Investimento em infraestrutura é “vacina” contra a crise

Crédito: Itaipu Binacional
Estudo encomendado pelo Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada-Infraestrutura (SINICON), e realizado pela LCA Consultores, mostra o efeito multiplicador das obras de infraestrutura no Brasil. O levantamento coordenado pela diretora de regulação econômica e políticas públicas da consultoria, Claudia Viegas, revela que esse tipo de investimento funciona como “vacina” contra a crise. Segundo a economista, cada 1 bilhão de reais injetado em grandes obras gera mais 1,44 bilhão de reais dentro da cadeia produtiva da construção civil e de outros setores.
Claudia Viegas revela que se fossem investidos 28 bilhões de reais em infraestrutura os recursos injetariam outros 40 bilhões no PIB nacional, com capacidade de gerar perto de 1 milhão de empregos diretos e indiretos – precisamente, 943,5 mil vagas, de acordo com o estudo. A pesquisa da LCA Consultores mostra também que o poder de empregabilidade das grandes obras poderia gerar 14 bilhões de reais em salários e 6,4 bilhões de reais em impostos. “Só o investimento em infraestrutura tem capacidade de alavancar o PIB do Brasil. Cabe ao setor público criar condições de investimentos nessa área”, diz a economista.
O estudo traz outra projeção: se o Brasil se transformasse em um canteiro de obras, o PIB cresceria, em média, 7,1% e o país alcançaria o top 5 no ranking de infraestrutura, medido pelo Índice de Competitividade Global. Atualmente, a posição brasileira é a 78. Em alguns subíndices do relatório divulgado pelo Fórum Econômico Mundial, o Brasil ocupa colocações ainda mais inferiores. Por exemplo, é 116 em qualidade das rodovias, 104 em eficiência marítima, 102 em eficácia da rede elétrica, 86 em desempenho ferroviário e 85 em eficiência do setor aéreo.
Até 2023, governo federal pretende ampliar fatia de investimentos privados na infraestrutura
O levantamento da LCA Consultores considera ainda que a retomada de grandes obras impactaria também na massa salarial do Brasil, já que a construção pesada é a 5ª que melhor remunera no país, entre 31 setores avaliados. Para Claudia Viegas, a guinada no volume de investimento em infraestrutura só será possível se houver uma melhora no ambiente de negócios, que sinalize crescimento sustentável e ganhos de produtividade e competitividade. “Obviamente, no atual momento do país e do mundo, isso só será alcançado se, primeiramente, atingirmos um volume considerável de vacinação em massa da população”, ressalta a economista.
Provocado ao debate, o secretário-executivo do ministério da Infraestrutura, Marcelo Sampaio, afirma que, até 2023, o governo federal pretende ampliar a fatia de investimentos privados na infraestrutura do país, chegando ao percentual de 76% – 48% em novos projetos e 28% em contratos vigentes. O segundo homem na hierarquia do MInfra admite que, atualmente, o orçamento da pasta é insuficiente para atender as demandas do país. De acordo com Marcelo Sampaio, a saída encontrada pelo ministério é modernizar, digitalizar e transferir os ativos do sistema público para o privado.
Entrevistado
Reportagem com base no estudo “SINICON: Raio-X do setor de infraestrutura brasileiro”, apresentado em live do SINICON e replicado na recente edição da Paving Virtual 2021
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Construção civil cria mais de 100 mil novos empregos em 2021

Crédito: Agência Brasília
Impulsionada pelo mercado imobiliário e pelo segmento de reformas, a construção civil fechou o 1º trimestre de 2021 com 111.987 novas vagas ocupadas, segundo dados recentes do Caged (Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Em janeiro, ocorreram 43.498 novas admissões; em fevereiro, 43.469, e em março, 25.020. O Caged mede o saldo mensal entre contratações e demissões no mercado de trabalho formal, ou seja, entre os empregados com carteira assinada.
O desempenho da construção civil no 1º trimestre de 2021, em comparação com o mesmo período de 2020, registra crescimento de 166,05%. Entre janeiro, fevereiro e março do ano passado, o setor abriu 42.092 vagas formais diante das 111.987 atuais. Os dados do Caged são apurados pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, vinculada ao ministério da Economia.
Com os resultados do 1º trimestre, a construção civil segue em 3º lugar entre os setores que mais ofertam vagas formais no país, atrás da indústria e do comércio, e à frente do agronegócio e do setor de serviços. Para o presidente da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), Luiz França, isso demonstra que o setor tem sido pujante no enfrentamento da pandemia. “Independentemente das restrições impostas pelo COVID-19, milhares de postos de trabalho são criados continuamente na área, mês a mês, o que demonstra o potencial de geração de empregos da construção civil”, diz.
Cortes no Orçamento da União ameaçam ritmo de empregabilidade do setor
Há quem entenda, porém, que esse ritmo de abertura de vagas possa diminuir no 2º trimestre (abril, maio e junho). As razões citadas são a aceleração da pandemia no mês de abril – o que fez com que o lockdown em algumas cidades atingisse o varejo de materiais de construção – e os cortes promovidos pelo governo federal no Orçamento da União para 2021, que afetaram diretamente o programa Casa Verde e Amarela.
Compartilham dessa tese organismos como CBIC, Anamaco, Abramat e os SindusCons espalhados pelo país. “O que mais preocupa é a perspectiva de paralisação de obras de habitações populares, decorrente do corte de verbas no orçamento. Se não houver uma alternativa para repor esse corte no orçamento, a produção de 215 mil unidades habitacionais corre risco no país. Significa ameaçar mais de 400 mil empregos diretos e indiretos no setor da construção imobiliária”, avalia Odair Senra, presidente do SindusCon-SP.
Para entender os cortes, o Orçamento da União atingiu diretamente o FAR (Fundo de Arrendamento Residencial) e o FDS (Fundo de Desenvolvimento Social). O FAR subsidia a produção habitacional da iniciativa privada para o segmento de casas populares. Foram cortados 98% de sua dotação, que passou de 1,54 bilhão de reais para 30,8 milhões de reais. Já o FDS alimenta a produção de moradias gerenciadas por organismos como sindicatos e associações. O fundo teve corte superior a 50%, e foi reduzido de 720 milhões de reais para 360 milhões de reais. Esses recursos destinam-se ao pagamento de obras em execução ou que, após interrupções, haviam sido retomadas.
Entrevistado
Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, vinculada ao ministério da Economia e Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (via assessorias de imprensa)
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Índia bate recorde mundial de pavimentação em concreto

Crédito: NHAI
A duplicação da rodovia que liga as cidades indianas de Nova Déli, Vadodara e Mumbai entrou para o Livro dos Recordes como a estrada com o maior trecho de pavimentação em concreto no período de 24 horas. A empreiteira contratada pela Autoridade Nacional de Rodovias da Índia (National Highways Authority of India) pavimentou 2.580 metros entre 8h de 1º de fevereiro de 2021 e 8h do dia seguinte. Foram aplicados 14.613 m³ de concreto.
Detalhe: a concretagem ocorreu simultaneamente nas duas pistas da nova rodovia. A empresa responsável pela empreitada é a Patel Infrastructure Limited, que usou uma vibroacabadora Wirtgen SP 1600 especialmente modificada. A máquina foi adaptada para atender pistas com largura de 18,75 metros. Também foram utilizadas 3 pavimentadoras. O feito teve o reconhecimento do India Book of Records e do Golden Book of World Records. A homologação aconteceu dia 18 de abril de 2021.

Crédito: NHAI
Para conseguir o recorde de pavimentação em 24 horas, a empreiteira contou com 3 centrais de produção de concreto operando ininterruptamente por 20 horas. Uma tem capacidade para produzir 240 m³/hora, outra 112 m³/hora e a terceira 60 m³/hora. Também foram utilizados 120 caminhões para o transporte do material até o local da obra. A produção de concreto consumiu 4.676 toneladas de cimento, 1.169 toneladas de cinzas volantes e 350 toneladas de placas de gelo.
O projeto de duplicação da rodovia começou em 2018 e tem 63 quilômetros com pavimentação em concreto. Cada pista possui duas faixas de tráfego e a largura total da estrada, contando a área de rodagem dos veículos, o espaço para as barreiras New Jersey e os acostamentos, chega a 46 metros. Isso permitiu que cada uma das pistas tivesse 15 metros de largura, além de acostamentos com 5 metros de cada lado e mais 2 metros de acostamentos de terra. O pavimento tem inclinação de 2,5° para ajudar no escoamento da água da chuva.
Índia é o país que mais recupera e constrói rodovias atualmente no mundo

Crédito: NHAI
Como a nova rodovia que ligará Nova Déli, Vadodara e Mumbai terá grande fluxo de caminhões e automóveis - o projeto atende até 100 mil veículos por dia -, e também foi construída sobre uma área de solos moles, o trecho de 63 quilômetros de pavimento rígido conta com subleito de 50 centímetros, mais 10 centímetros de camadas superiores e 30 centímetros de pavimento de concreto.
A empreiteira iniciou a concretagem em 2019 e prevê entregá-la em agosto de 2021. Ao todo, a rodovia que sai de Nova Déli e termina em Mumbai terá 1.300 quilômetros de extensão, mas também há trechos com pavimento mole (asfalto) em construção. O plano do governo indiano é que a maior estrada pedagiada do país seja concluída até o final de 2022.
A Índia é o país que mais recupera e constrói rodovias atualmente no mundo. Entre abril de 2020 e janeiro de 2021, foram pavimentados 8.169 quilômetros - média de 28,16 quilômetros por dia. No período 2019-2020, o país pavimentou 7.573 quilômetros - média diária de 26,11 quilômetros. A meta para o ano fiscal indiano 2021-2022 é alcançar os 11 mil quilômetros.
Entrevistado
Bureau de Imprensa do governo da Índia (Press Information Bureau) e National Highways Authority of India (NHAI)
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Ponte sobre o rio Madeira une a última fronteira do Brasil

Crédito: Governo de Rondônia
O Acre era o único estado do Brasil que ainda não estava ligado à malha rodoviária do país. Para se conectar às estradas que levam para outras regiões, os acreanos precisavam fazer a travessia do rio Madeira através de balsa. Desde 7 de maio de 2021, isso acabou. Foi inaugurada a Ponte do Abunã, que cruza o Madeira, ligando o Acre com Rondônia pela BR-364, e unindo a última fronteira rodoviária do Brasil.
A obra foi desafiadora sob o aspecto da engenharia. O projeto sofreu 3 alterações, duas delas já com a construção em andamento. Uma por causa das cheias do Madeira - a maior delas ocorreu em 2014 – e outra devido à correnteza do rio, que cruza a ponte a uma velocidade média de 25 km/h. Também houve escassez de recursos entre 2014 e 2018, e a obra só ganhou ritmo a partir de 2019. “A enchente de 2014 acendeu o alerta e a ponte voltou para a prancheta, a fim de que o projeto fosse revisado”, diz o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas.
Inicialmente, a ponte teria pouco mais de 1.047 metros de extensão, mas precisou de um prolongamento de 460 metros para ganhar altura e ficar protegida de futuras enchentes causadas pelo rio Madeira. O solo mole também exigiu que fossem cravadas 145 estacas para reforçar as fundações do elevado, além da necessidade de aterros com quase 3 quilômetros de extensão para ligar as cabeceiras da ponte à rodovia.
A obra consumiu o equivalente a 29 mil m³ de concreto, entre elementos pré-moldados e estruturas de concreto armado. Depois de todas as alterações no projeto e dos períodos de interrupções da obra, a execução final ficou a cargo da empreiteira Arteleste Construções.
Estima-se que 2 mil veículos vão circular diariamente pela Ponte do Abunã
No portfólio de apresentação da ponte, a empresa relata os desafios da construção: “O maior é a força do rio, que sobe 10 metros na época chuvosa. Isso tornou muito difícil a execução das estacas, principalmente na parte mais profunda do rio. Além disso, as águas trazem muitos detritos, principalmente madeira, que se acumulam nas estacas e blocos de fundação, o que fez com que o projeto sofresse alterações.”
Oficialmente, a Ponte do Abunã tem 1.507 metros de extensão e 14,9 metros de largura. Ela ganhou esse nome por estar no distrito de Abunã, em Rondônia. O custo chegou a 154 milhões e 124 mil reais. Além de ponte, foi construído um complexo viário de 2,7 quilômetros na BR-364, o qual permite o acesso aos dois lados da obra de arte especial. Estima-se que circularão 2 mil veículos diariamente pela estrutura recentemente inaugurada, dos quais 60% serão caminhões.
Por isso, o DNIT já reservou mais de 1 milhão de reais para promover a iluminação da Ponte do Abunã. Essa etapa deve começar no 2º semestre. De qualquer forma, o tráfego sobre a ponte que cruza o rio Madeira já está liberado e o tempo de viagem entre as capitais de Rondônia (Porto Velho) e Acre (Rio Branco) será encurtado em duas horas. A obra também deve impactar positivamente no custo de vida dos acreanos. A Federação das Indústrias do Estado do Acre (FIEAC) calcula que alimentos e materiais de construção fiquem cerca de 6% mais baratos para o consumidor, por conta da redução no preço do frete.
Entrevistado
Ministério da Infraestrutura, governo de Rondônia e Arteleste Construções (via assessorias de imprensa)
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Cimento terá selo de sustentabilidade e Brasil é modelo
As indústrias do cimento, do concreto e de agregados da Europa, dos Estados Unidos, da América Latina e da Ásia se uniram para o fundar o Conselho de Sustentabilidade do Concreto – Concrete Sustainability Council (CSC). O objetivo é auditar e certificar o fornecimento e o consumo responsável desses insumos. O selo engloba toda a cadeia de produção e será dividido em 4 categorias: gestão, meio ambiente, aspecto social da sustentabilidade e economia.
A certificação tem critérios obrigatórios e o manual técnico pode ser acessado ao final dessa reportagem. Quem busca o selo pode optar pelas versões Platinun, Gold ou Silver. Para Michael Scharpf, presidente do comitê-técnico do Concrete Sustainability Council, o “CSC proporcionará transparência e valor aos projetos de construção sustentável“. Atualmente, em todo o mundo 400 empresas, entre fabricantes de cimento, concreteiras e produtores de agregados, já conseguiram a certificação ou estão em processo de obtê-la.
Os índices da indústria brasileira do setor são referência para as companhias estrangeiras que investem em sustentabilidade na produção. Mundialmente, cimento e concreto respondem por cerca de 7% de todo o CO₂ emitido na atmosfera pela ação humana. No Brasil, essa relação é 3 vezes menor. A participação do setor nas emissões nacionais é de 2,3%. E a meta é diminuir ainda mais o volume de CO₂.
Indústria cimenteira brasileira cumpre rigorosamente os termos do Acordo de Paris
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), Paulo Camillo Penna, o target é reduzir as emissões atuais em mais 33% até 2050. “Com isso, evitaremos lançar 420 milhões de toneladas de CO₂ na atmosfera”, diz. A meta está ligada ao aumento de matérias-primas alternativas ao clínquer na fabricação de cimento, como escórias siderúrgicas, cinzas de termoelétricas e pó de calcário.
Entre as principais iniciativas do setor está elevar o uso de adições de 32% para 48% e substituir o uso de combustíveis fósseis por alternativos, dos atuais 23% para 55% até 2050. Além disso, a indústria cimenteira também investe na renovação de sua linha de produção, adquirindo equipamentos de menor consumo térmico e elétrico. Essas medidas foram responsáveis pela redução de 18% na intensidade de carbono do setor de 1990 a 2019, enquanto a produção de cimento cresceu cerca de 220%.
Segundo Penna, a indústria cimenteira brasileira cumpre rigorosamente os termos do Acordo de Paris. Enquanto a média mundial de emissão encontra-se atualmente em 634 quilos de CO₂ por tonelada de cimento, no Brasil esse valor é de 564 quilos por tonelada do insumo – cerca de 11% menor. O Acordo de Paris é um tratado assinado por 195 países, incluindo o Brasil, que vigora desde novembro de 2016. A principal meta é reduzir as emissões de gases de efeito estufa para limitar o aumento médio de temperatura global a 2 °C, quando comparado a níveis pré-industriais.
Confira o manual técnico da Concrete Sustainability Council
Entrevistado
Concrete Sustainability Council e ABCP/SNIC (via assessorias de comunicação)
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Publicada a norma atualizada para concreto dosado em central

Crédito: Banco de Imagens
O processo de revisão da ABNT NBR 7212 foi prioritário para o CB-018 (Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados) em 2020. Os integrantes da comissão que analisou a norma técnica mais importante para as concreteiras superaram a pandemia de COVID-19 com reuniões virtuais e atingiram a meta para que o novo texto fosse publicado ainda no 1º semestre de 2021. O grupo teve amplo apoio da superintendente do comitê, a engenheira civil Inês Battagin, incentivadora do uso da web para dar celeridade às comissões da ABNT. Graças a esse esforço conjunto, em 22 de abril entrou em vigor a nova ABNT NBR 7212 (Execução de concreto dosado em central – Preparo, fornecimento e controle).
Como o nome diz, a norma técnica estabelece os requisitos para o preparo do concreto dosado em central, incluindo controle da qualidade dos materiais, dosagem, mistura, transporte e fornecimento do concreto, bem como as operações de controle e análise do seu processo de preparo. A ABNT NBR 7212 aplica-se ainda aos casos em que a executante da obra dispõe de central de concreto. O fato da norma ter se tornado mais abrangente tem o objetivo de fazer com que ela sirva de mediadora na relação entre construtoras e concreteiras. Além disso, a versão recentemente publicada abre caminho para que novas tecnologias sejam incorporadas ao concreto dosado em central.
A nova ABNT NBR 7212 cancela a versão de 2012 e traz um espectro mais abrangente de relação com outras normas técnicas. A ela estão vinculadas agora outras 12 normas, que são:
- ABNT NBR 11768-1:2019 (Aditivos químicos para concreto de Cimento Portland Parte 1: Requisitos)
- ABNT NBR 12655:2015 Versão Corrigida:2015 (Concreto de Cimento Portland – Preparo, controle, recebimento e aceitação – Procedimento)
- ABNT NBR 12821:2009 (Preparação de concreto em laboratório – Procedimento)
- ABNT NBR 14931:2004 (Execução de estruturas de concreto – Procedimento)
- ABNT NBR 15823:2017 – partes 1 e 2 (Concreto autoadensável Parte 1: Classificação, controle e recebimento no estado fresco) e (Concreto autoadensável Parte 2: Determinação do espalhamento, do tempo de escoamento e do índice de estabilidade visual – Método do cone de Abrams)
- ABNT NBR 15900-1:2009 (Água para amassamento do concreto Parte 1: Requisitos)
- ABNT NBR 16886:2020 (Concreto – Amostragem de concreto fresco)
- ABNT NBR 16889:2020 (Concreto – Determinação da consistência pelo abatimento do tronco de cone)
- ABNT NBR 5671:1990 Versão Corrigida:1991 (Participação dos intervenientes em serviços e obras de engenharia e arquitetura)
- ABNT NBR 5738:2015 Versão Corrigida:2016 (Concreto – Procedimento para moldagem e cura de corpos de prova)
- ABNT NBR 8953:2015 (Concreto para fins estruturais – Classificação pela massa específica, por grupos de resistência e consistência)
- ABNT NBR 9833:2008 Versão Corrigida:2009 (Concreto fresco – Determinação da massa específica, do rendimento e do teor de ar pelo método gravimétrico).
Para o presidente da ABESC (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem) o engenheiro civil Jairo Abud, a ABNT NBR 7212 vai contribuir para aumentar a produtividade no canteiro de obras. A razão é que, ao admitir sistemas automatizados, a norma técnica abrirá espaço, por exemplo, para a medição eletrônica do slump (consistência do concreto) ainda dentro da betoneira, com o uso de sensores instalados no balão. Tais procedimentos já são adotados nos Estados Unidos e na Europa e agora podem chegar ao Brasil graças à versão 2021 da ABNT NBR 7212.
Entrevistado
CB-018 (Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados) da ABNT e ABESC (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem) (via assessoria de imprensa)
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cb-18@abcp.org.br
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Manual ensina boas práticas para montar obras com pré-fabricados

Crédito: IBRACON/ABCIC
O documento, como ressalta Luiz Livi, que é diretor de marketing da ABCIC e diretor de estruturas pré-fabricadas da ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural), atende “obras de qualquer tipo e de qualquer porte”. O engenheiro civil também destaca que o manual prioriza as operações que não estão cobertas nas normas técnicas e que são executadas diariamente nas obras que utilizam elementos pré-fabricados de concreto. “O manual não foi feito para ficar no escritório, mas sim para ser manuseado no canteiro de obras”, diz.
O guia contempla planejamento da montagem, carga e descarga, montagem, tolerância relativa à montagem, projetos, segurança na montagem, ferramentas de gestão da montagem e qualidade. Seu conteúdo também está alicerçado nas duas principais normas técnicas para a construção industrializada de concreto: a ABNT 9062 (Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado) e a ABNT 6118 (Projeto de estruturas de concreto-Procedimento). O documento ainda considera as normas
regulamentadoras para a construção civil, como a NR-18 (Condições de segurança e saúde para o trabalho na indústria da construção).
Objetivo central do guia é impedir que aconteçam acidentes nas obras
Luiz Livi reforça ainda que o manual remete aos conceitos do selo de excelência da ABCIC. Ele frisa que o guia aborda principalmente questões que ficam nas fases transitórias, entre a produção do elemento na fábrica e sua execução no canteiro de obras. O transporte é um deles. “Criamos um modelo sobre os esforços que devem ser considerados na aceleração, na frenagem, nas curvas e na passagem de lombadas. Isso antes ficava a cargo de quem fazia o frete”, afirma.
Ainda sobre as “fases transitórias”, Livi deu um exemplo de como os projetos com elementos industrializados de concreto têm especificações muito diferentes dos que utilizam concreto armado ou concreto pré-moldado in loco. “Peguemos o exemplo de um pilar. Na fábrica, ele é concebido na horizontal. Daí ele é armazenado, transportado e chega para a montagem. Um dia esse pilar foi solteiro, sozinho, mas na obra ele terá que desempenhar sua função na vertical e em conjunto com outros pilares. Essa peça precisa ter garantias de que possui estabilidade. O que o manual ensina é como testar essas garantias”, completa.
O dirigente da ABCIC e da ABECE também afirma que boas práticas impedem acidentes na obra, e que esse é “o objetivo central do guia”. Elaborado em 2019, o documento é destinado para um amplo público. Desde clientes, passando por projetistas, supervisores, técnicos, trabalhadores da construção civil, pesquisadores e estudantes de engenharia civil. Clique aqui para adquirir o Manual de montagem das estruturas pré-moldadas de concreto.
Entrevistado
Reportagem com base na live promovida pelo comitê técnico IBRACON-ABCIC CT 304, com palestra do engenheiro civil Luiz Livi.
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abcic@abcic.org.br
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Altair Santos MTB 2330
Como fica o engenheiro de cálculo na era da Engenharia 4.0?

Crédito: CSI
Dia 4 de maio comemorou-se o dia do engenheiro de cálculo, também conhecido como calculista, projetista ou engenheiro de estruturas. Independentemente da nomenclatura, é ele quem define os parâmetros para que uma construção se mantenha em pé ao longo de sua vida útil. Se no passado a régua de cálculo era o instrumento inseparável desse profissional, hoje há softwares cada vez mais sofisticados para auxiliar na tarefa de projetar estruturas, seja em concreto armado, concreto protendido, aço ou madeira.
São ferramentas que se tornaram imprescindíveis para o calculista que queira sobreviver na era da Engenharia 4.0. Mas qual software de cálculo estrutural é o melhor? A resposta é “depende”. Existem passos a serem seguidos para se chegar ao melhor aplicativo. Os principais são: verificar o quanto ele está adequado às normas técnicas, analisar se opera em conjunto com o BIM, ver qual atende melhor as características do projeto e observar a curva de aprendizagem.
Se o cálculo for para um projeto de edificação de até 5 pavimentos, recomenda-se um tipo de software. Caso seja para um prédio superalto, uma ponte ou uma hidrelétrica, aí a ferramenta precisa ter mais sofisticação tecnológica, e também vai exigir mais conhecimento de quem irá operá-la. No Brasil, as 5 ferramentas mais usadas pelos engenheiros de estrutura são as seguintes:
SAP2000
Existe há 30 anos. Popularizou-se por ser um programa com interface intuitiva, vasto conjunto de recursos e por permitir concepção e análise de estruturas em 3D. É mais usado em projetos de obras de infraestrutura, principalmente pontes e viadutos.
TQS
É um software nacional. Usado principalmente no cálculo estrutural de edificações em concreto protendido e armado, e também em estruturas pré-moldadas. O engenheiro estrutural fornece os dados estruturais de pilares, lajes, vigas e fundações e o software calcula e fornece simulações. Vem adequado às versões mais novas das normas técnicas brasileiras relacionadas com estruturas de concreto.
Cypecad
É outro software nacional. Realiza cálculo de estruturas em concreto armado, protendido, pré-moldado e misto de concreto e aço. Abrange uma ampla gama de tipos de pilares, lajes e fundações. É muito usado por ter uma curva de aprendizado rápida e por notificar quando existe alguma não-conformidade no projeto.
Eberick
Possui múltiplas funções, como modelagem, análise e dimensionamento, para estruturas em concreto armado e estruturas mistas. O ponto central é o nível de detalhes gerados em 3D.
Metálicas 3D
De origem espanhola, é um dos mais completos para projetos que utilizam estruturas mistas de concreto e aço.
Ferramentas devem operar com base nas normas técnicas atualizadas
Todos os softwares devem atender as versões mais atualizadas das normas técnicas relacionadas com estruturas de edificações. No caso dos projetos que utilizam concreto, as normas relevantes são: ABNT NBR 6118 (Estruturas de concreto armado – Procedimento), ABNT NBR 8681 (Ações e segurança nas estruturas – Procedimento), ABNT NBR 6123 (Forças devidas ao vento em edificações), ABNT NBR 9062 (Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado) e ABNT NBR 10837 (Cálculo de alvenaria estrutural de blocos vazados de concreto – Procedimento).
Quanto à ABNT NBR 8800 (Projeto de estruturas de aço e de estruturas mistas de aço e concreto de edifícios) os softwares utilizam a versão de 2008, mas o processo de revisão da norma está a caminho. A ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural) irá reativar a comissão (CE-002:125.003 – Comissão de Estudo de Estruturas de Aço e Mistas de Aço e Concreto) a partir de 13 de maio de 2021. O projeto do texto-base para sua revisão tem sido discutido desde 2020.
Entrevistado
Computers & Structures Inc., TQS Informática, Multiplus Softwares Técnicos, AltoQi e ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural)
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feedback@csiamerica.com
store@tqs.com.br
altoqi.com.br/contato
financeiro@multiplus.com
abece@abece.com.br
Jornalista responsável:
Altair Santos MTB 2330
Crossrail inicia fase de testes na primavera britânica

Crédito: Crossrail Ltd.
A linha de trem Crossrail, a maior obra de mobilidade urbana da Europa, entrará em fase de teste em junho, durante a primavera no hemisfério norte. A previsão é da prefeitura de Londres. A obra é praticamente uma linha reta com 108 quilômetros de extensão, dos quais 42 quilômetros são percorridos em túneis. O trajeto corta a capital britânica de leste a oeste, interligando também cidades vizinhas à metrópole inglesa. A construção começou em 2008 e era para ter sido concluída em 2018. Escassez de recursos e lentidão em processos de desapropriações dilataram o prazo. O custo final da obra chega a 18,7 bilhões de libras (cerca de 130 bilhões de reais).
O projeto do eixo metroviário utilizou-se amplamente da construção industrializada do concreto. Uma das inovações usadas na obra foi a central de concreto sobre trilho, para dar agilidade à logística de distribuição do material nos vários canteiros de obras instalados no percurso da Crossrail. A composição de 465 metros, com capacidade para produzir até 50 mil m³ de concreto por mês, será utilizada em futuras obras no Reino Unido. Além de produzir o insumo principal para a construção da linha metropolitana, o trem serviu também para transportar parte das 250 mil aduelas de concreto usadas para revestir os túneis escavados.
Para a produção das aduelas foram consumidos 140 mil m³ de concreto. Cada elemento pesa 3,4 toneladas e no auge da produção a fábrica de pré-fabricados contratada para fornecer os segmentos chegou a fabricar 330 unidades por dia. Outra inovação na obra da Crossrail foi o uso de concreto com densidade de 3,6 t/m³ para a construção de uma laje de via flutuante (do termo em inglês, floating track slab [FTS]) sobre os 42 quilômetros de túneis – comparativamente, o concreto convencional pesa em média 2,4 t/m³. O objetivo é minimizar os impactos de ruído e de vibração na infraestrutura acima do solo. O trecho subterrâneo da linha de trem é o que cruza a área mais densamente povoada de Londres, cujas obras foram concluídas no final de 2020.
Obra propiciou a criação de uma escola para formar profissionais especializados em túneis
Com a etapa de engenharia finalizada, a Crossrail ficará cerca de 6 meses em operação-teste até ser liberada para o público – previsto para o começo de 2022. Quando entrar efetivamente em operação, a linha dará um upgrade em Londres, estimam consultores imobiliários. Além de gerar 300 mil novos empregos diretos e indiretos, a obra promete transformar os bairros de Ealing, Woolwich, Ilford e Romford, atraindo empresas e estimulando a construção de 90 mil novas residências, além de edifícios corporativos e centros comerciais. “Calcula-se que os novos empreendimentos possam ocupar uma área de 280 mil m², com investimento de 500 milhões de libras (cerca de 3,5 bilhões de reais)”, diz relatório da consultoria britânica GVA.
A Crossrail também deixa um legado para a engenharia britânica. Em 2011, no início do andamento das obras, foi criada a Academia de Túneis e Construção Subterrânea (TUCA, do inglês Tunneling and Underground Construction Academy). Entre engenheiros civis, operadores de equipamentos e operários da construção civil, a escola especializou mais de 15 mil profissionais em 10 anos. A academia não será descontinuada e seguirá formando trabalhadores para futuras obras no Reino Unido.
Entrevistado
Crossrail Ltd. (via assessoria de imprensa)
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Jornalista responsável:
Altair Santos MTB 2330
Em 2021, financiamento imobiliário bate novos recordes

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Balanço divulgado pela Caixa Econômica Federal sobre o desempenho do financiamento imobiliário no 1º trimestre de 2021 mostra que os recordes alcançados em 2020 tendem a ser superados este ano. O banco concedeu quase 29 bilhões de reais em empréstimos para a aquisição da casa própria e assinou 134.800 novos contratos, entre janeiro, fevereiro e março. O volume é 35,5% superior ao concedido no mesmo período do ano passado.
A Caixa também financiou a construção de 562 empreendimentos no 1º trimestre, o que coloca 68.900 novas unidades em produção. O número é 48% maior que o apurado no mesmo período de 2020. Atualmente, o banco financia mais de 7 mil novas obras habitacionais, que resultam em 940.000 unidades em construção. O volume gera 212.600 postos de trabalho diretos e indiretos na construção civil.
Para o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, o desempenho do 1º trimestre confirma que o segmento imobiliário é o “coração da Caixa”. O dirigente também assegura que os juros do financiamento da casa própria não acompanharão as altas da taxa Selic, porque a modalidade com taxa fixa leva em consideração a curva longa de juros e não a de curto prazo. “A vida média de crédito imobiliário da Caixa fica em torno de 8 anos. Só vamos elevar os juros se houver expectativa de taxas longas superiores às atuais”, assegura.
O banco oferece modalidades pré-fixadas e pós-fixadas de crédito imobiliário – essas são corrigidas pela poupança, pela inflação ou pela TR (Taxa Referencial). “A que é corrigida pela poupança é diretamente influenciada pela taxa básica, porque a modalidade rende 70% da Selic, quando a taxa básica está abaixo de 8,5%. Em relação à taxa atrelada pela TR, que hoje está em zero, pode ter uma variação na parte fixa se houver aumento contínuo, mas não estamos discutindo isso no momento”, completa Pedro Guimarães.
Caixa afirma ter estoque de 3 anos para o crédito habitacional, e espera crescer mais
Com o resultado do 1º trimestre, a carteira de crédito habitacional da Caixa, que mede o estoque de empréstimos, atingiu 514 bilhões e 100 milhões de reais. O banco continua como o maior financiador da casa própria no Brasil, concentrando 68,5% do mercado, e, de acordo com Pedro Guimarães, não faltarão recursos para o crédito imobiliário. “Temos aproximadamente 400 bilhões de reais em poupança e 500 bilhões de reais em crédito imobiliário. Como parte da modalidade é feita com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) temos uma sobra de cerca de 150 bilhões de reais. Ainda temos muito espaço para crescer e não faltará fonte de recursos por pelo menos 3 anos”, diz.
O Banco Central estima que, além da Caixa, as outras instituições financeiras também seguirão ofertando financiamento imobiliário em volume maior que em 2020. A projeção é de crescimento de 11%, na comparação com o ano passado. Outra perspectiva é de que a taxa de inadimplência também continue baixa. Em 2020, a carteira habitacional da Caixa para pessoa física encerrou o ano com 1,28% dos contratos inadimplentes.
Entrevistado
Caixa Econômica Federal (via assessoria de imprensa)
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Jornalista responsável:
Altair Santos MTB 2330




