Reforço em concreto permite recuperação da Hercílio Luz

Ponte pênsil em Florianópolis-SC recebe estrutura provisória, e que está sustentada por 16 pilares encravados a 30 metros de profundidade

Por: Altair Santos

A ponte Hercílio Luz, em Florianópolis-SC, está exigindo o emprego de tecnologias desenvolvidas nos Estados Unidos para a recuperação de pontes pênseis. Para que as obras pudessem avançar, foi preciso construir uma estrutura auxiliar que suportasse o vão central da Hercílio Luz. Essa etapa - a mais complexa - está sustentada sob pilares submersos, que receberam concreto com aditivos especiais, a fim de atingir a resistência exigida no projeto. O material foi bombeado a 30 metros abaixo do nível do mar e outros 7,5 metros para penetrar nas perfurações feitas nas rochas submersas.

Após etapa para sustentar a ponte, operários trabalham na substituição das armaduras metálicas
Após etapa para sustentar a ponte, operários trabalham na substituição das armaduras metálicas

A operação teve a consultoria técnica da American Bridge, construtora norte-americana que projetou e executou a ponte original, inaugurada em 13 de maio de 1926. A concretagem dos pilares e a instalação dos blocos pré-moldados sobre as estacas consumiram 9 mil m³ de concreto. A estrutura funciona como uma “mesa” para sustentar a armação metálica provisória, projetada para suportar as cargas do vão central durante a restauração. Toda essa operação foi concluída em 2015 e ficou a cargo do consórcio Florianópolis Monumento (formado pelas construtoras CSA Group e Espaço Aberto).

Já a etapa de reconstrução da estrutura pênsil foi entregue ao Grupo Teixeira Duarte (EMPA) e à RMG Engenharia. Nesta fase, 54 macacos hidráulicos foram instalados nas duas torres da ponte, para suspendê-las e permitir a recuperação e o reforço das fundações antigas da Hercílio Luz, construídas com concreto ciclópico. Os maciços receberão encamisamento de concreto armado e novas estacas para suportar as torres. Segundo inspeção realizada pelos engenheiros Hermes Carvalho e Francisco Carlos Rodrigues, do departamento de engenharia de estruturas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), as patologias eram tantas que praticamente terá de ser reconstruída uma nova ponte.

Boa parte da estrutura original da ponte será trocada
Boa parte da estrutura original da ponte será trocada

Patrimônio histórico

Também serão feitas as substituições das barras de olhal e pendurais, dos aparelhos de apoio e selas das torres e do tabuleiro do vão pênsil. Quando todas essas operações tiverem sido concluídas, haverá a desmontagem da estrutura provisória. A expectativa é de que a ponte seja reaberta para o tráfego no primeiro semestre de 2018. O custo da recuperação está orçado em R$ 262,9 milhões, bancado com recursos do governo de Santa Catarina, da prefeitura de Florianópolis e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Sairia mais barato construir uma ponte nova, mas a Hercílio Luz é tombada pelo patrimônio histórico nacional, o que obriga a sua perpetuidade.

Construída há 90 anos, a Hercílio Luz está interditada para o tráfego de veículos desde 1982. A partir de 1991, seu acesso foi proibido também para pedestres. O motivo: deterioração de suas estruturas metálicas, por falta de manutenção, segundo laudo técnico do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). Com a recuperação da ponte, o Deinfra-SC assegura que ela poderá receber 40% do fluxo diário de veículos (leves e pesados) que faz o trajeto continente-ilha-continente, desafogando o trânsito na única ponte que hoje liga Florianópolis e São José. A Hercílio Luz tem extensão total de 821,005 metros, com vão central pênsil de 339,471 metros, a 30,86 metros do nível do mar.

Pilares de concreto encravados sustentam a estrutura que permite reformar a Hercílio Luz
Pilares de concreto encravados sustentam a estrutura que permite reformar a Hercílio Luz

Veja vídeo sobre a restauração da Hercílio Luz:

Entrevistados
- Departamento Estadual de Infraestruturas de Santa Catarina (Deinfra-SC)
- EMPA (Grupo Teixeira Duarte)
- RMG Engenharia
- Engenheiros civis Hermes Carvalho e Francisco Carlos Rodrigues, pesquisadores do Departamento de Engenharia de Estruturas da UFMG

Contatos
suprelitoral@deinfra.sc.gov.br
rmg@rmg.com.br
hermes@dees.ufmg.br
francisco@dees.ufmg.br

Créditos Fotos: Divulgação e James Tavares/Secom

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Obra que prevê vida útil e manutenções respeita cliente

Materiais especificados para construção devem atender requisitos de durabilidade e possuir dados sobre desempenho, alerta especialista

Por: Altair Santos

A indústria da construção civil tem migrado de processos tipicamente artesanais para sistemas industrializados, racionalizados e sustentáveis. Edificações de grande porte já aderiram a essa realidade, mas as construções de casas ainda não. Essa guinada, no entanto, requer planejamento. Não basta considerar apenas o custo construtivo da obra, mas analisar toda a vida útil da edificação. Por isso, é fundamental ter projetos estruturais, elétricos e hidráulicos muito bem descritos. O emprego de novas tecnologias também é importante, principalmente no que se refere ao uso de materiais que garantam durabilidade à obra, como explica o professor de engenharia civil da Universidade de Franca, no estado de São Paulo (UNIFRAN), Glauco Fabrício Bianchini, na entrevista a seguir. Confira:

Glauco Fabrício Bianchini: nunca o custo-benefício deve prevalecer à qualidade da obra
Glauco Fabrício Bianchini: nunca o custo-benefício deve prevalecer à qualidade da obra

Na elaboração de um projeto não se deve apenas considerar o custo construtivo da obra, mas analisar toda a vida útil da edificação, seu processo de manutenção e a reposição de materiais. De que forma se faz isso?
Durante a fase de planejamento e projeto, os profissionais envolvidos devem levar em conta a durabilidade dos sistemas, ou seja, considerar a capacidade da edificação e dos sistemas de desempenhar suas funções ao longo do tempo, sob condições de uso e manutenções. Os materiais especificados para a construção devem atender aos requisitos de durabilidade projetada e possuir dados sobre o seu desempenho ao longo do tempo. Esses dados são essenciais para a determinação das manutenções periódicas, que devem estar previstas no manual de uso, operação e manutenção (manual do proprietário). Toda edificação deve passar pelo processo de manutenção, recuperando parcialmente a perda de desempenho resultante da degradação pelo uso ou exposição às intempéries.

A previsão de manutenções de uma edificação já deve estar contemplada no projeto?
Toda edificação é composta por sistemas funcionais, como fundação, estrutura, instalações elétricas, hidrossanitárias e cobertura. Todos esses sistemas são essenciais para o completo funcionamento e necessitam estar devidamente planejados e projetados para seu perfeito funcionamento. Sem o devido processo de manutenção, a vida útil fica comprometida, tornando o desempenho destes sistemas abaixo do requerido. Como exemplo, pode-se citar a deterioração das peças de madeira, que estão sujeitas a ataques biológicos e ação do fogo. A correta manutenção aumenta a resistência da madeira e prolonga a vida útil. Outro exemplo - inclusive descrito na Norma de Desempenho (ABNT NBR 15575-1/2013) - diz respeito ao revestimento de fachada em argamassa pintado, que pode ser projetado para uma vida útil de 25 anos. Isso, desde que a pintura seja refeita a cada 5 anos. Caso o usuário não realize a manutenção prevista, a vida útil do revestimento pode ser comprometida, desencadeando o surgimento de patologias.

Observar a análise de ciclo de vida dos materiais, mais do que os valores, traz que tipo de benefícios à obra e minimiza que tipo de impactos?
Ao projetar um imóvel, que é de alto valor unitário e muitas vezes de aquisição única, não se pode deixar o custo inicial prevalecer em detrimento do custo global e da durabilidade da edificação. Caso contrário está prejudicando o usuário.
Esse conceito vale para todo tipo de construção?
Todas as construções possuem suas particularidades e destinações, cabendo ao profissional responsável pelo planejamento e projeto a correta determinação dos materiais e manutenções durante a vida útil da construção.

A qualidade de insumos como brita, areia e cimento entra no conceito da pergunta acima?
Todos os materiais utilizados durante a execução da obra devem ser caracterizados pelos profissionais. Areias e britas devem ser devidamente ensaiadas por laboratórios para atendimentos das características pedidas e os cimentos devem ser corretamente utilizados de acordo com as especificações de projeto. No caso dos cimentos, estes devem ser especificados de acordo com as necessidades e a classe de resistência (MPa).

O surgimento de novas tecnologias e materiais está transformando a forma de construir. Entre elas, qual o senhor destacaria como a mais transformadora?
A utilização de materiais poliméricos nos sistemas funcionais e a substituição da madeira por compostos poliméricos de madeira (WPC). Esses materiais, por serem industrializados, podem se moldar facilmente à exigência dos projetistas, podendo alterar suas características físicas e mecânicas de acordo com as necessidades. Como exemplo, o aumento da resistência ao fogo, aumento da resistência a carregamentos sem modificações de dimensões externas e diminuição das variações dimensionais quando submetidos a variações de temperatura.
N.R: nesta pergunta, colaborou com a resposta o professor Carlos do Amaral Razzino, da UNESP.

Dentro do conceito de planejamento da obra e qualidade dos materiais, quais cuidados deve haver com a mão de obra?
Deve-se garantir que a mão de obra utilizada seja qualificada para lidar com os materiais e tecnologias utilizados na construção. A mão de obra contratada deve ter experiência na utilização da tecnologia a ser empregada, estar treinada e em constante atualização e aprendizagem. Buscar referências sobre serviços executados e conversar com outros proprietários sobre o andamento de suas obras também fornecem informações importantes. Quando a mão de obra for de responsabilidade do profissional executor da obra, este deve fornecer garantias das qualidades dos serviços prestados.

No que a normalização, revisão de normas e, em especial, a Norma de Desempenho, contribuem para que práticas como projeto, planejamento, ciclo de vida dos materiais e qualidade da mão de obra se disseminem na construção civil brasileira?
A ABNT NBR 15575-1/2013 fornece para os profissionais do setor meios de se mensurar o desempenho dos sistemas funcionais e estabelecer padrões mínimos aceitáveis de desempenho. Para essa mensuração, são estabelecidos métodos de ensaios que auxiliam a indústria da construção civil a desenvolver métodos, equipamentos e materiais para atendimento das exigências. Com essas medidas, o consumidor passa a ser o maior beneficiário, após a entrada em vigor da norma. Cabe ressaltar que a Norma de Desempenho oferece subsídios gerais para essas avaliações, porém, assim como toda norma, não pode ser utilizada de maneira individualizada, precisando ser complementada por outras normas – muitas vezes normas internacionais.

Entrevistados
- Engenheiro civil Glauco Fabrício Bianchini, mestre pela UFSCar e professor da UNIFRAN (universidade de Franca), em São Paulo
- Engenheiro civil Carlos do Amaral Razzino, professor-doutor da UNESP, em Bauru-SP

Contato
glauco.bianchini@unifran.edu.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Engenharia de demolição: como se especializar?

No Brasil, boa parte adquire conhecimento na prática. No entanto, a construção industrializada está exigindo outro tipo de especialização

Por: Altair Santos

A demolição de edificações é, também, um ramo da construção civil. No Brasil, a demanda não é tão intensa como em países com poucas áreas para construção e que precisam pôr abaixo antigas edificações para erguer novos arranha-céus. No Japão, por exemplo, uma nova lei de zoneamento e controle das edificações determina que prédios com mais de 100 metros de altura tenham vida útil máxima de 35 anos. Depois, podem ser demolidos. É uma forma de abrir espaço para novas edificações. Porém, para pôr abaixo uma construção é preciso conhecimento técnico.

Demolição exige projeto e o envolvimento de mão de obra especializada
Demolição exige projeto e o envolvimento de mão de obra especializada

No Brasil, a especialização em engenharia de demolição ainda requer que se busque conhecimento fora do país ou através da prática do dia a dia. Um exemplo é o engenheiro civil Celso Messe, que atua no ramo de demolição há 40 anos. “Eu e quase todos os engenheiros que atuam na área de demolição no Brasil aprenderam na prática. Não existe uma formação específica no país. Quem buscou especialização teve que ir para fora. Nos Estados Unidos existem bons cursos sobre demolição de edifícios e estruturas de concreto. Mas aqui no Brasil ainda não temos esta cultura”, afirma.

A construção industrializada e a reciclagem de materiais têm causado mudanças nos procedimentos da engenharia de demolição. No caso de peças pré-fabricadas, elas podem ser desmontadas e montadas em outro local. Outros materiais que possuem bom mercado entre os reciclados são madeira, plástico, vidro e gesso. Os tijolos cerâmicos também têm boa aceitação, mas o preço do milheiro é praticamente o mesmo do milheiro de tijolos novos. Os que mais se interessam por esse produto são os arquitetos de interior. Já a alvenaria de demolição ainda não possui um mercado consolidado no Brasil.

Demolir requer projeto

Celso Messe: quem busca especialização em engenharia de demolição tem que ir para fora do país
Celso Messe: quem busca especialização em engenharia de demolição tem que ir para fora do país

Por dois motivos: requer investimento em equipamentos que já fazem a separação dos materiais, como as ferragens, além de mão de obra especializada e local adequado para armazenamento. Segundo as empresas de demolição no Brasil, isso encarece a reciclagem e não permite preços competitivos. “Hoje, numa demolição, no máximo 40% do material é reaproveitado. Poderia ser muito mais. Mas o resto vira entulho. Seguramente, em países com engenharia de demolição mais evoluída, a reciclagem é muito maior. Não tenho um percentual exato, mas eles reaproveitam muito mais do que aqui”, diz Celso Messe.

O engenheiro civil explica que, assim como a construção, a demolição também precisa de um projeto. “A construção começa de baixo para cima, e a demolição é o contrário: de cima para baixo. Ela é mais complexa, mais perigosa e exige planejamento”, alerta. O projeto deve estar aos cuidados de um engenheiro civil e se houver material para ser reciclado é interessante também ter um arquiteto na equipe. Quando envolve implosão, a equipe requer a participação de mais especialistas. “No mobiliário urbano é raro ocorrer uma implosão. No Brasil, esse procedimento é mais usado na demolição de pontes”, explica Celso Messe.

Entrevistado
Engenheiro civil Celso Messe, diretor da Messe Engenharia e da Demolidora Pinheirinho

Contato
celso@messeengenharia.com.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Concreto entra em casa pelas mãos do artesanato

Material oferece releitura para objetos de decoração, ganha adesão de arquitetos e também do público fã do “faça você mesmo”

Por: Altair Santos

Luminária de concreto substitui materiais tradicionais na decoração de interior
Luminária de concreto substitui materiais tradicionais na decoração de interior

Caixas para presente, vasos, casinhas para pets, tampos para mesas, abajures, luminárias, porta-retratos... Esses itens de decoração estão ganhando uma releitura, através do concreto. O uso do material ganha adeptos entre os fãs do “faça você mesmo” (do-it-yourself). As peças criadas usam fôrmas criativas, como as feitas com peças de Lego, e utilizam concreto não-estrutural. São a prova de que a versatilidade dos artefatos à base de cimento ajuda a reinventar objetos.

Esses elementos artesanais vêm ganhando adesão dos arquitetos de interior, por possibilitar várias opções geométricas e por dar novo estilo não somente a peças decorativas, mas a utensílios que são usados no dia a dia de uma casa – incluindo aqueles indispensáveis na cozinha, como escorredores de prato, tampos para pias, suportes para acomodar temperos e banquetas.

Para o designer e arquiteto norte-americano Ben Uyeda, que dissemina a ideia de produzir objetos a partir do concreto, o objetivo é mostrar que a decoração pode ser acessível e sustentável. Professor da Universidade de Northeastern, Uyeda explica que a opção pelo concreto nasceu do desejo de construir objetos que atendessem cinco requisitos básicos: ser acessível, ser durável, ser barato, ser reciclável e ser despojado. “O concreto resume este conjunto de ideias”, afirma.

Vaso de concreto: serve tanto para ambientes internos quanto externos
Vaso de concreto: serve tanto para ambientes internos quanto externos

O designer-arquiteto, que largou um bem-sucedido escritório de arquitetura nos Estados Unidos para se dedicar a esse projeto, avalia que o conceito não é apenas introduzir ideias sobre a aquisição de objetos, mas ensinar a gerenciar recursos. “Mostramos que objetos robustos, feitos a partir de concreto e madeira reciclável podem durar mais e custar mais barato que os artefatos que utilizam plástico, por exemplo”, garante.

Em seus projetos de decoração, Ben Uyeda não para de criar. “Esse é o desafio: sempre ter ideias novas. É também importante deixar claro o conceito artesanal. Quando uso o concreto como base para boa parte dos objetos, quero também passar a mensagem de que aquela criação não vai ficar pronta em minutos ou horas. O resultado vem após dias, semanas. O que quero é inspirar e incentivar as pessoas a criar”, diz.

 

Casinha para pet: versatilidade do concreto reinventa objetos
Casinha para pet: versatilidade do concreto reinventa objetos

Ao ensinar a fabricar objetos através de um canal no Youtube batizado de HomeMadeModern, Ben Uyeda passou a integrar um programa global chamado de TEDx. A organização tem como missão a seguinte frase: “Ideias que valem a pena divulgar". Através de palestras que acontecem em todo o mundo, a TEDx divulga boas práticas que ajudam a melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Veja alguns objetos feitos com criatividade e concreto:
www.youtube.com/user/HomeMadeModern

 

 

 

Entrevistado
Designer-arquiteto Ben Uyeda, criador do HomeMadeModern

Contatos
info@homemade-modern.com
@benuyeda

Crédito Fotos: Youtube

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Prédio com fachada de vidro terá que proteger pássaros

Estados Unidos trabalham em certificação que busca minimizar acidentes, os quais matam, por ano, cerca de 750 milhões de aves

Por: Altair Santos

O US Green Building Council (USGBC), principal certificadora de prédios verdes do mundo, vai criar um selo específico para edifícios com fachadas envidraçadas. O objetivo é minimizar a mortandade de pássaros que se chocam contra os vidros - principalmente os espelhados, que refletem imagens e desorientam as aves, causando colisões fatais. Dados apresentados pela US Fish and Wildlife Service (agência governamental dos Estados Unidos de proteção aos animais) revelam que no mundo morrem cerca de 750 milhões de aves por ano, por causa de acidentes contra fachadas envidraçadas.

Fachadas envidraçadas induzem aves a voos suicidas
Fachadas envidraçadas induzem aves a voos suicidas

Nos EUA, onde as estatísticas são mais acentuadas - 40% dos números globais, segundo a US Fish and Wildlife Service -, alguns edifícios têm equipes próprias para resgatar aves acidentadas ou recolher as que morrem e caem nas áreas do entorno dos prédios. No país, ONGs de proteção aos animais também se associaram à USGBC para ajudar a elaborar a certificação para prédios envidraçados. Além disso, dentro do Bronx Zoo, em Nova York, foi construído um centro de pesquisa, a fim de estudar o que causa a desorientação das aves quando elas se aproximam de fachadas envidraçadas.

Os primeiros requisitos para a certificação, que deve entrar em vigor ainda em 2017, já estão definidos. A classificação segue um padrão estabelecido de acordo com a capacidade de reflexão. Fachadas com fator de ameaça igual ou inferior a 15 não precisarão se submeter à certificação. Neste caso, significa que o vidro permite aos pássaros distinguirem o ambiente interno da edificação do ambiente externo. De acordo com a certificação, quanto maior o fator de reflexão, mais risco ele oferece às aves. A USGBC definiu o fator 75 como o topo da escala e, portanto, o mais perigoso.

O estudo desenvolvido no centro de pesquisa do Bronx Zoo também detectou que a maioria das colisões de aves com paredes envidraçadas se dá na faixa de 10 metros a 20 metros de altura, em relação ao solo. Significa que os primeiros 10 pavimentos de um edifício oferecem mais risco aos pássaros que os andares mais elevados. A certificação vai propor que vidros menos reflexivos sejam utilizados pelo menos até o oitavo andar de cada edificação.

Película anticolisão

Película desenvolvida na Universidade de Smith: opaco e com listras, material previne contra colisões
Película desenvolvida na Universidade de Smith: opaco e com listras, material previne contra colisões

A pesquisa concluiu que as aves costumam colidir quando realizam voos rasantes em busca de alimento. Ao ver a imagem refletida, elas a confundem com um rival pela caça e vão de encontro à fachada. Como não têm noção de que o vidro é um material sólido, se chocam e acabam morrendo ou se ferindo. As colisões também acontecem quando as aves iniciam o procedimento de voo, seja partindo de árvores ou do chão. Ao verem o céu refletido na fachada do edifício, elas não identificam a imagem como um obstáculo e acabam batendo contra a parede envidraçada.

Paralelamente aos estudos desenvolvidos para a certificação do USGBC, o Instituto de Engenharia da Universidade de Smith produziu uma película para aplicar sobre as fachadas de vidro, cujos resultados conseguiram reduzir em 90% os choques de aves contra os prédios do campus localizado em Massachusetts, nos Estados Unidos. O material é mais opaco e possui listras verticais a cada 10 centímetros, o que permite que os pássaros interpretem como um obstáculo e evitem o choque contra as paredes envidraçadas. “Foi uma solução que minimizou muito os acidentes no campus”, diz Gary Hartwell, gerente de projetos da Universidade de Smith. A película foi patenteada e já está em produção para ser comercializada nos EUA.

Veja vídeo que mostra ave colidindo contra fachada de vidro

Entrevistados
US Green Building Council (USGBC) (via assessoria de imprensa)
Gary Hartwell, gerente de projetos da Universidade de Smith-EUA (via departamento de comunicação)

Contatos
info@usgbc.org
facmgmnt@smith.edu

Crédito Fotos: USGBC e Smith.edu

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Shopping em terreno pequeno é a obra de 2016

Empreendimento construído em São Paulo usou elementos pré-fabricados de concreto, cuja complexidade superou estruturas das Olimpíadas do Rio

Por: Altair Santos

O shopping Morumbi Town, na cidade de São Paulo-SP, foi o vencedor do Prêmio Obra do Ano em pré-fabricados de concreto, que desde 2011 é concedido pela ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto). O empreendimento tem 30.800 m² e impôs desafios, tanto no contexto de engenheira quanto no de arquitetura e de logística. A construção está situada em um terreno pequeno, com grande movimentação de veículos e pessoas, o que exigiu planejamento minucioso e preciso para a montagem das estruturas.

Projeto estrutural do Morumbi Town: elementos pré-fabricados consumiram 6.076,72 m³ de concreto
Projeto estrutural do Morumbi Town: elementos pré-fabricados consumiram 6.076,72 m³ de concreto

O projeto estrutural das lajes e dos painéis é de Marcelo Cuadrado Marin, já o projeto estrutural dos pilares e das vigas ficou sob a responsabilidade do engenheiro Cesar Pereira Lopes. O fornecimento das estruturas de pré-fabricado de concreto ficou a cargo da Leonardi Construção Industrializada. O volume de concreto usado para produzir os elementos pré-fabricados chegou a 6.076,72 m³, para um edifício com 11 pavimentos e 38 metros de altura. A equipe técnica conseguiu desenvolver peças esbeltas com 80 MPa. Com isso, obteve significativa redução de seções na estrutura e também na seção das lajes, favorecendo o transporte.

Outro desafio foi o desenvolvimento de fachadas arquitetônicas, através de painéis de concreto com alto relevo. Eles se apóiam em estruturas metálicas, que se sobressaem para produzir efeito de sombreamento e volume. Quanto à sustentabilidade, além de muitos metros quadrados de iluminação natural foram projetadas paredes vivas com cinco tipos diferentes de plantas. O uso da vegetação, além de tornar a construção mais amigável ao meio ambiente, ajuda no desempenho térmico da edificação. “O elemento natural gera benefícios ao local, amenizando a radiação solar, graças ao sombreamento”, explica o engenheiro Cesar Pereira Lopes.

Obras da Rio 2016

Morumbi Town: prédio tem altura de 38 metros e exigiu logística para o transporte das peças
Morumbi Town: prédio tem altura de 38 metros e exigiu logística para o transporte das peças

O Morumbi Town concorreu com duas obras construídas para os Jogos Olímpicos Rio 2016: o Centro Olímpico de Tênis, que teve projeto estrutural de Charles J.R Hipólito e Antonio Monteiro, e projeto arquitetônico de Miriam Haddad Sayeg, e as arenas Carioca 1, 2 e 3, cujo projeto arquitetônico é de Celso Girafa e o projeto estrutural de João Luis Casagrande. Também foi conferida menção honrosa a outros dois empreendimentos que se destacaram no uso de estruturas pré-fabricadas de concreto: a Escola Senai São Caetano do Sul, no ABC paulista, e o shopping Carapicuíba, no interior de São Paulo.

Segundo Íria Doniak, presidente-executiva da ABCIC, o prêmio reconhece o empenho e a dedicação de todas as empresas e profissionais envolvidos com a construção industrializada de concreto. “Os projetos inscritos em diversos segmentos mostram a versatilidade dessa solução de engenharia, além de demonstrar o avanço tecnológico do segmento e sua importância em termos de técnica, qualidade, sustentabilidade, produtividade e cumprimento de prazos ousados”, disse. A premiação aconteceu dia 1º de dezembro, reunindo empresários, profissionais da indústria de pré-fabricados, engenheiros, arquitetos, representantes de entidades setoriais e de instituições governamentais de todo o país.

Entrevistados
- Engenheira civil Íria Doniak, presidente-executiva da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto) (via assessoria de imprensa)
- Equipe técnica da Leonardi Construção Industrializada (via assessoria de imprensa)

Contatos
abcic@abcic.org.br
atendimento@leonardi.com.br

Crédito Fotos: Leonardi Construção Industrializada

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

CAU terá primeira sede própria, e sustentável

Entre 210 projetos, venceu o que soube usar modernas tecnologias construtivas em prol do conforto e do baixo consumo energético

Por: Altair Santos

Para comemorar seis anos, o CAU (Conselho de Arquitetos e Urbanistas) apresentou recentemente o projeto de sua nova sede, que será construída em Brasília. O prédio vai dividir espaço com o IAB-DF (Instituto de Arquitetos do Brasil, regional Brasília). Com área útil de 5 mil m², a edificação vai custar R$ 14 milhões.

 Projeto da nova sede do CAU explora luminosidade e ventilação natural, além da energia renovável
Projeto da nova sede do CAU explora luminosidade e ventilação natural, além da energia renovável

Houve um concurso público para a escolha do projeto e o vencedor foi o assinado pelo São Paulo Arquitetos, e liderado pela arquiteta e urbanista Taís Cristina da Silva. Segundo a comissão julgadora, o projeto destacou-se pela “imagem forte e austera, com uma grande praça lateral de transição e convívio, e pela clareza na espacialização”. A arquiteta já venceu concursos para construir o centro judiciário de Curitiba, o aeroporto de Florianópolis e o teatro de Natal.

O concurso para a nova sede nacional do CAU teve 210 projetos concorrentes. “Nunca vi um concurso com tantas colaborações como este. Quero agradecer a todos os concorrentes por terem se disposto a oferecer essa contribuição para a primeira sede”, afirmou o presidente do conselho, Haroldo Pinheiro. “Tivemos uma diversidade muito grande de projetos. Mais uma vez o concurso se mostra a melhor forma de contratação de um projeto de arquitetura e urbanismo”, completa Igor Campos, coordenador do concurso.

Criado por decreto presidencial em 31 de dezembro de 2010, o Conselho de Arquitetos do Brasil lançou um livro com a sinopse dos 210 projetos que foram submetidos ao júri do concurso. Além disso, a obra traz dois projetos antigos e originais para a sede do IAB-DF. O primeiro deles, feito por Oscar Niemeyer na década de 1960; o outro, do arquiteto Aleixo Furtado, vencedor do primeiro concurso para a sede do IAB-DF, realizado em 1979. Nenhum dos dois projetos foi levado à frente.

Prédio verde
Na nova sede do CAU, metade da área será em subsolo e destinada exclusivamente a estacionamento, departamentos técnicos e prumadas de circulação vertical. Os demais pavimentos terão estrutura mista (concreto e aço) com fachada em vidro e amplos brises para ajudar na circulação do ar. Internamente, o prédio conta com vãos amplos, fundamentais no desempenho térmico da edificação.

O projeto atende aos conceitos de prédio sustentável e terá um telhado verde, além de placas fotovoltaicas instaladas na cobertura. O reuso da água também foi contemplado. O objetivo é permitir que pelo menos 15% da energia consumida à noite no edifício tenha origem na energia solar, e que 20% da água não-potável usada nas instalações venha do reuso.

Ainda não há previsão para o início das obras, mas a expectativa é de que comecem em 2017. Para a arquiteta Taís Cristina da Silva, a intenção fundamental foi fazer com que o projeto representasse os mais altos anseios de uma casa feita por, e para arquitetos. “Sabíamos que era uma disputa difícil, dado a importância do projeto e o número de concorrentes. Quando saiu o resultado foi uma alegria enorme”, afirmou.

Veja os 210 projetos que concorreram para a nova sede do CAU

Entrevistados
- Presidente Haroldo Pinheiro, presidente do CAU (conselho de Arquitetos e Urbanistas) (via assessoria de imprensa)
- Arquiteta Taís Cristina da Silva, da São Paulo Arquitetos (via assessoria de imprensa)

Contatos
atendimento@caubr.gov.br
tc@saopauloarquitetos.com

Crédito Foto: São Paulo Arquitetos

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Mesmo na crise, currículo não pode mentir

Às vezes, projetos que não deram certo, mas demonstram compromisso, podem contar muito mais sobre o candidato que informações falsas

Por: Altair Santos

Pode até ser compreensível que, na crise, e com a alta concorrência por vagas, o currículo ganhe tons mais carregados, a fim de levar o candidato até aquela entrevista decisiva. Mas cuidado: os departamentos de recursos humanos estão cada vez mais preparados para detectar mentiras curriculares. Afinal, no Brasil, como mostra recente pesquisa da consultoria Robert Half - empresa especializada em recrutamento -, 42% dos currículos enviados às empresas brasileiras estão carregados de mentiras.

Currículo é para retratar a vida profissional, e não peça de ficção
Currículo é para retratar a vida profissional, e não peça de ficção

As mais comuns estão relacionadas com as razões da saída de empregos anteriores, cargos que os candidatos dizem ter ocupado em suas carreiras, formação acadêmica e fluência em idiomas. A própria Robert Half desenvolveu um guia de como detectar essas mentiras. A orientação é que o recrutador pince dados aleatórios do currículo, trabalhe a emoção dos candidatos e busque saber mais sobre os resultados obtidos do que o cargo ocupado pelo pretendente.

Por isso, na hora de montar o currículo, vale o bom senso, além da verdade. Mesmo projetos que não deram certo, mas demonstraram comprometimento, podem contar muito mais sobre o candidato que uma mentira. Além disso, é preciso lembrar que os dados postados nas redes sociais também podem ser levados em conta pelos recrutadores - principalmente, se essas informações estão no Linkedin. Há headhunters que utilizam até softwares para fazer a triagem. São programas que caçam palavras-chave nos textos, tanto para detectar mentiras quanto para selecionar os perfis que mais interessam às empresas.

Dicas
O site americano Business Insider lista dicas sobre como passar pelos robôs que leem currículos. Entre elas:
1. Use palavras-chave no seu currículo pescadas no anúncio da vaga de emprego.
2. Não use cabeçalhos e rodapés. Eles podem fugir do foco do “software-robô”.
3. Use “bullet points” (pontos marcantes) para descrever suas conquistas e realizações em empregos anteriores. Isso facilita o uso das palavras-chave.
4. Escreva seu currículo com fontes-padrão para web, como Arial, Tahoma e Verdana.
5. Verifique a ortografia. Erros de português e de digitação podem excluir seu currículo das buscas.
6. Não se limite a confinar o currículo em uma página.
7. Não use abreviações.
8. Não use tabelas, gráficos ou logotipos. O software não lê esse tipo de informação.
9. Evite mandar seu currículo no formato PDF. Alguns softwares não conseguem ler esses arquivos.

Outra informação importante está relacionada à customização. Profissionais mais experientes devem montar seu currículo de maneira diferente em relação aos recém-formados e aos que buscam mudar de carreira. Para isso, é fundamental colocar as seções do currículo na ordem certa para cada perfil. Por exemplo, para quem já tem experiência no mercado, a ordem sugerida é: resumo, experiência profissional, educação, competências e certificações. Já os recém-formados devem iniciar por educação, seguido de experiência, liderança, prêmios e outras atividades. Para quem quer mudar de carreira, a ordem é a seguinte: objetivo, experiência relevante, experiência adicional, educação, competências e certificados.

Entrevistado
Robert Half consultoria (via assessoria de imprensa)

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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Obelisco de Washington passará por reforma estrutural

Monumento foi abalado por terremoto e furacão que atingiram o nordeste dos EUA, em 2011, e custo das obras será bancado por filantropia

Por: Altair Santos

O Obelisco de Washington, um dos monumentos mais visitados dos Estados Unidos, será reformado e permanecerá fechado ao público até 2019. A estrutura com 169 metros de altura passará por uma série de obras, que vão desde a modernização do sistema de elevador até a recuperação das partes em concreto armado. Esta é a segunda fase do retrofit no Obelisco de Washington, que começou em 2012.

Obelisco de Washington ficará fechado para visitação até 2019
Obelisco de Washington ficará fechado para visitação até 2019

A primeira etapa foi finalizada em 2014, e o objetivo era restaurar as fundações e parte do revestimento que trincou por causa de um terremoto e do furacão Irene, que atingiram o estado da Virginia, na região nordeste dos Estados Unidos, em 2011. O abalo e os fortes ventos causaram 150 fissuras no concreto e também nas pedras de mármore e granito que revestem externamente o monumento.

O gestor das obras será a National Park Service - agência estatal que cuida da preservação dos monumentos norte-americanos. No entanto, ela não precisará desembolsar recursos. A reforma, que começa em 2017, será custeada por uma ação de filantropia. O empresário David M. Rubenstein comprometeu-se a contribuir com US$ 3 milhões (mais de R$ 10 milhões) para bancar a reforma. Esse tipo de doação é comum entre milionários dos Estados Unidos, pois permite abatimentos compensadores na declaração de imposto de renda.

Rubenstein lidera um grupo que administra fundos de investimento, com negócios em todo o mundo. Não é a primeira vez que ele contribui para reparar o Obelisco de Washington. Em 2011, quando o monumento foi abalado pelo terremoto e pelos ventos do furacão Irene, o empresário doou US $ 7,5 milhões.

O Lincoln Memorial e o memorial aos combatentes de guerra dos Estados Unidos também já receberam doações de David M. Rubenstein, para que fossem restaurados. O primeiro monumento contou com a generosa contribuição de US$ 18,5 milhões, enquanto ao US Marine Corps War Memorial foram doados US$ 5,37 milhões.

Marco arquitetônico
Em comunicado recente à imprensa, a direção da National Park Service agradeceu a filantropia de David M. Rubenstein. "O apoio contínuo do Sr. Rubenstein ao Obelisco de Washington garantirá que gerações de visitantes possam desfrutar com segurança deste monumento histórico ao longo das próximas décadas”, diz a nota assinada pelo diretor da National Park Service, Jonathan B. Jarvis. Anualmente, o obelisco recebe a visita de aproximadamente 600 mil pessoas.

Construído em homenagem ao primeiro presidente dos Estados Unidos, George Washington, o obelisco começou a ser erguido em 1848 e só foi inaugurado em 1888. Entre 1854 e 1877, a obra do monumento foi paralisada, por causa da guerra civil norte-americana. Projetado pelo arquiteto Robert Mills, o Obelisco de Washington tem contribuições importantes à engenharia e à arquitetura. Principalmente, nos quesitos fundações em concreto armado e conceitos aerodinâmicos para edificações com mais de 100 metros de altura.

Entrevistado
Jonathan B. Jarvis, diretor da National Park Service (via assessoria de imprensa)

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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

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