Engenheiras civis e arquitetas movem a construção sustentável

Em todo o mundo cresce número de profissionais da engenharia civil e da arquitetura à frente de projetos voltados para a construção sustentável Crédito: USGBC
Em todo o mundo cresce número de profissionais da engenharia civil e da arquitetura à frente de projetos voltados para a construção sustentável
Crédito: USGBC

construção sustentável avança no mundo movida pelas mulheres. Profissionais da engenharia civil e da arquitetura são as que mais praticam conceitos de “prédio verde”, reciclagem de materiais e redução de emissão de CO₂, além de serem também as que mais participam de organismos e conferências relacionadas com o tema. Levantamento da World Green Building Council mostra que mais de 50% dos conselhos espalhados em todo o planeta têm mulheres no comando.  

É uma tendência mundial. Na Jordânia, por exemplo, Ala’a Abdula comanda o GBC do país - o Jordan GBC. Ela estabeleceu como meta tornar a construção civil da capital do país, Amã, Zero Carbono até 2050. No Chile, a CEO do Green Building Council local (Chile GBC) é Maria Fernanda Aguirre Busto. “Podemos fazer com que a construção civil seja mais produtiva, não contamine e não consuma muitos recursos”, resume. O mesmo pensa Dorah Modise, CEO do Green Building Council África do Sul (GBCSA), que resume sua gestão: “Aumentei o número de edifícios verdes na África do Sul e trabalho junto ao governo para desenvolver protocolos que garantam emissão zero de carbono e reaproveitamento de resíduos e de água da chuva em todos os prédios públicos do país.” 

No Reino Unido, a certificação BREEAM é comandada por uma mulher: Charlene Clear. O certificado existe desde 1992 e é um dos mais rigorosos entre os que qualificam “prédios verdes”. Dos que buscam atender os requisitos BREEAM, só 10% conseguem obter a certificação. Clear justifica o rigor. Ela afirma que 60% dos edifícios que obtêm certificação de sustentabilidade em sua fase de projeto, de construção e de início de operação após a conclusão da obra não conseguem manter os requisitos depois de 5 anos em funcionamento. “Prezamos pela sustentabilidade contínua dos edifícios”, diz. 

Conheças as 10 mulheres que mais influenciam a construção sustentável no Brasil 

Apesar da construção civil mundial ser uma indústria tradicionalmente dominada por homens, as mulheres ocupam cargos estratégicos para influenciar os construtores e também quem legisla e faz a gestão pública. É o que revela Cristina Gamboa, diretora-executiva do World Green Building Council. “As mulheres estão liderando o caminho em direção à sustentabilidade, com a missão de estimular os edifícios verdes em todos os segmentos da construção civil: da habitação popular aos prédios corporativos”, comenta. Atualmente, além de Jordânia, Chile e África do Sul, outros quatro países têm mulheres no comando dos conselhos de construção sustentável: Cingapura, Reino Unido, Alemanha e Austrália. 

No Brasil, recente pesquisa apontou as 10 mulheres que mais influenciam a construção sustentável no país. São elas: 

  • Maíra Macedo, gerente de relações institucionais e governamentais do Green Building Council Brasil. 
  • Celina Llerena, sóciafundadora da Ebiobambu, escola de bioarquitetura e centro de pesquisa e tecnologia experimental em bambu. 
  • Rosana Correa, consultora de sustentabilidade do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro-RJ.  
  • Patricia O’Reilly, fundadora do Sustainable Reference no Brasil. 
  • Alessandra Caiado Cardim, consultora em sustentabilidade para fabricantes de materiais de construção. 
  • Adriana Hansen, primeira especialista no Brasil em Avaliação do Ciclo de Vida para produtos e empreendimentos sustentáveis. 
  • Ana Rocha Melhado, engenheira civil autora dos livros “Projetar e Construir bairros sustentáveis e Sustentabilidade nas Obras e Projetos. 
  • Sandra Pinho Pinheiro, arquiteta pioneira na adoção de práticas de sustentabilidade em obras da região sul do Brasil. 
  • Suênia Maria Cordeiro de Sousa, gestora do Centro Sebrae de Sustentabilidade, criado para disseminar os conceitos de construção sustentável no país. 
  • Irina Biletska, nascida na Ucrânia e radicada no Brasil desde 2011. É especialista em bioconstrução e bioarquitetura. 

Entrevistado
World Green Buildind Council (via departamento de mídia) 

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Pós-obra estende ciclo produtivo da construção civil

ciclo produtivo de uma construção não se encerra com o “Habite-se” ou com a entrega das chaves do imóvel ao proprietário. A partir desse momento, inicia-se o pós-obra, que envolve as reformas para adequar a moradia a quem irá ocupá-la. Esse investimento representa, em média, 36 centavos de cada 1 real de custo da edificação. “O pós-obra não se limita ao período de aquisição do imóvel, mas pode se estender ao longo dos primeiros 3 anos de moradia do usuário”, explica a economista da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) Ieda Vasconcelos. 

estudo encomendado pela CBIC avalia os efeitos do pós-obra na cadeia produtiva da construção civil. Foi realizado pelos economistas Ana Castelo e Robson Gonçalves, da consultoria Ecconit. Eles apontam que em imóveis de alto padrão, os gastos extras com melhorias na construção podem chegar a 25% do valor pago pela habitação. Já em imóveis de médio padrão, esse percentual equivale a 15%, enquanto que, em habitações populares, chega a 10%. Em empreendimentos de alto padrão, o gasto com mobiliário é o que consome a maior parte do pós-obra, chegando a 6,5%, seguido de reformas (4,3%). 

Já em imóveis de médio padrão e em habitações populares, as reformas lideram o volume de dinheiro investido na casa nova, e representam, respectivamente, de 3% a 3,5% do valor do imóvel. Nesses dois segmentos, o mobiliário aparece em 2º lugar na relação de gastos com pós-obra. Na relação apurada pelos economistas também se destacam os seguintes consumos: itens de cama, mesa e banho, confecção de acessórios de decoraçãomóveis planejadoscompra de eletroeletrônicos e instalações elétricas. “O pós-obra tem uma relevância econômica muito importante, por gerar multiplicadores em outras cadeias produtivas”, sinaliza Robson Gonçalves. 

Pós-obra movimenta um montante de recursos que equivale a 0,44% do PIB 

economista apresenta um comparativo sobre esse efeito multiplicador da construção civil. De cada 200 bilhões de reais investidos na construção de novas moradias, são gerados outros 170 bilhões na cadeia de suprimentos do setor e mais 120 bilhões nos demais setores da economia. O estudo também revela que o pós-obra movimenta um montante de recursos que equivale a 0,44% do PIB brasileiro, além de gerar mais de 650 mil empregos“A demanda induzida no pós-entrega das chaves equivale a 1/3 do que foi investido na compra do imóvel”, explica Robson Gonçalves. Ou seja, se o proprietário desembolsou 300 mil reais na compra da casa própria, ao longo dos primeiros 3 anos de moradia ele poderá investir até 100 mil reais na melhoria desse mesmo imóvel.   

Quanto às reformas no imóvel, as práticas mais comuns do pós-obra são pintura interna da habitação, colocação ou a troca de pisos, instalação de elementos de iluminação, fusão de cômodos, arquitetura de decoração e limpeza. Isso movimenta especialmente o varejo de materiais de construção, as pequenas empreiteiras e os escritórios de arquitetura especializados em pós-obra. A pesquisa contou com dados levantados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e números da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios). 

Veja a íntegra da pesquisa

Assista à palestra sobre pós-obra

Entrevistado
Reportagem com base na palestra “O impacto pós-obra de investimento em construção” e no estudo “Pós-obra: geração de renda e emprego na economia”, divulgados pela CBIC 

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Ciência e tecnologia impulsionam de vacinas ao concreto

Professor Paulo Helene, diretor-presidente do IBRACON: o concreto também requer investimento permanente em ciência e tecnologia Crédito: Reprodução/YouTube
Professor Paulo Helene, diretor-presidente do IBRACON: o concreto também requer investimento permanente em ciência e tecnologia
Crédito: Reprodução/YouTube

Na abertura da edição virtual do 62º Congresso Brasileiro do Concreto, o diretor-presidente do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto), Paulo Helene, destacou que a pandemia de COVID-19 deixou claro para o mundo e para o Brasil o quanto é importante investir em ciência e tecnologia. “A velocidade com que se chegou às vacinas imunizantes da doença é a prova cabal de que ciência e tecnologia são vitaisTransportando isso para o nosso setor, a aplicação da ciência e tecnologia na produção de concreto também gera qualidade de vida”, diz. 

Em sua palestra-aula, Paulo Helene ressalta que o concreto também requer investimento permanente em ciência e tecnologia. “Ele é o principal material com o que fazemos pontes, viadutos, portos, aeroportos, hospitais, escolas e habitações, que são bens que melhoram a vida das pessoas”, destaca. O professor-doutor também afirma que essa é a missão do IBRACON: incentivar a aplicação da ciência e da tecnologia no material“Nosso novo desafio é fazer o Brasil avançar em direção às novas tecnologias do concreto”, completa. 

O presidente do IBRACON lembra que os resultados da ciência e da tecnologia não vêm por passe de mágica. É necessário comprometimento de vários setores, além de investimento. Ele cita os exemplos de Estados Unidos e Canadá - berços das pesquisas sobre concreto de alto desempenho, entre o final dos anos 1980 e a década de 1990. Nos EUA, o pesquisador Surendra Shah comandou uma cooperação entre 5 universidades e esteve à frente do centro avançado de materiais à base de cimento. Os estudos permitiram que o concreto se tornasse soberano na construção de edifícios superaltos a partir de 1998, com o projeto da Petrona Towers, em Kuala Lumpur, na Malásia. 

Já o Canadá é praticamente o precursor do concreto de ultra-alto desempenho, desenvolvido através de pesquisas lideradas por Pierre-Claude Aitcin e um grupo que envolveu 11 universidades, 15 instituições governamentais, 5 organismos setoriais da construção civil e 65 empresas. Entre 1989 e 1999, esse consórcio investiu 1 milhão 400 mil dólares anualmente para produzir um concreto que permitisse obras esbeltas, porém com resistências superiores a 150 MPa e de longa durabilidade. “Percebe-se que o investimento em pesquisa e desenvolvimento do concreto gerou um novo conceito de construir”, afirma Paulo Helene. 

Produção de cimento do Brasil em 2020 é destacada no Congresso Brasileiro do Concreto         

Helene também ressaltou a pujança da indústria de cimento no Brasil, mesmo em tempos de pandemia. “Nossa indústria de cimento dá orgulho. Ela existe há praticamente 100 anos e hoje tem condições de produzir 100 milhões de toneladas anualmenteEm 2020, ela teve um desempenho fenomenal. A produção de cimento voltou ao patamar de 60 milhões de toneladas por ano, o que não acontecia desde 2015. Frise-se que foi um ano de pandemia”, completa. No ano passado, os 6 países que se destacaram na produção de cimento foram China (2,2 bilhões de toneladas), Índia (340 milhões), Vietnã (96 milhões), EUA (90 milhões), Indonésia (73 milhões) e Turquia (66 milhões). 

O Brasil fechou 2020 na 8ª posição mundial, com 60,8 milhões de toneladas de cimento produzidas, ficando um pouco abaixo do Irã. Paulo Helene ressalta que o país tem potencial para ocupar a 3ª ou a 4ª posição no ranking, se atingir 100% da capacidade instalada de suas fábricas“De qualquer maneira, foi uma vitória o setor ter conseguido crescer 10,9% no ano passado (segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Cimento [SNIC])”, completa o presidente do IBRACON. 

Se mantiver o ritmo de crescimento registrado no 1º semestre de 2021, o Brasil tende a fechar o ano com uma produção maior de cimento do que em 2020. Entre janeiro, fevereiro e março, o setor cresceu 19% na comparação com o 1º trimestre de 2020, atingindo 15,3 milhões de toneladas. “A construção civil deu exemplo no ano passado. Não só no aspecto de produtividade, mas também no quesito segurança perante a pandemia. Tivemos um baixíssimo nível de infectados e mortes entre os trabalhadores. Enquanto o país fechou 2020 com 1.359 mortes por milhão de habitantes, a construção teve somente 167 por milhão. Essa organização no combate à doença nos canteiros de obras também é resultado da ciência e da tecnologia”, conclui.  

Assista à palestra-aula do professor-doutor Paulo Helene (entre 38min e 1h09min)

Entrevistado
Reportagem com base na palestra-aula do professor-doutor Paulo Helene, diretor-presidente do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto), na abertura do 62º Congresso Brasileiro do Concreto 

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Novas rodadas de concessões incluirão “joias da coroa”

Aeroporto de Congonhas, em São Paulo-SP, é o que mais recebe voos domésticos e o 2º em volume de embarques e desembarques no Brasil. Crédito: Infraero
Aeroporto de Congonhas, em São Paulo-SP, é o que mais recebe voos domésticos e o 2º em volume de embarques e desembarques no Brasil.
Crédito: Infraero

O sucesso da Infra Week, que leiloou 28 ativos, entre os quais 22 aeroportos, animou o ministério da Infraestrutura para os futuros leilões que devem ocorrer entre o 2º semestre de 2021 e o 1º semestre de 2022. Mais 50 ativos serão concedidos à iniciativa privada e neles estarão as chamadas “joias da coroa”. São a rodovia Presidente Dutra, principal ligação entre São Paulo-SP Rio de Janeiro-RJ, e os aeroportos de Congonhas, na capital paulista, e Santos Dumont, na capital fluminense. Também irão a leilão as BRs 153 e 163, os portos do Espírito Santo e novos terminais do porto de Santos, além de outros 14 aeroportos 

governo tem a expectativa de arrecadar mais 84 bilhões de reais com essas concessões. Em 2 anos, já foram leiloados 41 ativos e contratados 44 bilhões de reais em investimentos e mais 13 bilhões de reais de outorga. Quando todas as concessões planejadas estiverem concluídas, o Palácio do Planalto projeta retorno de 250 bilhões de reais em investimentos na infraestrutura. "Estamos procurando seguir o que estabelecemos desde o 1º dia de governo", diz o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, sobre o projeto de transferir grande volume de ativos para a iniciativa privada. 

O presidente da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), Venilton Tadini, avalia que o governo tem feito “golaços” com os leilões. “O resultado desses leilões mostra que o Brasil continua estruturando bons projetos com racionalidade econômica, capazes de atrair o interesse de investidores com foco no longo prazo. Mas o impacto positivo desses projetos na economia vai levar um tempo até as empresas assinarem os contratos e depois começarem a captar os recursos para os investimentos”, afirma. O setor econômico especializado em infraestrutura estima que os efeitos das recentes concessões só serão percebidos em 2022. 

Brasil precisaria de 10 Infra Week por ano para suprir gargalos de infraestrutura 

O próprio ministério da Infraestrutura admite que o impacto da Infra Week comece efetivamente a aparecer a partir do 3º trimestre de 2021Após a assinatura dos contratos, há um período de transição antes do início dos investimentos privados. Normalmente, cerca de 70% do total de investimentos previstos para o período de concessão são realizados nos primeiros 5 anos de contrato. Ou seja, o reflexo na geração de empregos deve se dar a partir de 2022”, revela nota oficial do ministério, após os 3 dias de leilões da Infra Week. Essa etapa de concessões rendeu ao governo 3,5 bilhões de reais e o compromisso dos blocos vencedores de investir 12 bilhões em 30 anos.  

Os 22 aeroportos leiloados foram divididos em 3 blocos (sul, central e norte). O sul foi arrematado pela Companhia de Participações em Concessões, parte do grupo CCR, por 2,1 bilhões de reais, e engloba os terminais localizados em São José dos Pinhais-PR (Aeroporto Internacional de Curitiba), Foz do Iguaçu-PR, Navegantes-SC, Londrina-PR, Joinville-SC, Bacacheri, em Curitiba-PR, Pelotas-RS, Uruguaiana-RS e Bagé-RS. Compõem o bloco central os aeroportos de Goiânia-GO, São Luís-MA, Teresina-PI, Palmas-TO, Petrolina-PE e Imperatriz-MA. O norte tem os terminais de Manaus-AM, Porto Velho-RO, Rio Branco-AC, Cruzeiro do Sul-AC, Tabatinga-AM, Tefé-AM e Boa Vista-RR.  

Também foram leiloados 4 terminais do porto de Itaqui, no Maranhão, e 1 no porto de Pelotas-RS, além de um trecho da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), entre Ilhéus e Caetité, na Bahia. Segundo projeções dAbdib, o Brasil precisaria de 10 Infra Weeks por ano para suprir os gargalos em infraestrutura. 

Entrevistado
Ministério da Infraestrutura e Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base) 

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aescom@infraestrutura.gov.br
abdib@abdib.org.br 

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Vícios construtivos alimentam indústria de ações: como evitar?

Só no âmbito do Minha Casa Minha Vida existem mais de 60 mil processos na Justiça, relacionados com vícios construtivos Crédito: Banco de Imagem
Só no âmbito do Minha Casa Minha Vida existem mais de 60 mil processos na Justiça, relacionados com vícios construtivos
Crédito: Banco de Imagem

Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) iniciou uma série de debates sobre o impacto jurídico que os vícios construtivos têm causado no segmento de construtoras e incorporadoras. Apenas no âmbito da faixa 1 do programa habitacional Minha Casa Minha Vida - recentemente substituído pelo Casa Verde e Amarela - existem em todo o país 51 mil ações relacionadas a vícios construtivos tramitando na 1ª instância e outras 13 mil e 700 na 2ª instância do Judiciário. 

Segundo os advogados convidados para opinar sobre o que as empresas chamam de “indústria de ações”, o ideal seria criar uma legislação que definisse claramente o prazo de garantia da construção. O consultor jurídico da CBIC, Carlos Del Mar, destaca que isso não é suficientemente transparente atualmente. “Hoje não há prazo-limite para surgimento de falha construtiva ou vício. Assim, a possibilidade de reclamação da garantia fica em aberto, estimulando a industrialização das ações”, explica. 

Por exemplo, a ABNT NBR 13752 (Perícias de engenharia na construção civil) define que os vícios construtivos são aqueles provenientes de falha do projeto, de execução ou de informação defeituosa sobre a utilização ou a manutenção. Já o artigo 618 do Código Civil (responsabilidade em contratos de empreitada), os artigos 31 e 43 da Lei 4.591/1964 (responsabilidade do incorporador) e o parágrafo  do artigo 25 do Código de Defesa do Consumidor estimulam interpretações diferentes sobre o que são vícios construtivos. 

Norma de Desempenho pode ser usada como mediadora dos impasses 

Na prática, há várias jurisprudências sobre o tema. Umas consideram que o consumidor tem 1 ano para reclamar de vícios ou defeitos de fácil constatação, a partir da entrega das chaves. No caso de vícios ocultos, o prazo se estende por 5 anos. Mas aí já surge o primeiro impasse: 5 anos a partir da entrega do imóvel ou a partir do momento em que o vício construtivo se manifesta? Dependendo do juiz do processo, pode ser dada uma ou outra interpretação. Existem também entendimentos jurisprudenciais que ampliam esse prazo para 10 anos.  

A Norma de Desempenho (ABNT NBR 15575), cujas partes relacionadas ao desempenho acústico estão em processo de revisão, tem parâmetros que definem a responsabilidade de cada agente envolvido na obra, e também cria condições de rastreabilidade para ver se a falha construtiva está no projeto, na execução ou na manutenção equivocada do empreendimento. Por isso, o advogado Alexandre Gomide entende que a norma pode ser usada como mediadora em casos de vícios construtivos 

Gomide recomenda também que as construtoras atuem preventivamente contra eventuais processos. De que forma? Fazendo o acompanhamento da obra por pelo menos 2 anos, para orientar os moradores a usufruir corretamente de suas unidades. O presidente do conselho jurídico da CBIC, José Carlos Gama, acompanha esse raciocínio. “As construtoras não querem entregar obras com problemas. Custa 125 vezes mais voltar a um empreendimento entregue para consertar um vício construtivo”, revela. O objetivo da CBIC é, através dessa série de debates, coletar sugestões que possam resultar em uma legislação mais clara sobre o tema. 

Entrevistado
Reportagem com base na reunião virtual promovida pela CBIC, intitulada “Como enfrentar a indústria de ações sobre vícios construtivos” 

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Altair Santos MTB 2330


Construção pesada se conecta à Engenharia 4.0 e à IIot

Máquinas em áreas de risco podem ser operadas à distância, desde que disponham de tecnologia e mão de obra qualificada Crédito: Construtora Barbosa Mello
Máquinas em áreas de risco podem ser operadas à distância, desde que disponham de tecnologia e mão de obra qualificada
Crédito: Construtora Barbosa Mello

Na construção civil, máquinas já substituem homens em uma quantidade razoável de tarefas. À transformação impulsionada pela robótica convencionou-se chamar de Engenharia 4.0. Agora, esse processo dá um passo adiante. Com a aplicação da IIot (do inglês, Industrial Internet of Things [Internet Industrial das Coisas]) os equipamentos podem ser operados remotamente de longas distâncias. Quem mais tem se beneficiado destas novas tecnologias é a construção pesada, principalmente quando o projeto de execução requer serviços de engenharia em áreas com elevado risco para a vida dos trabalhadores. 

Obras em barragens são as que mais têm utilizado esse processo disruptivo aqui no Brasil. É o que foi revelado no recente workshop virtual promovido pela Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração) intitulado “Engenharia 4.0: operação remota de equipamentos”. Engenheiros que participaram do debate mostraram cases bem-sucedidos da aplicação dessas tecnologias na descaracterização de barragens. Isto ocorre quando o reservatório de resíduos atinge seu ciclo de vida útil e precisa ser descontinuado. A intervenção geralmente requer reforço da estrutura para estabilizá-la e reincorporá-la ao relevo e ao meio ambiente. 

Por se tratar de uma operação de risco para os humanos, a construção pesada tem usado escaneamento de alta precisão, máquinas automatizadas e profissionais com várias horas de treinamento para intervir nas barragens a serem desativadas. “São processos que possuem uma complexidade maior, e é necessário trabalhar essa mudança também na equipe que irá atuar na obra, como operadores, encarregados, profissionais de apoio e a alta liderança”, diz o engenheiro mecânico Carlos Magno Schwenckda Construtora Barbosa Mello. 

Tecnologia 5G tende a aproximar ainda mais as novas tecnologias ao canteiro de obras  

A adoção da Engenharia 4.0 acoplada à IIot aumenta a segurança na obra, reduz custos e oferece ganho de produtividade, asseguram os debatedores. Os participantes do workshop também avaliam que esta é a via do futuro na construção civil. “Independentemente da área de atuação e da questão do investimento, essa é uma tendência que vai se tornar cada vez mais próxima de nossas obras. É um fato irreversível, ainda mais com a proximidade da aplicação da tecnologia 5G. Esses equipamentos se tornarão comuns para todos”, avalia Hugo Pereira Soares, diretor da Construtora Vale Verde. 

Um fato curioso revelado pelos participantes do workshop é que a possibilidade de utilizar máquinas operadas à distância tem aberto o mercado de trabalho para profissionais com deficiência motora nas pernas dentro da construção civil“Isso gera inclusão social, com a possibilidade de contratar pessoas com deficiência (PcD) para esse tipo de trabalho, uma vez que a operação ocorre de forma remota. Diversos operadores, que possuem, por exemplo, lesões na coluna podem ser reintegrados para atuar em operações não-tripuladas, finaliza o engenheiro eletrônico Tiago Barros, gerente-técnico da SITECH Brasil. 

Entrevistado
Reportagem com base no conteúdo apresentado no “Engenharia 4.0: operação remota de equipamentos”, promovido pela Sobratema 

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DNIT relata aprendizado com pavimento de concreto

Trecho da BR-285, na serra da Rocinha, em Santa Catarina: DNIT investe em projetos ousados de pavimentação com concreto Crédito: Serviços Técnicos de Engenharia S.A
Trecho da BR-285, na serra da Rocinha, em Santa Catarina: DNIT investe em projetos ousados de pavimentação com concreto
Crédito: Serviços Técnicos de Engenharia S.A

O diretor de planejamento e pesquisa do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Luiz Guilherme Rodrigues de Mello, revela em webinar do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto) que o organismo responsável pela construção e a manutenção de rodovias no Brasil tem aprendido constantemente com os projetos que priorizam o pavimento de concreto. Segundo ele, a cada obra a qualidade é aprimorada. 

Um campo de aprendizagem foi a BR-101 Nordeste. Trata-se do maior trecho do país com pavimento rígido, e que irá alcançar pouco mais de 1.000 quilômetros quando concluída a duplicação. “Tivemos questões relacionadas a projeto no trecho que passa pelos estados de Alagoas, Sergipe e Bahia. O principal aprendizado foi o de que não faremos mais acostamento com pavimento flexível em rodovia de concreto. Revisamos protocolos quanto a isso, pois as juntas entre o rígido e o flexível levaram a infiltrações, causando quebras de placas”, cita o diretor do DNIT.  

DNIT investiu em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) para se qualificar nesse tipo de revestimento e atualizar seus protocolosDe acordo com Luiz Guilherme, as medidas têm dado confiança ao mercado para adotar o pavimento de concreto nas licitações de obras públicasEle cita que as BRs 163 e 364, no Mato Grosso, e que foram concedidas à iniciativa privada, já foram pavimentadas seguindo os novos protocolos de pavimento rígidoDa mesma forma, estão em execução as duplicações da BR-222, no Ceará, e da BR-381, em Minas Gerais. 

Além disso, a maior durabilidade da tecnologia, aliada à sustentabilidade e ao menor custo na comparação com o pavimento flexível (asfalto), tem levado o DNIT a expandir a quilometragem do revestimento em concreto nas rodovias brasileiras, inclusive com a adesão dos empreiteiros. “A BR-381, em Minas Gerais, é um exemplo. O empreiteiro propôs a alteração do projeto e considerou o pavimento rígido mais vantajoso”, diz Luiz Guilherme Rodrigues de Mello. 

Confiança na tecnologia faz aumentar número de projetos com pavimento de concreto

DNIT ganhou confiança também para aplicar o pavimento rígido em projetos mais ousados, como o da BR-285, em Santa Catarina, que cruza a serra da Rocinha, na divisa com o Rio Grande do Sul. O organismo também desenvolveu tecnologia de recuperação de pavimentos rígidos antigos. Como aconteceu na BR-408, em Pernambuco. A estrada foi duplicada e uma das pistas já tinha revestimento de concreto com quase 40 anos de uso. Para que oferecesse o mesmo conforto para o tráfego de veículos que a pista nova, foi aplicada a técnica conhecida como diamond grinding, que faz o micronivelamento do pavimento com discos de diamante. 

Luiz Guilherme afirma que o DNIT evoluiu significativamente em aspectos técnicos do pavimento rígido, como a correção de irregularidade longitudinal. “Antes não havia limites definidos e agora temos normativas e protocolos para isso”, afirma. Também evoluíram os critérios relacionados à operação das pavimentadoras, aos projetos de drenagem e ao posicionamento das barras de transferência para evitar esmagamento das juntas”, completa o diretor do DNIT.  

No webinar, o dirigente aproveita para elencar as futuras obras com pavimento rígido que já estão contratadas ou em fase de projeto. Envolvem a BR-135, no Maranhão (whitetopping); o contorno de Três Lagoas (BR-158) no Mato Grosso do Sul; a BR-163, no oeste de Santa Catarina, e a BR-230, na Paraíba. “Há muito espaço para o pavimento de concreto avançar no país, seja em novas rodovias, duplicações ou restaurações de estradas. De 100% de nossa malha rodoviária com revestimento, apenas 2% é em pavimento rígido. Queremos aumentar isso”, finaliza Luiz Guilherme Rodrigues de Mello. 

Assista à palestra do diretor do DNIT (entre 1h16min e 1h42min)

Entrevistado
Reportagem com base na participação do diretor de planejamento e pesquisa do DNIT, Luiz Guilherme Rodrigues de Mello, no webinar “Infraestrutura no Brasil: estruturação de negócios e obras icônicas” 

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Nova Lei das licitações entra em vigor só em 2023

Presidência da República vetou 26 artigos da Lei das Licitações, mas Congresso Nacional pode reverter a decisão.
Crédito: Senado Federal

Sancionada em 1º de abril de 2021, a nova Lei das Licitações (14.133/2021) tem prazo de 2 anos para entrar integralmente em vigor. Durante o período de transição, segue valendo a legislação atual, que inclui Lei de Licitações (8.666/1993)Lei dos Pregões (10.520/2002) Lei do Regime Diferenciado (12.462/11). O prazo de 2 anos é para que os organismos públicos possam se adequar às novas regras. A partir e 1º de abril de 2023, passa a valer exclusivamente a nova lei 

Apenas a parte dos crimes licitatórios substitui, de imediato, as regras anteriores. Com 194 artigos, o texto dnova lei considera fatos desvendados pela operação Lava Jato e aumentas penas para crimes relacionados a licitações e contratos. Além disso, passa a exigir seguro-garantia para obras de grande porte. O seguro é de até 30% do valor da licitação, permite que as seguradoras assumam obras interrompidas. Essa medida reduz o risco de que projetos sejam paralisados ou abandonados durante a fase de execução. 

nova Lei das Licitações também abre espaço para que empresas estrangeiras concorram por obras públicas. Agora, os editais de licitação poderão trazer a modalidade “licitação internacional”. Quando a definição estiver inclusa significa que será admitida a participação de licitantes estrangeiros. Ela também abre espaço para a cotação de preços em moeda estrangeira e facilita o uso de tecnologias inovadoras na execução de obras em território nacional. 

Manutenção do menor preço desagrada setores da construção civil e da arquitetura 

Um ponto bastante criticado pelos organismos ligados à construção civil e à arquitetura está relacionado com a manutenção do menor preço na nova lei. Isso foi interpretado como um erro, pois mantém o risco de que obras de baixa qualidade possam ser viabilizadas com recursos públicos. Por outro lado, a nova lei endurece as regras para dispensa de licitação e inclusão de aditivos contratuais quando a obra já estiver em andamento. Também foram mantidos pontos da Lei 12.462, como a contratação por tarefa, a contratação integrada e a semi-integrada. 

A legislação nova determina que os projetos concorrentes nas licitações devem ser apresentados em BIM (Building Information Modeling). “Nas licitações de obras e serviços de engenharia e arquitetura, sempre que adequada ao objeto da licitação, será preferencialmente adotada a Modelagem da Informação da Construção (Building Information Modeling  BIM) ou tecnologias e processos integrados similares ou mais avançados que venham a substituí-la”, diz o parágrafo 3º do item V do artigo 19 da lei.  

Por recomendação da Advocacia-Geral da União (AGU), a Presidência da República vetou 26 artigos da nova Lei das Licitações. Os vetos serão analisados em sessão conjunta do Congresso Nacional, com data ainda a ser definida. Para a rejeição, é necessária a maioria absoluta dos votos dos parlamentares, ou seja, 257 deputados e 41 senadores, computados separadamente. Registrada uma quantidade inferior de votos pela rejeição em umas das Casas, o veto será mantido.  

Acesse a íntegra da lei 

Entrevistado
Secretaria Especial de Comunicação da Presidência da República, Senado Federal e Câmara Federal (via assessoria de imprensa) 

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Como o concreto pode captar CO₂ sem comprometer a armadura?

Na Europa, o tema é sensível à indústria da construção civil, pois existem metas a serem alcançadas até 2030, e que se tornarão mais exigentes em 2050. Por isso, já existem ensaios comprovadamente eficazes que permitem ao concreto captar CO₂. O problema é que há um limite para essa captação, pois o excesso de CO₂ numa estrutura tende a levar à carbonatação das armaduras, o que é considerado uma patologia do concreto. Segundo relata Carmem Andrade, hoje a resposta mais viável para esse problema é o uso de armaduras em aço inoxidável. Porém, o custo da obra encarece significativamente. Atualmente, esse é o foco da pesquisadora: desenvolver uma armadura imune à carbonatação e que possa caber no orçamento das construções.

Indústria do cimento minimiza emissão de CO₂ com o uso de cinzas volantes e escórias de alto-forno  

Enquanto o resultado dos estudos não permite à indústria do aço fornecer um material compatível com concretos que retêm CO₂, a indústria cimenteira faz a sua parte: reduz a emissão de CO₂ com o uso de cinzas volantes e escórias de alto-forno na produção de cimento. A Europa também começou a testar o uso de concreto reciclado na fabricação de novos cimentos, como explica Carmem Andrade. “O processo que usa restos de demolição na industrialização do cimento já se mostra viável e revela a eficácia da economia circular. Tem também os cimentos com escórias de alto-forno e pozolanas, que emitem menos CO₂. Agora, o próximo passo é chegarmos a uma armadura resistente à carbonatação”, diz. 

Coparticipante da palestra virtual promovida pelo CICS-USP, o professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíbae também da Universidade Federal de Paraíba (UFPB), Gibson Rocha Meiraavalia que é possível as pesquisas chegarem a armaduras resistentes à carbonatação. “O processo de corrosão por carbonatação se dá através da infiltração do CO₂ na armadura. É uma patologia menos agressiva que o ataque por cloretos, e que depende muito das características microambientais. Se houver baixa umidade no ar, a armadura vai durar por um tempo significativo, mesmo sob efeito da carbonatação. Há casos em que, ao longo de 60 anos, houve redução mínima da cessão da armadura, com variações de 1% a 2%, independentemente da espessura. Então, há sim como pesquisa desenvolver armaduras imunes”, avalia. 

Acesse o vídeo da palestra

Entrevistado
Reportagem com base no webinar “Captura de carbono no concreto e a durabilidade das armaduras”, promovido pelo Centro de Inovação em Construção Sustentável (CICS-USP) com a engenheira química Carmen Andrade Perdrix e com o engenheiro civil Gibson Rocha Meira 

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Plano transforma EUA no maior canteiro de obras do mundo

Ponte Roosevelt, na Flórida: estrutura recentemente foi interditada por causa de corrosão nas armaduras e é exemplo de obra que o plano de Joe Biden deve recuperar Crédito: CPALM
Ponte Roosevelt, na Flórida: estrutura recentemente foi interditada por causa de corrosão nas armaduras e é exemplo de obra que o plano de Joe Biden deve recuperar
Crédito: CPALM

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou em 31 de março de 2021 o que a imprensa do país já batizou de “New Deal do século 21”. Com investimento que pode chegar a 2 trilhões e 230 bilhões de dólares, o governo dos EUA pretende modernizar o país, com forte investimento em infraestrutura, habitação, tecnologia e energia limpa. Entre os pontos do plano está a readequação de 32 mil e 200 quilômetros de rodovias para a circulação de carros elétricos 

O pacote de obras também projeta reconstruir ou recuperar as 10 pontes por onde mais transitam veículos no país e fazer o mesmo com outras 10 mil pontes menores. Ainda estão previstas a readequação da malha ferroviária para receber trens de alta velocidade, a recuperação das tubulações de saneamento básico, a melhoria da mobilidade nos principais centros urbanos dos EUA, além da construção de novos aeroportosportos e hidrovias 

O plano terá duração de 8 anos e tem a pretensão de transformar os Estados Unidos no maior canteiro de obras do mundo. De acordo com nota oficial divulgada pela Casa Branca, a proposta a ser encaminhada ao Congresso norte-americano se divide nos seguintes tópicos:

1. How We Move – Como nos movemos (inclui infraestrutura de transporte, com investimento de 600 bilhões de dólares).
2. How We Live at Home – Como vivemos em casa (inclui distribuição de água potável, banda larga e construção de habitações de interesse social, com investimento de 650 bilhões de dólares).
3. How We Care – Como cuidamos (inclui aumento de salários e benefícios para trabalhadores que atuam como cuidadores em domicílio, com investimento de 400 bilhões de dólares).
4. How We Make and Create – Como fazemos e criamos (inclui aumento de gastos com P&D [Pesquisa e Desenvolvimento], com investimento de 580 bilhões de dólares). 

diretorexecutivo da Associated General Contractors of America, Stephen E. Sandherr, emitiu a seguinte declaração sobre o plano do governo dos EUA. “Saudamos a nova proposta de infraestrutura, principalmente no ponto em que se concentra na reconstrução de uma ampla gama de obras antigas e sobrecarregadas. Esses investimentos criarão um número significativo de novas oportunidades na construção civil, que tradicionalmente emprega bem mais que outros setores industriais”, avalia. 

Recursos virão dos impostos corporativos e dos que ganham acima de 400 mil dólares por ano 

Para conseguir recursos para os investimentos, o governo norte-americano enviou ao Congresso uma proposta de aumento de alíquota do imposto corporativo e do imposto de renda para quem ganha acima de 400 mil dólares por ano. Isso, segundo a Casa Branca, pouparia principalmente os trabalhadores que atuam como terceirizados na construção civil dos EUA, e que representam o maior volume de empregos do setor, assim como devem ser os mais beneficiados pelo plano de Joe Biden. 

Ao longo da pandemia, a construção civil dos Estados Unidos fechou mais de 108 mil vagas nas 236 principais cidades do país, segundo levantamento da Associated General Contractors of America. Por isso, o novo plano do governo é chamado de “New Deal do século 21”. O New Deal foi implantado em 1933, para recuperar os EUA da crise de 1929. O governo de Franklin Delano Roosevelt realizou forte intervenção na economia, estimulando principalmente a construção de obras públicas, com destaque para as hidrelétricas e as rodovias, além da agricultura e da industrialização. 

Entrevistado
Sala de imprensa da Casa Branca e Associated General Contractors of America (via assessoria de comunicação) 

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