Em 2025, construção civil voltará a patamares de 2014

Impactos da crise fizeram números do setor andar para trás, revela estudo encomendado pela ABRAMAT para a Fundação Getúlio Vargas

Impactos da crise fizeram números do setor andar para trás, revela estudo encomendado pela ABRAMAT para a Fundação Getúlio Vargas

Por: Altair Santos

A crise econômica que se instalou no Brasil a partir de 2014, e que repercutiu fortemente na construção civil nacional, levará mais nove anos para que seus efeitos sejam zerados. Ou seja, apenas em 2025 é que o setor voltará a registrar números semelhantes aos de 2014. É o que aponta o estudo “cenários para a indústria brasileira de materiais de construção (2016-2025)”, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), e encomendado pela ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria dos Materiais de Construção).

Se a lição de casa for feita, produtos de base da construção civil podem ter crescimento sustentável de 3,2% no período de 2017 a 2025
Se a lição de casa for feita, produtos de base da construção civil podem ter crescimento sustentável de 3,2% no período de 2017 a 2025

Para o presidente da ABRAMAT, Walter Cover, ”o material deverá ser útil no planejamento estratégico das empresas associadas e mesmo na definição de políticas comerciais e de investimento para o futuro próximo”. Em seu conteúdo, o estudo avalia que o PIB da construção voltará a crescer positivamente, e acima do PIB nacional, a partir de 2017. A FGV estima que, enquanto o Produto Interno Bruto do país crescer na média de 2,4%, no período 2017-2025, o da construção será de 3,7% – também na média.

Alicerçado em tendências, o conjunto de dados da FGV detecta que o volume de obras de infraestrutura poderá sobrepor-se ao de empreendimentos imobiliários. O cenário se baseia nas demandas detectadas recentemente pelo governo federal, de que o Brasil tem potencial para gerar negócios na ordem de R$ 269 bilhões, relacionados a projetos estruturantes. Esse montante de recursos foi apresentado pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a investidores chineses.

Crescimento sustentável
Os cálculos do ministro se baseiam em projeções de 2016 a 2019, e envolvem empreendimentos nas áreas de petróleo e gás, energia elétrica, telecomunicações, transporte, estradas, saneamento, estradas de ferro, aeroportos e mobilidade urbana e portos. “Essa é uma previsão de crescimento substancial. É importante mencionar que o investimento foi o primeiro setor da atividade econômica que reagiu, porque há um sinal claro de que a economia brasileira está crescendo”, disse, em visita aos chineses nos primeiros dias de setembro.

Ainda que as obras de infraestrutura tendam a ser protagonistas até 2025, o segmento não vai ser o que mais irá gerar empregos. Pelos dados da FGV, daqui a nove anos 805 mil trabalhadores estarão atuando na área. Já o segmento de obras imobiliárias tende a chegar em 2025 empregando 2,7 milhões. A mesma projeção estima que toda a cadeia produtiva da construção civil voltará a empregar 3,5 milhões de pessoas em 2015 – mesmo número de 2014.

O lado positivo da análise é que ela conclui que os erros cometidos no período expansionista, de 2007 a 2014, foram plenamente entendidos pelo setor. Isso significa – avalia a FGV – que a construção civil brasileira estaria apta para imprimir um crescimento sustentável a partir de 2017. Feita a lição de casa, o estudo entende que o PIB do setor tem condições de crescer 4,5% ao ano, puxando a taxa de empregabilidade e a produção de materiais de construção, que se expandiria a uma taxa de 3,2%/ano para produtos de base (cimento, areia, cal, blocos de alvenaria e concreto) e de 3,85/ano para os acabamentos.

Entrevistado
Pesquisadores do FGV Projetos: Robson Gonçalves, Ana Maria Castelo, Ana Paula Ramos, Andréa de Paiva, Marco Brancher, Renata Michalani e Roberto Aragão
Contato
robson.goncalves@fgv.br

Crédito Foto: Roman Milert/Fotolia

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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