Universidade de São Paulo (2008)
- Atualmente é Sócio-Diretor de Sistemas Aviônicos da empresa XMobots Sistemas Robóticos, que encontra-se incubada no CIETEC. Tem experiência na área de sistemas aéreos não tripulados com ênfase em homologação de plataformas e sistemas aviônicos, atuando principalmente nos seguintes temas: Projeto Conceitual de VANTs, Projeto de Estabilidade e Desempenho de Plataformas VANT, Sistemas Aviônicos de VANTs, Homologação de plataformas VANTs e de Sistemas Aviônicos de VANTs, Hardware e Software Embarcados de Tempo Real Criticos
Contato:www.xmobots.com
Créditos Foto: Divulgação/XMobots
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Investimento em P&D faz empresas crescerem, em média, 20%
Levantamento promovido pela UFMG, em parceria com o IPEA, pesquisou 23.892 corporações, das quais 1.247 realizam atividades contínuas de pesquisa e desenvolvimento no Brasil
Por: Altair Santos
O Brasil começa a se defrontar com alguns dilemas típicos de países emergentes. O principal deles é conseguir se inserir na economia do conhecimento. Neste contexto, as atividades de P&D (pesquisa e desenvolvimento) são essenciais. Segundo relatório do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) o país só irá atingir bons níveis de P&D quando envolver um processo amplo de capacitação das empresas e qualificação dos recursos humanos. Isso passa pela presença permanente de cientistas e engenheiros em laboratórios internos de pesquisa dentro das corporações e pela vinculação a redes de conhecimento, como as que já existem entre alguns setores da iniciativa privada e universidades.

No Brasil, esse investimento em P&D ainda está concentrado nas empresas de grande porte. Para diagnosticar como as companhias do país se comportam em relação à pesquisa e desenvolvimento, a FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), em conjunto com a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), promoveu a pesquisa “Metodologia de Avaliação dos Resultados de Conjuntos de Projetos Apoiados por Fundos de Ciência, Tecnologia e Inovação”. Uma das conclusões, é que atualmente as corporações brasileiras se dividem em quatro níveis dentro da economia do conhecimento, que são:
Empresas Líderes
-Estão consolidadas em P&D
-Exportam inovação
-Tem alto faturamento
Empresas Seguidoras
-Tem alta produtividade
-Exportam
-Estão ligadas à transformação industrial
Empresas Emergentes
-Não são exportadoras
-Possuem iniciativas em P&D
-Já desenvolvem produtos inovadores
Empresas Frágeis
-Não são exportadoras
-Não investem em P&D
-Tem baixo faturamento em relação à produtividade
Divulgada em abril de 2011, a pesquisa analisou dados de 23.892 empresas, entre os anos de 1998 e 2008. Das empresas acompanhadas, 1.247 realizaram atividades contínuas de P&D durante o período estudado. Dessas, 741 possuem laboratórios de P&D, que contam com ao menos um profissional com mestrado ou doutorado para dirigi-los. O levantamento também apontou que as empresas que investiram em conhecimento cresceram pelo menos 21% a mais do que as que não investiram. O setor da construção civil, que na pesquisa foi incluída junto com a indústria extrativista, de metalurgia básica e de materiais elétricos, tem 295 empresas que investem em P&D. Estas companhias representam 36% do faturamento das firmas líderes industriais brasileiras.
As regiões Sul e Sudeste concentram a maior parte da atividade de P&D nas empresas. Os estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina são os principais em termos de frequência de corporações que realizam pesquisa e desenvolvimento. As regiões Norte e Centro-Oeste apresentam as menores frequências de atividade de P&D entre as grandes companhias, sendo que na região Norte praticamente toda a atividade de P&D encontra-se no estado do Amazonas e na região Centro-Oeste a atividade de P&D concentra-se em Goiás.
Segundo Mauro Borges Lemos, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) que atuou na coordenação da pesquisa, o Plano Brasil Maior, lançado em 2011 pelo governo federal, pretende ampliar esses números. "Nosso esforço é para buscar maior inserção em áreas tecnológicas emergentes, o que envolve movimentos de diversificação de empresas domésticas e criação de novas empresas para explorar oportunidades tecnológicas latentes. Para isso, trabalhamos na articulação entre políticas de ciência e tecnologia e políticas industriais", diz.
O Plano Brasil Maior está alinhado com as propostas da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. As metas definidas têm como objetivo o fortalecimento das capacidades tecnológicas existentes nas empresas e instituições, a formação e a qualificação em recursos humanos e de produção mais limpa. "A inovação é o caminho para o país se tornar mais competitivo e isso só será possível se conseguirmos integrar as competências e esforços das universidades, instituições de pesquisa, empresas e governo. Estamos trabalhando para fazer da inovação tecnológica um caminho para um país mais próspero e inclusivo", completa Mauro Borges Lemos.
Entrevistado
Mauro Borges Lemos, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial
Currículo
- Doutor em Economia pela Universidade de Londres, com pós-doutorado na Universidade de Illinois e na Universidade de Paris
- É professor titular do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
- Atuou como pesquisador, consultor técnico e ad hoc em entidades como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep)
Contato: abdi@abdi.com.br / rachel.mortari@abdi.com.br (assessoria de imprensa)
Créditos foto: Divulgação / ABDI
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Cristo Redentor, 80 anos: mais que um monumento, uma obra da engenharia
Estátua, que é uma das sete maravilhas do mundo moderno, foi inaugurada em 1931. Construção usou recursos inovadores para a tecnologia disponível na época
Por: Altair Santos
Se fosse construída em 2011, a estátua do Cristo Redentor, erguida no topo do morro do Corcovado, no Rio de Janeiro, encontraria mais dificuldades para superar os trâmites burocráticos do que os desafios da engenharia. "Provavelmente, para obter uma licença ambiental demoraria mais", estima o engenheiro Francis Bogossian, presidente do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro.

Com os recursos tecnológicos disponíveis hoje, Bogossian estima que em um ano o monumento de 38 metros de altura estaria pronto. Mas imagine o que foi construir aquela obra há mais de 80 anos? Concebida pelo engenheiro e arquiteto Heitor da Silva Costa, ela tornou-se quase um milagre diante dos recursos disponíveis na época. Porém, para vencer os obstáculos, a construção do Cristo Redentor apostou em uma série de inovações para aquele início de século 20.
Para construir a estátua, usou-se o concreto armado, que nos anos 1920 era uma novidade no Brasil. O Cristo Redentor também foi uma das primeiras obras a usar cimento produzido no país. A ideia do projeto nasceu em 1921, para que no ano seguinte o monumento pudesse marcar o centenário da independência do Brasil. As comemorações passaram e o plano só começou a ser colocado em prática em 1923.
O então cardeal do Rio de Janeiro, dom Sebastião Leme, comandou uma campanha de arrecadação de recursos em 1923. Convertendo para a moeda atual, o Cristo Redentor custou R$ 6 milhões. O dinheiro bancou o projeto do vencedor do concurso público promovido para escolher o modelo da estátua: o engenheiro e arquiteto Heitor da Silva Costa.
De 1923 a 1926, quando efetivamente começou a obra, Silva Costa se revezou entre o Rio de Janeiro e Paris. Na capital francesa, no ateliê do escultor Paul Landowski, após concluir os cálculos de resistência e a planta do monumento, ele deu forma definitiva à obra. Foi construída uma maquete de 4 metros de altura.
Mesmo sem recursos do túnel de vento, algo que não existia na época, a escultura feita por Landowski permitiu a Silva Costa perceber que a estátua precisava ser construída com uma pequena inclinação de 5 graus para frente, próximo da cabeça, para resistir melhor à velocidade do vento no topo do Corcovado, que não raramente pode atingir 100km/h. Com o mesmo propósito, os braços foram projetados com leves inclinações e sendo um mais comprido que o outro em 60 centímetros - imperceptível a olho nu. "Intuitivamente ou não, as técnicas empregadas foram perfeitas", avalia Francis Bogossian.
Como um edifício
O Cristo Redentor, ao contrário do que se possa imaginar, não é um maciço de concreto armado. Por dentro da estátua, que em 2011 deve ultrapassar a marca de um milhão de visitantes ao ano, há uma construção semelhante à de um edifício de 10 andares. Só que em vez de uma fachada com paredes e janelas, ele recebeu a moldura do monumento idealizado por Heitor da Silva Costa.
As fundações deste prédio estão encravadas a 4 metros de profundidade na rocha do platô localizado no topo do morro do Corcovado, a 710 metros de altura. O gnaisse (tipo de rocha) precisou de dinamite para ser perfurado e os vergalhões foram chumbados a mão para dar sustentação à obra. A partir deles saem quatro pilares centrais que sustentam a edificação, que conta ainda com 12 lajes sobrepostas, como se fossem andares.
Heitor Levy, o engenheiro que comandou a construção, liderou uma equipe de quase mil pessoas entre engenheiros, arquitetos e operários. O canteiro de obras foi instalado no topo do Corcovado e os materiais chegavam no local através de um trem que percorre o morro até hoje. A água era bombeada de um riacho localizado a 300 metros abaixo da obra. O trabalho de construção teve duração de cinco anos, de 1926 a 1931, com a inauguração ocorrendo em 12 de outubro. Neste período, nenhum acidente de trabalho foi registrado enquanto o Cristo Redentor foi erguido.
Construído há 80 anos, o monumento nunca precisou de reparos estruturais e recebeu até hoje apenas obras de preservação. Um dos segredos de tamanha resistência está em seu revestimento, que é todo em pedra-sabão. O material é impermeável e altamente resistente aos desgastes causados pelos efeitos climáticos. "É uma obra perfeita, pois uniu engenharia, arquitetura, design e escultura num só empreendimento. Não é à toa que é considerada uma das sete maravilhas do mundo moderno", conclui o presidente do Clube de Engenharia.

Entrevistado
Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, através de consulta ao acervo da instituição e entrevista com o presidente Francis Bogossian
Currículo
- Francis Bogossian é engenheiro civil formado pela Escola Nacional de Engenharia da ex-Universidade do Brasil, atual UFRJ. Há mais de 40 anos atua como empresário, professor e líder de classe
- Lecionou como professor titular de Mecânica dos Solos e Fundações, por mais de 15 anos na Escola de Engenharia da UFRJ e na UVA. Participou das diretorias e dos conselhos da ABENGE, ABMS, SECONCI-Rio e CBIC, Crea-RJ, A3P e ABENC/RJ
- Atualmente é presidente do Clube de Engenharia e da Aeerj (Associação dos Engenheiros do Estado do Rio de Janeiro)
- Participa dos conselhos da Geomecânica S.A., FIRJAN, ACRJ, ABMS
- É membro da Academia Nacional de Engenharia, da Academia Brasileira de Educação e da Academia Panamericana de Ingenieria
Contato: presidencia@clubedeengenharia.org.br
Créditos Foto: Divulgação/Clube de Engenharia
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
CAU planeja conviver de forma "republicana" com Confea/CREA
Conselho de arquitetos elege primeira diretoria e estabelece como uma das metas difundir a arquitetura para a população de baixa renda
Por: Altair Santos
Após 76 anos vinculados ao sistema Confea/CREA, os arquitetos têm agora um conselho próprio - eleito em outubro de 2011 -, e cuja primeira missão é promover a transição de toda a categoria para o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU). Ainda não há uma data definida para que os arquitetos se desmembrem completamente do Confea/CREA, mas segundo Jeferson Dantas Navolar, presidente do IAB-PR, e que passa a integrar a diretoria do CAU-PR, o importante é que essa migração seja feita sem rupturas. " A transição entre o CREA e o CAU será longa. A relação de 76 anos não pode ser resolvida improvisadamente. Queremos um entendimento republicano com o sistema Confea/CREA, para que possamos trabalhar pautas em comum", afirmou.

A lei que criou o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (12.378/2010) foi a última sancionada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 30 de dezembro de 2010. Por enquanto, os únicos artigos em vigor são o 56 e o 57. O primeiro tratou do processo eleitoral, que será finalizado entre 21 de novembro a 19 de dezembro de 2011, quando todos os conselhos estaduais serão empossados. Já, nacionalmente, o conselho federal do CAU toma posse no dia 17 de novembro de 2011, em Brasília, quando entram em vigor os demais artigos da lei 12.378/2010. Até lá, o organismo está sob a gestão da CCEArq (Coordenadoria de Câmaras Especializadas de Arquitetura do CONFEA) e das demais Câmaras Especializadas de Arquitetura dos CREAs.
Enquanto a instalação do CAU nos estados não é concluída, os estudantes e profissionais da área continuarão sujeitos às normas vigentes dos CREAs. Quando o CAU estiver pronto, os registros destes profissionais irão migrar para o banco de dados do novo conselho. Uma vez finalizado, será de responsabilidade do Conselho de Arquitetura e Urbanismo manter um cadastro nacional das escolas e faculdades de arquitetura e urbanismo, juntamente com o currículo dos cursos oferecidos. Além disso, o conselho deverá realizar a fiscalização do exercício correto da profissão de arquiteto, garantindo a sua legalidade e coibindo irregularidades. "A qualidade da formação será tema presente no CAU, que terá uma comissão permanente de ensino para avaliar as escolas", diz Jeferson Dantas Navolar.
Arquitetura popular
O diretor do novo conselho afirma também que uma das bandeiras do CAU é popularizar a arquitetura. "A sociedade tem direito à arquitetura e queremos atingir a população de baixa renda. A outra bandeira do conselho é que arquitetura seja uma atribuição de arquiteto. Hoje, os arquitetos convivem no sistema Confea/CREA com aproximadamente 300 outros títulos profissionais, o que torna inevitável o sombreamento de atividades. Com o CAU poderemos esclarecer a sociedade sobre as atribuições da profissão", diz, assegurando que não haverá sobretaxa para o consumidor da construção civil. "Sob o aspecto financeiro, o CAU também oferecerá vantagens aos consumidores. Em todo o país, a taxa do registro da responsabilidade técnica terá valor único de R$ 60,00", completa.
Além de definir taxas, o CAU também já se submete ao artigo 57 da lei 12.378/2010. Refere-se à administração financeira do conselho, que, no período de transição, passará a receber dos atuais CREAs 90% do valor das anuidades, das anotações de responsabilidade técnicas e de multas recebidas das pessoas físicas e jurídicas de arquitetos e urbanistas, arquitetos e engenheiros-arquitetos (aqui ele se refere a engenheiros que têm também formação em arquitetura). Essa transferência de recursos se dará até que ocorra a instalação plena do CAU-BR, cuja eleição do presidente acontece no dia 17 de novembro. Os demais artigos da lei entram em vigor quando o conselho estiver em funcionamento e estiver com sua infraestrutura montada. "O CAU está contratando o que tem de melhor sobre o aspecto da Tecnologia da Informação (TI). Todo o sistema será online e o conselho vai emitir certificação digital", finaliza Jeferson Dantas Navolar.
Diretoria do CAU eleita no Paraná e que vai representar o Estado no CAU-BR:
| Nº | NOME | TITULAR | INSTITUIÇÃO |
| CAU-BR | Laércio Leonardo de Araujo | Títular | IAB/PR - Instituto de Arquitetos do Brasil - Dep. do Paraná |
| CAU-BR | Luis Salvador Petrucci Gnoato | Suplente | IAB/PR - Instituto de Arquitetos do Brasil - Dep. do Paraná |
| 1 | Jeferson Dantas Navolar | Titular | IAB/PR- Instituto de Arquitetos do Brasil - Dep. do Paraná |
| 1 | João Carlos Diório | Suplente | IAB/PR - Instituto de Arquitetos do Brasil - Dep. do Paraná |
| 2 | Orlando Busarello | Titular | ABAP - Associação Brasileira Arquitetos Paisagistas |
| 2 | Flavio Egydio de Oliveira Carvalho Neto | Suplente | ABAP - Associação Brasileira Arquitetos Paisagistas |
| 3 | Carlos Hardt | Titular | ABEA - Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura |
| 3 | Antonio Carlos Zani | Suplente | UEL - Universidade Estadual de Londrina |
| 4 | Cláudio Forte Maiolino | Titular | ASBEA - Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura |
| 4 | Adolfo Sakaguti | Suplente | ASBEA - Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura |
| 5 | Dalton Vidotti | Titular | ASBEA - Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura |
| 5 | Silvana Weihermann Ferraro | Suplente | UFPR - Universidade Federal do Paraná |
| 6 | João Virmond Suplicy Neto | Titular | IAB/PR - Instituto de Arquitetos do Brasil - Dep. do Paraná |
| 6 | Carlos Domingos Nigro | Suplente | IAB/PR - Instituto de Arquitetos do Brasil - Dep. do Paraná |
| 7 | Marli Antunes da Silva Aoki | Titular | AEAC - Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Cascavel |
| 7 | Leandro Teixeira Costa | Suplente | AEAFI - Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Foz do Iguaçu |
| 8 | Manoel de Oliveira Filho | Titular | AEAM - Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Maringá |
| 8 | Ideval dos Santos Filho | Suplente | AEAA - Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Apucarana |
| 9 | Luiz Becher | Titular | AREA/CM - Associação Reg. de Arq. e Eng. de Campo Mourão |
| 9 | Taila Felleiros Lemos Schmitt | Suplente | AEAG - Associação Reg. de Arquitetos e Engenheiros de Guarapuava |
| 10 | Ricardo Luiz Leites de Oliveira | Titular | AREA/MCR - Associação Reg. de Arq. e Eng. de Mal. Cândido Rondon |
| 10 | Antonio Ricardo Nunes Sardo | Suplente | AEAT - Associação Regional de Arquitetos e Engenheiros de Toledo |
| 11 | André Luiz Sell | Titular | CEAL - Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina |
| 11 | Carlos Antonio Galbe Domingues | Suplente | CEAL - Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina |
| 12 | Alexander Fabri Hulsmeyer | Titular | UNIPAR - Universidade Paranaense |
| 12 | Aníbal Verri Junior | Suplente | UEM - Universidade Estadual de Maringá |
| 13 | Eli Loyola Borges filho | Titular | ASBEA - Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura |
| 13 | Jucenei Gusso Monteiro | Suplente | ACP - Associação Comercial do Paraná |
| 14 | Glauco Pereira Junior | Titular | SEDU - Secretaria do Desenvolvimento Urbano do Estado |
| 14 | Luiz Fernando Gomes Braga | Suplente | IPPUC - Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba |
| 15 | Bruno Soares Martins | Titular | MATER DEI - Faculdade Mater Dei de Pato Branco |
| 15 | Luiz Henrique Werlang Roncato | Suplente | SUDENG - Associação dos Eng. e Arq. do Sudoeste do Paraná |
Entrevistado
Jeferson Dantas Navolar, presidente do IAB-PR
Currículo
- Graduado em Arquitetura pela Universidade Federal do Paraná (1983) e é mestre na área de Conservação e Restauro, pela Universidade Federal da Bahia.
- É membro efetivo do Conselho Nacional de Políticas Culturais e suplente do Conselho Consultivo do IPHAN, além de integrar a nova diretoria do CAU-PR
- Escreveu o livro A arquitetura resultante da preservação do patrimônio edificado em Curitiba
Contato: jdnavolar@gmail.com
Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Censo do Confea/CREA quer localizar a geração perdida de engenheiros
Levantamento pretende gerar um banco de dados para atender a mão de obra na área tecnológica, que envolve também arquitetos, agrônomos, técnicos e tecnólogos
Por: Altair Santos
Até abril de 2012, o sistema Confea/CREA terá atualizado todos os dados dos engenheiros existentes no Brasil, independentemente das especialidades. Com o apoio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o Conselho Federal de Engenharia iniciou dia 30 de setembro de 2011 o Censo dos Profissionais da Engenharia. As informações serão coletadas até 31 de dezembro deste ano e o objetivo principal é viabilizar soluções para os gargalos de mão de obra que afetam a área tecnológica no país.

O levantamento servirá para traçar políticas públicas e promover ações concretas de capacitação e reinserção dos profissionais não atuantes no mercado tecnológico. "Queremos descobrir quem está fora do mercado e quer voltar. Por isso, junto com a convocação para a participação dos profissionais, há no site do sistema Confea/CREA um link para a inclusão de currículos. O censo também terá esse viés: de realocar os profissionais onde eles estiverem faltando. Na verdade a gente quer conhecer o universo como um todo, ou seja, não inclui apenas engenheiros, mas arquitetos, agrônomos, técnicos e tecnólogos", explica Neuza Maria Trauzzola , superintendente de planejamento, programas e projetos do Confea.
A ideia do censo surgiu quando se especulou importar engenheiros para o Brasil, a fim de suprir a demanda. O Confea/CREA, a fim de proteger o mercado para os profissionais brasileiros propôs o censo, que teve o apoio do MDIC e foi elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). "O interesse do censo não é somente para nós, do sistema CONFEA/CREA, mas para o desenvolvimento de políticas públicas junto ao MDIC e junto ao MEC também, para definir se hoje há cursos tecnológicos suficientes para atender o mercado", diz Neuza Trauzzola.
O acesso ao questionário do censo está disponível nos sites do Confea/CREA (http://www.confea.org.br/) e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) (http://www.mdic.gov.br/). O Conselho Federal de Engenharia tem cadastrado quase um milhão de engenheiros, arquitetos, agrônomos, técnicos e tecnólogos, mas estima que o número esteja subestimado. "Em décadas passadas, sabemos que muitos profissionais, quando se formaram, ficaram sem exercer a profissão. Agora, com o aquecimento da economia, entendemos que muitos destes profissionais estariam dispostos a retornar ao mercado e realizar cursos de atualização. São estes profissionais desconhecidos que queremos encontrar", afirma a superintendente de planejamento, programas e projetos do Confea/CREA.
Neuza Trauzzola admite que o censo terá um foco especial sobre a engenharia civil."É evidente que a gente sempre olha mais a engenharia civil, por causa da parte de infraestrutura, como portos, aeroportos e rodovias, além da área habitacional, mas a demanda do país hoje é por todas as especialidades da engenharia . Na áreas técnicas, o aquecimento é geral", finaliza.
Entrevistada
Neuza Maria Trauzzola, superintendente de planejamento, programas e projetos do Confea/CREA
Currículo
- Neuza Maria Trauzolla é graduada em engenharia civil pela Escola de Engenharia Mauá (1982) e em direito pela Uniceub (2010)
- Tem pós-graduação e especialização em engenharia de materiais pela Universidade Mackenzie (1997), além de especialização em comunicação publica pelo IESB (2008)
- Possui mestrado em arquitetura e urbanismo pela Universidade Mackenzie (2008)
- Atuou na CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo) na elaboração do Qualihab - o programa de qualidade da cadeia da construção habitacional paulista
- Foi vice-presidente do Instituto de Engenharia, em São Paulo
- Foi gerente de infraestrutura, superintendente de comunicação e marketing e gerente de relações Institucionais do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea)
- Foi presidente da Emurb (Empresa Municipal de Urbanização, assessora da Diretoria do Metrô de São Paulo)
- Atualmente ocupa o cargo de superintendente de planejamento, programas e projetos do Confea/CREA
Contato: super.pp@confea.org.br
Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Brasil já tem 15 leis que estimulam e promovem a inovação tecnológica
Empenho em dar competitividade ao país ainda esbarra em gargalos burocráticos, que impedem o setor produtivo de se beneficiar integralmente das boas mudanças
Por: Altair Santos
O Brasil está construindo um arcabouço legal relevante no que se refere ao incentivo à inovação. Já há 15 leis, seja no âmbito federal ou estadual, dando estímulos fiscais e facilitando o acesso a financiamentos voltados à pesquisa e ao desenvolvimento de novas tecnologias. No entanto, outros obstáculos burocráticos impedem que haja uma conexão maior entre o que é desenvolvido nas universidades e o setor produtivo. Quem faz o alerta é o professor Eduardo Grizendi, autor do Manual de Orientações Gerais sobre Inovação. Na entrevista a seguir, ele explica como funcionam as leis em vigor e o que ainda precisa ser feito pra que o país se torne ainda mais competitivo. Confira:

O Brasil hoje já conta com um conjunto de leis de inovação. Quais são elas e quais as mais relevantes?
Existe a lei federal de inovação, existem as leis estaduais de inovação e depois existem várias outras leis que mudaram a lei de inovação federal ou mudaram as leis de incentivo fiscal de inovação. No Paraná, a lei de inovação está parada na Assembleia Legislativa. Mas hoje há 14 leis de inovação, sendo 13 estaduais e uma federal, que é a mais relevante. É dela que derivam as estaduais, gerando incentivos fiscais à pesquisa. Popularmente ela é mais conhecida como Lei do Bem. Na verdade, trata-se do capítulo três da Lei do Bem.
A expectativa é que se criem mais leis?
A expectativa é que todos os estados tenham suas próprias leis, para reforçar o arcabouço legal da lei federal e incentivar ainda mais a inovação. Mas existe uma lei que tornou-se também relevante, que é a chamada de Lei do MEC de Inovação. Ela alterou o capítulo três da Lei do Bem e pode ser considerada como a 15ª lei.
Não seriam muitas leis para o incentivo da inovação ou elas são complementares?
Não. O que acontece é o seguinte: a lei federal de inovação, entre vários benefícios, flexibiliza a transferência de tecnologia das universidades e instituições federais de pesquisa para o mercado. Mas, por exemplo, a Universidade Estadual de Londrina, a UEL, não se vê na lei federal de inovação. Por quê? Por que o Paraná ainda não tem sua lei estadual de inovação e a UEL é regida pela lei estadual. Da mesma forma, a Unicamp, a UNESP e a USP, mas São Paulo já tem sua própria lei. Na verdade, cada estado - principalmente os estados que têm universidades estaduais e instituições estaduais de pesquisa - precisa destas leis para estabelecer incentivos. Por isso, elas não se duplicam. A lei estadual em Minas Gerais estabelece benefícios e rege o arcabouço legal para o estado de Minas Gerais, assim como São Paulo, Santa Catarina, e aí por diante.
Sob o ponto de vista de financiamento para a inovação, as leis existentes cumprem esse papel?
Cumprem. A lei federal de inovação trouxe dois importantes benefícios de incentivo à inovação. Um é o incentivo direto, na qual a FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) tem um papel importantíssimo. Tratam-se de recursos não reembolsáveis, portanto incentivos diretos na forma de subvenção econômica para as empresas desenvolverem o projeto de inovação. Além disso, trouxe benefícios indiretos na forma de incentivos fiscais, que foram regulamentados pelo capítulo três da Lei do Bem. As leis estaduais também andaram exercitando instrumentos de incentivo financeiro e fiscal.
Comparativamente com outros países, o Brasil hoje conta com leis modernas para estimular a indústria e o setor acadêmico e científico a buscar pela inovação?
O problema maior não é a lei em si, mas é que nós temos um arcabouço legal e regulatório do setor público muito arcaico. Apesar da lei da inovação ter trazido vários incentivos, não é fácil estas leis serem implementadas na prática porque há muita burocracia, há muitas soluções de conflitos entre leis para que ela seja exercida. Não é ela a grande culpada pelos incentivos não serem exercitados na sua plenitude, mas em grande parte é a dificuldade de todo o nosso ambiente jurídico. Eu falo, por exemplo, de uma lei federal de inovação flexibilizando uma instituição como a UFPR (Universidade Federal do Paraná) para que ela possa proteger a sua propriedade intelectual e transferir o resultado desta propriedade intelectual para as empresas. A lei até mostra os instrumentos, mas daí na prática a universidade vai tentar aplicar a lei e esbarra em vários obstáculos decorrentes da lei que rege o regime de servidor público ou a lei que estabelece que ela é uma autarquia e, por conseguinte, vinculada ao MEC. Enfim, outras leis geram obstáculos jurídicos que dificultam a UFPR de exercer na sua plenitude aquilo que preconiza a lei federal de inovação.
Na mais recente Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec) o Brasil viu evoluir em quanto seu percentual de inovação?
A gente tem que olhar com lupa esta melhoria. Mas houve melhorias. Quando a gente fala em quanto este percentual de inovação foi aumentado, temos que olhar na verdade que parâmetros estamos enxergando ou que parâmetros estamos analisando. De uma maneira geral houve uma melhora, não muito significativa, no quanto as empresas investem em inovação em relação ao seu faturamento. Esta melhora foi em torno de 1,4% para 1,5% em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), ou seja, é muito pouco sensível. O fato é que estamos longe de atingir o investimento em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) comparativamente aos países desenvolvidos, principalmente aqueles agressivos, que investem pesadamente em P&D para inovação, em relação ao PIB. Estes países chegam a investir de 5% a 6% do seu PIB, às vezes até mais, em inovação. Aqui no Brasil, se a gente considerar os investimentos das universidades e instituições de pesquisa, ainda assim a gente não chega sequer a 2,5%. É muito pouco para o tamanho do nosso PIB. Infelizmente, a nossa produção tecnológica, pelos parâmetros mundiais que medem a produção tecnológica - número de patentes, número de engenheiros e número de doutores - é muito modesta, quase que insignificantes em relação a outros países.
Como os estados se comportam no sentido de incentivar a inovação. Há alguns que têm leis mais estimulantes que outros?
O estado de São Paulo diferencia-se. Ele investe pesadamente em inovação, ciência e tecnologia. São Paulo tem três universidades públicas estaduais muito fortes, que geram muita pesquisa e desenvolvimento em áreas tecnológicas, como nanotecnologia, biotecnologia e ciência da computação. Essas atividades são capitaneadas pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e pela Secretaria de Ciência e Tecnologia. Então, podemos enxergar São Paulo como um exemplo. A FAPESP recebe 1% do ICMS do estado e investe pesadamente em ciência e tecnologia, estimulando teses de mestrado e doutorado.
Hoje a iniciativa pela busca da inovação ainda está dentro das universidades ou a indústria já começa a tomar a frente?
A lei federal de inovação faz um grande esforço para que isso aconteça. Felizmente, começa a ter um movimento. Principalmente, através de projetos de cooperação com as universidades.
Em quais setores a indústria demonstra mais energia pela busca da inovação?
Historicamente, o setor de Tecnologia da Informação (TI). Afinal de contas, estamos tropeçando nos nossos Ipads, Iphones, tablets, notebooks e celulares. Esta realmente é uma indústria que tem uma pujança muito grande pela inovação. Mas tem outros setores, como biotecnologia, nanotecnologia e a indústria aeroespacial. Elas são muito inquietas em pesquisa e desenvolvimento e geração de inovação.
A indústria da construção civil pode ser qualificada como inovadora ou incentivadora da inovação?
Eu diria que a construção civil tem mudado muito nos últimos anos. Eu vejo a indústria da construção civil investindo significativamente em melhorias de processos, para melhor aproveitamento dos materiais e utilização de novos materiais em seus sistemas de edificações. Acho que a indústria da construção civil está despertando para este potencial de investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Agora, é preciso investir mais, ousar mais e buscar a oferta de novos produtos, assim como investir em melhoria de processos. Há muito espaço para a indústria da construção civil investir em nanotecnologia, por exemplo.
Veja o que diz o capítulo 3 da Lei do Bem
A lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, conhecida como Lei do Bem, em seu Capítulo III, artigos 17 a 26, e regulamentada pelo Decreto nº 5.798, de 7 de junho de 2006, que consolidou os incentivos fiscais que as pessoas jurídicas podem usufruir de forma automática desde que realizem pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica. Esse Capítulo foi editado por determinação da Lei nº 10.973/2004 – Lei da Inovação, fortalecendo o novo marco legal para apoio ao desenvolvimento tecnológico e inovação nas empresas brasileiras.
Os benefícios do Capítulo III da Lei do Bem são baseados em incentivos fiscais, tais como:
- Deduções de Imposto de Renda e da Contribuição sobre o Lucro Líquido – CSLL de dispêndios efetuados em atividades de P&D;
- A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI na compra de máquinas e equipamentos para P&D;
- Depreciação acelerada desses bens;
- Amortização acelerada de bens intangíveis;
- Redução do Imposto de Renda retido na fonte incidente sobre remessa ao exterior resultantes de contratos de transferência de tecnologia;
- Isenção do Imposto de Renda retido na fonte nas remessas efetuadas para o exterior destinada ao registro e manutenção de marcas, patentes e cultivares;
- Subvenções econômicas concedidas em virtude de contratações de pesquisadores, titulados como mestres ou doutores, empregados em empresas para realizar atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica, regulamentada pela Portaria MCT nº 557.
- A Portaria MCT nº 943, de 08/12/2006, aprovou o formulário para que as pessoas jurídicas beneficiárias dos incentivos fiscais previstos no Capítulo III da Lei nº 11.196, de 2005, regulamentados pelo Decreto nº 5.798, de 2006, prestem ao Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT as informações anuais sobre os seus programas de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica.
O que diz a Lei do MEC de Inovação
- A nova lei permite que haja dedução de no mínimo metade e no máximo duas vezes e meia o valor investido na pesquisa. Essa redução de impostos será inversamente proporcional à participação da empresa na propriedade intelectual do produto decorrente da pesquisa.
- A empresa pode, por exemplo, escolher deduzir menos impostos e depois ganhar mais na repartição da patente. Ou, se não tiver interesse específico na tecnologia, pode abater até 250% do investimento em tributos, sem direito a patente.
- A exemplo do que ocorre com projetos culturais na Lei Rouanet, só poderão se beneficiar projetos de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) que forem previamente aprovados por uma comissão formada pelo MEC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e Ministério da Ciência e Tecnologia.
- Os projetos serão submetidos pelas instituições, mas já deverão vir acompanhados de uma proposta de investimento da empresa.
Confira o Manual de Orientações Gerais sobre Inovação: Manual_Inovacao_v_6.2
Entrevistado
Eduardo Grizendi, autor do Manual de Orientações Gerais sobre Inovação, publicado pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty)
Currículo
- Engenheiro eletrônico pelo ITA (instituto Tecnológico da Aeronáutica)
- Tem mestrado em telecomunicações pelo INATEL e MBA em gestão empresarial pela FGV
- É professor do INATEL
- Trabalhou para importantes empresas de tecnologia. Foi Diretor de Desenvolvimento Tecnológico da Inova (Agência de Inovação da Unicamp)
- Possui artigos publicados sobre Processos de Inovação, Transferência de Tecnologia e Desenvolvimento de Negócios Tecnológicos
- É autor do Manual de Orientações Gerais sobre Inovação, publicado pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty)
- Orienta arranjos produtivos, instituições e empresas no estabelecimento de suas políticas de inovação e também presta serviços a empresas em geral no entendimento, orientação, aplicação e usufruto dos incentivos à inovação, incluindo os incentivos fiscais da Lei do Bem
- Ministra workshops de estratégias e incentivos à inovação, tendo ministrado palestras na UFSCar, UESC, USP, Porto Digital, CNI/IEL, ANPEI, SOFTEX e ABDI
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Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
No rastro dos estudantes, executivos aderem aos intercâmbios fora do país
Profissionais têm optado por duas modalidades: o internship, que é um programa de estágio em empresas estrangeiras, e os cursos de extensão em universidades no exterior
Por: Altair Santos
Desde 2006, as agências especializadas em intercâmbio no exterior detectam que a busca de conhecimento fora do país tem se tornado uma prioridade para os profissionais. Atualmente, esse segmento já conta com uma demanda quase igual à gerada por estudantes. Entre 2009 e 2010, a procura aumentou 70%. Em 2011, deve fechar com taxa de crescimento em torno de 35% em relação ao ano passado. São empresários, CEOs, diretores e gestores, além de profissionais liberais, os mais interessados em programas de estágio em empresas internacionais ou em cursos de extensão.

A busca pelo aprimoramento do idioma é a mais procurada pelos profissionais. Porém, outras modalidades de intercâmbio crescem exponencialmente. "As extensões universitárias no exterior têm virado a vedete deste segmento. Um dos nossos programas mais contratados é o oferecido pela University of Califórnia, em San Diego (EUA) sobre finanças. Há ainda programas de international business e programas de marketing e comunicação que têm ganhado vários adeptos", explica Samuel Lloyd, gerente de marketing da Student Travel Bureau (STB).
Outro tipo de intercâmbio em evidência é o internship - um programa de estágio em empresas estrangeiras, que pode durar de seis meses a um ano. Neste caso, as multinacionais são as que mais promovem essa modalidade de troca de conhecimento. Mas Samuel Lloyd avalia que a globalização da economia e o papel de destaque que o Brasil tem obtido internacionalmente estimula o mercado doméstico a também buscar esse modelo de intercâmbio. "Em busca de novos negócios, as empresas brasileiras sentem a necessidade de colocar seus profissionais conectados com o que acontece lá fora", diz.
Custo e países preferidos
Mas o intercâmbio financiado pelas empresas ainda não é comum no Brasil. Por enquanto, esse tipo de upgrade na carreira tem partido dos próprios profissionais. "Às vezes, eles usam o período de férias para fazer o investimento", revela o gerente de marketing da Student Travel Bureau (STB). Os valores dos intercâmbios podem variar de R$ 4,5 mil (inglês para negócios, de duas a quatro semanas) até R$ 60 mil (MBA e especializações, de um a três anos). Já os cursos de extensão em universidades estrangeiras custam entre R$ 10 mil a R$ 30 mil (de três meses a um ano). Isso, excluindo gastos com transporte e hospedagem.
Estados Unidos e Inglaterra são os que mais atraem os interessados em intercâmbio profissional. "A maioria já estudou inglês por vários períodos da vida, mas nunca conseguiu adquirir a fluência no idioma", destaca Samuel Lloyd, justificando o fato de os países de língua inglesa serem os preferidos. Ele cita ainda que é comum a experiência adquirida fora do país gerar mudanças na carreira do profissional. "O intercâmbio tem três aspectos fundamentais: imersão em outra cultura, network profissional e geração de novos negócios e projetos", completa.
Entrevistado
Samuel Lloyd, gerente de marketing da Student Travel Bureau (STB)
Currículo
- Graduado em relações públicas pela PUC/Minas
- O executivo possui especialização em marketing de serviços pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e em gestão de negócios e serviços pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
- Lloyd já atuou como consultor do Great Place to Work Institute e como coordenador de campanhas publicitárias e de desenvolvimento de serviços educacionais no Senac São Paulo
- Também já esteve à frente da gerência de intercâmbios de trabalho do STB por dois anos, no qual foi responsável pelo planejamento e desenvolvimento de programas internacionais para jovens e adultos
- Além disso, Lloyd acaba de ser eleito tesoureiro da Wyse Work Abroad, para o mandato de três anos. A associação é um braço da World Youth Student & Educational Travel Confederation (WYSETC), voltada para o turismo educacional jovem e estudantil
Contato: anapaulajoaquim@rp1.com.br (assessoria de imprensa)
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Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Engenharia civil requer formação mais ampla e educação continuada
Recente debate na USP concluiu que novos profissionais não podem mais parar de estudar e precisam também ter conhecimento sobre biologia, ciência dos materiais e design
Por: Altair Santos
Para discutir os grandes temas de interesse nacional na área da engenharia, a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP) promoveu no final de outubro de 2011 a 1ª Conferência USP sobre Engenharia. O evento começou com o painel Engenharia para o Século XXI, no qual foram debatidos os novos rumos da profissão. Nesse tópico, o vice-diretor da Poli, José Roberto Castilho Piqueira - um dos organizadores do congresso - destacou que houve um consenso de que a formação de engenheiros requer um ensino menos cartesiano. “Nos dias de hoje, os profissionais precisam amplificar os conhecimentos, expandindo para as áreas de biologia, ciência dos materiais e design”, diz.

O professor José Roberto Castilho Piqueira destaca ainda que, no que se refere à engenharia civil, especificamente, a graduação não pode ser mais encarada pelo profissional como o ponto final da formação. Segundo ele, uma das conclusões da conferência é que o setor vai exigir cada vez mais uma educação continuada. “Além do conhecimento básico das ciências de engenharia, seguir estudando vai representar um papel cada vez mais decisivo nesta área, uma vez que as inovações em insumos e processos são quase diárias”, explica. Piqueira ressalta, porém, que as escolas brasileiras estão preparadas para esse desafio. “Do ponto de vista acadêmico, pesquisamos sobre engenharia no mesmo nível que os países desenvolvidos”, completa.
Entretanto, a 1ª Conferência USP sobre Engenharia fez um alerta: o Brasil ainda não consegue converter as pesquisas acadêmicas em produtos inovadores na velocidade que precisaria, principalmente por falta de investimentos governamentais e pela pouca participação da iniciativa privada. “Esse foi um ponto muito abordado. Ficou claro que não há uma estratégia planejada nesse sentido, embora a FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) tenha demonstrado grande preocupação, tentando criar programas que incentivem projetos de ponta”, comenta o vice-diretor da Poli USP, destacando que, no caso da engenharia civil, o que o Brasil precisa é desenvolver técnicas que coíbam o desperdício de materiais e sejam menos danosas ao meio ambiente.
Neste ponto, a conferência abordou com profundidade o papel dos engenheiros na construção da sustentabilidade. “Ficou muito clara a necessidade da evolução tecnológica nas obras civis e na produção de materiais, evitando desperdício de matéria e energia, aliado à diminuição da emissão de gases de efeito estufa. Os produtos, sejam bens de capital, bens de consumo ou obras, devem ter seus ciclos de vida projetados incluindo sua entrada em desuso e o possível reaproveitamento da matéria prima”, afirmou o professor José Roberto Castilho Piqueira, sobre a que conclusão chegaram os debates.
Por isso, a 1ª Conferência USP sobre Engenharia finalizou com uma resolução consensual entre os participantes: a de que a construção civil brasileira precisa investir na automação, nas novas tecnologias de construção e nas estruturas pré-fabricadas. “Sociedade civil, universidades e governo têm obrigações a cumprir, neste sentido, para que o Brasil seja um país sustentável”, disse Piqueira, considerando que a 2ª conferência, já agendada para 2012, deve aprofundar os debates sobre os novos conceitos da construção civil.
Entrevistado
José Roberto Castilho Piqueira, vice-diretor da Poli USP e organizador da 1ª Conferência USP sobre Engenharia
Currículo
- Graduado em engenharia elétrica pela Escola de Engenharia de São Carlos (USP) em 1974
- Obteve os títulos de mestre em engenharia elétrica também pela Escola de
Engenharia de São Carlos (USP) em 1983. Em 1987, obteve o título de Doutor
em Engenharia Elétrica pela Poli e, em 1995, o de livre docente em
controle e automação, também pela Poli.
- No setor industrial, trabalhou em vários projetos ligados à comunicação de
dados para várias empresas e órgãos governamentais, assessorando também
entidades de fomento à pesquisa. No âmbito da USP, Piqueira participa da
Comissão Permanente de Avaliação e já foi membro do Conselho Universitário
e da Comissão Especial de Regimes de Trabalho
- É presidente da Sociedade Brasileira de Automática e, atualmente, concilia as atividades da vice-diretoria da Poli USP com as de professor titular e coordenador do Laboratório de Sincronismo, iniciado por ele em 2002
- Participa ainda do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sistemas Complexos (CNPq).
Contato:jose.piqueira@poli.usp.br
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Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Déficit habitacional oferece espaço para braços de grandes construtoras crescerem
Empresas criadas para atender segmento de habitações populares tendem a seguir com vendas em alta, motivadas pelo avanço da nova classe C e pelo Minha Casa, Minha Vida
Por: Altair Santos
Se a primeira etapa do Minha Casa, Minha Vida contou com um desembolso de R$ 53,1 bilhões do governo federal, a segunda fase, que foi lançada em junho de 2011, promete investimento de R$ 125,7 bilhões até 2014, dos quais R$ 72,6 bilhões virão do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). De olho neste volume de dinheiro, as grandes construtoras do país estimam que seus braços econômicos, criados para atender o segmento de habitação popular, ainda têm muito espaço para crescer.

Em algumas empresas, a nova divisão de negócios já responde por até 50% das unidades comercializadas por ano. É o que ocorre com a construtora Ideal Rossi, que é o braço econômico da Rossi. No caso da Cyrela, que criou a Living há quatro anos, o segmento voltado a construções de habitações populares já representa 35% da receita total. A expectativa é que chegue a 50% até 2013. “Há espaço para elas crescerem mais, principalmente se houver um viés de redução de taxas de juros para incentivar o consumo”. avalia o economista Fausto Gouveia, da Legan Asset, especialista em tendências econômicas e mercado financeiro.
Não apenas o programa habitacional criado pelo governo federal em 2009, mas também a mobilidade social no país estimula as grandes construtoras há investirem em braços econômicos. Até empresas especialistas em obras estruturais hoje estão atuando nesse segmento. Como a Odebrechet, que criou a Bairro Novo. Elas se sentiram estimuladas pela nova classe C - principal cliente das subsidiárias - e também pelo déficit habitacional de 7,9 milhões de moradias que ainda há no país (6,4 milhões em área urbana e 1,5 milhão em área rural) segundo os mais recentes números do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Soma-se a isso a disponibilidade de crédito para o segmento imobiliário, que em sete anos praticamente triplicou. Saiu de 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2004 para 4,6%, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). “Foi uma conjuntura econômica que levou as construtoras a tomarem esta estratégia de criar braços econômicos. Aqui no Brasil, o crédito sempre foi bastante reprimido. Com o plano Minha Casa, Minha Vida, ele alimentou o setor, gerou crédito abundante e atraiu as grandes construtoras”, disse Fausto Gouveia.
Para atender a demanda do mercado, os braços econômicos passaram a desenvolver estratégias próprias para construir seus empreendimentos. Boa parte das empresas padroniza os projetos, dá prioridade ao sistema construtivo conhecido como alvenaria estrutural e investe na mecanização do canteiro de obras. Mesmo assim, esbarram nos gargalos da construção civil, sobretudo na escassez de mão de obra. “Isso afeta a rentabilidade destas empresas, pois gera atraso na obras. Esse pode ser um dos motivos que causou a queda de algumas delas na bolsa de valores mas não significa que não tenham espaço para voltar a crescer”, analisa o economista da Legan Asset.
A projeção é que o segmento de habitação popular (unidades com valor até R$ 200 mil) tenha espaço para crescimento sustentável até 2023. É quando, segundo o Plano Nacional de Habitação (PlaHab) do Ministério das Cidades, deverá zerar o déficit por novas moradias no Brasil. De olho nessa projeção, e já consolidados nas regiões sudeste e sul, os braços econômicos das construtoras passam a priorizar o norte e o nordeste do país, onde estão os maiores percentuais do déficit habitacional brasileiro, com 22,9% e 20,6% da população, respectivamente.
Algumas Construtoras que investiram em braços econômicos
- Gafisa (Tenda e Fit)
- Cyrela (Living)
- Odebrechet (Bairro Novo)
- Rossi (Ideal Rossi)
- Plaenge (Vanguard)
Veja o documento do Ipea:
- O planejamento da habitação de interesse social no Brasil: desafios e perspectivas
http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/comunicado/111025_comunicadoipea118.pdf
Entrevistado
Fausto Gouveia, diretor da área Private da Legan Asset Management
Currículo
- Economista e já atuou como analista de mercado, agente de investimentos e atualmente é economista chefe da Legan Asset Management
Contato: fausto@leganasset.com.br
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