Primeiro VLT do Brasil entra em operação. Virão mais?

Trens do VLT da Baixada Santista usam tecnologia espanhola e podem transportar 400 passageiros por viagem

Primeiro VLT do Brasil entra em operação. Virão mais?

Primeiro VLT do Brasil entra em operação. Virão mais? 993 742 Cimento Itambé

Veículo Leve sobre Trilhos da Baixada Santista começa a funcionar em março de 2015, enquanto Cuiabá, Fortaleza e Natal adiam projetos

Por: Altair Santos

As obras de mobilidade para a Copa do Mundo de 2014 previam que três VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos) estariam em funcionamento durante o evento: um em Cuiabá-MT, um em Fortaleza-CE e outro em Natal-RN. O primeiro atrasou, e só vai entrar em operação parcial em 2016. Já o da capital potiguar está com seu projeto em processo de revisão e pode se transformar em um BRT (Bus Rapid Transit). Na metrópole cearense, o plano foi abandonado. Com isso, o primeiro VLT do Brasil a operar será o que liga a cidade de Santos a São Vicente, no litoral paulista.

VLT da Baixada Santista: primeiro trecho, de 11,6 quilômetros, consumiu 20 mil m³ de concreto

A obra já começou a funcionar em período de teste e será integrada ao sistema de transporte coletivo das duas cidades a partir de março de 2015. O veículo tem os trilhos assentados sobre radiers de concreto. Na primeira etapa, o VLT da Baixada Santista vai percorrer 11,6 km. Quando totalmente concluído, fará um percurso de quase 55 km. Segundo o engenheiro civil Carlos Romão Martins, gerente de implantação de sistemas da EMTU/SP e responsável por gerenciar o empreendimento, uma das vantagens do VLT é que ele se utiliza do leito de uma estrada de ferro já existente – a Sorocabana -, o que praticamente igualou seu custo ao da implantação de um BRT.

O investimento total para viabilizar o novo modal da Baixada Santista é de R$ 1 bilhão, incluindo obras civis, sistemas de sinalização, comunicação e a compra de 22 veículos com tecnologia espanhola. “O VLT utiliza o antigo leito da estrada de ferro Sorocabana, que atravessa os municípios de Santos, São Vicente e Praia Grande. As principais vantagens são traçado retilíneo em quase toda a extensão, o que proporciona menor custo de manutenção e facilita a operação dos veículos, além de redução de custo com desapropriações”, explica Carlos Romão Martins.

VLT utiliza a tecnologia de fixação dos trilhos diretamente na superestrutura de concreto, dispensando dormentes

Concreto especial

O VLT utiliza a tecnologia de fixação dos trilhos diretamente na superestrutura de concreto, dispensando dormentes. O método construtivo usado foi o top-down, onde o concreto é bombeado de baixo para cima, a fim de penetrar nos nichos das placas de apoio de fixação dos trilhos. O material, além de boa plasticidade, precisa que sua resistência final atinja 35 MPa. “É um método mais econômico e se aplica bem às vias segregadas, o que é o caso do VLT da Baixada Santista”, diz o engenheiro responsável. No trecho que entrará em operação, a obra consumiu 20 mil m³ de concreto.

A opção por um concreto com menor densidade se deu também por causa do tipo do solo na região, que exigiu soluções mais complexas para a construção da via. Além disso, a ampliação do túnel José Menino, em Santos, precisou que fosse usada a tecnologia de desmonte de rocha a frio com uso de plasma, substituindo a necessidade de detonações. Outro desafio se impôs na ampliação do viaduto Antônio Emmerich, em São Vicente, já que a antiga estrutura teve que ser demolida e o vão foi ampliado para a passagem de uma avenida de mão dupla e a instalação de uma ciclovia.

Em seu trecho inicial, o VLT da Baixada Santista irá percorrer 15 estações, entre São Vicente e Santos. A operação comercial começa em março de 2015 e será implantada de maneira gradativa, até que o viaduto sobre a rodovia dos Imigrantes seja concluído no primeiro semestre de 2016. A previsão inicial de demanda é de 30 mil usuários/dia e cada veículo terá capacidade de transportar 400 passageiros por viagem.

Veja vídeo sobre o avanço das obras do VLT da Baixada Santista

Trens do VLT da Baixada Santista usam tecnologia espanhola e podem transportar 400 passageiros por viagem

Entrevistado
Engenheiro civil Carlos Romão Martins, gerente de implantação de sistemas da EMTU/SP e responsável por gerenciar o VLT da Baixada Santista
Contato: imprensa@emtu.sp.gov.br

Crédito fotos: Divulgação/EMTU/Jair Pires

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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