Otimismo na construção civil reflete o bom desempenho do setor

Para o diretor de economia do Sinduscon-SP, o momento é bom, mas devemos pensar o futuro

Por: Michel Mello

Os empresários brasileiros da construção civil possuem uma percepção positiva em relação ao desempenho das indústrias da construção até o terceiro trimestre de 2010. Esse é o resultado da 44ª Sondagem Nacional da Construção, uma pesquisa realizada pelo Sindicato Nacional das Indústrias da Construção de São Paulo (Sinduscon-SP), em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). A sondagem é realizada trimestralmente desde o ano de 1999 e funciona como um termômetro da economia no país.

Eduardo Zaidan

Uma preocupação constante desses empresários, e que reincide em pesquisas passadas, é a apreensão em relação à inflação e aos altos custos dos insumos da construção.  Para o diretor de economia do Sinduscon-SP, o engenheiro Eduardo Zaidan, “essa sondagem é um reflexo razoável do passado e que nos permite ter uma ideia de como será o futuro da economia do país”. A sondagem ouviu uma mostra qualitativa de 233 empresários de diversas regiões do país ligados ao setor da construção.

Valores X percepção

Na pesquisa, os empresários atribuem a cada quesito uma pontuação que vai de 0 a 100. Os valores acima de 50 são considerados desempenho ou perspectiva favorável. Para o quesito de dificuldades financeiras, os valores acima de 50 apontam perspectiva ou desempenho negativo ou desfavorável.
A percepção do desempenho atual das empresas da construção ficou em 59,22 pontos, o que representa uma queda de 1,2% em relação ao último trimestre, mas ainda acima da elevação de 13,5% do ano anterior. As perspectivas de desempenho futuro das construtoras receberam 61,5 pontos, representando um desempenho semelhante ao ano passado.

A probabilidade de crescimento econômico ficou em 62,43 pontos o que denota a avaliação da condução da política econômica positiva no trimestre, mas a percepção sobre dificuldades financeiras se mostrou um grande entrave à maioria dos empresários.

Crescimento sustentável

A construção civil é uma atividade econômica de longo prazo, representada por um ciclo de investimentos com duração entre 24 e 36 meses. Isso quer dizer que os efeitos sucedidos na macroeconomia serão sentidos com um certo atraso. “Foi assim com a crise financeira de 2009, que quando chegou ao Brasil, encontrou todos os contratos assinados e projetos de obras já em execução. Então as construtoras puderam continuar trabalhando e não repassaram o efeito da crise a outros setores”, afirma Zaidan.

O diretor de economia diz: “Vale lembrar que o crescimento sustentável de um país deve estar baseado em investimentos, infraestrutura, máquinas e equipamentos para que as indústrias, quaisquer que forem elas, inclusive a da construção civil, possa continuar crescendo e gerando empregos”.

“Os desafios são enormes. Há muitas dificuldades em se tratando de economia brasileira. As variáveis fundamentais da economia são um terror. A inflação é ainda muito alta. A taxa de câmbio para a indústria realmente assusta. E temos uma taxa de juros real, que é escandalosa. Isso afeta as finanças públicas, os investimentos e também a poupança das famílias”, destaca Eduardo Zaidan.

Déficit habitacional

O déficit habitacional brasileiro (clique e saiba mais no link: http://www.cimentoitambe.com.br/massa-cinzenta/deficit-habitacional-uma-oportunidade-para-a-construcao-civil-do-pais/) é algo em torno de cinco ou seis milhões de residências, pois o país acumulou um atraso de 20 anos sem planos de habitação. Os resultados são grandes centros urbanos lotados, de terrenos e moradias inadequadas e a favelização urbana.  Para Zaidan: “Uma das iniciativas que corroboram para solucionar esse atraso em relação das moradias é o Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV), do governo federal (clique e confira mais informações na matéria: http://www.cimentoitambe.com.br/massa-cinzenta/financiamento-habitacional-garante-a-expansao-da-economia/). Com ele houve uma transferência de crédito da população com possibilidade de consumo para as construtoras. Estas repassaram o crédito a todos os fornecedores do mercado da construção. E o retorno à população foi em forma de novas habitações de qualidade”.

Segundo dados do Construbusiness, em torno de 16% do PIB brasileiro passa pela indústria da construção. “Isso também representa um investimento na formação de capital fixo do país. Nós levaríamos pelo menos cinco anos, no mesmo ritmo, para resolver o problema da habitação no país. Pois, a sociedade brasileira demanda por novas e boas habitações”, conclui Eduardo Zaidan.

Entrevistado
Eduardo Zaidan
Currículo
- Formado em engenharia civil pela Fundação Armando Álvares Penteado.
- Pós-graduado em administração de Empresas pela EASP FGV-SP.
- MBA Executivo Construção Civil pela Escola de Economia da FGV-SP.
- Possui mais de 30 anos de experiência no mercado imobiliário e da construção.
- Diretor executivo da RFM Construtora Ltda.
- Diretor de Economia e presidente do Conselho Consultivo do Sinduscon-SP.

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NBR 15575/2008 - Norma de Desempenho prorrogada

Norma de Desempenho foi prorrogada e a ABNT agora chama para a consulta pública

Por: Michel Mello

A Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT concordou em reativar a Comissão de Estudo que elaborou a norma de desempenho, NBR 15575/2008 para estabelecer um novo prazo de vigência. As seis partes que compõem a norma receberam emendas, e por isso estão de volta ao processo de Consulta Nacional.

A NBR 15575/2008, norma de desempenho térmico e acústico para edificações de até cinco pavimentos, foi instituída pela ABNT e criada com o objetivo de melhorar o desempenho e o acabamento de materiais na construção civil. A razão para esta nova consulta são as muitas dúvidas geradas nas construtoras e os possíveis reflexos causados na cadeia produtiva da construção. Por isso a norma precisa de mais tempo para entrar em vigor, um período maior de análise e adequação das construtoras.

Chamada Pública

A norma de desempenho refere-se a conforto térmico, luminosidade, ventilação, acústica, reaproveitamento de água em edificações de até cinco pavimentos. A ABNT, de comum acordo com entidades representativas do setor, resolveu prorrogar o prazo para poder esclarecer dúvidas e elaborar um plano de ação que mobilize os setores da indústria da construção civil para as adaptações às exigências da norma.

Para viabilizar a Norma, a ABNT realiza chamadas de consultas públicas em que pretende reunir os diferentes segmentos da sociedade em torno das demandas de adequação às normas. Vale lembrar que essa normatização é um marco que irá alterar o modo de construir no país.

Paulo Safady Simão

Sobre a Norma de Desempenho entrevistamos o presidente da Câmara Brasileira das Indústrias da Construção – CBIC, o engenheiro civil Paulo Safady Simão, confira abaixo a entrevista:

1) Em termos de avanço da NBR 15575/2008 para as construções?
R: A Norma de Desempenho NBR 15575/2008 traz importantes avanços para o setor da construção, como: abordagem em desempenho no lugar do caráter prescritivo; foco no conforto e segurança do morador; incentivo à inovação e sustentabilidade; qualidade como valor agregado; co-responsabilidade dos projetistas, construtores, fabricantes e usuários pelo desempenho da habitação e definição de ensaios para perícia.

2) O setor da construção civil está preparado para atender as normas?
R: É consenso entre as organizações representativas do segmento que o mercado não está preparado para atender imediatamente vários parâmetros exigidos na Norma. Não existem fornecedores com produção em escala suficiente para atender a demanda do mercado dentro dos novos parâmetros. Por isso, ficou entendido que deve existir um prazo maior para a adaptação.

3) E como acontecerá o processo de adequação às normas?
R: A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) abriu uma consulta pública de seis emendas. Todas as emendas tratam exclusivamente da extensão do prazo de exigibilidade das Normas para março de 2012, conforme aprovado na reunião do Comitê Brasileiro da Construção Civil (CB-02) do último dia 20 de setembro. Uma vez aprovada a emenda, a norma deverá ser novamente publicada no dia 11 de novembro de 2010. A vigência do novo texto terá início 30 dias após a sua publicação, o que corresponderá a uma nova data de entrada em vigor: 11 de dezembro de 2010. Quinze meses após essa provável nova data de entrada em vigor, corresponde ao mês de março de 2012”.
Para quem quiser mais informações siga os seguintes passos:
- consulte o site da ABNT www.abnt.org.br;
- clique em Consulta Nacional;
- clique em ABNT/CB-02 e acesse os projetos de emenda.
Será preciso fazer um cadastro e gravar uma senha, que será válida para outras oportunidades em que você precisar conhecer projetos em votação.
 
Entrevistado
Paulo Safady Simão
-Presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção - CBIC Gestão 2008/2011.
-Engenheiro Civil formado na Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais.
-Especialista em Administração de Empresas na Fundação João Pinheiro, em conjunto com a Graduate School of Business da Columbia University de New York.
-Membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) da Presidência da República desde 2003.
-Vice-presidente da Federação Interamericana da Indústria da Construção (FIIC), gestão 2003/2011;
-Vice-presidente da Confederação das Associações Internacionais de Empreiteiras de Construção (CICA), gestão 2010/2012.
-Diretor presidente da Wady Simão-Construções e Incorporações LTDA.

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Prêmio Soluções para Cidades é de alunos da Universidade Feevale

Projeto foi escolhido pela originalidade e criatividade

Por: Lilian Júlio
Os alunos vencedores mostram seu projeto e o prêmio de primeiro lugar

Promovido pela Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), o Prêmio Soluções para Cidades incentiva alunos de arquitetura e urbanismo a desenvolverem um mobiliário urbano que pudesse ser aplicado em diversas funções. O projeto vencedor foi o dos alunos da Universidade Feevale (RS), Karen Kussler e Guilherme Osterkamp.

A premiação ocorreu no dia 27 de agosto, durante a Concrete Show, em São Paulo (SP). A cerimônia foi conduzida pelo presidente da ABCP, Renato Giusti, e por Rafael Schimidt, conselheiro da diretoria do IAB. O segundo colocado foi o projeto dos alunos Hudson Gonçalves Martins e Juan Carlos Câmara, do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora, e o terceiro coube a Ana Maria Freire, André Figueiredo, Bruno Firmino e Maria Cavalcanti, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Além dos três primeiros colocados, que receberam prêmios em dinheiro, outros projetos receberam menções honrosas e destaques na cerimônia.

Projeto original

O projeto desenvolvido pelos alunos da Feevale se destacou pela multiplicidade de aplicações

O trabalho de Karen e Guilherme consistia em uma peça de concreto pré-moldado, chamada de Drop. Com esta peça é possível compor bancos, lixeiras, bicicletários, postes de iluminação e brinquedos infantis. “A proposta do prêmio era a criação de um mobiliário urbano para uma praça, mas que pudesse ser aplicado em vários espaços da cidade e em diversas funções”, explica Karen, uma das vencedoras.

“O projeto vencedor chamou a atenção pela originalidade, flexibilidade de utilização e possibilidade de produção em escala industrial”, conta Hugo Rodrigues, gerente de comunicação da ABCP. Para ele, a proposta de Karen e Guilherme já havia se destacado nas primeiras reuniões de avaliação. “O impacto visual da proposta e a possibilidade de diversos usos são critérios fundamentais na hora do julgamento. E foi aí que o projeto dos alunos da Feevale se destacou”.

Hugo Rodrigues

A oportunidade, agora, é transformar o projeto em produto. “A comissão julgadora sugeriu aos vencedores que busquem a patente das peças propostas, assim como o desenvolvimento do projeto e a produção do mobiliário em escala industrial”, comenta Rodrigues. “Estamos estudando as propostas e vamos desenvolver um protótipo do Drop para tirar o projeto do papel e pensar numa produção”, revela a aluna Karen.

Prêmios como incentivo acadêmico

De acordo com Hugo Rodrigues, da ABCP, concursos como o Prêmio Soluções para Cidades auxiliam a fortalecer o ensino de arquitetura e a cultura do emprego dos sistemas construtivos à base de cimento no Brasil. “Apesar do nosso país ser tradicionalmente construído em concreto a gente não pode deixar de incentivar, cada vez mais, os nossos futuros profissionais a aprofundarem seus conhecimentos nestes sistemas”, explica. “Sempre que puder a associação vai incentivar esse tipo de atividade no meio acadêmico, pois cabe a nós, profissionais, fomentar a formação dos futuros arquitetos e urbanistas”.

Além do fortalecimento do ensino, Rodrigues vê os prêmios voltados a estudantes de forma muito positiva. “Eles fomentam uma maior integração entre professor e alunos, já que todo projeto precisa de um orientador; gera interesse no estudante para se aprofundar em determinados temas – ele precisa conhecer detalhes do que irá propor; incentiva a participação em concursos desde os bancos universitários; e leva o aluno a ter contato com a realidade da profissão”, afirma. Segundo Rodrigues, esses aspectos são fundamentais para o desenvolvimento profissional do setor.

Já para os alunos que desenvolvem os projetos, fica o desejo de continuar o trabalho. “O reconhecimento que temos após a premiação é incrível! Participar do prêmio é muito gratificante e agora queremos desenvolver nosso projeto ainda mais”, finaliza Karen.

Entrevistado
Hugo Rodrigues
Engenheiro civil com MBA em Comunicação e Marketing. Gerencia a área de Comunicação da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

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CRA-SC e IAB-SC lançam as bases para a construção sustentável

A adoção de práticas sustentáveis diminui os custos em projeto e construção das edificações

Por: Michel Mello

Preocupado em estabelecer critérios sustentáveis nas construções o Instituto de Arquitetos do Brasil – Depto Santa Catarina – IAB-SC promoveu o Concurso Nacional de Arquitetura para escolha do anteprojeto de arquitetura utilizado na construção do edifício sede do Conselho Regional de Administração – CRA-SC. O custo para o empreendimento está estimado em R$ 1.000,00 por metro quadrado, sendo que o valor total não poderá ultrapassar R$ 6.500.000,00. Nesta estimativa estão inclusos todos os equipamentos e tratamentos fixos ligados à edificação.

O primeiro colocado no concurso, além da premiação em dinheiro no valor de R$ 30.000,00, contratará junto ao Conselho Regional de Administração, o desenvolvimento do projeto executivo de arquitetura, memorial descritivo, coordenação e elaboração dos projetos complementares, dentro das normas técnicas brasileiras e das legislações vigentes. Estão previstas também premiações para os segundo e terceiro lugares onde, respectivamente, eles receberão o prêmio de R$ 15.000,00 e o de R$ 5.000,00.

O concurso recebeu inscrições até o último dia 08 de outubro, com data limite para a entrega dos projetos em 06 de novembro. Ao total foram inscritos 75 projetos de equipes ou pessoas físicas. Para ingressar no concurso era necessário que os participantes tivessem atribuição em projeto de arquitetura, além das habilitações exigidas para o desenvolvimento dos projetos executivos dispostos na minuta do contrato. O resultado será divulgado em 03 de dezembro de 2010.

Projeto sustentável

João Carlos Domingues Carneiro

O presidente do CRA/SC, João Carlos Domingues Carneiro, diz que: “decidimos pelo lançamento do concurso por acreditarmos que, dessa forma, conseguiremos selecionar um projeto arquitetônico que atenderá integralmente às necessidades da entidade”.

Sobre a escolha de um projeto sustentável, o presidente do CRA/SC informou que: “ao mesmo tempo, não podemos ignorar o fato de que representamos uma categoria muito importante, que precisa estar na vanguarda das tendências da gestão. E hoje é inimaginável termos uma instituição que pense o futuro sem se preocupar com as questões ambientais. Daí o motivo da nossa opção por um prédio "verde". Isso sem falar que a adoção de práticas sustentáveis comprovadamente diminui os custos futuros com o uso da edificação”.

Sergio Oliva

O arquiteto Sérgio Oliva, que é coordenador de concursos do IAB/SC e responsável pelo concurso do prédio sustentável do CRA/SC, respondeu ao Massa Cinzenta sobre a ideia que baliza o projeto do concurso e do prédio sustentável. Leia a entrevista abaixo:

Como surgiu o convite para realizar o concurso da nova sede do CRA-SC?
Sérgio Oliva: O IAB e o IAB/SC vêm buscando difundir a prática de concursos entre poder público e a iniciativa privada, como a melhor forma de contratação de projetos de arquitetura. O convite surgiu diretamente do Conselho Regional de Administração de Santa Catarina que tomou conhecimento dessa temática e buscou a parceria com o IAB/SC para realização dessa empreitada.

Como o IAB pensou essa proposta até chegar à idéia ou consenso desse concurso?
Sérgio Oliva: Ocorreram diversas discussões entre a equipe organizadora do concurso e a diretoria do CRA-SC, onde a organização detalhou diversos pontos importantes que poderiam nortear a proposta, como os critérios de sustentabilidade, por exemplo, que foram avaliados, inclusive no quesito custo, pelo CRA-SC, até se chegar no desenho final, que foi lançado.

O que seria, na opinião dos idealizadores, um prédio sustentável, que valores ele deve agregar?
Sérgio Oliva: Um prédio sustentável agrega valores relativos a diversas áreas, não só a ambiental, como é convencionado falar. A sustentabilidade passa por práticas de projeto, desde o lançamento da ideia, até o detalhamento e especificação dos materiais e técnicas construtivas a serem utilizados, incluindo:
- a flexibilização dos ambientes e reutilização de materiais;
- avaliações de resultados de consumo energético na edificação;
- iluminação, climatização, utilização da água;
- avaliações sociais, como a comunicabilidade com o entorno, stress causado aos usuários, impactos urbanos e paisagísticos (incluindo estacionamentos, impacto viário, de transporte público.
- aproveitamento das condições climáticas do local;
- diminuição do custo de operação do edifício;
- priorização da utilização de mão de obra e produtos locais ou regionais; e
- reciclagem da própria edificação ao término da sua vida útil.

O consumo consciente está subentendido na economia de materiais quando é definido um valor máximo a ser gasto por m². Pode falar mais sobre essa prática, o que o IABSC pretende?
Sérgio Oliva: O valor máximo a ser gasto passa, antes de tudo, pelo equilíbrio contábil do contratante do Concurso. É praxe nos concursos organizados pelo IAB/SC a utilização de um valor máximo da obra, especialmente pelo respeito que a entidade tem ao contratante e ao participante do concurso. Pois, entendemos que deixando o valor máximo livre, é possível que o projeto vencedor não possa ser executado pelo promotor. Isto causa um mal estar entre todos, e, principalmente, deixa a modalidade concursos desacreditada. Nós confiamos que os profissionais e empresas que se inscrevem para participar querem fazer e ver construído, e, para isto, utilizarão de seus conhecimentos e criatividade para se adequarem da melhor forma possível ao custo total da obra.

Podemos alcançar “sustentabilidade” na gestão e na execução de obras?
Sérgio Oliva:
Com certeza, inclusive existem várias certificações que se baseiam mais nos procedimentos de obra do que no projeto em si. Esta prática deveria sempre estar presente nos editais para contratação de obras, independente de certificações serem levadas a cabo.

Esse é o primeiro prédio sustentável de Santa Catarina? Existem iniciativas como essa no Brasil?
Sérgio Oliva: Em Santa Catarina já existem outras edificações com selos de sustentabilidade, porém, é o primeiro concurso que traz esta prerrogativa como diretriz principal no Estado. Em nível de Brasil, recentemente, foi realizado o concurso para a sede do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura/PR que também priorizou a sustentabilidade.
Para mais informações consulte o link: http://iab-sc.org.br

Entrevistados:
João Carlos Domingues Carneiro
- Possui graduação em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSCar).
- Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UfSCar).
- Professor titular do Curso de Administração da Universidade do Vale do Itajaí (Univale).
- Membro de comissão avaliadora do Conselho Estadual de Educação (CEE/SC).
- Membro da Associação dos Administradores da Grande Florianópolis.
- Conselheiro e Presidente do Conselho Regional de Administração de Santa Catarina - CRA/SC.
Contato: carneiro@crasc.org.br

Sergio Oliva
- Formado em Arquitetura e Urbanismo pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).
- Pós-graduado em Gerenciamento de Obras pelo Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET-PR)
- Coordenador Estadual de Concurso do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB/SC).
Contato: sergio@medeirosoliva.arq.br

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Caixa Econômica lança portal para a construção civil

O Portal da Construção Civil reúne informações e serviços da CEF para o setor num só lugar

Lilian Júlio
Suely Molinari: “O portal é uma iniciativa para facilitar a comunicação”

A Caixa Econômica Federal (CEF) lançou, na última semana de julho, o Portal da Construção Civil. “É um portal de domínio público e gratuito. Basta acessar o site da Caixa e entrar na área da Construção Civil para ter acesso às informações”, explica Suely Molinari, gerente regional da CEF para a Construção Civil. “Com esta iniciativa, nossa intenção é facilitar a comunicação”.

O Portal da Construção Civil reúne os serviços oferecidos pela Caixa – como linhas de crédito para construtoras, financiamentos e outros. O site é dividido em categorias: construtora, imobiliária, lojas de material de construção, profissionais, entidades representativas e indústria, além do simulador de financiamento. “Por exemplo, quando uma imobiliária vai passar informações sobre a linha de crédito para algum cliente pode acessar o portal e fazer uma simulação na hora”, conta Suely.

Facilidade para vender

As construtoras cadastradas na Caixa possuem uma área especial no portal, na qual podem cadastrar seus imóveis à venda. “Quando a construtora tem um imóvel na planta que será vendido através da Caixa ela pode cadastrá-lo no Portal de Empreendimentos, onde ela fica disponível para os correspondentes imobiliários”, relata Suely. “É uma forma de facilitar a troca de informações entre banco e construtora e entre construtora e imobiliária”.

A criação

O Portal da Construção Civil possui áreas para cada tipo de profissional

Suely conta que a ideia de criar o Portal da Construção Civil da Caixa surgiu pelo grande número de acessos no site da CEF. “Além desses acessos – muitas vezes procurando informações sobre financiamentos – tínhamos uma procura muito grande no banco pelos serviços voltados à construção civil”, afirma. “Criar o Portal da Construção foi a solução encontrada para otimizar a vida do nosso cliente, que agora não precisa mais ir até uma agência da Caixa para buscar informações”.

Além dos serviços oferecidos, o Portal da Construção Civil possui uma área com os Índices da Construção Civil. “Antes, para ter acesso a esses índices, o usuário tinha que buscar informações em várias fontes. Agora elas estão centralizadas num mesmo local”, afirma Suely.

Outros serviços

O Portal da Construção Civil oferece informações e serviços para várias categorias da construção civil. Conheça alguns deles abaixo:

- Banco de lojas de material de construção
- Acesso a serviços bancários
- Documentos necessários para a avaliação de crédito
- Busca de rede de agências
- Portal de Empreendimentos

Acesse o Portal da Construção Civil aqui: http://www1.caixa.gov.br/construcaocivil/index.asp

Entrevistado
Suely Molinari
É gerente regional para a Construção Civil na Caixa Econômica Federal, empresa da qual faz parte há 29 anos. Formada em administração de empresas e com MBA em Gestão de Negócios.

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Nova lei reduz em 10% a taxa de ocupação do solo em Belo Horizonte

A Lei de Uso e Ocupação do Solo também determina um limite para construção de vagas de garagens e tamanho das varandas

Por: Marina Pastore

A nova Lei de Uso e Ocupação do Solo tem causado polêmica entre construtoras e incorporadoras de Belo Horizonte (MG). O projeto da lei foi formulado durante a 3ª Conferência Municipal de Políticas Urbanas e é de autoria do Poder Executivo. Aprovado pela Câmara Municipal de Belo Horizonte em maio e sancionada pelo prefeito Marcio Lacerda, em julho de 2010, a nova legislação prevê a redução de 10% no coeficiente de aproveitamento (a área a ser construída, em relação à metragem do terreno) em toda a cidade. Em algumas regiões, a redução será ainda maior, como nos bairros Buritis, na Região Oeste, e Castelo, na Pampulha.

Cori Coraci Castello Branco

Entretanto, Cori Coraci Castello Branco, coordenadora de novos negócios da construtora Masb, adverte que a redução da possibilidade de construir em cada terreno não é só de 10%, pois também houve uma mudança nos outros parâmetros urbanos e este índice pode subir de 20% a 30%.

Teodomiro Diniz Camargos, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) e conselheiro fiscal do Sinduscon-MG, acredita que há um caos na cidade – em alguns bairros há um excesso de construções e faltam opções de transporte público – e, por isso, seriam necessárias mais alternativas para curto prazo. “Uma coisa é certa: há uma necessidade de se conter a expansão e melhorar a mobilidade na cidade. O problema de tudo isso é que essa é uma forma indireta de cortar o adensamento imobiliário – não muito imediata e não muito eficaz. Era preciso reduzi-lo em algumas regiões, mas em outras, talvez, não fosse necessário”. 

Outras mudanças

Teodomiro Diniz Camargos

Outras mudanças propostas pela lei são:

- Limite para a construção de vagas de garagens (o número de vagas depende da área do apartamento).
- Padronização do tamanho das varandas.
- Empreendimentos com menos andares.
- Áreas de circulação verticais e horizontais, como escadas e halls, estão proibidas de serem descontadas do cálculo geral da área construída dos imóveis.

Outorga onerosa

Um dos pontos vistos como positivo por Camargos é a outorga onerosa. Isto é, as pessoas que quiserem construir além do limite permitido podem fazê-lo mediante o pagamento de uma taxa. Os recursos vão para o Fundo Municipal de Habitação, que financia os programas habitacionais do município destinados à população de baixa renda.

Polêmica de Isidoro

Uma das novas medidas previstas pela lei está a expansão do bairro de Isidoro. O local, situado no vetor Norte de Belo Horizonte, abriga uma mata e os afluentes do Rio das Velhas e da Bacia do São Francisco. A Prefeitura de Belo Horizonte pretende transformar o lugar na 10ª regional da capital.

Iran Barbosa

A lei foi aprovada com apenas um voto contra – do vereador Iran Barbosa que chegou a criar o Movimento Salve BH para mobilizar as pessoas contra a causa. “Em resumo, a nova lei de uso e ocupação do solo promoverá a redução de 30% da área verde total do município. Serão mais de 6 milhões de m² devastados para a criação de diversos empreendimentos. Ao mesmo tempo, a cidade ainda ganhará a ‘Regional Isidoro’, que começará com 240 mil novos habitantes na capital. Ela terá as dimensões populacionais da cidade de Uberaba, mas de onde sairá o dinheiro para pagar os novos serviços como limpeza urbana, programa de saúde da família e guarda municipal?”, questiona Barbosa.

A arquiteta e superintendente de Relações Institucionais do Crea-MG, Marília Machado, não vê a urbanização de Isidoro desta maneira. “Trata-se de um projeto importante para o município. As áreas com vegetação serão mantidas e o planejamento urbano parece bom”, opina.

Impacto para os consumidores

Para Cori, haverá um aumento no valor dos imóveis. “Como a cidade não é muito grande e não tem muito para onde expandir, com a redução das áreas de construção, os preços dos empreendimentos tendem a subir”, esclarece. Ela também adverte que os produtos a serem entregues poderão ter qualidade inferior, por causa das restrições com relação ao tamanho das varandas e das garagens.

Marília compartilha da mesma opinião de Cori. Para ela, os terrenos deverão ficar mais caros e provavelmente as construtoras repassarão estes custos para o bolso dos consumidores. Os arquitetos, por sua vez, terão que encontrar soluções criativas para contornar as limitações impostas pela lei.

Entretanto, Camargos e Cori concordam que não haverá valorização dos imóveis aprovados antes da lei. “O mercado vai superando e deverá haver uma oferta maior. Com isso, não tem espaço para valorização. A tendência é o equilíbrio a curto e médio prazo”, afirma o conselheiro fiscal do Sinduscon-MG.

Impacto para as construtoras

Marília Machado

A coordenadora da Masb cita dois benefícios que a nova lei pode trazer para as construtoras:

- O governo está privilegiando a construção de hotéis e apart-hotéis por conta da Copa do Mundo de 2014 e isto pode representar uma boa oportunidade para as construtoras.

- Antes, para aprovar um estudo de impacto ambiental, era preciso aprovação do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). Agora, a avaliação é feita pelo Conselho Municipal de Políticas Urbanas, que agiliza o processo.

Camargos não prevê grandes consequências para as construtoras. “A maioria que tinha terreno já aprovou os projetos antes da lei e ainda tem um bom tempo para realizá-los”. Isto deve ocorrer porque os empreendimentos imobiliários que já possuem alvará poderão ser construídos de acordo com as leis anteriores.

Entrevistados
Teodomiro Diniz Camargos
- Engenheiro civil e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG).
- Foi presidente do Sinduscon-MG e atualmente integra o conselho fiscal do sindicato. Sob sua gestão, o Sinduscon foi um dos responsáveis pela implantação do Programa Brasileiro de Qualidade e  Produtividade no Habitat (PBQP-H), em Minas Gerais.
- Foi presidente do Seconci-MG e diretor da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
- Participou nos últimos 18 anos de todas as discussões sobre plano diretor e lei de uso e ocupação do solo da cidade de Belo Horizonte.
- Presidente da construtora Diniz Camargos.
Contato: http://www.sinduscon-mg.org.br

Cori Coraci Castello Branco
- Coordenadora de novos negócios da Masb Desenvolvimento Imobiliário.
- Formada em arquitetura e urbanismo com especialização em empreendimentos imobiliários.
- Atua há três anos realizando análises de viabilidade econômica e mercadológica de empreendimentos imobiliários.
Contato: http://www.masb.com.br

Marília Machado
- Engenheira, arquiteta e urbanista formada em 1975 pela Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
- Especialista em gestão estratégica pela Faculdade de Economia da UFMG.
- Trabalha como conselheira do Conselho Municipal de Habitação representando o segmento dos profissionais liberais e superintendente de relações institucionais do Crea-MG.
- Assessorou a Prefeitura de Ouro Preto na primeira gestão do prefeito Ângelo Osvaldo, atuando como superintendente regional substituta do IPHAN em Minas Gerais entre os anos de 1997 a 1999.
- Trabalhou como diretora da Secretaria de Estadual de Desenvolvimento Regional e Política Urbana (SEDRU).
- Foi conselheira do Crea de Minas durante seis anos, tendo coordenado a Comissão de Acessibilidade e atuado por dois períodos como diretora de relações institucionais.
Contato: http://www.crea-mg.org.br/

Iran Barbosa
- É o vereador mais jovem da História de Belo Horizonte.
- Formado em administração pela PUC-Minas, sendo especialista em administração pública e ex-gestor de um dos maiores grupos imobiliários de BH.
- Antes de ser vereador, Iran foi nomeado  pelo governador Aécio Neves como coordenador da maior obra pública de Minas Gerais, a construção da Cidade Administrativa do Governo de Minas Gerais (CAMG), tendo ocupado também o cargo secretário Administrativo da União Parlamentar do Mercosul (UPM).
- Atualmente, Iran é bacharelando em Direito pela Faculdade Milton Campos e estuda para obter o MBA em Gestão Pública da Fundação Getulio Vargas.
Contato: http://euacredito.com/

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Sisau 2010 e as diretrizes pela sustentabilidade na arquitetura

Palestras com foco nos modelos de habitação e no urbanismo das cidades

Por: Michel Mello
A busca por um mundo melhor e as 10 diretrizes para a sustentabilidade pautaram o evento

Durante o segundo dia do II Simpósio Internacional de Sustentabilidade em Arquitetura e Urbanismo (Sisau 2010) a programação contou com palestras internacionais com o tema habitação na busca por um mundo melhor e 10 diretrizes pela sustentabilidade na arquitetura.

A tecnologia no combate a mudança climática

A necessidade de reduzir as emissões de CO2 norteou todo o Plano de Habitação de Copenhague, na Dinamarca. Para combater as mudanças climáticas, a ideia era ter diferentes diretrizes e parâmetros ao realizar novas obras. Renovar bairros e outras estruturas da cidade, que muitas vezes já se encontravam decadentes, era necessário envolver seus habitantes, já que a planta da cidade é da Idade Média.

Para a arquiteta dinamarquesa, Dorte Mandrup Poulsen, uma das responsáveis pela elaboração do plano de habitação de Copenhague, “foi preciso criar áreas com uma arquitetura que convidasse as pessoas a permanecer mais tempo nela. E criar parques que oferecessem atividades. Copenhague não é uma cidade densa, o que queríamos era adensar a cidade dentro dos limites urbanos, fazer com que ela se conectasse, através dessas áreas abertas”.

A arquiteta enfatizou que “a sustentabilidade é chave para os projetos e que todas as novas demandas devem ter uma base em sustentabilidade. Carbono neutro em 2025: nossa meta é reduzir as emissões de CO2 em 20%, entre os anos de 2005 e 2015. Nosso objetivo é transformar Copenhague na primeira capital neutra em emissões de CO2 até 2025”.

Construção sustentável

Com o tema: Fachadas ventiladas o arquiteto, Gastão Santos Sales, da Piratinga Arquitetos Associados destacou a gestão de resíduos, o uso e a aplicação de novos materiais e sistemas construtivos. O destaque foi a reciclagem de materiais realizada no próprio canteiro de obras. O arquiteto ainda ressaltou que durante a execução das obras o reaproveitamento é uma diretriz. “De uma das minhas últimas construções, em oito meses de obra, saiu apenas uma caçamba de material, isso por que tivemos que refazer parte da estrutura de acordo com uma sugestão do cliente. Toda a sobra de material foi reaproveitada no local”.

Habitação, densidade e mobilidade urbana

O arquiteto Bruno Moser, da Foster & Partners Architects, do Reino Unido, foi um dos palestrantes do segundo dia do evento. Com o tema habitações urbanas ele destacou a importância de planejar o desenvolvimento das cidades em vista da crescente taxa de urbanização. “Permitir acesso e mobilidade é um dos fatores que permitem a uma cidade se tornar sustentável”, afirma Moser.

Para o arquiteto inglês: “em termos de construção já está mais do que na hora de pensar em reaproveitar materiais e poupar matéria-prima. O modelo atual não é mais compatível com as necessidades humanas e isso se torna evidente dentro das cidades, com modelos já superados baseados em combustíveis fósseis, automóveis e superpopulação”.

Transitions Towns

A palestra “Cidades de Transição” (tradução livre) surge de um movimento que nasceu no Reino Unido e que procura mobilizar a sociedade a criar um design coletivo para as cidades em torno de um projeto mais sustentável.

Na palestra, o arquiteto Marcelo Todescan enfatizou a necessidade de “reunir os segmentos sociais para encontrar novas soluções às questões urgentes sobre os centros urbanos, reduzindo o uso de carros e consequentemente os combustíveis fósseis, buscando uma matriz energética limpa”.

Habitar no futuro

“É preciso construir uma nova história nas cidades. Pois do jeito que as coisas estão indo, o futuro da humanidade baseado nessas ocupações urbanas chamadas de cidades não se sustentam. Para isso, basta pensarmos em uma cidade como São Paulo. Uma megacidade que já não encontra saída para a habitação e está rodeado por uma ilha de pobreza”, defende Fabio Tokars que é jornalista e advogado.

Ele ressalta que: “para habitarmos em um futuro é preciso que sejam aplicados conceitos sustentáveis de fato e que possamos sair do discurso para a ação e isso precisa ser feito muito rapidamente”.

O urbanismo do futuro

O arquiteto Carlos Leite pensa o urbanismo de maneira responsável e inteligente. E desenvolver as cidades de modo sustentável a partir da reinvenção das cidades e o do reaproveitamento de espaços urbanos.

Ele defende que: “a cidade viva é aquela que é habitada e vivenciada por sua população. Precisamos transformar os espaços urbanos em espaços de convivência humana. E isso é o primeiro passo para o desenvolvimento sustentável”.

Sobre a cidade de São Paulo, ele argumenta: “uma ilha de riqueza cercada por um mar de pobreza, fruto de uma falta de modelo e de planejamento de ocupação urbana, que foi responsável por criar os atuais bolsões de pobreza”.

Debates

O evento terminou com um debate aberto ao público em que os palestrantes e a plateia puderam discorrer sobre temas e diretrizes que norteiam o processo de desenvolvimento sustentável na arquitetura. Para Cris Lacerda, da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (Asbea), “devemos ter em mente: a cidade para quem? E o que esperamos de uma cidade?”. Essas questões pretendem desenvolver um pensamento crítico no público e gerar novas ideias sobre o desenvolvimento sustentável na arquitetura.

Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content

Projetos sustentáveis nas grandes metrópoles

A tendência de uma densidade urbana mais alta para os próximos anos pede projetos sustentáveis para as grandes metrópoles

Camila Braga
Repensar as grandes metrópoles de alta densidade urbana é um tema urgente

A migração das áreas rurais para as áreas urbanas e o consequente crescimento das cidades foi um dos temas que dominaram o II Simpósio Internacional de Sustentabilidade em Arquitetura e Urbanismo (Sisau), promovido pela Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (Asbea). O arquiteto Bruno Moser, do escritório Foster and Partners, do Reino Unido, quantifica a questão: “até 2030, 1 bilhão de pessoas estarão vivendo em cidades na China. Isso significa que serão necessárias muitas construções para abrigar tanta gente. Estima-se que serão construídos 50 mil arranha-céus nesse tempo – dez vezes mais que Nova Iorque”.

Este ponto influi diretamente na questão da densidade urbana. Essa densidade representa o número de habitantes ou habitações por uma unidade de terra – geralmente utiliza-se hectare como referência em áreas urbanas. Nas grandes metrópoles, a densidade fica mais alta quanto mais próximo ao centro e, por conseguinte, mais próximo das facilidades de comércio, economia, educação e serviços.

“Para resolver essa questão é necessário pensar o urbanismo de um modo diferente daquele praticado até agora. Se faz necessário que engenheiros, arquitetos, urbanistas, políticos e planejadores de um modo geral entendam que a sustentabilidade significa o habitar aqui e agora. E habitar com qualidade em uma cidade acessível”, completa Moser.

Mobilidade urbana

Repensar as grandes metrópoles de alta densidade urbana é um tema urgente

Quanto maior a densidade urbana, mais complicada é a locomoção dentro dos espaços urbanos. A mobilidade urbana foi outro tema levantado por Bruno Moser durante sua apresentação, que comparou os diferentes meios de transporte: “um ônibus pode substituir 35 carros. Um trem então, até mil carros, isso sem mencionar os aspectos de consumo de energia, de ocupação de espaço. Às vezes, andar 7 km a pé é mais rápido que se deslocar com veículos e achar lugar para estacionar”.

Moser falou ainda sobre a percepção do uso do carro em diferentes metrópoles: “numa comparação, 88,5% das viagens de curto trajeto (entre 5 e 15 km) nos EUA são feitas por carro. Já na China, 65% das viagens são feitas de bicicletas ou caminhando”.

Não só na China o uso da bicicleta é incentivado. As principais cidades da Europa, como Paris, Barcelona, Roma e Londres, possuem sistemas em que a bicicleta é serviço público e é possível retirá-la num ponto da cidade e devolvê-la em outro, utilizando as ciclo-faixas da cidade. Em relação ao Brasil, onde as distâncias são maiores, Bruno acredita que o ideal seria prover mobilidade onde há alta concentração populacional, ao invés de implantar na cidade toda.

Projetos internacionais sustentáveis

Para atender a essa demanda de crescimento das cidades de maneira sustentável, Bruno Moser mostrou alguns dos principais projetos desenvolvidos pelo escritório Foster and Partners em todo o mundo, como a Trafalgar Square, em Londres, que foi fechada ao tráfego, possibilitando um maior acesso dos pedestres à National Gallery e à praça em geral.

Outro projeto de destaque do escritório apresentado no simpósio foi o City Park, em Hong Kong, projetado para que as pessoas mudem a maneira como vivenciam a cidade, segundo o arquiteto. Com 23 hectares de dimensão, o parque abrigará espaços públicos e privados, com foco na sustentabilidade. Na opinião de Moser, o foco é atrair a atividade cultural e “não ser um espaço para que as pessoas tenham que pagar para entrar”. Mais sobre esse grandioso projeto, acesse: http://www.wkcdauthority.hk/pe2/en/conceptual/foster/en/index.html.

Entrevistado
Bruno Moser
>> Currículo
- Sócio do escritório Foster and Partners, do Reino Unido.
- Mestre em arquitetura pela Eidgenössische Technische Hochschule Zürich - ETH.
- Integra a equipe de carbono neutro no projeto Masdar, em Abu Dhabi, Emirados Árabes.
Contato: http://www.fosterandpartners.com

Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content

Sustentabilidade aos 9 bilhões de habitantes

O futuro sustentável das cidades depende fundamentalmente da organização da sociedade civil

Por: Camila Braga
Fabio Tokars: “projeta-se que a população em 2050 ultrapasse os 9 bilhões”

Há alguns dias os jornais de todo país noticiavam as eleições, como a festa da democracia, dia em que grande parte dos brasileiros foi às urnas para escolher seus representantes e exercer a cidadania. Não na opinião do advogado Fabio Tokars, que falou sobre o futuro das cidades no II Simpósio Internacional de Sustentabilidade em Arquitetura e Urbanismo, realizado dias 05 e 06 de outubro, em Curitiba (PR). Tokars acredita que o exercício da cidadania não é feito somente com o voto, mas principalmente com a organização da sociedade civil após as eleições, especialmente em temas como o planejamento da questão de sustentabilidade urbana.

O crescimento populacional, e consequentemente das cidades, foi um dos temas amplamente destacado durante o simpósio. E a forma de abordá-lo foi marcante no questionamento do advogado: “projeta-se que a população em 2050 ultrapasse os 9 bilhões. Toda essa gente precisa comer, precisa se vestir, precisa se locomover. Enfim, precisa consumir. Aliás, toda essa gente vai consumir mais do que individualmente consumimos hoje. No contexto de uma civilização focada no consumo e na satisfação de necessidades artificialmente criadas, estima-se que a economia mundial, em 2050, produzirá quatro vezes mais bens e serviços do que produz hoje. Precisamos construir uma nova história. As coisas não estão indo para o rumo que gostaríamos”, ressalta, mencionando o sociólogo britânico Anthony Giddens, conhecido como pai da terceira via.

Tokars vai além e questiona: “se multiplicarmos por seis a produção industrial que temos hoje (o que acompanharia o crescimento da população nos próximos anos), não poderemos mais frear a produção de dióxido de carbono. Há uma necessidade urgente de ação. Mas ação de quem? Dos cidadãos? Do governo? Do mercado?”.

Ação e reação

Para demonstrar o efeito de ações promovidas por cidadãos em relação à sustentabilidade, Fabio Tokars cita um exemplo da própria plateia: “que significância tem um prédio verde em Manhattan, no meio de vários prédios cinza? Vai neutralizar alguma coisa? E por isso vou deixar de morar nele?”, provoca. Lembrando que verde é o jargão utilizado para se referir à sustentável. Neste caso, pode ser que o prédio tenha sido construído de maneira sustentável ou tenha características sustentáveis.

Engana-se também, segundo o palestrante, quem pensa que a solução do problema vem dos mercados ou da indústria, e que basta uma chaminé a menos e a emissão de dióxido de carbono, que está em 380 ppm (parte por milhão) e se eleva de 2 a 4 ppm ao ano, pode ser refreada. Para que alguma mudança significativa no mercado ocorra é preciso que haja uma forte redução do consumo supérfluo, uma conscientização geral da população e dos CEOs (Chief Executive Officer) das principais indústrias. Em relação ao dióxido de carbono, estima-se que se esta concentração atingir 560 ppm, a humanidade não poderá sobreviver.

Já referente aos representantes políticos, mais uma vez, questiona: “o governo vai resolver o nosso problema? Vai atender às demandas de sustentabilidade? Só se houver uma efetiva pressão por parte da sociedade civil, que seja capaz de alterar os resultados de uma eleição. Atualmente, as eleições são decorrência principalmente de campanhas de marketing, sem grande debate popular quanto aos projetos de governo.”, provocando uma reflexão em todos os que estavam no evento.

Sujeitos da ação

Se por um lado o povo fica dependendo de interesses maiores no momento das eleições, por outro, assume um poder muito mais importante, qual seja, de frear o poder real. “O que existe na sociedade civil são grupos de pressão. Somente no momento em que começarmos imediatamente a trabalhar é que teremos algo de concreto. Temos que fazer com que as instituições comecem a agir de acordo com o posicionamento sustentável”, afirma.

E para que as mudanças de comportamento ocorram, não basta apenas que se criem leis no sentido de proibir certas condutas. É necessário não só combater atos lesivos ao meio ambiente, mas criar leis que incentivem a inovação tecnológica necessária à alteração do destino de nosso planeta, salientou Tokars. “O Brasil tem todas as condições materiais de ser líder do século XXI”, concluiu.

Entrevistado
Fabio Tokars
- Graduação em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).
- Graduação em Direito pela Faculdade de Direito de Curitiba.
- Especialização em Metodologia do Ensino Superior pela Faculdade de Direito de Curitiba.
- Mestrado e doutorado em Direito das Relações Sociais pela Universidade Federal do Paraná.
- Atua especialmente no estudo do Direito Societário e dos Fundamentos Econômicos do Direito Empresarial.
- Professor de Direito Empresarial na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), onde também é Administrador Universitário, e no Unicuritiba, onde leciona em turmas de Graduação e de Pós-Graduação Stricto Sensu-Mestrado.
Contato: flt@marinsbertoldi.com.br

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Simpósio Internacional de Sustentabilidade em Arquitetura e Urbanismo 2010

Evento discute a arquitetura além das perspectivas atuais da construção e incorpora inovações

Por: Michel Mello
Organizadores e palestrantes do Sisau 2010

O segundo Simpósio Internacional de Sustentabilidade em Arquitetura e urbanismo – Sisau 2010, realizado pela Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura – AsBEA aconteceu, simultaneamente, nos três estados da região Sul do país, nas capitais: Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre. O simpósio foi oficialmente lançado pelo presidente da Asbea/PR, Gustavo Pinto, que ressaltou “a proposta de sustentabilidade em uma mensagem positiva e responsável, por um mundo melhor”.

Diretrizes para um mundo sustentável

A proposta desse evento foi a de discutir e criar um debate que produza ao final 10 ideias inovadoras, que possam influenciar as diretrizes em termos de projetos, arquitetos e engenheiros e todos os demais tomadores de decisão. Para o diretor de sustentabilidade da AsBEA/PR, Frederico Carstens, “a receita que a nossa civilização nos oferece é um resultado negativo. E isso é resultado direto do extrativismo”.

Carstens aponta para o atual momento de ruptura da sociedade onde: “a indústria de materiais, técnicas e sistemas construtivos e projetos precisam incorporar novas tecnologias, já que o mundo pede novas soluções em planejamento urbano”.

Habitação vertical

O arquiteto espanhol Jose Enrique Domingues, do escritório Cervera e Pioz e responsável pela palestra: “Habitações Biônicas” definiu o modelo de cidade horizontal como: “irracional e insustentável. Para ele é preciso inovar em termos de habitações. A solução, segundo o arquiteto, é a construção de torres verticais, ou torre biônica, que segue conceitos da bioarquitetura e busca a inspiração de projetos em estudos realizados com elementos naturais. 

“A ideia de desenvolvimento horizontal está fadada ao insucesso. E traz muitos problemas, de energia, habitação, espaço. A torre biônica é um novo conceito estrutural com soluções em modelos naturais, como estrutura radicular, energia eólica, solar e bioreatores de matriz energética a partir do cultivo de algas que são à base dos biocombustíveis, além de cisternas para captar a água da chuva e zonas verdes dentro das cidades verticais.

Engenharia sustentável

Para o arquiteto americano Sergio Coscia, da RMJM Architects, é importante reduzir o uso de materiais em busca de uma engenharia sustentável. Ele destacou a utilização de vidros como forma de reduzir o consumo de energia elétrica em edificações.
“É importante sabermos que é possível reduzir todos os elementos de uma obra e tornando assim, a construção ou edificação sustentável. Com o uso de novos materiais, podemos reduzir os custos com iluminação em 25% dos materiais”, afirma Coscia.

Vidros e janelas

Para a engenheira civil Cristiane Vieira, da Cebrace Vidros, é importante incorporar novidades, tendências e alta tecnologia nas construções. Ela destacou que as paredes still frame podem reduzir entre 25 a 40% a entrada de luz solar, complementando a luminosidade de escritórios. E com isso diminuindo, também, os gastos com luz elétrica. Além do apelo estético, existem vidros, atualmente, que são autolimpantes, vidros verdes e duplos. Para cada tipo de necessidade, há uma solução possível em termos de novos materiais.

A casa viva

O arquiteto Antonio Gonçalves, da Hauer Arquitetura, destacou a iniciativa do futuro da arquitetura com a palestra: A casa viva. Onde ousou prever o que seria da arquitetura do século XXII: elementos orgânicos e inteligentes estariam presentes em projetos, materiais e sistemas construtivos.

Nanotecnologia

Para o sociólogo, Paulo Martins, da Rede de Pesquisa em Nanotecnologia em Meio AmbienteRenanosomo, a atual realidade aponta para a convergência da tecnologia em quatro áreas: Biotecnologia, Nanotecnologia, Informática e Aprendizagem Cognitiva.

Ele destacou que o uso de nanotecnologia em cimento e concreto pode aumentar a resistência dos materiais em 334%. Fazendo com que esses materiais aguentem uma força de compressão de até 1113%. O nanocimento permitirá revestimentos especiais de alta durabilidade, concreto transparente, aerogel entre outras.

Biotecnologia

Para Marcelo Gravina, professor titular do Departamento de Fitopatologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o uso de Organismos Geneticamente Modificados (OGM) apresenta diversas aplicações. Desde a produção de alimentos em larga escala até a produção de algodão colorido, flores coloridas artificialmente e novas vacinas apresentadas sob a forma de alimentos.

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