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Concreto têxtil, o futuro do concreto armado

Área Técnica, Patologias, Sobre Concreto 18 de junho de 2015

UFRGS é a primeira universidade brasileira a iniciar pesquisa sobre nova tecnologia, que já é usada em obras na Alemanha e outros países europeus

Por: Altair Santos

As pesquisas sobre reforços estruturais do concreto armado, desencadeadas em todo o mundo, culminaram, em 2009, na descoberta de um novo material que tende a revolucionar a construção civil nas próximas décadas. Trata-se do concreto têxtil ou, como é chamado no exterior, textile-concrete. O invento, desenvolvido primeiramente na Alemanha, é uma rede formada por polímeros, fibras de carbono, vidro e resinas epóxi, capaz de substituir as armaduras de aço que há quase 200 anos compõem as estruturas de concreto armado.

Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, diretor da Escola de Engenharia da UFRGS: concreto-têxtil é um grande avanço, pois não corrói com a ação do tempo

Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, diretor da Escola de Engenharia da UFRGS: concreto têxtil é um grande avanço, pois não corrói com a ação do tempo.

O material tem uma configuração semelhante aos tecidos, por isso o nome concreto têxtil. “Esse polímero é introduzido dentro do concreto, substituindo a armadura tradicional. Com isso, o concreto pode ser moldado de outras maneiras, com sessões menores, além de ficar livre de corrosões. Ele põe fim também à questão da falta de cobrimento e, com isso, pode viabilizar estruturas mais eficientes e mais elegantes”, explicou o professor Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, diretor da Escola de Engenharia da UFRGS, que recentemente palestrou no 11º Congresso Internacional de Patologia e Recuperação de Estruturas (Cinpar), realizado de 10 a 12 de junho nas dependências da Unisinos, em São Leopoldo-RS.

Na Alemanha, o concreto têxtil derivou do carboconcrete. O material apresentou-se tão forte quanto as armaduras de aço, mas com 25% do peso do concreto armado e com maior durabilidade. Além disso, em contraste com os componentes do aço das armaduras convencionais, o concreto têxtil não oxida, o que o torna extremamente eficiente em estruturas que tenham que ficar em contato com a água. Outra vantagem é que ele permite construir peças pré-fabricadas com 10 milímetros de espessura e resistência à tração de até 165 MPa.

Concreto têxtil: em vez de armadura de ferro, um tecido com fibra de carbono altamente resistente.

Concreto têxtil: em vez de armadura de ferro, um tecido com fibra de carbono altamente resistente.

Primeira obra

A primeira aplicação prática do concreto têxtil está exposta na cidade de Albstadt, na Alemanha. É uma passarela com 100 metros de comprimento, inaugurada no final de 2010, e que impressiona pela esbelteza de suas linhas. Em Porto Alegre, se pretende construir obras semelhantes. O objetivo é viabilizar duas passarelas dentro do campus da UFRGS, melhorando acessos a paradas de ônibus. Em abril de 2015, a universidade trouxe uma delegação de outra empresa alemã que desenvolve concreto têxtil – a Solidian –, para a implantação do projeto e a produção do material nos laboratórios do departamento de engenharia civil da UFRGS. “Fechamos acordo para ter a primeira estrutura de concreto têxtil da América Latina”, revelou Luiz Carlos Pinto da Silva Filho.

A pesquisa sobre concreto têxtil dentro da universidade gaúcha está a cargo do LEME (Laboratório de Ensaios e Modelos Estruturais). Dois engenheiros da Solidian, Christian Kulas e Roland Karle, já estiveram na UFRGS palestrando sobre o material e firmando convênios para o desenvolvimento no Brasil. Na Alemanha, o concreto têxtil foi desenvolvido inicialmente dentro dos laboratórios da Universidade Técnica de Dresden, em parceria com o Instituto de Pesquisa Têxtil Saxon (STFI), localizado em Chemnitz. Na apresentação dos estudos, os pesquisadores definiram o textile-concrete como o concreto armado do futuro.

Passarela construída com concreto têxtil, em Albstadt, na Alemanha: material já é aplicado em construções.

Passarela construída com concreto têxtil, em Albstadt, na Alemanha: material já é aplicado em construções.

Entrevistado
Engenheiro civil Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, professor-titular e diretor da Escola de Engenharia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
Contatos
lcarlos@cpgec.ufrgs.br
lcarlos66@gmail.com

Créditos Fotos: Divulgação/Cia. Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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