Projetos mais exigentes alavancam concreto dosado em central
Construtoras seguem tendências e querem materiais com maior durabilidade e mais resistência, seja em obras de infraestrutura ou edificações
Por: Altair Santos
Projetos mais exigentes, assim como normas técnicas mais detalhistas, além de novos sistemas construtivos, como o de paredes de concreto, por exemplo, têm estimulado o mercado de concreto dosado em central no Brasil. Entre 2005 e 2012, esse setor saiu de 13% para 20,7% do consumo total de cimento no país. Com a crise econômica, o volume reduziu para 19%, mas o viés é de alta, como constata recente pesquisa da E8 Inteligência – consultoria voltada para coletar informações da construção civil.

Durante a 10ª edição da Concrete Show, a engenheira civil Glécia Vieira, coordenadora nacional da Comunidade da Construção, mostrou que o mercado de concreto dosado em central no Brasil ainda é dominado pelas chamadas “pequenas concreteiras”, que produzem até 100 mil m3 do material por ano. Estas empresas respondem por até 54% do que é consumido pelas obras que utilizam concreto dosado em central no país. As médias concreteiras (produção de até 500 mil m3 por ano) respondem por 31% e as grandes concreteiras (acima de 500 mil m3 por ano) ocupam 15% do mercado.
Segundo dados levantados pela E8 Inteligência, a produção de concreto dosado em central com 25 MPa a 30 MPa predomina tanto em pequenas quanto em médias e grandes concreteiras. Mas o mercado está mudando. “A tendência aponta que as construtoras têm buscado um concreto com maior durabilidade, menos sujeito a fissurações, principalmente nas obras de infraestrutura”, aponta Glécia Vieira. Já o mercado voltado para a construção de edificações tem solicitado um concreto mais fluido (autoadensável), com menor consumo de água e maior controle de qualidade.
Paredes de concreto e pavimento rígido
A pesquisa apontou que o controle tecnológico do concreto dosado em central não é uma virtude entre as pequenas concreteiras. Apenas 30% delas o fazem, e mesmo assim terceirizam o serviço, ou seja, contratam laboratoristas prestadores de serviço. Por outro lado, 67% das concreteiras médias fazem esse controle, enquanto as concreteiras grandes não só fazem 100% do controle tecnológico do material que produzem como têm laboratórios próprios.

Outra tendência verificada pelo estudo da E8 Inteligência é o crescimento do uso do concreto dosado em central nas chamadas autoconstruções, que são as obras particulares. Esse avanço se deve à urbanização das concreteiras e ao aprimoramento de equipamentos, como caminhões-betoneiras e bombas. A pesquisa aponta ainda que o mercado para o concreto dosado em central tende a crescer significativamente nos próximos 15 anos. Por dois motivos: os investimentos feitos pelas concreteiras entre 2005 e 2012 e as novas tecnologias construtivas. No caso dos empreendimentos imobiliários, as paredes de concreto moldadas in loco são uma aposta para o crescimento do concreto dosado em central.
Quanto às obras de infraestrutura, a expectativa é que o crescimento de projetos rodoviários que utilizem pavimento rígido alavanque o consumo de concreto dosado em central. “A infraestrutura, principalmente a rodoviária, apresenta perspectivas enormes para o crescimento do concreto no país. Atualmente, o Brasil possui apenas 7 mil de 203 mil quilômetros de rodovias pavimentadas com concreto, ou seja, 4%. Temos muito a evoluir, pois o material é durável, exige baixa manutenção e reduz o impacto ambiental”, avalia Ricardo Moschetti, gerente do escritório regional da ABCP, em São Paulo, durante o Concrete Show.
Entrevistados
Engenheira civil Glécia Vieira, coordenadora nacional da Comunidade da Construção
Engenheiro civil Ricardo Moschetti, gerente do escritório regional da ABCP, em São Paulo
Contatos
glecia.vieira@abcp.org.br
www.comunidadedaconstrucao.com.br
ricardo.moschetti@abcp.org.br
Crédito Fotos: Divulgação/Cia. Cimento Itambé
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Concreto de última geração atinge 250 anos e 155 MPa
Desde 2012, 498 obras construídas mundo afora já utilizaram material de alta tecnologia, que chega a um volume total de 15 milhões de m3
Por: Altair Santos
Qual é o futuro do concreto? Foi essa a pergunta que o especialista em superestruturas, Andreas Tselebidis, respondeu em sua palestra no Concrete Show 2016. Com doutorado em engenharia civil pela Universidade de Siegen, na Alemanha, o filho de gregos que virou discípulo de Hans Knoefel, conhecido na Europa como o "papa de concreto”, afirmou que as metrópoles do século 21 exigem estruturas altamente resistentes, duráveis e, ao mesmo tempo, sustentáveis.
Andreas Tselebidis citou que, desde 2012, já existem no mundo 498 edificações construídas, ou em construção, que usam concreto de última geração, cuja característica do material é atingir vida útil de até 250 anos e suportar pressões iguais ou superiores a 155 MPa. Esse concreto, com características autoadensáveis, permite construir superedifícios com alturas que ultrapassam 400 metros, e cujos projetos primam por estruturas cada vez mais esbeltas. “A tendência é termos prédios mais altos e mais finos”, estima.

Um exemplo é o edifício residencial 57th Street, que está em processo de concepção em Nova York. Trata-se do prédio mais fino do mundo, com 18 metros x 18 metros de área e altura de 451 metros. O projeto é do escritório Shop. “Estamos falando de edificações que não têm colunas centrais, que possuem grandes vãos internos, e que investem na otimização do espaço, pois, em sua maioria, são prédios residenciais. Tudo isso é possível por causa dos novos concretos”, assegura Andreas Tselebidis.
O próprio especialista em superestruturas atuou diretamente no projeto do 432 Park Avenue, também em Nova York, e cujos desafios impostos pelos arquitetos eram criar um concreto branco de alta resistência e com baixo consumo de água, já que a edificação se submeteu à mais rigorosa certificação sustentável. Para cumprir as metas, o concreto usou agregados especiais e aditivos. Ao final da obra, foi economizado 1,1 milhão de litros de água. “Já foram usados 15 milhões de m3 de concreto com essas características em construções de superedifícios”, cita Andreas Tselebidis.
Recordes

Outra propriedade destes materiais com alta tecnologia é que permitem grandes volumes de bombeamento. O recorde mundial pertence ao Shangai Tower Center, na China, onde 61 mil m3 foram concretados em 60 horas. Outra marca foi a concretagem do aeroporto de Dubai, nos Emirados Árabes, que ocorreu na mais alta temperatura ambiente: 54 °C. “Chegamos a ter 57 caminhões-betoneiras enfileirados, esperando por quatro horas para descarregar o concreto. Foi realizada a operação sem que o material perdesse suas características”, assegura o especialista.
Questionado sobre o cumprimento às normas técnicas, Andreas Tselebidis disse que as especificações do concreto utilizado nas quase 500 obras obedeceram todas as prescrições. “Os concretos que utilizam alta tecnologia não requerem que sejam alteradas as normas. Eles inovam em métodos construtivos, na logística da obra, nos critérios de sustentabilidade e no número de pessoas envolvidas no canteiro”, garante. “Vale destacar que nenhuma obra até agora construída apresentou sinais patológicos. Estamos falando de materiais que, obviamente, custam mais caro, mas são irretocáveis sob o ponto de vista de segurança de suas estruturas”, concluiu.

Entrevistado
Andreas Tselebidis, doutor em engenharia civil pela Universidade de Siegen (Alemanha) e diretor de tecnologias do concreto da Basf
Contato
andreas.tselebidis@basf.com
Crédito Fotos: Divulgação/Handel Architects LLP e Shop Architects
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Sustentabilidade social deve mover a arquitetura
Ruy Ohtake avalia que novo desafio dos profissionais está em pensar em moradias, espaços públicos e escolas para as populações mais carentes
Por: Altair Santos
Ícone da arquitetura brasileira, Ruy Ohtake, 78 anos, foi o convidado de honra da 10ª edição da Concrete Show. Após sua palestra, onde transitou por todas as fases da arquitetura nacional, ele concedeu entrevista exclusiva e revelou por que é tão fiel ao concreto. “O concreto é amigo da gente. Ele se molda a qualquer desenho que eu faço. Nenhum outro material tem essa característica. Além disso, possui uma textura diversificada. Outra vantagem é que o concreto gera peças acabadas e também pode receber cores na sua pigmentação”, afirma.

Em sua defesa intransigente do concreto, Ruy Ohtake lembra que suas primeiras obras com o material, as quais foram construídas há mais de 40 anos, seguem intactas até hoje. “O concreto é uma das grandes criações tecnológicas do homem, mantendo-se valorizado há mais de 100 anos”, assegurou, para, em seguida, alertar: “É importante dizer que a tecnologia sem criatividade perde valor. Só com criatividade é que a estrutura consegue cumprir seu papel, que é surpreender e inovar.”
Questionado sobre a qualidade da arquitetura brasileira contemporânea, Ruy Ohtake foi sucinto. “Nossa arquitetura é uma das mais reconhecidas no mundo. O que nos falta é tecnologia, em função da economia do país”, resume. Abordando o aspecto social, Ohtake assegura que no Brasil o arquiteto tem mais que a função de pensar exclusivamente em sua obra. “Em nosso país, o arquiteto tem que ter compromisso com a cidade em que ele está construindo”, diz.
Recentemente, Ohtake intensificou seu interesse por questões que envolvem planejamento urbano de pequenas e grandes cidades brasileiras. Para ele, o desafio que os gestores dos municípios enfrentam é conciliar crescimento com os interesses da população mais carente. “Para isso, é preciso abrir espaços públicos, pensar em espaços para a educação e em novos conceitos de moradia. Chamo a atenção para a sustentabilidade social. A água é importante, a captação da energia solar é importante, mas a condição humana das classes sociais mais desfavorecidas é mais importante”, destaca.
“Redondinhos de Heliópolis”

O projeto de Ohtake para o bairro de Heliópolis, um dos mais carentes da cidade de São Paulo, demonstra essa preocupação do arquiteto. Em 2011, ele foi convidado pela prefeitura paulistana para projetar um conjunto habitacional que substituiria uma favela no local. Após ouvir os futuros moradores, captando as expectativas deles para viver em edificações em que não estavam acostumados, o arquiteto desenvolveu um projeto com prédios redondos de cinco pavimentos, com quatro unidades por andar e cada uma medindo 50 m2. “Por que redondo? Porque o círculo é estético, melhora a ventilação e faz com que todas as unidades tenham uma insolação adequada”, explicou.
Os prédios ficaram conhecidos como “Redondinhos de Heliópolis”. Na primeira fase, entregue em 2014, foram construídas 500 unidades. A segunda etapa será concluída no final de 2016 e prevê a conclusão de mais 500 unidades. Na terceira fase, prevista para 2018, mais 500 unidades serão finalizadas. “Os prédios valorizam a convivência, trocando os estacionamentos nas portas dos prédios por áreas de lazer. Nestas edificações, os carros ficam para o lado de fora”, conclui Ruy Ohtake.
Entrevistado
Arquiteto Ruy Ohtake
Contato
contato@ruyohtake.com.br
Crédito Fotos: Divulgação/Cia. Cimento Itambé
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Governo regulariza atrasos do Minha Casa Minha Vida
Compromisso assumido promete zerar estoque em 10 meses. Desde 2015, havia mais de 110 mil unidades paralisadas por falta de pagamento
Por: Altair Santos
Em encontro com o setor da construção civil, no dia 11 de agosto de 2016, o governo federal, através do ministério das Cidades, anunciou ter zerado todos os déficits com as construtoras que atuam no programa Minha Casa Minha Vida. “Nesses 90 dias de gestão, o governo Temer regularizou os pagamentos e não deve mais nenhum real aos parceiros do programa. Credibilidade é absolutamente essencial para essa crença que os senhores depositam, hoje, no governo do presidente Temer”, garantiu o ministro Bruno Araújo.

Desde 2015 em atraso, o governo federal devia pouco mais de R$ 3 bilhões às empresas atuantes no Minha Casa Minha Vida, além de outros R$ 4 bilhões às empreiteiras envolvidas com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A quitação das dívidas do PAC está em curso. O primeiro passo foi realizar novas medições das obras. Outra meta é definir prioridades. No encontro com o setor, o ministro Bruno Araújo destacou que, em 2017, serão viabilizadas todas as obras de até R$ 10 milhões pelo Brasil.
No que tange ao Minha Casa Minha Vida, o compromisso do governo federal é retomar as obras imediatamente. Só na faixa 1, havia mais de 110 mil unidades paralisadas. O objetivo é zerar esse estoque em 10 meses. Nas faixas 2 e 3 serão contratadas ainda neste ano cerca de 400 mil unidades habitacionais. O governo federal assumiu também o compromisso de acrescentar ao orçamento da habitação de 2017 uma suplementação de investimento de R$ 7 bilhões, oriundos de recursos do FGTS.
Faixa 1,5 sai do papel
Também foi fixada como meta para o próximo ano a contratação de 600 mil novas unidades. Junto, também houve o anúncio de uma novidade no Minha Casa Minha Vida, que é a faixa 1,5, para atender famílias com renda até R$ 2.350,00. Para o presidente da ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria dos Materiais de Construção), Walter Cover, as medidas mostraram a força do setor. “Os eventos foram importantes para encaminhar os pleitos prioritários e pressionar para que houvesse anúncios favoráveis”, disse.
Walter Cover revelou que foi criado um fórum permanente para que, a cada 45 dias, haja reuniões com o governo federal, a fim de acompanhar o andamento e o cumprimento das reivindicações. O presidente da ABRAMAT lembrou que partiu do próprio presidente da República em exercício, Michel Temer, essa proposta de fórum permanente. “Sem construção não há progresso. Na área da construção civil é onde mais se verifica a possibilidade da difusão do emprego”, ressaltou Temer, ao repactuar o governo com o setor.
O encontro de 11 de agosto levou ao Palácio do Planalto integrantes de toda a cadeia produtiva da construção civil (construtores, mercado imobiliário, fabricantes de material de construção, lojistas, projetistas, arquitetos, engenheiros, trabalhadores e prestadores de serviço). Além da ABRAMAT, o grupo contou com dirigentes e associados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), da Associação Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção (Anamaco) e do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco). “Foi um encontro representativo e muito importante para demonstrar a coesão do nosso setor, cujas lideranças têm trabalhado em nome dos interesses comuns”, afirmou José Carlos Martins, presidente da CBIC.
Entrevistados
Ministério das Cidades (via assessoria de comunicação)
Walter Cover, engenheiro agrônomo, Ph.D em economia agrícola e presidente da ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção)
Engenheiro civil José Carlos Rodrigues Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
Contatos
ascom@cidades.gov.br
abramat@abramat.org.br
comunica@cbic.org.br
Crédito Fotos: Divulgação/CBIC
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Erro executivo causa maioria dos problemas em fachadas
Para especialista, falhas na aderência do reboco e do emboço sobre regiões de estruturas têm resultado em uma rotina de desplacamentos
Por: Altair Santos

Professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), na disciplina materiais de construção e processo construtivo, o engenheiro civil Nielsen José Dias Alves tornou-se um caçador de problemas em fachadas de edificações. No Brasil, o volume de casos com desplacamento de cerâmicas, grafiatos e até tintas convencionais tem chamado a atenção, principalmente em prédios com mais de cinco pavimentos. Para o especialista, que recentemente palestrou no webseminário “Manifestações patológicas em revestimentos de fachadas”, a causa principal desta disseminação está nos erros de execução. “No período em que a construção civil brasileira viveu aquela profusão de obras, uma combinação de mão de obra sem a devida qualificação com pressa em concluir os empreendimentos desencadeou esse problema que vemos com frequência atualmente”, diz.
Nielsen José Dias Alves detectou em suas consultorias para solucionar problemas em fachadas que boa parte dos problemas está no reboco e no emboço, principalmente nas regiões fronteiriças com as estruturas de concreto. “Muitos casos não se referem à qualidade dos materiais e nem ao tipo de argamassa, seja a virada em obra, industrializada ou usinada. Quando começamos a investigar observamos que a patologia estava no substrato. Detectamos que se criou uma artimanha nos canteiros de obras, para acelerar o acabamento do reboco, que é a ‘capinha do reboco’. O que é isso? Em vez de fazer o acabamento, eles deixavam o reboco inacabado e iam alisar no dia seguinte, já com o reboco seco. Esse acabamento era feito com uma fina camada, de 1 mm a 3 mm, usando nata de argamassa ou de cimento. Isso é a ‘capinha do reboco’”, explica.
Norma de Desempenho

Sem resistência mecânica, a ‘capinha do reboco’ rompe e leva à queda do revestimento. “Por isso temos detectado também o desplacamento de grafiatos e de acabamentos com tinta convencional”, afirma o professor da UCB, lembrando que tudo isso passa por falta de controle de revestimentos. “As empresas aprenderam a fazer o controle perfeito do concreto, mas dos revestimentos não. Algumas fazem ensaios apenas no primeiro andar e acham que a verificação vale para todo o prédio. Não é bem assim”, alerta Nielsen José Dias Alves. O especialista completa: “É preciso fazer o controle da fachada, pois a mão de obra, se não for fiscalizada, vai relaxar e assentar cerâmicas sobre superfícies ocas ou sem resistência mecânica para suportar a carga dos revestimentos.” O ensaio de percussão - popularmente conhecido como “bate-choco” - é o tipo de controle mais comum, porém existem investigações mais tecnológicas, como a termografia de infravermelho.
Nielsen José Dias Alves lembra que, felizmente, a Norma de Desempenho (ABNT NBR 15575) trará um impacto positivo na questão das fachadas. Primeiro, de acordo com ele, no que diz respeito aos prazos mínimos e máximos de garantia; segundo, quanto à qualidade dos materiais e das instalações. “A norma, em seu anexo D, aborda o sistema de fachadas, definindo prazos de garantia para reboco, quanto a fissuras, estanqueidade e aderência. Também esclarece as garantias para revestimentos cerâmicos, quanto a infiltrações e queda, assim como para o descascamento da pintura externa. Ela é esclarecedora e esperamos que influencie, também, na qualidade das fachadas”, finaliza.
Entrevistado
Engenheiro civil Nielsen José Dias Alves, professor e chefe do laboratório de materiais de construção da Universidade Católica de Brasília (UCB)
Contato
nielsen@ucb.br
Crédito Fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Mercado pede conhecimento específico, diz pesquisa
Candidato a trainee já deve ter alguma experiência, além de familiaridade com áreas que ajudem a empresa a melhorar processos de produção
Por: Altair Santos
Qual o perfil dos jovens profissionais da engenharia que as empresas buscam neste momento da economia brasileira? Foi essa pergunta que a pesquisa da consultoria Page Talent procurou responder, após ouvir de construtoras a montadoras de automóveis, passando por bancos e companhias especializadas em logística. A conclusão é que o momento exige profissionais com mais expertise e conhecimento específico. Também se observou que as grandes corporações estão procurando investir em jovens talentos que já tenham experiência em empresas menores, mesmo para vagas de trainee. “As empresas têm feito essa opção no recrutamento para agilizar seus processos de produção”, avalia a consultora Manoela Costa, gerente-executiva da Page Talent.

Segundo a especialista, há quatro tendências já constatadas nos processos de recrutamento em 2016, e que devem prevalecer para 2017: opção por candidatos mais sênior, habilidades em segmentos específicos, adaptação a processos mais dinâmicos e domínio das tecnologias high-tech. “Em tempos de dificuldades e incertezas, é importante recrutar pessoas que possam lidar com situações adversas e ter a habilidade necessária em assuntos mais técnicos”, revela Manoela Costa, completando que até a forma de realizar o recrutamento muda. “Como esse público está conectado ao mundo digital, é natural que a gestão do recrutamento também utilize as redes sociais para chegar aos candidatos que mais se adaptem ao perfil que as empresas buscam”, reafirma.
Sobre cada uma das tendências, a gerente-executiva da Page Talent faz a seguinte análise pontual:
Candidato mais sênior
As empresas estão de olho em profissionais mais experientes, capazes de enfrentar situações adversas com serenidade. O cenário mudou um pouco. Antes, os mais jovens dominavam esse tipo de vagas. Agora, as companhias querem pessoas com poder de análise e resolução. A experiência conta muito agora, mesmo para vagas de trainee.
Habilidades em segmentos específicos
Outra demanda que o mercado tem solicitado com mais frequência, sobretudo de candidatos a uma vaga de trainee, é que essa pessoa tenha conhecimento de uma área específica. Essa habilidade é um diferencial. O candidato que já tiver conhecimento e experiência em um setor é avaliado de outra forma. Ter o domínio de um mercado ajuda na hora em que esse profissional começar a trabalhar com as rotinas e especificidades da companhia em que irá atuar.
Processos mais dinâmicos
Além da experiência solicitada pela empresa, o candidato a trainee encontrará algumas etapas um pouco diferentes em relação aos anos anteriores, durante seu processo de desenvolvimento dentro da empresa. Verificou-se que os programas de trainee atraem muitas pessoas, mas um número pequeno é contratado para seguir se desenvolvendo dentro da companhia. Então, o que as empresas estão fazendo é transformar o treinamento em uma grande oportunidade de aprendizagem. Assim, passaram a investir em workshops, palestras e outras atividades para qualificar melhor o trainee e poder contratá-lo.
Tecnologias high-tech
A utilização de ferramentas tecnológicas é cada vez mais intensa. As empresas estão em busca de candidatos que estejam conectados com essas tecnologias, e que ajudem as corporações a utilizá-las em seu dia a dia. O objetivo é que o trainee diga: "olha, esse trabalho a empresa faz assim, mas com esta tecnologia é possível minimizar tempo e custos fazendo assim".
Entrevistada
Psicóloga Manoela Costa, especialista em gestão estratégica de pessoas e gerente-executiva da Page Talent
Contato
recrutamento@michaelpage.com.br
Crédito Foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Contra tornados, EUA investem em casas de concreto
Organismo ligado a seguradoras desenvolve programa para a construção de residências mais resistentes a fenômenos climáticos
Por: Altair Santos
A temporada de tornados nos Estados Unidos, que sempre acontece no período da primavera no hemisfério norte, está mudando o mercado de pequenas construtoras do país, e que se dedicam a edificações com custo de até US$ 200 mil (aproximadamente R$ 650 mil). Casas neste patamar de preço são as mais vendidas no país e costumam ser construídas através do sistema conhecido como Wood Frame, que utiliza estruturas de madeira. O problema é que são habitações que não suportam os fortes ventos causados por tornados e furacões, obrigando que sejam 100% reconstruídas quando atingidas por esses fenômenos climáticos.

Pesquisa do Instituto para Negócios & Segurança Habitacional (IBHS, do inglês Institute for Business & Home Safety) mostra que casas construídas em Wood Frame não resistem nem a tornados F-0 e F-1, os menores na escala de 0 a 6, e que abrangem vendavais entre 117 km/h e 180 km/h. Em documento publicado em março de 2016, contando com a assessoria técnica do ACI (American Concrete Institute), a IBHS passou a defender a construção de casas com paredes de concreto, assentadas sobre radiers reforçados para suportar tornados. “Estamos em campanha por construções mais fortes, principalmente no Tornado Alley”, diz a IBHS.
O Tornado Alley, ou Alameda dos Tornados, engloba Oklahoma, Kansas, Arkansas, Iowa e Missouri. Para estes estados, e também para os que formam o Golfo do México – propensos a furacões –, a IBHS recomenda estruturas que possam suportar ventos de até 234 km/h. Para isso, o instituto lançou o programa Fortified (Fortificado), para conscientizar os construtores. “Nosso esforço é para propagar melhores métodos de construção. Hoje, estamos convictos de que casas que utilizam estruturas de concreto são muito mais seguras”, diz Chuck Miccolis, engenheiro-sênior e gestor do programa Fortified, que é financiado por mais de 200 seguradoras dos Estados Unidos.
Apólices somam US$ 8,3 bi por ano

Boa parte destas empresas está colocando obstáculos para aceitar seguros de casas em Wood Frame, sob a alegação de que são “construções frágeis”. “Com o Fortified queremos certificar casas bem construídas e que tenham estruturas para suportar ventos até 20 Mph (32 km/h) maiores que o limite médio”, explica Chuck Miccolis. Ou seja, se determinada região registra ventos médios de 100 km/h, as construções devem suportar fenômenos de 132 km/h. Para o gestor do programa, existe também a questão do custo. “O sistema que indicamos permite construir casas cerca de 30% mais baratas, mais seguras e igualmente confortáveis”, diz. Anualmente, as seguradoras dos Estados Unidos são obrigadas a pagar US$ 8,3 bilhões (mais de R$ 25 bilhões) por danos em residências, causados por fenômenos climáticos.
As construções sugeridas pelo programa Fortified utilizam fôrmas que internamente recebem revestimento em EPS (poliestireno expandido) para garantir desempenho térmico e acústico. O preenchimento com concreto é in loco. Tanto projetos para residências quanto para edifícios de até cinco pavimentos podem utilizar o mesmo sistema. A iniciativa da IBHS conta com a certificação da Insulating Concrete Form Association (ICFA) (Associação de Fôrmas e Isolamentos para Paredes de Concreto) e da Portland Cement Association (PCA) (Associação de Cimento Portland) - ambas dos Estados Unidos -, além do apoio técnico da ACI (American Concrete Institute).
Veja vídeo sobre construção de casa com paredes de concreto nos EUA
Entrevistado
Chuck Miccolis, engenheiro-sênior e gestor do programa Fortified do IBHS (Institute for Business & Home Safety) (via assessoria de imprensa)
Contatos
info@ibhs.org
www.disastersafety.org
Crédito Fotos: IBHS/PCA
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Nem pedra nem paver: a vez é das calçadas de concreto
Tendência vem dos EUA, onde engenheiros dos departamentos de obras das prefeituras buscam melhores soluções de mobilidade para os pedestres
Por: Altair Santos
As calçadas de concreto, montadas sobre armações de ferro, estão voltando a ganhar espaço nas cidades. Não no Brasil, mas nos Estados Unidos. Engenheiros dos departamentos de obras das prefeituras norte-americanas se uniram em um congresso para debater a qualidade das calçadas no país. O resultado é que os passeios construídos em concreto saíram fortalecidos do encontro. Por dois motivos: são mais baratos, desde que construídos com mão de obra qualificada, e duram mais, desde que bem projetados e executados. “O consenso que se criou na reunião entre chefes de departamentos de obras das prefeituras é que economizaríamos muito em manutenção se tivéssemos calçadas de concreto bem construídas”, disse David Earle, gerente de projetos da prefeitura de Tallahassee, na Flórida-EUA.

O que faltava era criar um padrão. Não só sob o aspecto construtivo, mas também para ajustar os projetos a elementos novos das cidades, como normas de mobilidade. “Nosso encontro ocorreu em 2014. Depois dele, levamos um ano para treinar nossa mão de obra e chegar a um consenso sobre métodos construtivos. As primeiras calçadas começaram a ser substituídas no segundo semestre de 2015”, completa Earle. Entre as principais preocupações com o projeto estavam textura do concreto, para que os pedestres não escorregassem; nivelamento, para evitar poças, e um design que funcionasse também como junta de dilatação e reduzisse o risco de o concreto apresentar fissuras ou quebrar em pontos críticos, como rebaixamento de guias.
Selo de qualidade
Para esse trabalho, grupos de arquitetos e engenheiros civis prestaram assessoria. “Lógico que, além das preocupações construtivas, o desafio era criar uma calçada original, atraente e que fizesse a população das cidades se sentir motivada a trocar os passeios antigos pelos novos”, disse David Earle. Outro obstáculo a ser vencido foi a legislação. Algumas prefeituras não tinham regulamentação sobre calçadas, deixando o projeto a cargo do dono do imóvel, enquanto outras possuíam regras mais restritivas. No caso de Tallahassee, a solução foi treinar pequenas empreiteiras e credenciá-las para prestar serviço. Quando o proprietário é notificado para trocar a calçada, ele tem a opção de escolher uma das empresas credenciadas.

A revitalização de calçadas com concreto armado recebeu o selo de qualidade do Americans with Disabilities Act (ADA). O organismo é voltado para os direitos civis das minorias nos Estados Unidos e é vigilante com relação à mobilidade urbana das cidades para pessoas com problemas de locomoção. Criada em 1990, a ADA tem um código para construção de calçadas, que foi atendido pelos departamentos de obras das prefeituras norte-americanas. Tecnicamente, as calçadas são construídas com 10 centímetros de espessura - podem chegar a 12 centímetros em áreas com guia rebaixada e que recebem o tráfego de veículos. O concreto é dosado em central, assentado sob armadura de ferro, e as juntas de dilatação são colocadas a cada 9 metros - a distância pode ser reduzida em áreas de esquina ou onde a topografia não é plana.

Entrevistado
Engenheiro civil David Earle, gerente de projetos da prefeitura de Tallahassee, na Flórida-EUA
Contato
David.Earle@talgov.com
Crédito Fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Maior parte das obras residenciais está abandonada
Nas principais capitais do Brasil, 84% das construções ou reformas foram paralisadas momentaneamente. O principal motivo é a falta de dinheiro
Por: Altair Santos
Estudo da Plataforma de Inteligência de Mercado, realizado em 12 grandes centros urbanos do Brasil, mostra que 84,3% das obras residenciais foram paralisadas momentaneamente. Entre os principais motivos, a maior parte (61,8%) interrompeu por “falta de dinheiro”, seguido por “queda na renda” (28,4%), “incertezas em relação ao futuro da economia” (15,5%) e “problemas com mão de obra” (15%).

Segundo o gestor da Plataforma de Inteligência, Newton Guimarães, a paralisação das obras está diretamente ligada ao ambiente macroeconômico recessivo. Porém, ele ressalta que vale refletir em relação aos que responderam ter interrompido por problemas com mão de obra. “Este é um entrave em que as empresas do setor devem atuar diretamente, pois ele pode ser minimizado através de parcerias para qualificação de pintores, pedreiros, eletricistas, encanadores e azulejistas”, diz.
Entre os que responderam que vão continuar a investir em obras em suas residências, 51,5% disseram que “por necessidade, vão reduzir o orçamento”. Já 34,9% alegaram que gastarão “o que for justo na continuidade da obra”, enquanto 13,6% responderam que “estimam investir mais que o planejado na continuidade da obra”. “Para reverter esse quadro de enxugamento dos gastos, mesmo com as obras em andamento, existe a expectativa de que fornecedores e varejistas reajam no segundo semestre de 2016, principalmente com promoções”, estima Newton Guimarães.
O estudo, intitulado Desenvolvimento de Novos Mercados nas Perspectivas dos Consumidores que Reformaram ou Construíram, dividiu a pesquisa em tipos de obras já feitas e por fazer. Entre os entrevistados, 62,9% responderam ter realizado obras de acabamento e 66,7% disseram manter a intenção de realizar novas obras de acabamento na continuidade da reforma ou construção.
Cresce venda pela internet
Dos canais utilizados para as compras de materiais de construção, que vão de cimento a tomadas e acessórios para banheiro, 52,3% afirmaram preferir comprar em lojas de bairros, enquanto 50,8% optam por home centers. Já 4,3% disseram ter a intenção de comprar via e-commerce. “No que tange a compras de materiais de construção pela internet, esse percentual demonstra um ponto positivo em relação à mudança de comportamento do consumidor”, avalia o gestor da Plataforma de Inteligência.
Quando dividida por estados, a pesquisa mostra que os consumidores de Minas Gerais são os que mais sentiram o impacto da crise durante a obra (59,4%), seguidos dos cariocas (55,5%). Para atenuar os efeitos da atual recessão, e conseguir continuar com as reformas ou construções, 88,9% dos entrevistados afirmaram estar passando mais tempo dentro de seus lares, cortando gastos com lazer e refeições fora de casa.
A pesquisa finaliza perguntando se as reformas ocorrem dentro dos ambientes já construídos ou se envolvem novas áreas. Para 36,5%, a intenção é realizar obras externas, como calçamento, muros, varandas, garagens ou coberturas para veículos. Já 36,1% afirmaram que pretendem construir um ou mais cômodos anexos à casa. Os demais 27,4% pretendem realizar reformas em áreas já construídas.
Entrevistado
Newton Guimarães, gestor da Plataforma de Inteligência
Contato
newton.guimaraes@revenda.com.br
Crédito Foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Como micromomentos influenciam mercado imobiliário
Segundo Igor Lima, Head of Industry do Google Brasil, setor começa a encontrar uma nova fronteira para atrair clientes e vender imóveis
Por: Altair Santos
Em média, o brasileiro consulta o smartphone 80 vezes por dia. A busca por informações representa 40% desses acessos. Quando navega via celular, o usuário se defronta pelo menos oito vezes com dados relacionados ao mercado imobiliário. São insights que o Google renomeou de micromomentos, como define Igor Lima, Head of Industry do Google Brasil. É através deles que o setor começa a encontrar uma nova fronteira, tanto para atrair clientes quanto para reaprender a vender imóveis.

Segundo o especialista do Google, o usuário de smartphones está cada vez mais envolvido com micromomentos em seu dia a dia. “Os micromomentos estão relacionados diretamente com o smartphone. São as buscas que as pessoas fazem, via celular, para realizar pesquisas, buscar informações, acessar vídeos, verificar as redes sociais, procurar locais, o que fazer, como fazer. Detectamos que esses micromomentos estão mudando a forma como o consumidor recebe e reage às ações de marketing”, explica Igor Lima.
O Head of Industry do Google Brasil revela que esse comportamento acaba funcionando para o mercado imobiliário. “O consumidor também usa esses micromomentos para saber se vale a pena investir em imóveis, como financiar, como chegar no endereço do imóvel ou visitar um estande. Isso vale ainda para quem pensa em reformar, pois ele acaba buscando vídeos sobre soluções construtivas e materiais, além de pesquisar sobre onde comprar”, completa.
Consultar imóveis pelo smartphone já não é mais um ponto fora da curva. Pelo contrário, diz Igor Lima, a tendência é de viés de alta. “Hoje, 40% das pessoas que buscam por imóveis realizam pesquisa via smartphone, seja para comprar ou para alugar. É um numero que está crescendo, e que existe a expectativa de que essa chave vire a partir de 2017”, avalia Igor Lima, cuja palestra na Conecta Imobi - maior evento de marketing imobiliário do Brasil - foi uma das mais concorridas.
Empoderamento do consumidor
Segundo o especialista, essa nova realidade que se vislumbra no mercado imobiliário é desafiadora para os corretores, pois eles vão receber um cliente cheio de informações. “É o empoderamento do consumidor. Agora, o corretor não precisa só saber do imóvel, mas do entorno do imóvel. Ele também tem que entender como o empreendimento foi construído, além de estudar soluções decorativas para o tamanho da unidade que quer vender”, assegura.
Igor Lima faz ver que os micromomentos não são apenas uma janela de oportunidades para o consumidor, mas também para quem atua no mercado imobiliário. “O corretor tem à disposição novos recursos que permitem impactar esse público online e medir os resultados das ações de forma muito mais assertiva. Os vídeos no YouTube, por exemplo, são uma excelente alternativa, pois permitem mais sobre os imóveis ou mesmo sobre a atuação do corretor, sem que haja necessidade de grandes investimentos. É possível ainda explorar o uso de redes sociais. Outro ponto muito importante é contar com ferramentas responsivas, que se adaptam para ser visualizadas no smartphone”, recomenda.
Entrevistado
Igor Lima, Head of Industry do Google Brasil
Contato
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Crédito Foto: Divulgação








