Brasil conquista certificação sustentável nível máximo
Edificação anexa ao prédio da sede da Bayer, na cidade de São Paulo, conseguiu o inédito selo LEED-NC Platinum, do U.S Green Building Council
Por: Altair Santos
Considerada de nível máximo, a certificação LEED-NC Platinum, do U.S Green Building Council, que reconhece as melhores estratégias e práticas sustentáveis, foi concedida pela primeira vez a uma edificação brasileira. O prédio EcoCommercial Building é corporativo e atende a empresa Bayer, na cidade de São Paulo. Multifuncional, a construção cumpriu exigentes quesitos de eficiência energética, utilizando modernos sistemas de automação de luz e de ar-condicionado, além de ser totalmente integrado com o paisagismo que o cerca. Assinado pelo escritório de arquitetura Loeb Capote, o prédio conta com mais de 20 tecnologias relacionadas a materiais e sistemas construtivos.

De acordo com Felipe Faria, diretor manager do GBC Brasil, que é quem acompanha o cumprimento das certificações LEED no país, o que levou o EcoCommercial Building a atingir a categoria Platinum foi que ele maximizou o atendimento de diversas práticas referentes à certificação. “O edifício teve um ótimo desempenho relacionado à eficiência energética, através da produção de energia renovável com células fotovoltaicas. É um dos únicos empreendimentos do Brasil que produzem toda a energia que consome, tornando-se autossuficiente”, afirma. Para chegar à certificação LEED-NC Platinum, o prédio da Bayer cumpriu 69 práticas de construção sustentável.
No projeto de arquitetura assinado pelo Loeb Capote, o Eco Commercial Building seguiu o que há de mais moderno em termos de sustentabilidade, sem deixar de lado a estética e o conforto de seus ocupantes. Entre os itens avaliados pelo U.S Green Building, e que possibilitaram a certificação do prédio, destacam-se:
- Redução no consumo de água potável em 94,8%, graças ao aproveitamento de água da chuva.
- Uso de equipamentos de baixo consumo e espécies vegetais com baixa demanda de irrigação.
- 97% de todos os resíduos gerados pela obra foram desviados de aterros sanitários e destinados à reciclagem ou ao reaproveitamento.
- 100% dos espaços têm acesso à luz e ventilação naturais, e apenas 5% dos espaços têm ar-condicionado.
- Amplo uso de elementos passivos que trazem alta eficiência energética, usando o clima brasileiro.
- Isolamento térmico em tetos e paredes com poliuretano e placas translúcidas de policarbonato nas fachadas, que bloqueiam calor e permitem a entrada de luz natural, além de brises, persianas, películas para proteção solar e diversas aberturas para circulação de ar, entre outros.
- Nenhuma árvore foi removida do terreno e 17 foram incorporadas ao prédio para contribuir com a proteção solar.
- No prédio, a geração de energia solar e os consumos de água e de energia elétrica, assim como emissões de CO2, são medidos e controlados em tempo real para evitar desperdícios.

Materiais cimentícios
Quanto aos elementos cimentícios usados na obra, a certificação LEED-NC Platinum exige que a matéria-prima tenha escória de alto forno entre seus agregados e que os fornecedores (cimenteira, concreteira e fabricantes de artefatos de cimento) estejam num raio máximo de 100 quilômetros da obra, a fim de que haja baixa emissão de CO2 com transporte. “A certificação não faz restrições a nenhum material, mas, com relação aos cimentícios, quanto menor taxa de emissão de CO2 eles tiverem, melhor. Agora, a nova versão do LEED, que é o LEED B4, valoriza as matérias-primas recicladas, a proximidade dos fornecedores com o local da obra e os baixos compostos orgânicos voláteis, mas tudo dentro de uma análise de ciclo de vida e de declaração ambiental dos produtos”, revela Felipe Faria.
O programa EcoCommercial Building integra o Programa Bayer de Clima no Mundo, que reúne as ações da empresa para a preservação do meio ambiente. A iniciativa foi lançada em 2009. No Brasil, o conceito chegou em 2012, junto com o projeto para construir o primeiro ECB na América Latina. Prédios semelhantes já existem na Alemanha, Bélgica, China, Estados Unidos, Índia e Tailândia. No país, o EcoCommercial Building funciona como espaço de convivência dos dois mil colaboradores da unidade de São Paulo, além de ser aberto para visitação, treinamentos e eventos em construção sustentável.

Entrevistado
Felipe Faria, advogado e diretor manager da Green Building Council Brasil
Contato: ffaria@gbcbrasil.org.br
Créditos Fotos: Divulgação/Bayer e Divulgação/GBC Brasil
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Aplicativo cria placa virtual para imóveis
Ferramenta, batizada de “Placa Virtual”, permite que o interessado carregue em seu celular todas as informações do bem que pretende alugar ou comprar
Por: Altair Santos
Um aplicativo que leva a internet para a placa imobiliária. É o que os paranaenses Thiago Folador e Fernando Ribo criaram com a ferramenta batizada de “Placa Virtual”. Ela permite que o interessado em um imóvel carregue no celular todas as informações sobre locação ou venda de determinado bem. “Para escanear uma placa virtual, basta que o interessado tenha em seu smartphone qualquer aplicativo leitor de QR Code (i-Nigma, por exemplo) e aponte a câmera do celular para o código da placa. Feito isso, o usuário será direcionado automaticamente para uma ficha do imóvel, onde terá acesso às características, fotos e valores”, explica Thiago Folador. A tecnologia funciona tanto em aparelhos com sistema Android quanto iOS (iPhone).

Para os criadores do aplicativo, era preciso dar mais funções à placa física do imóvel, para que ela não informasse apenas o tipo de transação, o logotipo e o telefone da imobiliária. “O aplicativo Placa Virtual é a evolução da antiga placa imobiliária. Estamos em 2015 e a placa de vende continuava limitada às mesmas funcionalidades que tinha séculos atrás. Era hora de tirar a placa imobiliária da idade da pedra”, afirma Thiago Folador, completando que a ferramenta foi idealizada com base em uma necessidade que o mercado imobiliário já vinha sinalizando. “O mercado já tinha a necessidade de um produto inovador que fosse capaz de modernizar as placas por meio de uma interação perfeita com o smartphone dos clientes”, diz.
Outra percepção dos criadores do aplicativo é que os empresários do ramo imobiliário já estavam atentos ao consumidor Mobile. “Eles sabem que 71% dos usuários de internet acessam a rede por meio de seus telefones celulares. Quando o assunto é dispositivo móvel, estamos falando de nada menos que 280 milhões de celulares em todo o Brasil”, revela Folador. Segundo ele, o desenvolvimento do sistema levou cerca de dois anos. “Primeiro criamos um código inteligente que incorpora automaticamente as informações do imóvel. Isso levou seis meses. Em seguida, iniciamos o processo de proteção intelectual, que levou cerca de um ano. Feito isso, investimos outros seis meses estudando o mercado imobiliário e criando a marca para o produto, que hoje é “Placa Virtual”, complementa.
Aliado do corretor de imóveis
A vantagem do aplicativo é que ele não remete para o site da imobiliária, mas fornece diretamente as informações do imóvel. “Uma vez que o usuário acessa o Placa Virtual, a partir de um determinado imóvel, ele poderá ver todas as fotos internas e o valor de negociação. Além disso, poderá solicitar mais informações ao anunciante através de um formulário apresentado pela ferramenta. Outra funcionalidade bem legal é o botão ligar. Quando tocado, ele inicia uma ligação automática para o corretor responsável pelo imóvel, sem a necessidade de digitar os números do telefone”, destaca Thiago Folador. “Tudo isso sem nenhum custo, já que a grande maioria dos aplicativos capazes de ler QR Code pode ser baixada gratuitamente”, completa.
O aplicativo criado no Paraná tem patente depositada no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) e incorpora tecnologia que ainda não está presente em similares existentes nos Estados Unidos e na Europa. “Nossa ideia era importar uma tecnologia, mas nem nos países desenvolvidos existia uma solução satisfatória. Tivemos que inventar algo totalmente novo dando origem ao Placa Virtual”, garante Folador, assegurando que a ferramenta não é inimiga do corretor de imóveis. Pelo contrário. “O Placa Virtual diminui os custos e poupa tempo dos corretores, que passam a focar seus esforços em clientes que realmente têm chance de efetivar negócios. Além disso, a inovação agiliza o agendamento de visitas e diminui a distância entre o interessado no imóvel e a imobiliária”, finaliza.
Entrevistado
Thiago Folador, especialista em marketing digital e CEO do Placa Virtual
Contatos
thiago@placavirtual.com.br
www.placavirtual.com.br
Crédito Foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Após 50 anos, Ponte da Amizade renova pista de concreto
Principal travessia entre Brasil e Paraguai está em obras, recebendo novo pavimento, revisão estrutural e tratamento de patologias
Por: Altair Santos
Enquanto a segunda ponte ligando Brasil e Paraguai não entra na fase de execução das obras, o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) acelera o retrofit da Ponte da Amizade. Principal travessia entre os dois países, a obra foi inaugurada em 1965 e nunca passou por uma reforma intensa. Desta vez, os mais de 500 metros de ponte ganharão novo revestimento em concreto, passarão por uma revisão da infraestrutura e ganharão tratamento de patologias.

A previsão é de que a reforma da Ponte da Amizade esteja concluída até 7 de outubro de 2015. É o que estabelece o contrato assinado entre o DNIT e o consórcio executor (CSO-GAISSLER). A obra está estimada em R$ 10.280.000,00 e não prevê o alargamento da edificação, já que o plano de construção da segunda travessia está em fase de elaboração dos projetos. Isso significa que, mesmo reformada, a ponte continuará enfrentando congestionamentos. Atualmente, ela recebe 40 mil veículos e 20 mil pedestres por dia.
Como as placas de concreto que revestem a Ponte da Amizade estão bastante danificadas pelo uso ininterrupto ao longo de 50 anos, a solução do consórcio que executa a obra foi retirá-las completamente e aplicar um novo pavimento. “As placas de concreto que formam a pista de rolamento da Ponte da Amizade estão trincadas e deterioradas. Por isso, foram demolidas e serão substituídas por outras placas do mesmo material”, diz o engenheiro civil Vicente Veríssimo Jr., supervisor da unidade local do DNIT, em Foz do Iguaçu-PR.
O engenheiro explica também os reparos nas estruturas. “Serão feitos apenas reforços nos balanços laterais da laje, onde estão posicionados os passeios para os pedestres. Haverá a fixação de uma barra metálica para a implantação, em toda a extensão da ponte, de grades especialmente projetadas para melhorar as condições de segurança dos pedestres que se utilizam da travessia”, afirma.
Patologias do concreto
Quanto ao tratamento das patologias do concreto, Vicente Veríssimo Júnior revela como o projeto da reforma irá tratá-las. “Devido à impossibilidade de uma aproximação com relação à parte inferior da ponte (vigas principais, transversinas, pilares e pilones) foi feito um estudo com base em observações à distância, com o uso de binóculos, e a olho nu. Foram estimados percentuais de áreas com patologias a serem tratadas nas seguintes partes da ponte: na superestrutura (2%), no arco (5%), nos pilares (2%), nos pilones (15%) e nos encontros (5%). Foi, também, estimada uma área com patologias a serem tratadas para os guarda-rodas (2%) e os guarda-corpos (10%). Levando-se em conta, que a Ponte da Amizade já está em serviço há cinquenta anos, pode-se dizer que o índice de patologias, em nossa opinião, é baixo”, completa.
O representante do DNIT revela que a segunda ponte entre Brasil e Paraguai encontra-se atualmente na seguinte etapa: elaboração dos projetos básico e executivo da obra. “Após a aceitação deles pelo DNIT, o consórcio vencedor deverá receber a ordem de início de serviço para a execução das obras”, afirma. A nova ponte será estaiada, com
comprimento total de 760 metros e vão central de 380 metros. Sua localização será ao sul da Ponte da Amizade, sobre o Rio Paraná, ligando Foz do Iguaçu ao município paraguaio de Ciudad Presidente Franco. Outra característica técnica é que a obra será construída em concreto protendido e as faixas de rodagem receberão pavimento flexível (asfalto). Para este projeto, o DNIT não exigiu que ele fosse apresentado na modelagem BIM. O consórcio Construbase/Cidade/Paulitec está à frente do empreendimento.
Entrevistado
Engenheiro civil Vicente Veríssimo Jr., supervisor da unidade local do DNIT, em Foz do Iguaçu-PR
Contato: imprensa@dnit.gov.br
Créditos Fotos: Divulgação/DNIT
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
China lidera ranking de incentivo às inovações
País é o que mais disponibiliza recursos financeiros para pesquisas. Na construção civil, isso se traduz em obras com cada vez mais produtividade
Por: Altair Santos
Prédios de 30 andares construídos em 15 dias e edifícios erguidos com estruturas fabricadas por impressoras 3D não surgiram da noite para o dia na China. Foram obras que exigiram pesquisa e disponibilidade de recursos. O mesmo ocorre com avanços alcançados pelos chineses em outras áreas industriais. Por isso, o país é considerado atualmente como o que mais fomenta a inovação no mundo. Foi o que constatou pesquisa encomendada pela KPMG – empresa global especializada em auditorias e consultorias de gestão e estratégica. O estudo, com base em dados fornecidos por líderes empresariais, concluiu que recursos financeiros para investir em inovação e em tecnologia são facilmente conseguidos em bancos e agências de financiamento da China.

O levantamento de dados abrangeu corporações localizadas na Ásia, Europa, África, Oriente Médio e América. Entre os chineses, 78% disseram ter acesso fácil a recursos para investimento em inovações. O percentual é quase o dobro do país que aparece em segundo lugar na lista: os Estados Unidos, onde 40% dos entrevistados disseram haver disponibilidade de recursos para inovação em tecnologia. Também ocupam lugar de destaque os seguintes países: Japão (9%), Israel (8%), Coreia do Sul e Índia (ambos com 6%). “As constatações da pesquisa condizem com a atividade que vemos nos principais mercados do mundo. As empresas, de forma global, independentemente do local onde estão, passaram a deslocar seus investimentos em inovação tecnológica para os mercados da região Ásia-Pacífico. O objetivo é buscar oportunidades de crescimento”, comenta Marcelo Gavioli, sócio da KPMG no Brasil.
Lições ao Brasil
Por falar em Brasil, o país ocupa posição irrelevante na lista, principalmente por que somente BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) são organismos financiadores de inovações. “Aqui no Brasil, os recursos para financiamentos de inovações tecnológicas, com taxas mais atraentes, são limitadas a BNDES e FINEP. É preciso alterar esse espectro, ampliando a acessibilidade de capital para ajudar a estimular a inovação. A China está em um estágio acima, pois o consumismo e o desejo dos consumidores por novidades fazem com que as empresas de tecnologia sejam mais inovadoras para atender essa demanda", diz líder da prática de tecnologia da KPMG na China, Edge Zarrella.
A Pesquisa Global de Inovação em Tecnologia 2014 ouviu 768 executivos. Para a maioria, nos próximos anos China e Estados Unidos são os centros mais importantes, em termos de avanços tecnológicos impactantes para o mundo. Esses países também estão no topo da lista de cidades que deverão ser vistas como os principais centros de inovação em tecnologia nos próximos quatro anos. Além do Vale do Silício, os líderes empresariais selecionaram Xangai, Tóquio, Pequim, Nova Iorque, Seul, Londres, Mumbai, Tel Aviv, Hong Kong, Boston, Nova Deli e São Francisco. “Os centros de tecnologia emergentes estão gradualmente descobrindo como reinventar o modelo americano para as inovações, e a China lidera esse movimento”, avalia Gary Matuszak, gerente global de tecnologias da KPMG.
Confira a íntegra da Pesquisa Global de Inovação em Tecnologia 2014
https://techinnovation.kpmg.chaordix.com/static/docs/Tech_Innovation_Publication_Web_01-22-15.pdf
Entrevistado
KPMG Brasil (via assessoria de imprensa)
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Garrafas PET substituem areia em bloco de concreto
Resíduos plásticos entram com 15% na composição de artefatos como blocos de alvenaria, pavers, telhas e lajotas para calçamento de vias públicas
Por: Altair Santos
Pesquisa desenvolvida na área de engenharia ambiental da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) mostra que é viável agregar resíduos de garrafas PET na produção de blocos de concreto e pavers. Para a produção dos artefatos foram substituídos 15% da quantidade de areia por pó de garrafas. A motivação do trabalho veio por que, estima-se, há no Brasil um consumo anual de aproximadamente 250 bilhões de unidades PET. Deste total, cerca de 4,7 bilhões são lançadas indiscriminadamente no meio ambiente e 294 mil toneladas são recicladas anualmente, segundo dados do 9º Censo da Reciclagem do PET - realizado pela Associação Brasileira da Indústria do PET (ABIPET).

O estudo foi coordenado pelos professores Aguinaldo Lenine Alves, Antonio Aparecido Zanfolim e Rony Gonçalves de Oliveira, além de dez acadêmicos do curso de engenharia ambiental da UEMS. “O estudo em questão levou dois anos. Porém, estamos estudando novas análises neste material, como, por exemplo, medidas granulométricas e análises térmicas. Também iniciamos o processo de patente”, explica Aguinaldo Lenine Alves, para quem os testes iniciais apresentaram “resultados animadores” para resistência mecânica, porosidade e absorção de água. Os artefatos produzidos na pesquisa obtiveram classificação C, com função estrutural para uso em elementos de alvenaria acima do nível do solo.
Premiação em 2012
A pesquisa que usa resíduos de garrafa PET em fabricação de blocos de concreto começou substituindo 5% de areia por resíduos triturados de garrafas PET. Os resultados estimularam o aumento do percentual para 10% e, em seguida, para 15%. “Na sequência da pesquisa, vamos testar percentuais maiores”, diz Aguinaldo Lenine Alves, cuja próxima meta é também atrair fabricantes de artefatos de concreto para testar os produtos no mercado. “Na primeira fase da pesquisa, apenas uma indústria aceitou fazer os testes dos corpos de prova e de conformidade. Já as medidas de resistência mecânica, absorção de água e porosidade foram realizadas no Laboratório de Caracterização Mecânica do Centro de Pesquisa em Materiais (CEPEMAT) da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul”, completa.
O grupo que testa resíduos triturados de garrafas PET também desenvolve outro projeto: incluir o material substituto da areia em telhas de argamassa e lajotas de concreto. “O objetivo é projetar lajotas para calçamentos de passeios públicos, incorporadas com resíduos plásticos”, revela Aguinaldo Lenine Alves. A equipe da UEMS tem expertise em pesquisar agregados alternativos. Em 2012, a universidade ganhou uma premiação nacional pelo desenvolvimento de microconcretos que incorporaram cinza da palha de arroz. “Atualmente também estamos desenvolvendo pavers agregando cinza do bagaço da cana e borracha de câmara de ar”, finaliza o pesquisador.
Entrevistado
Aguinaldo Lenine Alves, professor titular da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul nos cursos de engenharia ambiental e ciência da computação (graduação) e mestrado profissionalizante em matemática
Contato: lenine@uems.br
Créditos Fotos: Divulgação/UEMS
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Com 60 obras, setor de shopping centers segue aquecido
De acordo com a ABRASCE, serão construídos 26 em 2015 e 34 no próximo ano. A maioria em cidades com população entre 200 mil e 500 mil habitantes
Por: Altair Santos
Entre 2015 e 2016, segundo dados da ABRASCE (Associação Brasileira de Shopping Centers) 60 novos centros de compra serão inaugurados no país. Serão 26 neste ano e 34 no próximo ano. A maioria já está em construção, e em cidades do interior com população entre 200 mil e 500 mil habitantes. É uma amostra de que o setor da construção civil, sobretudo o da construção industrializada, terá neste segmento um vetor de crescimento. As obras tendem a movimentar mais de 500 mil m³ de concreto.

O volume de projetos para viabilizar novos shopping centers só não é maior por conta de licenças ambientais e planos diretores de municípios - sobretudo nas capitais -, que têm restringido esse tipo de construção. Há ainda a questão econômica do país. No início de 2014, o setor esperava inaugurar 43 centros comerciais, mas fechou o ano com 25 empreendimentos novos concluídos. Em 2015, com projeções “bem pés no chão”, como define o presidente da ABRASCE, Glauco Humai, a expectativa é de viés de alta no setor.
A esperança de reverter o jogo está na oportunidade de instalar shopping centers em cidades de médio porte. Essa é uma tendência que já se verifica desde 2012 e que, em 2014, fez o número de centros comerciais localizados no interior superar o contabilizado nas capitais. Dos 521 empreendimentos deste tipo no país, 51% estão operando em municípios localizados nas regiões metropolitanas das grandes cidades brasileiras ou a mais de 200 quilômetros de distância das metrópoles.
Em 2014, 25% dos shoppings centers que abriram as portas estavam em capitais e 75% em cidades do interior. Para 2015, 58% dos shopping centers programados para ser inaugurados estão em cidades do interior. Quase a metade (46%) em municípios com até 500 mil habitantes. As capitais vão absorver 42% dos empreendimentos. Por região, o sudeste segue atraindo o maior número de investimentos no setor. Inaugurou 12 em 2014 (11 deles no interior de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo) e irá inaugurar 12 em 2015 (7 deles no interior de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro).

Sul só volta a crescer em 2016
A região nordeste vem em segundo lugar no número de inaugurações. Recebeu 5 novos empreendimentos em 2014 (3 em cidades do interior) e receberá 8 em 2015 (5 em capitais). Tanto no ano passado quanto este ano, de acordo com os dados da ABRASCE, a região com menor número de inaugurações é o sul. Abriu 2 shopping centers em 2014 - um na cidade de Rio Grande-RS e outro em Lages-SC - e inaugurará apenas um em 2015: previsto também para a cidade de Rio Grande-RS.
Este cenário só tende a reverter em 2016, quando existe a previsão de que sejam inaugurados 9 shopping centers no sul, contra 8 no nordeste, 12 no sudeste, 3 no centro-oeste e 2 no norte do país. As cidades sulistas contempladas com novos centros comerciais serão Alvorada-RS, Santa Maria-RS, Guarapuava-PR, Umuarama-PR, Curitiba-PR, Cascavel-PR, Canoas-RS e Criciúma-SC, com duas inaugurações previstas. A tendência de mais empreendimentos no interior do que nas capitais se mantém para o ano que vem.
Trata-se de um movimento que beneficia diretamente as construtoras de médio porte que atuam no interior do país e têm como especialidade as obras industriais. Dinheiro para esse setor não deve faltar em 2015. Pelos cálculos da ABRASCE, somadas as expansões e as inaugurações para 2015, está previsto um investimento de mais de R$ 16 bilhões voltados para construções de shopping centers. São números que tendem a fazer a geração de empregos saltar para a casa do milhão. Atualmente, os empregos diretos gerados pelos shopping centers brasileiros somam 978.962 vagas.
Entrevistado
ABRASCE (Associação Brasileira de Shopping Centers) (via assessoria de imprensa)
Contatos
abrasce@abrasce.com.br
www.portaldoshopping.com.br
Crédito fotos: Hardt Design Ltda - Computação Gráfica
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Falta d’água estimula uso de agentes de cura do concreto
Produto retarda evaporação, aumenta durabilidade e reduz formação de fissuras. Com crise hídrica, obras residenciais também aderem à mistura química
Por: Altair Santos
Conhecidos por retardar a evaporação da água e por proporcionar processos de secagem sem formação de fissuras, os agentes de cura do concreto estão em alta durante a crise hídrica. Por promoverem economia de água no canteiro de obras, passaram a ser mais requisitados. Dependendo da marca, da área concretada e das condições meteorológicas, esses produtos podem gerar economia de até dois mil litros de água para cada 100 m² construídos. Mais usados em obras de infraestrutura ou grandes empreendimentos, como shopping centers e galpões logísticos, a falta d’água passou a fazer com que os agentes de cura ganhassem espaço em construções residenciais.

Aplicados sobre a superfície do concreto fresco, logo após o desaparecimento da água de exsudação - o que pode ocorrer entre meia hora e duas horas após o alisamento do concreto, dependendo das condições meteorológicas -, os agentes de cura têm elementos que, ao contato com o concreto, formam uma película uniforme e flexível sobre o material e que funcionam como filtros para os raios solares. Alguns possuem até propriedades antirraios UV (ultravioleta), considerados nocivos ao concreto novo por estimularem o surgimento de fissuras. “Existem diferentes bases de agentes de cura, cada uma adequada para determinadas características de clima e de superfície do concreto”, explica o tecnólogo Fábio Pires, da Camargo Química, um dos fabricantes de agentes de cura no Brasil.
Comprovadamente eficientes para a cura do concreto, os agentes precisam ter a aplicação bem distribuída e controlada para que suas propriedades possam ser cumpridas de forma adequada. “Por isso, é indicada a aplicação com pulverizadores, que proporcionam distribuição uniforme. A aplicação de forma desigual é mais prejudicial ao concreto do que a utilização em excesso. Também não é recomendado diluí-lo, o que também prejudica o desempenho do produto”, orienta Fábio Pires, lembrando que cada tipo de concreto exige um agente de cura específico. “Mas não é apenas a superfície do concreto que irá definir o agente de cura a ser usado. As condições meteorológicas também são relevantes para que o produto desempenhe sua função e gere economia de água no processo de cura”, complementa.
Ensina o engenheiro civil Rubens Curti, coordenador do laboratório de concreto e argamassa da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), que há outros procedimentos, além do uso de agentes, que podem impedir o desperdício de água durante o processo de cura. Entre eles:
• Manter úmida a superfície do concreto construindo-se pequenas barreiras nas bordas da superfície (horizontal) para que ocorra o represamento de uma lâmina de água.
• Manter úmida a superfície do concreto com auxílio de sacos de aniagem umedecidos, mantas de bidim umedecidas, camada de areia úmida, camada de serragem úmida e sacos de cimentos umedecidos.
• No caso das superfícies verticais, também se pode fazer a cura com aspersão de água através de “chuveirinhos”. Outra alternativa, neste caso, está na utilização de mantas de bidim umedecidas para envolver as peças verticais.

Importância da cura do concreto
Em cursos promovidos pela ABCP, Rubens Curti orienta que agentes de cura são recomendáveis para grandes superfícies em concreto, como estradas em pavimento rígido, pistas e pátios de aeroportos e superfícies verticais, além de paredes de concreto - após a retirada das formas. Neste caso, ele lembra que agentes de cura são à base de parafinas, ceras ou acrílicos que podem dificultar a aderência de argamassas de revestimentos nas paredes de concreto. Por isso, antes de revesti-las, o agente de cura deve ser removido. Normalmente, com o uso de escovas de aço. Essas e outras orientações sobre a cura do concreto e o uso de agentes de cura estão inseridas em duas normas técnicas: ABNT NBR 14931 – Execução de Estruturas de Concreto – Procedimento – e ABNT NBR 16055 – Parede de concreto moldada no local.
Também nas aulas que ministra na ABCP, Rubens Curti ressalta a importância da cura. “O concreto é composto por cimento, água, agregados miúdos e graúdos e, eventualmente, aditivos. A única reação química que se processa com esses materiais é a do cimento com a água. Portanto, tem que ter água suficiente para que a reação ocorra. Se não houver uma perfeita hidratação do cimento não vai ocorrer a formação dos C-S-H (Silicatos de Cálcio Hidratados) que se originam na principal fase de hidratação do Cimento Portland e têm grande influência na maioria das propriedades físicas e mecânicas dos materiais cimentícios”, professa.
Reforçando a importância da cura nesta época de crise hídrica, o tecnologista em concreto, e consultor da ABESC (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem), Arcindo Vaquero y Mayor, reforça que contratar concreteiras credenciadas, que tenham suporte técnico, além de obedecer as normas técnicas, também fazem parte dos procedimentos adequados para se economizar água no canteiro de obras.
Entrevistados
-Tecnólogo em concreto Fábio Pires, diretor da Camargo Química
- Engenheiro civil Rubens Curti, coordenador do laboratório de concreto e argamassa da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) (via assessoria de imprensa)
- Engenheiro civil Arcindo Vaquero y Mayor, consultor na área de tecnologia do concreto da ABESC (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem)
Contatos
fabio@camargoquimica.com.br
dcc@abcp.org.br
www.abesc.org.br/contato.html
Crédito fotos: U.S. Navy/Demetrius Kennon/Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Compra para obras requer inteligência competitiva
Método estimula o ganha-ganha e faz entender complexidade da cadeia produtiva, tornando as empresas mais criteriosas na aquisição de materiais
Por: Altair Santos
O objetivo da inteligência competitiva aplicada nas empresas é reorientar o modelo de negócios, as metas e os métodos de compra, tornando-os mais criteriosos e seletivos na aquisição de materiais. O objetivo é estimular o ganha-ganha e fazer entender a complexidade da cadeia produtiva, principalmente se as companhias em questão estão relacionadas com a construção civil. No caso das construtoras, a inteligência competitiva tem sido usada para selecionar fornecedores que agreguem qualidade à obra, ajudem no cumprimento do cronograma e não extrapolem os custos planejados.

Por isso, ensina o especialista Paulo Ignácio, “nem sempre o mais barato é o melhor”. O professor da Unicamp na área de engenharia civil e ciências aplicadas, com especialidade em gestão de operações e serviços, recomenda que o setor de compras de uma construtora tenha em mãos sempre o projeto executivo da obra e não o projeto básico. “Um bom planejamento de compra para uma obra começa com o conhecimento do projeto executivo. Caso o planejamento seja feito em cima do projeto básico, as chances de o orçamento dar errado são grandes”, explica.
Pela complexidade dos processos, Paulo Ignácio destacou em sua palestra no web seminário da e-Construmarket que o comprador para uma obra precisa ser mais do que “um tirador de pedidos ou um verificador de preço”. “Hoje, ele tem que dominar cadeias de valores e relacionamentos com fornecedores. A boa compra é aquela que tem o preço adequado ao orçamento da obra, em que o fornecedor promove a entrega na data certa, no local certo e com baixo nível de perdas. Por isso, a relação com o fornecedor precisa ser transparente. Caso se entre em confronto com ele, o ganha-ganha fica mais difícil de ser estabelecido”, resume.
Do material à mão de obra
O professor da Unicamp ressalta ainda que a construção civil tem peculiaridades que precisam ser bem entendidas pelos setores de compra das construtoras. “Trata-se de um setor onde existem oligopólios e monopólios. Há muitas marcas, mas, na maioria das vezes, o fabricante é o mesmo. Isso exige inteligência competitiva para entender a complexidade desta cadeia. Um exemplo: uma obra em Belo Horizonte compra cerâmica de um fornecedor do Rio Grande do Sul. Para concretizar o negócio, o comprador precisa avaliar logística, volume da compra, capacidade de armazenagem e custo de produção do fornecedor para entregar a encomenda. Já vi casos em que importar trouxe melhores resultados para a obra”, cita.

Paulo Ignácio afirma que a inteligência competitiva não funciona apenas para a compra de materiais para uma obra, mas também para a contratação de serviços terceirizados de mão de obra. “Quanto mais estrutura terceirizada for usada, mais preciso conhecer meu fornecedor e ter uma boa relação de confiabilidade com ele. Ele precisa ter capacidade de adaptação às necessidades da minha obra e eu às necessidades dele. Por isso, as construtoras precisam de tradutores que interpretem essa complexidade da cadeia, essa relação de tolerância e confiabilidade e estabeleçam o ganha-ganha”, conclui.
Entrevistado
Engenheiro de produção Paulo Ignácio, com doutorado em engenharia civil e economia. Atualmente é professor-doutor da faculdade de ciências aplicadas da Unicamp, no câmpi de Limeira-SP
Contato: paulo.ignacio@fca.unicamp.br
Crédito fotos: Divulgação/Isaias Teixeira/Unicamp
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Caminho está aberto para empreiteiras estrangeiras
Professor da USP, Paulo Roberto Feldmann entende que reserva de mercado na construção civil contribui com atraso do Brasil em sua infraestrutura
Por: Altair Santos
Com as maiores empreiteiras do país envolvidas no escândalo da Operação Lava-Jato, uma questão que entrou no debate do setor da construção civil é se a abertura de mercado para empresas estrangeiras não seria salutar ao Brasil. Um dos principais defensores desta tese é o professor do departamento de administração da FEA USP, Paulo Roberto Feldmann. Para ele, três motivos já seriam suficientes para que construtoras internacionais passassem a disputar licitações de obras públicas no país: a chance de tirar do atraso a infraestrutura nacional, contratos mais baratos e a entrada de novas tecnologias, equipamentos e sistemas construtivos. “Haveria competição. Hoje há muita acomodação no setor. O dia que houver competição elas vão ter que se desenvolver tecnologicamente para enfrentar as estrangeiras”, avalia.

Paulo Roberto Feldmann explica que, ao contrário do que se pensa, a lei 8.666 (Lei das Licitações) não impede nem dificulta a entrada de construtoras estrangeiras. O problema, segundo ele, é uma espécie de cartel do setor. “As empreiteiras brasileiras exigem de quem promove a licitação que coloque cláusulas no edital que dificultam a participação das estrangeiras. Por exemplo, inclui-se a seguinte cláusula: só pode participar da presente licitação quem apresentar pelo menos 20 obras realizadas no Brasil. Acabou. Ao colocar uma cláusula destas, mata as estrangeiras. Então, o problema não é a lei, mas o fato de que as empreiteiras brasileiras fazem, ou pelo menos faziam, o edital de licitação junto com o governo federal, com os governos estaduais e com as estatais, impondo cláusulas de barreira às estrangeiras”, analisa.
Gigantes de R$ 30 bilhões
O professor Paulo Roberto Feldmann entende também que a abertura do mercado brasileiro da construção civil para multinacionais do setor passa pelos desdobramentos da Operação Lava-Jato e pelas mudanças nas regras de financiamento para campanhas políticas. “Será difícil mudar, enquanto as empreiteiras estiverem contribuindo com campanhas eleitorais de deputados, senadores, governadores e presidente. Se a Operação Lava-Jato impor punições severas, e isso influenciar na reforma política, aí sim haverá mudanças”, cita, lembrando que o sistema atual prejudica o país. “Concorrência resulta não apenas em preços mais baixos para o governo, mas também em melhor qualidade nos serviços prestados e na busca, pelas empresas concorrentes, das melhores e mais avançadas tecnologias à disposição no mundo”, completa. O mesmo trecho, Feldmann enunciou no artigo “Chega de choradeira: não devemos temer punir as empreiteiras”, escrito para a revista Época.
As grandes empreiteiras brasileiras atuam nos Estados Unidos, em outros países sul-americanos, assim como na África, na Europa, no Oriente Médio e em várias nações asiáticas. Em 2014 - segundo ranking da revista O Empreiteiro -, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e OAS tiveram receita bruta de R$ 30,07 bilhões. Equivale a quase 50% de tudo o que as 25 maiores empresas do setor arrecadaram no ano passado (R$ 60,5 bilhões). Por essas cifras dá para se ter ideia de quão fortes se tornaram essas empresas. Por isso, analistas avaliam que a Lava-Jato poderá pulverizar esses lucros, fazendo com que, não apenas as construtoras estrangeiras, mas também as empreiteiras médias do Brasil, passem a ser protagonistas nas grandes obras nacionais.
Entrevistado
Engenheiro civil, mestre e doutor em administração, Paulo Roberto Feldmann. Autor de três livros, atualmente é professor do departamento de administração da FEA USP.
Contato: feldmann@usp.br
Crédito foto: Divulgação/USP
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Uso de concreto em mobilidade garante prêmio para BH
Capital mineira destaca-se por investir em pavimento rígido, tanto para corredores de ônibus quanto para ciclovias, e também em calçamento em paver
Por: Altair Santos
Com 23 quilômetros de corredores exclusivos para BRT (Bus Rapid Transit) e outros 27 de ciclovias, além do fechamento de ruas para priorizar o pedestre, Belo Horizonte ganhou o prêmio Sustainable Transport Award. As cidades de São Paulo e Rio de Janeiro também foram escolhidas, porém BH destacou-se pelo investimento em pavimento de concreto, tanto para vias exclusivas para ônibus quanto em ciclovias, e também pelo calçamento em paver. O organizador do prêmio – o ITDP (sigla em inglês para Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento) – avalia o pavimento rígido como mais sustentável que o asfalto e concede pontuações extras para cidades que o adotam.

Dentro do padrão de qualidade definido pelo comitê técnico do ITDP para corredores exclusivos de BRT, a qualidade do pavimento pode representar até dois pontos a mais na avaliação do sistema. Quanto maior a vida útil, maiores as chances de obter uma graduação maior no ranking, que estabelece selos ouro, prata, bronze e básico. “O ITDP recomenda que o pavimento suporte uma vida útil de 30 anos”, diz Clarisse Linke, diretora do ITDP no Brasil. “Nosso padrão de qualidade para corredores exclusivos de ônibus foi criado em 2012 e aprimorado em 2014. Ele se baseia nas melhores práticas internacionais e é usado em todas as avaliações que fazemos”, completa.
Em sua 10ª edição, o Sustainable Transport Award pela primeira vez premiou três cidades. Belo Horizonte, no entanto, destacou-se por ter desenvolvido um plano de mobilidade urbana que se tornou referência no país. Criado entre 2003 e 2010, ele antecipou-se às principais diretrizes da lei n°12.587/2012, que instituiu a Política Nacional de Mobilidade Urbana e define os modos de transporte coletivo e ativos (como andar a pé e de bicicleta) que devem ser priorizados no planejamento de uma cidade. “Belo Horizonte mostrou ser viável um plano municipal de mobilidade focado no transporte urbano sustentável”, ressalta Clarisse Linke.
BRT de Belo Horizonte: ônibus circulam sobre pavimento de concreto, o que rendeu pontos extras na premiação

BRT: mais barato, mais eficiente
Já São Paulo foi premiada por expandir a infraestrutura cicloviária (meta de 400 quilômetros até o final de 2015) e implementar 320 quilômetros de vias exclusivas para ônibus – alguns trechos sobre pavimento de concreto. Por outro lado, o Rio de Janeiro tem investido em transporte de alta capacidade e está fazendo progressos permanentes com a implementação do BRT Transcarioca (corredor com 39 quilômetros e que atende 270.000 passageiros/dia). “Tornar o transporte mais eficiente caminha de mãos dadas com a melhoria da qualidade de vida e a redução da desigualdade. As cidades que enfrentarem seus desafios em mobilidade urbana vão dar um salto de desenvolvimento à frente das outras”, avalia a diretora do ITDP.
Nas avaliações do ITDP, sistemas de BRT projetados para receber entre 25 mil a 35 mil pphps (passageiros por hora e por sentido no pico) revelam-se mais eficientes, e a um custo menor, do que VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) e metrô. “Não há, no mundo, sistemas de VLT que ultrapassem a demanda de 20 mil passageiros transportados por hora”, cita Clarisse Linke, completando que o metrô, pelo seu alto custo, precisa ser projetado para uma capacidade instalada de 80 mil pphps. No entanto, na maioria dos sistemas em funcionamento no país, a média é de 45 mil passageiros por hora, ou seja, em boa parte do dia opera com ociosidade. “A falta de informação resulta, frequentemente, em preferência pelos sistemas de transporte sobre trilhos. Mas o BRT é a alternativa com melhor custo-benefício. Equivale a 10% dos custos para a implantação de metrôs e a 60% do custo para implantar VLT”, finaliza Clarisse Linke.
Cidades que já ganharam o Sustainable Transport Award
Bogotá - Colômbia (2005)
Seul - Coreia do Sul (2006)
Guayaquil - Equador (2007)
Paris - França (2008)
Londres - Reino Unido (2008)
Nova York - Estados Unidos (2009)
Ahmedabad - Índia (2010)
Guangzhou - China (2011)
Medelín - Colômbia (2012)
São Francisco - Estados Unidos (2012)
Cidade do México - México (2013)
Buenos Aires - Argentina (2014)
Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro – Brasil (2015)
Entrevistada
Clarisse Linke, mestre em políticas sociais, e diretora do ITDP (Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento) no Brasil
Contatos
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@ITDPBrasil
clarisse.linke@itdp.org
Crédito foto: Divulgação/ITDP









