Investimento em P&D faz empresas crescerem, em média, 20%

Levantamento promovido pela UFMG, em parceria com o IPEA, pesquisou 23.892 corporações, das quais 1.247 realizam atividades contínuas de Pesquisa e Desenvolvimento no Brasil.

Levantamento promovido pela UFMG, em parceria com o IPEA, pesquisou 23.892 corporações, das quais 1.247 realizam atividades contínuas de pesquisa e desenvolvimento no Brasil

Por: Altair Santos

O Brasil começa a se defrontar com alguns dilemas típicos de países emergentes. O principal deles é conseguir se inserir na economia do conhecimento. Neste contexto, as atividades de P&D (pesquisa e desenvolvimento) são essenciais. Segundo relatório do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) o país só irá atingir bons níveis de P&D quando envolver um processo amplo de capacitação das empresas e qualificação dos recursos humanos. Isso passa pela presença permanente de cientistas e engenheiros em laboratórios internos de pesquisa dentro das corporações e pela vinculação a redes de conhecimento, como as que já existem entre alguns setores da iniciativa privada e universidades.

Das empresas pesquisadas, apenas 741 têm laboratórios dirigidos por mestres e doutores.

No Brasil, esse investimento em P&D ainda está concentrado nas empresas de grande porte. Para diagnosticar como as companhias do país se comportam em relação à pesquisa e desenvolvimento, a FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), em conjunto com a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), promoveu a pesquisa “Metodologia de Avaliação dos Resultados de Conjuntos de Projetos Apoiados por Fundos de Ciência, Tecnologia e Inovação”. Uma das conclusões, é que atualmente as corporações brasileiras se dividem em quatro níveis dentro da economia do conhecimento, que são:

Empresas Líderes
-Estão consolidadas em P&D
-Exportam inovação
-Tem alto faturamento

Empresas Seguidoras
-Tem alta produtividade
-Exportam
-Estão ligadas à transformação industrial

Empresas Emergentes
-Não são exportadoras
-Possuem iniciativas em P&D
-Já desenvolvem produtos inovadores

Empresas Frágeis
-Não são exportadoras
-Não investem em P&D
-Tem baixo faturamento em relação à produtividade

Divulgada em abril de 2011, a pesquisa analisou dados de 23.892 empresas, entre os anos de 1998 e 2008. Das empresas acompanhadas, 1.247 realizaram atividades contínuas de P&D durante o período estudado. Dessas, 741 possuem laboratórios de P&D, que contam com ao menos um profissional com mestrado ou doutorado para dirigi-los. O levantamento também apontou que as empresas que investiram em conhecimento cresceram pelo menos 21% a mais do que as que não investiram. O setor da construção civil, que na pesquisa foi incluída junto com a indústria extrativista, de metalurgia básica e de materiais elétricos, tem 295 empresas que investem em P&D. Estas companhias representam 36% do faturamento das firmas líderes industriais brasileiras.

As regiões Sul e Sudeste concentram a maior parte da atividade de P&D nas empresas. Os estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina são os principais em termos de frequência de corporações que realizam pesquisa e desenvolvimento. As regiões Norte e Centro-Oeste apresentam as menores frequências de atividade de P&D entre as grandes companhias, sendo que na região Norte praticamente toda a atividade de P&D encontra-se no estado do Amazonas e na região Centro-Oeste a atividade de P&D concentra-se em Goiás.

Segundo Mauro Borges Lemos, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) que atuou na coordenação da pesquisa, o Plano Brasil Maior, lançado em 2011 pelo governo federal, pretende ampliar esses números. “Nosso esforço é para buscar maior inserção em áreas tecnológicas emergentes, o que envolve movimentos de diversificação de empresas domésticas e criação de novas empresas para explorar oportunidades tecnológicas latentes. Para isso, trabalhamos na articulação entre políticas de ciência e tecnologia e políticas industriais”, diz.

O Plano Brasil Maior está alinhado com as propostas da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. As metas definidas têm como objetivo o fortalecimento das capacidades tecnológicas existentes nas empresas e instituições, a formação e a qualificação em recursos humanos e de produção mais limpa. “A inovação é o caminho para o país se tornar mais competitivo e isso só será possível se conseguirmos integrar as competências e esforços das universidades, instituições de pesquisa, empresas e governo. Estamos trabalhando para fazer da inovação tecnológica um caminho para um país mais próspero e inclusivo”, completa Mauro Borges Lemos.

Entrevistado
Mauro Borges Lemos, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial
Currículo
– Doutor em Economia pela Universidade de Londres, com pós-doutorado na Universidade de Illinois e na Universidade de Paris
– É professor titular do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
– Atuou como pesquisador, consultor técnico e ad hoc em entidades como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep)
Contato: abdi@abdi.com.br / rachel.mortari@abdi.com.br (assessoria de imprensa)

Créditos foto: Divulgação / ABDI

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330


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