Caixa Econômica lança portal para a construção civil
O Portal da Construção Civil reúne informações e serviços da CEF para o setor num só lugar
Lilian Júlio

A Caixa Econômica Federal (CEF) lançou, na última semana de julho, o Portal da Construção Civil. “É um portal de domínio público e gratuito. Basta acessar o site da Caixa e entrar na área da Construção Civil para ter acesso às informações”, explica Suely Molinari, gerente regional da CEF para a Construção Civil. “Com esta iniciativa, nossa intenção é facilitar a comunicação”.
O Portal da Construção Civil reúne os serviços oferecidos pela Caixa – como linhas de crédito para construtoras, financiamentos e outros. O site é dividido em categorias: construtora, imobiliária, lojas de material de construção, profissionais, entidades representativas e indústria, além do simulador de financiamento. “Por exemplo, quando uma imobiliária vai passar informações sobre a linha de crédito para algum cliente pode acessar o portal e fazer uma simulação na hora”, conta Suely.
Facilidade para vender
As construtoras cadastradas na Caixa possuem uma área especial no portal, na qual podem cadastrar seus imóveis à venda. “Quando a construtora tem um imóvel na planta que será vendido através da Caixa ela pode cadastrá-lo no Portal de Empreendimentos, onde ela fica disponível para os correspondentes imobiliários”, relata Suely. “É uma forma de facilitar a troca de informações entre banco e construtora e entre construtora e imobiliária”.
A criação

Suely conta que a ideia de criar o Portal da Construção Civil da Caixa surgiu pelo grande número de acessos no site da CEF. “Além desses acessos – muitas vezes procurando informações sobre financiamentos – tínhamos uma procura muito grande no banco pelos serviços voltados à construção civil”, afirma. “Criar o Portal da Construção foi a solução encontrada para otimizar a vida do nosso cliente, que agora não precisa mais ir até uma agência da Caixa para buscar informações”.
Além dos serviços oferecidos, o Portal da Construção Civil possui uma área com os Índices da Construção Civil. “Antes, para ter acesso a esses índices, o usuário tinha que buscar informações em várias fontes. Agora elas estão centralizadas num mesmo local”, afirma Suely.
Outros serviços
O Portal da Construção Civil oferece informações e serviços para várias categorias da construção civil. Conheça alguns deles abaixo:
- Banco de lojas de material de construção
- Acesso a serviços bancários
- Documentos necessários para a avaliação de crédito
- Busca de rede de agências
- Portal de Empreendimentos
Acesse o Portal da Construção Civil aqui: http://www1.caixa.gov.br/construcaocivil/index.asp
Entrevistado
Suely Molinari
É gerente regional para a Construção Civil na Caixa Econômica Federal, empresa da qual faz parte há 29 anos. Formada em administração de empresas e com MBA em Gestão de Negócios.
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Nova lei reduz em 10% a taxa de ocupação do solo em Belo Horizonte
A Lei de Uso e Ocupação do Solo também determina um limite para construção de vagas de garagens e tamanho das varandas
Por: Marina Pastore
A nova Lei de Uso e Ocupação do Solo tem causado polêmica entre construtoras e incorporadoras de Belo Horizonte (MG). O projeto da lei foi formulado durante a 3ª Conferência Municipal de Políticas Urbanas e é de autoria do Poder Executivo. Aprovado pela Câmara Municipal de Belo Horizonte em maio e sancionada pelo prefeito Marcio Lacerda, em julho de 2010, a nova legislação prevê a redução de 10% no coeficiente de aproveitamento (a área a ser construída, em relação à metragem do terreno) em toda a cidade. Em algumas regiões, a redução será ainda maior, como nos bairros Buritis, na Região Oeste, e Castelo, na Pampulha.

Entretanto, Cori Coraci Castello Branco, coordenadora de novos negócios da construtora Masb, adverte que a redução da possibilidade de construir em cada terreno não é só de 10%, pois também houve uma mudança nos outros parâmetros urbanos e este índice pode subir de 20% a 30%.
Teodomiro Diniz Camargos, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) e conselheiro fiscal do Sinduscon-MG, acredita que há um caos na cidade – em alguns bairros há um excesso de construções e faltam opções de transporte público – e, por isso, seriam necessárias mais alternativas para curto prazo. “Uma coisa é certa: há uma necessidade de se conter a expansão e melhorar a mobilidade na cidade. O problema de tudo isso é que essa é uma forma indireta de cortar o adensamento imobiliário – não muito imediata e não muito eficaz. Era preciso reduzi-lo em algumas regiões, mas em outras, talvez, não fosse necessário”.
Outras mudanças

Outras mudanças propostas pela lei são:
- Limite para a construção de vagas de garagens (o número de vagas depende da área do apartamento).
- Padronização do tamanho das varandas.
- Empreendimentos com menos andares.
- Áreas de circulação verticais e horizontais, como escadas e halls, estão proibidas de serem descontadas do cálculo geral da área construída dos imóveis.
Outorga onerosa
Um dos pontos vistos como positivo por Camargos é a outorga onerosa. Isto é, as pessoas que quiserem construir além do limite permitido podem fazê-lo mediante o pagamento de uma taxa. Os recursos vão para o Fundo Municipal de Habitação, que financia os programas habitacionais do município destinados à população de baixa renda.
Polêmica de Isidoro
Uma das novas medidas previstas pela lei está a expansão do bairro de Isidoro. O local, situado no vetor Norte de Belo Horizonte, abriga uma mata e os afluentes do Rio das Velhas e da Bacia do São Francisco. A Prefeitura de Belo Horizonte pretende transformar o lugar na 10ª regional da capital.

A lei foi aprovada com apenas um voto contra – do vereador Iran Barbosa que chegou a criar o Movimento Salve BH para mobilizar as pessoas contra a causa. “Em resumo, a nova lei de uso e ocupação do solo promoverá a redução de 30% da área verde total do município. Serão mais de 6 milhões de m² devastados para a criação de diversos empreendimentos. Ao mesmo tempo, a cidade ainda ganhará a ‘Regional Isidoro’, que começará com 240 mil novos habitantes na capital. Ela terá as dimensões populacionais da cidade de Uberaba, mas de onde sairá o dinheiro para pagar os novos serviços como limpeza urbana, programa de saúde da família e guarda municipal?”, questiona Barbosa.
A arquiteta e superintendente de Relações Institucionais do Crea-MG, Marília Machado, não vê a urbanização de Isidoro desta maneira. “Trata-se de um projeto importante para o município. As áreas com vegetação serão mantidas e o planejamento urbano parece bom”, opina.
Impacto para os consumidores
Para Cori, haverá um aumento no valor dos imóveis. “Como a cidade não é muito grande e não tem muito para onde expandir, com a redução das áreas de construção, os preços dos empreendimentos tendem a subir”, esclarece. Ela também adverte que os produtos a serem entregues poderão ter qualidade inferior, por causa das restrições com relação ao tamanho das varandas e das garagens.
Marília compartilha da mesma opinião de Cori. Para ela, os terrenos deverão ficar mais caros e provavelmente as construtoras repassarão estes custos para o bolso dos consumidores. Os arquitetos, por sua vez, terão que encontrar soluções criativas para contornar as limitações impostas pela lei.
Entretanto, Camargos e Cori concordam que não haverá valorização dos imóveis aprovados antes da lei. “O mercado vai superando e deverá haver uma oferta maior. Com isso, não tem espaço para valorização. A tendência é o equilíbrio a curto e médio prazo”, afirma o conselheiro fiscal do Sinduscon-MG.
Impacto para as construtoras

A coordenadora da Masb cita dois benefícios que a nova lei pode trazer para as construtoras:
- O governo está privilegiando a construção de hotéis e apart-hotéis por conta da Copa do Mundo de 2014 e isto pode representar uma boa oportunidade para as construtoras.
- Antes, para aprovar um estudo de impacto ambiental, era preciso aprovação do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). Agora, a avaliação é feita pelo Conselho Municipal de Políticas Urbanas, que agiliza o processo.
Camargos não prevê grandes consequências para as construtoras. “A maioria que tinha terreno já aprovou os projetos antes da lei e ainda tem um bom tempo para realizá-los”. Isto deve ocorrer porque os empreendimentos imobiliários que já possuem alvará poderão ser construídos de acordo com as leis anteriores.
Entrevistados
Teodomiro Diniz Camargos
- Engenheiro civil e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG).
- Foi presidente do Sinduscon-MG e atualmente integra o conselho fiscal do sindicato. Sob sua gestão, o Sinduscon foi um dos responsáveis pela implantação do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat (PBQP-H), em Minas Gerais.
- Foi presidente do Seconci-MG e diretor da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
- Participou nos últimos 18 anos de todas as discussões sobre plano diretor e lei de uso e ocupação do solo da cidade de Belo Horizonte.
- Presidente da construtora Diniz Camargos.
Contato: http://www.sinduscon-mg.org.br
Cori Coraci Castello Branco
- Coordenadora de novos negócios da Masb Desenvolvimento Imobiliário.
- Formada em arquitetura e urbanismo com especialização em empreendimentos imobiliários.
- Atua há três anos realizando análises de viabilidade econômica e mercadológica de empreendimentos imobiliários.
Contato: http://www.masb.com.br
Marília Machado
- Engenheira, arquiteta e urbanista formada em 1975 pela Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
- Especialista em gestão estratégica pela Faculdade de Economia da UFMG.
- Trabalha como conselheira do Conselho Municipal de Habitação representando o segmento dos profissionais liberais e superintendente de relações institucionais do Crea-MG.
- Assessorou a Prefeitura de Ouro Preto na primeira gestão do prefeito Ângelo Osvaldo, atuando como superintendente regional substituta do IPHAN em Minas Gerais entre os anos de 1997 a 1999.
- Trabalhou como diretora da Secretaria de Estadual de Desenvolvimento Regional e Política Urbana (SEDRU).
- Foi conselheira do Crea de Minas durante seis anos, tendo coordenado a Comissão de Acessibilidade e atuado por dois períodos como diretora de relações institucionais.
Contato: http://www.crea-mg.org.br/
Iran Barbosa
- É o vereador mais jovem da História de Belo Horizonte.
- Formado em administração pela PUC-Minas, sendo especialista em administração pública e ex-gestor de um dos maiores grupos imobiliários de BH.
- Antes de ser vereador, Iran foi nomeado pelo governador Aécio Neves como coordenador da maior obra pública de Minas Gerais, a construção da Cidade Administrativa do Governo de Minas Gerais (CAMG), tendo ocupado também o cargo secretário Administrativo da União Parlamentar do Mercosul (UPM).
- Atualmente, Iran é bacharelando em Direito pela Faculdade Milton Campos e estuda para obter o MBA em Gestão Pública da Fundação Getulio Vargas.
Contato: http://euacredito.com/
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Sisau 2010 e as diretrizes pela sustentabilidade na arquitetura
Palestras com foco nos modelos de habitação e no urbanismo das cidades
Por: Michel Mello

Durante o segundo dia do II Simpósio Internacional de Sustentabilidade em Arquitetura e Urbanismo (Sisau 2010) a programação contou com palestras internacionais com o tema habitação na busca por um mundo melhor e 10 diretrizes pela sustentabilidade na arquitetura.
A tecnologia no combate a mudança climática
A necessidade de reduzir as emissões de CO2 norteou todo o Plano de Habitação de Copenhague, na Dinamarca. Para combater as mudanças climáticas, a ideia era ter diferentes diretrizes e parâmetros ao realizar novas obras. Renovar bairros e outras estruturas da cidade, que muitas vezes já se encontravam decadentes, era necessário envolver seus habitantes, já que a planta da cidade é da Idade Média.
Para a arquiteta dinamarquesa, Dorte Mandrup Poulsen, uma das responsáveis pela elaboração do plano de habitação de Copenhague, “foi preciso criar áreas com uma arquitetura que convidasse as pessoas a permanecer mais tempo nela. E criar parques que oferecessem atividades. Copenhague não é uma cidade densa, o que queríamos era adensar a cidade dentro dos limites urbanos, fazer com que ela se conectasse, através dessas áreas abertas”.
A arquiteta enfatizou que “a sustentabilidade é chave para os projetos e que todas as novas demandas devem ter uma base em sustentabilidade. Carbono neutro em 2025: nossa meta é reduzir as emissões de CO2 em 20%, entre os anos de 2005 e 2015. Nosso objetivo é transformar Copenhague na primeira capital neutra em emissões de CO2 até 2025”.
Construção sustentável
Com o tema: Fachadas ventiladas o arquiteto, Gastão Santos Sales, da Piratinga Arquitetos Associados destacou a gestão de resíduos, o uso e a aplicação de novos materiais e sistemas construtivos. O destaque foi a reciclagem de materiais realizada no próprio canteiro de obras. O arquiteto ainda ressaltou que durante a execução das obras o reaproveitamento é uma diretriz. “De uma das minhas últimas construções, em oito meses de obra, saiu apenas uma caçamba de material, isso por que tivemos que refazer parte da estrutura de acordo com uma sugestão do cliente. Toda a sobra de material foi reaproveitada no local”.
Habitação, densidade e mobilidade urbana
O arquiteto Bruno Moser, da Foster & Partners Architects, do Reino Unido, foi um dos palestrantes do segundo dia do evento. Com o tema habitações urbanas ele destacou a importância de planejar o desenvolvimento das cidades em vista da crescente taxa de urbanização. “Permitir acesso e mobilidade é um dos fatores que permitem a uma cidade se tornar sustentável”, afirma Moser.
Para o arquiteto inglês: “em termos de construção já está mais do que na hora de pensar em reaproveitar materiais e poupar matéria-prima. O modelo atual não é mais compatível com as necessidades humanas e isso se torna evidente dentro das cidades, com modelos já superados baseados em combustíveis fósseis, automóveis e superpopulação”.
Transitions Towns
A palestra “Cidades de Transição” (tradução livre) surge de um movimento que nasceu no Reino Unido e que procura mobilizar a sociedade a criar um design coletivo para as cidades em torno de um projeto mais sustentável.
Na palestra, o arquiteto Marcelo Todescan enfatizou a necessidade de “reunir os segmentos sociais para encontrar novas soluções às questões urgentes sobre os centros urbanos, reduzindo o uso de carros e consequentemente os combustíveis fósseis, buscando uma matriz energética limpa”.
Habitar no futuro
“É preciso construir uma nova história nas cidades. Pois do jeito que as coisas estão indo, o futuro da humanidade baseado nessas ocupações urbanas chamadas de cidades não se sustentam. Para isso, basta pensarmos em uma cidade como São Paulo. Uma megacidade que já não encontra saída para a habitação e está rodeado por uma ilha de pobreza”, defende Fabio Tokars que é jornalista e advogado.
Ele ressalta que: “para habitarmos em um futuro é preciso que sejam aplicados conceitos sustentáveis de fato e que possamos sair do discurso para a ação e isso precisa ser feito muito rapidamente”.
O urbanismo do futuro
O arquiteto Carlos Leite pensa o urbanismo de maneira responsável e inteligente. E desenvolver as cidades de modo sustentável a partir da reinvenção das cidades e o do reaproveitamento de espaços urbanos.
Ele defende que: “a cidade viva é aquela que é habitada e vivenciada por sua população. Precisamos transformar os espaços urbanos em espaços de convivência humana. E isso é o primeiro passo para o desenvolvimento sustentável”.
Sobre a cidade de São Paulo, ele argumenta: “uma ilha de riqueza cercada por um mar de pobreza, fruto de uma falta de modelo e de planejamento de ocupação urbana, que foi responsável por criar os atuais bolsões de pobreza”.
Debates
O evento terminou com um debate aberto ao público em que os palestrantes e a plateia puderam discorrer sobre temas e diretrizes que norteiam o processo de desenvolvimento sustentável na arquitetura. Para Cris Lacerda, da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (Asbea), “devemos ter em mente: a cidade para quem? E o que esperamos de uma cidade?”. Essas questões pretendem desenvolver um pensamento crítico no público e gerar novas ideias sobre o desenvolvimento sustentável na arquitetura.
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Projetos sustentáveis nas grandes metrópoles
A tendência de uma densidade urbana mais alta para os próximos anos pede projetos sustentáveis para as grandes metrópoles
Camila Braga

A migração das áreas rurais para as áreas urbanas e o consequente crescimento das cidades foi um dos temas que dominaram o II Simpósio Internacional de Sustentabilidade em Arquitetura e Urbanismo (Sisau), promovido pela Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (Asbea). O arquiteto Bruno Moser, do escritório Foster and Partners, do Reino Unido, quantifica a questão: “até 2030, 1 bilhão de pessoas estarão vivendo em cidades na China. Isso significa que serão necessárias muitas construções para abrigar tanta gente. Estima-se que serão construídos 50 mil arranha-céus nesse tempo – dez vezes mais que Nova Iorque”.
Este ponto influi diretamente na questão da densidade urbana. Essa densidade representa o número de habitantes ou habitações por uma unidade de terra – geralmente utiliza-se hectare como referência em áreas urbanas. Nas grandes metrópoles, a densidade fica mais alta quanto mais próximo ao centro e, por conseguinte, mais próximo das facilidades de comércio, economia, educação e serviços.
“Para resolver essa questão é necessário pensar o urbanismo de um modo diferente daquele praticado até agora. Se faz necessário que engenheiros, arquitetos, urbanistas, políticos e planejadores de um modo geral entendam que a sustentabilidade significa o habitar aqui e agora. E habitar com qualidade em uma cidade acessível”, completa Moser.
Mobilidade urbana

Quanto maior a densidade urbana, mais complicada é a locomoção dentro dos espaços urbanos. A mobilidade urbana foi outro tema levantado por Bruno Moser durante sua apresentação, que comparou os diferentes meios de transporte: “um ônibus pode substituir 35 carros. Um trem então, até mil carros, isso sem mencionar os aspectos de consumo de energia, de ocupação de espaço. Às vezes, andar 7 km a pé é mais rápido que se deslocar com veículos e achar lugar para estacionar”.
Moser falou ainda sobre a percepção do uso do carro em diferentes metrópoles: “numa comparação, 88,5% das viagens de curto trajeto (entre 5 e 15 km) nos EUA são feitas por carro. Já na China, 65% das viagens são feitas de bicicletas ou caminhando”.
Não só na China o uso da bicicleta é incentivado. As principais cidades da Europa, como Paris, Barcelona, Roma e Londres, possuem sistemas em que a bicicleta é serviço público e é possível retirá-la num ponto da cidade e devolvê-la em outro, utilizando as ciclo-faixas da cidade. Em relação ao Brasil, onde as distâncias são maiores, Bruno acredita que o ideal seria prover mobilidade onde há alta concentração populacional, ao invés de implantar na cidade toda.
Projetos internacionais sustentáveis
Para atender a essa demanda de crescimento das cidades de maneira sustentável, Bruno Moser mostrou alguns dos principais projetos desenvolvidos pelo escritório Foster and Partners em todo o mundo, como a Trafalgar Square, em Londres, que foi fechada ao tráfego, possibilitando um maior acesso dos pedestres à National Gallery e à praça em geral.
Outro projeto de destaque do escritório apresentado no simpósio foi o City Park, em Hong Kong, projetado para que as pessoas mudem a maneira como vivenciam a cidade, segundo o arquiteto. Com 23 hectares de dimensão, o parque abrigará espaços públicos e privados, com foco na sustentabilidade. Na opinião de Moser, o foco é atrair a atividade cultural e “não ser um espaço para que as pessoas tenham que pagar para entrar”. Mais sobre esse grandioso projeto, acesse: http://www.wkcdauthority.hk/pe2/en/conceptual/foster/en/index.html.
Entrevistado
Bruno Moser
>> Currículo
- Sócio do escritório Foster and Partners, do Reino Unido.
- Mestre em arquitetura pela Eidgenössische Technische Hochschule Zürich - ETH.
- Integra a equipe de carbono neutro no projeto Masdar, em Abu Dhabi, Emirados Árabes.
Contato: http://www.fosterandpartners.com
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Sustentabilidade aos 9 bilhões de habitantes
O futuro sustentável das cidades depende fundamentalmente da organização da sociedade civil
Por: Camila Braga

Há alguns dias os jornais de todo país noticiavam as eleições, como a festa da democracia, dia em que grande parte dos brasileiros foi às urnas para escolher seus representantes e exercer a cidadania. Não na opinião do advogado Fabio Tokars, que falou sobre o futuro das cidades no II Simpósio Internacional de Sustentabilidade em Arquitetura e Urbanismo, realizado dias 05 e 06 de outubro, em Curitiba (PR). Tokars acredita que o exercício da cidadania não é feito somente com o voto, mas principalmente com a organização da sociedade civil após as eleições, especialmente em temas como o planejamento da questão de sustentabilidade urbana.
O crescimento populacional, e consequentemente das cidades, foi um dos temas amplamente destacado durante o simpósio. E a forma de abordá-lo foi marcante no questionamento do advogado: “projeta-se que a população em 2050 ultrapasse os 9 bilhões. Toda essa gente precisa comer, precisa se vestir, precisa se locomover. Enfim, precisa consumir. Aliás, toda essa gente vai consumir mais do que individualmente consumimos hoje. No contexto de uma civilização focada no consumo e na satisfação de necessidades artificialmente criadas, estima-se que a economia mundial, em 2050, produzirá quatro vezes mais bens e serviços do que produz hoje. Precisamos construir uma nova história. As coisas não estão indo para o rumo que gostaríamos”, ressalta, mencionando o sociólogo britânico Anthony Giddens, conhecido como pai da terceira via.
Tokars vai além e questiona: “se multiplicarmos por seis a produção industrial que temos hoje (o que acompanharia o crescimento da população nos próximos anos), não poderemos mais frear a produção de dióxido de carbono. Há uma necessidade urgente de ação. Mas ação de quem? Dos cidadãos? Do governo? Do mercado?”.
Ação e reação
Para demonstrar o efeito de ações promovidas por cidadãos em relação à sustentabilidade, Fabio Tokars cita um exemplo da própria plateia: “que significância tem um prédio verde em Manhattan, no meio de vários prédios cinza? Vai neutralizar alguma coisa? E por isso vou deixar de morar nele?”, provoca. Lembrando que verde é o jargão utilizado para se referir à sustentável. Neste caso, pode ser que o prédio tenha sido construído de maneira sustentável ou tenha características sustentáveis.
Engana-se também, segundo o palestrante, quem pensa que a solução do problema vem dos mercados ou da indústria, e que basta uma chaminé a menos e a emissão de dióxido de carbono, que está em 380 ppm (parte por milhão) e se eleva de 2 a 4 ppm ao ano, pode ser refreada. Para que alguma mudança significativa no mercado ocorra é preciso que haja uma forte redução do consumo supérfluo, uma conscientização geral da população e dos CEOs (Chief Executive Officer) das principais indústrias. Em relação ao dióxido de carbono, estima-se que se esta concentração atingir 560 ppm, a humanidade não poderá sobreviver.
Já referente aos representantes políticos, mais uma vez, questiona: “o governo vai resolver o nosso problema? Vai atender às demandas de sustentabilidade? Só se houver uma efetiva pressão por parte da sociedade civil, que seja capaz de alterar os resultados de uma eleição. Atualmente, as eleições são decorrência principalmente de campanhas de marketing, sem grande debate popular quanto aos projetos de governo.”, provocando uma reflexão em todos os que estavam no evento.
Sujeitos da ação
Se por um lado o povo fica dependendo de interesses maiores no momento das eleições, por outro, assume um poder muito mais importante, qual seja, de frear o poder real. “O que existe na sociedade civil são grupos de pressão. Somente no momento em que começarmos imediatamente a trabalhar é que teremos algo de concreto. Temos que fazer com que as instituições comecem a agir de acordo com o posicionamento sustentável”, afirma.
E para que as mudanças de comportamento ocorram, não basta apenas que se criem leis no sentido de proibir certas condutas. É necessário não só combater atos lesivos ao meio ambiente, mas criar leis que incentivem a inovação tecnológica necessária à alteração do destino de nosso planeta, salientou Tokars. “O Brasil tem todas as condições materiais de ser líder do século XXI”, concluiu.
Entrevistado
Fabio Tokars
- Graduação em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).
- Graduação em Direito pela Faculdade de Direito de Curitiba.
- Especialização em Metodologia do Ensino Superior pela Faculdade de Direito de Curitiba.
- Mestrado e doutorado em Direito das Relações Sociais pela Universidade Federal do Paraná.
- Atua especialmente no estudo do Direito Societário e dos Fundamentos Econômicos do Direito Empresarial.
- Professor de Direito Empresarial na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), onde também é Administrador Universitário, e no Unicuritiba, onde leciona em turmas de Graduação e de Pós-Graduação Stricto Sensu-Mestrado.
Contato: flt@marinsbertoldi.com.br
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Simpósio Internacional de Sustentabilidade em Arquitetura e Urbanismo 2010
Evento discute a arquitetura além das perspectivas atuais da construção e incorpora inovações
Por: Michel Mello

O segundo Simpósio Internacional de Sustentabilidade em Arquitetura e urbanismo – Sisau 2010, realizado pela Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura – AsBEA aconteceu, simultaneamente, nos três estados da região Sul do país, nas capitais: Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre. O simpósio foi oficialmente lançado pelo presidente da Asbea/PR, Gustavo Pinto, que ressaltou “a proposta de sustentabilidade em uma mensagem positiva e responsável, por um mundo melhor”.
Diretrizes para um mundo sustentável
A proposta desse evento foi a de discutir e criar um debate que produza ao final 10 ideias inovadoras, que possam influenciar as diretrizes em termos de projetos, arquitetos e engenheiros e todos os demais tomadores de decisão. Para o diretor de sustentabilidade da AsBEA/PR, Frederico Carstens, “a receita que a nossa civilização nos oferece é um resultado negativo. E isso é resultado direto do extrativismo”.
Carstens aponta para o atual momento de ruptura da sociedade onde: “a indústria de materiais, técnicas e sistemas construtivos e projetos precisam incorporar novas tecnologias, já que o mundo pede novas soluções em planejamento urbano”.
Habitação vertical
O arquiteto espanhol Jose Enrique Domingues, do escritório Cervera e Pioz e responsável pela palestra: “Habitações Biônicas” definiu o modelo de cidade horizontal como: “irracional e insustentável. Para ele é preciso inovar em termos de habitações. A solução, segundo o arquiteto, é a construção de torres verticais, ou torre biônica, que segue conceitos da bioarquitetura e busca a inspiração de projetos em estudos realizados com elementos naturais.
“A ideia de desenvolvimento horizontal está fadada ao insucesso. E traz muitos problemas, de energia, habitação, espaço. A torre biônica é um novo conceito estrutural com soluções em modelos naturais, como estrutura radicular, energia eólica, solar e bioreatores de matriz energética a partir do cultivo de algas que são à base dos biocombustíveis, além de cisternas para captar a água da chuva e zonas verdes dentro das cidades verticais.
Engenharia sustentável
Para o arquiteto americano Sergio Coscia, da RMJM Architects, é importante reduzir o uso de materiais em busca de uma engenharia sustentável. Ele destacou a utilização de vidros como forma de reduzir o consumo de energia elétrica em edificações.
“É importante sabermos que é possível reduzir todos os elementos de uma obra e tornando assim, a construção ou edificação sustentável. Com o uso de novos materiais, podemos reduzir os custos com iluminação em 25% dos materiais”, afirma Coscia.
Vidros e janelas
Para a engenheira civil Cristiane Vieira, da Cebrace Vidros, é importante incorporar novidades, tendências e alta tecnologia nas construções. Ela destacou que as paredes still frame podem reduzir entre 25 a 40% a entrada de luz solar, complementando a luminosidade de escritórios. E com isso diminuindo, também, os gastos com luz elétrica. Além do apelo estético, existem vidros, atualmente, que são autolimpantes, vidros verdes e duplos. Para cada tipo de necessidade, há uma solução possível em termos de novos materiais.
A casa viva
O arquiteto Antonio Gonçalves, da Hauer Arquitetura, destacou a iniciativa do futuro da arquitetura com a palestra: A casa viva. Onde ousou prever o que seria da arquitetura do século XXII: elementos orgânicos e inteligentes estariam presentes em projetos, materiais e sistemas construtivos.
Nanotecnologia
Para o sociólogo, Paulo Martins, da Rede de Pesquisa em Nanotecnologia em Meio Ambiente – Renanosomo, a atual realidade aponta para a convergência da tecnologia em quatro áreas: Biotecnologia, Nanotecnologia, Informática e Aprendizagem Cognitiva.
Ele destacou que o uso de nanotecnologia em cimento e concreto pode aumentar a resistência dos materiais em 334%. Fazendo com que esses materiais aguentem uma força de compressão de até 1113%. O nanocimento permitirá revestimentos especiais de alta durabilidade, concreto transparente, aerogel entre outras.
Biotecnologia
Para Marcelo Gravina, professor titular do Departamento de Fitopatologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o uso de Organismos Geneticamente Modificados (OGM) apresenta diversas aplicações. Desde a produção de alimentos em larga escala até a produção de algodão colorido, flores coloridas artificialmente e novas vacinas apresentadas sob a forma de alimentos.
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Torre biônica
A solução sustentável para o crescimento das cidades está na criação de cidades verticais
Por: Camila Braga

Ouvir um arquiteto falar em cidades verticais pode parecer estranho, já que até o momento todas as cidades que conhecemos são horizontais. Não para o arquiteto espanhol, Jose Enrique Dominguez Garcia, diretor de projetos do escritório Cervera e Pioz, de Madrid, Espanha. Jose Enrique foi um dos palestrantes do II Simpósio Internacional de Sustentabilidade em Arquitetura e Urbanismo, realizado nos dias 05 e 06 de outubro em Curitiba, onde se discutiu temas relacionados ao consumo energético das cidades e sustentabilidade.
A solução apresentada foi a chamada torre biônica. Um projeto arquitetônico apresentado pela primeira vez em 1997 e que prevê a criação de cidades verticais em torres em regiões superpopulosas, como alguns países da Ásia.
Tais torres teriam mais de um quilômetro de altura e em seus andares seriam localizados os bairros desta nova cidade. A ideia da sustentabilidade está incorporada desde o princípio, utilizando, por exemplo, moinhos de vento no topo do empreendimento – local não habitado – para aproveitar a energia eólica. Para gerar energia também serão utilizados painéis fotovoltaicos que aproveitarão a luz do sol.
Dimensões

O projeto inicial prevê que a cidade vertical seja construída numa torre de 1.228 m de altura, onde trafegarão aproximadamente 360 elevadores: “poderemos, inclusive, utilizar alguma tecnologia parecida com a usada na Torre de Dubai”, ressaltou Garcia Dominguez. Cada interseção, ou “andar” desta torre, terá o tamanho aproximado de um campo de futebol.
Com relação aos materiais, ainda não é possível prever a quantidade que será demandada de concreto, aço ou vidro: “temos um projeto, mas é impossível predeterminar sem ter uma demanda específica, já que não há ainda uma previsão de construção da torre”, explica o arquiteto espanhol.
Outro ponto que merece destaque é que, diferentemente da edificação de um prédio, a construção da torre biônica é prevista para ser realizada em etapas, com a consequente ocupação de cada área construída. “O projeto da torre prevê sua construção em etapas, para que se autossustente, ou seja, construir alguns andares e fazer com que ele gere energia para novos andares tal como na natureza. Construir uma base e botar para funcionar”, diz.
Arquitetura biônica
O princípio da arquitetura biônica em que se baseia a ideia do projeto da cidade vertical é buscar na natureza soluções para algumas necessidades e que estratégias o mundo natural fornece que podem ser aplicadas nas diferentes áreas da ciência.
Além da torre biônica, o escritório Cervera e Pioz tem alguns outros projetos na área de arquitetura biônica, como o Tai-Da Financial Commerce, em Chengdu, na China, cuja estrutura externa se assemelha a de um cactus. Obras inspiradas na natureza são a base da proposta da construção de um espaço urbano como esse.
Os arquitetos idealizadores do projeto se basearam no crescimento estrutural das árvores para o projeto da torre. Segundo Dominguez Garcia, a arquitetura tradicional foi contrastada com a biônica: “para ganhar em resistência, preferimos vários elementos rígidos e estruturados, ao invés de concentrar esforços em apenas poucos elementos”, finaliza.
Entrevistado
Jose Enrique Dominguez Garcia
>> Currículo
- Arquiteto, especialista em novos materiais construtivos.
- Diretor de projetos do escritório Cervera & Pioz, de Madri, Espanha.
- Integra a equipe do projeto “Torre Biônica” e cidades verticais.
Contato: jed@cerveraandpioz.com
Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content
Sustentabilidade é tema de encontro internacional
Simpósio amplia as fronteiras entre teoria e prática com o debate entre mestres e estudantes
por: Michel Mello

O tema sustentabilidade é premissa urgente em obras e edificações por todo o país. No segundo Simpósio Internacional de Sustentabilidade em Arquitetura e Urbanismo – Sisau 2010, promovido pela Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura – AsBEA, e que acontece simultaneamente nas capitais do sul do país, entre os dias 05 e 07 de outubro, profissionais de renome vieram debater pautas relacionadas ao assunto e de relevada importância para engenheiros, arquitetos, estudantes, professores e demais interessados no tema. Todos na busca por uma arquitetura realmente sustentável.
Para a estudante, Katerine Heim Weber, do 4º ano de arquitetura da Universidade Positivo, é muito importante debater o futuro da arquitetura e aplicar elementos da arquitetura sustentável. “Com certeza irei desenvolver projetos sob uma nova perspectiva após esse evento”, afirma Katerine. Ela participou da primeira edição do simpósio em 2009 e afirma que participará sempre que puder.
A professora, Marcia Keiko Ono Adriazola, que ministra aulas da disciplina de projetos no Departamento de Arquitetura da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR, levantou a importância da sustentabilidade no meio acadêmico, principalmente, no setor de arquitetura e urbanismo: "não só já existem leis federais que versam sobre a sustentabilidade, mas nós, da UTFPR, estamos tentando implantar diversas ações neste sentido, como reutilizar a água da chuva e elaborar projetos com teto verde, além do programa de gerenciamento de resíduos sólidos que já existe na Universidade", afirma.
Segundo ela, os alunos demonstram grande interesse pelo tema de sustentabilidade, um interesse que já vem de casa: "a nossa geração foi ensinada a separar o lixo, já a juventude de hoje tem uma preocupação quase que natural com o meio ambiente", complementa.
Já o profissional de gestão comercial, Leonardo Cordeiro Neto, acredita que a sustentabilidade em projetos e o reaproveitamento dos materiais são urgentes, devido à escassez das matérias-primas. “É importante criar novos conceitos e implantá-los em canteiros de obras no país”, destaca.
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Copa 2014: modernização do estádio Beira-Rio
Reforma das arquibancadas prevê a utilização de 2.400 m³ de concreto em estruturas pré-moldadas e 1.350 m³ em estruturas de concreto moldadas in loco
Marina Pastore

O dia 29 de julho de 2010 ficará marcado para os torcedores do Sport Club Internacional. Nesta data, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou as obras de revitalização do estádio Beira-Rio, em Porto Alegre (RS), com o objetivo de sediar alguns jogos da Copa do Mundo de 2014. Este complexo esportivo que inclui o estádio e uma nova área de lazer ganhou o nome de Gigante Para Sempre.
Segundo Pedro Antônio Affatato, 1º vice-presidente do clube e vice-presidente financeiro, “o projeto deve ficar pronto até 2012, para atender as exigências da Fifa e para sediar a Copa das Confederações, que acontecerá em 2013”.
O projeto para a modernização do Beira-Rio deverá ser feito em duas fases. A primeira delas diz respeito à reforma do estádio. A segunda prevê a construção de um complexo com hotéis, centro de eventos e estacionamentos. O clube ainda tem uma ambição: sediar um dos jogos da semifinal. “Ainda não sabemos se isso acontecerá, mas estamos fazendo o possível para nos credenciarmos”, relata Affatato.
Revitalização do Beira-Rio

De acordo com Affatato, o estádio do Beira-Rio terá duas grandes modificações. A primeira diz respeito à nova cobertura. “Atualmente, ela abriga 40% da arquibancada. Agora ela será toda feita em estrutura metálica e deverá abranger 100%”, conta. Para realizar esta obra, serão necessárias 400 mil toneladas de aço.
A outra grande alteração no campo será com relação ao posicionamento da arquibancada. Ainda segundo o vice-presidente, esta área deverá ser expandida e as cadeiras deverão ficar mais próximas ao campo. Com isso, haverá também uma ampliação na capacidade do estádio do Internacional que, de acordo com Affatato, passará de 56 mil a 62 mil.
O vice-presidente do Internacional também relata que as arquibancadas utilizarão uma grande quantidade de pré-moldados de concreto. Serão utilizados 2.400 m³ de concreto na estrutura pré-moldada, enquanto as estruturas de concreto moldadas in loco empregarão 1.350 m³ do mesmo material.

Algumas obras serão realizadas para atender às exigências da Fifa. Os vestiários, por exemplo, deverão ser simétricos – atualmente, o do Internacional é superior ao do time visitante. Além disso, há algumas alterações a serem feitas nos sanitários do estádio e nos acessos. A sala de imprensa também deverá passar por reformas para adequação do tamanho e terá 1.339,4 m².
No momento, a obra está no estágio do estaqueamento, isto é, estão construindo as bases para a grande estrutura. Affatato informa que 20% das 130 estacas necessárias já foram colocadas.
Entretanto, o clube ainda não está trabalhando com nenhuma construtora ou consórcio. “A obra foi aprovada há cerca de 40 dias. Hoje, o Inter está fazendo tudo com dinheiro do ‘próprio bolso’”, afirma Affatato. O custo total da primeira fase de modernização do estádio ficará em R$ 150 milhões, valor que será pago com recursos do próprio clube, provenientes da venda do estádio dos Eucaliptos e também por meio da comercialização de camarotes e suítes (espaços que incluem uma antessala para receber reuniões e eventos, além de assentos com vista para o campo e uma área comum com bares).
Uma das inovações deste projeto é a construção de um espaço chamado de Skyboxes. São áreas VIP’s que ficarão posicionadas atrás das traves e terão cerca de 800 m² de circulação, quase 3.000 m² reservados para os camarotes e aproximadamente 40 m² para os banheiros. Este espaço será construído no local onde, atualmente, estão as marquises.
Complexo Gigante para Sempre
Com a construção do Complexo Gigante para Sempre, os visitantes do Beira-Rio poderão usufruir de várias opções de lazer:
- Hotel: poderá ser utilizado tanto por visitantes como pelos times visitantes e até para concentração do próprio Inter.
- Centro de eventos: o Gigantinho passará por uma reforma e será adequado para receber todo tipo de espetáculos e convenções.
- Estacionamento: terão duas possibilidades de estacionamentos. Uma delas em um edifício com altura inferior a das copas das árvores existentes, causando o menor impacto possível na paisagem do parque. O outro será embaixo de uma esplanada. A entrada e a saída de ambos serão feitas pelas avenidas Padre Cacique e Beira-Rio.
- Área de esporte e lazer: este local, voltado para o rio Guaíba, abrigará um museu do Internacional, uma loja do clube, praça de alimentação e restaurantes panorâmicos. Os campos suplementares ganharão nova disposição, o que permitirá o treinamento de várias equipes ao mesmo tempo - profissionais, categorias de base e times visitantes. O complexo também terá um centro de treinamento com academia, departamento de fisioterapia, centro médico, saunas e vestiários.
- Marina: também será construída na orla do Guaíba e oferecerá acesso ao complexo.
De acordo com Affatato, esta segunda fase do projeto ainda não foi aprovada e só quando isso acontecer que teremos definições sobre as construtoras, os parceiros e os consórcios. O vice-presidente ainda explica que como a segunda fase do projeto deverá fazer interferências no meio ambiente, haverá uma demora maior na aprovação.
Entrevistado:
Pedro Antônio Affatato
- 1ºvice-presidente do Sport Club Internacional.
- Vice-presidente de Finanças do Sport Club Internacional.
- Engenheiro civil, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).
Contato: http://www.internacional.com.br/
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Ibracon promove o 52º Congresso Brasileiro do Concreto
Acordo de cooperação internacional será assinado na solenidade de abertura do congresso
Michel Mello
No mês de outubro, a capital do Ceará se transformará na capital brasileira do concreto. É que entre 13 e 17 de outubro, em Fortaleza, acontece o 52º Congresso Brasileiro do Concreto, promovido pelo Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon). Esse é o maior fórum nacional do segmento e terá debates sobre os recentes avanços e aplicações do uso do concreto em obras. Serão discutidas também as novas tecnologias em concreto e sistemas construtivos.
O Congresso Brasileiro do Concreto trará sessões técnicas com a apresentação de pesquisas, as inovações tecnológicas em termos de projetos, normatização do setor da construção civil, materiais, métodos em sistemas construtivos, análise estrutural, obras em concreto e universidade e pesquisa. O destaque fica para as presenças nacionais e internacionais, de pesquisa e de empresas, envolvidas com o segmento da construção.

O diretor de eventos do Ibracon, Luiz Prado Vieira Júnior, acredita que o “evento deve ter o maior público dos últimos anos, superando o número de 1.500 pessoas ligadas ao setor da construção, visitando, conhecendo e participando dos simpósios, minicursos e palestras durante o congresso”. Os públicos podem ser divididos basicamente em dois grupos: o público comercial e o técnico. O congresso atende ao público técnico e a feira àqueles que possuem negócios com o setor da construção.
“Serão 477 artigos técnicos apresentados durante o congresso. Desses trabalhos, 100 serão mostrados em plenária”, destaca o diretor. Ele também destaca palestras de grandes nomes do setor, como a do arquiteto e urbanista, Paulo Mendes da Rocha, que abordará o tema sustentabilidade e o uso de escoras. Destaque também para as palestras internacionais com Benoit Fournier, da Laval University de Quebec, Canadá, que abordará O Estágio Atual do Conhecimento sobre a Reação Álcali-Agregado – RAA, e Hani Nassif, da Universidade de Nova Jersey, EUA, com o tema Comparison of Cracking Potential in High-Performance Concrete (HPC) and Self-Consolidating Concrete (SCC) Mixes under Restrained Shrinkage Conditions, entre outras.
O evento também irá discutir as perspectivas para o concreto no Brasil e no mundo, com palestrantes brasileiros e estrangeiros que compartilharão suas experiências em projeto, execução, manutenção e controle de qualidade. Ainda haverá a apresentação de cases de grandes obras em concreto.
Acordo Internacional Ibracon – Rilem
O Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon) e a União dos Laboratórios e Consultores em Materiais, Sistemas e Estruturas da Construção (Rilem) compartilham a visão e a missão de estimular e disseminar a pesquisa, o desenvolvimento e o conhecimento sobre os materiais e os sistemas construtivos em concreto. Tendo em vista a sinergia alcançada por essas duas instituições, as diretorias das entidades iniciaram um trabalho conjunto e chegaram a um acordo de cooperação internacional que será assinado por seus representantes na solenidade de abertura do 52º Congresso Brasileiro do Concreto.

Para o professor, José Marques Filho, que é o presidente do Ibracon, “a assinatura do Acordo de Cooperação Internacional entre o Ibracon e a Rilem fornecerá uma base sólida para o intercâmbio de informações técnicas entre as entidades”, declarou quando do consenso firmado pelas partes.
Entre suas cláusulas, está prevista a organização conjunta de eventos técnicos, o suporte e a participação de cada um dos parceiros nas atividades do outro, inclusive em comitês técnicos, a venda com desconto das publicações de cada entidade aos membros da outra, além da disponibilidade recíproca de links em seus respectivos sites.
O 52º Congresso Brasileiro do Concreto é promovido e organizado pelo Ibracon, que também é responsável pela realização da VI Feira Brasileira das Construções em Concreto (Feibracon) que acontece como evento paralelo ao congresso. A Feibracon 2010 apresenta grande diversidade em produtos e soluções para a construção em obras de concreto.
Reações Álcali-Agregado
As reações álcali-agregado (RAA), reações deletérias entre os álcalis do cimento e os agregados reativos do concreto, na presença de água, são patologias estruturais que têm sido observadas em represas, fundações de edifícios, pontes, pavimentos, entre outras obras de concreto.
No Seminário “Reação Álcali-Agregado: causas, diagnóstico e soluções”, que acontece no dia 15 de outubro, como evento paralelo à programação do 52º Congresso Brasileiro do Concreto, especialistas em patologias em obras de concreto irão abordar o estágio atual do conhecimento sobre a RAA, os ensaios laboratoriais para seu diagnóstico, seu impacto em usinas hidrelétricas, as técnicas de recuperação, entre outros temas relacionados.
As inscrições podem ser feitas antecipadamente ou diretamente no dia do evento. Vale lembrar que as inscrições antecipadas possuem um desconto. Por isso, confira o site oficial do evento: http://www.ibracon.org.br/eventos/52cbc/home.html.
Entrevistados:
José Marques Filho
- Engenheiro civil pela Universidade de São Paulo (USP).
- Mestre em Engenharia Civil pela Universidade de São Paulo (USP).
- Doutor em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FURG).
- Consultor da Companhia Paranaense de Energia (Copel).
- Presidente do Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon).
- Coordenador da Comissão de Concreto do Comitê Brasileiro de Barragens (Cbdb).
- Colaborador da International Commission on Large Dams, - Engenharia e Construção.
- Coordenador geral e responsável técnico do Consórcio São Jerônimo, no Espaço Energia.
- Revista Ibracon de Materiais (ISSN 1809-5046) e professor adjunto da Universidade Federal do Paraná (UFP).
Contato: jmarques@copel.com
Luiz Prado Vieira Júnior
- Diretor de Eventos da Ibracon.
- Engenheiro civil pela Universidade Mackenzie.
- Engenheiro da Temagi construtora, chefe de divisão de usinas.
- Diretor – superintendente da Lumans Engenharia.
Contato: lumans@lumans.com.br