Curitiba aposta em incentivos para reativar o Centro urbano
Programa “Curitiba de Volta ao Centro” prevê R$ 163 milhões para retrofit, moradia e dinamização da região
O programa “Curitiba de Volta ao Centro”, lançado em 2025, propõe uma requalificação abrangente da região central da cidade, com foco em habitação, mobilidade, segurança e desenvolvimento econômico, com o objetivo de tornar o Centro mais ativo e diverso ao longo de todo o dia.
No fim de março de 2026, o prefeito Eduardo Pimentel anunciou a abertura de consulta pública para o primeiro edital de subvenção econômica do programa. A iniciativa prevê que a Prefeitura subsidie entre 25% e 50% dos custos de obras de revitalização de imóveis localizados na área central. O edital, com lançamento previsto para o início de maio, poderá disponibilizar até R$ 10 milhões.
Na mesma ocasião, foram assinados cinco decretos que regulamentam o programa, que contempla não apenas as subvenções, mas também incentivos fiscais e construtivos voltados à requalificação da região central. Ao todo, estão previstos R$ 30 milhões em subvenções, somados a R$ 133 milhões em benefícios fiscais.
O plano contempla investimentos em retrofit de edifícios, restauração de imóveis históricos e ampliação da oferta habitacional. As ações se concentram em áreas estratégicas, como o Centro, Centro Histórico e Rodoferroviária.

Crédito: Divulgação/Prefeitura de Curitiba
A iniciativa responde a um processo recente de esvaziamento do Centro, que perdeu população e dinamismo à medida que o crescimento urbano se deslocou para outras regiões da cidade. O objetivo é reverter esse cenário, ampliar a ocupação, estimular o comércio e valorizar o patrimônio.
Para Maria Eugenia Fornea, presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (ADEMI-PR), essas iniciativas representam um avanço concreto, posicionando Curitiba em um patamar mais sofisticado de política urbana voltada à requalificação do Centro.
“O programa passa a contar com um instrumento que dialoga com a lógica de decisão do investidor. A subvenção estruturada deixa de ser hipótese e se torna um mecanismo real de viabilização econômica. Hoje, o programa saiu do campo conceitual e entrou no da viabilidade, tendo como próximo passo ganhar escala”, afirma Maria Eugenia.
Moradia como eixo central da transformação
Um dos pilares do programa é o incentivo à ocupação residencial, com o objetivo de reverter o esvaziamento urbano e promover vitalidade contínua.
A estratégia inclui:
• estímulo ao retrofit de imóveis ociosos
• incentivo à habitação de interesse social
• promoção de diversidade tipológica
A diretriz é clara: garantir permanência urbana, diversidade de perfis e um Centro mais equilibrado e habitado.
Segundo Maria Eugenia Fornea, há demanda real por moradia na região central — desde que a oferta esteja alinhada à qualidade do produto e à diversidade de públicos.
Ela também destaca que a política pública corrige distorções do mercado, evitando a produção excessiva de estúdios e orientando a cidade para um modelo mais equilibrado.
Retrofit ganha protagonismo
A requalificação do estoque existente é um dos principais motores do programa, com foco na preservação do patrimônio histórico e na reutilização de edifícios.
O plano propõe:
• incentivos fiscais e construtivos
• uso da Transferência do Direito de Construir (TDC)
• estímulo à recuperação de edificações protegidas
Para a presidente da ADEMI-PR, o retrofit envolve complexidade técnica, exigindo compatibilização de sistemas e alinhamento com regras urbanísticas.
Maria Eugenia avalia que o mercado está em processo de amadurecimento, precisando de previsibilidade, padronização técnica e segurança jurídica para ganhar escala.
Uso misto e ativação urbana
O programa aposta na diversificação de usos como estratégia de revitalização urbana e fortalecimento do ecossistema local.
O diagnóstico aponta:
• base comercial consolidada
• presença de gastronomia e vida noturna
• concentração de serviços especializados
A estratégia envolve:
• flexibilização de usos
• incentivo ao retrofit
• estímulo à ativação cultural e turística
A proposta é transformar o Centro em um espaço de permanência, e não apenas de circulação.
Mobilidade e cidade para pessoas
Outro eixo estruturante é a mobilidade ativa, com foco no transporte coletivo e na construção de uma cidade para pessoas.
Entre as propostas estão:
• ampliação de calçadas e ciclovias
• requalificação de ruas emblemáticas
• reorganização do sistema viário
• incentivo a baixa emissão de carbono
Gargalos: execução, previsibilidade e escala
Os desafios agora estão na implementação da política pública, com foco em execução eficiente, previsibilidade e ganho de escala.
Pontos críticos incluem:
• execução consistente e coordenação institucional
• previsibilidade da subvenção e redução de risco
• regularização fundiária e segurança jurídica
• alinhamento entre viabilidade econômica e regras urbanísticas
Além disso, permanece o desafio de transformar o programa em um fluxo contínuo de projetos, garantindo escala e sustentabilidade urbana ao longo do tempo.
Fonte
Maria Eugenia Fornea é graduada em Economia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), e em Engenharia Civil pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), é mestre em Gestão Urbana e especializações em planejamento de cidades. Com mais de 15 anos de atuação no setor imobiliário, é CEO e fundadora da incorporadora curitibana Weefor, onde lidera iniciativas voltadas à reflexão sobre arquitetura, cidade e desenvolvimento urbano. Atualmente, é presidente da ADEMI-PR da gestão 2026/2027.
Contato
thabata@versotht.com.br (Assessoria de Imprensa)
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
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