Arco Metropolitano muda infraestrutura do Rio de Janeiro

Obra é uma das maiores do PAC e tem previsão de consumo de mais de 90 mil m³ de concreto, apesar do pouco investimento em pavimento rígido

Por: Altair Santos

Com a conclusão prevista para dezembro de 2012, o Arco Metropolitano do Rio de Janeiro é uma das principais obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Projetado para interligar as rodovias que cortam o Estado (BR-040, BR-101, BR-116, BR-493 e BR-465) o empreendimento tem extensão de 70,9 quilômetros e abrange oito municípios - Itaboraí, Magé, Guapimirim, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Japeri, Seropédica e Itaguaí. “Ele começa no entroncamento com a BR-040 e termina no entroncamento com a BR-101 Sul. É a obra estratégica mais importante do Estado do Rio de Janeiro das últimas décadas”, revela o subsecretário de Urbanismo da Secretaria de Obras do governo do RJ, Vicente Loureiro.

ABCP prestou assessoria, mas houve recuo no investimento em pavimento rígido.

Com custo estimado de R$ 965 milhões, o Arco Metropolitano do Rio irá consumir pelo menos 91 mil m³ de concreto, entre trechos em pavimento rígido e obras de arte, que incluem 54 viadutos, 18 pontes e 82 passagens inferiores - entre elas 10 zoopassagens na Floresta Nacional Mario Xavier. Por causa do volume, as construtoras envolvidas na obra optaram por produzir vigas pré-fabricadas de concreto protendido em seus canteiros centrais, em vez de concretagem in loco. Para isso, estão em uso bombas-lança de concreto de 40m³/h de capacidade, utilizadas para fabricar blocos, pilares, travessas, tabuleiros de viadutos e pontes, passagens inferiores, passagens de gado e fauna e galerias celulares bueiros.

Segundo o gerente regional da ABCP-RJ (Associação Brasileira de Cimento Portland), Eduardo D´Avila, o volume de concreto utilizado no Arco Metropolitano poderia ser maior se o governo do Rio de Janeiro, em cima da hora, não tivesse optado pelo pavimento semirrígido invertido na maioria dos trechos. “O Arco realmente tinha um bom trecho previsto para ser feito em pavimento rígido e depois ele deixou de ser em concreto. Explicar o porquê desta mudança no projeto eu não sei, já que o pavimento rígido era a alternativa mais adequada para o tráfego pesado. A ABCP prestou assessoria técnica no projeto e mostrou a viabilidade do pavimento de concreto, e ele era competitivo a custo inicial”, diz Eduardo D´Avila.

Obra é a mais importante do Rio de Janeiro em décadas.

O consórcio responsável por construir o Arco Metropolitano do Rio de Janeiro engloba oito construtoras: Odebrecht, Andrade Gutierrez, Carioca, Queiroz Galvão, OAS, Camargo Corrêa, Delta e Oriente. Atualmente, 27% das obras já foram concluídas. Divididas em quatro lotes, elas envolvem terraplanagem, drenagem, obras de arte corrente e obras de arte especiais. “Será uma rodovia de grande impacto na economia fluminense. Além de desafogar o tráfego da Região Metropolitana, em especial da Avenida Brasil e da Ponte Rio-Niterói, também vai facilitar o transporte de cargas de Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo ao Porto de Itaguaí”, explica o subsecretário Vicente Loureiro.

Impacto econômico

A estimativa é que a obra reduza em até 20% os custos de transportes de mercadorias entre o Porto de Itaguaí e sete estados brasileiros, incluindo os da região Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). O impacto na economia brasileira será de R$ 1,8 bilhão, sendo 64,1% desse valor concentrados no setor de construção civil. Em longo prazo, a influência direta no Produto Interno Bruto (PIB) da região será de R$ 2 bilhões. Os dados fazem parte do estudo Avaliação dos Impactos Logísticos e Socioeconômicos da Implantação do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro, encomendado pelo Sistema Firjan e pelo Sebrae-RJ ao Centro de Estudos em Logística da Coppead/UFRJ e à Tendências Consultoria.

Ainda, de acordo com o estudo encomendado pelo Sistema Firjan e pelo Sebrae-RJ, a previsão é de que se instalem no entorno da via empreendimentos industriais e de logística capazes de criar 800 mil empregos nos próximos 15 anos.

Arco Metropolitano do Rio de Janeiro conta com 54 viadutos e 18 pontes.

A obra é estratégica para o Rio de Janeiro e vai interligar cinco rodovias federais que cortam o Rio de Janeiro.
Mapa mostra os municípios por onde vai passar o Arco Metropolitano e quais rodovias vai interligar.

Entrevistados
- Eduardo D´Avila, gerente regional da ABCP-RJ/ES (Associação Brasileira de Cimento Portland)
- Vicente Loureiro, subsecretário de Urbanismo da Secretaria de Obras do governo do RJ

Currículos

Eduardo Henrique D´Avila
- Engenheiro Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
- Pós-graduado em Construção Civil pela UFRGS
- Pós-graduado em Estruturas de Concreto pela Universidade Luterano do Brasil
- Gerente Regional da ABCP RJ/ES (Associação Brasileira de Cimento Portland)
- Coordenador Nacional do Programa de Desenvolvimento Empresarial de Fabricantes de Blocos de Concreto (PDE)

Vicente Paulo Loureiro
- Arquiteto e membro da Sociedade de Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro (SEAERJ)
- Ex-presidente do Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano (IPPU) de Volta redonda

Contatos
Eduardo Henrique D´Avila: eduardo.davila@abcp.org.br
Vicente Paulo Loureiro: vicente.suburbrm@obras.rj.gov.br

Créditos Fotos: Divulgação/ObrasRJ/ABCP-RJ/ES/ALERJ

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

Fórum permanente pretende influir na formação de engenheiros

Instituto de Engenharia de São Paulo prepara núcleo de discussões, a fim de ajudar no aprimoramento dos profissionais e adequá-los à nova realidade do mercado

Por: Altair Santos

O Instituto de Engenharia de São Paulo (IE) prepara a fundação do núcleo de discussão dos negócios de engenharia. A ser lançado em agosto, o objetivo central será debater, entre outros assuntos, o preparo técnico e gerencial de profissionais e estudantes de engenharia, em especial os da civil, e os planos de investimentos governamentais para a melhoria da infraestrutura nacional. “Também serão envolvidos no fórum a organização da atividade econômica da engenharia, a legislação pertinente e os órgãos que regulam e fiscalizam os profissionais”, explica o presidente do IE, Aluizio de Barros Fagundes.

Aluizio de Barros Fagundes, presidente do Instituto de Engenharia: núcleo de discussão do IE será aberto em agosto e terá caráter permanente.

O espectro a ser envolvido nos debates é amplo. Através de associações classistas, serão convidados o empresariado da engenharia em geral, as escolas de engenharia, a advocacia administrativa, os tribunais de contas, o ministério público e grupos de influência nos planos de desenvolvimento econômico. “A intenção é disseminar a organização das atividades de engenharia para o correto entendimento de sua comercialização e aplicação. A engenharia é um ramo de negócios e não uma simples profissão de commodities”, resume o presidente do Instituto de Engenharia.

O núcleo de discussão dos negócios de engenharia, que será instalado pelo Instituto de Engenharia de São Paulo, terá caráter permanente e funcionará lastreado por um curso livre de gestão da engenharia, destinado à formação de executivos do setor. “Uma das metas é eliminar aquilo que chamo de paradigma da desconfiança, mediante o estabelecimento de um sólido código de ética empresarial, profissional, ambiental e legal, propiciando real fluidez na implantação de empreendimentos, hoje muito prejudicada por discussões mal fundamentadas”, afirma Aluizio de Barros Fagundes, realçando que o núcleo de discussão também quer influir na formação de engenheiros.

No entender do presidente do Instituto de Engenharia, há sérias deficiências na formação básica dos estudantes. “Eles chegam a todas as faculdades, não só as de engenharia, com baixo grau de alfabetização e sem as noções fundamentais de matemática e demais ciências exatas. Em escolas de engenharia exigentes ocorre então a evasão maciça dos alunos. Naquelas mais lenientes, acontece a formatura de pessoas incapazes de exercer a profissão”, preocupa-se Aluizio de Barros Fagundes, dizendo que entre 1980 e 2005 o Brasil jogou fora um imenso capital do conhecimento setorial.

Daí decorre, de acordo com o presidente do IE, esse déficit na disponibilidade de engenheiros no mercado. “Porém, mais grave que esse problema é a queda na qualificação dos egressos das faculdades. Não nos iludamos. O que incentivou e manteve a inquestionável excelência da engenharia brasileira foram as grandes companhias governamentais. Com o fechamento ou drástica redução dessas companhias, perderam-se e dispersaram-se os profissionais que um dia o país logrou a ter. Há que se pensar nesse grotesco erro estratégico”, alerta.

A fundação do núcleo de discussão dos negócios de engenharia é uma das prioridades na nova gestão de Aluizio de Barros Fagundes, que em março de 2011 reelegeu-se na presidência do IE. O que suscitou a ideia foi um artigo escrito por ele em fevereiro de 2011, intitulado Nova Engenharia para um novo século. Em um dos trechos estão os fundamentos do núcleo que será aberto em agosto. “Do mesmo modo que, nas décadas de 60, 70 e metade da de 80, a engenharia se mobilizou, encorpou e brilhou... Repentinamente apagaram-se as luzes, fecharam-se as portas e todos fomos atônitos para casa... Com o novo surto de progresso experimentado em 2010, teremos tudo de novo por fazer e tudo por fazer de novo. Precisamos, no entanto, estar conscientes que dessa vez não podemos abusar da improvisação e da criatividade, sob pena de apenas incharmos a força de trabalho”, escreveu.

Leia a íntegra do artigo Nova Engenharia para um novo século
Site de Lígia Fascioni.

Entrevistado
Aluizio de Barros Fagundes, presidente do Instituto de Engenharia
Currículo

- Engenheiro Civil formado pela USP-São Carlos.
- Mestre em Engenharia pela Politécnica da USP e mediador e árbitro do Instituto de Engenharia.
- Desde 1996 atua como Consultor Independente para desenvolvimento de negócios e concepções técnicas em empreendimentos de Concessões de Serviços Públicos de Água e Esgotos.
- Foi professor universitário na Cadeira de Construção Pesada, na Escola Politécnica da USP, no Instituto Mauá de Tecnologia e na Escola de Engenharia da UNIP.
- Autor de meia centena de publicações técnicas no magistério, revistas especializadas e anais de eventos acadêmicos e profissionais.
- Profissionalmente dedicado ao ramo de Engenharia Consultiva para obras pesadas e de infraestrutura socioeconômica, tendo coordenado, dirigido e participado de cerca de duzentos empreendimentos, com destaque para as Estações Sé e República do Metrô de São Paulo, Usinas Hidrelétricas Três Irmãos e Água Vermelha da CESP, entre outros.
Contatopresidência@iengenharia.org.br / fernanda@iengenharia.org.br (assessoria de imprensa)

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

ISO 26000 nasce para ser a norma das normas

Lançada no final de 2010, ela engloba conceitos e tem como meta principal ser um guia orientador sobre responsabilidade social nas empresas

Por: Altair Santos

Entre janeiro de 2005 e dezembro de 2010, 91 dos 105 países-membros da ISO (Organização Internacional para Normalização) atuaram na elaboração daquela que já é considerada a norma das normas: a ISO 26000.

Jorge Emanuel Cajazeira presidiu o maior Comitê da ISO em todos os tempos, que resultou na norma 26000.

Nascida para ser um guia orientador sobre responsabilidade social, ele envolveu cerca de 500 pessoas e contou também com a participação de integrantes da ONU (Organização das Nações Unidas), da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e de um grande número de Organizações Não-Governamentais, como a WWF (World Wildlife Fund). “Foi o maior Comitê da ISO em todos os tempos. Indiscutivelmente, foi a norma mais debatida mundialmente”, afirma o brasileiro Jorge Emanuel Cajazeira, que presidiu o Comitê mundial da ISO 26000.

Diferentemente da maioria das normas, a ISO 26000 foi concebida para ser uma diretriz normativa não-certificável, ou seja, ela não é uma norma de certificação. “Ela é uma norma guia, uma norma de conduta. O objetivo foi fazer dela uma norma guarda-chuva. Ela praticamente englobou conceitos de outras normas, que evoluíram para uma ISO de responsabilidade social. Então, a adesão das empresas a ela é espontânea”, explica Jorge Emanuel Cajazeira.

Logo, uma empresa que pretenda seguir a ISO 26000 terá que buscar a construção de responsabilidade social a partir de uma mobilização interna, seguindo os seguintes princípios: accountability (prestação de contas à sociedade), transparência, comportamento ético, respeito e consideração aos interesses dos stakeholders (funcionários, gestores, fornecedores, clientes, Estado e entidades de classe), cumprimento das leis e normas internacionais e universalidade dos direitos humanos.

A ISO 26000 estabelece que responsabilidade social é:
“Responsabilidade de uma organização sobre os impactos de suas decisões e atividades na sociedade e no meio ambiente, através de comportamento transparente e ético que:
- contribua para o desenvolvimento sustentável, incluindo saúde e o bem estar da sociedade;
- leve em conta a expectativa das partes interessadas;
- esteja de acordo com as leis aplicáveis e consistente com as normas internacionais de comportamento
- esteja integrada através da organização e praticada nos relacionamentos desta.”

Segundo Jorge Emanuel Cajazeira, a principal dificuldade que as empresas devem encontrar ao implantar a ISO 26000 será evitar confundir responsabilidade social com a prática da filantropia. “Diversas instituições se dizem socialmente responsáveis porque fazem doações, ajudam creches, enfim, têm uma ação filantrópica. Este conceito não é o que a ISO entende que seja definitivo para o tema responsabilidade social. Responsabilidade social para a ISO é uma relação ética perante a sociedade, que inclui respeito aos direitos humanos, respeito aos direitos das minorias, combate à discriminação, combate à corrupção e governança. São temas muito mais abrangentes do que a mera filantropia, que é uma da parte de ação social”, diz.

Definir esse novo conceito de responsabilidade social é que foi a grande dificuldade do Comitê que elaborou a ISO 26000. Por isso, ela demorou cinco anos para ser criada, quando, em média, uma norma demora no máximo três anos para ser construída. “Os debates foram calorosos, por que envolveram temas que não são muito fáceis de chegar a um consenso. Um exemplo foi o que envolveu a discriminação contra homossexuais. Isso para os países árabes é tido como ofensivo, pois eles não consideram o homossexualismo como uma coisa que faz parte da cultura deles. Então, foi preciso criar uma atmosfera de uniformidade de conceitos e quebrar resistências históricas”, revelou Cajazeira.

O que prega a ISO 26000

Governança organizacional
Trata dos processos e estruturas de tomada de decisão, delegação de poder e controle. O objetivo é fazer com que a organização incorpore em seu cotidiano os princípios de responsabilidade social.

Direitos Humanos
Inclui resolução de conflitos, direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais, além de direitos fundamentais do trabalho e combate à discriminação a grupos vulneráveis.

Práticas trabalhistas
Refere-se tanto ao emprego direto quanto ao terceirizado e ao trabalho autônomo. Inclui emprego e relações de trabalho; condições de trabalho e proteção social; diálogo social, saúde e segurança ocupacional; desenvolvimento humano dos trabalhadores.

Meio ambiente
Inclui prevenção da poluição; uso sustentável de recursos; adaptação às mudanças climáticas; proteção e restauração do ambiente natural; respeito ao ciclo de vida e responsabilidade ambiental.

Práticas operacionais justas

Compreende combate à corrupção; envolvimento político responsável; concorrência e negociação justas; promoção da responsabilidade social na esfera de influência da organização e respeito aos direitos de propriedade.

Questões dos consumidores
Inclui práticas justas de negócios; marketing e comunicação; proteção à saúde e segurança do consumidor; consumo sustentável; serviço e suporte pós-venda; privacidade e proteção de dados; acesso a serviços essenciais; educação e conscientização.

Envolvimento com a comunidade e seu desenvolvimento
Refere-se a investimento social; desenvolvimento tecnológico; criação de empregos; geração de riqueza e renda; promoção e apoio à saúde, educação e cultura.

ISO 26000 começa a se propagar no Brasil

O brasileiro Jorge Emanuel Cajazeira, que presidiu o Comitê que criou a norma de Responsabilidade Social, afirma que agora trabalha para expandir rapidamente os conceitos da nova ISO pelo país. Confira a entrevista:

As empresas brasileiras já estão se adequando à norma ou ela ainda vai levar um tempo para se propagar pelas corporações do país?
Uma boa parte delas já está parcialmente aderente à norma e o processo deve se expandir rapidamente. A norma foi lançada agora e estamos divulgando via federações de indústrias. Então, em breve, teremos um bom número de adesões à norma.

Hoje, quais as empresas brasileiras que estão trabalhando para se adequar à ISO 26000?
A Petrobras já tem trabalhos neste aspecto, assim como a Natura. Tenho informações de que a Braskem, que é ligada à Odebrecht, iniciou o processo, além da Suzano Papel e Celulose, da CPFL Energia e o Banco Santander.

O Brasil presidiu o Comitê Mundial da ISO de Responsabilidade Social, com o senhor à frente dos trabalhos. Como foi conduzir a elaboração da norma?
Não foi um trabalho fácil. Tomou um grande tempo de viagens, sobretudo para negociar com chineses e indianos, que se opunham à norma. Foi a primeira vez que um brasileiro presidiu um Comitê deste porte, do qual faziam parte quinhentas pessoas, e até pegar familiaridade com os termos e a ritualística demorou um pouco. Mas obtive muito apoio inquestionável da ABNT e da própria ISO, que não poupou recursos para que a norma saísse.

Além do senhor, quem mais do Brasil se envolveu no trabalho para a criação da norma ISO 26000?
Além de mim, o vice-secretário geral Eduardo Santiago, da ABNT, e mais seis especialistas participaram da redação da norma: o Aron Belinky, ligado ao Instituto Akatu; o José Salvador, da Fundação Vanzolini; o Rodolfo Guttilla, da Natura; a Ana Paula Grether, da Petrobras; o Reinaldo Ferraz, do Ministério de Ciência e Tecnologia, e o professor José Carlos Guarnieri, da FGV.

Especificamente sobre o setor da construção civil brasileira, ele está preparado para requerer a ISO 26000?
O setor da construção civil precisa, sobretudo, ter relações trabalhistas mais duradouras. Em determinados momentos ele emprega muito e em outros desemprega. Essas relações precisam ser mais perenes. Tem também a questão da legalidade, da saúde e da segurança. O lado positivo, é que o setor avançou muito na questão ética. Na parte de concorrência pública me parece que houve uma evolução grande e hoje ela é conduzida com mais transparência.

Lançamento da ISO 26000, no Brasil, em dezembro de 2010: país foi protagonista na elaboração da norma.

Responsabilidade socioambiental da Cia. de Cimento Itambé
A Cia. de Cimento Itambé conta atualmente com as certificações ISO 9001:2008 (Qualidade), 14001:2004 (Meio Ambiente) e a OHSAS 18001:2007 (Saúde e Segurança), concedidas pela SGS ICS Certificadora Ltda. Essas certificações estão consolidadas em um único sistema - Sistema Integrado de Gestão (SIG).

Para o gerente de qualidade da Itambé, Rogério Lunardon, as normas permitem que a empresa tenha um compromisso com a qualidade, que vai desde a prospecção do calcário até a entrega do produto ao consumidor. “Há uma interação, afinal não faria sentido ter qualidade sem respeito ao meio ambiente e sem padrões de trabalho seguro”, afirma.

A Itambé desenvolve também uma política de responsabilidade social, que se sustenta em três pilares básicos: a valorização do potencial humano, o desenvolvimento das comunidades onde está presente e o respeito ao meio ambiente. A empresa faz isso por meio do PIPA (Programa Itambé de Participação Social), com ênfase em obras de infraestrutura nos municípios de Balsa Nova e Campo Largo, onde estão localizadas sua fábrica e mina, respectivamente.

Segundo Cecília Chiesse Hara, coordenadora de comunicação corporativa da empresa, o PIPA, que foi criado em 2001, já recebeu da Itambé o repasse de mais de R$ 2 milhões. “Só em 2010, foram R$ 300 mil”, diz. Voltado para a educação e saúde, o programa proporciona melhor qualidade de vida aos moradores dos municípios em que a companhia atua, prioritariamente, das localidades do Jardim Serrinha, em Balsa Nova, e do Itambezinho, em Campo Largo.

Nessas comunidades, o PIPA já viabilizou as reformas das escolas e postos de saúde que atendem à comunidade local. Além disso, abre a biblioteca da Itambé para alunos das redes de ensino de Balsa Nova e Campo Largo que tem acesso a todo o acervo literário da empresa. O espaço dispõe de dois mil títulos e conta ainda com um auditório de 105 lugares, onde é realizado o projeto Sessão Cinema, e que em 2010 atendeu três mil estudantes.

Entrevistados
Jorge Emanuel Reis Cajazeira, Presidente do comitê mundial da ISO 26000
Currículo

- Doutorando e mestre pela FGV-EAESP
- Presidente mundial da ISO Responsabilidade Social
- Membro do conselho da Aberje
- Gerente Corporativo de Competitividade da Suzano Papel e Celulose
- Eleito entre o 4 executivos mais inovadores em 2005 pela Revista Exame
- Coordenador Grupo Tarefa de Responsabilidade Social Corporativa – ABNT
Contatos: jbarretto@suzano.com.br/ joiceb.je@suzano.com.br (assessoria de imprensa)

Cecília Chiesse Hara, coordenadora de comunicação corporativa da Itambé

Rogério Lunardon, gerente de qualidade da Itambé

Crédito Fotos: Divulgação/Petrobras/Suzano

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

BRICS impulsiona venda de cimento no mundo

Países do bloco, do qual o Brasil faz parte, lideram consumo, mas presidente do SNIC avalia que crescimento será moderado a partir de 2012

Por: Altair Santos

Relatório global do setor de cimento, publicado recentemente pela revista britânica International Cement Review, mostra que em 2009 e 2010 o mercado registrou crescimento acentuado em todo o mundo. O documento avalia dados de 160 países e revela que a produção saltou de 2.830 milhões de toneladas em 2008 para 3.294 milhões de toneladas em 2010. Seguindo neste ritmo, há a expectativa de que o crescimento registre recorde em 2012, atingindo 3.859 milhões de toneladas.

José Otávio Carneiro de Carvalho, presidente do SNIC: “O cimento, através do concreto, é culturalmente a base da construção brasileira.”

No Brasil, não é diferente. A indústria cimenteira do país descarta, inclusive, exportar, para investir somente no mercado interno, onde PAC, Olimpíadas, Copa do Mundo e Minha Casa, Minha Vida levam a indústria a planejar aumento de capacidade de 65% em 5 anos, segundo o relatório global da International Cement Review. No entanto, o presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), José Otávio Carneiro de Carvalho, mostra um otimismo moderado.

De acordo com ele, a expectativa de crescimento sustentável vai depender do cenário econômico do país. “O consumo de cimento é muito sensível ao comportamento das condições macroeconômicas. É extremamente sensível, diria. Então, é preciso ver como o Brasil vai combater o retorno da inflação, e quais medidas serão tomadas”, diz, mantendo-se confiante para 2011. “Neste ano, a expectativa é de crescimento na faixa de 8%. A partir daí, não tem como estimar”, avalia.

Para o presidente do SNIC, o bom andamento da indústria de cimento nos próximos anos vai depender das futuras medidas que o governo federal irá tomar em relação ao programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Segundo José Otávio Carvalho, o MCMV é mais relevante para a indústria do cimento do que eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas. “O Minha Casa, Minha Vida é um programa que já provou ser sustentável. Já Copa e Olimpíadas são apenas indutores de crescimento”, diz.

Dentro de seu otimismo moderado, José Otávio Carvalho crê que, se as medidas governamentais forem corretas, o Brasil tende, a médio prazo, a ultrapassar os Estados Unidos no consumo de cimento. Até por uma questão cultural, avalia. “No mercado brasileiro, o cimento faz parte da cultura da engenharia civil. Não só no emprego de obras de infraestrutura, como na própria construção de edificações, sejam elas habitacionais, comerciais ou industriais. O cimento, através do concreto, é culturalmente a base da construção brasileira”, afirma.

Já os Estados Unidos têm uma predileção pelas estruturas de aço, completa o presidente do SNIC. “O cimento lá é relativamente pouco usado na construção de edificações, onde prevalece o uso de estruturas metálicas. São mercados completamente diferentes. Portanto, se o Brasil tiver realmente uma grande expansão de consumo nos próximos anos, é possível que venha a ultrapassar os Estados Unidos em consumo”, conclui José Otávio Carvalho.

BRICS
O presidente do SNIC avalia que os países que compõem o bloco chamado BRICS - formado por Brasil, Rússia, Índia, China e, agora, África do Sul – é o grande responsável pelo crescimento de consumo no mundo de 2009 para cá. “A Rússia sentiu um impacto maior da crise internacional, mas China, Índia e Brasil atravessaram este período de dificuldades conjunturais do mundo mantendo taxas de crescimento consideráveis de consumo de cimento. Os três foram quase exceção diante do cenário global”, afirma.

Diante do cenário, José Otávio Carvalho acha que é zero o risco de o Brasil enfrentar problemas para abastecer o mercado interno de cimento. “Houve algumas importações pontuais, sobretudo de clínquer, mas elas não foram representativas a ponto de indicar ameaça no abastecimento. Até por que, o setor reagiu exemplarmente e já colocou em marcha a ampliação de suas fábricas e a instalação de novas unidades. É um compromisso da indústria nacional do cimento abastecer o mercado interno”, finaliza.

Evolução da venda de cimento no Brasil em 12 meses.
Regiões do mundo que mais consomem cimento.
Os 10 maiores consumidores de cimento do mundo em 2010.


Entrevistado
José Otávio Carneiro de Carvalho, presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC)
Currículo

- Formou-se em Engenharia de Produção, na PUC-RJ, em 1965.
- Em 1969, concluiu Pós-Graduação em Engenharia Econômica, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
- Entre 1975 e 1978 integrou a equipe de assessoria econômica do então ministro da Fazenda, Mário Henrique Simonsen.
- Trabalha como consultor de empresas e desde 1982, atua no setor de cimento, onde prestou consultoria em diversos projetos.
- Em 2001, foi convidado para o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), onde assumiu a função de Secretário Executivo e depois se tornou vice-presidente Executivo da entidade.
- No início de 2011, assumiu o cargo de presidente do SNIC.
Contato: snic@snic.org.br / adriana.alves@fsb.com.br (assessoria de imprensa)

Créditos:
Infográficos:  Snic / Relatório global do setor de cimento, da International Cement Review
Foto:  Divulgação/SNIC

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

"Custo Paraná" já cobra preço alto do Estado

Economia paranaense perde competitividade por causa de gargalos da infraestrutura e, principalmente, por que tem baixa qualificação de mão de obra

Por: Altair Santos

Dezesseis das maiores empresas instaladas no Paraná decidiram cruzar seus dados para projetar o futuro da economia paranaense daqui a quatro anos. As conclusões a que chegaram é que, assim como o país carrega o chamado “custo Brasil”, o Estado convive com o “custo Paraná”. Ele se materializa em gargalos de infraestrutura, como os que afetam o porto de Paranaguá, na carga tributária alta, na burocracia e, sobretudo, na escassez de mão de obra qualificada.

Carlos Echeverría: “O Paraná está perdendo atratividade e é preciso correr contra o relógio.”

O estudo, cujo relatório foi apresentado ao governo estadual no começo deste ano, esteve sob a coordenação do diretor de recursos humanos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Carlos Echeverría. Ele conclui que, se nada for feito no médio prazo, o Paraná tende a vir a sofrer do “efeito ABC”. Trata-se de um fenômeno semelhante ao que ocorreu no ABC paulista no final do século passado, quando a mão de obra excessivamente cara causou a migração de indústrias para outras regiões do país.

Segundo Echeverría, as empresas que fizeram parte da pesquisa pretendem, até 2014, gerar 18.770 novas vagas. Destas, 5.443 vão exigir formação superior, 8.072 serão para técnicos e 5.255 para trabalhadores com o ensino médio completo. O problema está na capacitação destes profissionais. Boa parte deles não terá como se candidatar às vagas ofertadas, o que vai obrigar a “importação” de mão de obra. “Isso exige que as organizações recrutem profissionais em outras regiões, como São Paulo. Ao efetuar estas contratações em centros mais caros, gera-se incremento de custo na folha de pagamento, tanto na atração quanto na retenção dos profissionais”, explica Carlos Echeverría.

A conclusão é que o Paraná está se tornando pouco competitivo. Dados recentes divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) comprovam essa tendência. Em 2010, o crescimento industrial do Paraná foi de 1,5%, enquanto a média nacional ficou em 3,4%. Já a folha de pagamento no Estado teve um aumento real de 9% em relação a 2009, enquanto a média nacional foi de 6,8%. “Percebe-se que o nível de atividade ficou na metade do nacional, mas o custo da mão de obra cresceu mais do que o nacional. O que acontece? A mão de obra aqui está mais cara. É a comprovação do efeito ABC”, destaca Echeverría.
Para estancar esse desequilíbrio entre crescimento e custo da mão de obra, o estudo baseado em dados das 16 empresas propõe que sejam criados pólos de formação de mão de obra em todo o Estado, para que essas vagas sejam preenchidas pelos jovens que estudam no Paraná. “Hoje nosso mercado se ressente muito de engenheiros civis e mecânicos, de médicos do trabalho, de profissionais de Tecnologia da Informação e de profissionais de nível gerencial”, enumera Echeverría.

O diretor de recursos humanos da PUC-PR avalia que a primeira medida do governo para enfrentar o “custo Paraná” seria diagnosticar as carências de mão de obra qualificada em todo o Estado. Esse mapeamento, sugere, poderia ser feito através da secretaria estadual de Educação. “Ela é o organismo mais preparado para identificar essas carências e preparar as escolas técnicas para executar os pólos de formação”, diz.

Ainda, segundo Echeverría, as 16 empresas que serviram para fomentar o estudo se propõem a ser parceiras de um programa de qualificação. “As empresas estão dispostas a fazer parceria para a formação de mão de obra, seja com investimentos em dinheiro ou disponibilidade de técnicos”, completa, avaliando que as medidas devem ser urgentes. “O Paraná está perdendo atratividade e é preciso correr contra o relógio”, alerta Carlos Echeverría.

Perfil das empresas
O estudo que mapeou o “custo Paraná” englobou empresas que pertencem à indústria (70%) e ao setor de serviços (30%). As 16 organizações pesquisadas são as seguintes: Boticário, Volvo, Renault, GRPcom, Bematech, GVT, Kraft Foods, Philip Morris, Correios, ALL, Case New Holland, Novozymes, AkerSolutions, HSBC, Positivo e Petrobras.

Quantidade de empregos que as 16 corporações pretendem criar até 2014
Gráfico mostra que Paraná tem uma das mãos de obra mais caras do país
O que o governo do PR precisa fazer
O que impacta a atividade econômica do Estado

Entrevistado
Carlos Echeverría, diretor de recursos humanos da PUC-PR
Currículo

- Graduado em Matemática, Administração de Empresas e Pós-Graduação RH
- Já atuou em empresas como H.B.Fuller Company; Cia. Cervejaria Brahma; Pirelli Pneus; Bosch Divisão Diesel
Contato: carlos.echeverria@pucpr.br ou drh@pucpr.br

Crédito: João Borges/Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

Itambé investe em tecnologia para construir silo de clínquer

Obra faz parte da linha 3 da Companhia e utiliza o sistema de formas deslizantes, além de um concreto diferenciado em sua estrutura

Por: Altair Santos
Construção do novo silo de clínquer usou a tecnologia de forma deslizante e a injeção ininterrupta de concreto por 11 dias

A demanda por cimento no Brasil tem levado o setor a investir em seus complexos industriais. Com a Cia. de Cimento Itambé não é diferente. No 1.º semestre de 2012, a empresa planeja inaugurar uma nova linha de produção de clínquer. As obras estão em pleno desenvolvimento e serão concluídas com a instalação do terceiro forno na fábrica de Balsa Nova, na região metropolitana de Curitiba.

As principais etapas da obra do novo forno são:
- Torre de pré-aquecimento (ciclones) de 125 m de altura
- Moagens de combustível e matéria prima
- Silo de armazenamento de matéria prima
- Silo de armazenamento de clínquer
- Resfriador
- Forno
- Filtros

“A principal peculiaridade deste tipo de obra é a complexidade das construções em concreto e a proximidade entre elas”, explica o engenheiro civil Paulo Vinicius Bressani, Coordenador das obras do Projeto da Linha 3 da Cia. de Cimento Itambé. Segundo ele, o pico da obra, que se dará daqui a dois meses, deverá envolver pelo menos 1.500 trabalhadores.

Base do silo de clínquer exigiu a formulação de um concreto especial, para não gerar fissuras

Uma das obras de maior vulto da nova linha de produção é o silo de clínquer, que tem 42 metros de diâmetro e 37 metros de altura, parte em concreto. Para construí-lo, foi usado o processo de forma deslizante contínua, que permitiu a concretagem da parede do silo. O equipamento se movimenta através de macacos hidráulicos, a uma velocidade de 13 centímetros por hora, e usa como base de apoio a própria parede recém construída. “Conforme o concreto ganha resistência, acionam-se os macacos hidráulicos e desliza-se a forma, num processo contínuo de concretagem”, revela Bressani.

A tecnologia de forma deslizante é uma das mais usuais no Brasil para a construção de silos, por permitir velocidade na construção. No caso da obra da Cia. de Cimento Itambé, foram 11 dias ininterruptos de concretagem, que consumiram cerca de 2,5 mil m³ de concreto na parede do silo totalizando um volume de cerca de 12,5 mil m³. Depois de concluído o silo terá capacidade para armazenar 56 mil toneladas de clínquer.

Paulo Bressani - Coordenador da área civil da linha 3

Esta é uma das etapas da construção da Linha 3, que tem outras obras sendo construídas em paralelo, outra obra que utiliza o sistema de forma deslizante é o silo de farinha que terá 63 metros de altura.

“Como são obras de grande porte em concreto, e próximas umas das outras, o planejamento criterioso para construí-las é fundamental”, relata Bressani, contando que o complexo de edificações da linha três já consumiu cerca de 25 mil m³ de concreto, transportados em mais de 3100 viagens de caminhão betoneira.

Jorge L. Christófolli - Gerente de Desenvolvimento Técnico da Cia. de Cimento Itambé – Divisão Concreto – Concrebras

Segundo o gerente de desenvolvimento técnico da Cia. de Cimento Itambé – Divisão Concreto (Concrebras), Jorge Christófolli, - responsável pela formulação do concreto usado para erguer o silo de clínquer - só na base da construção foram lançados 3.200 m³ de concreto. O planejamento da obra envolveu duas centrais de concreto, 25 caminhões, três bombas-lança e 50 horas ininterruptas de execução.

“Precisávamos de um concreto que gerasse pouco calor durante a cura, para que ele não apresentasse fissuras”, disse Christófolli. “Por isso, optou-se pelo cimento CP IV-32, com adição pozolana, e uso de sílica ativa e aditivos estabilizantes na formulação do material”, completou.

Assista ao vídeo da etapa da Concretagem da base do silo de armazenamento de clínquer da linha 3 da Cia. de Cimento Itambé.

Leia mais sobre a Concretagem da base do silo de clínquer da linha 3

Entrevistados
Paulo Bressani
Currículo

- Graduado em Engenharia Civil pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR)
- Coordenador das obras do Projeto da Linha 3 da Cia. de Cimento Itambé
Contato: paulo.bressani@cimentoitambe.com.br

Jorge L. Christófolli
Currículo

- Engenheiro civil pela Faculdade de Engenharia de São Paulo (FESP – SP)
- Pós-graduado em patologia das construções pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)
- Mestre em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)
- Gerente de Desenvolvimento Técnico da Cia. de Cimento Itambé – Divisão Concreto – Concrebras
Contato: jorge@concrebras.com.br

Créditos: Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

Brasil "ajeita" estradas, mas poderia recuperá-las

Programa do DNIT restaura 59 mil quilômetros de rodovias, mas ABCP defende que, sem pavimento em concreto, CREMA é “operação tapa-buracos”.

Por: Altair Santos

Dos cerca de 170 mil quilômetros de estradas que há no Brasil, mais de 90 mil estão sob a responsabilidade do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). São as chamadas rodovias federais, para as quais, desde 2006, o governo desenvolve o programa batizado de CREMA (Contrato de Restauração e Manutenção). Na 1.ª etapa, foram investidos R$ 6 bilhões em 27 mil quilômetros. Na 2.ª fase, em licitação, mais 32 mil serão recuperados, com investimento estimado em R$ 16 bilhões.

Luiz Antônio Pagot: até 2014, 85% das rodovias federais estarão em perfeitas condições.

Segundo o recente relatório gerencial da pesquisa rodoviária CNT/2010, da Confederação Nacional dos Transportes, o CREMA tem trazido resultados. Na avaliação da malha rodoviária federal, o estudo apontou que 43,9% estão em perfeito estado. Já 32,9% aparentavam desgaste, mas sem buracos. Outros 19,8% tinham trincas ou remendos, mas sem buracos. Por fim, 3,2% apresentavam afundamentos ondulações e buracos e 0,9% estavam totalmente destruídos.

Segundo o diretor-geral do DNIT, Luiz Antônio Pagot, na 2.ª fase do CREMA será dada prioridade para combater um dos principais vilões das rodovias: a chuva. “As chuvas afetam pontos e não trechos inteiros de rodovias, mas as obras previstas no CREMA 2 devem amenizar esse impacto, pois elas preveem reforço do pavimento desde a sub-base, aumentando seu tempo de vida útil” explica.

Ainda de acordo com Pagot, com os investimentos previstos, 85% das rodovias federais brasileiras estarão em perfeitas condições de trafegabilidade até 2014.

Ronaldo Vizzoni: sem pavimento rígido, o CREMA se transforma em uma operação tapa-buracos.

Para a ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), o problema do CREMA é que ele mantém o “status quo” das rodovias federais, ou seja, privilegia o pavimento em asfalto em trechos que, pelo volume de veículos que recebem e pelo grau de deterioração, deveriam optar pelo pavimento rígido. “Com isso, o CREMA se transforma em uma operação tapa-buracos, pois daqui a alguns anos, senão meses, o trecho que está sendo recuperado vai precisar ser restaurado de novo. O correto seria recuperá-lo com o pavimento em concreto”, avalia Ronaldo Vizzoni, gerente de infraestrutura da ABCP.

Para Vizzoni, boa parte das rodovias federais deveria receber uma “intervenção pesada” de pavimento em concreto. “Infelizmente, esse não é o espírito do CREMA”, avalia. No entanto, a partir de 14 de fevereiro de 2011, a ABCP ganhou condições de romper com esse paradigma das estradas brasileiras. Portaria publicada no Diário Oficial da União incluiu a Associação na comissão de trabalho do DNIT. O objetivo é criar procedimentos técnicos e econômicos para definir alternativas de pavimentação. A portaria também prevê a revisão do SICRO (Sistema de Custo Rodoviário) em pavimentação de concreto, considerando os novos procedimentos e equipamentos disponíveis no mercado.

A formação do grupo surgiu da necessidade de se estabelecerem diretrizes para o estudo comparativo entre as alternativas de pavimentação, levando em conta o tráfego, a capacidade de suporte, vida útil do pavimento e custo-benefício. A ABCP é a única entidade convidada a participar das duas comissões e está representada pelos engenheiros Ronaldo Vizzoni, gerente de infraestrutura; Marcos Dutra de Carvalho, líder especialista em pavimentação, e Fernando Cesar Crosara, gerente regional da ABCP Centro-Oeste. “A entrada da ABCP nesta comissão é um progresso incrível. Dela pode estar nascendo a solução definitiva para as rodovias brasileiras”, destaca Ronaldo Vizzoni.

Primeira etapa do CREMA restaurou 27 mil quilômetros de rodovias federais, segundo DNIT.
Trecho do Rodoanel Sul, em São Paulo; ABCP entra em comissão do DNIT para difundir pavimento em concreto.

Entrevistados
- Luiz Antônio Pagot, diretor-geral do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes)
- Ronaldo Vizzoni, gerente de infraestrutura da ABCP

Currículos
Luiz Antônio Pagot
Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Paraná
Pós-graduado em Administração Financeira pela Fundação Getúlio Vargas
Oficial de operação da Marinha do Brasil
Ex-secretário de Estado de Infraestrutura do Mato Grosso
Contato: imprensa@dnit.gov.br

Ronaldo Vizzoni
Engenheiro civil e administrador de empresas pela Universidade Mackenzie (SP)
Pós-graduado em Marketing Industrial pela FGV
Atualmente, é gerente da área de infraestrutura e líder do projeto de pavimentação da ABCP
Contato: ronaldo.vizzoni@abcp.org.br

Créditos fotos: Divulgação/DNIT/ABCP

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

É missão da ABCP ajudar o Brasil a crescer

Presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland, Renato José Giusti, fala das ações que o setor tem feito para estimular o desenvolvimento do país

Por: Altair Santos

Em dezembro de 2011, a ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) completa 75 anos de atuação. Neste período, seu papel extrapolou a função de estimular sistemas construtivos à base de cimento. A ABCP tornou-se protagonista em programas que fomentam o crescimento do Brasil. Ela tem atuado fortemente para ajudar o país a resolver seus gargalos de infraestrutura, oferecendo ideias, projetos e, sobretudo, tecnologia. É o que revela o presidente Renato José Giusti, na entrevista a seguir. Confira:

Renato Giusti: visão bifocal, qualidade, capacitação e integração são as quatro premissas que orientam a ABCP nestes 75 anos.

Qual a parcela de participação da indústria cimenteira neste período de aquecimento que o mercado da construção civil experimenta atualmente?
Primeiro, o forte período de aquecimento é recente. Nós estivemos cerca de 20 anos estagnados e, tanto a indústria cimenteira, quanto outros setores da construção civil ficaram com suas capacidades ociosas neste período. Então, houve diminuição do investimento futuro, o que levou a um grande trabalho, através da união de toda a cadeia de construção civil, onde o setor cimenteiro foi um dos lideres, e que fez surgir a União Nacional da Construção. Mostramos ao governo o quão importante era a construção civil para o Brasil, no sentido de que ela é uma grande locomotiva de desenvolvimento para o país. Com isso, o governo abriu um diálogo franco com toda a cadeia da construção e pudemos apresentar propostas na área de habitação e de infraestrutura.

Dá para dizer que, enfim, a construção civil foi ouvida pelo governo?
Sim, o governo realmente investiu bastante na construção civil. Ele procurou disponibilizar recursos e gerar programas que auxiliassem no combate destas necessidades habitacionais e de infraestrutura. Tínhamos um déficit habitacional de oito milhões de casas e veio o Minha Casa, Minha Vida. As estradas estavam ruins e veio o PAC. Então, esse diálogo proporcionou todos esses programas que fomentaram a construção civil.

O senhor acredita que esse crescimento conseguirá ser sustentável no longo prazo?
O Brasil é um país que precisa ser construído, pois falta tudo em nível de construção. Veja agora, com esses eventos esportivos como a Copa do Mundo e Olimpíadas. Será uma demanda enorme. Mas a curva de crescimento, o setor do cimento já vem experimentando há pelo menos quatro anos, e sempre sobre uma base maior. Então, com certeza, não é uma tendência de curto prazo. Nós achamos que é uma curva que vai se estender de cinco a dez anos.

Como a indústria cimenteira tem reagido a esse crescimento, no sentido de investimentos para aumento da capacidade instalada?
A indústria de cimento do Brasil é uma das mais modernas no mundo. Então, ela reagiu de imediato. O setor hoje está instalando fábricas novas, readequando as fábricas antigas, modernizando as fábricas e, principalmente, aprimorando a logística. Hoje, há demanda por cimento no país inteiro. Antigamente, as demandas eram sazonais, com alguns estados crescendo mais que outros. Hoje, o Brasil inteiro é um canteiro de obras. Então, é questão de honra para o setor do cimento abastecer o país todo, mesmo com todas estas dificuldades de infraestrutura do Brasil.

Então, a previsão é de novos recordes na produção de cimento em 2011?
Em 2010, a produção de cimento alcançou 59 milhões de toneladas de cimento e o percentual sobre o ano anterior (2009) foi de 14,8%. Neste ano, a estimativa de crescimento é de 8% a 10%. Nossa capacidade de produção é de 67 milhões de toneladas e os investimentos que estão sendo feitos, e vão entrar este ano e em 2012, 2013, 2014, estão programados para suprir a demanda que vai surgir. Tenho certeza que seremos autossuficientes para abastecer toda a construção civil. Não só no que diz respeito ao cimento, mas a todos os sistemas construtivos à base de cimento, como pré-fabricado, blocos de concreto, tubos de concreto, telhas de concreto e todos os demais produtos cimentícios.

O mundo está voltado para o crescimento sustentável, com o aproveitamento de resíduos e a baixa emissão de gases. O setor cimenteiro está preparado para esse desafio?
Neste quesito, a indústria nacional está de parabéns. Um exemplo é o coprocessamento de resíduos em nossos fornos, que é uma das mais efetivas contribuições para o meio ambiente. Outra questão importante é que todo o cimento produzido pela indústria atende as normas da ABNT, sejam eles cimentos puros, cimentos especiais ou cimentos compostos. Neste caso, o produto agrega as escórias da siderurgia, ajudando a eliminar esses resíduos. Tem ainda o cimento pozolânico, que absorve as cinzas das termoelétricas. Tudo isso sem alterar a qualidade do cimento. Pelo contrário, existe a norma de cimento de alto forno, existe a norma de cimento pozolânico, existem todos os tipos de normas que garantem para o consumidor a melhor qualidade que se possa ter no produto. Tanto isso é verdade que no PBQP-H (Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat) o cimento é o produto que tem o maior índice de conformidade: 99,1. Isso aí mostra como trabalhamos a favor do meio ambiente.

A ABCP e o SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento) trabalham em outras ações para reforçar a sustentabilidade do setor?

Estamos engajados no tema das mudanças climáticas e preparando um inventário nacional de emissões do setor, que será entregue ao governo federal. São diretrizes e metas para redução dos gases do famoso efeito estufa. Esta postura proativa demonstra que a indústria brasileira é considerada mundialmente a mais eficiente no que se refere à preocupação com o meio ambiente.

O Laboratório de Ensaios Físicos da ABCP foi eleito no ano passado o melhor do país dentro do setor da construção civil. O que isso representa para a melhoria do cimento e do concreto usados no Brasil?

O laboratório da ABCP foi agraciado com o prêmio da Sinprocim (Sindicato da Indústria de Produtos de Cimento). Nós já havíamos sido agraciados com menção honrosa em 2009. Em 2010, ganhamos este troféu na categoria de Ensaios Físicos através de uma pesquisa feita pelo Ibope. Mas é importante dizer que o prêmio não foi do nosso laboratório. Ele foi das pessoas que tocam o laboratório. Por isso, ele é hoje um centro de referência de prestação de serviços e a ABCP, diante disso, trabalha muito com a certificação da ISO 9001. Nós temos hoje a certificação do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) para fazer todas estas análises químicas, físico-mecânicas, pneumologias e de matérias-primas, combustíveis, resíduos industriais, clínquer, do cimento propriamente dito, do concreto, argamassa e outros produtos cimentícios. A partir daí, criamos um selo de qualidade, que é uma garantia real de que o produto está atendendo a todos os requisitos.

Quais os principais programas desenvolvidos pela ABCP para fomentar o uso de produtos à base de cimento e serviços para a melhoria da construção civil?
Nosso papel é fomentar na construção civil o uso de produtos cimentícios. Então, temos parceiros, com os quais trabalhamos para atingir um alto padrão de qualidade. São a Associação de Pré-fabricados, a Associação de Telhas de Concreto, a Associação de Blocos de Concreto, a Associação de Argamassa, a ABESC (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem) e até a Construvidro. Recentemente também acabamos de fazer um trabalho na FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), juntamente com mais 104 empresas ligadas à construção civil, para desafogar os gargalos da construção civil. Não só os gargalos tecnológicos, mas os gargalos burocráticos, licenciamentos, problemas de precatórios e outra série de coisas. Projetamos este trabalho até 2022, que é o ano dos 200 anos da Independência do Brasil.

E o que esse trabalho abrange?
Um dos itens se relaciona às estradas do Brasil. Defendemos o investimento em pavimento de concreto nas rodovias. Por quê? Por que dura 30, 40 anos. Então, calcule. Se o governante investe neste tipo de pavimento, só quem vai se preocupar com ele será seu sexto sucessor. O pavimento de concreto é um projeto de estado. Quer dizer, começa num governo e vai durar vários governos. O trabalho também consiste em levar para a administração pública as melhores práticas e soluções para habitação. Estamos mostrando a prefeitos que não se consegue fazer habitação sem saneamento e sem mobilidade urbana. Então, a ABCP tem trabalhado nisso, dado assistência técnica e mostrado as vantagens dos sistemas construtivos à base de cimento. Além disso, atuamos junto às ONGs e organismos do terceiro setor para que, juntos, possamos fazer a melhoria habitacional da população carente. Através do quê? De uma reforma. Então, nós vamos fazer um Clube da Reforma, que é um projeto que vai proporcionar assistência técnica como já existe há sete anos o projeto Comunidade da Construção. Outro aspecto é a questão da falta de mão de obra. Esse pacto com a FIESP propõe também um programa nacional de preparação de mão de obra junto com as universidades. A intenção é usar todo o capital tecnológico da ABCP, que está fazendo 75 anos, a serviço do Brasil.

Como o senhor disse, a ABCP está completando 75 anos. Qual a avaliação feita da importância da associação, tanto para o meio acadêmico quanto para a cadeia produtiva da construção civil?

São 75 anos maravilhosos que a ABCP vai completar em dezembro. Isso nos orgulha, mas não nos satisfaz, por que a cada ano nós temos que ter um papel ainda mais importante para a sociedade. Então, aqui na associação, temos quatro premissas básicas que têm nos governado e orientado em todo esse tempo: visão bifocal, qualidade, capacitação e integração. Elas têm permitido a gente elaborar pesquisas e fazer parte de um todo. Por isso, talvez, é que somos reconhecidos nacionalmente e internacionalmente pela excelência dos nossos serviços.

Entrevistado
Renato José Giusti, presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP)

Currículo
- Formado em engenharia metalúrgica (1971) com especialização em Marketing e Mercado
- Exerce o cargo de Presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), entidade técnica da indústria do cimento no País
- Diretor do Departamento de Construção Civil, DECONCIC e membro do Conselho da Indústria da Construção da FIESP, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo
- Membro do Conselho Deliberativo da ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas
- Conselheiro do IBRACON, Instituto Brasileiro do Concreto
Contato: renato.giusti@abcp.org.br
Assessoria de imprensa
Erika Almeida – erika.lide@abcp.org.br
Cristina Soares - cristina03@lide.com.br
Marta Oliveira – marta.oliveira@abcp.org.br

Crédito: Divulgação/ABCP

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

Retrofit muda edifícios, estádios e cidades

Intervenções arquitetônicas ajudam a adequar edificações antigas ao conceito de prédio verde e recuperam áreas degradadas dos grandes centros urbanos

Por: Altair Santos

O Brasil vive uma onda de retrofit. Prédios públicos, edifícios localizados nos centros das grandes cidades e até estádios têm sido alvo de intervenções arquitetônicas, que ampliam a vida útil e modernizam seus projetos. A certificação de prédio verde estimula essas revitalizações, como explica o professor Orlando Pinto Ribeiro, da Universidade Positivo, em Curitiba, e vice-presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA-PR). “O retrofit ameniza o impacto das edificações antigas no meio ambiente, seja do ponto de vista de utilização energética, de calor ou de aproveitamento de águas pluviais”, diz, lembrando que essa é uma tendência mundial e não apenas exclusividade do urbanismo brasileiro.

Orlando Pinto Ribeiro: elementos pré-moldados têm sido usados em intervenções de retrofit.

Os arquitetos especialistas em retrofit têm uma predileção pelos edifícios erguidos em concreto armado. Segundo eles, são construções preparadas para receber intervenções mais pesadas em suas instalações, e até equipamentos de grande porte que possam vir a ser necessários para que os prédios melhorem seus desempenhos. Orlando Pinto Ribeiro destaca também que atualmente os elementos em pré-moldado têm ganhado cada vez mais espaço nas obras de retrofit. “É uma tendência natural se trabalhar com esses materiais, uma vez que o retrofit não é uma reconstrução, mas sim uma intervenção em cima de edificação pré-existente. Então, todo o processo industrializado é muito bem vindo no trabalho”, revela.

Atualmente, a legislação brasileira incentiva o retrofit. Não apenas nas edificações como nos espaços urbanos. Neste caso, áreas que ficaram degradadas nas cidades, seja pela especulação imobiliária, seja por mau uso, são submetidas a processos de revitalização. É o chamado retrofit urbano, que em Curitiba tem no bairro Rebouças o exemplo melhor acabado. “Era uma área totalmente industrializada que está mudando o perfil, por meio de parceria pública e privada”, afirma o arquiteto Orlando Pinto Ribeiro. Em São Paulo, a região da Avenida Paulista talvez seja hoje a área urbana que mais tem sido objeto do retrofit. O alvo, no caso, são os antigos prédios residenciais, que têm sido transformados em espaços comerciais.

Copa 2014
A escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014 levou o retrofit para dentro dos estádios. Segundo o arquiteto e professor da Universidade Positivo, a readequação de Maracanã, Beira-Rio, Mineirão, Castelão e Arena da Baixada, para cumprir o caderno de encargos da Fifa, é um exemplo claro de que o retrofit cabe em qualquer obra. “Essas intervenções podem sim ser consideradas como retrofit, que consiste em revitalizar estes edifícios dando a eles oportunidades de funcionar com um desempenho superior ao que eles têm hoje”, avalia Orlando Pinto Ribeiro.

Com um espectro amplo, o retrofit é também comum em edifícios de valor histórico. Só que, neste caso, a ação exige uma mistura de reforma com restauro. Muitas vezes é mantida a casca do edifício, que é o perímetro daquilo que a cidade está acostumada a ver na paisagem urbana, e a intervenção maior se dá no interior do edifício. “Em patrimônios históricos, as soluções pré-fabricadas são de grande valia para este tipo de recuperação”, diz Orlando Pinto Ribeiro. O Palácio Iguaçu, em Curitiba, é um exemplo. “Ali foram feitas readaptações dos espaços internos e mudanças na fachada original, que era de vidro transparente e foi substituída por uma de vidros verdes”, completa o arquiteto, que hoje atua no retrofit do edifício Nerina Caillet, na rua Marechal Deodoro, no eixo financeiro de Curitiba.

Estádio Maracanã: retrofit para adequar o patrimônio histórico às exigências da Fifa para a Copa 2014.

Entrevistado
Arquiteto Orlando Pinto Ribeiro, professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Positivo
Currículo

- Graduação em Arquitetura e Urbanismo (UFPR - 1993)
- Mestrado em Arquitetura e Urbanismo (PROPAR / UFRGS - 2003)
- Coordenador (desde 2006) e professor (desde 2000) do Curso de Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Positivo
- Vice-Presidente (Relações Institucionais) da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA-PR)
- Sócio proprietário e coordenador geral da empresa Contexto Arquitetura S/S LTDA.
- Diretor Geral do Seminário Internacional de Curitiba - Ateliês de Projeto Urbano (Si CWB)
- Revisor dos verbetes de Arquitetura e Urbanismo do Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa.
Contato: oribeiro@up.com.br ou orlando@contexto.arq.br

Créditos fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

Pavimento em concreto vira atração na Brazil Road Expo

Conferências jogaram luz sobre construção de estradas e ferrovias à base de cimento Portland e reuniram professores doutores no assunto

Por: Altair Santos
Trem de Alta Velocidade na Alemanha: trilhos sobre estrutura rígida de concreto é modelo para o Brasil.

As características geológicas do terreno onde se pretende construir o primeiro trem de alta velocidade do Brasil, ligando as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, passando por Campinas, recomendam que os trilhos por onde vão trafegar os veículos sejam construídos sobre uma estrutura rígida de concreto, em vez de dormentes assentados em lastros de pedra britada. Esse e outros conceitos nortearam uma das conferências que mais atraiu público no Brazil Road Expo 2011 - evento que aconteceu no começo de abril, em São Paulo.

Os debates sobre pavimento à base de cimento Portland foram conduzidos por professores doutores em engenharia, entre eles José Tadeu Balbo, vice-presidente da ISCP (Sociedade Internacional de Pavimento em Concreto); Paulo Fernando Araújo da Silva, Consultor Internacional em Infraestrutura, ligado à ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural), e Antonio Domingues de Figueiredo, professor da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo).

Balbo defendeu que todo o pavimento rígido deve ter como princípios básicos a alta qualidade e a durabilidade. “Ou ele dura muito tempo ou é mau exemplo, pois não terá sustentabilidade”, disse. O palestrante também alertou que as peculiaridades locais são sempre importantes para que o produto final em pavimento rígido atinja seu objetivo. “É um conjunto de ações que precisa ser levado em conta, e que tem de estar engajado com as peculiaridades do local. Aí, incluem-se o projeto, as normas, as especificações do material e os processos construtivos”, disse.

Paulo Fernando Araújo da Silva: "Rodoanel Sul, em São Paulo, e BR-101 Nordeste são cases de sucesso em pavimento rígido no Brasil."

Seguindo a mesma linha de raciocínio, o professor Paulo Fernando Araújo da Silva citou o que, para ele, são os principais cases desucesso de pavimento rígido no Brasil. “O Rodoanel Sul e a duplicação da BR-101 Nordeste são bons exemplo”, disse, revelando o segredo destas obras. “Houve controle de qualidade no projeto e foram atendidas as especificações do cimento, pois cada região exige um tipo de cimento que se adapte às peculiaridades do local, como as questões meteorológicas, por exemplo”, disse.

A questão do controle de qualidade também foi bastante defendida pelo palestrante Antônio Domingues de Figueiredo. “É fundamental seguir todos os parâmetros para que o resultado final de uma obra de infraestrutura traga o resultado que a sociedade espera dela. Senão, será o dinheiro do contribuinte que estará sendo desrespeitado”, afirmou.

Os professores doutores citaram os Estados Unidos e Alemanha como exemplos a serem seguidos pelo Brasil. “Acho que temos muito a aprender sobre pavimento em concreto. Na Califórnia (EUA), por exemplo, eles criaram uma tradição em pavimentação rígida, assim como no Texas. Já na Alemanha, as rodovias em concreto vêm se propagando no país desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Hoje, ele já chega aos trens de alta velocidade, que já estão usando o pavimento continuamente armado para os TAVs alemães”, citou José Tadeu Balbo, que palestrou sobre conceitos e tendências internacionais.

Brazil Road Expo 2011

Em três dias de evento, a primeira edição da Brazil Road Expo reuniu 170 expositores nacionais e internacionais e foi visitada por 8 mil profissionais especializados do segmento. De acordo com o diretor da Brazil Road Expo, o engenheiro Guilherme Ramos, as expectativas da feira foram superadas. “Lançamos um evento único, com objetivo de fomentar o setor de infraestrutura e possibilitar a melhoria de todo o sistema viário e rodoviário nacional”, esclareceu.

José Tadeu Balbo: “Temos muito a aprender sobre pavimento em concreto.”

Entrevistados
Professor doutor José Tadeu Balbo, vice-presidente da Sociedade Internacional de Pavimento de Concreto
Currículo

- Graduado em Engenharia Civil (1984), mestrado em Engenharia de Transportes (1990) e doutorado em Engenharia (1993), todos pela Universidade de São Paulo com programa de doutorado sanduíche da CAPES na Escola Politécnica Federal de Zurique, Suíça (1992-1993)
- É também o primeiro Livre Docente em Projeto e Construção de Pavimentos pela USP em 1999
- Atualmente é professor associado da Universidade de São Paulo, membro do Comitê de Pavimentos Rígidos (AFD50) do Transportation Research Board - National Academy of Sciences, revisor do International Journal of Pavement Engineering e do Journal of the Transportation Research Board, editor do International Journal of Pavement Engineering e do International Journal of Pavement Research and Technology
- Atual vice-presidente da International Society for Concrete Pavements (ISCP)
Contato: vice-president@concretepavements.org
 

Professor doutor Paulo Fernando Araújo da Silva, consultor internacional em infraestrutura

Currículo

- Engenheiro Civil, Mestre em Engenharia de Construção Civil pela POLI / USP (SP)
- Doutor em Infraestrutura pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA)
- Professor de Cursos de Pós-Graduação de Patologia e Recuperação do Instituto Brasileiro de Perícias (IBAPE); MBA em Gerenciamento de Projetos - FGV (em andamento)
- Consultor Internacional em Infraestrutura
- Autor de 3 livros técnicos pela PINI: ”Manual de Patologia e Manutenção de Pavimentos”, ”Concreto Projetado para Túneis” e ”Durabilidade das Estruturas de Concreto em Atmosfera Urbana”
- Membro atuante na ABNT, com diversos Artigos Técnicos publicados em Revistas e Anais de congresso
- Diretor da Concremat Engenharia
Contato: abce@abceconsultoria.org.br

Antônio Domingues de Figueiredo: “Obra de infraestrutura tem de trazer o resultado que a sociedade espera dela.”

Professor doutor Antonio Domingues de Figueiredo, professor da Escola Politécnica da USP
Currículo

- Engenheiro civil formado em 1987, possui mestrado (1992) e doutorado (1997) em Engenharia Civil pela Universidade de São Paulo
- Professor da Escola Politécnica da USP desde 1989
- Colaborador da International Tunnelling Association e Coordenador Técnico do Comitê Brasileiro de Túneis da ABMS
- Atua, principalmente, na área de Materiais e Componentes de Construção, nos temas relacionados ao concreto com fibras, concreto projetado e túneis. Tem recorrente trabalho na área de normalização junto à ABNT nas áreas de concreto projetado, fibras para concreto e tubos de concreto para obras de saneamento
- Autor de mais de 100 publicações incluindo artigos publicados em periódicos, congressos nacionais e internacionais, livro e capítulos de livro
Contato: antonio.figueiredo@poli.usp.br

Créditos fotos: Cimento Itambé/Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330