No Texas, tecnologia 3D imprime casas com concreto bactericida

Crédito: ICON Build
Quatro casas construídas em Austin, no Texas-EUA, indicam qual será o futuro das residências em tempos de pandemia. Impressas com tecnologia 3D, as construções utilizam concreto bactericida patenteado como Lavacrete. O material utiliza Cimento Portland e aditivos especiais, o que dispensa o acabamento com argamassa e protege as paredes contra invasores microscópicos, como bactérias e fungos. Com resistência de 41 MPa, o concreto também cria estruturas resistentes a terremotos, tornados e furacões.
As residências foram impressas em 7 dias e, a exemplo do que já ocorre na Alemanha, não fazem parte de nenhuma experimentação. As construções serão colocadas à venda no mercado imobiliário da capital texana. Cada unidade tem 2 pavimentos. O inferior é impresso em 3D, sobre um radier de concreto, e o superior utiliza o sistema steel frame. "A comprovada tecnologia de impressão 3D oferece residências mais seguras e resistentes, projetadas para suportar incêndios, enchentes, vento e outros desastres naturais. O desempenho é melhor que o das casas construídas convencionalmente", diz o cofundador da ICON, Jason Ballard.

Crédito: ICON Build
Atuando na aplicação da impressão 3D dentro da construção civil desde 2017, a ICON é a desenvolvedora da impressora, batizada de Vulcan, e do Lavacrete - o concreto bactericida. “O Lavacrete talvez seja nossa melhor descoberta ao longo do desenvolvimento. Testando aditivos, e anexando soluções que dessem resiliência ao material, chegamos a um concreto que une resistência, ótimo desempenho térmico e acústico, e que serve de escudo às ameaças climáticas e aos inimigos invisíveis com as quais hoje temos que conviver. Além disso, é quase 100% imune às patologias que ameaçam os concretos convencionais”, assegura Ballard.
Construções estão em um bairro sustentável que surge em Austin: o East 17th Street
As casas construídas em Austin são o 24º projeto com impressão 3D desenvolvido pela ICON. Associada a outra startup da construção civil, a 3Strands, chegou-se a um preço competitivo para que a obra pudesse ser ofertada no mercado imobiliário dos Estados Unidos. Cada unidade será vendida por 450 mil dólares. “Este projeto representa um grande passo à frente, ultrapassando os limites de novas tecnologias e casas impressas em 3D”, resume Gary O'Dell, cofundador e CEO da 3Strands.

Crédito: ICON Build
As construções estão em um bairro sustentável que surge em Austin: o East 17th Street. O foco do projeto é abrir espaço para construções inovadoras no âmbito habitacional. "As residências do East 17th Street representam o futuro da construção de casas para o mercado imobiliário e ilustram o que é possível fazer com o emprego de novas tecnologias”, comenta Gary O'Dell. O empreendedor avalia que iniciativas desse porte são capazes de combater o déficit habitacional nos EUA, que em 2020 era de 2,5 milhões de unidades unifamiliares. “Podemos progredir na construção de alta velocidade para atender a demanda por habitações”, completa.
O projeto arquitetônico das casas é assinado pela Logan Architecture. A qualidade da impressão 3D em concreto levou a empresa a abdicar de acabamento para as paredes, tanto no lado externo quanto interno. “Optou-se por uma arquitetura minimalista, que valorize as características da impressão 3D”, justifica a designer Claire Zinnecker, que projetou as plantas das casas.
Veja o processo de construção das casas
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ICON Build (via assessoria de comunicação)
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SENAI auxilia pequenas construtoras a se adequarem ao PBQP-H

Crédito: Moacir Evangelista/Sistema Fibra
Os 4 Institutos SENAI de Tecnologia em Construção Civil, que existem no Paraná, em Brasília, em São Paulo e na Bahia, agora prestam consultoria às pequenas empresas que queiram aderir ao Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat (PBQP-H). A vantagem de obter a certificação é que ela serve de pré-requisito para a concessão de financiamentos habitacionais em instituições financeiras, seja na Caixa Econômica Federal ou em outro banco.
A consultoria é destinada a todas as empresas que atuam no setor de execução de obras e elaboração de projetos. Primeiro, os técnicos dos Institutos SENAI de Tecnologia em Construção Civil realizam um diagnóstico da empresa, estruturam e padronizam os processos de produção e execução. O objetivo é garantir que todos os requisitos exigidos pela auditoria que concede a certificação sejam atendidos. Tanto a construtora quanto o escritório de projetos podem requerer um dos 2 níveis do PBQP-H, que são o A e o B.
As diferenças entre os níveis estão relacionadas com a quantidade de serviços e materiais controlados durante a obra, além do volume de requisitos atendidos, e que estão estabelecidos no referencial normativo SiAC (Sistema de Avaliação da Conformidade de Empresas de Serviços e Obras da Construção Civil). Até o final de 2020, 1.894 construtoras estavam certificadas pelo PBQP-H. O ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), onde o programa está inserido, quer ampliar esse número para 3 mil até o final de 2022.
Cartilhas explicam como as empresas podem buscar a certificação no PBQP-H
Por isso, o MDR lançou no ano passado 3 cartilhas que explicam como as empresas podem buscar a certificação. Elas abordam os procedimentos sob 3 aspectos: o do construtor, do fabricante de materiais e do consumidor. Os documentos também estimulam a busca por sistemas inovadores de construção. Tanto é que o PBQP-H irá coordenar um concurso público para selecionar projetos inovadores no âmbito do programa Casa Verde e Amarela.
Atualmente, o PBQP-H é coordenado pela arquiteta e urbanista Rhaiana Bandeira Santana. Criado em 1998, o programa tem o propósito de induzir boas práticas e estimular a conformidade técnica dentro da cadeia produtiva da construção civil, através de 3 sistemas. Além do SiAC, o SiMaC (Sistema de Qualificação de Empresas de Materiais, Componentes e Sistemas Construtivos) e o SiNAT (Sistema Nacional de Avaliação Técnica de Produtos Inovadores e Sistemas Convencionais).
Os Institutos SENAI de Tecnologia em Construção Civil seguem os requisitos desses sistemas quando prestam assessoria às construtoras. Os IST também auxiliam na adequação das empresas à Norma de Desempenho (ABNT NBR 15575). Um exemplo é o instituto inaugurado na década passada em Ponta Grossa-PR, que foi projetado e equipado para testar materiais e sistemas construtivos que atendam aos requisitos da norma. Nos laboratórios do IST localizado no Paraná é possível comprovar a qualidade e a segurança das edificações sob o ponto de vista estrutural, térmico, acústico e de resistência ao fogo.
Acesse as cartilhas do PBQP-H
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Ponte pré-fabricada de quase 1.000 m é instalada em 7 horas

Crédito: Siegener Beitung
No dia 5 de março de 2021, uma das pontes da Autobahn 45, em trecho próximo a Dortmund, na Alemanha, foi instalada no eixo rodoviário em pouco menos de 7 horas. Pré-fabricada com estrutura mista (concreto e aço) a obra de arte com 984,5 metros de comprimento foi montada paralelamente à estrada, a fim de não interromper o tráfego de veículos. Depois da demolição da antiga ponte, e da construção dos pilares da nova estrutura, a ponte foi movida lateralmente por cabos de aço até se encaixar na rodovia. O custo de construção e da operação fechou em 179 milhões de euros.
A estrutura de 30 mil toneladas foi deslocada por 19 metros e 15 centímetros em 6 horas e 50 minutos. Trata-se da obra de maior envergadura a passar por esse modelo de engenharia na Europa. O planejamento foi decisivo para o sucesso da operação. Ao longo de 1 ano, aconteceu uma série de simulações na Suíça para testar todos os riscos envolvendo o deslocamento da ponte. O projeto de substituição da antiga obra de arte, construída em 1967, foi concebido em 2013.
Todos os dias, cerca de 90.000 veículos passam pela ponte, que originalmente foi construída com 4 faixas (duas em direção a Dortmund e duas no sentido contrário, em direção a Frankfurt). A nova estrutura tem 3 faixas. Quando todo o complexo rodoviário for concluído, serão 6 faixas. “A operação bem-sucedida abre o caminho para futuros projetos de construção. Viabilizar uma ponte sem interromper o tráfego de veículos é particularmente importante em rotas movimentadas e uma vantagem imensa para as concessionárias", afirma Elfriede Sauerwein-Braksiek, diretora da Autobahn GmbH, concessionária da A45.
Expectativa é de que tecnologia seja usada na reconstrução de duas novas pontes

Crédito: Hochtief
Para deslocar a ponte foram conectadas 15 unidades hidráulicas com cabos de aço. "O viaduto foi puxado, em vez de empurrado", diz Michael Neumann, gerente de projeto da Autobahn GmbH. Para fazer com que a estrutura deslizasse, foram instaladas vigas corrediças de concreto cobertas por teflon e untadas com graxa especial para reduzir o atrito. Também houve atenção com as condições meteorológicas na região, pois era necessário coincidir a operação com um dia ensolarado e pouco vento, a fim de facilitar a movimentação da estrutura. O planejamento permitiu que a ponte percorresse 30 metros por hora.
Ao longo da A45 existem 70 pontes e viadutos. Três outras obras de arte estão em reconstrução e existem planos de replicar a tecnologia de deslocamento em outras duas que serão reconstruídas. Além disso, a operação mobilizou todos setores de infraestrutura da Alemanha. “Isso mostra mais uma vez que os engenheiros civis podem estabelecer padrões elevados e, finalmente, alcançá-los”, avalia Enak Ferlemann, secretário do ministério de transportes do país. “Essa não é apenas uma conquista notável da engenharia, mas que deixa um legado inovador para ser aplicado em futuras obras”, completa.
Veja arte sobre a operação de deslocamento da ponte
Assista ao vídeo que mostra o encaixe da ponte no eixo rodoviário da A45
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Autobahn GmbH, concessionária da A45 na Alemanha (via departamento de comunicação)
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Caixa aposta em venda na planta para novas obras habitacionais

Crédito: Caixa Econômica Federal
A Caixa Econômica Federal cria novos estímulos para atrair consumidores que desejem adquirir a casa própria. Entre eles, o incentivo à aquisição do imóvel na planta. “A plataforma do banco voltada para essa modalidade de negócio é atraente tanto para quem compra quanto para quem constrói”, revela o superintendente-executivo de habitação da Caixa para Curitiba-PR e região, João Gilberto Rufini, em webinar promovido pelo SindusCon-PR.
O dirigente aponta que o banco decidiu atrelar a liberação de recursos ao construtor à capacidade do empreendimento de atrair financiamentos imobiliários ainda na fase de venda na planta. O novo pacote faz parte das recentes medidas anunciadas pela Caixa para estimular pequenas e médias empresas a manterem um bom volume de obras em 2021, e que passam a entrar em vigor ao longo do mês de março.
A linha de crédito que incentiva a aquisição de financiamento imobiliário na planta é chamada pela Caixa de “apoio à produção”. Ela promove a liberação de recursos ao construtor de acordo com a adesão dos mutuários ao empreendimento ainda em sua fase de lançamento. No webinar do SindusCon-PR, João Gilberto Rufini exemplificou como funciona a modalidade. “Se o empreendimento tiver 100 unidades habitacionais, e conseguir vender 30% delas, a Caixa libera 100% dos recursos para a obra”, explica.
O superintendente-executivo de habitação da Caixa para Curitiba-PR e região ressalta, porém, que a construtora terá que passar por análise de risco, de engenharia e jurídica para que o banco possa considerá-la apta a acessar esse modelo de financiamento. Segundo o dirigente da Caixa, o processo é bem criterioso para que haja a certeza de que o empreendimento será entregue aos mutuários, sem risco de que a aquisição do imóvel na planta vire “dor de cabeça”.
Saiba quais são as vantagens para clientes e construtores
João Gilberto Rufini também expôs as vantagens desse tipo de contrato para o cliente, que são:
- Congelamento do saldo devedor até que a obra seja entregue.
- Vigência de seguro MIP (Morte ou Invalidez Permanente) desde o início da obra.
- Possibilidade de utilizar o FGTS.
- Garantia de término da obra.
- Garantia do financiamento nas condições atuais, independentemente de mudanças na economia.
- Sem pagamento de mensalidades semestrais ou anuais.
- Suspensão de cobrança, em caso de atraso da obra superior a 180 dias.
Para as construtoras, as vantagens são as seguintes:
- Impossibilidade de distrato.
- Garantia de recursos para a conclusão do empreendimento.
- Utilização de recursos dos financiamentos obtidos com a venda na planta para a execução do empreendimento.
As novas medidas da Caixa estão ancoradas nos resultados da carteira de financiamento habitacional obtidos em 2020 pelo banco. No ano passado, foram concedidos 509 bilhões e 800 milhões de reais em crédito habitacional, superior aos 465 bilhões e 100 milhões de reais financiados em 2019. Dentro desse volume de recursos, as contratações com recursos da poupança (SBPE) evoluíram de 26 bilhões e 600 milhões para 53 bilhões e 700 milhões em 2020, ou seja, com crescimento superior a 100%.
Assista à íntegra do webinar promovido pelo SindusCon-PR
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Reportagem com base no webinar “Panorama da habitação”, realizado dia 9 de março pelo SindusCon-PR
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Brasil busca “selo verde” para ferrovias, a fim de atrair investidor

Crédito: Valec
O governo brasileiro busca o "selo verde" da Climate Bonds Initiative para 3 eixos ferroviários no país: a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO) e a Ferrogrão. Com o “selo verde”, os projetos poderão acessar financiamento no mercado de green bonds (títulos verdes) que envolve fundos internacionais direcionados a obras sustentáveis. Estima-se que esses fundos tenham cerca de 700 bilhões de dólares para investir em empreendimentos que comprovem menor emissão de CO₂ na atmosfera. No entanto, eles só se interessam por projetos que tenham o aval da Climate Bonds Initiative. Trata-se de um organismo internacional que certifica obras de infraestrutura que contribuem com a sustentabilidade ambiental.
O documento a ser encaminhado à Climate Bonds Initiative mostra que a FIOL, a Ferrogrão e a FICO reduzirão a emissão de CO₂ em 84%, 77% e 74%, respectivamente. As razões estão relacionadas com a retirada de caminhões das rodovias, ao fato do modal ferroviário reduzir o uso de asfalto como pavimento e à construção industrializada de concreto na fabricação de dormentes e nos projetos de pontes, viadutos e túneis. O estudo a ser encaminhado à Climate Bonds Initiative foi elaborado pela Empresa de Planejamento e Logística, a pedido do ministério da Infraestrutura. “A medida busca aumentar a atratividade dos projetos de infraestrutura do governo federal”, explica Arthur Lima, diretor-presidente da EPL (Empresa de Planejamento e Logística). Duas das 3 ferrovias - a FIOL e a Ferrogrão - irão a leilão até o final do 2ª trimestre de 2021.
No começo de março, a Norte-Sul teve mais um trecho inaugurado
Para o ministério da Infraestrutura, a FIOL é a prioridade das prioridades neste ano. “Prioridade absoluta para nós é a FIOL. Temos uma previsão de 488 milhões de reais na lei orçamentária de 2021. Mas isso não é suficiente para avançarmos na velocidade que a gente quer”, diz o ministro Tarcísio Gomes de Freitas. Quando concluída, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste irá se conectar com a FICO e com a Norte-Sul no estado de Tocantins. No começo de março, a Norte-Sul teve mais um trecho inaugurado. Agora ela vai de São Simão-GO até Estrela D'Oeste-SP sem interrupção. Já as obras da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste estão previstas para começar em abril. A FICO tem orçamento previsto de 4 bilhões e a expectativa é que seu 1º trecho entre em operação em 2026.
Quanto à Ferrogrão, a ferrovia terá extensão de 933 quilômetros, conectando a região produtora de grãos do Mato Grosso ao Pará, desembocando no Porto de Miritituba. A expectativa é que o projeto seja licitado ainda no 1º semestre de 2021. “A Ferrogrão será um grande corredor ecológico, uma barreira verde que vai ligar o norte do Mato Grosso aos portos do Pará e reduzir em 1 milhão de toneladas por ano a emissão de CO₂ da atmosfera”, atesta Tarcísio Gomes de Freitas. O governo espera que, com o “selo verde”, a Ferrogrão possa atrair 12 bilhões de reais em investimentos privados. “Cada vez mais os fluxos financeiros estarão atrelados aos padrões ambientais. Por isso, precisamos fazer projetos sustentáveis para atrair esses fundings”, completa o ministro.
Entrevistado
EPL (Empresa de Planejamento e Logística) (via assessoria de imprensa)
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Itália homenageia Lina Bo Bardi, a arquiteta do concreto armado

Crédito: Instituto Bardi
Nascida na Itália, a arquiteta Lina Bo Bardi radicou-se no Brasil no período pós-Segunda Guerra Mundial. No país, consolidou um estilo e deixou seu legado construído fundamentalmente com concreto armado. Foi assim que concebeu o projeto do MASP, da Casa de Vidro e do SESC Pompéia – suas obras mais icônicas na cidade de São Paulo-SP. Como homenagem póstuma à arquiteta, que morreu em 1992, a Bienal de Arquitetura de Veneza, na Itália, concede o prêmio Leão de Ouro pelo conjunto da obra de Lina Bo Bardi.
O curador da 17ª edição da bienal, Hashim Sarkis, definiu assim a arquiteta: “Sua carreira como designer, editora, curadora e ativista nos lembra o papel do arquiteto como organizador e, mais importante, como construtor de visões coletivas. Lina Bo Bardi também exemplifica a perseverança da arquiteta em tempos difíceis, sejam guerras, conflitos políticos ou imigração, e sua capacidade de permanecer criativa, generosa e otimista o tempo todo. Seus edifícios exprimem isso, pela forma como unem arquitetura, natureza e vida.”
Sarkis também aponta Lina Bo Bardi como grande influenciadora da arquitetura no século 20. Naturalizada brasileira, ela torna-se a terceira do país a ter seu trabalho reconhecido pela Bienal de Arquitetura de Veneza. Antes, haviam sido homenageados Oscar Niemeyer e Paulo Mendes da Rocha, que foram agraciados em 1996 e 2016, respectivamente. O prêmio póstumo do Leão de Ouro coincide com a celebração dos 70 anos da Casa de Vidro - primeiro projeto de Lina Bo Bardi no Brasil.
Concreto é um material que sabe manifestar o pensamento do arquiteto
A Casa de Vidro, construída em 1951 no bairro Morumbi, em São Paulo-SP, é hoje sede do Instituto Bardi, criado em 1990, e onde ficará o Leão de Ouro quando chegar ao Brasil, provavelmente em julho deste ano. Mas a obra mais emblemática de Lina Bo Bardi é o Museu de Arte de São Paulo, o MASP, considerado um marco da arquitetura brutalista no Brasil. A Bienal de Arquitetura de Veneza define assim a obra: “Trata-se de um grande paralelepípedo de concreto e vidro que surge suspenso no vazio, a 8 metros do solo, sustentado por dois pilares vermelhos gigantes. O museu é concebido como um espaço pensado para as pessoas, com os seus espaços abertos, paredes móveis, suportes transparentes rodeados de espaços relacionais de encontro que favorecem o convívio social.”
Entre 1977 e 1986, também em São Paulo-SP, Lina Bo Bardi aproveitou a estrutura de uma antiga fábrica de tambores de óleo para projetar o centro social SESC - Fábrica da Pompéia. Do projeto saiu um gigantesco centro comunitário, recreativo, cultural e esportivo. Mais uma vez, a arquiteta não economizou no uso de concreto aparente. Uma vez, perguntaram sobre o que a inspirou projetar o MASP e o SESC Pompéia, Lina Bo Bardi confessou que via nos conceitos do “movimento brutalista” o resumo do que imaginava ser a arquitetura. Sobre o concreto, ela o definiu assim: “É um material que se manifesta como o efetivo meio de expressão para unir quem vê a obra ao pensamento do arquiteto e ao processo criativo que na obra foi materializado."
Entrevistado
Bienal de Arquitetura de Veneza e Instituto Bardi
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Consumidor de imóvel no Sul está mais cauteloso em 2021

Crédito: Governo de SC
Pesquisa divulgada pela Brain Inteligência Estratégica, sob encomenda da ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) mostra que o consumidor de imóveis nos 3 estados do Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) é o mais cauteloso para investimentos em 2021. Em comparação aos compradores de outras regiões do país, os sulistas são os que têm a menor intenção de compra para os próximos meses. O percentual de quem quer trocar de imóvel está em 35%, dos quais 9% já abriram negociação e 26% encontram-se na fase de pesquisa pela internet. No período pré-pandemia de COVID-19, a intenção de compra no Sul estava em 43%.
O centro-oeste é o que registra a maior taxa de intenção de compra, com 47%, seguido do Nordeste, com 46%. Nos estados do Sudeste (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo) o desejo pela troca de moradia está em 41%. De acordo com os representantes de construtoras que atuam no Sul do país, os fatores que mais influenciam os consumidores do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul estão relacionados à expectativa futura da taxa de juros para financiamento imobiliário, ao preço e à qualidade dos imóveis. “Sempre há bom mercado para bons produtos. O que esse consumidor quer é a oferta de imóveis que possam tirá-lo da zona de conforto”, avalia Leandro Melnick (presidente do conselho da Melnick e CEO da Even).
Já Thales Silva, diretor comercial da Rôgga, e Leonardo Yoshii (presidente do grupo A.Yoshii), acreditam que a tecnologia será capaz de despertar o comprador no Sul do país. A Rôgga passou a investir fortemente na construção industrializada para manter seus preços competitivos, enquanto a A.Yoshii fez um investimento forte em tecnologia para venda online, confiando em que as vendas se manterão aquecidas devido ao baixo estoque de imóveis, principalmente nas capitais da região sul. “Achamos que se as taxas de juros se mantiverem baixas elas continuarão funcionando como injeção na veia do mercado. Por isso, encaramos 2021 com otimismo, mas com os pés no chão”, revela Leonardo Yoshii.
Pesquisa mostra que demanda por moradias passa de 900 mil unidades na região
Para Rodrigo Putinato, diretor nacional de vendas da Cyrela e CEO da regional sul, o que mais preocupa o setor no momento é o descolamento do INCC de outros índices inflacionários. “Há um receio de que ele possa vir a prejudicar futuros projetos voltados para o Casa Verde e Amarela”, avalia. O INCC (Índice Nacional de Custo de Construção) é uma taxa calculada mensalmente pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) para medir o aumento dos custos dos insumos utilizados em construções habitacionais. O índice é utilizado para reajustar as parcelas dos contratos de compras de imóveis em fase de construção.
A pesquisa da Brain Inteligência de Mercado também mostra quais são as preferências dos consumidores do sul. A maioria, 48%, prefere imóveis novos, dos quais 32% buscam os já construídos, enquanto 16% optam pela compra na planta. Outro dado apresentado é que o déficit habitacional nos 3 estados (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) representa 11,69% do índice nacional. Significa que há uma defasagem de 912.045 moradias na região (331.920 no Rio Grande do Sul, 324.522 no Paraná e 255.603 em Santa Catarina). Segundo o presidente da ABAINC, Luiz França, a manutenção da mais baixa taxa de juros da história tende a ajudar a combater esse déficit. “Estamos falando do melhor momento para o tomador de financiamento imobiliário. A tendência é que continue assim em 2021”, finaliza.
Veja o vídeo completo da apresentação
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Reportagem com base no webinar “Expectativa do mercado imobiliário na região Sul do Brasil”, promovido pela Brain Inteligência Estratégica, junto com a ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias)
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Começa a construção do mais longo túnel imerso do mundo

Crédito: Femern Link Contractors
Dia 2 de fevereiro de 2021 marcou o início da construção do mais longo túnel imerso do mundo. O Fehmarnbelt Tunnel vai cruzar 17 quilômetros e 600 metros do Mar Báltico, ligando a Alemanha à Dinamarca. A obra leva o título de túnel imerso mais longo por causa da forma como será construído. Grandes aduelas pré-moldadas de concreto serão submersas e encaixadas no fundo do mar para formar a estrutura. O EuroTúnel, que liga a França à Inglaterra, apesar de ter uma extensão de 50 quilômetros para vencer o Canal da Mancha, trata-se de um túnel escavado no subsolo marítimo e não imerso no mar.
O amadurecimento do projeto do Fehmarnbelt Tunnel levou 12 anos. Vem desde 2008, quando Alemanha e Dinamarca assinaram um tratado para viabilizar a obra. Em seguida, demorou mais de uma década para que a legislação necessária fosse aprovada pelos dois países e para a realização de estudos de impacto geotécnico e ambiental. O governo dinamarquês deu mais agilidade ao processo, enquanto a Alemanha precisou enfrentar judicialmente uma série de organizações - empresas de balsas, grupos ambientais e prefeituras - que apelaram contra o projeto.

Crédito: Femern Link Contractors
A um custo de 7 bilhões de euros, o Fehmarnbelt Tunnel ficará submerso a 40 metros em seu ponto mais profundo. Foi escolhido o trecho mais estreito entre a Alemanha e a Dinamarca para sua instalação: o Fehmarn Belt, um estreito entre a ilha alemã de Fehmarn e a ilha dinamarquesa de Lolland. A joint venture Femern Link Contractors é a responsável pela obra, e tem a liderança da francesa Vinci - a 5ª maior empreiteira do mundo. As obras foram iniciadas no lado dinamarquês, onde também está a fábrica de pré-moldados que fornecerá as aduelas para o túnel. A construção vai empregar 2.000 trabalhadores no auge da produção.
Obra será de duplo modal e travessia entre os países será feita em 10 minutos

Crédito: Femern Link Contractors
O Fehmarnbelt Tunnel será de duplo modal: rodoviário e ferroviário. Atualmente, a travessia mais utilizada entre os dois países é por balsa e leva 45 minutos. Com a nova obra, prevista para ficar pronta em 2029, o trajeto de trem levará 7 minutos e de carro 10 minutos. O túnel terá 8,9 metros de altura e 42,2 metros de largura. A estrutura submersa será formada por 89 elementos pré-moldados de concreto. Cada peça pesará 73.500 toneladas e medirá 217 m de comprimento. Antes das aduelas serem lançadas ao mar serão dragados 15,5 milhões de m³ do solo marítimo para fazer a “terraplanagem” do terreno.
O volume de concreto para a construção dos elementos pré-moldados é estimado em 2.480.000 m³, segundo cálculos que constam na especificação do projeto. Outras obras que exigirão concreto na construção do túnel consumirão mais 570.000 m³. A tecnologia para viabilizar o Fehmarnbelt Tunnel não é nova. Já foi aplicada com sucesso na construção do Öresund, que também cruza o Mar Báltico e liga Copenhague, na Dinamarca, a Malmö, na Suécia. Essa obra tem 16 quilômetros de extensão, incluindo o trecho de ponte estaiada e o túnel submarino. Inaugurado em 2000, o Öresund é uma das obras mais premiadas da engenharia moderna.

Crédito: Femern Link Contractors
Acesse o projeto detalhado do Fehmarnbelt Tunnel
Assista ao vídeo de como será construído o túnel
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Femern Link Contractors, joint venture de construtoras para executar a obra do Fehmarnbelt Tunnel (via departamento de comunicação)
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Pesquisadores atuam para Brasil ter norma técnica de UHPC

Crédito: ZKP
No Brasil, o concreto de ultra-alto desempenho ainda está delimitado ao campo das pesquisas. Conhecido pela sigla UHPC - abreviação do termo em inglês Ultra-High Performance Concrete -, esse tipo de concreto precisa de uma norma técnica para ganhar credibilidade e conquistar o mercado nacional. É isso que o grupo de trabalho 5 (GT5) do comitê técnico 303 do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto) passou a priorizar.
O GT5 trabalha na elaboração de 3 documentos que servirão de texto-base para uma futura norma técnica brasileira de UHPC. O trabalho abrange especificações, dimensionamento, produção e classificação do concreto de ultra-alto desempenho. Atualmente, França, Japão e Canadá são os países que possuem as normas técnicas mais consolidadas para a aplicação desse tipo de concreto.
A informação sobre o trabalho do GT5 foi passada pelo pesquisador Roberto Christ, em palestra virtual realizada dentro do 1º Seminário Nacional de Obras Civis. O evento foi promovido pelo Instituto de Engenharia do Paraná, em parceria com o Grupo IDD. Engenheiro civil, Christ faz parte da equipe do ittPerformance, da Unisinos-RS, e estuda o concreto de ultra-alto desempenho há 11 anos.
O pesquisador resume o que faz do UHPC um concreto especial: “Trata-se de um concreto que apresenta grande resistência mecânica, possui alta fluidez e elevado desempenho. Ele incorpora propriedades de 3 tipos de concretos: reforçado com fibra, de alto desempenho e autoadensável. Os conceitos desses materiais originaram o UHPC.”
Veja outras características do UHPC mostradas por Roberto Christ em sua palestra:
- O UHPC é um concreto de matriz cimentícia, homogêneo com baixa porosidade e elevadas resistências à compressão e à tração na flexão.
- O desempenho do UHPC é devido principalmente à sua elevada densidade da matriz cimentícia, onde praticamente não existe capilares. Os constituintes deste tipo de concreto são predominantemente finos, onde o tamanho máximo dos grãos são de 2 mm.
- A utilização de aditivos nas misturas de UHPC são de fundamental importância, devido à baixa relação água/aglomerante presente na mistura.
- A utilização de fibras neste tipo de concreto também é de fundamental importância. Elas auxiliam tanto no controle das diversas retrações que podem ocorrer quanto na capacidade de suportar elevadas cargas sofrendo baixas deformações.
Os ensaios realizados no ittPerformance usam como base a NFP18-470 - a norma técnica francesa sobre o UHPC, publicada em 2016. Ela define os campos de aplicação do UHPC:
- Estruturas pré-fabricadas e elementos estruturais;
- Estruturas e elementos estruturais pré-moldados;
- Partes de estruturas submetidas a reparos;
- Estruturas para edifícios;
- Elementos não estruturais ou arquitetônicos pré-fabricados ou pré-moldados.
Concreto de ultra-alto desempenho esbarra no custo das microfibras de aço
No Brasil, enquanto não tiver uma norma técnica específica, o concreto de ultra-alto desempenho se submete à ABNT NBR 16935 (Projeto de estruturas de concreto reforçado com fibras - Procedimento). Essa norma é uma das mais novas vinculadas ao CB-002 (Comitê Brasileiro da Construção Civil) e foi publicada dia 18 de fevereiro de 2021. No país, o UHPC também atende pela designação de CUAD.
Além de carecer de norma técnica própria, o concreto de ultra-alto desempenho esbarra também no custo de seu principal agregado: as microfibras de aço, com no máximo 13 milímetros de comprimento e 0,2 milímetros de diâmetro. O Brasil ainda não fabrica esse material e seu uso necessita de importação, o que torna a produção altamente cara - o valor de 1 m³ do UHPC se aproxima de 1 mil dólares. “A fibra é nosso principal gargalo para a produção em escala do UHPC”, reconhece Roberto Christ.
Fora do Brasil, o material tem aparecido cada vez com mais frequência em obras especiais. Recentemente, o chefe do departamento de engenharia civil da Universidade Internacional da Flórida (Florida International University [FIU]), o professor-doutor Atorod Azizinamini, declarou que o “futuro das pontes está no CUAD”. Desenvolvido nos anos 1990, em parceria entre pesquisadores franceses e canadenses, o concreto de ultra-alto desempenho surgiu como uma encomenda especial da engenharia militar, para a construção de pontes pré-fabricadas com elementos esbeltos.
Veja a apresentação do professor Roberto Christ
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Reportagem com base na palestra virtual do pesquisador Roberto Christ, dentro do 1º Seminário Nacional de Obras Civis, promovido pelo Instituto de Engenharia do Paraná, em parceria com o Grupo IDD
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Por que Elon Musk está transformando a indústria da construção?

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CEO e fundador da Tesla Motors - líder mundial na fabricação de veículos elétricos - Elon Musk é visto como o empreendedor mais visionário do mundo na atualidade. Seu espectro de atuação vai desde a corrida espacial para levar o homem ao planeta Marte até o investimento em startups com foco na construção sustentável. Ele é sócio da Solar City, empresa que fabrica telhas fotovoltaicas, e também está à frente da Boring Company, cuja especialidade é desenvolver concretos especiais para túneis, capazes de gerar elementos mais esbeltos e resistentes. Além disso, comanda a Hyperloop, que projeta o trem mais rápido do mundo para trafegar sobre estruturas de concreto de ultra-alto desempenho.
Através da Tesla, Musk também quer consolidar o mercado de caminhões elétricos, entre eles caminhões-betoneiras. Esses veículos serão produzidos nas gigafactorys que a empresa constrói simultaneamente em Xangai, na China; Austin-Texas, nos Estados Unidos, e Grünheide, na região metropolitana de Berlim-Alemanha. Os projetos dessas fábricas estão diretamente relacionados aos investimentos feitos por Musk em novos modelos de construção industrializada. O segundo homem mais rico do mundo selecionou empresas que produzissem elementos pré-fabricados de concreto com baixa emissão de CO₂ e fabricassem as peças consumindo menor volume de água.

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Com a fortuna avaliada em 190 bilhões de dólares, Elon Musk tem pressa. Por isso, acredita que a construção industrializada é a única capaz de atender seus projetos. Inaugurada em janeiro de 2020, a gigafactory de Xangai foi construída em 11 meses. As que ainda estão em construção nos Estados Unidos e na Alemanha devem começar a operar em julho de 2021 - 17 meses após o início das obras. No caso da gigafactory alemã, trata-se atualmente do maior canteiro de obras em território germânico. A obra não parou em nenhum momento da pandemia, e surpreendeu o próprio Musk, que a visitou em janeiro de 2021. “Estou impressionado com a velocidade da construção”, disse.
Gigafactory na Alemanha economizou 15.000 m³ de concreto por usar estruturas mais esbeltas

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Só a fábrica de Berlim irá custar 4,4 bilhões de euros para entrar em operação, com subsídio de 1 bilhão do governo alemão. O poder público do país também realizou obras para atender a logística da fábrica, como estender um ramal de linha férrea até o canteiro de obras e melhorar as condições das estradas no entorno da gigafactory para a circulação de caminhões. Os números da GF4, como é chamado o empreendimento da Tesla na Alemanha, são superlativos. A área do terreno mede 1.522.300 m². A planta ocupará 587.721 m². Outros 891.920 m² serão alocados para estacionamentos, estradas, ferrovias e pistas de teste da fábrica.
Por dia, no pico da obra, o canteiro recebeu 326 caminhões carregados de materiais e 4 trens com 25 vagões para transportar os elementos pré-fabricados até a GF4. A construção chegou a mobilizar 2.828 operários em 3 turnos. O volume de concreto usado nas estruturas pré-moldadas é estimado em 75.000 m³. Projetistas e construtores avaliam que a economia de concreto chegou a aproximadamente 15.000 m³, em função do uso de estruturas mais esbeltas e de insumos com melhor desempenho. As tecnologias desenvolvidas para a construção da GF4 serão transferidas para a construção industrializada do concreto na Alemanha.

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