Pesquisa estuda pegada de carbono das fundações geotérmicas
A climatização geotérmica é um sistema de aquecimento e resfriamento que utiliza a energia térmica armazenada no subsolo para regular a temperatura de um ambiente. “O processo envolve a utilização de bombas de calor geotérmicas, que podem ser instaladas conectando as tubulações de um ambiente (instaladas no piso e paredes) àquelas alocadas em fundações, túneis, muros de contenção, diretamente no solo ou em corpos d'água próximos, como poços ou lagoas”, explica a engenheira civil Elisangela Mazzutti. Este tem sido tema da tese de mestrado de Elisangela na Universidade Federal do Paraná (UFPR).
A engenheira também aponta que essas bombas de calor geotérmicas aproveitam a diferença de temperatura entre o subsolo e o ambiente para realizar trocas de calor. Durante o verão, quando o ambiente precisa ser resfriado, o sistema retira o calor do ar interno e o transfere para o subsolo, onde a temperatura é mais baixa. Já durante o inverno, quando é necessário aquecer o ambiente, a bomba de calor retira o calor do subsolo e o transfere para o ar interno.
De olho na crescente preocupação das empresas em seguir a agenda ESG e diminuir suas emissões de carbono, a climatização geotérmica tem ganhado relevância. “Esta técnica possui um consumo de energia muito menor (cerca de 3 a 4 vezes inferior) do que o usado por um climatizador convencional, logo a emissão de carbono, já que tem menos utilização de energia, é muito menor”, defende Elisangela.
Uso no Brasil
Aqui no Brasil, o uso de climatização geotérmica ainda é relativamente limitado, mas vem crescendo nos últimos anos. “Tem-se conhecimento de uma residência no Rio de Janeiro que foi construída usando o sistema, mas muito antigamente. Então, a tecnologia usada, nesse caso, não é o que temos de mais inovador e o que estudamos na academia. Temos alguns grupos de estudo na Universidade Federal do Paraná e na Universidade de São Paulo (USP) que possuem protótipos do sistema e avaliam melhorias para adaptação às condições brasileiras”, destaca Elisangela.
A técnica de climatização geotérmica em si não apresenta grandes diferenças entre os países, pois se baseia nos princípios termodinâmicos e geotécnicos universais. “No entanto, pode haver algumas variações em termos de implementação, normas técnicas, condições geotécnicas e geotérmicas específicas de cada região, que podem variar o dimensionamento, instalação, segurança, manutenção, técnica de instalação, escolha entre poços verticais ou horizontais, e pode afetar a eficiência e a viabilidade econômica”, afirma Elisangela.
Vantagens da climatização geotérmica
Elisangela aponta alguns benefícios de adotar a climatização geotérmica:
1. Eficiência energética: A climatização geotérmica é uma das formas mais eficientes de aquecimento e resfriamento disponíveis.
2. Sustentabilidade ambiental: Esse sistema utiliza uma fonte de energia renovável e limpa, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e as emissões de gases de efeito estufa.
3. Custo-benefício: O custo-benefício acaba sendo muito bom, porque em edificações a fundação já está sendo construída, o que precisa ser feito é só colocar a bomba de calor e as tubulações, o que não gera um custo muito maior. Ademais, a longo prazo os custos de manutenção/operação geralmente são inferiores quando comparados com sistemas convencionais de climatização.
4. Versatilidade de aplicação: A tecnologia de climatização geotérmica pode ser aplicada em qualquer região do país e em diferentes tipos de edifícios, desde residenciais até comerciais e industriais. Ela pode ser utilizada tanto em novas construções quanto em projetos de retrofit.
5. Conforto e estabilidade: A climatização geotérmica proporciona um conforto térmico consistente ao longo do ano, independentemente das variações climáticas externas. Isso ocorre porque a temperatura do subsolo é relativamente estável em comparação com a temperatura do ar externo.
Desafios da implantação da climatização geotérmica
Elisangela também destaca alguns pontos que dificultam a adoção desta tecnologia:
1. Disponibilidade de conhecimento e capacitação: A climatização geotérmica é uma tecnologia relativamente nova no Brasil, e há uma escassez de profissionais capacitados nessa área.
2. Regulamentação e normas técnicas: No Brasil, as regulamentações e normas técnicas específicas para a climatização geotérmica ainda estão em desenvolvimento e os engenheiros acabam projetando conforme especificações internacionais que nem sempre são adequadas às condições do país.

Crédito: Vítor Pereira Faro
3. Avaliação geotécnica e geotérmica: Cada localidade possui características geotécnicas e geotérmicas específicas que afetam a eficiência da climatização geotérmica, por isso há necessidade de mais estudos para avaliar as especificidades de todas as regiões do país.
4. Conscientização e incentivos: A climatização geotérmica ainda não é amplamente conhecida no Brasil, tanto entre os consumidores quanto entre os profissionais do setor. É fundamental promover a conscientização sobre os benefícios dessa tecnologia, além de desenvolver políticas e programas de incentivo para sua adoção, como linhas de financiamento e incentivos fiscais.
Fonte:
Elisangela Mazzutti formou-se em Engenharia Civil pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (campus de Frederico Westphalen). Atualmente, é mestranda na mesma área, na Universidade Federal do Paraná (UFPR), e Gerente de Pesquisa e Inovação da Solution IPD.
As imagens utilizadas nesta matéria pertencem a uma edificação construída com climatização geotérmica em Maringá/PR pelas empresas Solution IPD, Hygge, Thermique e Inverter.
Contato:
elisamazzutti@hotmail.com
Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP
Setor da construção gera mais de 26 mil empregos em abril, segundo Caged
O Ministério do Trabalho divulgou o Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) com dados referentes ao mês de abril no Brasil. De acordo com os números, o setor na construção registrou 26.937 novas vagas de emprego durante o período, sendo o quarto saldo positivo e consecutivo do ano neste segmento.
Em relação aos meses anteriores, o índice chegou a 38.476 em janeiro, 22.426 em fevereiro e 32.569 em março, contabilizando, já com a estatística de abril, 120.408 novos empregos no acumulado de 2023. Para efeito de comparação, o mesmo período de 2022 contabilizou 121.006 vagas formais.
De acordo com Ieda Vasconcelos, economista da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), “os números mostram a resistência do mercado de trabalho da construção, fruto dos lançamentos e vendas que aconteceram em 2021 e 2022”. Apesar da estabilidade observada nos relatórios até então, a especialista destaca a preocupação do setor com os números futuros. “Porque as vendas e os lançamentos de ontem se traduzem em emprego hoje. Dada a queda significativa dos lançamentos nos primeiros três meses do ano, a preocupação é com o emprego de amanhã."
Dados detalhados do Caged
Ainda sobre os últimos dados do Caged, referentes à construção, em abril, a subdivisão de novos empregos mostra que a Construção de Edifícios foi responsável por 10.478 vagas, enquanto as Obras de Infraestrutura geraram 9.785 - dessas, 7.077 foram na área de Construção de Rodovias, Ferrovias, Obras Urbanas e Obras de Arte Especiais. Já os Serviços Especializados registraram saldo de 6.674.
O Sudeste é o campeão em novas contratações, com saldo de 14.562, seguido do Centro-Oeste, com 5.539, do Sul, com 3.852, do Nordeste, com 2.518, e do Norte, com 436. Já em relação à faixa etária, a maior parte dos contratados (8.346) possui entre 18 e 24 anos, e logo depois vem os trabalhadores de 30 a 39 anos (6.297).
Do total dos novos empregos, 24.275 foram para homens e 2.662 para mulheres. Contabilizando 2023, como um todo, chegamos a 108.286 vagas para homens e 12.122 para mulheres.
A construção é a terceira atividade econômica com maior saldo de empregos em abril, ficando atrás do comércio (que registrou 27.559 novas vagas) e do setor de serviços (103.894). No acumulado do ano, a construção está em segundo lugar (120.408), atrás apenas de serviços (434.168).
Fontes
Novo Caged, do Ministério do Trabalho
Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
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Fabiana Seragusa
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Edifício é “reciclado” na Austrália para evitar demolição

Crédito: 3XN
Considerado o prédio mais alto de Sydney, na Austrália, o AMP Centre há algum tempo vinha mostrando sinais de envelhecimento. Construído na década de 1970, sua estrutura foi ficando ultrapassada e os proprietários da torre desejavam substituí-la por algo maior, melhor e mais eficiente em termos energéticos.
No entanto, a demolição de arranha-céus acarreta custos ambientais significativos, desde resíduos de construção até a emissão de CO2 por máquinas pesadas. Em 2014, a empresa de investimentos australiana AMP Capital lançou uma competição arquitetônica com uma proposta inédita: construir um novo arranha-céu sem demolir o antigo. O escritório de arquitetura dinamarquês 3XN foi o vencedor e o projeto foi concluído em 2022. O edifício também ganhou um novo nome: Quay Quarter Tower (QQT).
De acordo com o escritório, o QQT mantém mais de 65% da estrutura original (vigas, colunas e lajes) e 95% do núcleo original, resultando em uma economia de carbono de 12.000 toneladas. Além disso, ao fazer a “reciclagem” no lugar da demolição, economizou-se quase um ano no cronograma de construção.
"Reciclar a maior parte da estrutura de um prédio existente expressa uma visão inovadora para construções sustentáveis em áreas urbanas densas. Ainda, serve como exemplo para desenvolvedores e construtores de cidades ao redor do mundo," destacou Fred Holt, um dos sócios do 3XN.
O projeto inovador fez com que o escritório de arquitetura ganhasse o 10º Prêmio Internacional de Arranha-Céus.
Novo projeto
Após remover partes do antigo prédio que não puderam ser preservadas, os trabalhadores da construção ergueram uma nova estrutura ao lado. Uma fachada de vidro contemporânea envolveu as duas estruturas para criar um único arranha-céu. Os módulos em balanço na fachada, que envolvem as cinco seções da torre, reduzem a entrada de luz solar direta na Quay Quarter Tower em até 30%. Isso eliminou a necessidade de persianas internas, garantindo vistas incomparáveis do porto. Inclusive, este é um ponto de destaque do projeto. Segundo Kim Herforth Nielsen, arquiteto e cofundador da 3XN, em um prédio tradicional, quando você vai de um andar a outro, é preciso pegar um elevador, cujas portas geralmente se abrem de frente para uma parede. Aqui, os elevadores dão direto para uma vista.
Por ser um edifício comercial, a Quay Quarter Tower privilegiou a integração de ambientes, visando a interação entre as pessoas. “Ao invés de só pegar o elevador, elas podem subir e descer alguns andares de escada, por meio dos andares integrados bem como dos átrios abertos, que permitem visualizar o andar debaixo. Esta é uma ótima forma para uma empresa estimular o espírito de equipe”, afirma Nielsen.
O projeto priorizou a integração do edifício com o ambiente externo. “Não queríamos projetar uma sombra enorme em um parque localizado ao lado, como acontecia com o prédio antigo. Por isso, o prédio tem um formato ‘retorcido’, isto é, ele não é linear. Ao olhá-lo por um ângulo, ele parece muito largo, por outro, pode parecer mais estreito”, explica Nielsen.
O novo design dobrou o espaço disponível no prédio e, consequentemente, a capacidade de acomodação, de 4.500 para 9.000 pessoas. Também houve a adição de novos andares e a expansão dos pisos existentes acrescentaram 45.000 metros quadrados de espaço útil, possibilitando um uso muito mais eficiente do terreno nessa localização proeminente.
Fontes
Fred Holt é arquiteto e sócio do escritório de arquitetura 3XN.
Kim Herforth Nielsen é arquiteto e cofundador do 3XN.
Contato
kaa@3xn.dk
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Marina Pastore
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Campanha nacional estimula a prevenção de acidentes da indústria da construção

Crédito: Envato
Durante a 96ª edição do ENIC (Encontro Nacional da Indústria da Construção) foi lançada a Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho na Indústria da Construção - CANPAT Construção 2023. O tema escolhido para este ano foi “Gestão da Segurança e Saúde na Construção: como um ambiente seguro favorece a produtividade?”. A campanha é realizada pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), por meio da Comissão de Política de Relações Trabalhistas (CPRT).
“Desde 2017, a CBIC tem feito um trabalho magnífico no Brasil inteiro com relação ao lançamento das campanhas nacionais. Desde 2017 até agora, nós fizemos um trabalho de socializar informações sobre segurança e saúde com mais de 30 cidades. De 2017 até hoje, quando o governo queria modificar todas as NRs do Brasil, em 2019, a toque de caixa foram feitas todas as modificações destas normas no país – principalmente a NR 18. Investir em segurança dá lucro.”, aponta Haruo Ishikawa, vice-presidente do Sinduscon-SP e coordenador do Grupo Estratégico de SST da CPRT/CBIC.
Segundo Antonio Carlos Salgueiro de Araújo, presidente do Seconci-Brasil, pela sua natureza de alto grau de risco, a construção civil exige um grande comprometimento em ações que ajudem a conscientizar a importância da prevenção do acidente. “O tema da Campat deste ano traz que, além da prevenção contra acidentes, um ambiente seguro também contribui para a produtividade do trabalho e a sua segurança”, afirma.
Falta de segurança x produtividade
Na opinião de Gianfranco Pampalon, consultor de SST do Seconci-SP, a falta de segurança no ambiente de trabalho atrapalha a produtividade da obra. “A segurança no trabalho é um hábito que está baseado no cuidado com as pessoas – isso é segurança no trabalho. Não deve ser vista como uma atividade à parte. Obras seguras são mais limpas e atendem melhor os prazos”, destaca. Na opinião de Pampalon, há uma falta de preocupação no projeto de dar segurança para o trabalhador. “Um estudo feito na Europa mostra que 35% dos acidentes na construção civil poderiam ser prevenidos na concepção e 28% no projeto. Agora, com BIM, novas tecnologias e precaução com novos estudos, deve haver uma evolução neste sentido”, declara.
O especialista de desenvolvimento industrial – SESI, Dernival Barreto Medrado Neto, trouxe uma pesquisa sobre a questão de produtividade e segurança. Durante o evento, ele também comentou a respeito do conceito de produtividade. “Ao falarmos de produtividade, o primeiro indicador é o tempo – executar uma obra no menor tempo. O cliente mais feliz é aquele que recebe uma obra antecipadamente ou no prazo. Nisso, tem o cálculo acirrado de ter os melhores indicadores de execução dos serviços no cronograma para atender. Só que dentro disso tem também o planejamento da obra e as predecessoras. É comum fazer as predecessoras pensando no atraso de entrega de material, na gestão do almoxarifado para ter os produtos just-in-time para executar os serviços. Mas a segurança do trabalho também faz parte disso e a NR 18 traz isso de forma bem clara. Quando você trabalha de forma corrida também tem um perigo: não adianta fazer correndo e fazer mal feito, além de ter o risco de acidente”, pontua Neto.
Neto lembra também que além da possibilidade de paralização da obra, há também um impacto no emocional dos trabalhadores quando há um acidente grave no canteiro – o que pode gerar atrasos nos prazos de entrega.
“Hoje se fala muito em doença mental. Em uma obra em que há um trabalhador acidentado, o companheiro dele certamente não vai produzir da mesma forma sem ter todo o equipamento de segurança e proteção coletiva de acordo com as NRs. Se esses aspectos estivessem presentes, certamente ele trabalharia muito mais tranquilo”, argumenta Ishikawa.
Pesquisa
Durante o 96° Enic, foi apresentada uma pesquisa a respeito de segurança no trabalho. Os resultados mostraram que a maior dificuldade para uma empresa é manter o Programa de Gerenciamento de Riscos de acordo com a etapa da obra (67%). No entanto, Pampalon lembra que o PGR deve ser um programa dinâmico, que deve ser atualizado constantemente. Em segundo lugar, com 44%, veio a resposta “implementar as medidas de controle de risco ocupacionais”. Para Pampalon, este é um índice preocupante.
Outro dado levantado mostrou que o PGR é discutido com outras áreas das empresas em 55% dos casos. A pesquisa mostrou ainda que 57% dos prestadores de serviços terceirizados apresentam inventários de risco, o que para Pampalon é uma informação muito positiva. “Esse para mim era um gargalo, o calcanhar de Aquiles da PGR. Eu não tinha certeza se as pequenas empresas conseguiam atender esse requisito”, destacou. Outra surpresa positiva é que 80% das empresas contratantes fornecem para as prestadoras de serviços informações sobre os riscos da obra.
Fontes
Haruo Ishikawa é vice-presidente do Sinduscon-SP e coordenador do Grupo Estratégico de SST da CPRT/CBIC.
Antonio Carlos Salgueiro de Araújo é presidente do Seconci-Brasil.
Dernival Barreto Medrado Neto é especialista de desenvolvimento industrial – SESI.
Gianfranco Pampalon é consultor de SST do Seconci-SP.
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ascom@cbic.org.br
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Marina Pastore
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ABNT prioriza questões ambientais na elaboração de normas

Crédito: CBIC
A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) anunciou que os cuidados com as mudanças climáticas e inovação passarão a ser cada vez mais relevantes na elaboração e na revisão de normas. O anúncio foi realizado durante o painel “A Evolução da Normalização Técnica na Indústria da Construção”, na 96ª ENIC, realizada pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Na ocasião, Mário William Esper, presidente da ABNT, destacou que o órgão está realizando uma proposta de política industrial, incluindo o setor da construção, com a questão ambiental e a certificação de mão de obra entre as suas prioridades.
“É fundamental a construção de baixo carbono. A ABNT tem priorizado a questão do clima. Em novembro de 2022, durante a COP, lançamos uma norma de demonstração de neutralidade do carbono”, afirmou Esper. Esta norma já foi adotada por Mato Grosso e Rio Grande do Sul. Segundo o presidente da ABNT, as corporações que atuam nesses estados precisam demonstrar, com base nessas normas da ABNT, o comprometimento até 2030 com a mitigação dos gases de efeito estufa. Para isso, a ABNT adotou um padrão de demonstração.
Lilian Sarrouf, coordenadora do ABNT/CB-002, também falou sobre a importância do clima na definição de normas. “Se estivermos analisando uma norma sobre concreto, por exemplo, vamos sempre trazer um olhar de inovação e de mudanças climáticas. E há duas abordagens possíveis: o quanto isso impacta na norma e o quanto esta pode contribuir para diminuir os impactos ambientais”, explica Lilian.
Ainda, a coordenadora pontuou que a ABNT deve avançar em temas não só técnicos, mas com essa visão global de quando falamos de um produto, de um sistema, de uma edificação. “Acima de tudo, esse novo olhar nos instiga e traz motivação para fazer”, declara Lilian.
Certificação para profissionais
Além da sustentabilidade e da inovação, esta nova proposta de política industrial também contempla a certificação de profissionais. “Em outros países, como o Canadá, ao contratar um eletricista, por exemplo, há uma certificação específica que garante que este profissional está apto. No Brasil, por outro lado, costumamos dizer que um eletricista é formado pelas tentativas e erros nas casas de clientes”, afirma Esper.
Normas para marco regulatório do saneamento
Recentemente, a ABNT firmou um convênio com a Agência Nacional das Águas para desenvolver normas técnicas relativas ao marco regulatório do saneamento. “A ideia é ter normas atualizadas como referência para o marco”, explica Esper.
Assista ao vídeo da palestra:
Fontes
Mário William Esper é presidente da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
Lilian Sarrouf é coordenadora do ABNT/CB-002
Contato
Assessoria de imprensa ABNT - daniela.nogueira@fsb.com.br
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Marina Pastore
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Curso sobre pavimento de concreto ensina métodos a profissionais da área
A partir de uma demanda do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem do Rio Grande do Sul (Daer-RS), a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) realizou na última sexta-feira (2) o curso "Dimensionamento de Pavimentos de Concreto: Da Teoria à Aplicação".
Projetado para engenheiros que desejam dominar as técnicas mais avançadas e atualizadas desse segmento, o curso foi ministrado por Fernão Nonemacher Dias Paes Leme, especialista em pavimentação da ABCP, e atendeu aos engenheiros do próprio Daer e também aos interessados de forma geral. A programação incluiu temas como viabilidade econômica, métodos utilizados (como AASHTO 93, ASSHTO 98 e PCA 84, adotado pelo Dnit), PavementDesigner, parâmetros para o dimensionamento e comportamento estrutural.
O engenheiro civil Alex Maschio, gerente da regional Sul da ABCP, diz que "os profissionais que saírem do curso vão ter total possibilidade de dimensionar pavimentos rígidos, tanto para estudos quanto para projetos executivos". Foram 68 inscritos, que puderam aplicar os conceitos aprendidos em situações reais e desenvolver habilidades práticas, aprimorando seus conhecimentos em um campo de alta demanda no mercado.
Maschio ressalta o fato de que a utilização do pavimento rígido vem aumentando de forma substancial no Brasil. "Isso muito em função de alguns fatores. Tem aqueles fatores mais tradicionais, como durabilidade, pouca manutenção, a parte de sustentabilidade, mas o que mais está contribuindo para esse crescimento significativo no Brasil é a questão do custo. O [preço do] asfalto subiu muito nos últimos anos, e isso possibilitou uma melhoria da condição de competitividade do pavimento de concreto", explica.
"Como a gente não teve, ao longo dos anos, uma preparação dos profissionais, já que são muito raras as universidades que têm curso de pavimento de concreto, que têm disciplina de pavimento de concreto, eles não conhecem os métodos de cálculo e nem os procedimentos de execução - e acabam não entrando a fundo no assunto", afirma Maschio. "E o papel da ABCP é justamente levar isso para o mercado. Então o propósito principal desse curso é levar informações e preparar profissionais para atuar no segmento de pavimento rígido."
Ainda sobre o aumento na utilização de pavimento de concreto no país, o gerente da ABCP dá exemplos de valores que fazem a diferença na hora da escolha. "Em rodovias de tráfego pesado, por exemplo, o pavimento rígido pode custar por volta de 20% a 30% mais barato, isso em custo inicial. Se a gente colocar a longo prazo, vai sair quase 100% mais barato do que um pavimento asfáltico convencional", avalia.
"Em um pavimento mais leve, em uma via urbana, o pavimento rígido pode custar entre 10% e 20% mais barato em custo inicial, ou seja, está muito competitivo. Então não tem por que não ter esse crescimento. E que está acontecendo, está se efetivando."
Fonte
Alex Maschio, gerente da regional Sul da ABCP
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Fabiana Seragusa
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Arquiteto projeta instalação geométrica de concreto para o MPavilion

Crédito: Cortesia de Tadao Ando Architect & Associates
Em 2023, o arquiteto vencedor do Prêmio Pritzker, Tadao Ando, será responsável pelo projeto do MPavilion 10 nos Jardins da Rainha Vitória, localizado no coração do centro da cidade de Melbourne, na Austrália. O MPavilion é uma espécie de festival anual de cinco meses, no qual são realizados vários eventos públicos gratuitos como palestras e espetáculos de música e dança, além de performances e oficinas para crianças, entre muitos outros eventos focados no design.
Nos últimos 10 anos, o MPavilion tem trabalhado com os mais importantes pensadores arquitetônicos do mundo para criar um espaço de engajamento com questões urbanas, cívicas e de design urgentes. A cada ano, o MPavilion convida arquitetos com uma linguagem de design única e propósito social, dando-lhes total liberdade para realizar sua visão.
Ando é o sétimo arquiteto internacional de destaque a ter sua primeira obra na Austrália comissionada pelo MPavilion. “Eu sempre admirei como Tadao Ando responde e incorpora as particularidades de um lugar em seu projeto, e sua crença de que a arquitetura pode moldar uma sociedade", disse Naomi Milgrom, empresária e filantropa australiana à frente da Fundação Naomi Milgrom, que é responsável pela organização do MPavilion.
Projeto de Tadao Ando para o MPavilion
Concebido como um novo ponto de encontro dentro do Distrito das Artes de Melbourne, o projeto de Ando para o MPavilion encapsula seu desejo de criar uma estrutura memorável que converse diretamente com seus jardins. De acordo com o arquiteto, ele busca a pureza espacial, utilizando a geometria de círculos e quadrados para criar um espaço em harmonia com a natureza.
Para isso, o MPavilion 10 apresenta um grande toldo - um disco revestido de alumínio com 14,4 metros de diâmetro apoiado em uma coluna central de concreto. Dois quadrados deslocados criam duas entradas que levam ao centro do pavilhão. Paredes de concreto de diferentes comprimentos cercam parcialmente o espaço, criando um santuário tranquilo reminiscente de um jardim murado japonês tradicional. Uma longa abertura horizontal (19,4 cm x 22,5 cm) percorre o comprimento das paredes norte e sul, enquadrando vistas do horizonte de Melbourne e dos parques, conectando a cidade e a exuberante vegetação dos Jardins da Rainha Vitória com o interior.

Crédito: Cortesia de Tadao Ando Architect & Associates
As formas geométricas e a simetria são reforçadas por um arranjo interno que é metade pavimentado e metade piscina espelhada, que reflete o toldo, o céu, a cidade e os arredores.
"O design começou com o desejo de criar uma sensação de eternidade no oásis de jardim de Melbourne", compartilhou Tadao Ando. "Eu queria criar uma experiência que durasse para sempre nos corações de todos que visitam. Eu imaginei uma arquitetura do vazio, que permite que a luz e a brisa entrem e deem vida a ela. Um lugar que ressoa e floresce com criatividade infinita. O MPavilion 10 é projetado para incentivar encontros entre pessoas, o mundo natural e um diálogo interminável", conclui Ando.
Fontes
Tadao Ando é autodidata em arquitetura. Fundou a Tadao Ando Architect & Associates em 1969. Dentre suas obras estão a Igreja da Luz, Pulitzer Arts Foundation e o Museu de Arte Chichu. Lecionou como professor visitante na Universidade Yale, Universidade Columbia e Universidade Harvard. Professor da Universidade de Tóquio desde 1997. É professor emérito da Universidade de Tóquio desde 2003.
Naomi Milgrom, empresária e filantropa australiana à frente da Fundação Naomi Milgrom, que é responsável pela organização do MPavilion
Contato:
Assessoria de imprensa: amber@ampr.com.au
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Marina Pastore
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Custo Unitário Básico acumula alta de 1,49% em 2023
Chegou a 1,49% a alta acumulada em 2023 do Custo Unitário Básico (CUB) referente à indústria da construção no Estado de São Paulo, de acordo com dados divulgados pelo SindusCon-SP (Sindicado da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) e pela FGV (Fundação Getulio Vargas).
O índice oficial, que é um importante termômetro na variação dos custos de mão de obra e serviços e reflete a variação dos custos das construtoras, registrou variação positiva de 1,44% em maio e alta de 4,79% no cálculo acumulado dos últimos 12 meses.
Os números também mostram que esse aumento foi impulsionado principalmente pela alta na mão de obra, que registrou +2,45% em maio e +7,59% em 12 meses, enquanto o setor de material subiu 0,12% neste mês e 1,12% em 12 meses, e o administrativo (que inclui mão de obra dos engenheiros) chegou a +1,11% em maio e +6,27% em 12 meses. "A mão de obra teve um aumento expressivo em maio, em São Paulo, porque é o mês do dissídio coletivo, quer dizer, o acordo coletivo, e a mão de obra teve um reajuste de 4,6%", explica Eduardo Zaidan, vice-presidente de Economia do SindusCon-SP.
O especialista destaca o fato de que a coluna dos últimos 12 meses vem registrando quedas: em maio de 2022, a variação era de quase 12%, e agora, em maio de 2023, ficou em 4,79%. "Ainda tem muito espaço para cair o custo anual, até ficar com o mesmo desempenho da inflação média da economia em 12 meses. As curvas não andam necessariamente juntas, mas, quando você tem um descompasso, inviabiliza tanto projetos de habitação quanto de infraestrutura, comerciais, industriais."
Zaidan conta que houve um aquecimento muito grande do mercado por causa da pandemia, e que, com a dificuldade logística dos materiais e escassez de mão de obra, os preços subiram muito e agora estão voltando para trás. "[O índice] subiu demais nos anos de 2021, 2022, e agora tem um processo de deflação. É bastante natural isso, até porque a demanda já não está tão grande como estava no pós-pandemia", explica. "A pandemia desarrumou muito os preços de um modo geral. E a gente vinha de uma recessão muito grande, de 2014 a 2017, que fez com que muitos produtores de materiais fechassem linhas ou desativassem fábricas. Com isso, você tem uma queda de produtividade. Com a demanda mais aquecida, em 2021 e 2022, houve uma dificuldade natural para produzir nas quantidades que a gente precisava, e isso começou a elevar o preço."
O vice-presidente de Economia do SindusCon-SP também destaca outro fator importante para a mudança nos números. "A gente tem que lembrar que, no Brasil, metade dos materiais de construção é consumido pelas famílias, em reformas, autoconstrução. E, com essas taxas de juros muito altas, desemprego, e renda caindo, um cenário bastante incerto na política econômica, essa demanda caiu muito, as famílias estão endividadas, e isso tem um peso. Então sobra mais material e o preço cai."
Fontes
SindusCon-SP (Sindicado da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo)
Eduardo Zaidan, vice-presidente de Economia do SindusCon-SP
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Novas regras para construção civil serão debatidas em Curitiba

Crédito: Envato
Após um período de dois meses de debates no âmbito da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), será iniciado o processo de tramitação, no órgão legislativo de Curitiba, do projeto proposto pela prefeitura para a regulamentação do estudo prévio de impacto de vizinhança (EIV). Esse projeto tem como objetivo estabelecer critérios para estudos preliminares de impacto ambiental, na vizinhança e no tráfego, que são exigidos para os novos empreendimentos imobiliários. Antes de ser discutido e votado em plenário pela Câmara Municipal de Curitiba (CMC), o projeto será analisado pelas comissões de Economia, Urbanismo e Meio Ambiente.
Sistema EIV é uma criação do Estatuto das Cidades e prevê quais “empreendimentos e atividades privados ou públicos em área urbana dependerão de elaboração de estudo prévio de impacto de vizinhança (EIV) para obter as licenças ou autorizações de construção, ampliação ou funcionamento a cargo do Poder Público municipal”. Além disso, o EIV será executado de forma a contemplar os efeitos positivos e negativos do empreendimento ou atividade quanto à qualidade de vida da população residente na área e suas proximidades, incluindo a análise, no mínimo, das seguintes questões: adensamento populacional; equipamentos urbanos e comunitários; uso e ocupação do solo; valorização imobiliária; geração de tráfego e demanda por transporte público; ventilação e iluminação; e paisagem urbana e patrimônio natural e cultural.
O Sistema EIV foi incorporado à legislação de Curitiba na revisão do Plano Diretor, em 2015, e, desde então, aguardava regulamentação.
Aprovação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)
Em maio de 2023, a CCJ autorizou a tramitação da regulamentação do Sistema EIV. A proposição conta com 140 itens, distribuídos em 48 artigos, nos quais há o detalhamento do EIV, do Relatório Ambiental Prévio (RAP) e o Estudo de Pólo Gerador de Tráfego - que teve o nome mudado para Estudo de Impacto no Tráfego (EIT).
A CCJ apoiou majoritariamente o parecer do relator, Toninho da Farmácia (União). O deputado Dalton Borba (PDT) chegou a devolver a proposição para o Executivo por entender que este projeto de lei necessitava de ajustes. Uma das colocações de Borba é que as normativas atribuem a três órgãos/entidades diversas a competência para requerer o estudo. “Não existe clareza sobre em quais casos cada órgão /entidade poderá exigir o estudo. Essa situação gera grave insegurança jurídica e abre margem para arbitrariedades e quebra de isonomia na definição do órgão/entidade competente”, afirmou Borba. Outra questão apontada pelo deputado é que caberá à "lei municipal" definir os empreendimentos e atividades privados ou públicos em área urbana que dependerão de elaboração de estudo prévio de impacto de vizinhança (EIV). “Portanto, a previsão constante na proposição de delegar ao ato do poder executivo tal definição é contrária ao Estatuto da Cidade, tornando o dispositivo ilegal”, afirmou o deputado.
Descumprimento da lei
A não conformidade com as diretrizes do Estudo de Impacto na Vizinhança pode acarretar na suspensão da emissão de licenças, autorizações, alvarás de construção, localização e funcionamento. De acordo com as informações fornecidas pelo Executivo, o EIV será utilizado para a análise prévia e concessão de licenças para empreendimentos e atividades que apresentem potencial impacto urbanístico significativo, porém com menor impacto no ambiente natural.
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Marina Pastore
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Governo lança novo marco para as parcerias público-privadas

Crédito: Envato
O Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda (STN/MF) anunciou o novo marco para as parcerias público-privadas (PPPs). A expectativa é que este movimento gere cerca de R$ 100 bilhões em investimentos nos estados e municípios, uma vez que há 150 propostas que poderão ser beneficiadas com esta medida. Ainda, segundo o secretário do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, há 193 projetos com contratos iniciados no país, sendo que 73 são em iluminação pública, onde as garantias são maiores.
Para Alexandre Aroeira Salles, sócio fundador da banca Aroeira Salles Advogados, e seu sócio, Luís Henrique Baeta, neste novo marco, destaca-se a possibilidade de Estados e municípios estruturarem PPPs e contratarem empréstimos com garantias da União para financiar a operação. “Essa medida tem o potencial de reduzir os custos dos empréstimos, tornando o crédito mais barato, já que as garantias do Tesouro Nacional tornam o fluxo de recebíveis mais seguro. Isso também pode reduzir os riscos para os parceiros privados que pretendam investir na PPP”, pontuam Salles e Baeta.
Salles e Baeta também apontam que outra medida relevante para incentivar o financiamento de projetos de PPPs será a alteração da legislação vigente para incluir novos setores que poderão emitir debêntures incentivadas, que estão sujeitas a alíquotas mais baixas sobre o imposto de renda, tanto para pessoas físicas quanto jurídicas. “Com isso, será possível a captação de recursos privados para projetos em novos setores, como educação, segurança pública, saúde e infraestrutura social e ambiental. Com os incentivos à estruturação de PPPs, espera-se uma maior participação da iniciativa privada em vários projetos e diversos setores, o que tem o potencial de aquecer a construção civil nacional”, explicam os advogados.
Garantia das contrapartidas
Um dos maiores gargalos para a iniciativa privada investir em projetos em parceria com prefeituras e estados é a garantia das contrapartidas.
“Os investidores nacionais e internacionais possuem grande interesse em projetos de parceria, porém, muitas vezes, não participam de determinados projetos de PPP em razão do elevado risco de não cumprimento das obrigações por Estados e Municípios, principalmente aquelas relacionadas aos pagamentos e fundos de garantia”, afirmam Salles e Baeta.
Entretanto, Salles e Baeta destacam que a possibilidade criada pelo novo marco de que a União ofereça garantias aos empréstimos contraídos pelos Estados e municípios para a implantação e operação de PPPs reduz o risco e custo do crédito, atraindo também mais a iniciativa privada, já que o fluxo de recebíveis será mais seguro.
Fiscalização
Na opinião de Salles e Baeta, a implementação e sucesso do novo marco também dependerão de processos eficientes de fiscalização a serem desenvolvidos pelos órgãos de controle interno da União, Estados e municípios. “Isto deve se dar na figura de suas controladorias gerais, de forma a avaliar se os projetos de PPP estão sendo devidamente estruturados, em consonância com as políticas públicas orientativas e com o ordenamento jurídico. A fiscalização também será complementada pelos órgãos de controle externo, como o Ministério Público e Tribunais de Contas. A atuação conjunta desses diversos órgãos pode auxiliar na avaliação do atendimento às disposições legais e ao alcance das finalidades pretendidas nos projetos”, concluem os advogados.
Fontes
Alexandre Aroeira Salles é sócio fundador da banca Aroeira Salles Advogados.
Luís Henrique Baeta é sócio da banca Aroeira Salles Advogados.
Contato:
contato@aroeirasalles.com
Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP




















